Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















domingo, 20 de junho de 2010

Lisboa: Do Jardim Público às Avenidas Novas 2

Ainda a Avenida da Liberdade aditamentos ao primeiro post.

Nos Restauradores ainda antes do Cinema Éden de Cassiano Branco existiu no local uma garagem Peugeot.

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Artur Jaime Viçoso May (1869 – 1936) – Nos Restauradores

Na Avenida da Liberdade, ao referir o Diário de Notícias de Pardal Monteiro, deve acrescentar-se os Painéis de Almada Negreiros. Uma colaboração em diversas obras de que se destacam a Igreja de N. S.ª de Fátima e as Gares Marítimas (ver neste blogue),

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Comunicações, in "Empresas Que vencem Séculos" do "Diário de Notícias" de 29/12/1994.

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Mapa Mundo com os quatro elementos, os signos do Zodíaco, a flora e a fauna e as raças humanas das diversas regiões do globo, Neptuno, ninfas e tritões e diversos elementos marinhos, in "Empresas Que vencem Séculos" do "Diário de Notícias" de 29/12/1994.

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Mapa de Portugal e as quatro Estações, in "Empresas Que vencem Séculos" do "Diário de Notícias" de 29/12/1994.

A Avenida da Liberdade (continuação)

O Teatro da Avenida 1888

O Teatro Avenida, resultou da iniciativa de João Salgado e Alexandre Mó, e foi um dos primeiros edifícios da Avenida da Liberdade.

Inaugurou com a comédia de Herodes para Pilatos, conhecendo grandes êxitos nos primeiros anos de existência.

Foi totalmente destruído por um incêndio em 1967.

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Foto AFML

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Foto de Horácio Novais Biblioteca FCG

O Teatro Tivoli projectado entre 1919/24 por Raul Lino (1879-1974) e propriedade de Frederico Mayer.

Foi inaugurado com a peça “Violetas Imperiais” em 1924.

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Cunha, Ferreira da, 1901-1970 AFML

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Teatro da rua dos Condes

O primitivo Teatro das rua dos Condes datava de 1765 e foi demolido em 1882. Em 1888 ergue-se novo edifício por iniciativa do comerciante Francisco de Almeida Grandella, sendo arquitecto Dias da Silva e decoradores Eduardo Reis e Júlio Machado. Desde 1920 deixou de ser Teatro para se converter no Cinema Condes.O Teatro foi restaurado em 1931 tendo recebido grandes transformações.

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Desenho de Manuel de Macedo para o Archivo Pittoresco, gravura de Caetano Alberto.

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Anónimo c. 1902 Teatro da Rua dos Condes após a reconstrução de 1888 AFML

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Portugal, Eduardo,1900-1958 AFML

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foto AFML

Casa de Rosa Damasceno 1849-1904 , mais tarde Hotel Tivoli

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Portugal, Eduardo,1900-1958 - Hotel Tivoli, edifício antigo demolido em 1955/56 AFML

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Portugal, Eduardo,1900-1958 Hotel Tivoli AFML

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Portugal, Eduardo,1900-1958 Panorâmica de parte da Avenida da Liberdade, vê-se o Hotel Tivoli AFML

O Bairro e a Rua Barata Salgueiro

Em 1880, concluía-se um acordo com Antão Barata Salgueiro que, libertando terrenos entre a rua do Salitre e a Avenida permitia a urbanização de um novo bairro, com um traçado de ruas regulares será edificado com habitações destinadas à alta burguesia lisboeta.

