Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















quarta-feira, 26 de maio de 2010

Exposição do Mundo Português 3

Pavilhão dos Descobrimentos

Director Histórico: Comandante Quirino da Fonseca

Arquitecto chefe director e autor do Plano Geral das Decorações: Cottinelli Telmo

Autor do projecto: arquitecto Pardal Monteiro

I Sala: Síntese da concepção antiga do Atlântico. Na parede fronteira à entrada, representação das sereias, monstros marinhos e todos os lendários inimigos dos navegadores do mar alto. Planisférios anteriores aos Descobrimentos.

II Sala: -Sugestão do que seria aventura da navegação em frágeis meios de transporte marí­timo.

III Sala: — Do Infante D. Henrique, que rodeado dos seus criados aparece no baixo-relevo da parede de honra. Os Descobrimentos da época Henriquina representados no mapa onde sobressai a figura de Gil Eanes. O episódio das rosas de Santa Maria da crónica de Azurara é o principal elemento decora­tivo. Fixam se as datas dos Descobrimentos e os nomes dos seus descobridores. Modelo de caravela latina.

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IV Sala: — Salienta documentalmente o impul­so dado à marinha por D. Afonso V. Expõe-se um mapa ilustrado por um friso de navegadores deste reinado e, noutra parede, vários tipos do barcos de navegarão de longo curso. Documentos.

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Gil Eanes Nuno Tristão - Esculturas de Canto da Maia

V Sala: - A figura central é D. João II. A viagem de Bartolomeu Dias serve de tema à decorarão de uma das paredes e, nas outras, fixam-se os Des­cobrimentos de Diogo Cão. Salienta-se o valor do Tratado de Tordesilhas. Documentos.

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Canto da Maia -D. João II -

VI Sala: — O triunfo real dos Descobrimentos. Num grupo escultórico Vasco da Gama e Pedro Al­vares Cabral oferecem, simbolicamente ao rei D. Ma­nuel, os países que atingiram. Decorações documen­tais da transformação de Lisboa no maior empório Comercial da Europa. Na parede fronteira, visiona-se a embaixada régia portuguesa ao Papa. Docu­mentos vários.

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Canto da Maia “ D.Manuel, Vasco da Gama e Álvares Cabral gesso 295 x 295 x 120 cm Museu Nacional de Machado de Castro

“O rei D. Manuel subido num estrado, que lhe dá vantagem hierárquica, glabro, olha em frente, segurando numa mão a esfera armilar do seu símbolo, e, na outra, as contas dum rosário.

À sua direita, em plano inferior, Vasco da Gama, de longa barba, cruz de Cristo pendente ao pescoço, segura na mão uma escultura sagrada da índia que descobriu e cujo nome e data do feito se lêem numa fita pendente.

À esquerda do monarca, meio ajoelhado sobre os cordames, barbudo e de espada à cinta, Álvares Cabral ergue nas mãos um troféu de frutos, folhagens e pássaros que representam o Brasil, inscrito também numa fita com a data de 1500.

É uma composição imóvel, como numa suspensão de tempo, com acentuado valor de sacralização histórica. Catálogo da Exposição “Arte Portuguesa Anos 40” – F.C.G.

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“Lisboa ,entreposto da Europa” Aires de Carvalho

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Painel evocativo da Embaixada de D. Manuel ao Papa

VII Sala: -Os modelos de Galeão e Nau cons­tituem o centro deste salão, onde se valoriza a via­gem de circum navegação de Fernão de Magalhães.

VIII Sala: — Instrumentos de navegação.

IX Sala: — Evocação do génio de Camões. Os Lusíadas. Rodeiam o épico os cientistas, cartógra­fos e cronistas representados pelas suas obras.

Esfera dos Descobrimentos:- A saída do Pavilhão — no interior, num grande globo giratório, estão inscritas as derrotas das navegações portu­guesas.

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Pavilhão da Colonização

Director Júlio Cayola

Arquitecto Carlos Ramos

Terá sido um dos pavilhões menos interessantes da Exposição, e onde apenas se destacam os vitrais de Almada. Este e Carlos Ramos não parecem tertido grande entusiasmo pela Exposição.

