Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















quarta-feira, 14 de julho de 2010

Apontamentos sobre as Armas do Porto

Tendo apenas superficiais conhecimentos de heráldica, estas notas apenas se destinam a recolher e comentar algumas das imagens e a evolução da representação do símbolo da Cidade do porto.

Em 1929, no período de formação do Estado Novo, Armando de Mattos da Associação dos Arqueólogos Portugueses, elabora uma exposição à Secção de Heráldica e Genealogia da Associação dos Arqueólogos Portuenses, no sentido de fundamentar uma possível alteração das Armas da Cidade do Porto.

Perante a resposta da Associação que remete o estudo para a Câmara Municipal, e perante o desinteresse desta, Armando de Mattos publica nas edições dos “Amigos do Museu Municipal do Porto” com o título de As Armas da Cidade do Porto, (notas biblio-iconográficas para a sua história), um opúsculo que servirá de base para este texto. (Mattos, Armando de – As Armas do Porto (notas biblio-iconográficas para a sua história),edições dos “Amigos do Museu” Porto 1929)

O Selo

A concessão de foral a uma determinada povoação, dava o direito a essa povoação de erigir o Pelourinho e de cunhar um Selo com que o Município autenticava os seus documentos.

Segundo Armando de Mattos o primeiro selo de que se conhece uma imagem da cidade do Porto, aparece num documento do século XIV, citado e fotografado por José Gonçalves Coelho no «Tripeiro» de 10 de Dezembro de 1908, na versão portuguesa do artigo publicado em França:

COELHO, José Júlio Gonçalves – Notre-Dame de Vendome et les armoiries de la ville de Porto: mémoire historique et archéologique. in Bulletin de la Socièté Archéologique Scientifique et Littéraire du Vendomois. (Reconnue d'utilité publique par décret du 15 mars IS77) 2e Trimestre 1907 (Avril, Mai, Juin) Vendome: Imprimerie G. Vilette, 1907.

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O selo publicado no Bulletin de La Socièté …du Vendomois

Neste selo a Virgem com o Menino é representada sobre a porta da muralha e entre duas torres com a legenda SIG+CIVITATIS+VIRGINIS+PORTUGLIS

José Gonçalves Coelho referencia um documento de 1354 em que se descreve o referido selo:

«... Em sessão dos procuradores e juizes d'El-rey D. Affonso IV de Portugal, do Bispo do Porto D. Pedro Affonso e vereadores municipaes do Porto, realisada a 8 de maio de 1354 no claustro do Convento de S. Domingos, para se tratar da jurisdição civil e episcopal desta cidade, os procuradores do sennado portuense apresentaram uma procura­ção que tinha pendente de laços ou fios de seda um selo de cera verde de forma oval, com as armas da cidade :

Duas torres : — ao centro em um suporte e por cima de uma porta aberta na muralha, a Virgem de Vandôma com o Menino, adorada por dois anjos que tocavam harpa, de joelhos, à direita e à esquerda da imagem; em torno a legenda Sig-Civitatis-Virginis, em caracteres góticos.”

A que Armando Mattos acrescenta “ A legenda diz mas é SIG+CIVITATIS +VIRGINIS+PORTUGLIS em caracteres unciais.”

Ainda Armando Mattos acrescenta: “Dum outro documento e selo nos dá notícia D. Rodrigo da Cunha (Part. II-cap. XIX) o qual foi transcrito por J. P. Ribeiro na sua Dissertação, intitulada Sufragistica Portugueza ou Tratado do uso dos selos em Portugal.

«... hua procuraçom feyta e assinaada per vicente anes tabelliom geeral na Cidade do porto a qual era seelada do seelo do dito Concelho pendente em cordam uermelho. O qual seelo era grande em cera verde e tynha em ssy figura de duas torres e encima dantreambas hum capitel, e antre hua e outra torre estaua hua ymaiem de santa Maria con seu filho en o colo. E da hua parte e da outra da dita ymaiem estauam figu­ras de senhos clérigos com cipos nas maaos. E de cada hua parte das ditas torres estauam senhos escudetes pequenos com signaaes dei Rey de Portugal, e antre o capitel e as torres senhos angios com senhos tabulos nas maaos. e a fondo das ditas torres antre hua e outra estaua hua figura de porta, e parecia que estaua aberta segundo mays comprida mente parecia e era contheudo em a dita procuraçom e em o dito seelo».

