Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















sexta-feira, 30 de abril de 2010

os transportes marítimos e fluviais 8

Do navio à vela ao navio a vapor

Em 1839 o pintor inglês, Joseph M. W. Turner apresenta um dos seus quadros, intitulado “The Fighting Temeraire tugged to her Last Berth to be broken up” que se tornou uma das suas obras mais conhecida já que, de certo modo, é um precursor do Impressionismo, utilizando o fumo da máquina a vapor para criar sugestivas atmosferas nas suas composições.
O quadro representa um facto real, a última viagem do Temeraire, um navio da frota de Lord Nelson na batalha de Trafalgar, em 1805.
Em 1838 o Temeraire já sem qualquer uso foi rebocado até ao Tamisa para ser desmantelado.


TURNER, Joseph Mallord William (1775 – 1851), The Fighting Temeraire tugged to her Last Berth to be broken up, 1838 – 1839. Óleo sobre tela 90,7 x 121,6 cm. The National Gallery London.

Mas a tela de Turner, com um navio a vapor no primeiro plano e o Temeraire ao fundo a ser rebocado, significa o fim da era da navegação à vela e o início da revolução industrial com a utilização da máquina a vapor.
Turner pode ter querido representar a nostalgia das energias naturais e o início da máquina alimentada a carvão (com a consequente poluição do ambiente), ao pintar o velho e ultrapassado Temeraire como um moribundo quase branco e o novo barco a vapor, de um tom escuro, triunfante, cuspindo fogo, com as suas rodas de pás energicamente agitando a água.



O navio a vapor começa os seus primeiros ensaios em 1780, simultaneamente em França, nos Estados Unidos e na Inglaterra.
Mas é nos inícios do século XIX, que se aplicam as máquinas a vapor, a navios de madeira e movidos por rodas de pás.
Em 1807 o Clermont de Robert Fulton, subiu o Hudson de Nova Iorque até Albany; em 1812 Henry Bell organizou um serviço de transportes a vapor no Clyde e em 1818, o Rob Roy de William Denny, com uma máquina de David Napier, inicia um serviço regular entre Glasgow e Belfast.


O Clermont de Robert Fulton.


o Comet de Henry Bell.

Em 1821 aparece o primeiro navio construído em ferro, o Aaron Manby, do nome do seu construtor, e que no ano seguinte faz uma viagem de travessia da Mancha.





Em 1859, constrói-se o Great Eastern, o primeiro navio moderno – construído em ferro, com máquina a vapor e que serviu para o lançamento dos cabos submarinos, sendo desmantelado em 1888.


o Great Eastern em construção.


Thomas G. Dutton - SS Great Eastern 1859 - U.S. Navy Art Collection, Washington.

O barco a vapor no Porto
Os transportes fluviais e marítimos, uma das tradicionais bases do comércio e da economia (e da emigração) do Porto desenvolvem-se com as diversas realizações no porto fluvial.
No final do século quer pelas dificuldades da barra do Douro quer pelo aparecimento dos navios a vapor inicia-se – não sem polémica – a construção do porto artificial de Leixões.
A partir dos anos vinte, e até ao aparecimento do caminho de ferro, as viagens entre Porto e Lisboa eram normalmente feitas de navio.
As viagens marítimas iniciaram-se em 1821 com o navio Lusi­tânia da empresa João Baptista Angelo da Costa & C.a, mas essa carreira foi suspensa em 1823, após um naufrágio em 1823 junto a Ericeira.
Em 1825 um novo vapor denominado Restaurador Lusitano retoma as viagens entre Lisboa e Porto.



Alvará de 26 de Novembro de 1824 (Galeria de Christian Gollnick Flickrs).



Anuncio das carreiras do Restaurador Lusitano na Gazeta de Lisboa, Julho de 1825.



O Restaurado Lusitano - Desenho de Luís Filipe Silva (NET).

