Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















sexta-feira, 21 de maio de 2010

Os Painéis das Estações Marítimas de Lisboa de Almada Negreiros

Nota Prévia
Recentemente tive de me deslocar à Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos. Aí assisti ao embarque dos passageiros de um cruzeiro, cuja validação dos documentos se realizava na Sala de Embarque da Estação Marítima, os quais, por manifesta falta de informação não prestavam a mínima atenção aos painéis de Almada Negreiros que os rodeavam e que segundo J.A. França são “…a obra-prima da pintura portuguesa da primeira metade do século.”
Esta a razão destes apontamentos ilustrados. Eles baseiam-se no livro de José Augusto França, “Almada - O Português sem Mestre” - Estúdios Cor, Lisboa1974, publicação essencial para compreender a obra e a personalidade de José de Almada Negreiros (1893-1970).

As estações marítimas

1 - A Estação Marítima de Alcântara 1934-1943

Arquitecto Porfírio Pardal Monteiro (1897-1957)
Engenheiros Pedro Pardal Monteiro e Eduardo Rodrigues de Carvalho (1891-1970) (foi presidente da Câmara de Lisboa entre 1939 e 1944)
Painéis de José de Almada Negreiros (1893-1970)
Em 1943 é inaugurada a estação marítima de Alcântara, que vinha sendo projectada desde os anos 30 por Porfírio Pardal Monteiro com a colaboração dos engenheiros Pedro Pardal Monteiro e Eduardo Rodrigues de Carvalho. Almada Negreiros vai então decorar a gare com um conjunto de frescos alusivos a motivos marítimos e lisboetas. Almada tinha já colaborado com Pardal Monteiro diversas ocasiões (Exposição do Mundo Português) e em outras obras, de que se destacam dois edifícios distinguidos com o Prémio Valmor: a Igreja de Nossa Senhora de Fátima de Lisboa (1938) onde realiza todos os vitrais e a sede do Diário de Notícias (1940) onde compõe três frescos: um Mapa-Mundi, um Mapa de Portugal e as 4 estações e um alusivo à Comunicação.
Não nos vamos deter na arquitectura destes dois edifícios, mas devemos salientar que projectados e realizados num período que abrange a necessidade do moderno para a afirmação do Estado Novo (grosso modo os anos 31 a 38), o regresso ao “historicismo” de influência da Alemanha de Hitler durante a Guerra (a Exposição do Mundo Português e a Exposição da Arquitectura Alemã em 1941) e o pós guerra marcado pela contestação ao Regime por parte dos artistas e intelectuais (as Exposições Gerais de Artes Plásticas 1947-1957). No entanto, a própria utilização dos edifícios conduziu a projectos de grande funcionalidade, com uma arquitectura austera e onde Pardal Monteiro retoma muitos dos elementos Art-Déco, que caracterizaram as sua primeiras obras.

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Foto Mário Novais FCG.

Os Painéis

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Almada pintando os painéis da estação Marítima de Alcântara foto Mário Novais FCG.

"Olha para o artista no andaime
A desenhar os frescos da gare marítima
Como se olhasse para uma igreja gótica.
- Menino, que tal lhe parece aí de baixo?
- Mestre, vou deixar a távola e a rima
E embarcar à aventura
Ser Bartolomeu em miniatura"

Tarcísio Trindade, "António Tavares de Carvalho em Alcântara a ver trabalhar o Almada", in "Os Meninos e as Quatro Estações", Ed. Panorama, 1960 ed. fac-sim. da Livraria Campos Trindade, 2008.

Na sala de espera da Estação Marítima de Alcântara, Almada pinta face a face, oito frescos: dois trípticos e duas composições isoladas.
No primeiro dos painéis isolados: “D. Fuas Roupinho, 1.° Almirante da Esquadra do Tejo”, a representação do milagre da praia da Nazaré.
No primeiro do trípticos Lá vem a Nau Catarineta que tem muito que contar” descreve-se a lenda da Nau Catarineta.
No outro “Quem nunca viu Lisboa não viu coisa boa” Almada pinta cenas de Lisboa.
No outro painel isolado: “Ó terra onde eu nasci”, uma alegoria ao Portugal rural.

