Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















quarta-feira, 19 de maio de 2010

Exposição do Mundo Português 1

"É que a arte, a literatura e a ciência constituem a grande fachada de uma nacionalidade, o que se vê lá de fora...".António Ferro – entrevistas a Salazar

A Exposição "grande documentário da civilização" propunha-se comemorar o duplo centenário da Independência Nacional (1140) e da Restauração (1640).

No ano da Concordata com a Santa Sé, das vitórias militares das potências do Eixo, e do final da Guerra Civil espanhola com a instauração da ditadura de Franco, a Exposição pretendia ser o balanço da Nacionalidade como apoteose e fundamentação histórica e ideológica do regime, que se sente então plenamente consolidado.

A importância que o nazismo de Hitler assume dá, em Portugal, um novo alento aos sectores mais reaccionários do regime e, provavelmente mostrar a verdadeira face - pelo menos no plano cultural - de Salazar.

E se os sintomas dessa viragem - correspondente aos que nunca haviam aceitado a arte moderna e, entre eles, seguramente o próprio ditador - se haviam já manifestado nas polémicas da Igreja de Nossa Senhora de Fátima de Lisboa e dos Concursos de Sagres, afirmam-se então, plenamente, entre 1938 e 40, com a preparação e execução da Exposição do Mundo Português.

Os artistas, os arquitectos e os gráficos as "duas dúzias de rapazes cheios de talento e mocidade, que esperam, ansiosamente para serem úteis ao seu País" (entrevista citada), e que haviam formalizado o “efémero modernismo”, (Nuno Portas), que nos anos trinta se tornara a imagem do Regime, vão agora, como na Itália de Mussolini onde se prepara a EUR (Exposição Universal de Roma), procurar a fundamentação das suas obras por um lado numa orientação histórica, monumentalista e oficial, que se traduz em especial na arquitectura,destinada a afirmar Lisboa como a Capital do Império e a conformar os valores simbólicos do Estado Novo, com conotações com o monumentalismo de Albert Speer ou com a "Roma Imperial" de Piacentini, na estatuária pública e na pintura mural, em modelos que permanecerão até à queda do regime.

Por outro lado uma orientação de raiz folclórica e "Wolkich", preocupada em recuperar aspectos da arte popular, através de parâmetros nacionalistas e pitorescos, mas numa estilização folclórica, que apoiando-se nalguns dos símbolos emblemáticos dessa cultura popular, lhe retira todos os seus conteúdos reais e antropológicos, (criação do grupo de bailados "Verde Gaio“ (1940/49), do Teatro do Povo, do concurso da "Aldeia mais Portuguesa“ em 1938.

Directamente dirigida por Salazar, que numa "nota oficiosa" de 1938 estabelecia com detalhe:

os objectivos ("os portugueses dominados por tão alta e bela ideia expulsariam deles o espírito da tristeza e do mal");

o programa de exposições (Mundo Português; Arte Portuguesa; Etnográfica, Estado Novo eventuais exposições noutras localidades);

o programa de cortejos (do Mundo Português em Lisboa; do Trabalho no Porto)

o programa de publicações (Terras, Paisagens e Monumentos de Portugal; Costumes e Tipos Populares Portugueses; Casa Portuguesa; Primitivos Portugueses; Catálogo da Exposição, 1940 obras do Estado Novo).

Na mesma nota Salazar estabelece um verdadeiro Plano para Lisboa, cuja concretização em muitos casos irá prolongar-se para além do final da Guerra, em que propõe um conjunto de realizações para além da Exposição:

“1. Acabamento das obras de restauração do Palácio, jardim e parque de Queluz;

2. Acabamento da Casa da Moeda (parte administrativa e oficinal);

3. As obras anexas ao Museu das Janelas Verdes (Arte Antiga) de forma que fique em condições de nele se realizar exposições temporárias de arte;

4. Construção da auto-estrada para Cascais; (será realizada com a participação de Miguel Jacobetty Rosa)

5. Construção do Estádio, que deve ser levada a efeito simultaneamente com a da auto-estrada para Cascais, a sua ligação a Lisboa e construção da estrada marginal, qualquer delas, pelo menos, até à Cruz Quebrada; (serão elaborados vários projectos mas será o de Jacobetty Rosa que se realizará)

6. Libertação definitiva da Torre de Belém: ninguém compreenderia que ao realizarem-se comemorações de datas de tão grande significado na nossa História e quando exactamente por meio delas se pretende exaltar o valor da raça e o seu esforço mundial, aquele belíssimo monumento não esteja definitivamente livre da aviltante vizinhança que há perto de meio século o enodoa e a nacionais e estrangeiros pode dar a falsa ideia de desapego nosso às tradições e ao património artístico português; (nota - A Torre de Belém estava e continuará ainda por alguns anos rodeada pela Fábrica de Gás de Lisboa com os seus gasómetros que ainda aparecem em algumas imagens da Exposição).

