Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















sábado, 5 de junho de 2010

O Porto há cem anos 4

A praça de D. Pedro IV

“The business-centre of the town is formed by the de Dom Pedro square,

which is planted with trees and has a mosaic pavement like that of the Rocio at Lisbon.

On the N. side stands the Casa da Camara, or city-hall, dating from 1817.

In the middle rises a bronze Equestrian Statue of Pedro IV.”

Guia Baedeker 1901

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1. O centro das actividades comerciais e cívicas da cidade foi progressivamente deslocando-se ao longo da segunda metade do século XIX das praças da Ribeira e do Infante para a Praça de D. Pedro.

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O sistema do Centro no início do século XX

2. Os bancos e companhias de seguros, estão estabelecidos em torno da praça do Infante e os estabelecimentos comerciais e os escritórios vão ocupando as ruas das Flores e de Mouzinho da Silveira.

3. O centro composto pelas ruas de S. João, Flores, Belmonte e Mouzinho da Silveira vai perdendo importância para o eixo definido pela Cordoaria / Praça D. Pedro / Batalha;

4. Neste início do século XX, a Praça de D. Pedro situada entre a Praça de Carlos Alberto, a praça dos Voluntários da Rainha no lado poente e a praça da Batalha a nascente, são já o centro do importante eixo comercial, desde a Rua dos Clérigos à de Santo António e desde a praça Almeida Garrett até à praça da Trindade e ao Campo da Regeneração.

«Esta parte do Porto pode chamar-se realmente bella, muito mais bella que o Chiado: na verdade, não conheço nada em Lisboa n'este estylo que a possa igualar. Se tomarmos a Praça Nova por um valle como foi antigamente, e as duas ruas que se levantam em frente uma da outra, cada uma com a sua eminência coroada por uma bonita e antiga igreja, teremos assim um quadro muito attractivo que nos encanta pela surpreza”.

In A Formosa Lusitânia, tradução de Camilo Castelo Branco (1824-1891do livro Fair Lusitania 1874 de Lady Jackson - Catherine Hannah Charlotte Elliott Jackson, Lady Jackson (1824-1891), era a esposa do diplomata Sir George Jackson (1785-1861), escreveu “Fair Lusitania”, London, R. Bentley and Son, 1874.

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Detalhe da Planta do Guia do Porto Illustrado

A praça de D. Pedro é no entanto o centro Administrativo, político e cívico.

É aí que se realizam as recepções e as manifestações da cidade.

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Proclamação da República das janellas dos Paços do Concelho do Porto no 31 de Janeiro de 1891

(Croquis de L. Freire) - O Occidente n.º 437 11de Fevereiro de 1891

"...Tomados de pânico geral, os revoltosos refugiaram-se no edifício da Câmara e aí se fortificaram.
Então as forças fiéis puseram cerco ao edificio. Uma força da guarda municipal abrigou-se por de­trás do quiosque que de ferro que fica em frente dos Paços do Concelho e varejou as janelas, donde os insurrectos respondiam, a princípio com fogo nutrido, e pouco a pouco rareando os tiros.
Pouco depois, a bateria de montanha estacionada na Serra do Pilar desmontava as suas duas peças nos ângulos dos Lóios e S. Bento, assestava-as contra a fachada do edificio e rompia o fogo, a princí­pio com pólvora seca e depois com bala, causando grandes estragos nas salas do primeiro andar."
in O Primeiro de Janeiro

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Bombardeamento dos Paços do Concelho no 31 de Janeiro de 1891

Croquis de L. Freire - O Occidente n.º 437 11de Fevereiro de 1891

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A recepção a D. Manuel II na Câmara Municipal - Illustração Portugueza n.º 143 16 de Novembro 1908

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Uma fotografia da mesma recepção.

É na Praça que se encontram os mais conhecidos políticos, escritores, artistas, empresários e estudantes já que aqui estão instalados os mais conhecidos cafés da cidade.

A Praça funciona ainda como o principal ponto de distribuição dos transportes da cidade.

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Plano dos Americanos Electricos e Linhas Férreas do Porto - Guia do Porto Illustrado 1910

« Comecemos pela Praça Nova das Hortas ou de D. Pedro.

Destruída a ermida da Natividade, demolida e entulhada a monumental Fonte da Arca, e arrasadas as lobregas barracas de madeira do mercado da Natividade, o antigo largo das Hortas, desobstruido de todas essas construções que lhe demoravam na parte meridional, ficara airoso e desimpedido.

Sucessivamente, as vereações foram-no aformoseando.

Primeiro regularizaram-lhe o pavimento e fizeram uma vasta placa central rectangular, deixando à volta uma rua não muito larga para o trânsito.

