Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















quinta-feira, 29 de abril de 2010

os transportes marítimos e fluviais 7

A gravura de H. L’ Evêque (1769-1832) 1817


Vue de La Ville et du Port de Porto. H. L’Evêque. d. London P.ed 1817.

A gravura de Henri L’Eveque tem a particularidade de mostrar com detalhe a ponte das Barcas e as actividades que se processam em ambas as margens e na própria ponte.
A jusante da ponte diversas embarcações, sendo que em primeiro plano uma embarcação de dois mastros encosta à ponte enquanto, ao fundo junto da Ribeira uma embarcação semelhante.



 
A montante outras embarcações.

Nas mais próximas, uma tem um guindaste e na outra dois marinheiros atarefam-se dentro da barca.



À direta da imagem outra embarcação apenas é representada parcialmente, vendo-se ao fundo diversas outras embarcações.



No primeiro plano, na margem sul um conjunto de personagens ocupadas em diversas actividades.



Junto à capela de madeira um carreiro conduz um carro de bois...


...enquanto tanoeiros consertam e carregam pipas de vinho para um rabão.



Diversas mulheres ocupam-se da venda de produtos artesanais.



As gravuras de Robert Batty 1789-1848
O tenente-coronel Robert BATTY (1789 - 1848) foi um ilustrador e topógrafo. Filho de um cirurgião e também pintor de paisagens. Em 1813, Batty pertenceu ao regimento Grenadier Guards que combateu na Guerra Peninsular.Ao longo da vida, e publicou diversos livros ilustrados das suas viagens: Um esboço da Campanha No final da Holanda, 1815; Um esboço histórico da campanha de 1815; Campanha da ala esquerda do exército aliado,1823; Cenário Galês, 1823; Cenário alemão, 1823; Cenário do Reno, da Bélgica e Holanda, 1826; Cenário Hanoverian e Saxónio, 1829; Seis Vistas de Bruxelas, 1830; Um passeio de família através de Zuid-Holland, 1831; Vistas das principais cidades da Europa, 1832 e O motim e a Apreensão da H.M.S. Bounty, 1876.


Oporto. From the Quay of Villa Nova. Painted by Lieut. Col.e Batty. Engraved by R. Branbard. London.

O próprio autor Robert Batty anota:

«É em geral o ponto central de toda a actividade comercial, para o que escolheu a altura das águas máximas (maré cheia), no momento em que se movimentavam grande número de barcos, para descerem e subirem o rio, o que torna a «scena» extremamente animada.
Em vista das dificuldades que oferece a entrada da barra a barcos de grande capacidade, estes raramente tentam demandar a sua entrada, especialmente para aqueles que tem mais de 500 toneladas
Alguns barcos brasileiros, que negoceiam com o Porto, teem forte tonelagem, e em geral, ou são aliviados da carga ou esperam ao largo a maré alta.
O principal artigo de exportação é o vinho armazenado em Vila Nova, nas «Loges», onde teem os seus depósitos.»

No primeiro plano, o cais de gaia onde se mostram as actividades relacionadas com o comércio do vinho.

No entanto Octávio Lixa Filgueiras aponta alguns pormenores que considera errados:

” …a tentativa de interpretar a forma dos valboeiros/barcas de passa­gem não passa dum exercício medíocre de quem não apreendeu a índole de tão belas embarcações; e não se percebe como todos esses pequenos trans­portes aparecem dotados de velas latinas em vez da tradicional e única vela de espinchal . No resto, de entre barcas, brigues, iates, cúters, com a sua «marca» de internacionalidade, a dominante mediterrânica resultante da sementeira de panos triangulares (de caíques?) faz sobres­sair um exotismo em nada conforme com a realidade. (FILGUEIRAS, O. L. – Algumas Cenas e Cenários Ribeirinhos de Vila Nova de Gaia em Gravuras dos Séculos XVII a XIX – Gabinete de História e Arqueologia de Vila Nova de Gaia – 1984)


Oporto. The Custom-House Quay. Painted by Lieut. Col.e Batty. »-*—* Engraved by R. Wallis.