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No lado exterior do Pavilhão, sobre as portas da entrada, dois baixos-relevos de Barata Feio, representando, respec­tivamente, a Fé o o Império.

Sala dos Antecedentes

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Seguem-se: Sala da Organização do Estado Colonizador; Sala da África; Sala do Oriente ; Política de Limites; Passagem; Política Administrativa

Passagem; Política Indígena; A Fé e o Império; Panorama actual da Acção Colonial; Síntese.

Pavilhão do Brasil

“O Brasil participa não como hóspede, mas como pessoa da casa…” tinha afirmado Salazar na sua Nota Oficiosa de 1938

Direcção Coordenadora do Dr. Augusto de Lima Júnior

Plano Arquitectónico dos Interiores: Arquitecto Roberto Lacombe

Projecto do Pavilhão: Arquitecto Raul Lino

Num momento de afirmação da arquitectura e da arte moderna do Brasil, num movimento que nascera na “Semana Paulista de Arte Moderna” de 1922, é curioso que o pavilhão do Brasil tenha sido entregue a Raul Lino.

Este, no entanto vai construir um pavilhão sem referências históricas, com colunas inspiradas em palmeiras, e rematado numa torre terminada por um globo, numa referência à bandeira brasileira mas ainda evocando o pavilhão de Olbrich para a Exposição da Secessão Vienense.

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No pavilhão do Brasil é ainda exibido o quadro “Café” de Cândido Portinari (1903-1962) quadro esse que já havia sido premiado em New york em 1935 e que irá ser uma das referências para o movimento Neo realista que se vai formando e que terá a sua máxima expressão no final da guerra, como contestação ao Regime e às suas direcções culturais.

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Café 1935, óleo sobre tela, 130 x 195,4 cm Museu Nacional de Belas Artes Rio de Janeiro

Portinari, filho de camponeses procura retratar a realidade social do Brasil, o que o levará a filiar-se em 1945 no Partido Comunista.

“Então tive que dizer-lhes: a minha pintura é pintura de camponês; se querem os meus camponeses, bem; se não, chamem outro pintor”.

Os homens e as mulheres dos seus quadros reflectem a sua condição de camponeses explorados com corpos que se deformam (no Café com o peso dos sacos).

Para acentuar essa condição de trabalhadores Portinari (e os neo realistas) irá desenhar as suas figuras acentuando as mãos e os pés.

ENTRADA : — Na galeria que da escada princi­pal leva ao salão de conferências, encontram-se colecções de produtos do solo brasileiro. Painéis, com notas explicativas e estatísticas, completam o mostruário.

Na escadaria, mapas geográficos documentam aspectos económicos, históricos e turísticos do Bra­sil.

SALA DO LIVRO: -Com gabinete de leitura anexo, dá a síntese da cultura e da actividade edi­torial brasileira.

SALA DE FOMENTO E INDUSTRIA: - Repre­sentação das obras públicas, vias de comunicação, fabrico de matéria! bélico e Imprensa.

SALA DE AERONAUTICA : — Documentário da navegação aérea de todas as actividades afins. Ho­menagem aos pioneiros Bartolomeu de Gusmão, Augusto Severo e Santos Dumont.

SALA DO RIO de Janeiro: - Um diorama da cidade mostra os aspectos monumentais da capital do Brasil. Exibe-se o documentário da técnica do saneamento, higiene e da soroterapia. A figura de Oswaldo da Cruz, saneador do Rio de Janeiro, é a homenagem ao trabalho dos sábios brasileiros.

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SALA ETNOGRÁFICA:-Completa os mostruá­rios a secção de etnografia do selvagem brasílico, apresentada pelo Museu Nacional do Rio de Janeiro.

SALA DE HONRA: - Exposição de arte brasi­leira contemporânea.

Todos os pisos são revestidos de tacos de madeira, ladrilhos cerâmicos e borracha, vindos do Brasil.

