Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















terça-feira, 15 de junho de 2010

O Porto há cem anos 5

Da Praça de D. Pedro parte para Nascente a Rua de Santo António até à praça da Batalha. Aí faz-se um percurso na zona comercial que corresponde a uma parte da rua de Santa Catarina, e volta-se para o centro pela rua Passos Manuel ou pela rua Formosa, até à rua Sá da Bandeira e de novo à praça de D. Pedro. Sendo um percurso. Não existindo neste percurso monumentos a assinalar serão sobretudo indicadas os estabelecimentos comerciais.
(Por isso para além do Guia do Porto Illustrado de 1910 é essencial a consulta de BRANCO, Luís Aguiar – Lojas do Porto, Afrontamento, Porto 2010)
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planta de 1892
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planta do Guia Baedeker
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Planta do Guia do Porto Illustrado
A rua de Santo António
A rua de Santo António é nos finais do século XIX e no início do século XX uma das artérias mais comerciais do Porto.
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Detalhe de fotografia de Alvão in Fotografia Alvão Clichés do Porto ed. Fotografia Alvão 2002
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Postal do início do século XX com a entrada da rua de Santo António
Ourivesaria Boneville, uma das mais vastas e bem sortidas casas d'esta especialidade:
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“Bazar photographico, casa muito recommendavel aos touristes pelo seu colossal sortido de productos photographicos;…”
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Publicidade do Guia Illustrado. Uma jovem fotógrafa de pé à proa da embarcação carregada de produtos Kodak, aponta para a margem verdejante. No canto inferior direito “quarto escuro à disposição dos amadores”.
Os grandes Armazéns Hermínios
O Teatro Baquet fundado em 1859, foi destruído em 1888 por um incêndio que abalou profundamente toda a cidade, quer pelo número de vítimas quer pelo papel que desempenhava na vida cultural do Porto.
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Entrada do lado da rua Santo António c. 1875 - Porto Desaparecido – Marina Tavares Dias, Mário Morais Marques Quimera 2002
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foto Alvão – a entrada da rua Santo António do Baquet depois do incêndio
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RUINAS DO LADO DA RUA SÁ DA BANDEIRA E ASPECTO DESTA RUA NO DIA SEGUINTE AO DO INCÊNDIO
(segundo photographia do photographo amador sr. Anthero de Araújo)
O OCCIDENTE n.º 334 de 1 de Abril de 1888
Em seu lugar, também com entrada na rua de Santo António e na rua de Sá da Bandeira, foram construídos os “Grandes Armazens Herminios, a mais vasta instalação commercial do Porto e um dos primeiros estabelecimentos deste género no paiz, merecendo demo­rada visita;…”.
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Entrada dos Armazéns Hermínios na rua de Santo António
Porto Desaparecido – Marina Tavares Dias, Mário Morais Marques Quimera 2002
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Cartaz dos Armazéns Hermínios publicado em Porto Desaparecido ed. Quimera 2002, de Marina Tavares Dias e Mário Morais Marques


