Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















domingo, 13 de junho de 2010

O Edifício da Secessão Vienense 1897/98

Frierichstrasse 12 Viena

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Josef Maria Olbrich 1867 – 1908

litografia 1898 1730 mm x 720 milímetros

litografia 1898/99 89,5x71 cm

The Albertina Graphic Art Databank Viena

A Viena do fim do século XIX, consolida-se como capital do Império Austro Húngaro.

A demolição das velhas e inúteis muralhas liberta uma larga faixa de terrenos (o Glacis) com uma profundidade entre os 500 e os 1000 m., permitindo a mais importante realização Urbana de Viena, a construção do RING (1859-1872).

Com 4,4 Km. de extensão e um perfil de 60 metros, limita uma zona da cidade destinada à construção de edifícios públicos (o Parlamento, o Município, a Universidade, o Teatro, a Ópera, etc.) com um carácter representativo e monumental e habitação para a classe alta.

No Ring situa-se um conjunto de edifícios em várias linguagens do neoclássico ao neogótico e ao ecléctico, que constituiem parte da identidade arquitectónica de Viena.

Viena transforma-se num dos centros culturais da Europa. Diversos círculos culturais, nas artes, na ciência, na filosofia, na literatura, na música, na arquitectura e no design, círculos esses que se encontram e interpenetram, frequentam os cafés e dão à cidade uma fervilhante vida cultural.

Entre muitos outros menos conhecidos apontemos: Schiele, Klimt, Kokoschka, Adolf Loos, Robert Musil, Stefan Zweig, Hugo von Hofmannstahl, Arthur Schnitzler, Berg, Schönberg, Gustav Mahler, Strauss, Brentano, Wittgenstein, Sigmund Freud, Carl Gustav Jung...

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Alguns dos círculos e personalidades do mundo cultural da Viena fim-de-século

“ O aspecto mais moderno em arquitectura, são as grandes cidades de hoje”

Otto Wagner - Moderne Architektur, 1896.

O arquitecto Otto Wagner (1841-1918) é o principal dinamizador, teórico e operativo, da racionalização dos processos de transformação urbana da Viena entre os dois séculos.

Será encarregado em 1890 de estudar um novo Plano para Viena (cujos princípios são expressos em 1896 no seu livro Moderne Architektur), tendo em atenção a expansão da cidade, os transportes e a monumentalização da cidade Imperial.

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Otto Wagner - Danube Canal Regulation New Aspern and Ferdinand Bridge,1897

Lápis, Tinta da China e Aguarela,98 x 72 cm Museu Histórico da Cidade,Viena

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Carl Pippich (1862-1932)- Die Nußdorfer Schleuse, von der anderen Otto Wagner
Gouache auf Karton34,6 cm x 44,7 cm Historisches Museum der Stadt Wien

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Otto Wagner Ponte Nussdorfer 1894/98

A Secessão Vienense

“Nós não vemos qualquer diferença entre a grande arte e as outras artes, entre a arte para o rico e a arte para o pobre. A arte pertence a todos.”
Gustav Klimt

É neste enquadramento que em 1897 um grupo de artistas forma um movimento conhecido pela Secessão Vienense, que pretende romper com a atitude conservadora e provinciana que até então dominava a vida artística de Viena, estendendo-se posteriormente ao império austro-húngaro e à Alemanha.

"Nós queremos declarar guerra à rotina estéril, ao bizantinismo rígido, a todas as formas de mau gosto ... A Secessão não é uma luta de artistas modernos contra os antigos, mas uma luta para a promoção de artistas contra os vendedores ambulantes que se chamam artistas e que tem um interesse comercial em impedir o florescimento da arte.” Hermann Bahr (1863-1934)

Da Secessão fazem parte entre outros Gustav Klimt (1862-1918), que foi o presidente do movimento, Egon Schiele (1890-1918), Oskar Kokoschka (1886-1980), Otto Wagner (1841-1918), JosephHoffmann  (1870-1956), Josef Olbrich (1867-1908), e Koloman Moser (1868-1918).