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Palacete Barata Salgueiro AFML

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A rua Barata Salgueiro

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Rua Barata Salgueiro e rua Rodrigo da Fonseca

Sede da Sociedade Nacional de Belas Artes 1906/13

Álvaro Machado (1874-1964)

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Rua Alexandre Herculano e rua Braamcamp

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Rua Braamcamp

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Casa da Cerâmica Rua Braamcamp, 5 AFML

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foto AFML

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foto AFML

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foto AFML - Rua Braamcamp e rua Castilho

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Rua Braamcamp AFML

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Edifício da rua Braamcamp 1921

arquitecto Manuel Joaquim Norte Júnior (1878 - 1962)

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Remodelação e acrescento 1985/92

Arquitecto Henrique Tavares Chicó

Rua Alexandre Herculano

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Edifício de Ventura Terra e em frente a

Auto Palace 1905 de Alexandre Soares (1873-1910), e Vieillard &Touzet

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Sinagoga de Lisboa 1902/04

Arq.º Miguel Ventura Terra (1866-1919)

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Casa Ventura Terra Prémio Valmor de 1903

Arq.º Miguel Ventura Terra (1866-1916)

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Nasceu em 1866 em Seixas, Caminha, Aos 15 anos entra na Academia de Belas Artes do Porto onde estuda até 1886. Bolseiro, frequenta em Paris o atelier de Victor Laloux e obtém o diploma da Ecole de Beaux Arts de Paris em 1894. Em 1896 está de regresso a Portugal. Com um vasto conjunto de obras, morre muito cedo, aos 53 anos.

Edifício com decoração sóbria, vãos esguios com persianas articuladas de recolha lateral, elementos que o distinguiram dos edifícios da época.

Friso superior com azulejos Arte Nova.

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“(...) Este edifício, que satisfaz plenamente as clausulas estabelecidas no legado do benemérito Visconde de Valmor, por ser um Belo Typo artístico, digno de uma capital como a nossa, é de correctissima composição de linhas e de original efeito decorativo, que resulta de muita armonia entre a mancha dos seus motivos polycromos e em relevo, todos sabiamente compostos e habilmente trabalhados, assim como os menores detalhes de toda a construcção (...)

(…)também se impõe à attenção do jury o modo porque neste edifício se evidencia a influência de modernos processos de construção, sob a forma artística, promovendo ao mesmo tempo o emprego de certos productos de caracter eminentemente nacional, como é o azulejo, que nesta casa se acha largamente representado.” A Construção Moderna, ano V, n.º 135, 20 Junho de 1904

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O edifício de 4 andares apresenta uma fachada simétrica ampliada de um corpo aproveitando o terreno.

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Garagem Auto Palace (Auto Industrial) 1906 -1907

Charles Vieillard (1850-1911) / Fernand Touzet (1864-1929)

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Desenhos publicados na revista Arquitectura de um trabalho de Victor Manuel Mestre de Oliveira aluno 1979/80 da ESBAL

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Vitrais de C. Martins 1907

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Edifícios de habitação na Alexandre Herculano

Arq.º Miguel Ventura Terra

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Edifício de habitação 1 Prémio Valmor 1911

Arq.º Miguel Ventura Terra

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"O prédio (...) é sem contestação, um dos mais belos, de todas aquelas avenidas que ladeiam a da Liberdade, e o seu corpo lateral é um trabalho artístico imponente e de valor. Assim o compreendeu o júri que foi encarregado de proceder à concessão do Prémio Valmor. (...) A construção custou aproximadamente trinta e cinco contos de reis", in Construção Moderna, Ano XIII, N.° 22

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Edifício 2 na Alexandre Herculano c.1910

Arq. Ventura Terra

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[...] As novas casas de Ventura Terra proscrevem a velha rotina da chateza alvar e sórdida, anterior à invasão da higiene, do asseio, da ginástica e do tub nos costumes lisboetas, e refutam simultaneamente o espírito de inovação pretensiosa e pelintra, o "snobismo" (para o dizer numa palavra) alojado nos cérebros frágeis das modernas gerações. São alegres, são simples, são lógicas, são concentradas e discretas. Harmonizam-se sem violento contraste de forma ou de cor com o aspecto das edificações circundantes, com a luz ambiente, com o solo, com o céu de Lisboa. A sua nobreza de aspecto não se impõe por hiperbólicos artifícios exteriores, antes se deduz honradamente de cultura e da dignidade interior da vida familiar, laboriosamente inteligente, da qual parecem ser a mais apropriada colmeia; e, como toda a obra arquitectónica do autor, esses novos prédios lisbonenses como que têm, sob um esmalte de arte o inconfundível carinho dos dois fundamentais elementos do talento de um arquitecto: a probidade e o juízo.”

