Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















quinta-feira, 1 de julho de 2010

os transportes na transição do século 19 para o século 20

A bicicleta

As origens da bicicleta são bastante longínquas sendo de referir os desenhos de 1490 de Leonardo da Vinci.

No século XVIII aparecem alguns modelos veículos de duas rodas sem direcção e sem pedais, que constituem os antepassados da bicicleta.

Na primeira metade do século XIX o barão alemão Karl Friederich Von Drais e o escocês Kikpatrick McMillan (1810-1878) desenvolvem veículos já com direcção e pedais, e Ernest Michaux e o seu filho Pierre Michaux , no início da segunda metade do século iniciam o fabrico industrial de bicicletas e triciclos.

É no entanto no último quartel do século XIX, com a invenção dos pneus (Dunlop e Michelin) que a bicicleta vai evoluir no seu desenho e se vai tornar um veículo com difusão inicialmente na classe média e depois com larga difusão em todas as camadas sociais.

A Grand Bi 1870

A Grande Bicicleta, inventada em Inglaterra em 1875, chamada de Grand Bi ou Aranha desenvolveu-se rapidamente já que uma pedalada na roda dianteira, que tinha um diâmetro de 1,40 m fazia percorrer 4,40 metros. O ciclista colocava-se numa altura de aproximadamente 2,50 metros

Espectacular, rápida, elegante, estava contudo sujeita a fáceis quedas sendo necessária muita perícia para nela circular.

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Bicycle ou grand Bi, Clément et Cie Constructeur

Musée de la Voiture Compiègne

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Concurso de habilidade em bicicleta gravura século XIX

Este concurso de beneficência foi organizado em 1875 no Jardim das Tulherias em Paris

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Francesco Rocchini (1820-1893) - Grupo de ciclistas ant.1895 Negativo de gelatina e prata em vidro 24x30cm AFML

O triciclo

1880,os triciclos e os quadriciclos para uma ou mais pessoas procuravam conciliar a velocidade e a estabilidade. Integravam numerosas novidades a correia, a roda livre e os rolamentos de esferas.

Permitia o uso por aqueles que não sabiam equilibrar-se na bicicleta, e particularmente permitia às mulheres utilizarem o seu vestuário da época.

Os primeiros automóveis serão triciclos ou quadriciclos com um motor.

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triciclo com as rodas maiores à frente e atrás

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triciclo para três e duas pessoas

revista Nature n.º 437 Outubro 1881

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Course de jeunes Femmes sur Tricycle par A. Morlon 19e siècle

lithographie coloriée Musée de la voiture Compiègne

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Um quadriciclo

O Monociclo

Várias experiências foram feitas com monociclos que, logicamente não tiveram consequências práticas.

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revista Nature n.º 437 Outubro 1881

A bicicleta

A bicicleta vai-se aperfeiçoando e vulgarizando mais como divertimento do que como meio de transporte e assumindo a forma que hoje conhecemos.

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Alfred Darjou (1832-1874) La vélocipédomanie.

lithographie coloriée Musée de la voiture Compiègne

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Charles Maurand (1860-1880)- Le Prince impérial Eugène Louis Napoléon Bonaparte(1856-1879) se promenant en vélocipède dans le jardin des Tuileries

second Empire (1852-1870)

estampe 18,0 x 25,5 cm Chateau de Compiègne

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Na década de 1880, o inventor inglês John Kemp Starley (1854 – 1901) projectou uma bicicleta semelhante às actuais. Possuía guiador, rodas de borracha, quadro, pedais e correntes.

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bicicleta de John Startley de 1885

A sua industrialização torna-a suficientemente barata para poder ser adquirida por largas camadas da população. A bicicleta tem uma manutenção simples, não necessita de combustíveis, tornando-o um veículo independente e que torna independente o seu utilizador (independente de horários, condutores, etc.).