7. Conclusão das obras no Palácio de S. Bento e urbanização do local;

8. Resolução do problema do chamado Parque Eduardo VII e construção de um palácio de exposições, antiga aspiração da capital, onde não existe qualquer edifício próprio para tal fim; (Keil do Amaral irá projectar este palácio que nunca se realizará)

9. Reparações necessárias no Teatro de S. Carlos;

10. O maior impulso possível ao parque florestal de Monsanto e, se possível, (não sei em que tem esbarrado esta aspiração), a arborização da encosta marginal do Tejo, desde os Estoris, cuja nudez muito prejudica a beleza do estuário;

11. A primeira fase de construção dos novos Hospitais Escolares, em que se visione pelo menos a grandeza da obra; (o Hospital de Santa Maria e o de S. João no Porto serão projectados por Herman Distel e concluídos nos anos 50)

12. Decidido impulso nas obras de novos bairros económicos, de modo que se possam fazer desaparecer os bairros miseráveis que cercam Lisboa;

13. Ligação radiofónica de Portugal e do seu Império, com a aspiração de que, durante as festas e depois, a partir delas, todos os domínios ultramarinos possam seguir em cada momento as manifestações espirituais da Mãe Pátria.”

O «Diário do Governo» publica o decreto fixando a comissão oficial (28 de Outubro) presidida por Alberto de Oliveira (que, falecido em Abril de 40, não veria a exposição), secretariada por António Ferro e constituída por um leque de personalidades, artistas, escritores e políticos.

Faziam parte os directores dos museus nacionais de Lisboa (João Couto e Sousa Lopes) e das duas academias (Júlio Dantas e Reynaldo dos Santos), Henrique Galvão, da Agência-Geral das Colónias, comissário da Exposição Colonial do Porto em 1934, os arquitectos Raul Lino, Pardal Monteiro, Paulino Montês e Cottinelli Telmo.

A Comissão Executiva era presidida por Júlio Dantas, sendo o secretário-geral António Ferro e o Comissário Geral Augusto de Castro.

Cottinelli Telmo encarregava-se da direcção dos trabalhos de arquitectura, Matos Sequeira da coordenação histórica, Leitão de Barros, cineasta, jornalista, pintor e já organizador de cortejos históricos famosos em festas de Lisboa, iria dirigir os serviços externos e Gomes de Amorim a jardinagem do espaço da exposição.

Assim a Exposição pode considerar-se como um ponto de viragem no plano da cultura e da política cultural do Salazarismo.

Para a concretização da Exposição António Ferro vai reunir a equipa que trabalha para o SPN, já com a experiência recente da participação na Exposição Colonial do Porto em 1934 e nas Exposições Universais de Paris em 1937 e de Nova Iorque em 1939.

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A equipa de colaboradores do SPN na Exposição de New York de 1939 com Salazar

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Alguns dos artistas gráficos do SPN: Tomás de Melo(Tom), Emérico Nunes, Bernardo Marques, José Rocha, Fred Kradolfer, Carlos Botelho. Faltam Estrela Faria, Paulo Ferreira e Eduardo Anahory.

É criado por Eduardo Anahory (1917 – 1985) um emblema (hoje diríamos um logotipo) para as publicações da Exposição e a partir de Janeiro de 1939 até dezembro de 1940 a Comissão Nacional dos Centenários irá editar a Revista dos Centenários.(disponível em formato digital na Hemeroteca de Lisboa)

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Emblema das edições dos Centenários e Capa do n.º 1 da Revista dos Centenários

São realizados diversos concursos para cartazes e outros materiais de propaganda da Exposição em Portugal e no estrangeiro.

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Cartaz de propaganda no estrangeiro Félicien Garcia(2º prémio)Cartaz de propaganda em Portugal Roberto de Araújo (2º prémio)

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Cartazes de propaganda externa e interna Francisco e Maria Keil do Amaral (3º prémio)

É criada uma bandeira da Exposição.

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Em Janeiro de 1939, Cottinelli apresenta o ante-projecto com a distribuição dos pavilhões a construir.