Nos início de 1898 iniciam a publicação de uma revista Ver Sacrum, com a intenção de divulgar as exposições do movimento como um campo de integração estética da arte, da literatura e das artes gráficas. O nome Ver Sacrum (Primavera Sagrada) refere-se a rituais da antiguidade, e Max Burckhard (1854-1912) director do Burgteatro escreve sobre o tema na primeira edição.

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N.º 1 da Ver Sacrum com capa de Alfred Roller (1864-1935)

O edifício

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Os autores

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O arquitecto Josef Maria Olbrich (1867-1908)

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O presidente da Secessão e autor do friso Beethoven,  Gustav Klimt (1862-1918)

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O artista que realizou as decorações exteriores do edifício, Koloman Moser (1868-1918)

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O organizador das exposições e arquitecto Josef Hoffmann (1870/1956)

A Secessão encarregou o arquitecto Josef Maria Olbrich, na época a colaborar com Otto Wagner, de desenhar um edifício com a dupla finalidade de albergar a sede do movimento e de pavilhão de exposições.

Foi inicialmente escolhido um terreno na Ringstrasse mas o Conselho Municipal não aceitou o projecto de Olbrich. Apenas quando se encontrou um terreno, mais discreto, na Friedrichstrasse foi autorizada “a construção de um pavilhão de exposições provisórias para o período de dez anos…" (acta da reunião do Conselho Municipal de 17 de Novembro, 1897). O financiamento da construção deve-se em grande parte ao industrial Karl Wittgenstein, pai do filósofo Ludwig Wittgenstein .

A pedra de fundação foi colocada em 28 de Abril de 1898, com uma pequena festa. Apenas seis meses depois, em 29 de Outubro de 1898, a construção estava concluída.

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Joseph Maria Olbrich, Secession. Aquarell, 1897 Historisches Museum der Stadt Wien

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Olbrich projecta um edifício com uma planta em cruz grega, com volumes simples e encimado por uma esfera.

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A entrada é um recuo da fachada com uma pequena escadaria.

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No interior o edifício organiza-se num átrio e numa ampla sala de exposições iluminada zenitalmente.

Como se insere num lote triangular, os espaços resultantes ajardinados, destinavam-se a exposição de esculturas.

O edifício no exterior tem apenas duas cores: o branco e o dourado, e reflecte a sua composição interna apresentando uma volumetria de um conjunto de cubos e paralelepípedos encastrados encimados por (o que se lê como) uma esfera.

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Fotografias da época em que o edifício foi construído.

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O edifício publicado em  Der Architekt, Volume 5, 1899

Contudo, o pavilhão quando foi inaugurado provocou uma forte reacção sendo apelidado de "templo de rãs" ,”crematório "," mesquita "," lavabo assírio”, "assassinato ao bom gosto" e muitos outros epítetos.

No exterior foi colocada uma escultura de Arthur Strasser (1854-1927) representando Marco António, numa carruagem puxada por leões. Esta escultura com que Arthur Strasser venceu o prémio de escultura do Salão da Primavera de Viena em 1896, foi apresentada na Exposição Universal de Paris em 1889.

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Mas no exterior do edifício, o que atrai de imediato a atenção é, sem dúvida, a cúpula da cobertura do átrio de acesso, com a aparência de uma esfera e feita de 3.000 folhas de louro dourado.

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A folha de louro é um símbolo dominante no edifício.