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Les ateliers Cléments et Compagnie. Manufacture française de vélocipèdes. 1890

Musée de la voiture Compiègne

« Dans l'hygiénique évolution sportive à laquelle nous assistons en France depuis quelques années, le vélocipède tient une place de plus en plus importante que ses détracteurs eux-mêmes sont obligés de lui reconnaître, (…). Le vélocipède est un merveilleux instrument, un courrier fidèle et rapide et presque aérien dans sa gracieuse majesté, (…) c'est bien le seul explorateur de nos routes de France si délaissées aujourd'hui (…). La France est un pays où l'on commence à comprendre le mieux la valeur pratique du vélocipède et où il est le plus employé, surtout dans les campagnes, par les médecins, ecclésiastiques, notaires, huissiers, percepteurs, voyageurs de commerce, etc. (…). Aucun autre sport ne saurait mieux réaliser que lui la fameuse formule de l'agréable dans l'utile. Course, tourisme, hygiène et patriotisme, tel est son vaste domaine, L'avenir est au vélocipède. » L' Illustration 1891

Manuais e aprendizagem

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A bicicleta de veículo de lazer…

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Béraud Jean (1849-1936)- Le Chalet du cycle au bois de Boulogne

óleo sobre tela 53.5 x65 cm - Musée de l'Ile-de-France de Sceaux

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Repare-se na evolução da moda feminina “bolero curto, calções bufantes” adaptando-se ao uso da bicicleta.

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Passeio no Hyde Park 1896

…torna-se veículo de uso quotidiano nas grandes cidades.

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Edmond GeorgesGrandjean (1844-1908) La place Clichy en 1896

huile sur toile 85,0 x 130,0 cm. Paris, musée Carnavalet

Em primeiro plano, entre um fiacre e um omnibus, uma figura feminina circulando de bicicleta.

“Um rijíssimo aperto de mão - e S. Alteza subiu pesadamente para a vitória, ainda com um aceno amável, que me penhorou... Excelente homem, este Grão-Duque! Mais reconciliado com Paris, atravessei para os Campos Elísios. Em toda a sua nobre e formosa largueza, toda verde, com os castanheiros em flor, corriam, subindo, descendo, velocípedes. Parei a contemplar aquela fealdade nova, estes inumeráveis espinhaços arqueados, e gâmbias magras, agitando-se desesperadamente sobre duas rodas. Velhos gordos, de cachaço escarlate, pedalavam, gordamente. Galfarros, esguios, de tíbias descarnadas, fugiam numa linha esfuziada. E as mulheres, muito pintadas, de bolero curto, calções bufantes, giravam, mais rapidamente ainda, no prazer equívoco da carreira, escarranchadas em hastes de ferro. E a cada instante outras medonhas máquinas passavam, vitórias e faetontes a vapor, com uma complicação de tubos e caldeiras, torneiras e chaminés, rolando numa trepidação estridente e pesada, espalhando um grosso fedor de petróleo. Segui para o 202, pensando no que diria um grego do tempo de Fídias, se visse esta nova beleza e graça do caminhar humano!... Eça de Queiroz – A Cidade e as Serras.

Ou ainda desfilando na cidade.

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Cruz, Chaves, 1870- ? Comemorações do VII Centenário do Nascimento de Santo António Lisboa 1895

Negativo de gelatina e prata em vidro9x12 cm AFML

A bicicleta e o cavalo

“Peut-être la bicyclette, dans ce monde de machines, était-elle à nos yeux une héritière du cheval ?”
Jean d'Ormesson (1925) Au plaisir de Dieu

Cedo a bicicleta foi pensada como um substituto do cavalo, e daí as suas aplicações nos correios (os carteiros ) e no Exército.

A comparação da velocidade, mesmo com uma bicicleta primitiva sem pedais.

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Match against Time, or Wood beats Blood and Bone

Musée de la voiture Compiègne

Uma paródia co um estábulo com bicicletas em vez de cavalos.

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Triomphe de la vélocipédie, l'écurie du marquis de Lagrange en 1870

Extrait de la publication "Actualités" lithographie coloriée 21,4 x 18,5 cm.