Numa área de 560 mil metros quadrados, com o mosteiro dos Jerónimos como pano de fundo, o conjunto organizava-se em torno de uma praça (Praça do Império) limitada por pavilhões a poente e a nascente.

Esta praça abria-se para o Tejo com a criação de passagens sobre a linha férrea.

O rio articulava-se com a praça em pequenas docas ou lagos, «espelhos de água», assumindo uma presença simbólica e decorativa ao mesmo tempo.

Em frente ao Jerónimos seria fundeada a “Nau Portugal”.

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legenda:1 pavilhões da secção histórica 2 Lisboa seiscentista 3 Lisboa do futuro 4 pavilhão de festas 5 praça do Império 6 Portugal 1940 e Brasil 7 pavilhões da imprensa, CTT,… 8 aldeias portuguesas 9 parque infantil 10 secção de etnografia metropolitana 11 restaurantes 12 teatro 13 espelho de água 14 Infante D. Henrique 15 doca 16 nau 17 síntese do Mundo Português

Simultâneamente era apresentada uma maquete com os detalhes dos edifícios que irão, aliás, ser escrupulosamente cumpridos. Todos os edifícios serão construídos em materiais efémeros, particularmente o gesso, por razões de economia e de tempo. O Padrão dos Descobrimentos, será reconstruído definitivamente em 1960, e dos restantes apenas o Pavilhão das Artes Populares é construído definitivamente em 1940, tendo passado a Museu das Artes Populares, hoje em foco pela sua renovação.

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A Exposição

Em 23 de Junho de 1940 a Exposição é inaugurada, com a presença do presidente da República Óscar Carmona, do presidente do Conselho de Ministros Oliveira Salazar, do Cardeal Patriarca de Lisboa Dom Manuel Cerejeira, e de diversas outras autoridades de que se destacam evidentemente António Ferro director do poderoso SPN (Secretariado da Propaganda Nacional) e o engenheiro Duarte Pacheco Ministro das Obras Públicas e Comunicações.

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Carmona cumprimentando Salazar e Salazar com Duarte Pacheco, ao fundo à esquerda António Ferro.

É publicado um Guia Oficial da Exposição do Mundo Português que inclui uma planta para orientação dos visitantes.

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A entrada da Exposição

Cottinelli Telmo desenha a Porta da Fundação na Avenida da Índia com uma solução inteligente para integrar o viaduto do caminho de ferro. Quatro torres com guerreiros medievais marcam a entrada.

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fotografia de Mário Novais FCG

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fotografia de Mário Novais FCG

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Pormenor dos Guerreiros

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A entrada rodoviária e a passagem ferroviária.

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Para se ter uma ideia das concepções que agora o Regime pretende afirmar compare-se o desenho da Porta de Cottinelli com a proposta de Cassiano Branco.

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Deixemos por agora o “Pavilhão da Fundação” do arquitecto Rodrigues Lima e a “Esfera dos Descobrimentos” de Cottineli Telmo e Pardal Monteiro, que são edificados junto à Porta da Fundação para nos concentrarmos no núcleo central da Exposição: a praça do Império.

A praça do Império

A Praça do Império foi criada como praça central da Exposição de 1940. Limitada a Norte pelo Mosteiro dos Jerónimos e a Sul pelo Tejo, vai ser organizada pelos dois pavilhões mais importantes da Exposição: o “Pavilhão dos Portugueses no Mundo” de Cottinelli a Poente e o “Pavilhão de Honra e da Cidade de Lisboa” de Cristino da Silva a Nascente, ambos os edifícios com cerca de 150 metros de comprimento, uma cércea de 19 metros e rematados por uma torre de 50 metros de altura. A fonte luminosa rodeada pelos brasões em mosaico representando as províncias do Império, centraliza o jardim.

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Vista da Praça do Império de nascente para poente. Ao centro a fonte luminosa, à direita os Jerónimos, em frente o Pavilhão dos Portugueses no Mundo.

Apesar dos “apelos” de Salazar são visíveis as instalações da Fábrica do Gás, nomeadamente um gasómetro, a rodear a Torre de Belém.

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Vista da Praça do Império para nascente. O Pavilhão de Lisboa. Ao fundo o Palácio da Ajuda.

