Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















segunda-feira, 17 de maio de 2010

O Porto há cem anos 1

De Leixões ao Centro

2. O percurso de carro eléctrico (conclusão)
B – Seguindo de Massarelos pela marginal, e passando o Cais das Pedras chegamos a Miragaia onde se encontra a Alfândega, num poderoso edifício construído sobre a antiga praia de Miragaia, por Jean-François Colson nos anos setenta do século XIX.
O convento de Monchique
O antigo convento de Monchique em 1872 é colocado em hasta pública. William Hawke instala em parte do convento uma fábrica de fundição no ano de 1875.
Sucessivamente vão-se instalando outras fábricas: em 1879 uma fábrica de cerâmica de construção, de Pinto de Magalhães & C.ª; em 1884 uma fábrica de mobílias da firma Pinto Couto & Cª; em 1889 a empresa industrial de Monchique adquire aos condes de Burnay, uma parte do convento onde instala uma fábrica de serraria, carpintaria e pregaria
Já no século XX, em 1908, a D. Ignez Martins Guimarães capitalista portuense, compra grande parte dos edifícios do convento e finalmente é instalada em parte do convento uma fábrica ligada à produção de cortiça de Clemente Menéres, Ldª. (fonte IGESPAR).
Panorama_Porto_867w mm j. laurentmonchique
Detalhe da Vue Panoramique de Porto 1869 - J. Laurent Colecção Manuel Magalhães http://albuminasetc.blogspot.com/
O convento de Monchique antes de ser colocado em hasta pública. Ao cimo o Palácio de Cristal.
Miragaya

ce46

A frente de Miragaia depois de concluída a Alfândega.

ce47a

O interior de Miragaia ...

ce47

...e a rua da Arménia.

Ainda na encosta de Miragaia, a Casa das Sereias, assim denominada por a porta central estar ladeada por duas sereias que servem de cariátides. Por sobre a porta um frontão com as armas dos Portocarreros, Osórios, Cunhas e Coutinhos. O edifício construído no século XVIII no local do cemitério judaico do Porto, está no início do século XX abandonado.
ce47b

A Alfândega Nova
ce49a

A Alfândega vista do lado de Gaia in ALVES, Jorge Fernandes - Douro e Leixões: a vida portuária sob o signo dos bilhetes postais. Porto: Asa, 2002.
ce48

ce49

Seguimos pela Rua Nova da Alfândega, passando pela igreja de S. Francisco até à Praça do Infante D. Henrique.

“A nova alfândega construída na praia de Miragaya, reclamava uma communicação fácil e condigna da grandiosidade do edifício; houve differentes alvitres, pensando-se em communica-la pela parte baixa da cidade, posta já em contacto fácil pela rua de S. João ou de Ferreira Borges; e também se pensou em abrir uma nova rua por detraz de Monchique a entroncar na Restauração (calçada de Monchique, rua de Sobre-o-Douro). Prevaleceu porém o primeiro alvitre, adoptando-se o projecto, em verdade arrojado, e que se levou já a seu termo. A nova rua, parte da dos inglezes, e fazendo uma curva defronte do antigo convento de S. Francisco, corre depois um alinhamento parallelo á alfândega, entroncando com a rua marginal de Miragaya. A construcção foi feita a expensas do municipio, que já gastou com ella 318:5195733 réis, a maior parte absorvidos em expropriações (Abril de 1875).
Com a abertura da nova rua desappareceu o bairro dos Banhos, um dos mais immundos da cidade; a Porta Nobre, o postigo dos Banhos, a maior parte da rua de Cima do Muro e uma parte da Reboleira. A rua está ao abrigo das cheias e absorveu enorme volume de terras, pela maior parte extrahidas do corte feito para o alargamento da rua de Ferreira Borges. A porção construída pela camara é desde a rua dos Inglezes até um pouco adiante da antiga Porta Nobre. Não esta empedrada ainda, havendo, porem, já em deposito grande porção de parallelipipedos (pedra de esteio, de Canellas).
Na parte direita da rua estão-se construindo já novos prédios, subordinados na fachada a um typo apresentado pela câmara.”
LEAL, A. de Pinho (1816-1884) — Portugal Antigo e Moderno, «Miragaia».1873/1890

ce50c
A rua Nova da Alfândega vista do lado de Gaia.

A igreja de S. Francisco

ce50

ce 50b
Porto - Egreja de S. Francisco e Capella dos Terceiros (copia de uma photographia do sr. E. Biel) Capa de O Occidente de 5 de Janeiro de 1896
ce50a
Fotografia em papel albuminado 40,4x31,6 do Álbum Pittoresco e Artistico de Portugal 1849-1873, Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro.