Publicidade dos Hermínios em 1917 (Embora esteja fora do âmbito desta mensagem 1910, mostra bem a importância dos Hermínios)
“Nos últimos annos, porém, a rua de Santo António tem sido theatro de acontecimentos notáveis: o incêndio do theatro Baquet em março de 1888; o tiroteio por occasião do movimento republicano de 31 de janeiro de 1891; e, ultimamente, a fundação da mais vasta loja de commercio do Porto, os Armazéns Herminios.
……
Os Herminios são, segundo a letra dos annuncios, um «estabelecimento no género dos grandes armazéns de Pariz».Isto, traduzido em vulgar, quer dizer: são a casa Grandella do Porto.
No local que as ruinas do theatro Baquet occupavam, foi construído um edificio destinado a vastos arma­zéns de commercio.
A construcção é ampla, tem mesmo o que quer que seja de magestosa. Paredes altas, janellas largas, gran­de clarabóia, permittem que a luz entre em abundân­cia, e que o ar seja constantemente renovado.
Sob este ponto de vista, os Herminios do Porto levara manifesta vantagem à casa Grandella de Lisboa, onde principalmente nas noites de verão, as senhoras preci­sam recorrer à ventilação artificial do leque, e onde,durante o dia, apenas entra uma pallida luz coada e baça.
Todo o edifício dos Hermínios está dividido em duas galerias, de muito pé direito, cujos varandins se de­bruçam sobre uma espécie de porão de navio, com a profundidade que lhe é permittida pela diferença de nível entre a rua de Santo António e a rua Sá da Bandeira.
…..
Candieiros de luz eléctrica fornecem a illuminação nocturna do edifício, melhoramento até hoje ainda não introduzido na casa Grandella de Lisboa.”
Alberto Pimentel - O Porto na Berlinda 1894
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Album do Porto Marques de Abreu in
BRANCO, Luís Aguiar – Lojas do Porto, Afrontamento, Porto 2010
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A entrada pela rua Sá da Bandeira
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Publicidade dos Herminios nos Guia dos Caminhos de Ferro.
A “Luvaria Adolpho Vicent, na especialidade, o estabelecimento pre­ferido pela elite portuense;…” Guia do Porto Illustrado
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A Ourivesaria Miranda 1905
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A Moreira de Sá, casa de musicas que possue mimosa installação e sempre novidades na sua especialidade;…Guia do Porto Illustrado
Bernardo Valentim Moreira de Sá (1853-1924) foi o fundador da Sociedade de Quartetos e da Sociedade de Música de Câmara, do "Orpheon Portuense". Foi no Quarteto Moreira de Sá que se lançou a jovem violoncelista Guilhermina Suggia. Moreira de Sá foi o fundador em 1917, do Conservatório de Música do Porto.
“Moreira de Sá foi pianista e conferente, director de orquestra e coros orfeónicos, professor de violino, piano, composição, estética, ciências matemáticas e físicas e línguas, que conhecia a fundo e foi, sem dúvida, alguém a quem o Porto deve reconhecimento eterno pelo muito que trabalhou no seu desenvolvimento artístico. Moreira de Sá legou-nos ainda uma obra notável como escritor. A vida do morto ilustre será orgulho constante da família que o estremecia e saudade imensa dos amigos que, como eu, o veneravam.”
Gaspar Baltar (Setembro de 1929) in Memoriam Bernardo V. Moreira de Sá ( Livraria Tavares Martins-Porto 1947) in http://suggia.weblog.com.pt/
“Bernardo Valentim Moreira de Sá (1853-1924). Deve-se-lhe a fundação de uma Sociedade de Quartetos em 1874, de uma Sociedade de Música de Câmara em 1883, bem como de um Quarteto (1884) em que ele próprio é primeiro violino e que se mantém activo durante 30 anos, realizando nomeadamente a primeira audição integral portuguesa dos 17 quartetos de Beethoven. Além disso, a partir de 1891, Moreira de Sá funda o Orpheon Portuense (integrando uma orquestra sinfónica e um coro que constituem a base para séries regulares de concertos sinfónicos, corais-sinfónicos e de câmara, em que participam, como solistas, famosos virtuosi estrangeiros) e dirige no Teatro Águia d'Ouro os concertos sinfónicos da Associação Musical de Concertos Populares (desde 1900) e da Associação de Classe Musical dos Professores de Instrumentos de Arco do Porto (desde 1906), onde também dá a conhecer obras importantes do repertório clássico, romântico e moderno (cf. Borba e Lopes-Graça, 1956: II, 259 ss.). Sem esta tradição não se teria revelado, decerto, Guilhermina Suggia, que aos 7 anos já se apresentava em público, aos 12 anos assumia a chefia do naipe de violoncelos da Orquestra Sinfónica do Orpheon Portuense e, no ano seguinte (1898), passava a integrar o Quarteto Moreira de Sá em substituição de Joaquim Casella.” do livro " Pensar é Morrer ou O TEATRO DE SÃO CARLOS na mudança dos sistemas sociocomunicativos desde fins do séc XVIII aos nossos dias" de Mário Vieira de Carvalho http://suggia.weblog.com.pt/
Alfaiateria Villela que gosa de justificada fama pelo corte irreprhensivel e modicidade de preços…

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A Ca­mélia Branca, uma das mais frequentadas casas de modas de chapéus para se­nhora e creança;
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A Royal Hat, moderna chapelaria, muito elegante e interessante pela sua artística decoração;

