Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















quarta-feira, 28 de abril de 2010

Os transportes marítimos e fluviais 3

A gravura de Teodoro de Sousa Maldonado 1789Desenho do arquitecto Teodoro de Sousa Maldonado, aberto a buril por Manuel da Silva Godinho para ilustrar a edição da Descripção topográfica, e histórica da Cidade do Porto, do P. Agostinho Rebelo da Costa (Porto, 1789).Nesta publicação é apresentada ainda uma outra imagem da Foz do Douro, “Mapa com a Planta da barra do rio Douro”. (ver os transportes maritimos e fluviais 1)
 
Desenho do arquitecto Teodoro de Sousa Maldonado, para ilustrar a edição da Descripção topográfica, e histórica da Cidade do Porto, do Pe.Agostinho Rebelo da Costa (Porto, 1789).

Na parte superior dois anjos seguram uma fita com C.ª DO PORTO.


Em baixo rodeando a legenda de 56 números, as Armas da Cidade com a imagem de Nossa Senhora da Vandoma entre duas torres e o dístico: Civitas Virginis.

Um dos interesses desta gravura reside no facto de estar pela primeira vez representada a Torre da Igreja dos Clérigos, ocupando uma posição central. A torre da igreja dos Clérigos para além de constituir um ponto de referência visual para qualquer ponto da cidade, irá alterar e consolidar o perfil e a imagem da cidade vista do sul.
Esta representação da cidade irá consolidar-se até aos nossos dias que se como a imagem do Porto.

"Teodoro de Sousa Maldonado foi o primeiro arquitecto da cidade, cargo que começou a desempenhar a partir de 1792, ainda que trabalhasse para a Junta das Obras Públicas desde 24 de Abril de 1789. Entre 1789 e 1792 executou diversas tarefas para a Junta. As qualidades demonstradas entre 1789 e 1792 por Teodoro de Sousa Maldonado levariam a que o Senado da Câmara do Porto o nomeasse arquitecto da cidade. Esta resolução seria tomada numa vereação extraordinária efectuada em 30 de Maio de 1792. A partir de 1792, j á então arquitecto da cidade, a sua actividade foi intensa. A ele se devem inúmeras plantas algumas delas relacionadas com as obras mais importantes que entre aquela data e o ano em que faleceu se executaram no Porto, das quais destacamos: as da rua de Santo António; calçada dos Clérigos e rua da Boavista Devem-se-lhe também diversos projectos para casas que tinham que ser construídas segundo as plantas que a Junta das Obras Públicas aprovasse.
Teodoro de Sousa Maldonado, arquitecto, hábil no desenho e poeta foi a personagem, ao lado de Champalimaud de Nussane, que directa ou indirectamente mais marcou a arquitectura do Porto no último decénio do século XVIII."
(ALVES, Joaquim Jaime Ferreira, O Porto na Época dos Almadas, Porto 1988)Manuel da Silva Godinho (1757/99), foi discípulo de J. Carneiro da Silva da Aula de Gravura na Impressão Régia.

No rio vemos diversas embarcações.

Entre elas uma fragata inglesa e três fragatas portuguesas


a fragata inglesa


uma fragata portuguesa
 

outra fragata portuguesa


a terceira fragata portuguesa

Uma antiga bateira usada na cabotagem “… com as velas de estai e uma grande vela de carangueja” (FILGUEIRAS, O. L. – Algumas Cenas e Cenários Ribeirinhos de Vila Nova de Gaia em Gravuras dos Séculos XVII a XIX – Gabinete de História e Arqueologia de Vila Nova de Gaia – 1984)



E, continuando a seguir Lixa Filgueiras “…a remontar a corrente à força de remos (repare-se no pormenor correcto do remador a remar voltado para a proa), mantendo as características (fundamentais do tipo análogo da gravura anterior que designei por rabão branco; se bem que no presente caso o mastro esteja situado mais a meio e a popa tenha um rabo mais erguido, e consequentemente o estrado de manobra da espadela pareça mais elevado)...”



A Planta Geográfica da Barra da Cidade do Porto de Teodoro de Sousa Maldonado


Planta Geográfica da Barra da Ci.de do Porto. T. S. Maldonado delin. Porto. Godinho sculp. Officina de António Alvares Ribeiro, 1789 água-forte 26,5x38,2 cm para ilustrar a edição da Descripção topográfica, e histórica da Cidade do Porto, do Pe. Agostinho Rebelo da Costa (Porto, 1789).

“Esta gravura, executada, como a anterior, para ilustração da monografia do Pé. Agostinho Rebelo da Costa, associa uma planta à panorâmica da Foz do Douro, cada uma delas a ocupar metade da mancha gráfica. Como vai acontecer da parte do autor da gravura seguinte, executada em 1790, parece ter sido este o objectivo de Teodoro de Sousa Maldonado: evidenciar as dificuldades que a entrada da barra oferecia à navegação.”(Texto que acompanha as gravuras na Edição Comemorativa da Inauguração da Ponte da Arrábida, possivelmente de Monteiro de Andrade).
Na gravura podemos ver ainda os elementos auxiliares da navegação e os acidentes do rio na entrada da Barra, que estão assinalados na legenda e não só.
· Os rochedos nomeados e numerados de que se salienta o Felgueiras (6) e a o Ferro (12), o Cabedelo (10) e a Praia da Foz (30)
· O castelo da Foz (2)
· O farol do Anjo (29)
· O Farol e a igreja da S.ª da Luz (27)
A capela de Santa Catarina está representada mas não indicada na Legenda.