Em 1841 ornamentaram-no com odoríferas e umbrosas acácias, amoreiras e magnólias, dispostas em renques.

Em 1843 encerraram essa parte arborizada num forte gradeamento com portas a cada canto. (...)

A Praça Nova estava um brinco ... » A. de Magalhães Basto O Porto do Romantismo, 1932 (Apesar de escrito em 1932, fora portanto deste passeio de há cem anos, Magalhães Bastos refere-se à praça em 1850!)

A Praça de D. Pedro está definida a Norte pela Câmara Municipal instalada desde 1818 no palacete Monteiro Moreira e mais tarde tendo ampliado as suas instalações para o vizinho palacete Morais Alão Amorim, ambos da primeira metade do século XVIII.

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Joaquim Cardoso Villanova – Casa da Câmara 1833

A Sul limita a praça o Palácio das Cardosas, um edifício neoclássico dos finais do século XVIII, com o rés do chão adaptado a diversos estabelecimentos comerciais.

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Joaquim Cardoso Villanova - Loyos (Fachada) 1833

Do lado Poente, um conjunto de edifícios dos séculos XVIII e XIX, com transformações e adaptações sucessivas.

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Joaquim Cardoso Villanova – Praça Nova (Tanque) 1833 - Edificações do lado Poente da Praça ainda com a fonte do início do século XIX

Finalmente do lado Nascente, o antigo Convento dos Congregados, totalmente modificado e também adaptado a comércio.

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A Praça de D. Pedro, na cidade do Porto J. Newton / Oliveira

«O Occidente» n.º 286 dez 1886. p. 269 «Segundo uma photographia de E. Biel»

No centro e dominando a praça a estátua equestre de D. Pedro IV.

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Detalhe da Planta de 1892 de Telles Ferreira esc. 1:500

Os Paços do Concelho

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Postal com fotografia de Aurélio Paz dos Reis existente no CPF

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Foto da colecção Mário Morais Marques

in Porto Desaparecido Marina Tavares Dias / Mário Morais Marques, Quimera 2002

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Foto Alvão – in Fotogafia Alvão Clichés do Porto - ed. Fotografia Alvão Porto 2002

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Detalhe de uma fotografia da colecção Mário Morais Marques

in Porto Desaparecido Marina Tavares Dias / Mário Morais Marques, Quimera 2002

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Quando em 1818 a Câmara se instalou neste edifício modificou a fachada encimando a fachada de um frontão onde foi colocada uma pedra de Armas e Brasão da cidade como eram antes de 1837.

O edifício foi depois coroado por uma estátua de um guerreiro representando o Porto, com um elmo encimado de um dragão, o que remete para as Armas concebidas por Almeida Garrett em 1837. No escudo um brasão possivelmente dos inícios do século XIX, com uma cidade rodeada de muralhas que encosta ao rio.

A estátua é de João Silva como o atesta o documento referido por Magalhães Basto:
"... e por ele, João da Silva Mestre Pedreiro, morador na freguesia de Pedrozo, foi dito se obrigava a fazer hua figura de pedra, representado o Porto, para ser prostada (sic) no cume da caza do Passo do Concelho, sito na Praça Nova, pela quantia de tresentos quarenta e três mil e duzentos reis, em metal, pagos em três pagamentos iguais sendo o primeiro adiantado e os demais consecutivos no principio de cada um dos três meses da data em que se obriga a dar a dita figura pronta e posta no dito logar, mandando esta ilustríssima Câmara dar-lhe madeira para as pranchas e xaciamento para xaciar a figura quando houver de s guindar e para maior sigurança desta sua obrigação apresentoi como fiador e principal pagador a Francisco José de Moura Almeida Coutinho, morador aos Lavadouros..."

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O palacete Morais Alão Amorim

Carlos de Magalhães, no seu Guia do Porto Illustrado, desvaloriza os edifícios dos Paços do Concelho, provavelmente fazendo eco de uma pretensão da cidade, que pretende rasgar um ampla avenida´para norte e até à Circunvalação, do mesmo modo que em Lisboa está a ser concretizada a Avenida da Liberdade.