Ramalho Ortigão - Arte Portuguesa - Livraria Clássica Editora, li Vol., Lisboa, 1943

O Parque da Liberdade

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A Avenida da Liberdade seria rematada a norte pelo Parque da Liberdade. Para isso organiza-se em 1887 um concurso internacional ganho por Henri Lusseau.
Este projecto que não será realizado estruturava-se em função dos eixos da Avenida da zona do Parque advém do traçado dos eixos da Avenida e das ruas Braamcamp e Fontes Pereira de Melo.

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A Praça Marquês de Pombal

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A Penitenciária Central de Lisboa

Rua marquês da Fronteira 52/56

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Projecto de Joaquim Júlio Pereira de Carvalho / Luís Victor Le Cocq / Ricardo Júlio Ferraz 1874

Direcção de obra: Ricardo Júlio Ferraz.

Inaugurada em 1885

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O projecto em estrela para do centro um guarda só poder vigiar todas as alas das celas.

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Construção da penitenciária foto de Francisco Rocchini AFML

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O Centenário da Índia 1898 Litogrfia de Roque Gameiro e J. R. Cristino Museu da Cidade - Lisboa

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Fotos de Charles Chusseau-Flaviens - Lisbonne prison modele ca. 1900-1919

negative, gelatin on glass 9 x 12 cm. George Eastman House Still Photograph Archive

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Fotos de Charles Chusseau-Flaviens - Lisbonne prison modele ca. 1900-1919

negative, gelatin on nitrocellulose sheet film 12.5 x 10.5 cm George Eastman House Still Photograph Archive

O Concurso para o Monumento ao Marquês de Pombal

A ideia do monumento surge em 1882, mas só é retomada em 1913 com abertura de concurso público, com um júri comstituido pelos arquitectos José Luiz Monteiro, Francisco Carlos Parente, Ventura Terra, Alexandre Soares, Lionel Gaia e Adolfo Marques da Silva, o escultor José Isidoro Neto o pintor Marques de Oliveira e os engenheiros H. de Lima e Cunha, Bernardo de Aguiar e general Cecillio da Costa. Foi escolhido o projecto Gloria Progressus …Delenda Reactio, assinado por Adães Bermudes (1864-1948), António Couto e Francisco Santos.

Na euforia da República recentemente instituída, percebe-se não só a ideia de um monumento ao Marquês, figura grada ao republicanismo e melhor se entende a Memória redigida por Adães Bermudes:

“Erecto no seu pedestal de gloria que as aguias triunfalmente elevam ao fastigio do monumento, O Marquês de Pombal procurando sacudir o vil letargo secular a almagenerosa e forte da nação, simbolisada por um leão que se levanta rugindo, esmaga a reacção teocrática e a reacção feudal que a trariam subjugada”…

“O nosso projecto de monumento visa a representar o Marquês de Pombal na sua complexa figura de genial estadista, de reformador audaciosíssimo, de emancipador da consciência e vontade nacionaes, de assombroso precursor da moderna civilização.”

Iniciamos a representação da obra colossal que é o seu verdadeiro monumento, evocando a reconstrução da cidade de lisboa que ressurge bela e altiva das ruinas do pavoroso cataclismo do terramoto e da invasão do mar de 1 de novembro de 1755.”

Rematamos a exibição dessa obra, pela representação da Universidade de Coimbra, que o grande estadista transformou e modernisou inteiramente arrancando-a à tenebrosa influência jesuítica e colocando-a sob os auspícios da verdadeira sciencia.”

Segue-se a justificação das representações da agricultura, comércio e indústria, bem como o comércio marítimo e a marinha de guerra. De seguida os autores do projecto representam os colaboradores do Marquês de Pombal como José Seabre da Silva ( ver neste blogue os transportes marítimos e fluviais), D. luís da Cunha, o conde de Lippe, Luis António Verney, Ribeiro Sanches, Francisco de Lemos, Machado de Castro e os engenheiros militares que traçaram a reconstrução de Lisboa Manuel da Maia e Eugénio dos Santos.