Musée de la voiture Compiègne

A bicicleta e as forças de segurança

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Ernest Vulliemin (1862-1902) - Cycles Peugeot c.1890

Litografia a cores 42 x 57.5 cm.

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Louis-Charles Bombled (1862-1927) - Affiche publicitaire pour les cycles et automobiles Clément1902

Imprimerie artistique de J. Minot, Paris lithographie, 0.406 m.

Paris, musée de l'Armée

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Foto Paul CASTELNAU (1880-1944) Déjeuner de poilu, Reims, 1er avril 1917.
Médiathèque de l'architecture et du patrimoine (Paris)

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Paulo Guedes (1886-1947) Secção de ciclistas em descanso 13x18cm Negativo de gelatina e prata em vidro AFML

A bicicleta e a mulher

Desde o início a bicicleta irá dar um enorme contributo para a emancipação da mulher, apesar de muitos considerarem de início a bicicleta imoral.

A mulher a cavalo montava à amazona e trajando indumentárias não adequadas à prática da equitação.

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Bicycle with three wheels, the Ladies' hobby, 1819.

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Godefroy Durand (1832-1920)- Original Costumes for the Velocipede Race in Bordeaux, 1868

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Maurice Betinet - Blanche d’Antigny (1840-1874) e sua bicicleta 1869
Óleo sobre tela Château de Sceaux/Musée de l’Ile-de-France/França

Marie-Ernestine Blanche d’Antigny (1842-1874) tornou-se conhecida por nela se inspirar Emile Zola (1840-1902) para o seu romance NANA (1880).

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Bruno Paul, (1874-1968) - Woman after falling from bicycle 1896

29 x 21 cm. From Jugend. Münich : G. Hirth, 1896

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La belle cycliste et le mauvais chemin, 1896
Gravure couleurs de Albert Robida (1848–1926)

Albert Robida foi um ilustrador e escritor conhecido sobretudo pelas suas imagens e textos antecipando o futuro no seu livro Le Vingtième Siècle. La vie électrique (1890)

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Poster advertising Duerkopp bicycles, 1905

A bicicleta e o desporto: o ciclismo

Em 1868 realizam-se as primeiras corridas no parc de Saint-Cloud em Paris e no ano seguinte disputa-se a primeira prova de estrada entre Paris e Rouen.

En 1896 o ciclismo está presente com uma prova de estrada nos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna em Atenas.
Em 1903 é promovido pelo jornal l'Auto o primeiro Tour de France.

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Course au vélodrome de la Seine - journal l'illustration

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Maurice Garin vencedor da primeira Volta à França

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publicidade das bicicletas Perfect 1910

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Fotógrafo desconhecido Inauguração do velódromo de Palhavã, corrida de bicicletas 1914

Negativo de gelatina e prata em vidro 9 x 12 cm AFML

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O Conde Paçô Vieira junto à bancada do Real Velo Club do Porto

Museu Nacional de Soares dos Reis

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Vista geral do velódromo do Real Velo Club do Porto 1897

Museu Nacional de Soares dos Reis

O treino

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Le Cyclodrome Revista Nature 1896

A difusão e a crítica

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O António Maria de Rafael Bordallo pinheiro

A publicidade

A publicidade tem um grande desenvolvimento a partir da segunda metade do século mas sobretudo na passagem para o século XX, e onde colaboram alguns dos mais conhecidos artistas. De notar que a maioria dos cartazes publicitários associam a bicicleta a mulher.

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Henri Marie Raymond de Toulouse-Lautrec (1864-1901) – La Chaîne Simpson 1900

Litografia 39 x 28 cm

O Cartaz Arte Nova

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Alphonse Mucha (1860-1939) Cycles Perfecta 1897

chromolithographie 149,5 x 103,5 cm Fernand Champenois imprimeur Paris

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Arthur Foache (1871-1967) - Clement Cycles c. 1900

A influência oriental

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A imagem da mulher moderna, desportiva, elegante e liberta.