Encontra-se nas pilastras da frente e nos nichos de entrada bem como em grinaldas ao longo das paredes laterais

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O louro e o loureiro estão associados na mitologia clássica a Apolo, deus da Música e das Artes. Ovídio em “As Metamorfoses” conta que Apolo se apaixonou pela ninfa Dafne (que em grego arcaico significa precisamente Loureiro),filha do rio-deus Peneu, mas esta tentava escapar-lhe como se tivesse “asas nos pés”. Cansada de fugir, Dafne pediu ao seu pai que a salvasse mudando-lhe a forma do corpo, e, quando Apolo estava quase a tocar-lhe nos cabelos, Dafne foi transformada num loureiro. Impotente perante esta transformação, Apolo abraçou o Loureiro e declarou que esta seria a sua planta preferida, que eternamente o acompanharia e que usaria as suas folhas sempre verdes como coroa participando em todos os seus triunfos, consagrando com a sua verdura as frontes dos heróis. Bernini esculpiu magistralmente esta lenda.

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Gian Lorenzo Bernini 1598- 1680 Apollo and Daphne 1622-1625
Mármore Galleria Borghese, Roma

A Salamandra

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A Salamandra é o símbolo mitológico do fogo, simboliza a etapa final da Obra, do processo de transformação. Yves Bonnefoy (1923) descreve a salamandra no seu poema Lieu de la Salamandre:

“La salamandre surprise s’immobilise
Et feint la mort.
Tel est le premier pas de la conscience dans les pierres,
Le mythe le plus pur,
Un grand feu traversé, qui est esprit.
La salamandre était à mi-hauteur
Du mur, dans la clarté de nos fenêtres.
Son regard n’était qu’une pierre,
Mais je voyais son cœur battre éternel.
O ma complice et ma pensée, allégorie
De tout ce qui est pur,
Que j’aime qui resserre ainsi son silence
La seule force de joie.
Que j’aime qui s’accorde aux astres par l’inerte
Masse de tout son corps,
Que j’aime qui attend l’heure de sa victoire,
Et qui retient son souffle et tient au sol.”

Yves Bonnefoy, Du mouvement et de l’immobilité de Douve, Gallimard, Collection Poésie, 1991.

As Corujas

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“Quando a filosofia coloca cinza sobre o grisalho,
uma forma de vida já envelheceu e, com o cinza
sobre cinza não se pode rejuvenescer, apenas reconhecer

A Coruja de Minerva levanta voo apenas ao entardecer” Hegel (1770-1830)

A coruja está associada a Atenas (Minerva) irmã de Apolo.

Atenas é uma deusa virgem, padroeira das artes domésticas, da sabedoria e da guerra. Nasceu já adulta da cabeça de Zeus.

A coruja em latim é noctua, “ave da noite”. Nocturna e relacionada com a lua, a coruja incorpora o oposto do Apolo solar.

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Atenas com a coruja, bronze grego, colecção particular.

A coruja símbolo de uma vigilância constantemente alerta, é o símbolo da sabedoria de quem é capaz de ver para além do normal, de quem tudo vê, já que possui uma visão nocturna e o seu ângulo de visão rodando o pescoço de 360º é superior ao dos humanos . A Coruja simboliza por isso a Filosofia.

No poema "Les hiboux", (as corujas) Charles Baudelaire (1821-1867) sublinha esta sabedoria : "Leur attitude au sage enseigne / Qu'il faut en ce monde qu'il craigne / Le tumulte et le mouvement;"

“Sous les ifs noirs qui les abritent,
    Les hiboux se tiennent rangés,
    Ainsi que des dieux étrangers,
    Dardant leur œil rouge. Ils méditent.
    Sans remuer ils se tiendront
    Jusqu'à l'heure mélancolique
    Où, poussant le soleil oblique,
    Les ténèbres s'établiront.
    Leur attitude au sage enseigne
    Qu'il faut en ce monde qu'il craigne
    Le tumulte et le mouvement ;

    L'homme ivre d'une ombre qui passe
    Porte toujours le châtiment
    D'avoir voulu changer de place
.”

Charles Baudelaire (1821-1867) "Les hiboux", Les Fleurs du Mal, 1857

Ouçamos Les Hiboux na voz de Léo Ferré

A entrada

Na parede do lado esquerdo a inscrição Ver Sacrum, (Primavera Sagrada) a divisa da Secessão e o nome da sua revista.

