Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















sexta-feira, 28 de maio de 2010

O Porto há cem anos 3

Ao Porto em 1910 pode-se chegar de várias maneiras: de barco a Leixões, de comboio a Campanhã (ou a S. Bento, embora sem estação…) ou por via terrestre.

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Esta a alternativa para os que se dirigem para o Porto vindos do Sul é a ponte Luiz I (1896).

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…Esta ponte, verdadeiramente mo­numental, inaugurada em 31 de outu­bro de 1886, para substituir a antiga e curiosa ponte pênsil, é projecto do engenheiro Theophilo Seyrig, e foi construída pela casa belga Willebrseh, custando cerca de 400 contos. Guia do Porto Illustrado

Chegado a Gaia ou Gaya:

…o touriste..(encontra) …uma incompleta avenida que, a custo de muitos annos, vae roendo o dorso granítico da Serra do Pilar, e que só d'aqui a numerosos lustros conseguirá vencer o intento, para commodidade e arranjo de difficuldades orçamentologicas. Por ella se conduzirá como poder; e, galgando ao ponto mais elevado, ahi encontrará, em planura d'onde se disfructa encantador panorama, os restos do formidável convento dos agostinhos, monumento interessantíssimo pela sua architectura, especialmente o que ainda se pôde apreciar no famoso claustro e na egreja, que conseguiu escapar á derruidora acção do tempo ou ao brutal vandalismo e desleixo indígenas.Guia do Porto Illustrado

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António Soares dos Reis, (1847 - 1889) Aqueduto da Serra do Pilar

óleo sobre tela 22 x 33,7 cm Museu Nacional de Soares dos Reis

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Francis Frith & Co. albumen print David Balsells etc al. Napper I Frith.

Un viatge fotogràfic per la Ibéria del segle XIX with an essay by Martin Barnes.

Barcelona, Museu Nacional d'Art de Catalunya, 2007.

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“A Fábrica das Devezas, fundada em 1865, e que uza actualmente o titulo de Fabrica Ceramica e de Fundição das Devezas que é, sem duvida, a mais bem montada da villa e uma das mais importantes do paiz.” Guia do Porto Illustrado

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A Ribeira de Gaia

“…Visitando Villa Nova, o formidavel deposito de vinhos durienses…”

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Emílio Biel (1838-1915) ribeira de Gaia

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De Gaia para o Porto, tem de se atravessar um dos tabuleiros da ponte Luiz I (1896).

…Esta ponte, verdadeiramente mo­numental, inaugurada em 31 de outu­bro de 1886, para substituir a antiga e curiosa ponte pênsil, é projecto do engenheiro Theophilo Seyrig, e foi construída pela casa belga Willebrseh, custando cerca de 400 contos. Guia do Porto Illustrado

O tabuleiro inferior da ponte Luiz I

É sobretudo utilizado para ligar as duas ribeiras de Gaia e do Porto, substituindo os barcos utilizados para o atravessamento do rio. No taboleiro inferior…, ….melhor se apreciará o que é esta grandio­sa obra de engenharia, que consumiu approximadamente 3:000 toneladas mé­tricas de ferro.

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O principal veículo de transporte de mercadorias no espaço da cidade, é ainda o carro de bois, sobretudo na ligação das duas margens do rio com a cidade.

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O Cais da Ribeira

Pelo tabuleiro inferior da ponte Luiz I acede-se à Ribeira.

Aqui desenrolam-se diversas actividades ligadas ao rio, em particular o desembarque e o embarque de mercadorias, transportadas para os armazéns existentes na zona ou para os diversos pontos da cidade pelos carros de bois.

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Chusseau-Flaviens - Porto Scene au port c. 1910 - negative, gelatin on glass 10 x 15 cm

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A Praça da Ribeira

A setecentista Praça da Ribeira, onde se desenrolam as actividades ribeirinhas, é sobretudo ocupada pelos carros de bois que fazem o transporte das mercadorias para o cais da ribeira.

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Chusseau-Flaviens, Ch. Porto Largo da Ribeira/Porto scene Vue pres du port ca. 1900-1919
negative, gelatin on glass 10 x 15 cm Geoge Eastman House

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Foto 1897 Comte Henri de Lestrange ( 1853-1926)

Positif noir et blanc pour projection Gélatino-bromure Support verre;Recadrage au papier collé

Ministère de la Culture (France).