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Bicicleta e o automóvel

A bicicleta aparece associada com o automóvel, sobretudo porque são os fabricantes de bicicletas que se lançam no desenvolvimento e construção desse novo meio de transporte. Os primeiros Salões Automóveis são associados à Bicicleta.

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A Bicicleta e a Arte

Toulouse Lautrec era um apaixonado pelo ciclismo. Nesta Litografia retrata o jovem corredor Michaël, o jornalista Frantz Reichel de pé e o treinador Choppy Warburton

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Toulouse Lautrec - Michaël à l'entraînement ", 1896.

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Toulouse Lautrec - Aristide Bruand à bicyclette, 1892, Carton, 74.5 x 65 cm

Ramon Casas i Carbó (1866 –1932)

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Ramón Casas y Pere Romeu en Tàndem - 1897
Óleo sobre tela. 191x215 cm
Museu d'Art Modern (MNAC), Barcelona

Esta pintura a óleo decorava a parede principal do cabaret "Els Quatre Gats" em Barcelona, gerido por Pere Romeu e financiado pelo próprio Ramón Casas e onde se juntavam os artistas modernos. O cabaret situava-se no rés do chão da Casa Martí projectada entre 1895e 1896 pelo arquitecto catalão Puig i Cadafalch.

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Embora se trate de uma pintura a técnica usada aproxima-se da técnica do cartaz com os contornos das figuras bem marcados e o fundo com uma linha evocando um perfil urbano.

A pintura tinha as dimensões de 2,20x3,15 metros e à direita tinha escrito em catalão

"Per anar amb bicicleta / no's pot dur l'esquena dreta" (Para andar de bicicleta / não se pode ir com a espinha direita) numa referência à posição e ao esforço dos dois ciclistas no tandem.

Quando o cabaret encerrou a pintura foi vendida mas teve de se cortar na sua altura e no seu comprimento. Por isso a roda de trás ficou cortada e a frase foi cortada e depois apagada.

O Futurismo

"Tutto si muove, tutto corre, tutto volge rapido" (Tudo se move, tudo corre, tudo muda rápido)

Manifesto Técnico da Pintura Futurista 1912

Um dos objectivos do Futurismo era pintar a velocidade, o movimento, a dinâmica e o esforço do corpo humano, e encontram no ciclista, sobretudo em corrida uma temática que corresponde a esta intenção.

Umberto Boccioni (1882-1916)

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Estudo para Dinamismo di un ciclista

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Umberto Boccioni 1882-1916 - Dinamismo di un ciclista 1913

óleo s/ tela 70 x 95 cm Collezione Peggy Guggenheim, Venezia

Gerardo Dottori (1884 –1977)

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Gerardo Dottori1884 -1977 Ciclista 1914

Lápis de água s/ papel 20 x 25 cm

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Gerardo Dottori1884 -1977 Ciclista 1916

Aguarela 29x44 cm.

Roberto Baldessari(1894 - 1965)

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Roberto Marcello Baldessari: Dinamismo. Velocità + Ciclista, 1915,

óleo s/ cartão 39 x 51 cm

Fortunato Depero (1892-1960)

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ciclisti 1922

O Cubofuturismo

Natalia Goncharova 1881-1962

A denominação de Futurismo foi adoptada também pela primeira vanguarda russa, apesar da sua independência do movimento italiano.

Os primeiros movimentos da vanguarda russa, são influenciados pelo futurismo e pelo cubismo, donde a designação de Cubofuturismo.

Goncharova e o seu companheiro Larionov fundam depois o Raionismo.

" Proclamamos que o génio do nosso tempo é: calças, casacos, sapatos, eléctricos, multidões, aviões, combóios, grandes navios...

Negamos que a individualidade tenha qualquer valor numa obra de arte...

Viva o nacionalismo!