Casa de Santo António

Plano e concepção: Gustavo Matos de Sequeira

Arquitecto Vasco Morais Palmeiro (Regaleira)

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A Casa de Santo António é assim apresentada pelos seus autores: “Não sendo a figuração exacta da pousada onde nasceu Santo António, é a evocação da casa medie­val de Lisboa. Á entrada num nicho, a imagem da Virgem Ma­ria, e junto a candeia votiva; ao lado da escada ex­terior, atrás de grade forjada, a Cruz do Milagre, tal qual está na escada da torre da Sé. A porta ro­mânica abre para a primeira quadra, com tecto abobadado de aresta, chaminé trecentista tocheiro de ferro, armário ferrajado trasfogueiro o espêto junto do fornilho de argila. Depois de um arco de alvena­ria, na segunda quadra, também lageada, pendente da parede a cruz de cobre. Em frente, do arquibanco onde o Menino Jesus surgiu entro os pergaminhos, ajoelha o Santo. Castiçal e a caveira da meditação junto dos livros devotos. A esquerda, o catre, a arca ferrajada e um escano. Por outro arco, passa-se para a Sala Museu on­de, no tecto apainelado, se pinta a cronologia agiológica de Fernando Martins de Bulhões (1195 a1231). Sobre a sanca, em oito tabelas, corre o hino trecentista em honra de Santo António. Nas paredes reproduções pictóricas das tábuas de Frei Carlos, Gre­gório Lopes, Francisco Henriques o mestre de Ancede, figurando o taumaturgo. Na segunda sala, no apainelado do teclo, motivos lendários populares. No patim inferior da nova escada, uma imagem do Santo. escultura do século XIV. Passado o alpendre de telha vã, o pátio ajardina­do, onde se vê a fonte medieval com as velhas va­silhas de barro, enfileiradas próximo da bica. Um banco de pedra e na parede da torre vizinha um fresco onde se reproduzem as figuras de de Santo An­tónio o S. Francisco do Assis, como as pintou Martini. no inicio do século XVI.”

Bairro Comercial e Industrial

Direcção de Joaquim Roque da Fonseca

Arquitecto Vasco Regaleira

Síntese das Actividades Económicas Portuguesas em Ambiente Arquitectónico Antigo

Pavilhão das Associações Comerciais e Industriais: - Colaboração das Associações Comerciais do Lisboa e Porto e das Associações Industriais Portuguesa e Portuense. É o centro de irradiação do “Bairro”. Sala de História Económica de Portugal e salas de recepção e conferências posto de propaganda e informação.

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Centro Regional

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Organização do Secretariado da Propaganda Nacional

Uma outra importância irá ter o Centro Regional, com as suas secções Aldeias Portuguesas, Vida Popular, Mar e Terra e Arte e Indústrias.

Organizado pelo SPN irá consolidar a visão de António Ferro (e de Salazar…) sobre a cultura popular, orientada em três direcções, de que a revista Panorama (publicada pelo SPN a partir de 1941) será o exemplo:

1. A orientação de raiz folclórica e "Wolkich", preocupada em recuperar aspectos da arte popular, através de parâmetros nacionalistas e pitorescos, mas numa estilização folclórica, que apoiando-se nalguns dos símbolos emblemáticos dessa cultura popular, lhe retira todos os seus conteúdos reais e antropológicos.

Depois do concurso da "Aldeia mais Portuguesa“ em 1938, é a criação do grupo de bailados "Verde Gaio“ (1940/49), do Teatro do Povo, , e da arquitectura das pousadas;

2. Uma orientação monumentalista e oficial, a par da arquitectura oficial e que se traduz em especial na estatuária pública e na pintura mural, em modelos que permanecerão até à queda do regime de que é exemplo a Fonte Monumental de Lisboa dos arquitectos Carlos Rebelo de Andrade (1887 - 1971) e Guilherme Rebelo de Andrade (1891 - 1969) e dos escultores Diogo de Macedo (1889 - 1959) e Maximiniano Alves (1888 - 1954) e do ceramista Jorge Barradas (1894 - 1971).

