Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















terça-feira, 27 de abril de 2010

Os elementos de referência na barra do Douro

A Torre da Marca
A Marca (baliza), era a principal referência dos navios que entravam na barra do Douro.
Foi construída pela Câmara em 1542, a pedido do rei D. João III, ao que se supõe em substituição de um pinheiro que ali existia com as mesmas funções, nos terrenos onde hoje se situa o Palácio de Cristal, ao fundo da Avenida das Tílias.
Na gravura de Manuel Marques de Aguilar de 1793 (que adiante estudaremos) pode ter-se uma ideia da forma da Torre da Marca.
A torre já com pouca funcionalidade depois da construção da Torre dos Clérigos (a mais alta de Portugal), foi muito danificada durante o Cerco do Porto, já que os liberais aí tinham instalado uma bateria.


VISTA DA ENTRADA DA BARRA DA CIDADE DO PORTO
Tirada da parte do Norte da Torre da Marca a tempo em que entrava huma Frota Ingleza e se construía o novo Cães e Fortaleza Dedicada a Sua Alteza Real o Príncipe do Brazil Nosso Senhor Pelo seu muito agradecido reverente e Vassalo Manoel Marques de Aguilar. Aberta em Londres no Anno de 1797.
TO HIS ROYAL HIGHNESS D. JOHN PRINCE OF BRAZIL This Plate representing a View of the Entrance to the Harbour of the City of Oporto. Is most humbly Dedicated by His Royal Highness^s most obedient and most devoted Subject. Manoel Marques de Aguilar. This view is takenfrom the North side o f the Tower o f Marca., when an English Convoy was entering the Harbour, the Fortifications and the New Quay
were constructing in the Year 1793.




Forte e Igreja de S. João da Foz 1527 Francisco de Cremona (1528-1534)
A fortaleza de São João da Foz, construída durante o domínio dos Filipes (1580-1640), defende a entrada da barra do Douro.
Em 1560 D. Catarina, viúva de D. João III, regente do Reino durante a menoridade de seu neto, D. Sebastião, mandou ao Porto João Gomes da Silva com a missão de fortificar as costas marítimas desta cidade.
Em 1589 o Castelo da Foz começou a ser construído por Filipe de Espanha, com receio que tropas desembarcassem no Douro.
Detalhe da Planta Geográfica da Barra da Ci.de do Porto. T. S. Maldonado delin. Porto. Godinho sculp.
Officina de António Alvares Ribeiro, 1789 água-forte 26,5x38,2 cm para ilustrar a edição da
Descripção topográfica, e histórica da Cidade do Porto, do Pe. Agostinho Rebelo da Costa (Porto, 1789).

O sítio escolhido foi o primitivo terreno, onde já existia um hospício e a igreja da Foz.
Estava ainda por concluir a obra quando subiu ao trono D. João IV, que determinou a conclusão da mesma, vindo o Castelo a ficar pronto em 1647.
Da igreja velha do castelo só ficou a capela-mor, servindo de capela militar, sendo demolido o corpo principal.

Fortaleza de S. João da Foz, 1527-1653 Planta do piso térreo (esq.) e do 1.º piso, com as fases de construção.
Fonte: Reinaldo Oudinot e a intervenção na Barra do Douro provafinal Andreia Raquel Neiva Coutinho Faup 2006

D. Miguel da Silva - Igreja e Paço 1527/1546D. Sebastião – fortaleza de Simão de Ruão 1570/1578
D. João IV - fortaleza de Charles de Lassart 1643/1653

O procurador de el-rei Francisco Dias, nas suas Memórias, referindo-se à construção desta fortaleza, anota que ela “se comesou em São João da Foz a 16 d’agosto da era de 1570 e veo a isso num João Gomes da Silva por mandado de el-rei”.
Por carta régia de 26 de Abril de 1570, era recomendado ao concelho todo o auxílio de que carecesse aquele emissário, especialmente incumbido da «fortificação dos lugares marítimos de Cascais até Caminha» (Arquivo Municipal do Porto, Livro 2,° de Previsões).