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Aurélio Paz dos Reis - Padeiras na Ribeira - CPF apr0052 e publicidade francesa do início do século XX

O desembarque do bacalhau

Uma das actividades aqui fotografada por Charles Chusseau-Flaviens, é o desembarque de bacalhau, no largo do Terreiro, sendo os fardos transportados às costas para diversos armazéns situados na zona ribeirinha.

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Na fotos a capela de N. S.ª do Ó e a antiga Alfândega

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Ao fundo a Casa do Infante com a placa descerrada no Centenário do Infante D. Henrique em 1894.

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Foto 1897 Comte Henri de Lestrange ( 1853-1926)

Positif noir et blanc pour projection Gélatino-bromure Support verre;Recadrage au papier collé

Ministère de la Culture (France).

A actividade portuária junto ao Largo do Terreiro. Esta fotografia está reproduzida ao invés, tendo sido colocada na sua verdadeira posição.

O Interior da Ribeira

Aqui e estendendo-se até ao morro da Sé, inicia-se o “Porto antigo composto pelas mais estranhas e curiosas ruas e habitações que abrange este excêntrico bairro, no geral habitado por uma população de caracteristica muito própria, bem diferente do resto da cidade, e onde predominam a miseria e a falta de conforto. Por aqui se constata a existencia curiosa de um verdadeiro formigueiro de miseraveis ou famintos na maior parte. O seu viver, em baicas infectas, que ladeia bitesga, beccos ou escaleiras escorregadias e humidas em todo o tempo, denuncia-se claramente por seu ar doentio e definhado – mulheres de aspecto cholrotico, homens de physionomias abatidas ou mortas, creanças andrajosas e semi-nuas, horrivelmente sujas, aproveitando para comer, restos de comidas abandonadas ou cascas de fructos!

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Os Guindais

Para nascente da ponte Luiz I, situam-se os Guindais, onde atracam os barcos que descem o Douro: Rabelos e Valboeiros (ver neste blogue “os Transportes marítimos e Fluviais”). Aqui descarrega-se o vinho, a carqueja, o pão de Avintes e outros produtos.

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Os Guindais vistos para nascente. Ao fundo a ponte D. Maria Pia.

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Os Guindais vistos para poente. Ao fundo a ponte Luiz I.

A zona dos Guindais comunica com a zona alta, através das Escadas do Codeçal e da rampa da Corticeira.

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Escadas do Codeçal e Igreja do Ferro.

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Escadas do Codeçal.

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A rampa da Corticeira

Na legenda: o automóvel Ford que subiu em 32 segundos a rampa da Corticeira no Porto, a qual tem um declive de 29 % e uma extensão de 300 metros.

O automóvel, (um Ford possivelmente da Garage de Albino Moura em S. Lázaro), ainda raro e só ao alcance de privilegiados, fez aqui uma demonstração, relatada na Ilustração Portuguesa, n.º 221 de 16 de Maio de 1910.

O Areínho em Vila Nova de Gaia

Também a montante da ponte de Luiz I, na margem sul e em particular na praia do Areínho, para além da pesca, fazem-se passeios e actividades desportivas, sendo ainda uma zona muito procurada pelos pintores do Porto.

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Postal do Areínho com a pesca do sável.

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Fotografia de actividades desportivas no rio Douro Aurélio Paz dos Reis ?

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Alberto Marçal Brandão (1848-1919), grupo junto ao rio Douro – gelatino-brometo, s/d. AMB31, AFP/CPF/MC

In o Porto e os seus Fotógrafos, coord. Siza Teresa, Porto 2001, Porto Editora 2001

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Porto Regata no rio Douro

Em primeiro plano diversas embarcações algumas das quais a vapor. Ao fundo o palácio do Freixo e as Moagens Harmonia, entre outras instalações fabris

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Aurélia de Sousa (1866 -1921 ) Rio Douro Areínho, vista do Areínho a partir da Quinta da China, onde a artista habitou.