Nota de Batty:

«Voltando à margem setentrional do Douro e colocando-se sobre o muro da cidade ao canto da rua da Reboleira, o espectador goza de uma vista do rio muito interessante. O primeiro plano oferece uma imagem muito movimentada do cais da alfândega. As casas contíguas ao antigo muro, a maior parte delas com grandes telhados avançados, apropriados a um clima bastante quente, são de um gosto muito pitoresco. À direita, estão uma parte de Vila Nova, e o convento da Serra que coroa o rochedo de granito que se percebe detrás. Este convento, construído numa das mais agradáveis situações da Europa, foi fundado, em 1540, pêlos religiosos da ordem de Santo Agostinho; a igreja é em forma circular e, diz-se, foi assim construída à imitação da Rotunda de Santa Maria de Roma. Sobre a crista da colina mais afastada, estende-se o Seminário e uma muito longa fila de construções destinadas a servir de colégio àqueles que se consagram ao serviço secular dos altares. Não é visível mais do que uma das extremidades deste edifício; merece no entanto ser citado nesta descrição, como tendo sido o primeiro ponto de que as tropas inglesas tomaram posse, na memorável passagem do Douro. A ponte de barcas foi construída em 1806; os franceses destruíram-na em seguida; mas foi finalmente restabelecida em 1815. É o principal ponto de comunicação entre a província da Beira, ao sul, e a de Entre-Douro e Minho, ao norte do Douro. É uma cena bastante divertida e ao mesmo tempo muito interessante para os estrangeiros, ver os camponeses da Beira (talvez a mais bela raça de homens que há em Portugal) dirigir-se ao mercado com os produtos das suas terras.
«Quando os franceses se entregaram à pilhagem da cidade do Porto, a ponte foi teatro de uma carnificina medonha: algumas das barcas que a formavam tinham sido destruídas, e um grande número de desgraçados habitantes que se lançaram em tropel para evitar o gládio do inimigo, empurrados pela multidão aterrorizada, foram lançados ao rio, arrastados pela rapidez da corrente, e afogados».


Oporto. From Filia Nova. Painted by Lieut. Col.e Batty. Engraved by William Miller.
Nota de Batty:

«A vista aqui anexa, obtida na base da Serra, perto d® Ponte das Barcas, apresenta-nos a parte mais antiga da cidade do Porto (...); antigas Muralhas da cidade marginam, o rio (...) ; à direita observa-se uma 'parte da Ponte das Barcas, por entre uma grande quantidade de navios e barcos particulares do país, a qual esta­belece uma comunicação muito útil e agradável entre a cidade e Vila Nova. A população do Porto e de Vila Nova eleva-se a 80.000 almas».
Esta gravura merece de O.L.Filgueiras o seguinte comentário:

“…apesar da sensível melhoria registada na representação do rabelo, amarrado à praia, cerca dos molhos de arcos de pipas. Quanto aos outros, os navios de comércio e embarcações de cabotagem (bergantins, brigues, iates), encontram-se documentados sem rasgos a realçar, não se perce­bendo até por quê o iate fixado no extremo limite da gravura, à direita, apresenta uma armação de panos latinos, ao contrário dos restantes, correctamente aparelhados com velas de carangueja.
Enfim, e no que tange à praia de Vila Nova, a animação das cenas figuradas — valboeiros transportando pessoas e géneros de consumo, por­menores de embarques e descargas, gente em descanso e à conversa”.
(FILGUEIRAS, O. L. – Algumas Cenas e Cenários Ribeirinhos de Vila Nova de Gaia em Gravuras dos Séculos XVII a XIX – Gabinete de História e Arqueologia de Vila Nova de Gaia – 1984)

A estampa de E. Belcher 1833

As plantas de Belcher estão publicadas em SOUSA, Fernando de e ALVES, Jorge Fernandes – LEIXÕES UMA HISTÓRIA PORTUÁRIA, APDL, SA Administração dos Portos Douro e Leixões, SA , Porto 2002.

Admiral Sir Edward Belcher 1859. Stephen Pearce (1819-1904)Óleo s/ tela 39,4 x 33,3 cm. National Portrait Gallery Londres.