António Cruz num artigo intitulado “Observações sobre o estudo da Paleografia em Portugal” também cita esta descrição do selo como instrumento que habilitava Gonçalo Anes, Afonso Lourenço e Nicolau Esteves como procuradores do concelho do Porto, fazendo-o nestes precisos termos:

«O qual selo eira grande em cera verde e tinha em si figura de duas torres e em cima de antre ambas um capitel e antre uma e a outra torre estava hua imagem de Sancta Maria com seu filho em o colo e da hua parte e da outra da dita imagem estavam figuras de senhos clérigos com cipos nas mãos. E de cada hua parte das ditas torres estavam senhos escudetes pequenos com sinais d’ el Rei de Portugal e antre o capitel e as torres senhos angios com senhos tabules nas mãos e a fondo das ditas torres antre hua e a outra estava hua figura de porta e parecia que estava aberta...» Arquivo Municipal do Porto, Autos e Sentença de duvidas e jurisidicção entre o Bispo e a Cidade. Publicado no Corpus Codicum latinorum et porugalensium, vol. II (Porto 1917)

A Virgem de Vandoma

Quer José Gonçalves Coelho quer Armando Mattos debruçam-se sobre as (possíveis) origens do culto de N.ª S.ª de Vandoma no Porto.

Se a origem, como diz a lenda, foi D. Onego, prelado de Vendome que terá vindo combater os mouros, na sitiada cidade do Porto, e saindo vitorioso terá dedicado a cidade à Virgem e colocado a sua imagem na principal porta da muralha, que por isso se chamou de Porta de Vandoma, ou se a origem deste culto foi qualquer outra, não é importante para este texto. O que é facto, é que uma das portas da muralha românica se chamava de Vandoma e por cima dela esteve colocada uma estátua da Virgem, dando assim origem às armas do Porto.

Em 1855 quando o arco que restava da primitiva muralha e as casas que lhe ficavam contíguas foram demolidos a imagem, que sendo do século XIV não é a original, foi depositada na capela de S. Vicente nos claustros da Sé do Porto.

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A imagem de N.ª S.ª de Vandoma do século XIV.

Esta imagem em 1954 e por determinação de D. António Ferreira Gomes, Bispo do Porto, foi colocada no transepto da Sé nas comemorações do Ano Jubilar de Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora de Vandoma instituída como padroeira da cidade (até então S. Pantaleão).

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Nossa Senhora da Vandoma. A Imagem do século XIV no transepto Sé do Porto

A Porta de Vandoma

A Porta de Vandoma era uma das quatro portas da muralha românica, impropriamente dita sueva, e que estabelecia pela rua Chã-das-Eiras a saída da cidade para nascente.

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A muralha românica e as portas

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Reconstituição da porta de Vandoma por Gouveia Portuense

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Detalhe da planta Redonda de 1813. A porta de Vandoma assinalada junto ao n.º 65

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Detalhe da planta de José Francisco de Paiva (anterior a 1824)

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O Arco de Vandoma (La Porte de Vendôme)

in COELHO, José Júlio Gonçalves – Notre-Dame de Vendome et les armoiries de la ville de Porto: mémoire historique et archéologique

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Joaquim Cardoso Villanova – O Arco de Vandoma 1833

A casa é do deão João Frei Antão.

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Detalhe da planta de J. Costa Lima 1839, a última das plantas do Porto com a porta de Vandoma.

As Armas da Cidade

Século XVI

O Foral de D. Manuel I e as Armas da Cidade

O Foral Manuelino à cidade do Porto data de 20 de Junho de 1517.

Em 1518 reorganiza-se a Casa dos 24.

A reforma dos forais feita por D. Manuel teve uma grande importância social permitindo actualizar os impostos na moeda corrente da época, e impedindo abusos nas cobranças desses impostos, já que os antigos eram em latim, língua apenas entendida pelo Clero e por alguns fidalgos.

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O Foral Manuelino do Porto BMP

Na parte superior desta iluminura estão representadas as armas do rei, ladeadas pela Cruz de Cristo (símbolo da Ordem de Cristo da qual D. Manuel era Grão-Mestre) e pela Esfera Armilar (divisa pessoal de D. Manuel que lhe fora atribuída por D. João II).

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Na parte inferior apresenta, o que é raro, as então conhecidas armas do Porto.

A iluminura das armas da cidade do Porto, da portada do foral de D. Manuel, mostra:

1. A Virgem ao centro, rodeada por uma muralha onde se abre uma porta.

2. A cinta de muralhas completa, envolvendo toda a cidade.

3. A ausência absoluta de qualquer legenda.

4. Dentro do recinto amuralhado, há um edifício com cúpula, que liga com as torres.

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Século XVII

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Portada de Os Privilégios dos Cidadãos da cidade do Porto, editados pela Câmara em 1611

O selo da Câmara aparece numa xilogravura, com a Virgem ladeada por duas torres quadrangulares e a legenda SIG:CIVITATIS:VIRGINIS:PORTUGLIS

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Manuscrito n.º 432 da Biblioteca Municipal do Porto e copiado do livro de brasões de D. Duarte 1612 – in Mattos, Armando de – As Armas do Porto Porto 1929

A Virgem está representada dentro de uma moldura ladeada por duas torres quadradas que assentam na muralha.