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O acesso ao edifício faz-se por uma pequena escadaria, ladeada por dois vasos azuis suportados por quatro tartarugas.

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A tartaruga é em primeiro lugar o suporte do mundo, um símbolo de longevidade e de sabedoria. A sua longa vida e a sua lentidão tornam a tartaruga um paradigma da sabedoria de quem tem todo o tempo à sua frente.

As Górgonas

Por cima da porta de entrada as cabeças das três Górgonas, representando a arquitectura, a escultura e a pintura.

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Na mitologia grega, Górgona (plural: Górgones) era a alcunha que se dava a três das filhas de Fórcis e Ceto.

Os seus nomes eram Medusa, "a impetuosa", Esténio, "a que oprime" e Euríale, "a que está ao largo".

Como a mãe, as Górgonas eram extremamente belas e os seus cabelos eram invejáveis.

Todavia, eram desregradas e sem escrúpulos.

Como as corujas as Górgonas estão associadas a Pallas Athena, a deusa da sabedoria, da vitória e do artesanato.

Atenas é representada com um medalhão com a cabeça da Medusa.

 

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Gustave Klimt(1862-1918) Pallas Athene 1898
Óleo s/ tela 75 x 75 cm Historisches Museum der Stadt Wien

 

No entablamento superior a frase:

Der Zeit Her Kunst

Der Kunst Ihre Freiheit

Ao Tempo a sua Arte

À Arte a sua Liberdade

 

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O átrio principal iluminado pela cúpula abre para o salão de exposições, na forma de uma basílica com uma nave maior e duas laterais menores, que podem ser facilmente adaptadas a cada exposição ou evento. É iluminado por luz zenital.

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O Friso Beethoven

Em 1902 a XIV exposição da Secessão foi dedicada a Beethoven (Ludwig van 1770-1827)

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Cartaz  e catálogo desenhado por Alfred Roller (1864-1935) para a XIV Exposição de 1902 Foto: Secession

O compositor era na época, alvo de um particular culto, sobretudo dada admiração reverencial que por ele nutria Richard Wagner.

Em Lisboa Malhoa pintava na sala de música do palacete Lambertini a “Apotheose de Beethoven” (ver neste blogue Do Passeio Público às Avenidas Novas”.

Em Paris, Antoine Bourdelle (1861-1929) esculpia as suas máscaras de Beethoven.

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Bourdelle - Beethoven à la colonne, yeux fermés, modèle définitif, 1901 Musée Bourdelle Paris

Romain Rolland (1866-1944) escrevia a sua "Vida de Beethoven", onde colocava no início uma citação de Beethoven de 1792

“Woltuen, wo man kann, / Freiheit über alles lieben, / Wahrheit nie, auch sogar am / Throne nicht verleugnen.”

«Fazer todo o bem que se possa / Amar a Liberdade acima de tudo, / E quando for por um trono / Jamais trair a Verdade”

 

Toda a exposição tornou-se assim uma celebração Beethoven. Os artistas da Secessão viam em Beethoven a encarnação do génio, e na sua obra a exaltação do amor e do sacrifício que traz a redenção à humanidade.

Mais do que uma exposição pretendia ser uma síntese das artes. Na sua abertura em Abril de 1902, Gustav Mahler, director da Opera de Viena, dirigiu a interpretação de um seu arranjo do tema do quarto andamento da Nona Sinfonia.

No centro da Exposição a escultura de Max Klinger 1857 -1920, na qual havia trabalhado durante 15 anos.

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Max Klinger no seu atelier trabalhando o Beethoven

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XIV Exposição de 1902,o "Beethoven” de Max Klinger na sala principal Foto: Secession

A escultura de Klinger, de mármore, alabastro, âmbar, marfim e bronze, apresenta um Beethoven numa postura heróica e sagrada, herói e mártir redentor, com o punho fechado eo olhar sonhador e compenetrado sentado num trono decorado com anjos e pelas figuras de Adão e Eva . Aos seus pés uma águia.