A Casa da Camara – Não é, como naturalmente seria justo suppor-se, um edifício notavel pela sua architectura e decoração; é apenas um casarão vulgar, de medíocre apparencia exterior, situado n'uma das fa­ces da p. D. Pedro, e interiormente de péssimo aspecto e detestável construcção. Foi adquirido, para este fim, em 1815, e adaptado, o meIhor que foi possível, depois de grandes e dispendiosas obras. Ainda assim merece as honras de uma visita intelligente, se se quizer apreciar alguns trabalhos artís­ticos ou documentos de grande valor histórico. No primeiro caso devem notar-se os frescos do tecto das salas das sessões e secretaria, devido ao pincel do hábil artista trasmontano, que foi lente substituto de desenho na Real Academia de Marinha e Commercio, João Baptista Ribeiro; o retrato admi­rável, tamanho natural, de Carlos Alberto executado por Capisani, um dos primeiros pintores italianos da épocha; o retrato de D. Carlos I, do afamado artista Sousa Pinto, e depois, em parte, restaurado por Manoel António de Moura; o retrato do actual monarcha D. Manoel II, do pintor Júlio Costa, etc., e por ultimo, do genial e malogrado Soares dos Reis, um admirável busto em mármore de Carrara, de Pinto Bessa, um dos presidentes das vereações modernas, a quem muito deve a cidade actual, em melhoramentos.

No segundo caso impõe-se a referen­cia ao riquissimo Archivo Municipal, que é, talvez, depois da Torre do Tombo, o mais valioso que o paiz possue, e que merece bem ser visitado, especialmente por aquelles que se interessam por coisas da nossa historia.”

Ainda do lado norte junto ao edifício dos Paços do Concelho partem as ruas de D. Pedro e do Laranjal.
No seu encontro está instalado o Hotel de Francfort tendo no rés-do-chão o café Chaves (1900/1917).

“ Meu caro amigo! os meses cerimoniais de luto passaram, depois outros, e José Matias não se arredou do Porto. Nesse Agosto o encontrei eu instalado fundamentalmente no Hotel Francfort, onde entretinha a melancolia dos dias abrasados, fumando (porque voltara ao tabaco), lendo romances de Júlio Verne e bebendo cerveja gelada até que a tarde refrescava e ele se vestia, se perfumava, se floria para jantar na Foz.” Eça de Queiroz (1845-1900) – Singularidades de uma rapariga Loira” – Contos

“Carlos abria os olhos para ela, assombrado, emudecido. Não esperava aquela extravagância. Supusera que ela o queria no Porto, escondido no Francfort, para passeios românticos à Foz, ou visitas furtivas a algum casebre da Aguardente...” Eça de Queiroz (1845-1900) Os Maias 1888

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Postal editor Alberto Ferreira – Batalha Porto

"Cançada de uma longa espectativa intructifera, encaminhei-me para o Hotel de Francfort, acerca do qual me fallara com louvor o conde de Paraty. Ordenei que conduzissem para ahi a minha bagagem, resolvida a não dar nem mais um passo. A primeira impressão foi atroz! Imagine-se uma rua descalcetada, invadida por uma nuvem de operários esfarrapados e sujos, portas ennegrecidas, casas agglomeradas; em vez de aposentos espaçosos uns simples quartos de collegial; emfim, a apparencia de uma hospedaria de província de terceira ordem.” Maria Rattazzi – “Portugal a vol d’oiseau” (Portugal de Relance) 1881 “

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Anuncio do Hotel Francfort do início do século XX

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Aurélio Paz dos Reis – Café Chaves – CPF apr 1684

Na rua do Laranjal, face ao Hotel a capela dos Reis Magos.

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Marçal Brandão rua de D.Pedro – gelatino-brometo, s/d. AMB083, AFP/CPF/MC

in o Porto e os seus Fotógrafos, coord. Siza Teresa Porto 2001, Porto Editora 2001

Do lado esquerdo da fotografia vê-se a capela dos Reis Magos. No centro o Hotel Francfort e o café Chaves.

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Capela dos Reis Magos

No centro da praça inaugurada em 1866, a estátua equestre de D. Pedro IV, de Anatole Calmels.

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Ignácio de Vilhena Barbosa (1811-1890), no Archivo Pittoresco de 1864, quando está já em execução a estátua escreve, após enaltecer o facto de ela se concretizar na cidade do Porto:

“…E todavia, nenhum monumento commemora ainda aquelles serviços e dedicação.

Por duas vezes tentou Lisboa lavar essa nódoa de in­gratidão, que mancha os seus annaes, que os mancha não só como a parte principal, ou mais conspícua, de um paiz onerado com deveres de reconhecimento, mas também, e ainda mais, como a cidade que maior quinhão tem desfructado na partilha dos benefícios que provieram d'aquelles serviços e dedicação.

Não obstante, faltava-lhe a viva fé, o enthusiasmo fogoso que borbulha nos corações portuenses, fazen­do-os levar a bom termo qualquer empresa, por mais árdua que seja.