Pavilhão dos Portugueses no Mundo

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O projecto de Cottinelli Telmo

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Arquitecto Cottinelli Telmo / Direc. Afonso Dornelas

(Nota - na descrição dos Pavilhões em itálico a descrição da Exposição no n. 19/20 da Revista dos Centenários, Julho Agosto / de 1940)

Sala da Europa Política: — Na parede fronteira à entrada, a arvore genealógica apresenta os Chefes das Nações Católicas da Europa que des­cendem de D. Afonso Henriques. Na parede oposta, reproduções do medalhas cunhadas em vários países, referentes a Portugal, e retratos das Princesas portuguesas Rainhas de Estados Europeus.

Sala da Europa Religiosa: — À entrada imagem de Santo António pregando. Quadros reproduzindo o Papa João XXI e os Santos portugueses. Num outro nicho, o pregador sagrado Diogo Afonso de Maga-Ancha.

Sala da Europa Militar: — Representa­ção simbólica do auxílio militar dado por Portugal a Nações europeias (do século XII ao século XX). Evocação escultórica da participação dos Portugue­ses na Grande Guerra e dos Viriatos na Guerra de Espanha.

Sala da Cultura Portuguesa na Europa: — Portugueses que se notabilizaram nas ciências, letras e artes. Alusão às feitorias, como centro de intercâmbio cultural.

Sala de Marrocos : — Pinturas alusivas à conquista e ocupação das praças de guerra, inspi­radas nas tapeçarias de Pastrana. Estátua de D. Pe­dro de Menezes, 1º governador de Ceuta. Baixo-relevo com a disposição panorâmica das fortificações construídas pelos portugueses em Marrocos e a re­produção do “ceitil», primeira moeda europeia des­tinado a comerciar com os naturais.

Sala da Fé e dos Sacrifícios dos Portugueses em Marrocos: - Imagens de Santa Maria do África, de Nossa Senhora a Portuguesa Conquistadora. Representação alusiva ao Infante Santo e a D. Sebastião. Documenlos vários.

Costa Mediterrânea de África: No friso que rodeia a sala, evocação do auxílio portu­guês ao Imperador Carlos V e ao exército espanhol sitiado em Oran. dos Grão-Mestres da Ordem do Malta e do Infante português D. Pedro (neto de D. João 1) que foi Rei de Chipre.

Viagem aérea de Gago Coutinho e Sacadura Cabral ao Brasil: — aviação. Em dois pequenos recessos, referência ao inventor da «Passarola» Padre Bartolomeu Gusmão) e às viagens aéreas dos portugueses, evocando-se num ciclorama o feito de ciência e audácia dos dois portugue­ses quo ligaram Portugal ao Brasil pelo ar.

Sala da Abissínia: — A presidir à represen­tação das fortalezas, edifícios e templos ainda hoje existentes na Etiópia, a figura do «Rei dos Reis». Referência à ascendência portuguesa de Victor Ma­nuel II Rei de Itália e actual Imperador da Abis­sínia.

Sala da Índia: — Dá ambiente locai um baixo-relevo do Trimutli do Templo de Elefanta, sobre­pujado pela Cruz simbólica da Religião de Cristo. Nas paredes, um friso representando os Grandes da Índia. Referências e peças representativas da acção portuguesa na Índia.

Sala da China: — No estilo das cerâmicos chinesas, representação da actividade lusa no Ce­leste Império, simbolizado pelo Dragão que se vê na parede principal.

Sala do Japão: — As paredes representam um grande biombo de estilo nipónico. Figuram mo­tivos alusivos à civilização ocidental que os portu­gueses levaram ao Império do Sol Nascente. Estatua da Virgem Maria (japonesa) e outras que repre­sentam a influência cultural lusíada no Japão.

Galeria: — Documentos referentes à acção portuguesa no Império Nipónico.

Sala da Oceania: — Interpretação pictural da actividade lusa.

Sala das Américas: — No topo, dois painéis representando a acção dos portugueses nas Américas em geral. A aventura de Aleixo Garcia em bus­ca do oiro; os bandeirantes. Síntese da História do Brasil colonial.

Sala Camões: — Síntese do todo o pavilhão e de toda a exposição ; os deuses dos «Lusíadas» por que Camões substituiu, ao jeito da época, o verda­deiro Deus — suportam o teclo da sala, o Mundo onde se recorta Portugal.

O Edifício perpendicular ao Tejo está dividido em dois corpos. Ao centro virada para a Praça do Império uma enorme estátua de Leopoldo de Almeida, «Soberania», representada como uma guerreira, com uma esfera armilar na mão. Está apoiada numa meia coluna onde numa fita em letra gótica as partes do mundo se enumeram. No fundo enquadrando a escultura um Mapa Mundo encimado pela citação de Camões nos Lusíadas “E Se Mais Mundos Houvera Lá Chegara”.