O Deposito de Papeis Pintados de Dias, Teixeira & C.a, fabrico nacional, o que ha de mais artístico e interessante n’esta industria, rivalisando com o que de melhor se fabrica lá fora;
Fundada em 1887, o Depósito é um estabelecimento da autoria do mestre de obras João Gomes Guerra de 1906. (Luís Aguiar Branco).
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Fotos de BRANCO, Luís Aguiar – Lojas do Porto, Afrontamento, Porto 2010
A Pharmacia Central, uma das mais antigas e reputadas pharmacias do Porto, com especialidades recentes, preparados próprios, perfumarias etc.;
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Ao cimo da rua na esquina com Santa Catarina situa-se a “Ourivesaria Reis, notável pela artística decoração, bom gosto na escolha e especialista em objectos d’arte. O touriste não deixe de visitar esta casa…”

A Ourivesaria Reis & Filhos, estabelece-se em 1880. Em 1906, foi remodelada pela Companhia Aliança, segundo um projecto do arquitecto José Teixeira Lopes com a colaboração do irmão o escultor António Teixeira Lopes.
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Ourivesaria Reis in O Porto e os seus Fotógrafos
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No Guia do Porto Illustrado
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Na esquina em frente da Ourivesaria Reis situa-se a “Tabacaria Africana. Sortido em tabacos nacionaes e estrangeiros, novidades e, sobretudo, conhecida pela indiscutível sorte na distribuição de prémios na venda que faz de loterias,…” A Tabacaria Africana é ainda uma das grandes editoras dos tão procurados, neste início de século, postais ilustrados com fotografias dos principais fotógrafos do Porto.
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Nota – Há aqui uma pequena batota da minha parte já que este postal da Tabacaria Africana , é posterior a 1910, quando a rua passou a chamar-se 31 de Janeiro!
a Casa Chineza
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o Au Printemps de Arthur de Vasconcellos ligada à Real Chapelaria a Vapor sociedade Costa Braga, fundada em 1866.
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in BRANCO, Luís Aguiar – Lojas do Porto, Afrontamento, Porto 2010
Ainda na rua de Santo António o consulado do Equador.
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O Occidente n.º 437 1891
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fotos da Casa Alvão
No remate da rua de Santo António um obelisco junto à igreja de S. Ildefonso que apesar de inaugurado em 1794 , é ainda um gesto tardo-barroco criando um eixo visual com a Torre dos Clérigos, e um outro com a capela da Batalha. Ele está assinalado com ênfase na planta Redonda de 1813.
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Detalhe da Planta Redonda de 1813
A rua de Santa Catarina
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Foto Alvão in A Cidade do Porto na obra do Fotógrafo Alvão, ed. fotografia Alvão, Porto 1993
O lado nascente da rua de Santa Catarina junto à igreja de S. Ildefonso
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Foto Alvão in A Cidade do Porto na obra do Fotógrafo Alvão, ed. fotografia Alvão, Porto 1993
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Carnaval de 1905
O lado poente da rua de Santa Catarina junto à rua de Santo António. De notar que ainda não existe a nova fachada da Ourivesaria Reis.
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Um postal da entrada da rua de Santa Catarina com a Ourivesaria Reis.
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A Photographia Alvão, especialista em trabalhos artísticos e retratos perfeitíssimos como o attestam vários clichés publicados neste guia…
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Foto Alvão e detalhe in in Fotografia Alvão Clichés do Porto ed. Fotografia Alvão 2002
Esquina da rua Santa Catarina com a rua Passos Manuel vendo-se a Casa Alvão.
A Photographia Guedes
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O Deposito e Officina de Joaquim Pinto Ferreira
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A padaria Viuva Faria & Filho que fabrica deliciosas especialidades, como finíssimos rebuçados de fructas, afamado pão podre, etc, que constituem interessantes lembranças do Porto;
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Os Armazens Mattos, n.º 170, com o seu importante commercio de pannos por atacado e a retalho, recommendavel pelas excellentes confecções para homem e criança;
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O Bazar do Porto, de Luiz Soares, nº 160, em frente ao Grande Hotel do Porto, com filial no Gerez, muito bem sortido em artigos do seu commercio, como bijouterias, brinquedos, perfumarias, artigos para enfeites de penteados, etc.;