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Desenho à pena da “Arte de Armaria, e Brazões de Cidades e Vilas de Portugal” atribuída ao século XVII – BMP - in Mattos, Armando de – As Armas do Porto Porto 1929

Do mesmo modo a Virgem está representada dentro de uma moldura ladeada por duas torres quadradas que assentam na muralha.

Na Fonte das Virtudes, que se supõe ser do século XVII, estão esculpidas as Armas da cidade faltando contudo a imagem da Virgem.

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Arquivo Fotográfico dos SMAS in Amorim, Alexandra Agra e Pinto, José Neves - Porto D’Água - - SMAS 2001

Século XVIII

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Capa da Relaçaõ dos Festivo Applausos…1728

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Gravura do século XVIII em cobre do Corpo Municipal de Bombeiros - in Mattos, Armando de – As Armas do Porto Porto 1929

A Virgem que está ladeada por duas torres com cobertura cónica e pelos instrumentos de combate a incêndios da época.

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Gravura em cobre com as armas da cidade que encima a portada de um sermonário de 1735, impresso no Porto

in Mattos, Armando de – As Armas do Porto Porto 1929

A Virgem coroada está ladeada por duas torres hexagonais encimadas pelas armas reais e pela esfera armilar.

Na parte superior um fita onde está inscrita CIVITAS.VIRGINIS

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Desenho do arquitecto Teodoro de Sousa Maldonado, aberto a buril por Manuel da Silva Godinho para ilustrar a edição da Descripção topographica, e historica da Cidade do Porto, do P. Agostinho Rebelo da Costa (Porto, 1789).

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A Virgem está num primeiro plano assente no solo ladeada por duas torres de dois pisos e encimadas por cúpulas. Na bordadura Civitas Virginis

Século XIX

As Invasões Francesas

As gravuras relativas aos acontecimentos de 29 de Março e 12 de Maio de 1809, de José Teixeira Barreto gravada por Raimundo Joaquim da Costa.

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Dedicado ao Ilmo. e Exmo. Senhor NICOLAO TRANT Governador da Cidade do Porto e Commandante da guarnição da mesma.
A Cidade do Porto, pobremente vestida e consternada entre cadêas, recusa aceitar a mortifera bandeira que a França lhe intenta fazer tomar, privando-a cruelmente das suas antigas Armas, e das do seu Reino.
O Douro esconde a face, horrorizado ao ver as suas margens juncadas de cadáveres.
Em distancia se vê parte da ponte coberta de povo que fugindo a tantos males vem a ser victima dos bárbaros Francezes.
O Signo que no Ceo apparece denota a época desta catástrofe (29 de Março 1809)

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Dedicada ao Ilmo. e Exmo. Senhor NICOLAO TRANT Governador da Cidade do Porto e Commandante da guarnição da mesma.
A Cidade do Porto, d'entre as suas ruínas, he levantada pela Inglaterra e Lusitânia, dando-lhe aquella as suas antigas Armas, e mostrando-lhe esta o victorioso Exercito Britânico que, acompanhado da Victoria vem a resgatá-la.
O Douro, mudando o pranto em gosto, se admira e pasma.
Ao longe se vê o fogo com que os inglezes, batendo os Francezes rapidam.te passão o rio; ao mesmo tempo que os habitantes exultando sahem a recebe-los.
O signo celeste mostra a época deste feliz sucesso.(12 de Maio 1809)

As Armas do Porto no estandarte estão simplificadas representando a Virgem ao centro rodeada por duas torres.

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Armas do Porto na Planta Redonda 1813

Consequência da vitória sobre os Franceses e do papel desempenhado pela cidade do Porto quando da pri­meira invasão francesa em 1807 e erguendo o «grito da independência» em 1808, por uma carta régia do príncipe D. João (futuro D. João VI) de 13 de Maio de 1813, foram acrescentados às suas armas dois braços armados em cima das torres, um erguendo uma espada «enramada de louro», outro um estandarte com as «armas reaes».

Esta simbologia é concretizada um século mais tarde por Alves de Sousa para a figura do pedestal do Monumento à Guerra Peninsular na rotunda da Boavista.freedom

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Pedra de Armas da Cidade do Porto (proveniente da demolida Fonte da Batalha)

166 x 135,5 x 46 cm MNSR

A Virgem assenta em nuvens (ou no rio?). Das torres saem os braços armados da espada e da bandeira.

