Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















terça-feira, 18 de maio de 2010

O Porto há cem anos 2

Da Estação de Campanhã à praça da Batalha

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Detalhe da planta do Guia Illustrado mostrando o percurso entre Campanhã e Batalha.

No princípio do século XX o modo mais utilizado para chegar à cidade do Porto vindo de Lisboa ou do Norte e mesmo do estrangeiro é o caminho-de-ferro.

Para quem vem do Sul, atravessa a ponte Maria Pia, inaugurada em 1877, e segue até à estação de Campanhã.

Em 1875 foi aprovado pelo Governo o caderno de encargos da construção da ponte Maria Pia, que permitiu lançar um concurso internacional depois de um longo processo de fixação do local do atravessamento do rio,

O concurso foi ganho pela empresa G. Eiffel et Compagnie e o projecto foi aprovado pelo Governo em 1876.

A ponte, obra prima da engenharia oitocentista, com um tabuleiro de 354,375 m, um arco de 160 m de corda e uma flecha de 37, 5 m do arco m, foi inaugurada em de Novembro de 1877, com a presença do rei D. Luiz I e da rainha D. Maria Pia, que dá o nome à ponte.

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Ponte D. Maria Pia - Diário Ilustrado, 1877

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A ponte de D. Maria in http://postaisdantigamente.blogspot.com/

Em 1878 no primeiro número de “ As Farpas” de Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão, a propósito da ausência da Câmara do Porto na inauguração da ponte D. Maria, os autores descrevem o panorama da cidade visto do rio, e a modernidade que representa a ponte sobre o Douro.

“Excellentissima camara municipal da muito nobre, sempre leal e invicta cidade do Porto ou quem suas vezes fizer

Paços da Camara na Praça Nova, esquina do Laranjal Porto

Excellentissima camara e minha boa senhora.

É cheio dos maiores cuidados pela preciosa saude de v. ex.ª que lançamos mão da pena para, em nome de todos os forasteiros que foram a essa cidade por occasião da cerimonia inaugural da ponte sobre o Douro, dirigir a v. ex.ª algumas regras. Principiaremos por dar a v. ex.ª uma breve noticia da festa em que tomamos parte e em que v. ex.ª teve as suas razões para não se dignar de comparecer. Por convite da direcção da companhia dos caminhos de ferro portuguezes reunimo-nos na estação das Devezas no dia 4 do mez de novembro passado pelas 11 horas da manhã. Cerca de uma hora depois partiamos em um grande comboyo extraordinario e paravamos em frente do Porto, á entrada da nova ponte, na margem esquerda do rio. Maravilhoso espectaculo o que presenceamos desde Gaya até á estação de Campanhã e do qual procurarei, certamente debalde, dar uma longiqua ideia a v. ex.ª!

Um delicioso dia de outomno, de um largo tom lacteo e ceruleo como o de uma perola azul, abraça amorosamente a natureza e banhava a paizagem n'uma luz vaporosa impregnada da frescura dos orvalhos e do aroma das violetas. A cidade fronteira desdobrava aos nossos olhos todos os seus encantos topographicos, desde a Foz, envolta na sua athmosphera maritima, salgada e humida, até os montes longínquos do lado opposto, levemente esfumados no horisonte sob as douradas pulverisações do sol. Viamos a ridente collina de Villar coberta de verdura e coroada pelo Palacio de cristal; os copados bosques do Candal e de Valle de Amores; o caes da Ribeira com a sua arcaria denegrida e o seu pittoresco mercado de velhas barracas alpendradas brunidas pelo sol; a ingreme ladeira da Corticeira; o parque das Fontainhas; a casaria emassada das freguezias da Se e do Bomfim, com os seus predios esguios, terminando quase em pignon como na Hollanda: uns bem aprimados, tesos, vidrosos, reluzentes, forrados de faiança, outros barrigudos, sombrios enodoados, fazendo fincapé para não cambalearem como ebrios taciturnos; outros, ainda, pintados de branco, pintados de azul, pintados de côr de rosa, com chaminés bordadas e claras-boias phantasistas rematadas por trabalhosas ventoinhas, jocundos, satisfeitos de si, rindo pelas sacadas abertas ornadas de craveiros e de alecrins; depois, de valle em valle, os lindos suburbios de Riba Douro: o choupal do Areinho, as espessas e murmurosas frescuras das quintas de Quebrantões, da Oliveira, da freguezia de Avintes; a bahia do Freixo, onde o rio tem a configuração de um pequeno lago circular dominado por um elegante palacio Luiz XV, de torreões e eirados senhoriaes, cuja elegante escadaria exterior mergulha venezianamente na agua.

Todas as eminencias que viam o ponto onde paramos para a celebração da ceremonia inaugural estava litteralmente cobertas de gente. Os montes proximos achavam-se completamente submergidos sob uma espessa vegetação humana. Em frente, todos os degraus da penedia, todos os socalcos, todos os jardins, todos os quintaes, todas as janellas, todos os muros, todos os telhados, todas as superficies, todos os contornos, todas as arestas, tinham um debrum de gente. Enorme romagem nunca vista. A cidade do Porto em peso e 40 ou 60 mil peregrinos advindos de todas as regiões do paiz estavam ahi reunidos. Para que?