“O Monumento que será levantado na Praça Marquês de Pombal (Rotunda), ao topo da Avenida da Liberdade, terá de altura 35 m, dos quais 9 são para a estátua.”

De notar que apenas o 1º classificado propunha a estátua do Marquês de Pombal.

A primeira pedra do monumento foi colocada duas vezes, em 15 de Agosto de 1917 e em 13 de Maio de 1926.

O monumento, com esculturas de Simões de Almeida e Leopoldo de Almeida (Francisco Santos falecera entretanto) foi inaugurado em 13 de Maio de 1934.

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foto AFML e imagem de O Occidente n.º 1271 de 20 de Abril de 1914

Gloria Progressus …Delenda Reactio

arq. Adães Bermudes / arq. António Couto / esc. Francisco Santos

1.º prémio de três mil escudos e adjudicação da construção do monumento,

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foto AFML e imagem de O Occidente n.º 1271 de 20 de Abril de 1914

…Cuidar do Vivos

arq. José Marques da Silva (1869-1947) / esc. António Alves de Sousa

2.º prémio de dois mil escudos.

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foto AFML e imagem de O Occidente n.º 1271 de 20 de Abril de 1914

Pátria

arq. José Ferreira da Costa / esc. Emílio de Paula Campos

3.º prémio de mil escudos.

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foto AFML e imagem de O Occidente n.º 1271 de 20 de Abril de 1914

arq. Edmundo Tavares / esc. Maximiniano Alves

Não classificada em mérito absoluto e indemnização de 600 escudos por haverem sido admitidos à segunda prova do concurso.

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Colocação da primeira pedra em 15 de Agosto de 1917 AFML

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O monumento na inauguração AFML

O Palacete Henrique Mendonça

Prémio Valmor 1909

Arq.º Miguel Ventura Terra

Construtor Raphael da Silva Castro

Escultor-Jorge Pereira/ Ceramista-Rafael Bordalo Pinheiro/Carpinteiro-José Pedro Santos/Dourador-Manuel João da Costa/Estuques-Cruz&Franco/Cantaria-José António d´Almeida e Pardal Monteiro/Serralharia-Jacob Lopes da Silva.

Aquecimento-Jacquemet,Mesnet&Cie. de Paris

Rua Marquês da Fronteira 18 a 28

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A casa organiza-se em função de uma escadaria exterior de acesso, que abre no rés do chão para uma série de salas comunicando entre si e destinadas a recepções, banquetes, bailes e outros eventos sociais.

A Avenida da Liberdade

“De manha, muito cedo, ao romper da alva,

é que desço a Avenida, erma e silente.

Que ar tão puro! Inda livre d'essa gente

que a respirá-lo o empesta, e que ele salva.

Assobio, e as olaias, como salva

de pardais lançam nuvens ao Nascente;

nuvens cantantes, música estridente,

rubis de fogo em túnica a mais alva.

Hálito são, lábios em flor da Aurora!

Bafejais,no renovo, as coisas belas:

o som e a luz a reviver agora,

A espreitar pelo vidro das janelas,

velhinhas gozam do prazer d'esta hora

que tudo alínda e não repara n’elas.

Ê domingo. Um calor! O Sol de Agosto!

Mas esta viração pela tardinha

chama a passeio. O acaso me encaminha

Chego à Avenida. Bem. Não é mau posto.

Houve toiros e vai rodar exposto

Para entreter o plácido alfacinha,

tudo que a fama fúlgida apadrinha:

o oiro, a aficción, a moda e o bom gosto.

Automóveis, tipóias de mil geitos,

Co’o pé de boi, o estroina, a dama em pote,

E a donzela de encontros escorreitos.

Não há paciência que se não esgote…

Acabou-se a do vento; arma uns tregeitos,

E corre tudo aquilo a piparote.”

Marquês de Rio Maior – Vibrações, Lisboa 1915

(Continuará pelas Avenidas Novas)

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