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Xilogravura da “Oração Gratulatória, Recitada na Santa Sé Cathedral do Porto, em 27 de novembro de 1825, no solemne Te-Deum, que fez celebrar o Ill.mo Senado da Camara da mesma cidade, em Acção de Graças por ocasião da carta de lei, em que S.M.F. se dignou assumir o título de Imperador, por Inácio José de Macedo, etc. – Porto 1825 - in Mattos, Armando de – As Armas do Porto Porto 1929

A Virgem assenta na muralha por sobre a porta que dá para o rio. Os braços da bandeira e da espada aparecem numa posição invertida.

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Cunho de ferro representando as armas da cidade de harmonia com a carta régia de 1813.- in Mattos, Armando de – As Armas do Porto Porto 1929

As torres de planta circular e com cúpulas são rematadas pelas armas reais e esfera armilar donde saem os braços armados.

A Virgem a sobre nuvens encima a porta da muralha. A legenda CIVITAS VIRGINIS e na orla CAMARA CONSTITUCIONAL

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Gravura .- in Mattos, Armando de – As Armas do Porto Porto 1929

Gravura com a Virgem irradiante assente entre nuvens entre as duas portas. A legenda Civitas Virginis aparece na parte superior.

Os Paços do Concelho na Praça Nova

Quando em 1818 a Câmara se instalou neste edifício modificou a fachada encimando a fachada de um frontão onde foi colocada uma pedra de Armas e Brasão da cidade e uma estátua do Porto.

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Joaquim Cardoso Villanova – Casa da Câmara 1833

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Pedra de armas do antigo edifício da Câmara na Praça Nova. Na legenda apenas CIVITAS.

O edifício foi coroado por uma estátua de um guerreiro representando o Porto,

A estátua é de João Silva como o atesta o documento referido por Magalhães Basto:
"... e por ele, João da Silva Mestre Pedreiro, morador na freguesia de Pedrozo, foi dito se obrigava a fazer hua figura de pedra, representado o Porto, para ser prostada (sic) no cume da caza do Passo do Concelho, sito na Praça Nova, pela quantia de tresentos quarenta e três mil e duzentos reis, em metal, pagos em três pagamentos iguais sendo o primeiro adiantado e os demais consecutivos no principio de cada um dos três meses da data em que se obriga a dar a dita figura pronta e posta no dito logar, mandando esta ilustríssima Câmara dar-lhe madeira para as pranchas e xaciamento para xaciar a figura quando houver de s guindar e para maior sigurança desta sua obrigação apresentoi como fiador e principal pagador a Francisco José de Moura Almeida Coutinho, morador aos Lavadouros..."

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No escudo um brasão possivelmente dos inícios do século XIX, com uma cidade rodeada de muralhas que encosta ao rio.

Ao contrário do que afirma Armando de Mattos a estátua já se encontrava colocada em 1833, como o atesta a gravura de Villanova.

O Cerco do Porto e as novas Armas do Porto

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Após o Cerco do Porto e a morte de D. Pedro IV por um decreto redigido por Almeida Garrett e promulgado por Passos Manuel e D. Maria II de 14 de Janeiro de 1837, são alteradas as Armas do Porto:

“Presidente e vereadores da camara municipal da antiga, muito nobre, sempre leal e invicta cidade do Porto: Eu a rainha vos envio muito saudar, e por vós a todos os cidadãos da vossa heroica cidade, como aquelles que sobre todos muito amo.

Amigos: porquanto meu augusto pae, de saudosa memoria, com o precioso legado do seu coração deixou satisfeita a divida em que ambos estavamos a uma cidade que é o generoso berço d'esta monarchia, e que havendo dado o nome a Portugal, tantas vezes o tem rehabilitado à face do mundo, e restituido á primitiva gloria e explendor da sua origem; e não me sendo possível juntar nada áquelle grande testimunho com o que o libertador de Portugal, assim firmou a memoria do seu agradecimento, como a dos serviços da mais illustre das cidades portuguezas, a qual já pela admiração das gentes é justamente appellidada eterna; quis eu, todavia, como rainha de Portugal e como filha do Sr. D. Pedro IV, consignar pelo modo mais authentico e solemne, e dar toda a perpectuidade que em coisas humanas cabe, áquelle inapreciavel documento da gratidão real; e para este fim, houve por bem, em decreto d'esta data, determinar o seguinte:

1º - Para memoria de que a cidade do Porto bem mereceu da patria e do principe, serão as suas armas um escudo aquartellado, tendo no primeiro quartel as armas reaes de Portugal; no segundo as antigas armas da mesma cidade, e assim os contrarios; e sobretudo, por honra, e em recordação do legado precioso que de meu augusto pae recebeu, um escudete vermelho com um coração de oiro: coroa ducal; e por timbre um dragão negro das antigas armas dos senhores reis d'estes reinos; com a tenção em letras de oiro sobre fita azul - Invicta: - e em roda do escudo a insignia e collar da gran-cruz da antiga e muito nobre ordem da Torre e Espada, do valor, lealdade e merito.