Para celebrar um puro facto scientifico - a solução de um problema de mechanica. N'este simples facto, exm.ª camara, que symptoma! que phenomeno! que revolução! Ha bens poucos annos ainda só o fanatismo religioso tinha o poder de determinar as grandes romagens a S. Thiago de Campostella, a S. Torquato de Guimarães, á senhora da Nazareth, á senhora do Cabo. Os peregrinos iam então solicitar a intervenção milagrosa dos bons santos nos seus casos pathologicos, nas suas ambições pessoaes, nas suas questões domesticas: os paralyticos iam pedir movimento, os cegos iam pedir luz, os tristes iam pedir consolação, os turbulentos iam pedir paz, e os mendigos suspensos nas suas moletas, com o grande alforge ao pescoço, a longa barba cor de greda empastada no suor da jornada e no pó dos caminhos, iam simplesmente á beira das estradas pedir pão em troca de plangentes ladainhas e de arrastadas melopeas nazaes. Os peregrinos á ponte sobre o Douro não eram movidos por interesse algum pessoal. Esta romagem de novo genero exprime uma mentalidade nova; mostra que, se o nosso apparelho social mantem ainda por um lado os mesmos aspectos exteriores da sua velha structura, por outro lado elle annuncia já uma funccionalidade diversa. Um poder absolutamente novo, que não é o poder religioso nem o poder politico, com quanto não affirmado ainda nas instituições, revela-se já por este facto na comprehensão dos espiritos. Esse novo poder, irrevogavelmente destinado a substituir todos aquelles que sob diversos nomes teem gerido até hoje a direcção da sociedade, é na esphera espiritual a sciencia e na esphera temporal a industria. A ponte sobre o Douro é a mais bella e a mais perfeita expressão symbolica d'esse poder, ao qual o paiz inteiro acaba de prestar o culto mais unanime, o mais desinteressado, o mais convicto, o mais solemne de que ha exemplo na historia das manifestações do applauso publico. Era tão superiormente elevado o caracter d'esta grande festa da civilisação, que perante o objecto d'ella desappareceram como por encanto n'esse dia todas as incompatibilidades, todas as dissidencias, todas as distincções de gerachia, de seita e de partido, que dividem a sociedade portugueza. A direcção da companhia dos caminhos de ferro teve o bom gosto de convidar para o banquete que se seguiu á solemnidade da inauguração os individuos representantes das opiniões mais extremas, o mundo official e o mundo dissidente, tudo o que ha mais retrogado e tudo o que ha mais progressivo, os mais ferrenhos conservadores e os mais ardentes revolucionarios. Estes personagens tão justamente surprehendidos de se acharem juntos pela primeira vez na sua vida, tomando parte em um almoço cujos convivas não tinham precisamente por fim devorarem-se uns aos outros e serem os bifes de si mesmos, confraternisaram do modo mais tolerante e mais affectuoso, porque, acima de todas as suas divergencias episodicas de opinião, havia um sentimento de attracção commum, de conciliação geral, em nome do qual ahi tinham convergido todos. E esse sentimento era o respeito do trabalho, d'essa immensa e irresistivel força anonyma, obscura, lenta, perseverante, que o seio das bibliothecas, das fabricas, dos laboratorios, dos gabinetes de estudo, vae dando em cada dia aos destinos humanos um novo impulso para o aperfeiçoamento e para a felicidade. Não foram os reis nem os exercitos nem os padres, mas não foram tambem os jacobinos nem os demagogos nem os atheus os que teem guiado e dirigido até hoje a humanidade na sua ascenção atravez da historia. Foi elle unicamente, foi o trabalho modestamente, obscuramente exercido nos remansos da paz, nos recolhimentos da applicação e do estudo o que determinou todas as conquistas, todas as victorias, todos os triumphos das sociedades. A ponte sobre o Douro symbolisa uma d'essas conquistas, uma d'essas victorias, um d'esses triumphos:—a conquista de perto de meio seculo de paz; a victoria, proporcional a esse periodo, da intelligencia do homem sobre as fatalidades da natureza, o triumpho finalmente do destino progressivo do nosso espirito sobre a immobilidade das nossas instituições. Ha cerca de quarenta annos apenas, ex.'ma camara, essas duas montanhas estreitamente enlaçadas agora por um abraço de ferro, eram separadas por um rio vermelho de sangue. Nos mesmos logares onde nós agora nos reunimos para regar o solo com o champagne das agapes modernas, os nossos paes e os nossos avós espingardeavam-se convictamente, decidindo com o sacrificio das suas vidas a questão de palacio a esse tempo debatida entre dois principes. A guerra com tal fundamento seria hoje insustentavel. É evidente que progredimos, e o facto de irmos ao Porto, desinteressadamente, aos milhares, celebrar um facto industrial, significa a mais eloquente affirmação d'esse progresso.A cidade do Porto que por muitas vezes tem recebido a visita dos seus principes, dos seus reis, dos seus generaes, dos seus mandões de toda a especie, teve pela primeira vez n'esse dia a visita do povo.