«As margens do Douro, collecção de doze vistas» — por Cesário Augusto Pinto. Porto 1849. - Litografia 160 x 250 mm. lith de J. C. V. V.a Nova —Rua do Campo Pequeno, Porto, 1849

 
O Castello de S. João da Foz , Coelho, «O Archivo Popular»,1839

O farol do Anjo 1527 (n.º 29 da Planta Geográfica da Barra da Cidade do Porto de Teodoro de Sousa Maldonado 1789)

Foi o bispo de Viseu D. Miguel da Silva, como Abade comendatário do mosteiro de Santo Tirso e, nessa qualidade, senhor do couto de S. João da Foz, quem mandou construir, no ano de 1527, sobre a penedia da Cantareira, uma torre, consignando rendimentos bastantes para nela manter “acesos fogos de noite perpetuamente” e servir assim de farol à navegação.
Deve ser este, presentemente, o mais antigo farol da costa portuguesa, vindo a servir de ermida, da invocação de S. Miguel-o-Anjo, desde o século XVII até meados do século passado.
A povoação de S. João da Foz do Douro era couto do mosteiro de Santo Tirso donatário do couto de S. João da Foz tendo sido ali que a acção do prelado D. Miguel da Silva Bispo eleito de Viseu, mais se fez sentir.
Assim, quiz construir na Foz do Douro um porto que rivalizasse com o de Lisboa e permitisse ao norte de Portugal um mais rápido e fácil acesso aos portos da Europa.
Em 1528 - D. Miguel da Silva, manda construir a capela de S. Miguel-o-Anjo e, bem assim, instalar na respectiva Torre um Farol destinado a funcionar como avisador luminoso à navegação;
Exteriormente, tem a forma quadrangular, mas o interior é octogonal, com alguns nichos nas paredes e segundo consta, teve em tempos, umaltar barroco do século XVIII.
Numa lápide está inscrito SALVOS IRE R(OGO) D(EUM)
“Peço a Deus que vão sãos e salvos”.

Noutra pedra está gravada a inscrição latina, que também traduzida diz:
MICHAEL SILVIVS ELECTUS EPISCOPU S VIS1ENSIS TVRRIM AD REGENDOS NAVIUM CURSUS
FECIT IDEM AGROS EX QUORVM REDDITV NOCTVRNI IGNES E TVRRI PERPET AD
CEENDERENTUR SVA PECV... MTOS ANN MDXXVII
”D. Miguel da Silva, Bispo eleito de Viseu, fez esta torre para governo da entrada dos navios e deu e consignou campos comprados com o seu dinheiro para que do respectivo rendimento se acendessem na torre fogos perpetuamente”.

postal do início do século XX

As principais funções deste monumento, eram as de “auxiliar a navegação” e para o efeito o próprio bispo, instituiu os meios necessários à manutenção do farol.
Os rendimentos provinham dos impostos cobrados aos barcos, que demandassem a barra do Douro.
Exteriormente é visível o desenho da Torre quadrangular que remata com uma abóbada, pintada de branco que contém uma grade de ferro a substituir a primitiva balaustrada. Teve, do lado de terra, um pequeno pátio com guardas de granito servindo de assentos.
Chega-se à cúpula da Capela Farol através de uma escada de caracol.
Presentemente, a Capela Farol encontra-se quase totalmente ocultada pelo edifício construído, em 1841.

O farol e a ermida de N.ª S.ª da Luz (n.º 27 da Planta Geográfica da Barra da Cidade do Porto de Teodoro de Sousa Maldonado 1789)
Através de um alvará do Marquês de Pombal emitido no dia 1 de Fevereiro de 1758, é determinada a construção do Farol da Luz.Construído em 1758 por alvará do Marquês de Pombal junto à Ermida de Nossa Senhora da Luz. A Capela foi demolida em 1832.

Detalhe da Planta Geográfica da Barra da Ci.de do Porto. T. S. Maldonado delin. Porto. Godinho sculp.
Officina de António Alvares Ribeiro, 1789 água-forte 26,5x38,2 cm para ilustrar a edição da
Descripção topográfica, e histórica da Cidade do Porto, do Pe. Agostinho Rebelo da Costa (Porto, 1789).



Joaquim Villanova – Farol (Foz) de Nossa Srª da Luz 1833
 

The Foz Lighthouse from West
Frederck William Flower c. 1849-1959
prova actual em papel salgado a partir do original calotipo 186 x 215 mm ANF/D-FWF/34
catálogo da exposição F.W. Flower, um pioneiro da fotografia portuguesa, Museu do Chiado, Electa, Lisboa 1994

 
Farol e estação telegráfica do Monte da Luz

A Capela de Nossa Senhora da Lapa 1819 - reedificação da capela do século XIV / XV

Detalhe da Planta Geográfica da Barra da Ci.de do Porto. T. S. Maldonado delin. Porto. Godinho sculp.
Officina de António Alvares Ribeiro, 1789 água-forte 26,5x38,2 cm para ilustrar a edição da
Descripção topográfica, e histórica da Cidade do Porto, do Pe. Agostinho Rebelo da Costa (Porto, 1789).