3. Finalmente uma orientação - que se esgota em 1951 com a saída de António Ferro - que procura apoiar a arte moderna, em particular a pintura, para um público restrito. Serão as Exposições de Arte Moderna do SPN, iniciadas em 1936 e que se manterão até 1951, as Exposições de Desenho, de Arte Cenográfica, de Figurinos, de Ilustradores, de Arte Sacra, de Cerâmica. Serão finalmente os Prémios Columbano, Sousa Cardoso, Manuel Pereira, Sequeira e Manuel Tarrago.

Aldeias portuguesas

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Arquitecto Jorge Segurado

Colaboração de Sales Viana e de D. Tomás de Melo (TOM)

A criação das “Aldeias Portuguesas” na Exposição do Mundo Português é uma resposta à “arquitectura internacional” e o reacender da polémica da Casa Portuguesa.

A publicação em 1933 por Raul Lino do livro "Casas Portuguesas" servirá agora, como referência indispensável para reacender a questão da Casa Portuguesa, retomando um nacionalismo pequeno-burguês, com o apoio da arquitectura da Heimat de inspiração nazi.

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E de facto veja-se a coincidência dos discursos de Raul Lino: "...Essas casitas sorridentes, sempre alegres na sua variada caiação; casas de um branco radiante como o da roupa corada ao sol, outras cor-de-rosa com os beirais verdes dando-nos uma impressão de frescura que lembra melancias acabadas de retalhar. Brancas, cor-de-rosa, vermelhas ou amarelas - quem não sentirá o aconchego expresso nos seus vãos bem proporcionados, a lhanheza das suas portas largas e convidativas, a linha doce dos seus telhados de beira saliente com os cantos graciosamente revirados, o aspecto conciliador dos seus alpendres, as trapeiras garridas respirando suficiência...finalmente as chaminés hospitaleiras e fartas";

e de António Ferro em 1938, entrevistando Salazar:

"...Entramos numa das casinhas do bairro novo ainda desocupada: dois ou três quartos arejados, brancos, cozinha ampla e clara, casa de banho, propriedade plena do seu habitante ao fim de alguns anos de renda mensal, mínima, que lhe garante igualmente o seguro contra o desemprego e contra a invalidez. Á frente de cada habitação um tapete de terra para as couves e para as suas flores. Entre moradia e moradia, o espaço suficiente para aumentar a propriedade se a família crescer. Os filhos assim serão sempre bem vindos...Seria possivelmente mais fácil resolver o problema da habitação no sentido vertical, no bloco imenso. Mas a casa pequena, independente, é o sossego, a tranquilidade, o amor, o sentimento justo da propriedade, a família. A colmeia é a promiscuidade, a revolução, o ódio, simultâneamente o indivíduo e a multidão...";

ou o próprio Salazar, retomando alguns conceitos que havia formulado em 1933: "...A intimidade da vida familiar reclama aconchego, pede isolamento, numa palavra exige a casa, a casa independente, a nossa casa", e mais adiante: "...Eis porque não nos interessam os grandes falanstérios, as colossais construções para habitação operária, com os seus restaurantes anexos e a sua mesa comum...para o nosso feitio independente e em benefício da nossa simplicidade morigerada nós desejamos antes a casa pequena, independente, habitada em plena propriedade pela família."

Seguindo este "programa" de Salazar, o Estado Novo irá, a partir de 1938, realizar alguns bairros destinados sobretudo a funcionários públicos, com soluções de casas isoladas ou geminadas, "aninhadas sob o campanário da Igreja" e da Escola, numa reprodução de pequenas aldeias dentro da cidade.

A questão apenas se extingue anos depois, com a realização e publicação do “Inquérito à Arquitectura Regional” (1955/61).

“Visão típica do conjunto das terras portuguesas. À entrada, a seguir ao arco, um moinho de velas, onde estão instalados os postos de informação da Comissão de Propaganda e Recepção da Comissão Executiva dos Centenários “…a síntese deliciosa de toda a paisagem portuguesa cheia de ternura e de idealismo, de pitoresco e de unidade de espírito."