Como é evidente não está na gravura mas fazia ainda parte deste “roteiro” de navegação no Douro o Mosteiro de Santo António de Vale Piedade na margem Sul.
O P.e Agostinho Rebelo da Costa no seu livro de que faz parte esta gravura, faz um descrição detalhada da navegação na barra do Douro comentando a gravura:


“Porem já he tempo de principiar a descripção da Barra, qua dá entrada, e sahida ao riqissimo Commercio desta Cidade. «Numero I, mostra o lugar de S. João da Foz immediato à Cidade, e aonde finaliza o Rio Douro. A Barra formada pela sua corrente principia de fronte do CASTELO num.2, e vai continuando com a largura de 20 braças medidas desde a lage DAVRA num.3, até a de AGUIÀO num.4, entre as quaes faz o seu ponto principal. Estas lages estão sempre cobertas d'agoa. Ao poente desta última, e na distancia de 8 braças, há outra chamada do PICÃO num.5: ao norte d'ambas levanta-se fora d'agoa em todas as marés hum alcantilado rochedo, chamado FELGUEIRAS num.6 com a sua ponta ao sul, perigosissima aos Na­vios, e assim mesmo he a dita lage DAVRA.
«Pelo sul desta, forma-se outro canal chamado SUL DA LAGE num.7, por onde entrão as embarcaçoens, quando não tem arêas. Ao sueste desta segunda Barra, há outro rochedo, chamado FOGAMANADAS num.8, e imediatos a este, achão-se outros chamados os FI­LHOS DA PERLONGA num.9, que vão ter ao CABEDELLO num.10.
«Entre estas pedras, e os rochedos, que estão pegados ao CASTELLO num.2, he que está o canal da entrada principal da Barra.
«Segue-se outro rochedo chamado TOURO num.11, pelo sul do qual he a carreira dos Navios. Ao norte deste, há outro chamado SUPENA num.12, que nunca se cobre d'agoa. Segue-se outro chamado SAMAGAYO num.13, que está sempre encoberto. Ao norte deste estão outros chamados PICOENS num.14, que só apparecem na baixa mar.
«Continuando a mesma carreira, acha-se a pedra d'OLINDA num.15, que sempre está coberta d'agoa. Por entre esta, e o CABEDELLO, he que continua a carreira dos Navios.
«Ao norte desta pedra d’OLINDA, acha-se outra chamada a GAMELLA num.16, que apparece nas vazantes. Ao Lessueste da GAMELLA, existe a pedra JOMBOI num.17, e ao Leste fica o PILAR DA CRUZ num.18, que apparece sempre fora d'agoa. Pelo sul deste PILAR, he a carreira ordinária dos Navios, e ao sul desta carreira fica no meio do Rio a pedra do FERRO num.19, sempre oculta, e encoberta.
«Há outro canal ao sul desta pedra chamado SUL DO FERRO num.20, que também serve de carreira aos Navios; porém os mais pequenos, servem-se muitas vezes, do pequeno canal, que fica entre as pedras do MUGE num.21, e a BURNACEIRA num.22. Ao leste da pedra da CRUZ achão-se outras chamadas os ARRIBADOUROS num.23, que somente apparecem na baixa mar; e logo acima na carreira ordinária estão as LOBEIRAS DE SOBREIRAS num.24, que sempre estão encobertas. Defronte do lugar do Ouro há as LOBEI­RAS DA INSUA num.25, e ao sul, he que continua a carreira de todas as embarcaçoens. O CABEDELLO, como já disse, he toda a extenção d'arêa num.10, que algumas vezes chega a aproximar-se por força da cor­rente à PEDRA D'OLINDA num.15, e então he, que a Barra fica rnuito mais perigosa, sendo o dito CABE­DELLO também perigoso, ainda quando se não apro­xima áqueíla pedra.»
Descripção topográfica, e histórica da Cidade do Porto, do Pe. Agostinho Rebelo da Costa (Porto, 1789)

Duas embarcações apresentam-se ao largo, uma possivelmente partindo e a outra chegando à Foz do Douro.



Em frente da praia da Foz uma outra embarcação de dois mastros navega por entre os rochedos, assinalados e numerados, orientada por dois escaleres.



Duas fragatas estão já ancoradas definindo o percurso até ao Porto.





Uma escuna de velas redondas navega entre o Farol do Anjo e o rochedo da Cruz de Ferro, elementos fundamentais para a navegação na Barra do rio Douro, e uma outra junto ao Cabedelo.





Na Cantareira estão amarradas diversas bateiras, enquanto um barco com dois remadores e um passageiro passa na direcção do Porto.



Dois Valboeiros cobertos cruzam-se em sentido contrário, o que dirige para a Foz transportando uma passageira.

No Cabedelo junto a um barco amarrado seis pescadores recolhem a rede.

























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