A Casa Conceição de Arthur Eduardo de Barros, estabelecimento bizarro pela diversidade dos generos que vende – productos de confeitaria, bycicletas, phonographos, etc., mas recommendavel pela seriedade das suas transacções.
A Companhia Funeraria Decorativa Portuense
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A Confeitaria Parisiense, decorada com bastante gosto e onde se encontra bom serviço de mesa…o mais luxuoso restaurante
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Grande Hotel do Porto , rua de Santa Catarina, 163. O de mais conceituado e justificado nome. Casa construida para este fim. Bons quartos. espaçosas salas de bilhar e leitura. Grande casa de jantar. Magnifico estabelecimento de banhos. Illuminação electrica em todas as dependências. Jornaes e revistas nacionais e estrangeira. Telephone. Caixa do Correio. Excellente localização, proximo do telegrapho e dos theatros, linha americana à porta, etc.
É interessante a maneira como é feita a publicidade do hotel. Para além de referências que ainda hoje se fazem , de salientar a referência ao facto de estar o hotel instalado numa casa construída para este fim, a referência à iluminação eléctrica, ao telefone e ao telégrafo.E ainda a referência aos banhos, num momento de preocupação higiénica e de instalação das casas de banho nas habitações.

Baths at the Hotel do Porto and Hotel de Francfort (p. 545); Casa de Banhos, Rua de Santo Antonio. Guia Baedeker
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O Consulado do Brasil também se situa na rua Santa Catarina 8.
A rua de Passos Manuel
No troço que vai da rua de Santa Catarina para o Largo de santo André situa-se o Jardim Passos Manuel, …”o lugar da cultura e o ponto de encontro da sociedade portuense. Um local elegante, com amplos jardins, que proporciona todo o tipo de entretenimento. Tem um jardim-esplanada, um cinematógrafo, uma sala de "loto", um cinema ao ar livre, quiosques, um restaurante de luxo, um café de negócios, um café-concerto, um salão de festas, um clube nocturno, um coreto em forma de concha e um parque para as crianças.”
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A entrada do jardim Passos Manuel
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Domingos Alvão - Jardim Passos Manuel - Café Concerto e entrada do Restaurante
In A Cidade do Porto na obra do Fotógrafo Alvão, ed. fotografia Alvão, Porto 1993
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A central eléctrica
No troço que para poente liga a Rua de Santa Catarina com a rua de Sá da Bandeira encontramos o Atheneu Commercial do Porto, que em 1904 passou a ser iluminado e ventilado com energia eléctrica produzida por uma central construída nas imediações pela casa Emílio Biel.
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Edifício do Atheneu Commercial do Porto inaugurado em 31 de Maio de 1885
Segundo uma photographia de Emilio Biel
O Occidente n.º 233 11 de Junho de 1885
A Sede dos Guias Touriste
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A Portugal Previdente Companhia de Seguros
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A rua Formosa
Os Grandes Armazéns da Beira na esquina da rua de Santa Catarina com a rua Formosa.
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A Photographia Biel, uma das mais antigas do Porto, e sem dúvida a mais bem installada – um excellente palacete, ricamente decorado e que bem merece as honras de uma visita de nacionaes e estrangeiros… ).
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A Photographia Medina de F. Miranda & C.la
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A Pharmacia do Bolhão, muito recommendavel não só pela garantida pureza das suas preparações, mas também pela reconhecida probidade commercial que preside à sua habil direcção…
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A casa de mobílias e estofos de Rocha Oliveira & Irmão, que de nenhum reclame carece, tal é o nome acreditado de que dispõe.
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…os escriptórios e deposito da fabrica dos famosos preparados dentrificios do Dr. Cerqueira Magro…
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A Casa de machinas de coser Singer
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O mercado do Bolhão
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Projecto de Joaquim Costa Lima Júnior 1838
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Planta de Telles Ferreira 1892
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Atravessando o mercado do Bolhão, a norte, chegando à rua Fernandes Tomaz …convida-o a curiosa visita mais outro grande estabelecimento commercial, d’estes grandes estabelecimentos que o Porto se ufana de possuir, e como não há outros em terras portuguezas a Estamparia do Bolhão …o mais antigo dos grandes armazens da cidade. É uma instalação vastissima contendo collossal sortido de tudo o que é necessário a uma casa e arigos de vestuario e modas. Tem tambem, annexa, bem montada garage.
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A Fundição do Bolhão
Fundição do Bolhão 1847 de Costa Basto & C.ª Produção louça de ferro estanhada, grades, canos, colunas, etc.
“A fundição do BOLHÃO está localisada no centro da cidade, na rua sobranceira ao mercado d'este nome, e consiste n'um recinto vasto mas baixo onde estão congregadas todas as oficinas. O machinismo é em geral velho e de typos em grande parte já substituídos na industria. Tem duas caldeiras tubulares desenvolvendo 12 cavallos de forca cada uma, trabalhando aiternadamente, e alimentando a machina motriz fixa, d'um cylindro vertical, construida na fabrica VULCANO de Lisboa e comprada já em segunda mão em 1857. O BOLHÃO tem como indústrias accessorias a serração de madeira e o fabrico de tubos de chumbo; espécies que serão estudadas com os outros elementos d'essas industrias nos seus respectivos lugares. No BOLHÃO, sob a administração dos indutriaes, a direcção está a cargo de João de Sousa Soares, discípulo do Instituto Industrial do Porto, ex-operario do Ouro, e que está ao serviço do BOLHÃO desde 1871”
Relatório do Inquérito Industrial de 1881.
A Memória de D. Pedro V
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“Na rua de Fernandes Thomaz, em frente á praça do Bolhão, vê-se levantada uma columna de granito mui singela, terminando por uma estrella.