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Painéis da estação Marítima de Alcântara foto Mário Novais FCG

No painel isolado denominado “D. Fuas Roupinho 1º almirante da esquadra do Tejo” está representada a conhecida lenda.
D. Fuas Roupinho, almirante de D. Afonso Henriques e alcaide-mor do Castelo de Porto de Mós, tinha por hábito caçar nesta região. Uma manhã de nevoeiro, em Setembro de 1182, perseguia D. Fuas um veado quando este se lançou no precipício. Para não ser também arrastado para o abismo, D. Fuas pediu auxilio à Virgem e logo o cavalo estacou salvando a vida ao cavaleiro. Em acção de graças, mandou D. Fuas Roupinho construir a Ermida da Memória.
Venerada desde então, a imagem teria dado origem ao nome do lugar – Sítio de Nossa Senhora de Nazareth. Esta lenda de origem medieval foi-se consolidando no imaginário português e Dom Fuas é referido por Camões no Os Lusíadas (estrofe 17 do Canto VIII).

“É Dom Fuas Roupinho, que na terra
E no mar resplandece juntamente,
Co fogo que acendeu junto da serra
De Abila, nas galés da Maura gente.
Olha como, em tão justa e santa guerra,
De acabar pelejando está contente!
Das mãos dos Mouros entra a felice alma,
Triunfando, nos céus, com justa palma
.”

Almada vai pintar a versão “clássica” desta lenda, depois de vários estudos em que procura uma mais clara organização da composição e uma melhor definição das personagens.

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Estudo para o D. Fuas na Gare de Alcântara – guache sobre papel 0,43x0,25 in Arte Portuguesa Anos 40 – FCG
Versão final do painel.

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ensaio de geometrias da composição
Depois de ensaiar algumas indumentárias para o D. Fuas Roupinho como se vê no cartão, Almada decide-se por uma jaqueta e um chapéu de cavaleiro tauromáquico à moda do século XVIII e a própria posição do cavaleiro com a lança lembra uma corrida de touros a cavalo. Almada havia já desenhado um cavaleiro semelhante para a capa do n.º 3 da Revista Panorama de 1941.

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Capa de Almada para a revista “Panorama” n.º 3 ano 1 1941
 
“Hei-de ser Fuas sem Virgem do Milagre,hei-de ser galope opiado e doido, opiado e doido...,”
A SCENA DO ODIO POR José d'Almada-Negreiros POETA SENSACIONISTA E NARCISO DO EGYPTO 1915 
 
Como refere José Augusto França em «A Cena doÓdio», Almada desejara-se «Fuas sem Virgem do Milagre», numa raiva imensa; agora, a Virgem inter­viera para salvar esse cavaleiro que o poeta se limita
a ver, com uma graça de imagística popular, preso à terra invocada com ternura...” 

A Virgem da Nazaré com o Menino, ambos coroados surgem no céu numa mandala sobre uma serpente comendo uma maçã.

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O veado da lenda encarnação do demónio cai no mar onde um veleiro corre de velas enfunadas.

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No primeiro plano a praia onde dois pescadores arrastam as redes enquanto um terceiro dorme na sombra dum barco.

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Almada desenha um barco da Arte de Xávega, muito utilizado na Nazaré.

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Barco de Arte Xávega Nazaré (miniatura) Museu dr. Joaquim Manso.

Sob a falésia da Nazaré duas mulheres acocoradas trabalham nas redes.

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A Nazaré e os seus pescadores são tema de diversas realizações nos anos trinta e quarenta. António Leitão de Barros realiza em 1929 Nazaré, Praia de Pescadores um documentário de curta metragem com os habitantes da povoação. No ano seguinte realiza Maria do Mar o primeiro documentário ficcionado do cinema português.
António Ferro irá utilizar a Arte Popular, como forma de propagandear o Regime e a Nazaré e a condição dos pescadores fará parte desse vasto plano. Na Exposição do Mundo Português no Pavilhão da Vida Popular, que daria em 1948 origem ao Museu de Arte Popular, exibe um painel “Nazaré, Ex-Voto do Mar Português “.