Em Lisboa confia-se mais na iniciativa dos gover­nos que no próprio esforço, e d'ahi vem jazer a ca­pital do paiz, n’este como em outros assumptos, em culpável indolência, em pouco honroso esquecimento. Exigir que o governo appareça em tudo aquillo onde só deve intender a actividade dos membros da nação, é desviar do caminho adequado o desempenho da pe­sada missão de quem administra, é dar novos foros à incúria, e annullar a iniciativa feliz que tem pro­duzido a grandeza de diversos povos do mundo, tanto modernos como antigos.

Além disso, como os governos são commummente variáveis, tão depressa se forma um plano, ou se de­senha um monumento, como vem apagal-o nos esbo­ços o vento da política, umas vezes procelloso, ou­tras mais tranquillo, mas sempre travessio e vário.

Honremos, pois, a cidade das nossas gloriosas tra­dições n'esta presente manifestação de seu acrisolado amor ao heróico soldado, que ha de ser no futuro o merecido protagonista de uma epopéa que novo Ho­mero ha de legar, por certo, ás letras pátrias.

Honremol-a ainda, porque o monumento é digno do heroe a quem se erige, e da invencível cidade de que ficará sendo para sempre o sacrosanto palladio.”

(O sublinhado é meu, já que bairrismos à parte isto podia ter sido escrito hoje!)

Vilhena Barbosa descreve de seguida o o concurso e o monumento:

“…Foi a 27 de agosto que se publicou o programrna do concurso, marcando-se o praso para a remessa dos projectos desde l de setembro até 30 de outubro do mesmo anuo, e abriodo-se, tanto a nacionaes como a estrangeiros, o honroso certamen, porque o Porto bem sabe que o engenho tem o mundo por pátria, e que o primeiro desejo de todos era obter o melhor e mais bem acabado monumento.Appareceram, pois, sete modelos em gesso, me­recendo a preferencia de 16 votos sobre 22 votantes o que era devido ao trabalho intelligente do esculptor Anatole Calmels.”

“…Façamos, pois, uma breve descripção do correcto desenho que o Archivo offerece a seus leitores, po­dendo cada um apreciar como a cidade do Porto sabe traduzir na pedra e no bronze os grandes sentimen­tos que lhe florecem no coração…

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O desenho de o Archivo Pittoresco

“…Levanta-se em pedestal ornado de dois baixos re­levos, e das armas da casa de Bragança e da cidade do Porto, a estatua equestre do imperador.

Sua magestade imperial D. Pedro IV veste o uni­forme de caçadores 5, trajando por cima, segundo o uso por elle adoptado, uma sobrecasaca, que no tempo do cerco se chamava polaca. Com a mão esquerda dá a rédea ao cavallo, que escarva insoffrido, e com a direita ostenta a carta constitucional, código santo das nossas publicas liberdades…

…Illumina-lhe o rosto a confiança do seu destino, e, dando largas à impaciência do seu corsel, demanda, resoluto e fortalecido, os horisontes do futuro, sem que o amedronte a opinião dos homens d'esta gera­ção nos juízos da rigorosa historia.

Tem ao lado a espada, mas na bainha; o que elle mostra, o que o glorifica, o que elle apresenta como titulo para a sua admissão no templo da immortalidade, é o código das nossas liberdades, manifestação externa dos nobres sentimentos que abrigava no cora­ção, o qual, elevando-se à altura d’este século, soube adequadamente sentir que um rei só pode ser grande quando governa um povo moralisado e livre.

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Desembarque no Mindelo/Outorga da Bandeira Constitucional à cidade do Porto 1862/66 Baixo relevo em mármore de Carrara 121 x 245 cm

Entrega do coração de D. Pedro IV à cidade do Porto 1862/66 Baixo relevo em mármore de Carrara 121 x 245 cm

Museu Nacional Soares dos Reis

“O baixo relevo à direita da estatua representa o momento em que sua magestade, depois do seu des­embarque, entrega ao commandante dos voluntários da rainha a bandeira bordada pelas senhoras do FayaL.O da esquerda representa a entrega do coração de sua magestade. Ás figuras principaes dos dois quadros são retratos dos personagens que tomaram parte nas scenas históricas, que os ditos baixos-relevos represen­tam. Em alguns d’esses retratos foi o artista muito fe­liz, sobre tudo nos dos srs. marquezes de Sá da Ban­deira, e de Ficalho, visconde de Vallongo, e barão de Grimancellos, os quaes avultam no baixo-relevo que representa o desembarque e entrega da bandeira aci­ma referida…”

