Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















quinta-feira, 29 de abril de 2010

Os transportes marítimos e fluviais 4

A gravura de Manoel Marques de Aguilar 1791



Vista da Cidade do Porto, desde a Torre da Marca athe as Fontainhas, tomada da parte de Filia Nova do sítio chamado Choupello. Dedicada Ao Ulmo. e Exmo. Senhor JOZE DE SE ABRA DA SILVA, Ministro e Secretario de Estado de Sua MAGESTADE FIDELÍSSIMA da Repartição dos Negócios do Reyno. Por Manoel Marques de Aguilar, Alumno das Aulas Regias, Náutica, e Dezenho, estabelecidas na dita Cidade. Aguilar Delin e Esculp no Anno de 1791 e da por Completos os Edifícios dos Números seguintes No. 11. 28. 29. 34. Gravura aberta a buril 35x103 cm. Exemplar colorido da Biblioteca Nacional Digital.

É uma gravura aberta a buril representando o Porto, visto da margem esquerda do rio Douro, abrangendo umas pequenas orlas da praia de Vila Nova, o rio e a Cidade da Torre da Marca até às Fontainhas.
Na parte inferior, ao centro, o brasão dos Seabras com dois leões virados um para o outro e ao centro um S coroado.
É dedicada ao Senhor JOZE DE SEABRA DA SILVA, Ministro e Secretario de Estado de Sua MAGESTADE FIDELÍSSIMA da Repartição dos Negócios do Reyno.

Manoel Marques de Aguilar nasceu no Porto em 1767 ou 1768 e morreu em Lisboa em 1816-1817. Começou os seus estudos artísticos na Aula de Desenho da Companhia dos Vinhos até 1793 e, a seguir, partiu para Londres, onde foi discípulo de Tomás Milton, cujo avô era neto do autor do Paraíso Perdido. O seu mestre era considerado paisagista de grande nomeada.
Aí por 1796 regressou a Portugal, ingressando no Real Museu e no Jardim Botânico, para gravar objectos da História Natural e costumes da Ásia. (Xavier Coutinho).


José Seabra da Silva (1732-1813) Em 1763 foi desembargador do Porto quando ainda não completara 21 anos de idade. Foi secretário do Marquês de Pombal, e em 1765 foi nomeado procurador da coroa, e logo de seguida nomeado chanceler da Casa da Suplicação e guarda-mor da Torre do Tombo.A carta régia de 25 de Janeiro de 1770 fazia-o desembargador do Paço, e finalmente a 3 de Junho de 1771 era nomeado ministro de Estado adjunto ao marquês de Pombal. Em 1774, porém, o Marquês inexplicavelmente demitiu-o dizendo que cumpria ordens do rei. Foi para Vale de Besteiros e ali esteve três meses e depois preso no castelo de S. João da Foz no Porto. Finalmente foi desterrado para o presídio das Pedras Negras em Angola via Rio de Janeiro.Com a morte do rei e aclamação de D. Maria I em 1877, regressa a Portugal no ano seguinte. Em 1781 José de Seabra da Silva foi de novo chamado ao ministério do reino. Promoveu diversas obras públicas como, entre outras, as estradas de Lisboa ao Porto, do Porto à Foz, e a do Alto Douro. Em 1788, foi de novo demitido, devido à questão da Regência, e mandado para a sua quinta do Canal junto da Figueira com a proibição de voltar à corte.



A gravura reproduzida na Edição Comemorativa da Inauguração da Ponte da Arrábida 1963 - CMP.