Na obra Portugal Illustrated, impressa em Londres no ano de 1829, o Rev. William Morgan Kinsey, descreve na Letter VII uma viagem de Lisboa ao Porto:

“ Porto, 1827.
Devido à violência do vento do norte, que sopra ao longo da costa nesta época, o "Paquete Restaurador Lusitano, movido por vapor", foi incapaz de arriscar a saída da barra do Tejo, por alguns dias; mas finalmente quando o vento se tornou mais moderado, a bordo lenta e solenemente, saímos para o mar, passando quase sob os soldados britânicos do esquadrão experimental, ancorado numa longa linha e estendendo-se quase até à Trafaria.
Entretanto, os nossos nomes tinham sido chamados por um polícia civil; e na Torre de Belém fomos visitados pela polícia marítima. Ao meio-dia passamos o Cabo da Roca, e como o navio a vapor "Real Privilegio" mostrou-se numa condição defeituosa como se encontra a maior parte dos estabelecimentos que, neste país, usufruem das vantagens da protecção do governo, excluindo o comércio dos justos benefícios da concorrência geral, previmos muito rapidamente o facto de, em vez de percorrer a distância entre Lisboa e Porto em menos de vinte e quatro horas como nos foi garantido, seriam necessárias mais de quarenta e oito horas para nos trazer até ao Douro.
Questionar o timoneiro ou o capitão, por que é que o navio foi autorizado a seguir viagem em tais miseráveis condições, parecia totalmente fora de questão, pois o capitão ficou doente e acamado, e se a desagradável fisionomia, escura com bigode e suíças do timoneiro não fosse suficiente para amortecer o ardor do inquérito, a legenda em negrito e em letras de bronze, junto ao leme " Prohibe se a qualquar pessoa converçar com o homem, esteia ao que teme" teria dissuadido qualquer um desta interpelação.
Na verdade a enorme quantia de 12.000 réis, exigida em dinheiro, dispendido por aqueles que tinham reservado beliches numa cabine era pior que a morte; e o exagerado pagamento adicional de três coroas no Restaurante de bordo, para aqueles que tinham mantido o apetite tiveram de apreciar a carne quase em estado de corrupção, bem como outros luxos, como o pão bolorento, batata azul, verduras amarelas e um vinho execrável.
Não era possível fazer mais de dois nós por hora com o motor como o do Paquete Lusitano, contra um forte vento, e um mar agitado; e, consequentemente, era quase noite quando passamos as Ilhas Burlenga.No convés principal, havia uma cena curiosa, com Portugueses, Galegos e outros camponeses espanhóis, com os seus respectivos trajes; alguns soldados regressando aos seus regimentos de guarnição; algumas mulheres de idade da província de Trás-os-Montes, cujos grandes chapéus e vestidos azuis nos recordou o campesinato feminino do País de Gales, e uma meia dúzia de monges, franciscanos, carmelitas e beneditinos; - todos ao longo do deck numa massa confusa e com pouco espaço para se movimentar. De vez em quando éramos regalados com o forte odor das sardinhas fritas, e da sopa de legumes, cuja cor era tão decididamente clássica como o seu perfume era perfeitamente nacional. No entanto, dois esplêndidos por de sol tomando no horizonte uma variedade de formas devido à atmosfera nebulosa, e uma ilusão de óptica que testemunhamos entre o navio e a costa, consolou os nossos infortúnios, juntamente com a escuta da conversa ardente daqueles que estavam partindo de Lisboa para a atmosfera constitucional do Porto, em consequência dos distúrbios recentes.
Chegamos à entrada da foz do Douro demasiado tarde para que qualquer piloto se aventurasse a entrar na barra e, portanto, fomos obrigados a ancorar durante a noite, fora de São João da Foz, onde existe um pequeno forte para defender a entrada do rio. Esta pequena praia, como a de Matozinho, a pouca distância para o norte, e que está situada na foz do Leça, é o recurso preferido dos habitantes mais ricos do Porto durante o violento calor do verão.A perigosa travessia através da barra do Douro, e as suas areias movediças, são bem conhecidos. O cuidado e habilidade necessários para navegar num navio com segurança pelo Douro, até mesmo durante o verão, podem dar uma ideia dos perigos desta barra e quão perigosa deve ser a sua travessia durante os meses de inverno, quando o litoral está exposto à fúria desenfreada dos ventos de oeste, e a toda a força das ondas do Atlântico.Pelas seis horas da manhã seguinte, o navio a vapor tinha chegado a seu ancoradouro no rio, tendo a cidade do Porto para a esquerda, de que adiciono um desenho e Villa Nova, com seus armazéns de vinho à direita, na margem esquerda do Douro, com vista para o Convento da Serra, de onde foi tirada essa visão.”
(Tradução livre do autor. Manteve-se a grafia do português do Reverendo Kinsey).
Nota – a gravura a que se refere o reverendo Kinsey inserta no seu livro não é mais do que a gravura de Teodoro de Sousa Maldonado do livro do P.e Agostinho Rebelo da Costa. O reverendo insere contudo, na sua obra, entre várias ilustrações, duas outras gravuras do Porto:
 

View Up The Douro Toward Porto. Engraved by W. B. Cooke, from a Drawing by I. Gibbs of Bath. London, Published July 1.st 1828 by Trenttell Wurtz & Co. Soho Square.
 