Como foi que v. ex.ª, representante do municipio portuense recebem este seu novo hospede? Não lhe apparecendo!

V. ex.ª, que tem dado a esse espinhaço os tratos mais violentos e mais irracionaes para conseguir encurvar-se e acocorar-se n'uma reverencia satisfatoriamente abjecta diante de todas as testas coroadas; v. ex.ª que tem desengonçado e desarticulado a rhetorica municipal debaixo dos pés da real familia; v. ex.ª que conserva ainda entre os ferros velhos do seu stylo declamatorio—ao mesmo tempo alambicado e labrego—as chaves d'esse heroico baluarte depostas em cada anno por v. ex.ª—dizemos—não teve um dito, uma palavra, um gesto sequer, para agradecer a cincoenta mil viajantes a mais solemne e a mais extraordinaria manifestação de estima de que ainda foi objecto uma cidade por parte dos representantes de um paiz inteiro. Este simples facto basta para nos provar que v. ex.ª desconhece completamente qual é o espirito municipal das modernas sociedades democraticas, que v. ex.ª está cem annos atraz do seu tempo, e cem furos abaixo da missão em que foi investida pelos suffragios da população portuense, tão energica, tão intelligente e tão progressiva. É possivel que v. ex.ª tivesse tido que fazer n'esse dia que houvesse contrahido compromissos anteriores, que se achasse por ventura associada com alguma camara sua visinha para uma honesta merenda, para uma boa patuscada, para alguma das bem conhecidas sapateiradas, nas quaes todo o nosso ser se disgrega do mundo exterior para se abysmar no arroz do forno e na carne assada no espeto. Mas n'esse caso porque é que v. ex.ª nos não preveniu? Durante a ausencia de v. ex.ª, minha boa senhora, a sua cidade estava immunda. Se tivessemos sido contemplados com um aviso telegraphico nós, que fomos d'aqui unicamente com as nossas camizas, teriamos levado tambem as nossas vassouras nas malas e a nossa resignação para o desgosto de a não vermos no espirito.

Acceite minha senhora a expressão dos nossos sentimentos, tão cordeaes como aquelles que v. ex.ª nos não exprimiu.”

Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão - “À ex.ª Camara Municipal do Porto ou a quem suas vezes fizer” in As Farpas - III série - Tomo I - Janeiro 1878 – Typographia Universal – Lisboa 1878

Atravessando a ponte Maria Pia chegamos à estação de Pinheiro de Campanhã, construída entre 1873 e 1877 segundo um projecto dos engenheiros Anibas Ugart e João Evangelista de Abreu.

Nela confluem para além da linha do Norte também a linha do Minho (Famalicão, Viana do Castelo, Caminha e Valença, seguindo para a Galiza) e a linha do Douro (Marco de Canaveses, Penafiel, Régua, Pinhão e Barca de Alva, seguindo também para Espanha).

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A estação de Campanhã na planta de 1892

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CAMINHOS DE FERRO PORTUGUEZES – A Estação de Campanhã

Cópia de uma photographia do Sr. E. Biel in “O Occidente” de 5 de Setembro de 1895

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Estação de Campanhã foto Emílio Biel CP-GHM

Ramalho Ortigão também, descreve em As Farpas I, a chegada a Campanhã:

“Apeámo-nos finalmente na estação de Campanhã. Uma fila de carruagens sobre a linha dos trâmueis. Um rumor diligente e alegre de ta­mancos novos sobre os largos passeios lajeados. Mulheres bem feitas, caminhando direitas, de cabeça alta, cintura fina solidamente torneada sobre os rins, e alegres lenços amarelos, de ramagens vermelhas, encruzados sobre a curva robusta do peito. Canastras bem tecidas, grandes como berços, cobertas de pano de algodão em listras azuis e encarnadas.

As carruagens americanas recebem tudo, gente, cestos de fruta, canastras, trouxas de roupa branca, caixotes, seirões com ferramentas. Dos vinte passageiros de Campanhã que tomam lugar connosco no carro americano dois têm escrófulas, e um tem uma grossa corrente de ouro no relógio e um grande brilhante pregado no peito da camisa. Um pequeno, ruivo, sardento, de olhos azuis, apregoa o Jornal da Minhaum. As mulinhas trotam bem. E todas as casas, de um e de outro lado da rua, têm à porta a cancelinha baixa, de pau, pintada de verde. Estamos no Porto.”

Como em muitas outras cidades, em que a estação de caminho de ferro é geradora de urbanidade,também junto da estação e na sua envolvente, se abrem acessibilidades e existe uma diversidade de estabelecimentos comerciais de que se destacam os restaurantes e hotéis. É o caso do hotel Pinto Bessa, hotel Veneza e do hotel Caminho de Ferro.

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Na sua viagem ao Norte efectuada nos finais de 1908, o rei D. Manuel II, deslocou-se ao Porto pelo caminho de ferro, desembarcando em Campanhã, e regressou a Lisboa no iate real fundeado em Leixões.