2º - Aos títulos de antiga, muito nobre e leal se acrescentará o de Invicta: - e assim será designada: - A antiga, muito nobre, sempre leal e invicta cidade do Porto.

3º - O segundo filho ou filha dos senhores d'estes reinos tomará sempre o título de duque ou duqueza do Porto.

4º - Fica por este modo ampliado o disposto no decreto de 4 de Abril de 1833 e carta regia de 13 de Maio de 1813.

O que me pareceu participar-vos para vossa intelligencia e satisfação.

Escrito no Palácio das Necessidades, assinavam-no a Rainha e o 1º Ministro, Passos Manuel.

(…)”um escudo aquartellado, tendo no primeiro quartel as armas reaes de Portugal; as armas reais são compostas por sete castelos e cinco quinas, tendo cada uma cinco besantes no interior ;

(…) “no segundo as antigas armas da mesma cidade, e assim os contrarios…” As do Porto são a Virgem segurando o Menino, ladeados por duas torres.

No centro sobre o ponto onde se unem os quatro quartéis,(…) “e sobretudo, por honra, e em recordação do legado precioso que de meu augusto pae recebeu, um escudete vermelho com um coração de oiro…” um coração, que representa o precioso legado que D. Pedro IV (pai de D. Maria II) deixou à cidade como forma de reconhecimento pela coragem e lealdade dos seus habitantes - segundo a sua vontade, o seu coração encontra-se guardado numa urna de prata na Igreja da Lapa.

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(…)”e em roda do escudo a insignia e collar da gran-cruz da antiga e muito nobre ordem da Torre e Espada, do valor, lealdade e merito.”

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Sobre o escudo está a …”coroa ducal;”

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(…)e por timbre um dragão negro das antigas armas dos senhores reis d'estes reinos; com a tenção em letras de oiro sobre fita azul - Invicta:”

o Dragão negro do poder, (está de facto representado a verde), em cujo pescoço está uma fita com a palavra Invicta, título que D. Maria II atribuiu ao Porto,

“2º - Aos títulos de antiga, muito nobre e leal se acrescentará o de Invicta: - e assim será designada: - A antiga, muito nobre, sempre leal e invicta cidade do Porto.

O Dragão

O dragão não é tradicionalmente utilizado nas armas reais portuguesas. O culto deste santo parece ter sido introduzido em Portugal pelos cruzados ingleses que auxiliaram D. Afonso Henriques na conquista de Lisboa, em 1147. Mas só mais tarde, segundo se crê no reinado de Afonso IV, se passou a usar a invocação de S. Jorge como grito de guerra contra os inimigos, em substituição do grito de "Santiago" utilizado pelos castelhanos. D. João I tinha especial devoção por S. Jorge tido como factor religioso da vitória em Aljubarrota onde também participaram ingleses. D. Nuno Álvares Pereira era um devoto deste mártir, tendo na sua bandeira a figura do santo. São Jorge é o padroeiro de Inglaterra.

Também o episódio dos “Doze de Inglaterra” referido por Camões nos Lusíadas, relata os cavaleiros portugueses que no tempo de D. João I partem do Porto para Inglaterra a pedido do Duque de Lancaster defender a honra de donzelas:

"Lá na leal Cidade, donde teve

Origem (como é fama) o nome eterno

De Portugal, armar madeiro leve

Manda o que tem o leme do governo.

Apercebem-se os doze, em tempo breve,

De armas, e roupas de uso mais moderno,

De elmos, cimeiras, letras, e primores,

Cavalos, e concertos de mil cores.”

"Advance our standards, set upon our foes,
Our ancient word of courage fair Saint George
Inspire us with the spleen of fiery dragons
."

“Avançai estandartes nossos, lançai-vos sobre o inimigo /Que o nosso velho brado de coragem “Por S. Jorge” / Nos inspire com o alento dos dragões de fogo.”

William Shakespeare (1564 – 1616)- Richard III.," Act v. sc. 3.

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Armas de D. João I.

O escudo apresenta, cosidas na bordadura, as pontas florenciadas da Cruz de Aviz, de uso pessoal de D. João I, por ser Mestre da Ordem de Aviz. O Elmo é encimado por um dragão alado. ANTT

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O rei de Portugal em 1433 no Grande Armorial Equestre da Ordem do Tosão de Ouro BNP

“3º - O segundo filho ou filha dos senhores d'estes reinos tomará sempre o título de duque ou duqueza do Porto.” Como já havia decretado D. Pedro IV.

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O dragão mantém-se na heráldica monárquica no Brasão dos Duques do Porto (e no dos Duques de Coimbra).