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 Max Klinger – Beethoven 1877 - 1902 Museum der Bildenden Künste, Leipzig

Finalmente Gustav Klimt criou o Friso Beethoven colocado no corredor esquerdo da sala de exposições, e que aqui permaneceu ainda durante as duas exposições seguintes, até que finalmente foi retirado e entregue ao seu novo proprietário, o industrial Carl Reininghaus. Em 1986 o Friso foi de novo colocado na Casa da Secessão quando da sua recuperação.

O friso tem um comprimento total de 34,33 metros. A parede lateral esquerda um comprimento de 14,00 m e uma altura de 2,17 metros a parede do fundo 6,30 metros de comprimento por 2, 17 m de altura e a parede lateral direita um comprimento de 14,03 m e uma altura de 2,17 metros.

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O friso em 1902

O friso na actualidade

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Os três painéis do Friso

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Painel lateral esquerdo e painel central

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Painel central e painel lateral direito

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Painel lateral direito

O FRISO BEETHOVEN

Klimt inspirou-se na interpretação da Nona Sinfonia feita por Richard Wagner (1813-1883) em 1846 que a descrevia como "um combate da alma que se esforça para atingir a alegria contra a pressão das forças hostis que se interpõe entre nós e a felicidade terrena".

A Nona Sinfonia de Beethoven em Ré menor, Opus 125, foi composta entre 1822 e 1824 e dedicada a Friedrich Wilhelm III, da Prússia, e interpretada pela primeira vez em Viena em 7 de Maio de 1824, na presença de Beethoven. No final do 4º andamento o Hino à Alegria composto a partir do poema de Friedrich von Schiller(1759-1805)

Primeiro painel do friso “Aspiração à Felicidade”

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1 A idade da alegria simbolizada por figuras femininas flutuando.

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Estudo para figura feminina Albertina

As figuras femininas flutuando ou nadando num abandono sensual nos braços da água o seu elemento natural, é um tema que Klimt já tinha abordado.

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Klimt - Fish Blood 1898 History of Art http://www.all-art.org/

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Klimt - Moving Water 1898 http://www.all-art.org/

E que noutra perspectiva irá abordar.

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Klimt -  Wasserschlangen II 1904 – 07  óleo s/ tela 80 x 145 cm Galleria Nazion Roma

2 De seguida “a humanidade  em sofrimento” dirige as suas preces ao “homem forte e armado” rodeado pela  “a ambição e a compaixão” que o ajudam na luta pela felicidade…

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Os sofrimentos da Humanidade a figura feminina de pé e o casal numa posição de súplica.

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O homem forte e armado » e por detrás a ambição e a compaixão que o ajudam na luta pela felicidade…

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O painel da parede frontal

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"As Forças Inimigas"

As três gorgones, filhas de Porcis e Ceto e o giganteTifeu (macaco monstruoso com asas e uma cauda de serpente) e atrás , a doença, a loucura e a morte …

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Dois esboços de composição para o grupo das três Górgonas no "Beethoven Frieze

lápis 29,9 x 39,7 centímetros Albertina Viena

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Estudo para a figura da direita das Gorgónes no "Beethoven Frieze"1901-1902

giz preto44,4 x 31,8 centímetros Albertina Viena

2 O Tifeu

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O Tifeu é um macaco gigante (o King-Kong), serpenteante e com olhos brilhantes de

madrepérola.

"Quando Zeus expulsou os Titãs do céu, a grande Géia, com o auxílio da dourada Afrodite, deu à luz seu filho mais novo, Tifeu, fruto de seu amor com Tártaro". Tifeu ou Tífon era um monstro: “a força de suas mãos estava em tudo o que fazia, e os pés desse poderoso deus eram incansáveis. Dos seus membros cresciam uma centena de cabeças de serpente e um apavorante dragão, todos com línguas negras e sibilantes. Dessas impressionantes cabeças saía fogo e havia voz em todas elas, cada uma emitindo sons incríveis". Segundo Píndaro e Ésquilo, Tífon era gigantesco, e “a sua cabeça tocava as estrelas". Por isso Tifeu era associado aos vulcões.Camões refere:

“Noutra parte esculpida estava a guerra,
Que tiveram os Deuses com os Gigantes;
Está Tifeu debaixo da alta serra
De Etna, que as flamas lança crepitantes;
Esculpido se vê ferindo a terra
Neptuno, quando as gentes ignorantes
Dele o cavalo houveram, e a primeira
De Minerva pacífica oliveira.”