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D. Manuel II chegando à estação de Campanhã – Ilustração Portuguesa n.º 143, Novembro de 1908

Daqui, de Campanhã, podemos continuar no comboio até à Estação Central de S. Bento em construção, ou desembarcar e seguir para o centro da cidade por outros meios de transporte.

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Túnel ligando Campanhã e S. Bento.

Se seguirmos de eléctrico temos duas maneiras de ir até ao centro:

1) Subindo a rua Pinto Bessa aberta em frente da Estação, no cimo da qual se encontra a igreja do Senhor do Bonfim e da Boa Morte, edificada entre os anos de 1874 e 1894, em substituição de uma antiga capela, segundo o projecto do arquitecto José Geraldo da Silva Sardinha (1845-1906), e daí descer a rua do Bonfim até ao Campo 24 de Agosto.

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Postal mostrando a rua de Pinto Bessa

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A rua Pinto Bessa com um Arco Triunfal na visita de D. Manuel in O Occidente n.º1077 30 de Novembro de1908

O Campo 24 de Agosto

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postal do Campo 24 de Agosto in http://postaisdantigamente.blogspot.com/

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No Guia do Porto Illustrado

No Campo 24 de Agosto (Largo do Poço das Patas) está situada, desde 1865, a Fábrica de Tabaco A Portuense pertencente à parceria comercial Miguel Augusto, Fonseca & Cardoso.

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A fábrica A Portuense na planta de 1892

“A PORTUENSE era uma casa de habitação que se transformou em fabrica e que actualmente se reconstroe sob um plano regular e vasto. A Nacional e a PORTUENSE são as únicas que tem como accessorio officinas lithographicas. De todas as fabricas, a unica onde o aceio dos trabalhadores é vigiado, onde a limpeza das officinas é esmerada, é a PORTUENSE. Os cuidados dos fabricantes são dignos do maior elogio e fazia gosto ver as officinas de mulheres toucadas de lenços frescos com vestidos sem nódoas, com as caras e as mãos bem lavadas…

…Quatro fabricas (NACIONAL, PORTUENSE, LIBERDADE e AURORA) empregam operários dos dous sexos. A maneira por que os inconvenientes d'esta promiscuidade são attendidos corresponde ao que dissemos quando tratamos da hygiene das officinas. Como instituições de soccorro, apenas a PORTUENSE tem um cofre de multas cujo producto, subsidiado pelos patrões, serve para os casos de doença. Sob o ponto de vista da educação, é excepcional o caso das mulheres saberem ler, sendo commum o contrario entre os charuteiros.”

“…e na portuense vai ao ponto de haver horas e lugares especiaes para a entrada e sahida das mulheres. Nem na fabrica, nem nas suas avenidas ha contacto entre os dous sexos. N’isto, como em tudo. se vê a intelligencia distincta e a humanidade dos proprietários da portuense, qualidades merecidamenle coroadas por um êxito pouco vulgar. Nesta fabrica, além de serem mulheres as mestras das officinas, ha duas regentes especialmente destinadas a manter a ordem e a fiscalisar o aceio das operarias. A sub-cornmissão já registrou a impressão agradável que recebeu ao penetrar n'uma d‘essas o/ficinas em que as mãos activas, enrolando os cigarros, produziam um zumbido semelhante ao de bandos de borboletas voando. O socego, a paz; os rostos sadios e alegres denunciavam o juízo dos patrões. Se à entrada e à sahida as mulheres não podem reunir-se aos homens, formando esses bandos de desmoralisação tão frequentes nas fabricas onde trabalham os dous sexos, tão pouco o jantar pode ser motivo de relações perigosas. Tanto a portuense como a nacional cozinham um rancho para as suas operarias dando-lhes de jantar na fabrica. O jantar é gratuito e equivale a um acréscimo de salário…

…Por tudo isto é obvia a consequência de uma fabrica receber operarias por empenho e a outra queixar-se da falta de constância no pessoal. Judiciosamente, a portuense não admite cigarreiras feitas: apenas aprendizes de entre 10 e 14 annos « para não virem eivadas dos vicios ganhos em outras fabricas corromper o systema d'esta», dizia-nos um dos donos..” Inquérito Industrial 1881

Do campo 24 de Agosto segue-se pela rua de Santo Ildefonso até ao largo do Padrão onde o eléctrico segue pela rua Formosa até à rua de D. Pedro e desce para a Praça.

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2) O outro percurso do eléctrico segue pela rua da Estação, um pequeno troço da rua do Freixo e segue pela rua do Heroísmo até ao Cemitério do Prado do Repouso e deste pela rua de São Lázaro até ao Jardim do mesmo nome. Toda esta zona resulta da urbanização do Campo do Cyrne “…construido sobre uma orientação moderna – ruas espaçosas e aceadas – compõe-se das ruas Ferreira Cardoso, Conde de Ferreira, Joaquim António d’Aguiar, Conde das Antas, Duque de Saldanha, Duque da Terceira e Barão de S. Cosme; mas no geral ruas pequenas, que não vão além de 700 metros, nem passando outras de 300.” Guia Illustrado do Porto

No cemitério do Prado do Repouso, primeiro cemitério público da cidade, encontram-se diversos e interessantes mausoléus, capelas e túmulos, destacando-se o túmulo dos Mártires da Liberdade, do arquitecto Joaquim da Costa Lima Júnior e o mausoléu aos revoltosos republicanos de 31 de Janeiro de 1891 com a legenda a “paz aos vencidos” inscrita na base e inaugurado em 1897.