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Em 1946 o SPN agora SNI (Secretariado Nacional de Informação) edita “Pescadores da Nazaré, em Portugal - Breviário da Pátria para os Portugueses ausentes” .

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Pescadores da Nazaré, em Portugal - Breviário da Pátria para os Portugueses ausentes 1946. Lisboa, Edição do Secretariado Nacional de Informação Museu do Chiado.

Também a “C.ª Portuguesa de Bailados Verde Gaio”, formada e fomentada por António Ferro, realiza em 1948 o bailado "Nazaré" apresentado no Teatro Nacional de S. Carlos.

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Eduardo Anahory estudo do cenário do bailado Nazaré, guache sobre cartão, 39,2 x 48 cm Museu Nacional do Teatro
José Barbosa Figurino "Mulher da Nazaré" do bailado "Nazaré guache sobre cartão 29 x 24,5 cm Museu Nacional do Teatr

O tríptico “Lá vem a Nau Catrineta que tem muito que contar”

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O tríptico descreve a lenda da Nau Catrineta seguindo o poema popular.
Este poema, terá como origem um caso verídico: o desaparecimento em 1565 do navio português Santo António, que transportava Jorge de Albuquerque Coelho de Olinda para Lisboa. Almeida Garrett (1799-1854) no seu Romanceiro e Cancioneiro Geral, publicado em Lisboa em 1843, reproduz uma das versões mais conhecidas.
Lá vem a Nau Catrineta,
que tem muito que contar!
Ouvide, agora, senhores,
Uma história de pasmar.

Passava mais de ano e dia,
que iam na volta do mar
Já não tinham que comer,
nem tão pouco que manjar.

Já mataram o seu galo,
que tinham para cantar.
Já mataram o seu cão,
que tinham para ladrar.

Já não tinham que comer,
nem tão pouco que manjar.
Deitaram sola de molho,
para o outro dia jantar.
Mas a sola era tão rija,
que a não puderam tragar.

Deitaram sortes ao fundo,
qual se havia de matar.
Logo a sorte foi cair
no capitão general
- "Sobe, sobe, marujinho,
àquele mastro real,
vê se vês terras de Espanha,
ou praias de Portugal."

- "Não vejo terras de Espanha,
nem praias de Portugal.
Vejo sete espadas nuas,
que estão para te matar."

- "Acima, acima, gajeiro,
acima ao tope real!
Olha se vês minhas terras,
ou reinos de Portugal."

- "Alvíssaras, senhor alvissaras,
meu capitão general!
Que eu já vejo tuas terras,
e reinos de Portugal.

Se não nos faltar o vento,
a terra iremos jantar.
Lá vejo muitas ribeiras,
lavadeiras a lavar;
vejo muito forno aceso,
padeiras a padejar,
e vejo muitos açougues,
carniceiros a matar.

Também vejo três meninas,
debaixo de um laranjal.
Uma sentada a coser,
outra na roca a fiar,
A mais formosa de todas,
está no meio a chorar."

"Todas três são minhas filhas,
Oh! quem mas dera abraçar!
A mais formosa de todas/
contigo a hei-de casar"
"A vossa filha não quero,
Que vos custou a criar.
Que eu tenho mulher em França,
filhinhos de sustentar.

Quero a Nau Catrineta,/para nela navegar."
- "A Nau Catrineta, amigo,
eu não te posso dar;
assim que chegar a terra,
logo ela vai a queimar.

- "Dou-te o meu cavalo branco,
Que nunca houve outro igual."
- "Guardai o vosso cavalo,
Que vos custou a ensinar."

- "Dar-te-ei tanto dinheiro
Que o não possas contar
- "Não quero o vosso dinheiro
Pois vos custou a ganhar.

Quero a Nau Catrineta,
para nela navegar.
Que assim como escapou desta,/
outra ainda há-de escapar"

Lá vai a Nau Catrineta,
leva muito que contar.
Estava a noite a cair,
e ela em terra a varar.”