A Praça do Infante está totalmente concluída.

Com a construção do Palácio da Bolsa e da nova Alfândega, a abertura das ruas Ferreira Borges e da rua Mouzinho da Silveira, satisfazendo as necessidades provocadas essencialmente pelas actividades portuárias e a sua ligação com a praça Nova e as saídas da cidade para Norte, impôs-se a criação de um espaço público que servisse simultaneamente de enquadramento e de articulação a essas actividades.

A praça decorreu do "Plano de Melhoramentos da Cidade do Porto" apresentado "...à Câmara em Sessão Extraordinária de 26 de Setembro de 1881" pelo seu Presidente José Augusto Correa de Barros (que havia sido vereador de 1878 até 1887, e que seria vereador de novo em 1887/89) e em que se propunha entre diversas outras medidas a realização de um Mercado coberto no terreno não edificado, comprehendido entre as ruas das Congostas, D. Fernando e Ferreira Borges (mercado Ferreira Borges) e Uma praça ajardinada no terreno comprehendido entre as ruas do Ferreira Borges, Inglezes, Congostas e D. Fernando, convenientemente arborizada, ajardinada e iluminada, em cujo centro se coloque uma fonte monumental” (praça do Infante).

ce51
A Praça do Infante na Carta de Telles Ferreira de 1892
ce52
Praça do Infante D. Henrique no Porto, onde foi inaugurado o monumento in O Occidente n.º 786 de 30 de Outubro de 1900

A Praça do Infante D. Henrique é dominada pela presença do Palácio da Bolsa, sede da Associação Comercial e o edifício civil mais emblemático da cidade.

O Palácio da Bolsa resultou da adaptação do Convento de S. Francisco que, em 1841, o Governo de Ávila cedeu ao "Corpo de Comércio da Cidade do Porto" para aí se instalar a Bolsa e o Tribunal de Comércio, e daí a instalação da Associação Comercial do Porto (fundada em 1834 com o nome de Associação Mercantil Portuense).
Do projecto encarregou - se Joaquim da Costa Lima, professor na Academia, tendo as obras sido iniciadas em 1842, e desenvolvendo-se durante todo o século XIX: o Salão Árabe do engenheiro Gonçalves de Sousa é de 1862; o Páteo das Nações projectado em 1880/82 por Tomás Soller, foi inaugurado em 1891 e dado por concluído em 1910.

"Nas ruas de Ferreira Borges e de El-rei D. Fernando existe este sumptuoso e imponente edifício, que rivalisa com os principaes da Europa. Deve ao corpo commercial a sua existência, que muito o ennobrece. As fachadas exteriores d‘este edifício são recommendaveis pela sua solidez, symetria e gosto architectonico. O seu interior compõe-se de differentes salas, por onde se distribuem várias repartições, taes como os bancos Mercantil, e União, gabinete de leitura, secretaria, tribunal do commercio, casa do sêllo, recebedoria do terceiro bairro, escriptorios de vários negociantes, etc. Os salões d‘este palácio, pela deslumbrante riqueza e extraordinária capacidade, que apresentam, merecem ser visitados, porque só assim se poderá fazer uma ideia cabal da sua magnificência. "ELUCIDARIO do VIAJANTE NO PORTO por Francisco Ferreira Barbosa, Coimbra 1864.

“Um monumento moderno importante, não só em relação a Portugal mas à Europa, é a Bolsa do Porto. A Bolsa assim como o hospital honrariam as cidades de Londres ou Paris. A mole imponente ergue-se sobre uma eminência, rodeada de casas velhas e de terrenos desaproveitados. Uma serie de salas espaçosas, uma bibliotheca franqueada ao publico, uma admirável sala mourisca incompleta, mas de um trabalho curiosíssimo, demoraram-me ahi longas horas. O perystilio é de grandes dimensões; duas largas escadas de granito conduzem ao edifício completando lhe o aspecto magestoso.” Maria Rasttazzi – Portugal de Relance - tradução portuguesa do livro Le Portugal á vol d’ oiseau - Lisboa 1882.
ce53a

ce53
Chusseau-Flaviens, Ch. French (active 1890s-1910s) ca. 1900-1919 negative, gelatin on glass 10 x 15 cm Georges Eastman House
“No primeiro pavimento, ao rez do chão, depara-se-nos amplo vestíbulo ou Hall, de aspecto deslumbrante, bem decorado e pintado, e onde se aprecia paciente e artístico trabalho em mozaico. Aos lados, limitando-o em todo o perímetro, um claustro bello, com os seus arcos envidraçados; e, superiormente, resguarda o elegante recinto, uma magnífica cobertura metálica, egualmente envidraçada. É aqui que se realisam as sessões da Bolsa official, inaugurada em 1891.N’este mesmo pavimento estão installados o gabinete de leitura e bibliotheca, que merecem ums visita; a secretaria, aulas de commercio, creadas e mantidas pela Associação Commercial, e uma estação telegrapho-postal para serviço público.”