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TUMULO DOS MARTYRES DA LIBERDADE NO CEMITERIO DO REPOUSO NO PORTO

(segundo um esboço do sr. Alfredo Pinheiro) in O OCCIDENTE n.º 16 15 de Agosto de 1878

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Tumulo dos revoltosos do 31 de Janeiro no cemitério do Repouso, no Porto

A rua de S. Lázaro antiga rua do Reimão

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Na foto do lado esquerdo a Casa dos Viscondes da Gândara desenhada por Francisco Pinto de Castro em 1890 e à direita o jardim do Palacete do Bragas.

“Em 1861, a família Forbes, regressada do Brasil, comprou um terreno na Rua de S. Lázaro (actual Avenida Rodrigues de Freitas) para construção de um palacete, a Casa de S. Lázaro, concluído em 1873. Dois anos após a conclusão das obras, o palacete foi adquirido, por José Teixeira Braga, também regressado do Brasil. Em 1890, o filho deste segundo proprietário, José Teixeira da Silva Braga, após a morte do pai, mudou-se para S. Lázaro e iniciou então uma reformulação intensa do jardim do palacete. Para o ajudar na empreitada, contratou Florent Claes, arquitecto paisagista da Companhia de Horticultura da Bélgica. Florent Claes esteve no Porto entre 1890-1891. No Porto, para além dos trabalhos que executou para o palacete de S. Lázaro, projectou e dirigiu as obras da construção do lago e da gruta do palácio de Cristal e fez “melhoramentos” na Cordoaria.

Em 1891, no jornal de Horticultura Prática as obras no jardim eram noticiadas da seguinte forma:

“Está sofrendo uma completa transformação o jardim do opulento capitalista, snr. José Teixeira da Silva Braga Junior, jardim que circunda o formoso palacete do mesmo senhor na rua de S. Lazaro. Este cavalheiro, um dos mais reputados amadores portuenses, mandou vir da Bélgica, da Companhia de Horticultura Internacional, um dos seus architectos paisagistas, o snr. Florent Claes, que não só deu o plano do novo jardim e estufas mas também o está pondo em prática, auxiliado por operários por elle trazidos da Bélgica. (…) Constamos também que o snr. Braga Junior vae em terreno próprio, ao lado de casa, construir edifício especial para a sua riquíssima colecção de fauna sul americana, incontestavelmente a primeira colecção particular no género e que faria honra aos mais notáveis museus públicos da Europa. A dar-se tal facto, ficará obrigatório a todos quantos visitarem o Porto a romagem à casa do snr. Braga Júnior não só para verem jardins que sem dúvida hão de ser a admiração de todos, mas também colecções de aves e insectos que são admiráveis, deliciosas, verdadeiramente soberbas. Só vistas.”
SEQUEIRA, Eduardo – Chronica. In Jornal de Horticultura Prática, Vol. XXII, 1891. p. 44-45.

In GRAÇA, Manuel de Sampayo Pimentel Azevedo — Construções de elite no Porto: 1805-1906. Porto, 2004. Dissertação de mestrado em Historia da Arte em Portugal, apresentada a Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Vol. II

O jardim de São Lázaro criado em 1834 é o mais antigo jardim público do Porto. Para além do recolhimento de Nossa Senhora da Esperança, edifício tardo barroco onde terá trabalhado Nicolau Nasoni, é a expropriação do convento de S. António da Cidade para a criação da Biblioteca Pública, desejada por D. Pedro IV, que imporá a reorganização do espaço.

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A zona de S. Lázaro e Batalha na Planta de Telles Ferreira 1892

O jardim de S. Lázaro no começo do século XX, já não é contudo o passeio público da preferência do Porto burguês, que prefere agora, depois da moda da Cordoaria, os jardins do Palácio e do Passeio Alegre.

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« Jardim de S. Lázaro - Foi durante muitos annos o primeiro passeio publico do Porto. Já então era, como ainda hoje é, tudo - menos jardim ... de flores.

Alfobre das bellesas femininas de ha vinte arnnos, isso sim, e das gentis arvores animadas a cuja sombra nesse tempo se abrigavam os corações dos Adónis portuenses umas eram de folha caduca, e estão hoje esguias tias de inquietos sobrinhos, outras conservam ainda as suas verduras de ha quatro lustros, como no tempo d'ellas se dizia, graças á agua circassiana e a outros ingredientes modernos.

Mas o que é certo é que o jardim de S. Lázaro envelheceu como as primeiras, e que as segundas passeiam serodiamente elegantes na Cordoaria ou no Palácio de Crystal. O Velho jardim portuense lá ficou para o seu triste canto ao oriente da cidade, soterrado entre a Biblioteca Publica, o Recolhimento das Órfãs, e alguma casaria.