«Havendo-se, em todos os tempos, distinguido a Mui Nobre e Leal Cidade do Porto, pelo seu patriotismo e pela fidelidade e amor aos seus legitimos Soberanos; e havendo em muitas occasiões a mesma cidade sacrificado a tão generosos sentimentos grandes despezas, e corrido os seus habitantes, por causa d'elles corajosamente os maiores riscos; o que a tem feito creadora de muitas honras e distincções, que os Senhores Reis d'estes Reinos, em differentes épocas, lhe tem concedido; - na época presente, excedendo a si mesma, tem dado, por espaço de muitos mezes, á Nação Portugueza e ao Mundo os mais heroicos exemplos de todas as virtudes civicas, do mais vehemente amor pela liberdade e regeneração da Patria, e da mais cordeal adhesão á Causa sagrada dos Direitos de Minha Augusta Filha e Senhora D. Maria II : fazendo como tem feito, em serviço de tão justa Causa, um completo abandono de sua tranquilidade, de suas vidas e de sua fazenda, este Povo de heroes tem adquirido para si um dos logares mais distinctos na historia Portugueza, e conquistado invencivelmente a admiração de todos os povos civilisados, para quem o amor da Patria, a fidelidade e a honra são o primeiro dever.

Tomando, pois, em consideração tantos e tão justos motivos, e querendo dar por elles á Mui Nobre e Leal Cidade do Porto uma demonstração publica, que perpetue a lembrança de tão generosos e leaes sacrificios, e que, ao mesmo tempo, sirva de testemunho de reconhecimento pelo amor e adhesão, que tem mostrado á Pessoa de Minha Augusta Filha, e á Minha:

Hei por bem, em Nome da mesma Augusta Senhora, Decretar que, de ora em diante, o Segundo Filho ou Filha dos Senhores Reis d'estes Reinos, tome o Titulo de Duque, ou Duqueza do Porto; Titulo que Eu para fazer honra aos nobres Portuenses, já quando Minha Augusta Filha sahiu da Côrte do Rio de Janeiro, para vir pela primeira vez á Europa, Mandei que Ella tomasse ; em consequencia de tão honrosa mercê, concedida a esta illustre Cidade, o Escudo de Armas da Camara Municipal d'ella será ornado com uma Corôa Ducal ; e em honra da coragem e devoção civica dos seus habitantes, será o mesmo Escudo accrescentado com a Insignia da Gran Cruz da Antiga e Muito Nobre Ordem da Torre e Espada do Valor Lealdade e Merito, servindo o Colar de orla ao mesmo Escudo, e tendo pendente a Medalha ; tudo na fórma do desenho, que baixa com o presente Decreto.

O Ministro e Secretario de Estado dos Negocios do Reino o tenha assim entendido, e expessa os despachos necessarios. Paço no Porto, em 4 de Abril de 1833 = D. Pedro, Duque de Bragança = Cândido José Xavier. »

S. Jorge e o Dragão

A lenda de S. Jorge vencendo o dragão é uma alegoria da vitória da Fé e do Bem sobre o Mal, sobre o Demónio, o dragão do Apocalipse.

A lenda medieval refere que em Silene, um terrível dragão, exigia sacrifício para o apaziguar. Um dia foi escolhida à sorte para oferecer em sacrifício a filha do Rei. S. Jorge chegando à cidade no momento em que a princesa iria ser oferecida ao dragão libertou a cidade do monstro montado a cavalo e investindo com a lança feriu o dragão. De seguida mandou a princesa por o seu cinto no pescoço do monstro conduzindo-o à cidade.

São Jorge é tradicionalmente representado a cavalo (muitas vezes branco), de armadura e matando um dragão alado com uma lança. Trás uma opa branca com uma cruz vermelha, usada pelos cruzados e que se tornou a bandeira de Inglaterra.

Uma das representações mais conhecidas é a de Paolo Ucello em que acrescenta os outros elementos da lenda como a Dama (princesa) e a caverna.

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Paolo Uccello (1397-1475) – São Jorge e o dragão 1458-60
Óleo s/ tela 52 x 90 cm Musée André Jacquemart – Paris

Na representação de Rafael, mantém-se os mesmos elementos mas na capa desaparece a referência ao símbolo das Cruzadas e às cores da Inglaterra.