Nesta memória estão escriptas as datas da visita de D. Pedro V ás fábricas de fundição e estamparia, sitas na mesma rua.” Francisco Ferreira Barbosa – Elucidário do Viajante do Porto 1864
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Memória do sr. D. Pedro V. no Porto B. L / C. J. «Archivo Pittoresco», 7, 1864, p. 349
MEMÓRIA DO SR. D. PEDRO V, NO PORTO
Quarenta e dois dias depois da prematura morte do sr. D. Pedro v, os proprietários e artistas das duas importantes fabricas de fundição e de estamparia estabelecídas na rua de Fernandes Thomaz, defronte da praça do Bolhão; os primeiros, reconhecidos pela ré­gia e honrosa visita que o illustrado monarcba fez aos seus estabelecimentos; os segundos, gratos para com o amigo dos que trabalham, o rei popular, que nunca hesitou confundir-se com o artista para com elle participar das lides do trabalho, ou gozar as fes­tas do progresso; todos, obedecendo a um impulso nobre e justificado, quizeram — e realisaram — per­petuar a memória de tão amado príncipe, levantando um singelo monumento, para attestar ás vindouras gerações não só a estima e acrisolado amor com que o rei-cidadao era estremecido, mas também a distinta consideração que os dois estabelecimentos mereciam ao príncipe sábio e virtuoso.
Simples na forma, mas grandiosa na idéa, é o modestissimo padrão que, humilde e despido de bellezas architectonicas, se ostenta defronte das mencionadas fabricas, sobranceiro ao mercado publico do Bolhão, tendo o singular merecimento de ser o primeiro que no paiz se levantou, corno perenne tributo de saudade e gratidão ao rei amado, que, morrendo pranteado de todos, revive na memória e nas recordações.
É o monumento todo de pedra granítica, de que tanto abunda a cidade do Porto, rematado com uma estrella de bronze de sete raios. O pedestal, que as­senta sobre dois degraus da mesma pedra, é defen­dido por uma simples, mas graciosa, grade de ferro fundido.
Tem de altura, desde o solo até ao extremo supe­rior da estrella, 7m,52.
A columna, comprehendendo a base e o capitel, é feita de uma só pedra, tendo de diâmetro, na sua maior grossura, O,77 m.
Foi principiado a 23 de dezembro de 1861, e aca­bado e inaugurado em 9 de julho de 1862, no mes­mo dia em que, na praça de D. Pedro da mesma ci­dade, se inaugurava o monumento do imperador du­que de Bragança.
Na face do pedestal, lado do norte, está cravada a seguinte oitava, composta pelo reverendo abbade da freguesia de Santo Ildefonso, orador mui distincto.
«Ao Rei D. Pedro Quinto — memorando — / Da industria e artes protector subido;
Qu’as vaidades do sólio descurando;/ Teve um throno d'amor na pátria erguido;
Que as fabricas em frente visitando / Da —Estampa e Fundição — salvou do olvido...
Artistas, a quem deu favor e alento, / Consagram este humilde monumento.»
Na face do sul tem esta inscripcao: — «Teve prin­cipio em 23 de dezembro de Í862: concluiu-se era 9 de julho de 1862.»
No lado do poente: — «Visitou a fabrica de fundi­ção em 22 de novembro de 1860.»
No do nascente: — «Visitou a fabrica de estampa­ria em 28 de agosto de 1861.»
A. M. Leorne «Archivo Pittoresco», 7, 1 864, p. 348
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O Ante –projecto do novo Mercado do Bolhão 1910
A rua Sá da Bandeira
A rua Sá da Bandeira vai desde o Bolhão até à praça de D. Pedro (sendo o último troço a actual rua de Sampaio Bruno)
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As illuminações na rua Sá da Bandeira (desenho do natural de J. Christino)
O Occidente n.º 246 21 de Outubro 1885
A photographia Central de José de Carvalho
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Os armazens de vinhos Borges & Irmão
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Estabelecimento de Optica, Cirugia e Electricidade de Pinto Meirelles
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A Companhia de Seguros Tranquilidade Portuense
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A casa Hyppolyte André
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A Londres no Porto que conta, na sua clientella, o que mais distincto tem a sociedade elegante do Porto…
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A Casa Guimarães afamada camisaria, de creditos seguros pela aprimorada execução dos seus enxovaes e de toa a obra d’ali sahida…
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A Bengala da Moda de José Júlio Campos
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A sapataria Novidade de Candido Ribeiro Peixoto.
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A Casa Velludo, fábrica de papeis pintados.
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A camisaria Paris no Porto de Arthur Ramos
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O deposito do Ferroquinol, excellente preparado pharmaceutico, …que as summidades medicas indicam como reconstituinte insubstituivel.
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A casa de Bicycletas Raleigh, nos n.º155 a 157 , como toda a gente sabe, um dos nomes mais garantidos no fabrico de carros e bicycletas;
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A Luz – na especialidade um dos primeiros da cidade.
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A elegante, moderna e já muito conhecida chapelaria Grand Chic, que tão depressa se tem acreditado pelo esmero na escolha e manipulação dos seus artigos;
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O theatro Príncipe Real …a mais bem localisada casa de espectáculos do Porto…que nada tem de notável, mas que é, ao presente a unica casa de espectaculos toleravel, que possue o Porto. Depois do incêndio do real Theatro de S. João, a cidade não tem theatros recommendaveis: apenas cynenatographos e barracões, que se multiplicam por todos os lados, e que à falta de coisa melhor, se vão aproveitando.
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Em primeiro plano a entrada dos grandes Armazens Herminios e ao fundo o Teatro do Príncipe Real.
Na esquina da rua do Bonjardim com a rua de Sá da Bandeira …a importantíssima casa bancária Borges & Irmão, bem conhecida em todo o paiz pelas suas transacções em todos os ramos commerciaes que explora.
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E seguindo pela rua de Sá da Bandeira, ao fundo da imagem, chegamos de novo à Praça de D. Pedro, terminando este passeio comercial em 1910.