ce54
Projecto de Tomás Soller para a cúpula no edifício do Palácio da Bolsa A ARTE PORTUGEZA – N.º1 Anno I Janeiro de 1882 Porto
ce55
Gravura mostrando o Pateo das Nações.

No piso superior, “a sala dos retratos, a das assemblêas geraes da Associação Commercial do Porto, …o gabinete da presidência, de delicada decoração, em que se salientam panneaux valiosos de Marques d’Oliveira, e o Tribunal do Commercio e seus anexos, onde existem pinturas artísticas, muito apreciáveis de Velloso Salgado.

ce60
Sala das Sessões
ce57
Sala do Tribunal do Comércio
ce58
Sala do Tribunal do Comércio com os painéis pintados em 1904 por Veloso Salgado (1864 -1945)
ce59
Painel de Veloso Salgado alusivo à importância do Comércio do Vinho.

"Há ainda a também a registar…uma pintura artística de Antonio Carneiro e os bustos magistraes de Fontes e Hintze Ribeiro, primorosa e magistralmente executados pelo genial escultor Soares dos Reis.” Guia do Porto Illustrado 1910.
António Soares dos Reis (1847-1889) Estudo para o busto de Fontes Pereira de Melo 1888 Gesso 76x57x31 Museu Nacional Soares dos Reis

António Soares dos Reis (1847-1889) Estudo para o busto de Hintze Ribeiro 1884, Gesso 74x 53x 27, Museu Nacional de Soares dos Reis

ce56
O Salão Árabe in O Occidente n.º 73 de Janeiro de 1881

ce61
Palácio da Bolsa no Porto Coelho J. «Archivo Pittoresco». 4, 1 861, p. 309

No lado Norte da praça o Mercado Ferreira Borges, projectado pelo engenheiro municipal João Carlos Machado, foi construído entre 1885/88 pela Fundição de Massarelos (Companhia Aliança), e algumas peças fabricadas pela Empresa Industrial Portuguesa, com sede em Lisboa.

ce62
ce106ce107
Projecto do Mercado Ferreira Borges AHMP
ce63

No Centro da praça a estátua do Infante D. Henrique do escultor Tomás Costa (1861 - 1932), vencedor com o projecto “Invicta”, do concurso realizado em 1893. A 1ª pedra foi colocada em 1894, nas Comemorações do Centenário do Infante D. Henrique, e finalmente inaugurada em 1900. O Infante D. Henrique encima o monumento junto de uma e apontando na direcção do mar.

No pedestal a Glória (a Navegação) na proa de um navio puxado por cavalos marinhos, guiados por um Tritão e por uma Nereide, simbolizando as navegações portuguesas. No lado do Mercado, a Religião(a Fé).
ce64
Monumento ao Infante D. Henrique no Porto capa de O Occidente n.º 786 de 30 de Outubro de 1900
ce65

A praça é rematada a sul pela rua do Infante D. Henrique, aberta nos finais do século XV por D. João I e que tomou o nome de rua dos Ingleses, dado que aí se situa a Feitoria Inglesa, edifício dos finais do século XVIII, da autoria de John Whitehead, cônsul britânico no Porto. Também aqui, ligados aos interesses do comércio internacional, se situam os consulados dos Estados Unidos, da Argentina, da Costa Rica, da Holanda, da Venezuela e da Suécia.
ce66
A rua do Infante D. Henrique e a Feitoria Inglesa
ce67

ce68


ce69a

Em 1894 abre o Restaurante "Comercial" sob a iniciativa do mestre de cozinha espanhol Manuel Recarey Antelo.