O Admiral Sir Edward Belcher (1799-1877) of the British Royal Navy nasceu em 27 de Fevereiro de 1799 em Halifax, Nova Escócia e morreu em Londres em 1877.
Foi um conhecido comandante da marinha inglesa, mas também um explorador, cientista e escritor.
Comandou uma viagem à volta da terra e uma exploração ao Ártico.
Por isso e m vários pontos do mundo existem lugares com o seu nome: Belcher Point no Alasca, as Ilhas Belcher na Hudson Bay, e o canal Belcher no Ártico.
Foi o autor de uma obra clássica na ciência náutica, A Treatise on Nautical Surveying (1835); publicou ainda The Last of the Arctic Voyages (1855),e Horatio Howard Brenton (1856). Em 1829 foi promovido ao posto de Comandante do Southampton então nas Índias Orientais. From 1830 to 1833, the Admiralty assigned him to the command of the Aetna , a surveying vessel, which sailed to Africa's west coast, Portugal, and the Mediterranean.
De 1830 a 1833, o Almirantado atribui-lhe o comando do HMS Aetna (ou Etna) estacionado no Douro fazendo parte da esquadra britânica sob o comando de William GLASCOCK comandante do HMS Orestes e de que também fazia parte o HMS Raven.No ano de 1832, a esquadra chega a ser bombardeada pela artilharia de D. Miguel.É nesta altura que elabora a planta incorporada na Admiralty Charts.
Entre 1836 e 1839, percorre as costas da América do Sul comandando o HMS Sulphur.
Em 1841, realiza o estudo para o porto de Hong-Kong, de que resulta nesta cidade a rua Belcher.
Em 1843 é nomeado SIR e assume o comando do HMS Samarang, navegando pelas Índias Orientais e Filipinas até 1847.
Em 1852, comandou sem êxito, a expedição de cinco barcos que no Ártico procurou Sir John Franklin desaparecido em 1845. Pelo fracasso desta operação foi julgado e absolvido. Foi promovido a Almirante em 1872.
Morreu em Londres em 1877.

Lovell Badcock refere no seu Rough Leaves Journal Kept in Spain and Portugal…de 1835:

"CAPÍTULO VI.Costa de Portugal.- Entrada do Douro – Fortificações – Exércitos Beligerantes – Oporto - sua Historia - Privilégios das senhoras de Braga – Muralhas Mouras - População do Porto – Suas igrejas - Instituições de Caridade - Mosteiros – Conventos
4 de Janeiro de 1833 - estamos ao largo do Cabo Mondego, como mesmo abominável tempo. O litoral de Portugal, também é bem conhecido por aqueles que o experimentaram na estação do inverno, e o avolumar do pesado temporal que se estabelece a partir do oeste, com correntes de tempestade, torna-o tudo menos uma costa agradável. Só em 7 de Janeiro chegamos ao Porto; o tempo depois tornou-se moderado. Um barco do HMS Etna veio até ao lado do navio, e eu embarquei a bordo para entrar no Douro. A barra na foz do rio é muito caprichosa e difícil de atravessar.
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Pag 240 PARTIDA DO ETNA.

(...) À noite, a Praça Nova (agora chamada Praça Dom Pedro) estava iluminada. No dia seguinte, lá circulavam novamente desagradáveis relatos como a esquadra Sartorius estar amotinada.
O HMS Etna (Capitão Belcher), tinha recebido ordens para deixar o Douro e prosseguir para o Mediterrâneo, e a sua rota foi notificada às partes em conflito.Houve um cessar fogo, e eu subi a bordo do Etna para almoçar com o Capitão Belcher; no seu navio fundeado em Santa Catarina, e descendo o rio em direcção à Foz, juntaram-se a nós o General Saldanha e o Coronel Shaw. Um disparo porém, sentiu-se enquanto eu lá estava, e o adjunto de Saldanha foi atingido. Alguns disparos como de costume tiveram lugar na cidade à noite.

1º Maio - Alguns recrutas foram recebidos de Lisboa. O nosso cônsul, Lord G. Paulet, e eu, fomos esperar do Imperador instruções em relação a alguns casos. O Almirante Sartorius foi reintegrado no comando da frota. O tiroteio deste dia foi principalmente a partir de Gaya e Serra. "
In Rough Leaves from a Journal kept in Spain and Portugal during the years 1832, 1833 & 1834 by Lieut.-Col. Lovell Badcock , London, Richard Bentley, New Burlington Street, 1835

A planta de Belcher decorre simultaneamente das movimentações militares do Cerco do Porto e da navegabilidade do Douro com particular atenção à entrada da barra.
A Planta apresenta as duas margens do Douro e cidade do Porto nos seus limites construídos, estendendo-se até à Foz e para norte até ao castelo do Queijo indicado como Black Fort.
Numa janela no canto superior direito um pormenor ampliado da Foz e da Barra do Douro.