10 comentários:

  1. Muito bom.
    Copiei algumas fotos para completar uma história sobre a Rua de Santo António/31 de Janeiro.
    Espero que não se importe e autorise a publicação.
    Já agora, agradeço se me souber responder. O actual edifício da Caixa Geral de Depósitos seria o local dos Armazens Hermínios ?
    Jorge Portojo

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  2. Vi o comentário. Saberá algo sobre a Casa de Músicas Moreira de Sá na Rua de Sto. António?
    Obrigado

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  3. Alguém tem conhecimento da existência da rua D.Maria II, no Porto, no início do sec. passado?

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  4. Parabéns pelo Blog!
    Suspeito que o arquitecto do edifício da Livraria Latina seja Alberto F. Gomes, uma remodelação de 1928(?), ou será de Mário Abreu ?
    Não me sabe dizer se a fachada do edifício é arte nova?

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  5. sensacional....gostava de saber onde tanta informação....adorei.obrigado por partilhar comnosco

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  6. Boa tarde,
    Cumprimentos pela excelente informação e qualidade de apresentação do blog.
    Cito esta sua pág. numa das descrições que fiz. Se tiver interesse, visite: http://www.lec.com.pt/antiquary/show/155. Espero que não tenha objecções.
    Melhores cumprimentos,
    C.C.

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  7. Poderá informar-me se conhece uma loja de banheiras e tubos de nome J. Leitão?

    Obrigado.
    Cumprimentos

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  8. Óptimas imagens e excelente informação. Acabei de reviver o que não conheci da minha família, do meu trisavô, "Dentrificios Dr. Cerqueira Magro" !
    Obrigado...

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