Na praça do Infante D. Henrique e nas suas imediações situam-se, desde a sua fundação, os bancos e casas bancárias do Porto.
Entre elas o Banco Commercial do Porto rua Ferreira Borges, o London & Brazillian Bank Limited na rua do Infante, a Filial do Banco de Portugal no Largo de S. Domingos, o Successors of Ed. Katzenstein na rua do Bellomonte e o Banco Aliança na rua Mouzinho da Silveira.

ce70

ce72

ce71
Autor desconhecido - Casa do Banco Comercial - albumina prova estereoscópia s/d col. AB
in o Porto e os seus Fotógrafos, coord. Siza Teresa, Porto 2001, Porto Editora 2001

ce73
A Caixa Filial do Banco de Portugal no Largo de S. Domingos.

ce75
Anúncio do Banco Aliança.

Nas imediações da praça do Infante situam-se, ainda, os escritórios de diferentes companhias de navegação, agentes de viagens e transitários.

ce76 ce77

ce78 ce79

No Largo de S. Domingos a Orey, Antunes & Cª.

ce81
Emigrants a Porto - Foto de Chusseau-Flaviens c. 1910

Nesta foto vê-se um conjunto de emigrantes junto da agência Orey, Antunes & C.ª, representantes de várias companhias de navegação, entre as quais como se pode ler na placa, a Konninklijke Hollandsche Lloyd e a Compagnie de Navigation Sud-Atlantique. Ao lado a papelaria de Luiz Gonçalves d’ Araújo & C.ª.

ce80

O lado Nascente da Praça do Infante D. Henrique e a entrada para a rua Mouzinho da Silveira.

ce74a

A partir da praça do Infante até à Praça de Almeida Garrett, onde se situa a (futura) Estação de S. Bento, apresentam-se dois percursos: um, em que existe o carro eléctrico e que sobe a rua Mouzinho da Silveira, aberta no último quartel do século XIX, e nos conduz à praça de D. Pedro; o outro é pela rua das Flores, aberta no século XVI, sem transporte público, e que entronca com a rua Mouzinho da Silveira na Praça Almeida Garrett.

Pela rua Mouzinho da Silveira
ce82

A rua Mouzinho da Silveira é uma das ruas mais comerciais da cidade já que nela estão instaladas algumas casas bancárias e companhias de seguros como a Companhia de Seguros Argus “ uma das mais sólidas emprezas d’esta especialidade…” , diversos serviços e estabelecimentos comerciais como a Pharmacia Internacional na esquina com a rua do Infante, “uma das mais acreditadas pharmacias d’esta zona e onde tem o seu consultório o medico polyclinico dr. Moraes e Costa…”; a Relojoaria Andrade Mello “…a mais acreditada em todo o norte do paiz e a que mais transações effectua no seu género de commercio…”; a Papelaria Monteiro; “…o depósito das afamadas águas minerais, bem conhecidas em todo o paiz – Agua Castello”. (em itálico citações do Guia do Porto Illustrado). Ainda o estabelecimento de ferragens de Sebastião Braz, Lda., e a Casa das Rolhas.

ce83ce84

ce85ce86


O outro percurso entre a praça do Infante D. Henrique e a Estação de S. Bento é a partir do Largo de S. Domingos pela rua das Flores, até à praça Almeida Garrett.
A Rua de Santa Catarina das Flores, hoje só Rua das Flores,aberta no reinado de D. Manuel, para ligar a zona ribeirinha com a saída para norte pela Porta de Carros, ocupou terrenos que pertenciam ao bispo, sendo as casas iniciais marcadas com a roda de navalhas símbolo de Santa Catarina. Ao longo do tempo foram-se construindo diversas casas nobres como a Casa Cunha Pimentel, dos Constantinos, dos Maias, Brandão e Silva e a Casa da Companhia Velha.

ce98
A rua das Flores na Carta de 1892

Junto do Largo de S. Domingos está instalada a Santa Casa da Misericórdia do Porto, com a sua com a fachada tardo-barroca dos meados do século XVIII com traço de Nicolau Nasoni. No interior da Misericórdia podemos admirar a "Fons Vitae", do século XVI, que se supões ter sido oferecido pelo rei D. Manuel I.

ce96
Domingos Alvão – entrada da rua das Flores, negativo, película, p/b, 18x13cm, gelatina e sais de prata - CPF- DGARQ

ce97
Anónimo - FONS VITAE – Cerca de 1520 - Óleo sobre madeira de carvalho 267 x 210 Igreja da Misericórdia do Porto

A rua das Flores é uma rua comercial, conhecida pelas suas ourivesarias como a Couto & Moura, a Coutinho, a Neves e Filha, a Barroso & Filho, a Eduardo A. Carneiro e a Arlindo Monteiro & Irmãos.