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Raffaello Sanzio (1483 — 1520) - São Jorge e o Dragão, c. 1504/1505
Óleo sobre Painel, 28,5 x 21,5 cm National Gallery of Art, Washington DC

Há outros dois santos associados e representados juntos ou separados, com um dragão. Trata-se de S. João Evangelista de Santo André

Referem-se à alegoria do cálice envenenado oferecido ao Evangelista. Uma áspide ou um dragão representam o veneno, o símbolo do Mal. São João ao benzer o cálice fez desaparecer, milagrosamente o veneno. e reportando-se à Bíblia:

“20 Então se aproximou dele a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, adorando-o, e fazendo-lhe um pedido.
21 E ele diz-lhe: Que queres? Ela respondeu: Diz que estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita e outro à tua esquerda, no teu reino.
22 Jesus, porém, respondendo, disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu hei de beber, e ser baptizados com o baptismo com que eu sou baptizado? Dizem-lhe eles: Podemos.
23 E diz-lhes ele: Na verdade bebereis o meu cálice e sereis baptizados com o baptismo com que eu sou baptizado, mas o assentar-se à minha direita ou à minha esquerda não me pertence dá-lo, mas é para aqueles para quem meu Pai o tem preparado.
24 E, quando os dez ouviram isto, indignaram-se contra os dois irmãos. "(Mateus 23).

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Vasco Fernandes (act. 1501-1542), colaboração de Gaspar Vaz (act. 1514-1569)

S. João Evangelista e S. André - [Predela do São Pedro], e pormenor do cálice com o dragão 1530

Óleo s/ madeira de castanho 213x231,3 cm Museu de Grão Vasco

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Domenikos Theotokopoulos el Greco 1541-1614 San Juan Evangelista 1594-1604.

Óleo sobre tela 90 x 77 cm. Museu do Prado. Madrid

El Greco representa S. João na sua juventude tendo na sua mão direita o cálice com o dragão que representa o veneno que desapareceu quando benzido e que S. João bebeu para mostrar a sua Fé.

Outras representações do Dragão em imagens portuguesas

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Coche da embaixada ao Papa Clemente XI - da Coroação de Lisboa - alçado traseiro, Dragão Coche da embaixada ao Papa Clemente XI - da Coroação de Lisboa - alçado traseiro, Dragão 1716 trabalho italiano 728 x 246 x 325 cm Museu Nacional dos Coches

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Ceptro (pormenor) século XIX ouro Grã-Bretanha, Londres Palácio Nacional da Ajuda

O Palacete dos Viscondes de Balsemão edificado no Largo dos Ferradores, pelo fidalgo José Alvo Brandão, torna-se propriedade da família Balsemão pelo casamento de D. Maria Rosa Alvo com seu primo Luís Máximo Alfredo Pinto de Sousa Coutinho 2.º Visconde de Balsemão.

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Joaquim Villanova – O palacete Balsemão em 1833, ainda sem a pedra de armas.

António Bernardino Peixe proprietário da conhecida Hospedaria Peixe na rua do Bonjardim aluga o palacete para aí transferir a sua hospedaria. Esta torna-se célebre porque aí se hospedou Carlos Alberto rei da Sardenha, dando posteriormente nome à praça, transferindo-se posteriormente para a Quinta da Macieirinha onde veio a falecer.

Em 1854 o palacete foi adquirido por José António de Sousa Basto, 1.º Visconde da Trindade, que introduzi profundas alterações no edifício, criando uma pedra de armas onde um dragão alado e um unicórnio suportam o escudo.

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O palacete Balsemão no Archivo Pittoresco

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A pedra de Armas no palacete Balsemão

foto de daniel ferreira in http://olhares.aeiou.pt/

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Balaústre com dragão do Palacete Balsemão - imagem do excelente livro PAULA, Mário – Porto Gráfico Gradiva Lisboa 2004

As Armas do Porto 1837-1940

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Estas armas do Porto desenhadas por Almeida Garrett, reflectem o contacto com o Romantismo inglês, onde Garrett se exila, e daí a procura de alguns elementos medievais. E apesar das críticas de Armando Mattos, de pormenores que considera errados do ponto de vista da heráldica, e daí a sua pretensão de criar um novo brasão para o Porto, vão durar mais de cem anos e identificar-se com o espírito liberal da cidade.

Na estátua de D. Pedro IV na Praça da Liberdade.

“…Levanta-se em pedestal ornado de dois baixos re­levos, e das armas da casa de Bragança e da cidade do Porto, a estatua equestre do imperador…”

Vilhena Barbosa Archivo Pittoresco

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Imagem Manuel Paula Porto Gráfico Gradiva Lisboa 2004

Armas da fonte do convento de S. Domingos e actualmente nos SMAS rua Barão de Nova Sintra

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As armas do Porto no Salão Árabe do Palácio da Bolsa

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Na fachada de um edifício oitocentista na Rua Visconde de Bobeda

Portal no Porto

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foto Graça Morais, http://portoantigo.blogspot.com/

Nas publicações da CMP

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Capa do Código de Posturas Municipaes do Porto, Imprensa Portugueza Porto 1869

Num arco na rua de S. João quando da visita do Imperador do Brasil

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foto de O Porto e os seus Fotógrafos coord. Teresa Siza Porto 2001

No emblema e no Hino do Futebol Clube do Porto

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Terá sido Augusto Baptista Ferreira, jogador do FC Porto, em 1922 que resolveu sobrepor as armas da cidade ao símbolo do F.C. Porto, então uma bola de futebol azul.