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Silva Porto (1850 – 1893) No Areínho 1880 óleo sobre madeira 37,4 × 56cm Museu Nacional de Soares dos Reis

“Desciam a rampa, que antecede o portão, alguns bandos de gente do povo, rindo, cantando, em plena festa; iam em direcção ao rio. As barqueiras de Avintes aproximavam os barcos da margem para os receber; outras, ainda a grande distancia, chamavam, com toda a força d'aquelles pulmões robustos, as pessoas que vinham por terra. Cruzavam-se os barcos, movidos pelos vigorosos braços d'estas engraçadas e joviaes remeiras, e carregados com os frequentadores das diversões campestres do Areinho e da pesca do savel. Tudo era riso e cantigas no rio.” Júlio Diniz (1839-1871) – Uma Família Inglesa – 1868

«... as barqueiras de Avintes, que fariam o en­canto e a admiração do Tamisa, regalando n'elle como no rio Douro, e remando em pé com os seus longos re­mos, semelhantes aos das gôndolas venezianas, tão pezados, tão difficeis de manobrar!»

Ramalho Ortigão - Jonh Bull 1887

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Marques de Oliveira (1853/1927) O Areinho – Porto 1883 Óleo sobre madeira 32 cm x 46 cm Museu de Grão Vasco Viseu

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Marques de Oliveira – (1853/1927) Areinho [1881-1882] Óleo sobre madeira 34,3 x L. 50,3 cm Museu Nacional de Soares dos Reis Porto

O tabuleiro superior

Muitos dos que se dirigem para o Porto vindos do Sul atravessam o rio pelo tabuleiro superior da ponte Luiz I. …e de lá, sem nenhuma pressa,.. (podem) …disfructar o soberbo panorama que se alcança sobre a cida­de e por toda a parte ribeirinha da antiga villa, até ao poético logar do Candal. Guia do Porto Illustrado

O carro eléctrico está instalado entre Gaia e Porto passando no tabuleiro superior, desde 1905. Neste caso apanham a linha, que se dirige para a praça da Batalha e depois desce a rua de Santo António até à Praça de D. Pedro.

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A inauguração da linha do eléctrico na ponte Luiz I.

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O carro eléctrico na ponte Luiz I - Arquivo Siemens Alemanha 1915 MCE/DESC-239-39 In Mesquita, Mário João – A Cidade dos Transportes, Faup2008

(Esta fotografia é de 1915, mas dá a ideia do que era atravessar a ponte nos primeiros anos do século XX)

Também podem seguir num carro de cavalos particular ou num trem de praça. Os novos transportes são ainda raros. O automóvel está apenas ao alcance de alguns privilegiados. A bicicleta é ainda uma curiosidade para passeios ou para a prática desportiva.

Em qualquer destes modos, atravessada a ponte tem à sua esquerda a Sé.

A Sé

“A Sé, a dois passos da avenida Saraiva de Carvalho, pa­tenteia-se logo aos olhos do visitante, porque a magestade e imponência, um pouco austera, do seu conjuncto, resalta bem nitidamente d'entre o amontoado antigo das habitações do cu­rioso bairro que a cerca, e que, ora repoisa, quasi indifferente ao decorrer dos tempos, pela alcantilada encosta da Penaventosa, que os suevos fortificaram, ora, em apertadas e tortuosas ruellas, se esbate em declive menos accentuado até á moderna e ampla r. do Mousinho da Silveira.

No seu todo adivinha-se bem a origem coeva, ou melhor, anterior á fundação da monarchia; como o seu estylo, aqui árabe, além gothico, nos ilucida sobre a sua fabrica sujeita a differentes planos, que foram levados a cabo ou iniciados em epochas distantes.

-A grandiosidade, porém, nascida mais da amplidão do templo e da sua forma acastellada do que dos detalhes artís­ticos lavrados em indomável granito, impõe-se e subjuga, es­pecialmente quando o exame incide sobre o interior magestoso da cathedral.

Após as suas três naves, amplas e magestosas, ladeadas por seis altares de rica talha dourada, segue-se uma formidá­vel capella mor, estylo clássico, toda em mármore, ampla e graciosa, cheia de luz e d'um conjuncto harmónico que encan­ta, como não será dado encontrar-se outra em terras luzitanas.