Vamos de mão dadas com os pintores de casas... Viva o nosso estilo de pintura Raionista independente de formas reais, existindo e desenvolvendo-se segundo as leis da pintura"

"Daqui nasce a verdadeira libertação da arte; uma vida que procede apenas de acordo com as leis da pintura como um entidade independente, pintura com as suas próprias formas, cores e tons."

in Larionov, Manifesto Raionista, 1913.

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Natalia Goncharova - o ciclista, 1913
óleo s/ tela 79 x 105 cm
Museu Estatal Russo, S. Petersburgo

O Cubismo e o pós cubismo

Jean Metzinger (1883-1956)

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Jean Metzinger (1883-1956) O corredor de bicicletas ca. 1914.

Óleo e colagem s/ tela 51 3/8 x 38 1/4 inches. Guggenheim Museum,New York City

Lyonel Feininger (1871-1956)

Lyonel Feininger foi um artista cubista e expressionista.
Feininger foi com Walter Gropius um dos fundadores da Bauhaus.

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Velocipedistas 1910

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Lyonel Feininger The Bicycle Race, 1912
óleo s/ tela 80.3 x 100.3 cm
The National Gallery of Art, Washington D.C.

Dada

Marcel Duchamp (1887 – 1968)

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Roue de bicyclette, 1913/1964
Assemblage de uma roda de bicicleta sob um banco.
Metal e madeira pintada 126,5 x 31,5 x 63,5 cm

O original desaparecido foi realizado em 1913. Na imagem a sexta réplica executada em 1964 sob a direcção de Marcel Duchamp para a Galerie Schwarz em Milão.

Il Novecento

Mario Sironi (1885-1961)

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O Ciclista 1916. óleo s/ tela 96 x 71 cm

Solomon R. Guggenheim Foundation, Veneza

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O Ciclista óleo s/ cartão76 x 66 cm.

Collezione privata. Roma. Italia

Figurativo entre guerras

Marcel Gromaire (1892-1971)

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Coureur cycliste 1930 aguarela e tinta da china 33,3 x 42,5 cm.

Musée d'Art moderne de la Ville de Paris

Os anos 40 e 50 o Neo Realismo

Durante a II Guerra Mundial a bicicleta irá ser muito utilizada quer por questões de racionamento de combustível, quer por razões de luta política contra as ocupações ou contra os regimes ditatoriais. Neste caso deve-se sobretudo a ser um meio de locomoção discreto e silencioso próprio para essas actividades políticas.

No final da guerra e até ao aparecimento da motorizada a preços acessíveis, a bicicleta irá ser o meio de transporte do proletariado urbano e rural. terá como consequência a grande popularidade então adquirida pelas provas de estrada em particular as Voltas.

É um tema subjacente a essa obra prima do cinema neo realista Ladrões de Bicicletas (Ladri di Bicicletti) de Vittorio De Sica de 1948 com argumento do próprio Vittorio De Sica e Cesare Zavattini numa adaptação do romance de Luigi Bartolini.

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Na prisão por motivos políticos Luís Veiga Leitão (1912-1987) retoma o tema da bicicleta como instrumento da liberdade:

"A Uma Bicicleta Desenhada na Cela":
Nesta parede que me veste
da cabeça aos pés, inteira,
bem hajas, companheira,
as viagens que me deste.
Aqui,
onde o dia é mal nascido,
jamais me cansou
o rumo que deixou
o lápis proibido...
Bem haja a mão que te criou!
Olhos montados no teu selim
pedalei, atravessei
e viajei
para além de mim.”

Luís Veiga Leitão, Longo Caminho Breve. Poesias Escolhidas. 1943-1983, Lisboa, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1985

Ou neste texto-poema de Alexandre O’Neil (1924 – 1986)

“A Bicicleta
O meu marido
saiu de casa no dia
25 de Janeiro. Levava uma bicicleta
a pedais, caixa de ferramenta de pedreiro,
vestia calças azuis de zuarte, camisa verde,
blusão cinzento, tipo militar, e calçava
botas de borracha e tinha chapéu cinzento
e levava na bicicleta um saco com uma manta
e uma pele de ovelha, um fogão a petróleo
e uma panela de esmalte azul.
Como não tive mais notícias, espero o pior. “
in:As horas já de números vestidas(1981)

E ainda Manuel Alegre:

“Na minha bicicleta de recados
eu vou pelos caminhos.
Pedalo nas palavras atravesso as cidades
bato às portas das casas e vêm homens espantados
ouvir o meu recado ouvir minha canção.