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Trás os Montes, Beira Alta e Beira Baixa

Entre as construções de características transmontanas a Casa do Passal: outra de tectos colmados, ladeada pela chamada Fonte do Mergulho; e da parte de cima do lago, a Casa da Noiva. Na casa ao lavrador, acumulam-se no pátio alfaias agrí­colas. Na taberna fronteira está instalada a atafo­na. Representação de actividades regionais.

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Casa do Paúl Beira Baixa

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Minho, Douro e Beira Litoral

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Estremadura e Ribatejo

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Alto e Baixo Alentejo

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SECÇÃO DA VIDA POPULAR

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Arquitectos Veloso Reis e João Simões

Decorações interiores: Fred Kradolfer, Tomás de Melo, Bernardo Marques, Carlos Botelho, Emmerico Nunes, José Rocha, Estrela Faria, Paulo Ferreira, Eduardo Anahory.

(Que em 1948 deu origem ao Museu de Arte Popular, num projecto de Jorge Segurado e hoje rodeado de polémica, que parece ter acabado com a sua manutenção graças ao esforço de intelectuais e artistas de Lisboa!)

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Passada a ponte que galga a via férrea — na fachada dos pavilhões —dois baixo-relevos, com ce­nas da vida campestre.

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Ligada à sala das pescarias, um farolim e uma série de nichos decorativos e co­luna com ornatos inspirados em temas populares.

A decoração do jardim interior é de motivos escul­tóricos inspirados na imaginária popular. No vestíbulo da entrada, do lado oriental, o posto informador.

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Consultar http://www.matrizpix.imc-ip.pt/

Sala do Prólogo: — No centro, espécie de carroussel com figuras movimentadas das profis­sões mais características e pitorescas. Decoração parietal: treze painéis das províncias continentais e ilhas adjacentes. Numa pequena sala, instalação da indústria dos metais nobres (em laboração). Um busto de mulher nortenha ataviada com as mais be­las peças de ourivesaria popular.

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Cenas da vida rural – Carlos Botelho

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Cenas da vida rural – Carlos Botelho

Alentejo / Algarve

Alentejo

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Minho, Caixa de Brinquedos de Portugal

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Ribatejo, Arte Popular da Bravura

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Cenas do quotidiano de Lisboa

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Terra Saloia, Permanente Romaria da Estremadura

Pavilhão da Ourivesaria: —Espécie de torre cilíndrica reproduzindo motivos de filigranagem. Exposição de verdadeiras peças de museu em filigrana e chapa batida.

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Sala das Indústrias Manuais: —em laboração operários de lavores em madeira, cortiça, chifre e outras matérias em­pregadas no fabrico de palitos, facas, garfos e tamancaria.

Pavilhão do Mar e da Terra

I — Pescarias —Três painéis mostram as siglas ou marcas pessoais do poveirame e numa das pare­des os mais variados tipos de embarcações. Deco­ração feita com alfaias náuticas. Numa rotunda, pescadores trabalhando em redes. No solo, um grá­fico com indicações das zonas piscatórias do País.

II — Rendas — Grupos de rendilheiras de Vila do Conde, Peniche e da Ilha da Madeira.

III— Religião — A procissão típica, de S. Paio da Torreira. Expõe-se verónicas, rosários, registos ou estampas de romaria, ex-votos, quadros voti­vos, promessas, etc.

IV —Superstição — Arquivam-se exemplares em relevo de animais, plantas e objectos de cren­dice popular. Expõe-se uma enorme sereia modelada em arame de latão.

V — Pastoreio - Nas paredes, enfeites da vida pastoril.

VI — Caça — Decoração esquemática da floresta e pranchetas com modelos do armadilhas.

VII — Pirotecnia — Três painéis, ampliação dos «registos», lembram os populares Santos de Ju­nho. Redução de várias maquetes de fogos do ar e preso e deste os «mascatos».