Raro passeante antigo o povoa, e principalmente ao domingo, emquanto a musica toca, um ou outro municipal, muito a rosto d'uma creada de servir, sustenta ainda a velha tradição amorosa d'aquelle logar.”

Alberto Pimentel Guia do Viajante na Cidade do Porto e seus Arrabaldes, 1876

« Jardim Publico, propriamente dito, tem a cidade hum único, em quanto se não verificar a formação de outro com melhores proporções no Campo da Cordoaria. (...)

O jardim publico de S. Lazaro, ainda que nos dá excellente sombra pelas muitas arvores de boas espécies que tem frondozas e com harmonia collocadas nas ruas e resumidos largos, em que retalharão o terreno, he pequeno e mal comporta grande numero de pessoas gradas pois sendo só na Cidade e franco para todos, he tanta a concorrência de gente da classe ordinária que ali passeia nos dias santificados, que não he possivel ser utilmente policiado guardando-se as conveniências respeitantes ás pessoas de diferentes classes da sociedade.

Desta forma só nos dias de trabalho e ao cahir do sol se pôde descancar das fadigas, repouzado em algum dos bancos que tem o jardim, e deixar o mesmo jardim nos outros dias plenamente entregue ao goso da populaça e creadagem. » Henrique Duarte e SOUSA REIS (1810 – 1876) – Apontamentos para a verdadeira história antiga e moderna da Cidade do Porto (1863-1872), publicados pela Biblioteca Pública Municipal do Porto, 1984

“Não tens vista, não alcanças / nem no campo nem no mar / nem ao horisonte onde vamos / As ideias espraiar… / Encerrado entre muralhas / Em que a desgraça gemeu, / jamais ideia risonha / á tua sombra nasceu.

Auras suaves não crusam / teu recinto docemente, / nem vem sacudir das flores / mago aroma, rescendente. / Se em noites de primavera, / em horas de soledade, / o rouxinol se ouve / aqui não canta em liberdade.”

Maria de Clamowse Brown ( 18 - 1861) – Virações da Madrugada 1854 - In Firmino Pereira (1855-1918) - O Porto D‘ Outros Tempos, Livraria Chardron, de Lello & irmão, Porto, 1914

Do lado nascente encontramos a Biblioteca que alberga ainda a Escola Portuense de Belas Artes criada em 1881 (a antiga Academia Portuense de Bellas Artes fundada em 1836 tinha agora funções de promoção das artes), dirigida pelo Inspector da Academia Leopoldo Mourão e onde leccionam entre outros, Marques da Silva e Alves de Sousa.

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Sobre as más condições em que encontram expostas as obras escreve Ribeiro Arthur :

Silva Porto tinha-me apresentado a galeria como um symbolo do desprezo que em nosso paiz os poderes públicos têem pelas cousas de arte, eu, porém, não a imaginava, ainda assim, n’um estado tão desprezível. Sob a aboboda húmida, ao longo de um corredor musgoso accumulam-se tumultuariamente as telas. Ao centro, em fileira, as estatuas, os bustos e o chapéu armado do Imperador. A luz vem de umas janellas lateraes, engradadas, roubando todo o effeito ás bellas obras que alli se guardam. É é lá que temos de ir admirar o —Desterrado —, a obra prima de Soares dos Reis, o mais genial pedaço de mármore que cinzel portuguez esculpiu ! A memoria do glorioso suicida deve ser adorada pelos seus patrícios, e o —Desterrado— merecia aos portuenses a veneração de um mais condigno templo. É para a cidade um padrão de gloria, que nunca deve deixar sair dos seus muros.

Depois da referência a Soares dos Reis, aponta alguns dos artistas que, alunos da Academia e com passagem por Paris, dominam o panorama artístico português:

“Dos modernos esculptores, Teixeira Lopes, ainda estudando em Paris, revelasse-nos alli como um notável talento. Lá vimos a sua Ophelia —, a suave louca, em cujo olhar desvairado brilha ainda a chamma de um innocente e mal comprehendido amor. A — Infância de Caim— é também um formoso trabalho; a desconfiada e sombria expressão da juvenil cabeça evoca já a idéa do futuro criminoso, que Victor Hugo nos descreve pávido, fugindo ao remorso.”

Na pintura “…dos notáveis discípulos da academia portuense Pousão, Silva Porto, Sousa Pinto e Marques de Oliveira. Pousão, tão cedo roubado pela morte, que nem tempo deu a que lhe desabrochasse o talento, seria um brilhante artista…

Aqui vi pela primeira vez alguns dos primitivos trabalhos de Silva Porto. Os que conhecem as ultimas telas do nosso grande paisagista quasi lhes custa a crer a transformação que elle imprimiu á sua maneira. Correcto sempre no desenho, Silva Porto, não se satisfazia ao principio com a impressão incisiva que nos dá a observação da natureza, procurava e detalhava com minuciosidade, tornando mais duros os contornos e menos exactos os valores. ….