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Leopoldo de Almeida - Estudo para a Soberania e a escultura na Exposição

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Uma das preocupações dos realizadores da Exposição é a sua vista nocturna, aliás numa atitude muito própria do tempo em que a electricidade e a iluminação dos grandes eventos são um claro símbolo de progresso e capacidade dos países.

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fotografias de Mário Novais FCG

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No corpo Sul do Pavilhão dos Portugueses no Mundo, “Portugal 1940”

Vestíbulo: — As estátuas dos Presidentes da República e do Conselho. Nos nichos, frases alusivas aos dois grandes estadistas portugueses. As estátuas “Salazar” de Francisco Franco e “Carmona” de Leopoldo de Almeida, já exibidas em Paris e Nova Iorque.Se bem que Salazar é retratado em traje académico, o modo como é exposta a sua escultura ocupando espaços nobres dos pavilhões, mostram que como em outros regimes ditatoriais a figura do “chefe” é sujeita ao culto da personalidade.

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Passado o vestíbulo na sala B na parede, à di­reita, mostradores circulares com dioramas revelando as grandes realizações do Estado Novo, nos sectores do: exército e marinha: comunicações;hidráulica; assistência; estradas; ensino; crédito agrícola; movimento de portos; riquezas (vinho. cortiça, azeite, trigo, etc.)Na parede da esquerda, bandeiras dos grémios e sindicatos nacionais. Nas parede laterais, fotomontagens evocativas das instituições e realizações mais características do Estado Novo.

Na rotunda ao fundo da sala, seis painéis, gráfico e representativo da Política Financeira de Portugal, onde figuram sob o título de “Portugal País de boas contas” o equilíbrio financeiro e o sistema bancário português – base da obra de ressurgimento Nacional levado a efeito pelo Estado Novo – e a política de Salazar.

À saída da sala, encontram-se as instalações do Secretariado da Propaganda Nacional na Exposição do Mundo Português, com um posto de informações e uma dependência dos serviços do referido organismo.

Pavilhão de Honra e da Cidade de Lisboa

Arquitecto Luís Cristino da Silva / Dir. Norberto de Araújo

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O projecto de Cristino da Silva

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«De linhas majestosas e elegantes, ele aproveita, no seu corpo dianteiro, os motivos ornamentais tão saborosos da velha casa dos Bicos, enquanto a sua janelaria, de risco harmonioso e sóbrio, com sugestões venezianas, faz pensar na graça manuelina da Torre de Belém; desse corpo tão equilibrado irrompe com vigor e esbelteza uma torre quadrangular de faces lisas, apenas ornada com o brasão de Lisboa, a caravela, e coroada, ao topo, por um torreão de frestas esguias, que termina em agulha como nos templos góticos; entre os dois corpos do belo palácio, alteia-se um pórtico de ogivas; na parte cimeira do corpo posterior desenrola-se uma renda de pedra de lavor manuelino, com a esfera e a cruz, que casa bem com os ornatos opulentos do vizinho Mosteiro dos Jerónimos. O artista não copiou velhos motivos: apropriou-se deles, assimilou-os, renovou-os e deste modo não receou incorporá-los numa construção de estrutura original, que pode ter antepassados, como tudo o que é nobre, filho de algo, mas que nem por isso deixa de ser uma forte criação.”

Fernando de Pamplona no Ocidente, 1941

No exterior virado para a Praça do Império um baixo-relevo de Ernesto Canto da Maia, representando a “História de Lisboa”.

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Na fachada do corpo com arcada e encimado por decorações manuelinas está inscrito em letras góticas: «Somos Pátria e Nação há oito séculos»

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Na continuidade da fachada para norte «Nós demos ao velho mundo novos mundos»

Na porta principal, em estilo românico: «Lisboa rainha do Ocidente cabeça e coroa de Portugal»

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Vestíbulo — Nas paredes laterais, dois pai­néis de azulejo recortado, representando figuras típicas lisboetas do século XVIII.No lado poente, encontra-se a Grade da Sé que durante quatro séculos serviu de porta uma das capelos da abside da mesma catedral. Na sobre ­porta, uma alegoria a Lisboa, inspirada num dese­nho de Francisco Holanda. Decoração de Jorge Barradas.