“Fui à França p'ra ver dança, /Á Inglaterra vapores, /Ao Porto p'ra ver ourives, /A Espozende os meus amores.” Cantiga popular do Minho.

“A rua das Flores é, desde longos annos, a Rua do Ouro, do Porto.
As lojas dos ourives não brilhavam nem pela vasti­dão, nem pelo luxo; mas, em compensação, reluziam dentro das vidraças grossos grilhões de ouro, enrosca­dos como serpentes, arrecadas do tamanho de pêras, que faziam lembrar os fabulosos pomos do jardim das Hespérides.
De todas as lojas, as mais luxuosas eram as do Au­gusto Moreira e a do Mourão. Os Leitões tinham ahi um pequeno estabelecimento, que ninguém podia imaginar fosse a chrisalida d'onde sahiria o bello estabelecimen­to, que annos depois fundaram em Lisboa no largo das Duas Igrejas—borboleta que se duplicou, porque tam­bém abriram no Porto, á praça de D. Pedro, outra loja apparatosa.
Não obstante a simplicidade primitiva do commum dos estabelecimentos, alguns ourives da rua dos Flores chegaram a fazer grandes interesses, graças à clientella das lavradeiras dos arrabaldes, que ainda hoje gastam o melhor do seu dote em arrecadas e cordões.”
Alberto Pimentel - O Porto na Berlinda 1894

Na rua das Flores também se encontram instalados agentes de viagens como a Chargeurs Réunis, a papelaria das Flores, a loja de artigos religiosos A. D. Canedo Succs., Armazéns, e Cambistas.

E segundo o Baedeker, “There are several Money Changers in the Rua das Flores”.

ce99 ce100
Publicidade no Guia do Porto Illustrado

ce101

A Nova Drogaria Medicinal de 1900, com azulejos de Silvestre Silvestri (ver BRANCO, Luís Aguiar – Lojas do Porto, Afontamento, Porto 2010)

ce 105

E ainda estabelecimentos comerciais de novos produtos como o de José da Silva Monteiro, representante dos Automóveis Benz.

ce102
Illustração Portugueza n.º 239 II série de 19 de Setembro 1910

Finalmente chegamos à Praça Almeida Garrett onde está em construção a polémica Estação Central de S. Bento. Projectada pelo arquitecto José Marques da Silva, a primeira pedra foi colocada pelo rei D. Carlos em 22 de Outubro de 1900.

ce87
Foto Alvão - 7 de Novembro de 1896 chegada do 1º combóio à Estação Central de S. Bento.

ce88
Detalhe da planta do Guia Bedecker mostrando a Estação Central e as linhas ferroviárias.

ce89 ce90
O Túnel D. Carlos de acesso à Estação Central de S. Bento

ce91
Gazeta dos Caminhos de Ferro 16 de Março de 1905 ce92
O projecto da Estação Central de S. Bento.

ce93
A praça Almeida Garrett com a Estação Central em construção postal da Casa Emilio Biel ce94
A Estação de S. Bento em construcção - postal Estrela Vermelha.

ce95

A Pharmacia Magalhães, na praça Almeidad Garrett "...muito bem montada e onde se encontram as mais recentes novidades pharmaceuticas”, no Guia do Porto Illustrado.


ce103
No postal a rua de Mouzinho da Silveira e a rua das Flores vistas da Praça de Almeida Garrett.
Note-se a ocupação dos pisos térreos por estabelecimentos comerciais nas duas ruas.
No prédio ao centro da imagem, uma “Casa de Câmbio” e no andar superior o “Depósito de Fatos Feitos”.
De notar ainda no primeiro plano um mictório, na rua Mouzinho da Silveira um eléctrico e ao cimo uma sege.
Fim do 1º percurso.

(Nota- falta referenciar algumas imagens)

3 comentários:

  1. Caro Sr., no âmbito de trabalho de investigação, será possível dar-me mais algum pormenor sobre a foto da fachada dos escritórios da Orey Antunes no Porto (Emigrants a Porto - Foto de Chusseau-Flaviens c. 1910)? Onde a poderia encontrar? Tem conhecimentos de mais alguma documentação relativamente à mesma companhia? Deixo-lhe o meu email: bslewinski@yahoo.com
    Bruno Slewinski

    ResponderEliminar
  2. Bom dia! Haverá alguma possibilidade de saber em que nº. da Rua das Flores - Porto, ficava a Drogaria Megre, que encerrou atividade por volta de 1948? O meu e-mail é: amegre4@gmail.com. Antecipadamente grato Antº. Megre

    ResponderEliminar