O primeiro trabalho de Sousa Pinto com que deparei foi a sua copia da —Nayade— de Henner, que é deliciosa…

Concluo por Marques de Oliveira, que possue dotes e saber de um notável pintor. Citarei apenas uma das suas telas —Céphalo e Prochris …

Porto, 21 de Outubro de 1891”

Ribeiro Arthur - Arte e Artistas Contemporâneos - A Galeria de S. Lázaro, Livraria Ferin, Lisboa, 1895

Também aí está instalado o Museu Archeologico dirigido por Rocha Peixoto entre 1900 e 1909, acrescido em 1905 do Museu Municipal do Porto, em instalação.

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O claustro do convento de Santo António utilizado como museu in revista “Arte” 5º ano 1909

Da iniciativa do Centro Artístico Portuense, de que fizeram parte Soares dos Reis, Tomás Soller, José Sardinha e Marque de Oliveira, entre outos, foi projectado um edifício para albergar o Museu Municipal, num terreno adjacente à Biblioteca por José Geraldo da Silva Sardinha (1845-1906), que porém, nunca foi realizado.

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Planta do Alargamento do edifício de S. Lázaro in Arte Portugueza n.º 3 Março de 1882

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Fachada da Rua da Murta in Arte Portugueza n.º 4 Abril de 1882

No Porto as exposições de artes plásticas, realizam-se em locais tão variados como a casa do Visconde da Trindade, a Sociedade Promotora das Belas Artes em Portugal, o Grémio Artístico, o Instituto Portuense de Estudos, a casa de Fotografia União, o Centro Artístico Portuense, o Ateneu Comercial do Porto e a Santa Casa da Misericórdia do Porto.

Os artistas mais conhecidos e prestigiados a trabalhar no Porto são Marques de Oliveira, António Carneiro e Arthur Loureiro,

E na escultura depois da morte de Soares dos Reis, António Fernandes de Sá e Teixeira Lopes.

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APR 2899, AFP/CPF/MC In o Porto e os seus Fotógrafos, coord. Siza Teresa, Porto 2001, Porto Editora 2001

Aurélio Paz dos Reis - Exposição na Galeria da Santa Casa da Misericórdia do Porto, 1901

Ao fundo o tríptico de António Carneiro A Vida - Esperança, Amor, Saudade 1899-1901

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António Carneiro (1872-1930) A Vida - Esperança, Amor, Saudade 1899-1901

Óleo sobre tela: A Esperança, 209 x 111 cm; O Amor, 238 x 140 cm e O Amor, 238 x 140 cm.

Fundação Cupertino de Miranda Vila Nova de Famalicão

Ainda em S. Lázaro, encontramos os Ateliers de Photografia de Marques de Abreu, editor da revista “Arte”, e a Garagem de Automóveis de Albino Moura.

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Ateliers de Photographia Marques Abreu & C.a - Marques de Abreu (1879-1958)

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Garagem dos Automóveis Ford - Guia do Porto Illustrado

Na rua de S. Lázaro encontra-se a “Garage dos Autotmoveis Ford, a afamada marca que, no nosso meio sportivo, tão grande revolução veio cau­sar.”

De São Lázaro parte até à rua de Gomes Freire a “ …populosa rua de São Victor, onde o visitante é surprehendido pela mais estranha população proletária das ilhas, infectas e detestaveis habitações do Porto, que são o produto de ignóbil exploração capitalista, sem entraves de quem deveria melhor velar pela higyene da cidade e das condições de vida das classes pobres.” (Guia do Porto Illustrado).

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Ilha de S. Victor in http://postaisdantigamente.blogspot.com/

Entre a praça da Alegria e o Jardim de São Lázaro, a rua das Fontaínhas onde se situa um conjunto de instituições da Santa Casa de Misericórdia do Porto no velho edifício dos Hospitaes de Lazaros e Lazaras.

Em S. Lázaro segue pela rua do mesmo nome, pela rua de Entre Paredes até à Praça da Batalha, que pela sua localização na zona oriental da cidade, foi-se tornando um espaço de localização de hotéis, de cafés e de salas de espectáculo.

Na esquina da rua de Entre Paredes e a rua Alexandre Herculano situa-se a Tabacaria Alberto Ferreira.

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A rua Alexandre Herculano, aberta recentemente, ligando a praça da Batalha com praça da Alegria e o Passeio das Fontaínhas. Entre estas está instalado o Asylo da Mendicidade.

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Henrique Pousão 1859 –1884 - Paisagem (Abertura da Rua Alexandre Herculano) 1880 - Óleo sobre tela 68,8 x 122,4 cm - Museu Nacional de Soares dos Reis

Na outra esquina entre a rua Entre Paredes e a praça, o palacete setecentista dos Guedes de Azevedo, onde se encontra instalado o Correio Geral com a estação dos Correios, Telégrafos e Telefones.

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Alberto Ferreira Postal Tipographia Peninsular 1905

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Os novos marcos postais desenho do natural por Cazo - O Occidente n.º 140 Novembro de 1882.

Centralizando o espaço da praça,o monumento a D. Pedro V, erguido em 1866 e obra dos escultores José Pirralho e Teixeira Lopes (pai).