Capela de Santa Catarina fundada em 1395


Detalhe da Planta Geográfica da Barra da Ci.de do Porto. T. S. Maldonado delin. Porto. Godinho sculp.
Officina de António Alvares Ribeiro, 1789 água-forte 26,5x38,2 cm para ilustrar a edição da
Descripção topográfica, e histórica da Cidade do Porto, do Pe. Agostinho Rebelo da Costa (Porto, 1789).




Convento de Santo António de Vale Piedade 1569


CONVENTO do S.to António PORTO. S.t António Convent. OPORTO.
J. J. Forrester Ddl.t R. J. Lane. A. R. A. direxit. G. Childs lith. Published in Oporto
by the Author & for him in London by J. Dickinson New Bond S.t September — 1835. Printed by Graf & Soret.
Estampa n.° 7 da colectânea do Barão de Forrester.

 
"O mosteiro de Vale da Piedade foi fundado em 1569, pelos religiosos franciscanos (antoninos) da província da Soledade, ou reformados menores de S. Francisco.
Ao lugar onde se fundou este mosteiro (em frente de Miragaia, na margem esquerda do Douro) se chamava até então Vale de Amores. Deu-se-lhe este nome, porque sendo um matagal, com árvores silvestres, era o alcoice (local de prostituição) dos moradores do Porto e Gaia. Os frades mudaram o nome para o de Vale da Piedade.
Foi incendiado pelos liberais, em 14 de Dezembro de 1832 e depois vendido ao Sr. António José de Castro Silva, dando-se-lhe o titulo de Barão de Vale de Amores.
O Sr. Castro Silva não aceitou este titulo, em razão das recordações que sugeria; mas aceitou o titulo de visconde de Vale da Piedade, em 11 de Setembro de 1855.
Convento de frades de santo António de Valpiedade
Valpiedade, em outro tempo, antes dos frades, Valdamores.
Eram Antoninhos, ou de St.° António em Villa Nova de Gaya, fronteiro ao Porto, ao sitio da Torre da Marca, hoje Palácio de Crystal; era junto ao rio, fundado em 1569.
Foi aquelle terreno pertencente a José Pereira, e sua mulher Thomazia Maria, de quem os frades obtiveram o dito terreno.
Foi queimado pela tropa constitucional no tempo do cerco do Porto, por occasião d'uma sortida, a 17 de Dezembro de 1832.
Hoje é casa e quinta de António José de Castro e Silva.
Os frades tinham na cidade o seu hospício na Cordoaria, hoje Campo dos Martyres da Pátria, aonde hoje é o hospício dos expostos ou abandonados, d'antes roda dos enjeitados, defronte da igreja de S. José das Taypas, ou Almas."

ELUCIDARIO do VIAJANTE NO PORTO por Francisco Ferreira Barbosa Coimbra 1864






















4 comentários:

  1. Os meus parabéns por tão interessante blog que, salvo erro, será bastante recente.
    Sendo um curioso pela história do Porto e em particular pela história da Foz e da barra do Douro (a minha terra), fiquei encantado com o tema apresentado nesta mensagem. A propósito, muito grato ficaria se pudesse indicar toda a biografia que considera relevante para o estudo da história de tão mal tratado edifício, mas tão peculiar e precioso, como o é a capela-farol de São Miguel-o-Anjo.
    Bem-haja,
    Nuno Domingues

    ResponderEliminar
  2. Uma pequena correcção no meu anterior comentário:
    Onde se lê "biografia" deverá ler-se bibliografia.
    Queiram desculpar.
    Cumprimentos,
    Nuno Domingues

    ResponderEliminar
  3. caro Nuno Domingos: temtoda a razão. Havia um projecto de recuperação do farol de s. Miguel a cargo do prof. Alves Costa.Mas ao que eu sei está parado. Quanto à bibliografia ire colocando nos posts.

    ResponderEliminar
  4. Interessante este seu post, onde se veem duas imagens diferentes do antigo farol do Monte da Luz - Foz - Barra do Douro/Porto, secundado pelo telégrafo visual do luso Francisco António Ciera. Junto deixo endereço do meu blogue onde encontra referências a esta pessoa de ciência e tecnologias de comunicações.
    Cumprimentos
    Alfredo Anciães

    ResponderEliminar