Também o hino do F.C. Porto refere as armas da cidade:

“Oh, meu Porto, onde a eterna mocidade
Diz à gente o que é ser nobre e leal.
Teu pendão leva o escudo da cidade
Que na história deu o nome a Portugal.

Numa caixa de fósforos da Companhia Lusitana

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Na Companhia Invicta Fim, L.da

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Em 1918, Alfredo Nunes de Mattos e Henrique Alegria, fundam no Porto a Invicta Film. Ao cineasta francês Georges Pallu,deve-se a maoir parte da produção da Invicta Film. Inicia-se em 1918 com Frei Bonifácio, a partir de um conto de Júlio Dantas. Depois realiza A Rosa do Adro (1919), Os Fidalgos da Casa Mourista (1920), Amor de Perdição (1921), A Frecha de Misarela de Abel Botelho, Mulheres da Beira (1921). Em 1924, a Invicta Film encerra as portas, por dificuldades económicas A Tormenta, de Pallu.

As Actuais Armas da Cidade do Porto

Em 1940, ano de “glorificação” do regime (com a Concordata, a Exposição do Mundo Português) Salazar manda redesenhar as armas e brasões de todos os concelhos e freguesias do País. Em 25 de Abril de 1940, é publicada a Portaria 9513, assinada pelo Ministro do Interior, Mário Pais de Sousa, determinava : …atendendo ao que foi solicitado pela Câmara Municipal do Porto, e tendo em consideração o parecer da comissão de heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses: manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Interior, aprovar, nos termos do § único do artigo 13º do Código Administrativo, a constituição heráldica das armas, selo e bandeira daquele Município que é a seguinte:

Brasão: de azul com um castelo de ouro, constituído por um muro ameado e flanqueado por duas torres ameadas, aberto e iluminado de vermelho, assente num mar de cinco faixas ondeadas, sendo três de prata e duas de verde. Sobre a porta, e assente numa mísula de ouro, a imagem da Virgem com diadema na cabeça segurando o manto, tendo o Menino Jesus ao colo, vestidos de vermelho com manto azul, acompanhados lateral e superiormente por um resplendor que se apoia nas ameias do muro. Em chefe, dois escudos de Portugal antigo. Coroa mural de prata de cinco torres e colar da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito. Listel branco com os dizeres "Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto" a negro.

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Bandeira: quarteada de oito peças, quatro brancas e quatro verdes. Cordões e borlas de prata e de verde. Haste e lança douradas.

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Selo: circular, tendo no centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres "Câmara Municipal da Cidade do Porto"

Em 1940, com a conivência da CMP, presidida então pelo professor Mendes Correa, e da Associação dos Arqueólogos Portugueses, consegue com argumentos de heráldica, realizar aquilo que nem a própria República havia ousado: apagar das Armas do Porto todas as referência liberais e monárquicas, com um manifesto desrespeito por Almeida Garrett e sobretudo pelos portuenses que se tinham afeiçoado durante um século a essas armas. Ironia do destino, o edifício mais “nazi” do Estado Novo, projectado durante os anos 40 mas apenas inaugurado em 1961, o Palácio da Justiça do arquitecto Rodrigues Lima, está decorado nos seus vidros com as Armas do Porto de 1837!

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Interior e porta da Câmara Municipal do Porto

5 comentários:

  1. muito bom, parabéns.

    só um acrescento de pormenor:
    na estátua do soldado que representa o Pôrto (estátua que esteve na cimo da CMP entre 1818 e 1916)este também tinha um dragão por cima do capacete, como se pode comprovar nesta imagem na sua actual localização (de castigo virado para uma parede....)

    http://bp0.blogger.com/_-g_dfqtv6Kw/R917QOzxWoI/AAAAAAAADAo/w7eq7tahH1w/s1600-h/IMG_0120.JPG

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  2. Espectacular! Parabéns pelo cuidadoso trabalho, pesquisa diversificada e por partilhar. Obrigado!

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  3. Parabéns, este artigo está excelente, muito completo e rigoroso! Aproveito para pedir as fontes de uma parte que afeta um trabalho que estou a desenvolver. "Em 1940, ano de “glorificação” do regime (com a Concordata, a Exposição do Mundo Português) Salazar manda redesenhar as armas e brasões de todos os concelhos e freguesias do País." Onde posso confirmar? Obrigado e parabéns!

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  4. No Diário do Governo, que pode encontrar a referência em alguns sites das câmaras municipais!Agradeço o comentário, saudações RF

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