View Down The Douro to Villa Nova and Gaya. Engraved by W. B. Cooke, from a Drawing by I. Gibbs of Bath. London, Published July 1.st 1828 by Trenttell Wurtz & Co. Soho Square.

O Restaurador Lusitano naufragou a 11 de Setembro de 1832, quando se dirigia para o Porto ao serviço de D. Miguel em plena Guerra Civil.
Mas as carreiras prosseguiram com várias embarcações: Lusitânia, Lisboa, Cysne e Maria Pia até à chegada do comboio às Devezas em Vila Nova de Gaia em Julho de 1864.
Também Jules Garnier, (18..-19..) numa publicação denominada “ CRIADO- Impressions de Voyage d’un Clerc de Notaire en Espagne” publicada em Grenoble em 1878 no capítulo VIII Retour par le Portugal, escreve:

…Un soir, à quatre heures, la Lusitania, steamer chargé du service de la poste entre Oporto et Lisbonne, me reçut à son bord. Le pilote nous conduisit hors des passes dangereuses, et le vapeur tourna sa proue vers le Sud. _ Je ne dormis pas la première nuit que je passai en mer, captivé par la nouveauté des bruits, la marche, du' navire, la majesté de l'Océan voilé, et, le matin, par la vue de la plaine d'eau infinie, de la côte parsemée de villages. Franchissons la barre,remontons le Tage.
(…uma tarde, às quatro horas. o Lusitânia, vapor encarregado do serviço do Correio entre o Porto e Lisboa, recebeu-me a bordo.
O piloto conduziu-nos através das passagens perigosas e o vapor rumou para o Sul.
- Não consegui dormir na primeira noite que passei no mar, cativado pela novidade dos barulho, o andamento do navio, a majestade do Oceano enevoado, e de manhã pela vista da planície infinita de água e da costa pontuada por povoações.
Ultrapassemos a barra e subamos o Tejo.)
(
tradução livre do autor do blogue)
O vapor no rio Douro entre o Porto e a Foz

Para substituir o uso de burro ou dos carroções é criado em Agosto de 1855 um serviço de transporte de veraneantes entre a Ribeira e a Foz, utilizando o navio Duriense com uma lotação de 80 lugares.

«Durante algum tempo, uma companhia lembrou-se de organizar um serviço de navegação fluvial entre o Porto e a Foz. Havia um vaporzinho que fazia carreira entre a cidade e a Can­tareira, mas a empresa não deu bom resultado, tal era o apego ao burro, no Porto daquele tempo, como meio de transporte.»Alberto Pimentel, em O Porto Há Trinta Anos

O percurso demorava cerca de 45 minutos, e havia 4 viagens de ida e volta.
Nestas carreiras entre o Porto e a Foz eram utilizados em 1881 os barcos Andorinha e Liberal.

Faustino Xavier de Novais no seu livro Poesias (2ª edição Porto 1856) num poema datado de 8 de Outubro 1852 e intitulado “Um passeio à Foz”, escreve:

“…Immensa multidão lá se descobre
No logar onde esperam passageiros,
Que o vapor os vá pôr na Porta Nobre,
Ri-se a gente do tom, dos cavalleiros
Que, sem que áureo metal assaz lhe sobre,
Fidalgos querem ser, e não caixeiros;
Em quanto que o patrão, lá na cidade,
Ficou de mãos erguidas na Trindade.

O Duriense (*) partiu; marchei, por terra,
Porque sou mui cobarde nos revezes,
E escuto como alguma gente berra,
Quando o lindo vapor, não poucas vezes,
Com pedras, água e vento, em crua guerra,
Se dispõe a mangar dos portuguezes:
O passeio findei, bom de saúde,
Se mal o "descrevi, fiz o que pude.


(*) Pequeno barco, movido a vapor, que morreu de paixão por não poder andar tanto como um carroção puxado a bois.”

Por ocasião da romaria de Nossa Senhora da Luz, que se continuou a realizar mesmo após a desactivação da capela de Nossa Senhora da Luz em 1832, um anúncio no jornal “O Comércio do Porto” de Setembro de 1888 refere as carreiras de “vaporzinhos” entre a Ribeira e a Foz.