Também Branquinho da Fonseca (1905-1974) retoma o tema em 1961 num poema intitulado O Arquipélago das Sereias

Ó nau Catarineta
Em que andei no mar
Por caminhos de ir,
Nunca de voltar!

Veio a tempestade

Perder-se do mundo,
Fez-se o céu infindo,
Fez-se o mar sem fundo!

Ai como era grande

O mundo e a vida
Se a nau, tendo estrela,
Vogava perdida!

E que lindas eram
Lá em Portugal
Aquelas meninas
No seu laranjal!

E o cavalo branco

Também lá o via
Que tão belo e alado
Nenhum outro havia!

Mundo que não era,

Terras nunca vistas!
Tive eu de perder-me
Pra que tu existas.

Ó nau Catarineta

Perdida no mar,
Não te percas ainda,
Vem-me cá buscar!

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1 . No primeiro painel a nau ocupa a totalidade da composição. A composição estrutura-se a partir do mastro e dos cabos, bem como da forma da própria nau.

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No primeiro plano, os marinheiros apreensivos e esfomeados sentam-se em torno de uma mesa que ocupa o convés da nau.

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No centro do painel o capitão com um óculo na gávea e o gajeiro no mastro real procuram a salvação em terra.
- "Sobe, sobe, marujinho,
àquele mastro real,
vê se vês terras de Espanha,
ou praias de Portugal."


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As figuras do diabo e da morte surgem pairando sobre a nau e “deitam sombras nas velas enfunadas.”

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2. O painel central, como se fosse um zoom sobre a nau, o mastro organiza numa diagonal toda a composição. Comparando com o guache preparatório vê-se como Almada pensou inicialmente em colocar personagens no convés, tendo-as retirado para introduzir em primeiro plano a figura do Anjo.

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Almada irá encher as velas para conseguir uma geometria que organiza a composição.

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No canto superior direito mais iluminada as três filhas do capitão num laranjal sobre uma falésia,
cantam e tocam, entre­tendo o tempo enquanto esperam notícias.”

“Também vejo três meninas,
debaixo de um laranjal.
Uma sentada a coser,
outra na roca a fiar,
A mais formosa de todas,
está no meio a chorar."


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Mais abaixo na zona iluminada do painel e num outro espaço definido pela curva da vela um cavalo de crina e cauda emplumadas.

- "Dou-te o meu cavalo branco,
Que nunca houve outro igual."

- "Guardai o vosso cavalo,
Que vos custou a ensinar."


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José Augusto França refere “…um cavalo de longa cauda emplumada, espera também — Pégaso sem as asas que Almada lhe pusera em 1942, ao desenhar o signo de uma colecção de poesia, da livraria Ática, dirigida por Luís de Montalvor, homem do «Orpheu», onde saíam as obras de Pessoa e de Sá-Carneiro.”

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No canto inferior contrastando com o fundo escuro e caminhando pelo rebordo do painel um Anjo, um Anjo da Guarda, tendo nas mãos uma espada de três gumes.

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3. O terceiro painel representa a chegada da Nau Catrineta “…que tem muito que contar…”

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O painel está organizado em três sectores:
Ao centro a festa da chegada com o capitão, que se distingue pelas barbas brancas, abraçando as três filhas.

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À sua volta os marinheiros e a população com mulheres vendendo fruta, um marujo que traz uma sanfona preparando a festa.
À esquerda “…um casal burguês, ela de chapelinho de véu e ele de mãos enluvadas…”.

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Por detrás da multidão um «char-à-bancs» puxado por uma mula.

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Num segundo sector ao alto à esquerda, a nau fundeada e amarrada no areal. Ou como escreve José Augusto França: “Ao alto, a nau (que, no estudo, tinha uma presença maciça e inerte), varada no areal, forma tensa, como um grande animal marinho pronto a lançar-se de novo pelo mar fora, à aventura.”

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Almada desenha uma nau que embora estilizada, procura corresponder aos desenhos das naus do século XVI.

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Pieter Brueghel (1525-69) c. 1550 National Maritime Museum, London.