Camões os Lusíadas canto sexto

3 Seguem-se, à direita a Volúpia, a Impudica e a Intemperança…

O grupo de três mulheres à direita de Tifeu que parecem emanar do próprio corpo peludo e negro do monstro.

A Intemperança é representada com o um ventre proeminente, e tem uma saia azul ornamentada com aplicações de madrepérola e anéis de bronze.

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4 À direita uma mulher agachada mostrando a sua dor.

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O Painel termina com formas serpenteantes.

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Painel da Direita

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Nesta parede da direita, a separar das figuras hostis do painel central, o mesmo espaço de estuque branco apenas pintado na parte superior, junto ao tecto, por um friso de figuras femininas, horizontais, flutuantes, que representam a aspiração da humanidade à felicidade. 

A aspiração à felicidade encontra a calma na poesia uma figura dourada, a tocar lira.

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Estudo da poesia "no" Beethoven Frieze Albertina Viena

É bem notória, neste Friso Beethoven, a presença de algumas características que marcam a pintura de Klimt: superabundância do dourado que aparece no Homem forte e bem armado, nas serpentes das Górgonas, no coro de anjos, no veio em que sobe a

pobre humanidade, a envolver o par amoroso; predilecção pelos ornamentos geométricos que se encontram no vestuário da Compaixão e do Orgulho, nas jóias e desenhos da saia da Incontinência, junto ao par amoroso; corpos estilizados, sinuosos,

sugeridos quase só por traços de grafite, levemente sombreados e coloridos; recurso ao uso simbólico dos mitos e figuras da Antiguidade grega.

É bem notória, neste Friso Beethoven, a presença de algumas características que marcam a pintura de Klimt: superabundância do dourado que aparece no Homem forte e bem armado, nas serpentes das Górgonas, no coro de anjos, no veio em que sobe a

pobre humanidade, a envolver o par amoroso; predilecção pelos ornamentos geométricos que se encontram no vestuário da Compaixão e do Orgulho, nas jóias e desenhos da saia da Incontinência, junto ao par amoroso; corpos estilizados, sinuosos,

sugeridos quase só por traços de grafite, levemente sombreados e coloridos; recurso ao uso simbólico dos mitos e figuras da Antiguidade grega.

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Depois segue-se uma parte em branco no friso. Na exposição de 1902 este espaço permitia observar melhor a escultura de Max Kliger.

Depois as artes representadas por 5 figuras sobrepostas, com o cabelo quase em círculo como se fosse um halo, e que se elevam num fundo dourado, como uma coluna de fogo que ascende e purifica.

“As artes levar-nos-ão ao reino mais perfeito, no qual só podemos encontrar a alegria pura, a pura felicidade, o amor puro…” Schiller.

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Segue-se o Coro dos anjos no Paraíso elevado e suspenso sobre o verde de um prado florido, que canta, como em êxtase, o Hino à Alegria.