“É no próximo domingo que se realiza na Foz a romaria da Senhora da Luz, que costuma ser muito concorrida. Os vaporzinhos «Leão» e «Ligeiro», desde as 5 horas da manhã, farão corri­das entre os Banhos e a Cantareira.”

O vapor Porto

No entanto o mais célebre dos vapores do Douro foi o navio “Porto” ainda de madeira, com 150 cavalos e atingindo uma velocidade de 9,5 milhas por hora, construído em 1836 pelos Estaleiros de Plymouth para a Empresa do Barco a Vapor do Porto, que o colocou ao serviço de correio, passageiros e carga entre o Porto e Lisboa, com eventual paragem na Figueira da Foz.
Funcionava a vapor movido a rodas e entrou ao serviço no Porto em 24/12/1836.
Em 29/03/1852 naufragou na foz do rio Douro, a cerca de 100 metros do local da estação de embarque, que estava fora de serviço, com a morte de 36 passageiros e 15 tripulantes. Apenas 7 tripulantes foram salvos.

O naufrágio do “Porto” num desenho da época e num painel de azulejos na estação dos bombeiros da Foz do Douro.






As imagens com a ponte Pênsil

Em 1837, o Estado Português contratou, com a empresa francesa Claranges Lucotte & Cie a construção da estrada Lisboa Porto, incluindo a nova ponte entre Vila Nova de Gaia e o Porto.
Em 2 de Maio de 1841 foi lançada a primeira pedra da Ponte com projecto dos engenheiros Mellet e Bigot.
A construção ficou praticamente concluída no início de 1843.
A ponte dispunha de dois obeliscos de alvenarias de 18 m de altura, de cada lado, do cimo dos quais pendiam os cabos de suspensão do tabuleiro de 6 m de largura.
O vão central tinha 150 metros, de um total de 170 m, entre a escarpa dos Guindais e o sítio do Penedo, em Gaia.
Os cabos, com 220 fios de ferro cada, mantinham o tabuleiro a 10 m acima do nível das águas e estavam ancorados em poços verticais de 8 m (lado do Porto) e de 14 m (do lado de Gaia).

"A abertura da Ponte Pencil devia ser feita com solemnidade, convidhando as authoridades e pessoas de distincção, mas a repentina e grande enchente do Rio Douro obrigou a retirar-se a de Barcas, e dar-se passagem pela pensil; este acontecimento fez com que não se pudesse pôr em práctica o que deixo dicto. E sim faço público que desde hoje em diante fica servindo de passagem publica a Ponte pencil pois que a de Barcas sahiu de vez. Porto 18 de Fevereiro de 1843" - João Coelho de Almeida

A gravura de Doray

Vue de Porto. Vista do Porto. Paris. L. Turgis J.ne Imp.r r. dês Ecoles et á New York Duane S.t 78. Dessiné et Lithog. par Doroy.

A gravura de Doray tem como objectivo mostrar a ponte Pênsil, razão porque é relativamente discreta a actividade no rio Douro.
É uma das muitas imagens feitas a partir da Serra do Pilar.
Apresenta um conjunto de embarcações fundeados na Ribeira e como novidade, a caminho da barra um vapor movido a rodas.
 
detalhe da gravura de Doray, com o navio a vapor Porto(?).

A gravura de António Sousa Vaz
 
Também a gravura de António Vaz, apresenta um vapor, neste caso o Porto.
 

VISTA DA CIDADE DO PORTO. Tirada da Quinta de Campo Bello. António Joaquim de Sousa Vas.os dezenhou. Porto. Lith. Rua da Reboleira No 29 e 30.



As litografias de Louis Lebreton (1818-1866)
 
Louis Auguste Marie Lebreton, (1818 - 1866) junto à assinatura e antecedendo-a, desenhava uma âncora, provavelmente para referenciar a sua dedicação às imagens de barcos e de portos.

Litografia de Lebreton.

Em primeiro plano, no centro da imagem um vapor de rodas com a bandeira portuguesa.


A segunda litografia de Lebreton

PORTO. Vue du Ponte suspendu et d'unepartie de Ia ville. PORTO. Vista da Ponte pênsil e de parte da cidade. Paris., Dépôt chez Bulia fr.es, r. Tiquetonne, 16. Lisboa Manuel Costenla, rua do Loreto, 58.Porto, Depozito de estampas de C. Steffanina, rua trás da Sé, 14. Lith. Becquet frères Paris.

Nesta litografia de Lebreton podemos ver a ponte Pênsil na sua totalidade e entre vários barcos, dois vapores.
Um ao fundo, saindo do cais da Ribeira...