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Pieter Brueghel (1525-69)A Queda de Icarus óleo s/tela 73.5 cm × 112 cm Musées royaux des Beaux-Arts de Belgique.

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Mestre do Retábulo de Santa Auta Retábulo de Santa Auta Martírio das onze mil virgens, Século XVI (c. 1522 Óleo s/ madeira de carvalho) A. 93 x L. 192,5 cm , Museu Nacional de Arte Antiga.

No terceiro sector o Anjo do painel anterior, triunfante e pisando um vencido Satanás enquanto a Morte que não pode ser vencida, vai fugindo…

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José Augusto França cita o próprio Almada, na escolha do Tema da Nau Catrineta: “Ao preparar os cartões, dissera, numa entrevista que, depois de ter pro­curado inspiração na «História Trágico-Marítima» e na «Fundação de Lisboa por Ulisses», só a achara na «Nau Catrineta» — "o único ponto em que encon­trei de facto a tradição oral do povo português e do mar" (Entrevista in “Diário de Lisboa” 10.02.1943)».
E França acrescenta: O tríptico, como o D. Fuas Roupinho e o outro fresco da «Terra onde nasci», fazem parte do sistema de um Portugal sabido «par coeur», de essencial convenção pito­resca, pintura de costumes e de sonho, ao mesmo tempo.

O outro tríptico “Quem não viu Lisboa não viu coisa boa” é uma evocação da Lisboa ribeirinha.

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A composição dos Painéis organiza-se a partir de um eixo no painel central e das diagonais dos painéis laterais.

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Como se vê nos cartões preparatórios Almada fixando as figuras que descarregam carvão hesitou na composição do fundo, primeiro urbano e de seguida o porto de Lisboa.

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guaches s/ papel 0,43x0,27 Anos 40 FCG.

No primeiro painel três mulheres desfilam numa prancha descarregando carvão.

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Vazam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.
Vêm, sacudindo as ancas opulentas!

Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.
Descalças! Nas descargas de carvão,
Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;
E apinham-se num bairro aonde miam gatas,
E o peixe podre gera os focos de infecção!
Cesário Verde - O Sentimento de Um Ocidental.

ga85(Não sei a origem desta fotografia!)

Ao fundo uma vista de Lisboa com o Vale de Alcântara e o Aqueduto das Águas Livres.

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No painel central depois de alguns estudos, um barco (uma traineira) com o nome «Tejo», em grandes letras, exactamente no centro de toda a composição.

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Ao fundo outra vista de Lisboa onde se reconhece o palácio Óbidos no cimo da escadaria da Rocha.

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O terceiro painel está centrado na Sé de Lisboa. Também aqui Almada chegou a uma composição mais simplificada em relação aos estudos, suprimindo a referência a S. Jorge e o estandarte.

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Três varinas de xaile, duas acocoradas junto de uma canastra e a outra de pé com a sua à cabeça.

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Para a definição das varinas Almada realiza um conjunto de estudos.

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Ao fundo o Castelo de S. Jorge e a Sé junto à qual um carro eléctrico.

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No outro painel isolado “Ó Terra onde eu nasci” Almada (que de facto nasceu em S. Tomé) representa uma povoação da periferia de Lisboa, numa tranquilidade domingueira.

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Um grupo faz preguiçosamente um piquenique debaixo dum pinheiro manso.

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No centro do painel, ao longe entre os festões entrevê-se uma povoação.

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Num plano mais avançado uma vendedeira de bolos e bebidas coberta por um guarda-sol de feira cuja sombra coloca uma mancha azul na composição, que acompanha o estandarte e as colunas da capela.

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No primeiro plano junto à capelinha um marinheiro namora com uma jovem varina.
Como aponta José Augusto França : “Tous les mariages commencent par un dimanche” escrevera Almada no “Portugal par Coeur”.

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No cimo da capela uma torre sineira e um óculo de moldura barroca lembrando muitas igrejas das nossas povoações.

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(continua com os “revolucionários” painéis da estação marítima da Rocha do Conde de Óbidos)

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