“Ampla perspectiva da parte da cidade voltada ao rio, fiel na localização e pormenorização de edifícios e exibindo toda a muralha, do alto da Batalha até ao sítio do Olival, ainda na sua configuração medieval, com as suas portas, postigos e baluartes e coroada de ameias.
O artista — assim o refere na própria legenda — dá como acabados o Hospital Novo, dotando-o da torre que, prevista no projecto de Carr, jamais se construiu, a igreja de Nossa Senhora da Lapa, o Paço Episcopal, que só havia de ser concluído um século depois, e Santo António da Cidade, bela igreja, depois destruída, do convento onde foi instalada a Biblioteca Pública Municipal.
Manuel Marques de Aguilar chamou ao primeiro plano, localizado na margem da esquerda, a referenciação de actividades incluindo no seu número o labor de estaleiros.”
- Edição Comemorativa da Inauguração da Ponte da Arrábida 1963 - CMP
No seu texto O. L. Filgueiras refere: “… a fragata (portuguesa) em construção no plano inclinado, marca bem a qualidade e o rigor da interpretação, se atentarmos no modo como está desenhada, desde a proa (com o beque, a figura de proa, as perchas do beque, as curvas, etc.) à popa, onde se destaca o alforge; enquanto alguns ociosos observam o curso dos trabalhos, o marinheiro de barrete catalão na cabeça «beija» a cabaça (do vinho), o mestre construtor, vestido a pre­ceito e empunhando a vara, dá ordens a dois obreiros que retiram duas escoras; atrás, o proprietário do navio e a mulher assistem compenetradamente ao que se passa; no convés, outro artífice manobra o cabo dum rudimentar aparelho de força; no chão, dispersos, canhões de bronze, pranchões, barrotame e uma grande âncora de ferro.”


A fragata em construção.

E continua “…outra fragata, portu­guesa vista de popa, encontra-se fundeada, com a lancha ao lado; também com alforges, o trabalho de talha por sobre, e nos cinco janelões do castelo de popa, dá bem ideia do que eram os navios de comércio dessa época, …”(FILGUEIRAS, O. L. – Algumas Cenas e Cenários Ribeirinhos de Vila Nova de Gaia em Gravuras dos Séculos XVII a XIX – Gabinete de História e Arqueologia de Vila Nova de Gaia – 1984)

a fragata vista de popa.

“…um navio a querenar observe-se o cuidado posto na indicação do modo como se encontra espiado e sujeito o casco tombado e o remanes­cente da parte da armação; …o calafate, em posição adequada, para lograr altura conveniente, trabalha em cima da carga dum peque­no barco de transporte; dois homens vão embreando o casco, acompanhados pelo moço que, ao longo do verdugo, transporta a panela do breu; o mestre-calafate, vestido a rigor, abri­gado sob o guarda-sol, empunhando a vara, dirige o trabalho dos seus oficiais, um e outros nas jangadas de serviço (simples estrados assentes sobre barris);”
(FILGUEIRAS, O. L. – Algumas Cenas e Cenários Ribeirinhos…)


O navio a querenar.


O navio a querenar

Querenar ou carenar um navio – num local próprio e relativamente pouco profundo, fundeava-se o navio na maré cheia, de modo que quando a maré vazava o navio adornava para um dos lados. Dessa maneira se limpava e/ou reparava o casco.


Canaletto, Giovanni Antonio Canal (1697 – 1768 ), Greenwich Hospital from the North Bank of the Thames – c. 1752. Óleo s/ tela 686 x 1067 mm. National Maritime Museum, Greenwich, London.


detalhe do quadro com o navio querenado.

Em frente ao cais de Monchique “…uma fluyt sueca, uma, fragata britânica e uma galeas dos Países Baixos .”

O Fluyt ou "barco voador”, era um barco setecentista de origem Holandesa construído com madeiras de baixa qualidade e exigindo uma equipagem muito menor do que os navios estrangeiros contemporâneos. O seu calado e grande compartimento de carga tornaram-no muito utilizado como navio de transporte e comércio incluído escravos.
Galeas - pequena embarcação com dois mastros desiguais.



Johannes Beerstraaten, A Dutch Flagship and a Fluyt Running into a Mediterranean Harbour século XVII óleo s/ madeira 61x84 cm. National Maritime Museum London.

Fluyt.
 

Galea - Johann Hinrich Friedrich Meyer (1792-1870), Ship Portrait of the German Galeas "BETRIEBSAMKEIT Capt. J.P. Hoefft 1817", aguarela 38 x 49 cm - The Werder Collection Alemanha.