...e o outro na parte direita da imagem dirigindo-se para o cais com alguma velocidade. Repare-se na representação da deslocação da água, do fumo da chaminé e da bandeira.
 


A gravura de Joaquim Manuel das Neves


VISTA DA SERRA DO PILLAR, E PONTE PÊNSIL SOBRE O RIO DOURO NA CIDADE DO PORTO. Joaquim Manuel das Neves, dez. do Nat. e grav. Porto.

No cais da Ribeira estão representados passeantes, fiscais, comerciantes e vendedeiras.
No primeiro plano, junto de um marinheiro, um carro de bois aguarda que as pipas sejam descarregadas do rabelo através do guindaste.
No rio vários valboeiros fundeados e dois que transportam passageiros em sentido contrário de uma para a outra margem, enquanto um rabelo desce o rio ainda carregado.
Ainda duas escunas e um caíque fundeados do lado do Porto.
À direita na imagem um vapor.

A gravura de Gonin

La Spedizione del'anno 1849 destinata a recevere Ia spoglia mortale del Re CARLO ALBERTO. Tratti dal vero dal Pittore Enrico Gonin... ed Illustrati de Apposite Descrizioni e da cenni storici topografici sulla Cittá di Oporto di G. pe Arnaud. Torino Litografia F. Doyen e Cia. 1851.”
Esta litografia faz parte de um conjunto de dez do álbum “RIMEMBRAZE Dl OPORTO Ossia Raccolta di 12 DISEGNI Ricordanti Ia Spedizione del'anno 1849 destinata a recevere Ia spoglia mortale del Re CARLO ALBERTO" quando, em 1849, uma armada italiana de barcos a vapor, deslocou-se a Portugal para trasladar os restos mortais de Carlo Alberto (1798 – 1849) rei da Sardenha, que se tinha exilado no Porto. A urna real embarcou na Corveta Monzambano.

Os vapores no Douro
 
Apesar do naufrágio do Porto, os vapores continuaram a operar no Douro, até ao início do século XX.
É o caso do Veloz, construído em Londres, 1864 e que naufragou na barra do rio Douro, levado pela corrente da grande cheia em Dezembro de 1909.
 

Aurélio Paz dos Reis - O "Veloz" na barra do Douro. Fotografia estereoscópica s/d APR6461, AFP/CPF/MC. In O Porto e os seus Fotógrafos – coord. Tersa Siza, Porto 2001, Porto Editora 2001

Ou do rebocador de pás "Águia", também construído em Northumberland, Inglaterra, em 1862
e que naufragou na barra do rio Douro, quando conduzia a reboque a fragata "Atlântica", em Fevereiro de 1920.


O rebocador de pás "Águia" - detalhe de postal do Porto.
As carreiras internacionais nos barcos de rodas

O Ville de Paris da carreira França - Espanha – Portugal na barra do Tejo, desenho de Louis Auguste Marie Lebreton.

A fotografia

Ainda no tempo da Ponte Pênsil (1842-1886) e dos barcos a vapor de rodas, aparecem no Porto os primeiros ensaios de fotografia.
Por isso, para além das gravuras e desenhos surgem panorâmicas fotográficas do rio Douro e da cidade.


Frederick Flower - End of City Wall, Oporto of old religious House and Suspension Bridge, from Villa Nova de Gaya
Prova actual em papel salgado a partir do original em calotipo 267 x 220 mm ANF/D-FWF/11, catálogo da Exposição F. W. Flower um pioneiro da fotografia portuguesa Electa 1994.
Algumas destas panorâmicas são semelhantes às gravuras.
 



Domingos Alvão – A Cidade do Porto na obra do Fotógrafo Alvão, ed. fotografia Alvão, Porto 1993.

































2 comentários:

  1. Nas gravuras, onde consta "Doray" e "Doroy", deveria constar: "Deroy" , de I. L. Deroy:
    http://fr.wikipedia.org/wiki/Isidore_Laurent_Deroy

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  2. O "Porto" foi o primeiro vapor da Companhia Portuense de Navegação a Vapor e entrou ao serviço em 2 de Janeiro de 1837, sendo seguido pelo "Vesúvio" (ainda não descobri em que ano). Quando a empresa perdeu o "Porto" o seu substituto foi um vapor comprado em segunda mão que levou o nome de "Cysne".

    Cumprimentos,
    Nuno Cruz
    (A Porta Nobre)

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