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Cruzeiro de S. Lázaro

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Pátio Exterior — Abre por arcadas, enfei­tada de alegretes no feitio lisboeta do século XVIII. No pátio exterior a nascente um baixo-relevo de Martins Barata representando …o casario da Lis­boa velha, síntese da casa popular, do solar fidalgo. do cunhal palaciano, da igreja paroquial ou da er­mida— em planos sobrepostos, o que permite visio­nar a capital seiscentista. Reproduzem-se as tendas ou bazares coevos do tipo dos da Ribeira Velha. Ao centro do Pátio o autentico Cruzeiro de S. Lázaro.mp51

Sala de S. Vicente- O tecto, inspirado no da «Sala das Pêgas», tem pintado os corvos e as naus, elementos do brazão de Lisboa. Ao centro, ergue-se a estátua de S. Vicente con­forme a iconografia tradicional.

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A estátua e o tecto da Sala de S. Vicente

Nos ângulos da sala, quatro painéis represen­tando episódios da transladação do corpo de S. Vi­cente do promontório de Sagres para Lisboa.

Na Sala de S. Vicente uma iluminura do Livro de Horas de D. Manuel I

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Sala de Honra - Num cofre o Foral de Lis­boa (1179) doado por D. Afonso Henriques.

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Foral de D. Afonso Henriques e foral de D. Manuel

Na parede sul, iluminura decorativa do reminis­cência pictural do século XII, e legendas reproduzi­das da abertura e fecho daquele documento.

A parede do poente é preenchida por um tríptico de cenas da tomada de Lisboa.

Na parede fronteira, reproduz-se o cerco a Lis­boa, em 1384.

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Tomada de Lisboa aos Mouros Autor desconhecido meados do século XVII Óleo s/ tela 251 X 295 cm. Museu da Cidade de Lisboa

Na parede norte, reprodução ampliada da ilumi­nura da Crónica de D. João I, visão de Lisboa qui­nhentista.As nervuras que acompanham o desenvolvimento do tecto abobadado, têm, na base, baixo-relevos re­presentando a Alcáçova Régia, a Sé, S. Vicente de Fora e uma porta ou Cerca Moura. O fecho da abóbada é a reprodução dum selo de Lisboa, do sé­culo XIII.

Ao centro da sala, o Padrão de Lisboa, com a nau, elemento fundamental do brazão olissiponense.

Sala de Pitoresco - Em onze palcos, pin­tura cenográfica de Martins Barata reproduzindo estampas típicas de Lisboa e locais dos séculos XVII e XIX. Em vitrinas, exemplares de tipo» «alfacinhas» e arte barrista do passado o do presente.

Sala Castilho —De homenagem ao olissípógrafo Visconde Júlio de Castilho. Nas paredes a ampliação da planta de Lisboa, de George Braunio…

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…e a mais antiga Vista de Lisboa (século XVI) repro­duzida e ampliada da «Crónica de D. Afonso Henriques» de Duarte Galvãomp 104

Vista de Lisboa cerca de 1520

Iluminura da “Crónica del Rey D. Affonso Henriques primeiro rey destes regnos de portugal” por Duarte Galvão

Do códice em pergaminho do Museu do Conde Castro Guimarães Cascais

Entre outros quadros originais, vê-se o de Miguel Lupi «O Marquês de Pombal presidindo ao estudo da reedificação de Lisboa»;

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A vista da cidade no século XVII (partida de S. Francisco Xavier para a Índia);

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Panorâmica de Lisboa com a partida de S. Francisco Xavier para a Índia Século XVIII [c.1715-65]

José Pinhão de Matos (atribuído a), óleo s/tela. 131 x 431 cm Museu Nacional de Arte Antiga

…e a vista do Rossio, no início do século XIX.

Em vitrinas, espécies bibliográficas olissiponenses.

Galerias —Em sequência, dez painéis de azulejo. desde Ribamar a Xabregas (século XVIII).

Nos seis dioramas em rotunda, mostram-se vis­tas de Lisboa e do Tejo dos séculos XVI, XVIII e XX.

Sala do Futuro— Visão gráfica de Lisboa, dentro de poucos anos, com projectos, desenhos e plantas.

Átrio de Saída— No fundo, painel de azu­lejo com vista de Lisboa actual e panorâmica do Tejo.

O Pavilhão de Honra e da Cidade de Lisboa iluminado.

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A Fonte Luminosa

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fotografia de Mário Novais FCG

A praça do Império é ainda rematada a nascente e a poente por um espelho de água com esculturas de António Duarte, “Cavalos-Marinhos”.

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(continua)

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