Ao cruzeiro, além de quatro altares semelhantes aos das naves, duas capellas primorosas se patenteiam; e uma d'ellas— a do Sacramento, — empolga-nos pela preciosidade e riqueza artística do altar de prata, que será, talvez, embora moderna, a mais admirável jóia do templo, devida a artistas portuenses.

O coro, em pau preto, d'uma construcção deveras artís­tica, encerra, como interessante thesouro, verdadeiras obras d'arte: um imponente retábulo de madeira dourada; um altar de lavor cuidado, em mármore e mosaico, vários relicários, duas tribunas, dois órgãos e uma gradaria de extraordinária feitura, em bronze torneado. A sachristia, ampla e airosa, carece de visita cuidada para se apreciarem os frescos que a revestem, o mobiliário rico que a guarnece e, sobretudo, uma pintura da Vir­gem, em madeira, de grande valor pela sua correção e accentuados traços da escola raphaelesca.

De construcção mais recente, do sé­culo XIV, o claus­tro, em estylo gothico puro, sem mis­tura de árabe, ou romano-bysantino, como o conjuncto total exterior, é uma das partes da cathedral mais interes­sante, porque é, sem duvida, a parte menos contaminada pela acção indígena dos modernisadores não obstante vários additamentos, puros na concepção isola­da, mas d'uma ada­ptação pouco feliz ou imprópria. Ha n'este claustro ma­gníficos quadros em azulejo e quatro capellas dignas de re­ferencia. Uma dellas destina-se a sepul­tura dos bispos.” Guia do Porto Illustrado

«É a Sé um espaçoso templo de três naves; em que se vêem dezoito capellas e altares. Na capella-mór estão os corpos de S. Pacifico, e Santo Aurélio, ambos martyres. A capella do Santíssimo tem o retábolo, sa­crário, docel, e frontal tudo de prata batida, com figuras de relevo allusivas à vida de Jesus Christo. Também possue uma banqueta e sete alampadas de prata bem trabalhadas. Na sachristia acha-se um painel de Nossa Senhora, que dizem ser producção de Raphael. Guar­dam-se n'esta casa algumas alfaias e peças preciosas de bastante antiguidade».

As Cidades e Vilas da Monarquia Portuguesa que têm brasão de armas, 1860-1862 – Ignacio Vilhena Barbosa (1811-1890)

«A Sé, uma boa egreja, de um estylo severo e antigo......

Scenas da minha terra 1862 – Júlio César Machado (1835-1890)

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fachada lateral da Sé do Porto – desenho de Nogueira da Silva – gravura de Coelho Archivo Pitoresco 1861

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O portal da Sé. Ao fundo o Palácio Episcopal.

Junto à Sé o Palácio Episcopal e a Igreja dos Grilos.

«Encerra este paço (do Bispo) grandes salas, uma boa casa de livraria, excellente e bem ornada capella, e, sobresahindo a tudo isto em magnificência, a escada que conduz ao andar nobre, digna, certamente, de uma habitação real, senão pela riqueza dos ornamentos, pela sua magestosa construcção. Se este edifício estivera acabado interiormente, podia, attenta a sua vastidão e commodidades, servir de residência a uma família so­berana.

« Não se recommenda por elegância de formas, nem por bellezas de ornamentação; todavia a sua architectura, apesar de ser singela, como bem quadra à morada de um pastor espiritual, tem nobreza, e guarda no seu todo e em cada uma das suas partes as boas propor­ções, o que é, sem duvida, um grande merecimento architectonico. Éum perfeito specimen d'esse estylo pro­priamente nacional, em voga no século XVIII, pesado e falto de graça, mas ostentando muita solidez, grandio­sidade e nobreza».

Estudos históricos e archeologicos – Ignácio Vilhena Barbosa (1811-1890)

« O paço episcopal agora existente é obra do século passado. A residência dos bispos então (século XVII) era mais acanhada e mesquinha. O palácio — dêmos-lhe este nome — era um misto de construcções de differentes épocas, onde a architectura gothica se casava a umas pequenas amostras e remendos de renascimento e d’esse estylo pesado, monástico, a que chamaram jesuí­tico. As fortificações que o cingiam, que por vezes os fieis súbditos da mitra tinham vindo sitiar, e que de tantos séculos que estiveram de pé, não havia passado um anno sem, pelo menos, ouvirem as pragas dos honra­dos burguezes, tinham desabado parte pelo aríete popu­lar, parte pela bem mais possante mão do tempo, dei­xando devoluto em frente um terreiro escabroso, d'onde se gosava um soberbo panorama. Apenas do lado do sudoeste existia um pequeno torreão, fendido de cima a baixo, desmantelado completamente, sem portas já, e pendentes os varões de ferro das ogivas que davam para o lado do paço».