Pavilhão das Artes e Indústrias

I Sala — Sequência de painéis com represen­tações de trapologia, pelaria, incisos, tatuagem, esgrafitos, gravura, etc. Em escaparates, a luminária de uso profano e religioso. Secção de ferro trabalhado, cobre, lata e latão, trabalhos de madeira: escultura popular do uso doméstico, tais como as vazilhas zoomorficas de Mafra. Exemplares de bonecaria, cestaria, barros de Extremoz, Barcelos, Gaia e Prado. Exposição de maquetas de habitações rústicas e mostruário de fotografias de casario típico.

II Sala – No corredor paralelo à II sala de conferências e cinema — expõe-se o instrumental popular. Na rotunda do fundo, a composição alegó­rica da música do povo.

III SALA Transportes marítimos com o do­cumentário de diferentes tipos de embarcações Ex­posição de manequins da indumentária da gente do do mar.

IV SALA — Transportes terrestres com exem­plares do carros e de arreios. Figuras de tamanho natural representando: campino ribatejano; um transmontano com capa de honras, uma mordoma minhota ; e uma mulher bracarense. Figurinos e peças de vestuário regional.

V SALA — Tecelagem. Alegorias parietais às indústrias do linho, da seda e da lã. Ao centro da quadra trabalham tecedeiras nos seus teares. De­monstração da sirgaria por uma bordadora de Cas­telo Branco.

VI SALA — Ao centro, oleiros modelando na roda. Nas paredes laterais, montras com as mais variadas peças de cerâmica nacional. Painel deco­rativo esculpido em tejoleira.

Pavilhão da Doçaria e Panificação: — Numa das paredes, alegoria ao trigo e à sua cultu­ra. Exibição de alfaias da ceifa e do preparo da fa­rinha. Ao fundo, duplo friso ornamental formado pelos taboleiros de Tomar. Numa vitrina, mostruá­rio de bolos regionais. Exemplar dum forno. Mos­tradores com doces de prato. Reconstitução de uma roda monástica, junto da qual raparigas, com hábi­tos monacais, vendem a tradicional doçaria con­ventual.

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Claustro do Pavilhão da Doçaria e Panificação

SECÇÃO COLONIAL

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Direcção Coordenadora de Henrique Galvão(tinha sido o Comissário da Exposição Colonial do Porto em 1934)

Arquitectos: Gonçalo de Melo Breiner, Vasco Regaleira e António Lino

Decorador-chefe: Roberto de Araújo

Pavilhões das Colónias: Em edifícios isolados encontram-se o pavilhões de Angola e Moçambique, da Guiné e das Colónias Insulares (S. Tomé, Cabo Verde e Timor).

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Pavilhão de Angola e Moçambique

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Pavilhão de Timor, cabo Verde e S. Tomé e Príncipe

Em ruas típicas, os pavilhões da Índia e Macau.

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Pavilhão da Índia

O grande elefante da índio é um miradouro.

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Entrada e Rua de Macau

Sobre grandes cartas em relevo, iluminadas, ilus­tradas e explicadas, abrange-se em síntese, geografia física, social, política e económica de cada colónia

Pavilhões de Construções e Documentações: – Missões Católicas — Criarão no estilo de construção portuguesa de edificações missioná­rias a adoptar em África. Localizada no meio do povoações indígenas, a missão, dirigida por missioná­rios e missionarias, estará em pleno funcionamento, reconstituindo-se as mais espirituais cenas de colonização portuguesa.

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Missão Católica

Arquitectura Colonial: - O pavilhão é do tipo da casa portuguesa para as zonas planálticas de Angola e Moçambique. No rés-do-chão expõe-se em maquetes, outros tipos de casa para outras regiões acompanhadas dos planos respectivos. No andar superior, os serviços directivos desta secção.

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Caça e turismo : — O mais completo docu­mentário exibido em Portugal.

Arte Indígena: – Galerias das melhores e mais representativas obras de arte africana oriental.

