Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















quinta-feira, 29 de abril de 2010

Os transportes marítimos e fluviais 5

A gravura da Foz de Manuel Marques de Aguillar 1790

Apresenta como a anterior o brasão dos Seabra, a quem a gravura é dedicada.
Também nesta gravura da entrada da barra do Douro há uma clara preocupação de apontar as dificuldades da navegação e mostrar alguns importantes pontos de referência.
Na gravura estão representados o Castelo, o farol do Anjo e a capela da Senhora da Lapa.
(ver os transportes maritimos ).

Perspectiva da entrada da Barra da Cidade do Porto e Fortaleza que a defende. Dedicada ao Ulmo. e Exmo. Senhor José de Seabra e Silva, Secretário d'Estado de Sua Magestade Fidelíssima da Repartição dos Negócios do Reyno. 1790, gravura a água-forte 0,44x0,28 AHMP.

Três navios (fluyts) entram na barra por entre os rochedos, escaleres e uma marca de sinalização da navegação.


Detalhe da gravura.


Ludolf Backhuysen (1631-1708) “Fluteship before the wind” (Fluyt à bolina), desenho 134x161The Fitzwilliam Museum. Cambridge UK.

Compare-se o desenho de Marques de Aguilar com o de Ludolf Backhuysen.
No primeiro plano um barco dedica-se à pesca ...
 


...enquanto outros dois valboeiros, um de vela içada e o outro arreada, na praia da Foz aguardam passageiros para efectuar a travessia do Douro.



A gravura da entrada da Barra de Manuel Marques de Aguillar 1797


VISTA DA ENTRADA DA BARRA DA CIDADE DO PORTO, Tirada da parte do Norte da Torre da Marca a tempo em que entrava huma Frota Ingleza e se construía o novo Cães e Fortaleza. Dedicada a Sua Alteza Real o Príncipe do Brazil Nosso Senhor Pelo seu muito agradecido reverente e Vassalo Manoel Marques de Aguilar. Aberta em Londres no Anno de 1797.
TO HIS ROYAL HIGHNESS D. JOHN PRINCE OF BRAZIL This Plate representing a View of the Entrance to the Harbour of the City of Oporto.
Is most humbly Dedicated by His Royal Highness's most obedient and most devoted Subject. Manoel Marques de Aguilar.
This view is taken from the North side o f the Tower of Marca, when an English Convoy was entering the Harbour, the Fortifications and the New Quay were constructing in the Year 1793.

Como o autor indica esta vista foi tirada quando uma grande frota inglesa entrava na barra.
Os navios de diverso tipo ocupam já a entrada da barra e estendem-se no horizonte.


Também na legenda se refere a construção do novo cais construído a partir de 1790 segundo um projecto de Reynaldo Oudinot.

Reynaldo ou Reinaldo Oudinot (1747-1807) nasce em França em 1747, sendo irmão do marechal Nicolas-Charles, conde de Oudinot e duque de Reggio.
Parte para Inglaterra, e chega a Portugal em 1766, onde ingressa no Exército, como «ajudante de Infantaria com o Exercício de Engenheiro» e em 1784 tem a patente de Tenente-Coronel.
Em 1803, pelos inúmeros serviços prestados, é-lhe concedido o posto de Brigadeiro do Real Corpo de Engenharia,.
Em Portugal, a sua primeira actividade é a execução de levantamentos cartográficos.
Entre 1772 e 1788 realiza estudos para o aproveitamento dos campos do vale de Leiria.
Em 1789 vem para o Porto para realizar um novo levantamento da Barra do Douro.
Em 1790, é nomeado para dirigir os trabalhos de abertura da Barra do Douro desde a Foz do rio até à cidade, cargo que manterá até partir para a Madeira, em 1804.
Durante os quinze anos que permanece no Porto, Reinaldo Oudinot elabora os projectos do Quartel de Santo Ovídio, e do Aquartelamento das Partidas Avulsas, mais tarde conhecido por Real Casa Pia ambos mandados construir em 1790.
Durante este período de permanência no Porto elabora projectos para a Póvoa de Varzim (Praça Nova e Câmara Municipal) e Aveiro (Barra Nova e porto de Aveiro).
Em 1804, por Ordem Régia, parte para a Ilha da Madeira, para realizar obras no Funchal decorrentes das destruições provocadas pelo aluvião de 1803.



No rio Douro barcos portugueses.
Uma fragata que com uma salva saúda a armada inglesa…
 

…enquanto no meio do rio passa um valboeiro de toldo.



Um rabelo...
 
...e um barco de médio porte estão acostados no cais do Ouro.
 


No primeiro plano junto da Torre da Marca, estão fidalgos, clérigos, comerciantes e populares, assistindo ao espectáculo do acolhimento dos barcos ingleses.
Enquanto alguns estão voltados para o rio, dois espreitam através da Torre da Marca, um outro espreita por um óculo, e outros merendam, cantam e dançam.
 


Mais à direita dois clérigos afastam-se…
 


... e uma personagem a cavalo acena para os passeantes no valboeiro, enquanto um casal sentado se abraça com uma personagem acompanhada de um cão, que os interpela.
 

Ainda junto de uma figura em pé que contempla a vista está o próprio artista sentado numa pedra com uma prancheta onde desenha.
 


Finalmente, no extremo direito da gravura um casal também admira a cena junto das suas montadas e do cão.
 


















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