No rio por entre as fragatas navegam uma bateira de cabotagem e uma lancha poveira de dois mastros.



a bateira


a lancha poveira.

Uma galeota dirige-se para a praia, provavelmente trazendo alguém do barco inglês onde se vê acostado um bote.


galeota.


o barco inglês.

“…ao centro da gravura, atracado ao cais, um barco rabelo descarrega pipas pelo processo ainda usado nos nossos dias (os cascos passados sobre as pranchas de carga, puxados por cabos, e manobrados com o auxílio dos paus ou travessas de carga, usados como alavancas); como acontece 'com todos os outros figurantes, há o maior cuidado na indicação da indumentária dos marinhei­ros, do feitor que vigia a faina, do servente que se aproxima, rolando a pipa até ao cimo do cais;”… (FILGUEIRAS, O. L. – Algumas Cenas e Cenários Ribeirinhos…)


“…outro rabelo, prestes a chegar ao término da sua viagem, carregado de cascos cheios, com água rasando as bordas, a carga arrumada a preceito (as pipas dispostas no sentido longitudinal, tampo-contra-tampo, e em três andadas — o lastrado, a bortuna, a sobre-bortuna, às vezes a quarta, ou de glória) — traz dois remadores a pontear à proa, e o arrais a governar com a espadela, nas apegadas — todos eles debuxados nas, devidas posturas;...”(FILGUEIRAS, O. L. – Algumas Cenas e Cenários Ribeirinhos…)



“…o terceiro rabelo… regressa a terras de Riba-Douro, com a cascaria vazia, arrumada de través; como vai a subir o rio, a navegação faz-se à vela, com o arrais a governar nas apegadas e, à proa, três marinheiros, dois em descan­so (um parece estar a beber), e o terceiro, vigiando o percurso, como proeiro; …”(FILGUEIRAS, O. L. – Algumas Cenas e Cenários Ribeirinhos…)



“…três valboeiros com toldos, dois dos quais com a vela de espicha armada, estacionam do lado de Gaia, na zona limitada por marcos…”(FILGUEIRAS, O. L. – Algumas Cenas e Cenários Ribeirinhos…)


Um…” valboeiro, sem toldo, sobe o rio à vela (armação perfeitamente apontada), com o barqueiro a governar utilizando o remo em vez de espadela — o barco leva passageiros dos quais se destaca o sentado à proa, abrigando-se com um guarda-sol;…” (FILGUEIRAS, O. L. – Algumas Cenas e Cenários Ribeirinhos…)

No lado extremo direito da gravura vê-se:”… ancorada uma embarcação de cabotagem com a armação de caíque…”(FILGUEIRAS, O. L. – Algumas Cenas e Cenários Ribeirinhos…)
 

Caíque - Embarcação da costa portuguesa sobretudo no Algarve com origem no século XVI. Utilizava duas velas latinas em dois mastros colocados em direcções divergentes, um para vante e outro para ré, cada um com uma verga.

Caíque do Algarve – in Octávio lixa FilgueirasOctávio Lixa Filgueiras e Alfredo Barroca, "O Caíque do Algarve e a Caravela Portuguesa" ed.Universidade de Coimbra, 1970.


Caíque do Algarve – in Octávio lixa FilgueirasOctávio Lixa Filgueiras e Alfredo Barroca,"O Caíque do Algarve e a Caravela Portuguesa" ed.Universidade de Coimbra, 1970.
Junto do Cais da Ribeira, com o Pelourinho estão dois valboeiros com toldos e três brigues.
 

Brigue – veleiro de dois mastros e gurupés, utilizado como navio comercial ou como navio de guerra.


Desenho do Grande Livro dos Pintores ou Da Arte da Pintura, de Gerardo Larisse, Lisboa 1801.
 

O HMS Beagle de Charles Darwin o mais célebre dos brigues.
 
No cais da Alfândega encontram-se ancoradas duas fragatas e um bergantim (com dois mastros).
 
































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