Junto a este pavilhão lavrantes indígenas com as suas ferramentas, realizam trabalhos da sua es­pecialidade.

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Aldeias Indígenas : — Reconstituição de aglomerados populacionais, em cenários apropria­dos, de Cabo Verde, Guiné. S Tomé, Angola, Mo­çambique e Timor. Por meio de maquetas mostram--se os vários tipos de habitarão indígena. Numa re­sidência típica, encontra-se o Rei do Congo, o único soberano reconhecido no Império.

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Em arquitectura colonial, encontra-se um restau­rante, cervejarias, pavilhões de tabaco, café e chá, (produtos coloniais portugueses) de informação, de livraria, etc.

A Emissora Nacional, no seu pavilhão — “Casa do Meia Hora de Saudade” - permite que, da Me­trópole, os portugueses falem diariamente às suas famílias do Ultramar.

Espelho de Água

Arquitecto António Lino

Um enorme espelho de água foi construído entre o Tejo e a Avenida da Índia. A meio deste espelho está situado um Restaurante e Casa de Chá; dos lados, pavilhões para Cervejaria, Gelados e Café. Teatro, das atracções náuticas, o recinto do Es­pelho de Agua é cheio de beleza e de frescura.

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Jardim dos Poetas Arquitecto António Lino

Parque Infantil Arquitecto António Lino

Parque de Atracções Arquitectos Raul do Amaral e António Lino

As realizações para além da Exposição

«Cortejo Histórico do Mundo Português» 30 de Junho de 1940
encenação Leitão de Barros
trajes Manuel Lapa

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O carro da Lusitânia

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Cavaleiros empunhando as insígnias com as cores

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Anunciadoras das diversa épocas do cortejo

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D. João I e D. Filipa de Lencastre em frente dos Pavilhões de Honra e de Lisboa

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O coche da embaixada de D. João V ao Papa Clemente XI

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O elefante da Índia na evocação da embaixada de D. Manuel I a Roma

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Aspecto da parte folclórica do cortejo, vendo-se à direita os sargaceiros de Esposende

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Manuel Lapa - Figurino para "Vasco da Gama" para "Cortejo Histórico"

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Manuel Lapa - Adereço de cena do «Cortejo Histórico» : Canhão de Diu

guache 35,5x47 cm Museu Nacional do Traje

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Manuel Lapa Figurino para "Elefante" para "Cortejo Histórico"

guache 47,6 x 34,6 cm Museu Nacional do Traje

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Manuel Lapa Figurino para ""Expansão, Descobrimentos e Conquistas" para "Cortejo Histórico"

guache 50,3 x 37,5 cm Museu Nacional do Traje

Ecos da Exposição

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Ecos da Semana desenhos de Carlos Botelho

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Publicidade dos Caminhos de Ferro

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E no Diário de Lisboa 22 Setembro 1940

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Estatueta em vidro mate, branco transparente, moldado, com a legenda "1140 / D. Afonso Henriques / 1940" inscrita na base octogonal. Peça provavelmente produzida na Marinha Grande, em 1940.

FILME : A Exposição de Mundo Português

Ficha técnica

Duração 62 min.

Realização António Lopes Ribeiro

Produção SPN - Secretariado da Propaganda Nacional

Argumento António Lopes Ribeiro

Dir. Fotografia Artur Costa Macedo/Manuel Luis Vieira/Salazar Diniz/Octávio Bobone

Montagem Vieira de Sousa

Dir. Som J. Sá Nobre

Vozes António Lopes Ribeiro

Música Frederico de Freitas

Exteriores Lisboa - Belém /Lab. Imagem/Lisboa Filme

Estúdio Som Lisboa Filme

Distribuição SPAC - Sociedade Portuguesa de Actualidades

negativo: 35 mm

No Porto

No Porto realizou-se um Cortejo do Trabalho.

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Mas sobretudo na continuidade dos estudos do Plano da Cidade pelo arquitecto italiano Marcello Piacentini (1881-1960), em que uma das preocupações da CMP era estabelecer uma ligação entre a ponte Luiz I e a praça da Liberdade e a avenida dos Aliados, onde os Paços do Concelho estavam em construção é aberto o Terreiro da Sé.