A planta Entrance of the RIVER DOURO by the Comander Edward Belcher – H.M.S. Etna – 1833 representa a entrada da Barra e apresenta na parte superior os rochedos de Filgueira e uma vista da entrada do Douro assinalando a Torre da Marca, a Igreja dos Clérigos, o Serra Convent e o S.to António Convent.
Filgueiras considera que “Se a estilizacão do valboeiro que se destaca, à frente, lhe falseará às proporções e retira a rudeza ou agressividade das suas linhas induzindo-nos a pensar que o artista se deixou iludir pela aparência (falseada) de uma gôndola, mesmo assim, a qualidade do trabalho é muito apreciável.” (FILGUEIRAS, O. L. – Algumas Cenas e Cenários Ribeirinhos de Vila Nova de Gaia em Gravuras dos Séculos XVII a XIX – Gabinete de História e Arqueologia de Vila Nova de Gaia – 1984)



No Douro estão indicados os rochedos, as profundidades e repare-se no traçado de uma linha unindo o farol do Anjo com a capela de Santa Catarina, dois marcos essenciais para a entrada da Barra.



A gravura do barão de Forrester 1835

Joseph James Forrester (1809-1861) Produtor e comerciante de vinho, James Forrester foi o primeiro barão de Forrester, título que lhe foi concedido por D. Fernando II, em 1855. Publicou diversas obras: Uma palavra ou duas sobre o vinho do Porto, 1844 , O Douro Português e País Adjacente (1848) e de Prize Essay on Portugal and its Capabilities (1859). Foi o autor de mapas do vale do Douro de que se distingue o seu Mapa do Rio Douro. Pintou várias aguarelas e foi um dos primeiros fotógrafos em Portugal.


PORTO. OPORTO. J. J. Forrester Delt R. J. Lane. À. R. À. *-J 4 Direxit. G. Childs Lith. Published in Opor to by the Auther & for him in London by J. Dicldnson New Bond S.t September 1835. Printed by Graf & Soret. Estampa n.°2 da colectânea do Barão de Forrester.
No rio, em frente à Ribeira, um barco rabelo carregado de pipas.



Sobre o barco rabelo que sobe o rio diz Filgueiras:

“ Quanto à sua representação do barco rabelo, subindo o rio a remos, carregado de pipas vazias, parece falhar em alguns pormenores:
— Alteamente exagerado da chumaceira sobre que trabalha a espadela (aliás, excessivamente comprida);
— Alteamento excessivo da carga e do pontal do barco;
— Não se justificar neste local que a manobra da espadela exigisse o esforço do arrais e três marinheiros...”

(FILGUEIRAS, O. L. – Algumas Cenas e Cenários Ribeirinhos de Vila Nova de Gaia em Gravuras dos Séculos XVII a XIX – Gabinete de História e Arqueologia de Vila Nova de Gaia – 1984)
A estampa de George Vivian 1839


George Vivian (1798-1873), desenhador e pintor em Londres, viajou através de Espanha e Portugal. No seu regresso, Vivian publicou uma colecção de litografias sob o título “Scenery of Portugal & Spain” constituído por 33 desenhos gravados em pedra por L. Haghe. Tornou-se célebre a gravura da praça de S. Bento no Porto e que foi reproduzida numa nota de 100 escudos do Banco de Portugal.


Oporto from Villa nova. M.R. VÍVIAN'S SCENERY OF PORTUGAL & SPAIN. Ackermann & Co. Strand.

“É uma das duas estampas dedicadas à cidade do Porto — a outra teve por tema um aspecto em que sobressai o desaparecido mosteiro de São Bento da Avé-Maria — pelo grande desenhador e aguarelista George Vivian, no seu álbum Scenery of Portugal & Spain, publicado em Londres no ano de 1839. Estas, como as outras estampas da colecção, foram litografadas por L. Hage, numa impecável execução que em nada diminuiu a bela panorâmica de Vivian.
O que mais surpreendeu o artista, e bem o denota a composição do quadro, foi a originalidade arquitectónicarevelada em certos pormenores do casario da cidade e monumentos, bem como o impressionante aspecto que oferecia o rio, onde fundeavam ou navegavam barcos de tipo diverso e subido número, avultando entre eles e no primeiro plano um rabelo. Todavia, a sensibilidade de Vivian não o traiu uma só vez, pelo que manteve sempre fidelidade absoluta a todo o pormenor oferecido à sua observação.”
Edição Comemorativa da Inauguração da Ponte da Arrábida CMP 1963.
Também se distingue entre diversas embarcações que animam o rio Douro, um barco rabelo, descendo o Douro.
 




















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