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Estatua de D. Pedro V, na praça da Batalha (Porto) Rafael / Pastor «O Universo Illustrado». 2, 1878 e postal ilustrado Estrela Vermelha

Francisco Ferreira Barbosa escreve no “Elucidário do Viajante do Porto 1864:

“Memória de D. Pedro V

No centro do arborisado largo da Batalha está este monumento, que, perpetuando a gloria do excelso monarcha, é um padrão de immorredoura saudade para os portuenses, que tão joven o viram descer á campa. Neste monumento, construído de mármore, se vêem quatro faces com legendas: a primeira - visita ao Porto, quando príncipe, em 1852; a segunda - visita á exposição agrícola, em 1860; a terceira - visita á exposição industrial, em 1861; e a quarta - os artistas portuenses por gratidão a D. Pedro V, em 1862.

Nos quatro ângulos estão as seguintes armas: num, á direita da primeira inscripção, estão as da nação, no segundo as de Bragança, no terceiro as da cidade, e no quarto as de Saxe Coburgo Götha.

Na face que tem a primeira legenda estão em alto relevo as artes, na seguinte a religião, depois a industria, e em seguida a agricultura. Falta-lhe para a conclusão d'este monumento a estatua pedestre, de bronze, que muito breve será collocada.”

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Entre o monumento e o Correio Geral estacionam os trens de praça.

O teatro S. João

Na praça da Batalha encontram-se ainda as ruínas do Teatro S. João, inicialmente chamado de Teatro do Príncipe, obra de Vicenzo Mazzoneschi (1747-1807), foi construído a partir de 1796, e inaugurado em 1798.

Este teatro, já com algumas alterações, foi destruído por um incêndio em 11 de Abril de 1908.

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Domingos Alvão – A Cidade do Porto na obra do Fotógrafo Alvão, ed. fotografia Alvão, Porto 1993

Lançado um concurso para o novo Teatro de S. João, em Maio de 1910 a Câmara Municipal aprova o projecto do arquitecto portuense José Marques da Silva.

(sobre o arquitecto José Marques da Silva (1869-1947) é indispensável consultar CARDOSO, António, O Arquitecto Marques da Silva e a arquitectura no Norte do País na primeira metade do séc. XX – Faup 1997)

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Na Ilustração Portuguesa n.º 211 7 de Março 1910

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No Guia Illustrado

A Irmandade do Terço instalada por detrás das ruínas do teatro, num conjunto em torno da Igreja do século XVIII, que compreende o Hospital e a Escola, tenta impedir a sua construção no mesmo sitio com a pretensão de alargar a estreita Travessa do Cativo.

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Esquema da implantação do novo Teatro S. João cujo avanço da sua frente correspondendo ao alinhamento da Rua Alexandre Herculano, implicará a expropriação e demolição da capela de Nossa Senhora da Batalha.

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Uma das raras imagens da capela da Batalha.

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Detalhe de um postal mostrando a relação da capela da Batalha com o Teatro e a Praça.

Rematando o lado sul da praça o Hotel Universal.

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Domingos Alvão – Praça da Batalha in A Cidade do Porto na obra do Fotógrafo Alvão, ed. fotografia Alvão, Porto 1993

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O Hotel Universal – detalhe da fotografia anterior

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Hotel Universal

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Anúncio do Hotel Universal

Na praça da Batalha junto da igreja de S. Ildefonso, o café Águia de Ouro e o Theatro Águia d’Ouro, no edifício onde está instalado o Clube dos Fenianos, a papelaria e tipografia Académica e o armazém High-Life que em 1908 com o nome de Novo Salão High-Life iniciou a projecção de filmes.

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O Águia Douro e a Papelaria Académica foto Alvão

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O High-Life

No lado poente da praça o Grande Hotel da Batalha, o Hotel Sul Americano e o café Chave de Ouro.

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Junto à igreja de Santo Ildefonso do lado sul, parte a rua de Santo Ildefonso, antiga rua Direita e que vai até ao largo do Padrão seguindo para Campanhã.

Do Largo do Padrão parte ainda a rua de S. Jeronymo, para norte até ao Largo da Póvoa.

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Largo do Padrão, fonte - in Porto d’agoa - edição dos SMAS 2001

Da Batalha para a Praça de D. Pedro pode descer-se a rua de Santo António ou em alternativa pela rua de Santa Catarina ir até à rua Passos Manuel e aí descer até à rua Sá da Bandeira.

(continua…)

3 comentários:

  1. Muito bom! Muito obrigado pore divulgar a nossa cidade, que teve um papael fundamental para o mundo inteiro.

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  2. Caro amigo, A Fonte do Padrão, será a mesma, ou parte dela, que está no Largo da Rua Chã ?
    Desistiu de nos dar mais lições ? Não tenho visto nada seu. Hoje ando a roubar-lhe "coisas" sobre Santa Catarina.
    Por favor, não desista.

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  3. O edifício que aparece como sendo o High-Life da Batalha era um armazém de ferramentas da firma Construtora Campos e Morais. Esse edifício foi demolido em 1907. Manuel da Silva Neves adquire o terreno e nele constrói o barracão para animatógrafo de nome High Life e mais tarde o Cinema Batalha.

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