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Piacentini: ligação ponte – centro da cidade, 1939.AHMP

Como não houve possibilidade de romper a avenida da Ponte apenas se abriu o Largo (ou Terreiro) da Sé segundo um plano de Arménio Losa então a trabalhar na CMP, e a que não é alheio o facto de a Câmara estar instalada no Paço Episcopal.

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Comemorações do Duplo Centenário em 1940 Projecto de Arranjo Urbanístico da Zona da Sé e dos Paços do Concelho

arquitecto Arménio Losa

Um acto medieval na inauguração do novo Terreiro da Sé

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“A 2 de Junho de 1940 realizou-se no Porto um Acto Medieval, integrado nas Comemorações do Duplo Centenário da Fundação da Nacionalidade e da Restauração da Independência (1140 e 1640), no qual estiveram presentes das mais altas individualidades do Estado e da Igreja às multidões mais entusiasmadas.

As comemorações realizaram-se no renovado Terreiro da Sé com o objectivo de exaltar e reforçar os sentimentos nacionalistas desejados pelo próprio regime. Nada foi deixado ao acaso. Regressou-se ao passado medieval, montando-se no exterior um gigantesco palco para as cerimónias, que prosseguiram depois no interior da Sé com uma cerimónia de grande simbolismo evocativo.”

fim

4 comentários:

  1. Muitos parabéns.
    Confesso-me surpreendido com a extensão dos elementos que aqui apresenta sobre a exposição do mundo português, que suponho inéditos.
    Por completo acaso tropecei no seu blogue e saiba que estou a iniciar uma investigação sobre o Portugal dos Pequenitos que obviamente se cruza com o tema da exposição de 40. Já tinha aliás dado alguns passos para saber de um qualquer espólio relativo à exposição, mas até agora não obtive informações relevantes.
    Espero não ser um abuso perguntar-lhe onde obteve todos estes elementos?
    Agradeço antecipadamente e deixo-lhe para o efeito o meu email - nunotavora@sapo.pt.

    Cumprimentos.

    Nuno Távora, arquitecto.

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  2. caro nuno tavora: sobre a EMP, tem a revista publicada na altura e digitalizada na Hemeroteca de Lisboa, o arquivo fotografico municipal de Lisboa, e ainda O Pôrto nos centenários / Câmara Municipal. - Porto : C.M., Porto [imp.1941].
    Mário Novais : exposição do mundo português : 1940 / textos Pedro Tamen...[et al.]. - [Lisboa] : Arquivo de arte do serviço de Belas Artes, [1998]FCG
    Guia da exposição do mundo português. - Lisboa : [s.n.], 1940.
    Mundo Português : imagens de uma exposiçäo histórica : 1940. - Lisboa : S.N.I., [1956
    Exposição do mundo português ,1140-1940 : roteiro do Centro Regional / palavras de Luiz Chaves Vinhetas e gráfico de Luiz Areosa, fotografias de Horácio Novais. - Lisboa : S.P.N., 1940
    tem ainda monografias e catálogos de exposições sobre os diversos participantes. ricardo figueiredo

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  3. Boa tarde sr. Ricardo Figueiredo,

    Parabéns pelo seu blog.
    No caso de precisar de citar algumas frases ou imagens do seu blog para a minha tese de mestrado, como poderei fazê-lo? Qual a fonte que devo citar?

    Obrigada.
    Margarida Fonseca
    magaf415@hotmail.com

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  4. Muito boa tarde, Sr. Ricardo Figueiredo,

    Os meus parabéns pelo seu maravilhoso blog. Pretendo fazer um trabalho, como tal, irei inserir nele algumas das suas fotos. Neste caso para além de citar o endereço do seu blog, quais as fontes que deverei igualmente citar?
    Desde já o meu muito obrigada.
    Maria José Ramos.
    mariazezezeze@hotmail.com

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