No baixo relevo oriental do pedestal da estátua de D. Pedro IV, da entrega do coração à cidade, podemos ver ao centro um homem envergando um uniforme de oficial militar que entrega uma pequena urna a um grupo de quatro homens à sua esquerda. Trata-se possivelmente do Conde de Campanhã que foi encarregado de entregar o coração do recém falecido D. Pedro IV à Câmara Municipal do Porto. Os quatro homens que recebem a urna são membros do senado portuense.
À esquerda, mais um elemento da Câmara Municipal do Porto e um oficial militar que cobre a rosto em pranto e tapa quase completamente uma terceira personagem. Atrás dos três homens está o pequeno sarcófago que irá alojar a urna (encontra-se hoje na Lapa, também no Porto), numa das faces do sarcófago vemos a inicial P e o numeral IV coroados; trata-se do monograma real de D. Pedro IV (Petrvs IV)
Do lado direito do painel vemos ainda cinco soldados de infantaria e duas figuras populares: um homem cabisbaixo e triste e uma mulher de cabeça coberta que ergue o os olhos para o céu.

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…”O monumento deve ter de altura 10 metros desde o nivel da praça de D. Pedro, onde é erigido, até à parte superior da cabeça da estatua do imperador. Esta ha de medir a altura de 4m,70, incluindo o plintho, e a parte architoctonica 5,30. Os baixos relevos terão de comprimento 2m,45, e de altura 1m,21. Será de bronze fundido a estatua, e de mármore branco-claro de Carrara os baixos relevos.

Do lado nascente ocupando o antigo convento dos Congregados, o café Suisso, o café Central e o Camanho.

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A. Marçal Brandão- Praça de D. Pedro

Gelatino-brometo, s/d. AMB33, AFP/CPF/MC

Na fotografia vê-se o Café Suisso na esquina da rua Sá da Bandeira e na esquina em frente na entrada da rua de D. Pedro o Crédit Franco-Portugais.

No café Suisso “Subia-se para a sala, esguia como uma fita, por três apertados degraus. Aofundo, sob o arco, eram os bilhares.E duas grandes jarras de porcelana, sobre dois aparatosos plínios, davam a esse corredor sombrio um aspecto janota de casa abastada.” Firmino Pereira O Porto D’ Outros Tempos Liv. Chadron Porto 1914

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O Grande Café Central (1897/1933)

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No lado Sul o edifício das Cardosas

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Edifíco das Cardosas 1900 - Aurélio Paz dos Reis

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Aurélio Paz dos Reis - O edifício das Cardosas CPF apr 1162

“O Pasmatório dos Lóios ou O Real Clube dos Encostados” nomes porque era conhecido o conjunto de homens que aqui passavam longas horas conversando e admirando os e as que passavam, encostados ao edifício.

De notar o conjunto de estabelecimentos comerciais que então ocupavam a totalidade do rez do chão do edifício.

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Aurélio Paz dos Reis

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Fotografia do Guia do Porto Illustrado

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“Na esquina do largo dos Loios, ficava a melhor livraria do Porto, — a More, — onde, além dos livros, se vendiam «quinquilharias» várias; a esquina da More foi um lugar cé­lebre de cavaco. Em frente deste vasto prédio, ao longo da valeta, viam-se durante o dia barracas de pano cru e mesas volantes, sobre as quais estendiam a sua sombra protectora gigantescos guarda-sóis de pano branco; encontravam-se ali à venda, desde o bacalhau às guloseimas, os géneros mais variados e as me­lhores pechinchas. Entre esta fila de vendedores e o edifício, corria o passeio chamado sarcasticamente o Pasmatório dos Loios..”

Artur Magalhães Basto – O Porto do Romantismo 1932

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No Passeio das Cardosas estão instaladas algumas das mais conhecidas casas comerciais, como a “Camisaria Oliveira, installada com fino gosto no prédio fronteiriço à Câmara…É uma das camisarias mais bem sortida em roupas brancas, enxovaes, artigos ligeiros e de novidade para senhoras, homens e creanças…”; a Livraria Moreira, “uma das mais conceituadas e bem installadas livrarias do Porto…”; e a casa de Modas e Confecções de F.Rebello & Coelho, de reputação invejável pelo primor da execução que se observa nas suas confecções e fina escolha nos artigos que vende…”

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O lado poente

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Detalhe de foto de Aurélio Paz dos Reis (Porto Desaparecido - col. Mário Morais Marques)

in Porto Desaparecido Marina Tavares Dias / Mário Morais Marques, Quimera 2002

Destaca-se a cervejaria Sá Reis, a Flora Portuense estabelecimento pertencente a Aurélio Paz dos Reis e o Hotel Central.

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