A rua Escura 1856 – António Coelho Lousada (1828-1859)

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A Sé o Paço Episcopal e a Igreja dos Grilos.

Em redor da Sé todo o conjunto urbano do núcleo primitivo da cidade.

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O largo da Penaventosa.

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O Aljube.

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O Arco das Verdades

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A Travessa de Sant’Anna e as Escadas de Sant’Anna

A Igreja de Santa Clara e as ruínas do Convento.

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“Alfredo Alves fallando da egreja:

«E agora é bem occasião de fallar-te da egreja; desce ao pateo, vê-o, — lages deixando entre si tufos de hervas, um tanque com obelisco de pedra, sem agua já, na quadra algumas por­tas — dão para grades de locutório, — á direita a porta regral, de columnas salomonicas; de­fronte a entrada do templo. Repara; esbelto pór­tico. Téem belleza esses lavores, sim; aquella janellita, ao lado, captiva, parece olhar-nos, com um olhar de ogiva, longo, que vem de séculos; mas o que impressiona mais é a alma d'esse pórtico, a tradição que o anima. A pedra dos seus fundamentos, á direita, foi aqui posta por D. João I—que bizarro mesteiral—a da esquer­da tocou-a com suas mãos um menino, um in­fante, D. Fernando, o martyr de Tanger, o San­to. Que melhor arco de triumpho que este pór­tico? Abre-o discretamente, e entra. E' grave, é solemne o aspecto do templo. Revestiu-o de ta­lha o século XVII; talha preciosa, columnas, volutas, raphaelas, frisas, tudo a ouro, tudo. E' já fosco, empanou-o o bafo amortecedor do tempo; mas assim é ainda mais apropriado ao recinto de uma adoração que se extingue. A' entrada a pia de agua benta é curiosa; lavrou-a o artista como se fora um cálix de ouro, da epocha; no altar mor Vieira Portuense pintou em painel, Santa Clara, detendo no ímpio accommettimento de Assis os soldados de Frede­rico II, o imperador,—tomando, dizem, para modelo da irmã espiritual de S. Francisco, uma freira do convento, soror Dula; alli, no derra­deiro altar, ao fundo, em esquife, uma imagem de Christo morto reclina-se; é primorosa, e tanto —diz a lenda—que o esculptor ao terminal-a ou­viu uma voz do céu elogiar-lhe a obra. Repara também, como as grades voltadas á egreja, tão estreitas, tão discretas são, e como as do coro de baixo, grossos varões de ferro, eriçados de picos,—ninguém se approxime — symbolisam os espinhos que a professanda teria a vencer para passar do bulício do mundo á placidez do claustro.» Guia do Porto Illustrado

« Junto da Porta do Sol o convento de Santa Clara, tão celebre pelos seus pasteis, quanto o d'0divellas pela marmellada; porque isto de fazer doces é uma occupacão ascética, que me fez sempre ter uma alta idéa da poesia dos mosteiros, e que me tem mostrado em beatí­ficas visões as esposas de Christo em torno das forna­lhas a calcularem o peso do assucar!»

Contos e Descripções – Pinheiro Chagas

As freiras de Santa Clara /Andam n'uma roda viva: /umas no coro de baixo, /Outras no coro de cima.

Cantiga popular

Para seguir para o centro deve então o visitante seguir pela rua Chã e depois a rua do Loureiro, para a Praça de D. Pedro ou pela rua do Cativo para a Praça da Batalha. A outra possibilidade é descer a rua do Corpo da Guarda.

Na rua do Loureiro “Visita a Ourivesaria Santos, especialista em artigos de prata, que o touriste não deve esquecer, se, do Porto deseja levar uma lembrança de valor e utilidade;…”

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Também na rua do Loureiro se situa a Agência Portugal Brazil de João Lourenço Pereira, que trata de viagens e de embarque de emigrantes.

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