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Freude, schöner Götterfunken
Tochter aus Elysium,
Wir betreten feuertrunken,
Himmlische, dein Heiligtum!
Deine Zauber binden wieder
Was die Mode streng geteilt;
Alle Menschen werden Brüder,
Wo dein sanfter Flügel weilt.
Wem der große Wurf gelungen,
Eines Freundes Freund zu sein;
Wer ein holdes Weib errungen,
Mische seinen Jubel ein!
Ja, wer auch nur eine Seele
Sein nennt auf dem Erdenrund!
Und wer's nie gekonnt, der stehle
Weinend sich aus diesem Bund!
Freude trinken alle Wesen
An den Brüsten der Natur;
Alle Guten, alle Bösen
Folgen ihrer Rosenspur.
Küsse gab sie uns und Reben,
Einen Freund, geprüft im Tod;
Wollust ward dem Wurm gegeben,
und der Cherub steht vor Gott.
Froh, wie seine Sonnen fliegen
Durch des Himmels prächt'gen Plan,
Laufet, Brüder, eure Bahn,
Freudig, wie ein Held zum Siegen.
Seid umschlungen, Millionen!
Diesen Kuß der ganzen Welt!
Brüder, über'm Sternenzelt
Muß ein lieber Vater wohnen.
Ihr stürzt nieder, Millionen?
Ahnest du den Schöpfer, Welt?
Such' ihn über'm Sternenzelt!
Über Sternen muß er wohnen.

Alegria, centelha de imortal chama,
Filha do Eliseu!
Ébrios de fogo, deusa celestial,
Invadimos teu santuário!
Deixa que tua magia reúna
Todos os que as leis da terra dividem;
Todos os homens serão irmãos,
Sob tuas ternas e amplas asas.

Aquele que teve a boa sorte
De ser amigo de um amigo,
Aquele que conquistou uma nobre mulher,
Deixem-no associar-se ao nosso júbilo!
E também aquele que pode chamar sua
Uma outra alma.
Mas deixem também em isolado pranto
Quem jamais conseguiu tanto.

Todo ser vivente extrai
Alegria do amplo seio da natureza;
Todos os bons homens e os maus também
Procuram-na em ansiada busca.
E beijos e vinho ela oferece
Aos que, firmes, ficaram na morte.
O verme recebe a alegria da vida
E os anjos habitam com Deus!

Alegres como sóis incandescentes
Que cruzam, gloriosos, os espaços celestiais,
Correi, irmãos, por vossos caminhos,

Alegres como cavaleiros vitoriosos.

O amor se expande a milhões sem conta,
Lança um beijo ao mundo inteiro!
Por certo, acima das estrelas do céu
Um Pai bondoso tem sua morada!
Prostrai-vos ante Ele, milhões!
Sentes, ó mundo, teu Construtor?
Procura-o acima das estrelas do céu,
Acima delas estão Seus pavilhões.

Finalmente um casal abraçado, envolto numa espécie de redoma dourada, beija-se ternamente: “…um beijo para o mundo inteiro”

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Estudo para os amantes de "Beethoven Frieze

giz preto45 x 30,8 centímetros Albertina Viena

É evidente a semelhança deste par que se beija com o famoso “O Beijo” que Klimt pintará 5 anos mais tarde.

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O Beijo 1907-1908 Óleo e ouro s/ tela 180 x 180 cm. Österreichische GalerieViena.

Mas a posição do par ainda o aproxima mais de um outro Beijo ou Abraço que Klimt irá pintar nos paineis do Palácio Stoclet em Bruxelas de Hoffmann.

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Estudo para o Palácio Stoclet 1905-1909, misto de prata e folha de ouro sobre papel, Österreichisches Museum für Angewandte Kunst, em Viena

O Friso Beethoven marcou assim, a pintura posterior de Gustav Klimt, na utilização do dourado que aparece no Homem forte e armado, nas serpentes das Górgonas, no coro de anjos, no fundo por detrás das artes e a envolver o par que se beija.

A profusão de ornamentos geométricos no vestuário e nos fundos como nas jóias e na saia da Incontinência.

Os corpos sobretudo femininos sinuosos e sensuais, tirando partido dos longos cabelos e finalmente o  recurso aos mitos e figuras da Antiguidade.

Em 1945 o edifício estava completamente arrasado e foi reconstruído tornando-se uma das obras mais significativas da arquitectura austríaca e símbolo da Secessão Vienense.

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Nessa ocasião foi colocada uma placa com o nome do arquitecto Joseph Olbrich.

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