Na minha bicicleta de recados
eu vou pelos caminhos.
Vem gente para a rua a ver a novidade
como se fosse a chegada
do João que foi à Índia
e era o moço mais galante
que havia nas redondezas.
Eu não sou o João que foi à Índia
mas trago todos os soldados que partiram
e as cartas que não escreveram
e as saudades que tiveram
na minha bicicleta de recados
atravessando a madrugada dos poemas.

Desde o Minho ao Algarve
eu vou pelos caminhos.
E vêm homens perguntar se houve milagre
perguntam pela chuva que já tarda
perguntam pelos filhos que foram à guerra
perguntam pelo sol perguntam pela vida
e vêm homens espantados às janelas
ouvir o meu recado ouvir minha canção.

Porque eu trago notícias de todos os filhos
eu trago a chuva e o sol e a promessa dos trigos
e um cesto carregado de vindima
eu trago a vida
na minha bicicleta de recados
atravessando a madrugada dos poemas.”

Fernand Léger (1881-1955)

Vindo do Cubismo, a ocupação nazi durante a II Guerra Mundial exilando-se nos Estados Unidos, leva-o a filiar-se em 1945 no Partido Comunista Francês, pintando então temas ligados à condição e à luta dos trabalhadores. São diversos os seus quadros de ciclistas com bicicletas, como instrumento de trabalho ou de lazer.

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La grande Julie 1945.

Óleo sobre tela. 111,8 x 127,3 cm.

The Museum of modern Art. N.Y. USA.

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Les quatre cyclistes 1943-1948 óle s/ tela 129 x 161,5 cm.

Biot, Musée national Fernand Léger

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Os prazeres do ócio 1948-49.

Óleo sobre tela. 154 x 185 cm.

Musée National d'Art Moderne Centre Georges Pompidou Paris

O Surrealismo e o Fantástico do pós guerra

Pablo Picasso (1881-1973)

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Tête de Taureau 1942

Selle en cuir et guidon en métal h. 33.5 ; l. 43.5 ; p. 19 cm
Musée national Picasso

Óscar Domínguez (1906 – 1957)

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A ciclista 1946

Óleo sobre tela73 x 60cm

Museu Nacional de Bellas Artes de Buenos Aires, Argentina

Alberto Savino

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passeggiatrice in riva al mare 1947

Os anos 60 e 70

Le Nouveau Réalisme

Fundado em 1960 utilizava materiais e elementos derivados da realidade quotidiana, como os desperdícios da sociedade de consumo, transformando-os em obras de arte.

César (César Baldaccini) (1921 - 1998)

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Compressão de bicicleta 1970
Arman (Armand Pierre Fernández) (1928- 2005)

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Homenagem a Ladrões de Bicicletas 1979

Jean Tinguely 1925-1991
As esculturas de Tinguely numa espécie de celebração da ciência e do progresso tecnológico que marcou o pós-guerra, são máquinas satíricas com funções e formas diversas, normalmente inúteis e absurdas, com movimentos descoordenados.

Uma das suas obras mais famosa foi a escultura que apresentou no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque,com a finalidade de se auto-destruir, e onde utiliza várias rodas de bicicleta como metáfora da máquina.

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Sketch for Homage to New York. 1960.

Felt-tipped pen and ink on board, (56.0 x 71.0 cm).

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Homage to New York. 1960.

As peças que sobraram foram recolhidas no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque.

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Fragment from Homage to New York. 1960. Painted metal, fabric, tape, wood, and rubber tires, (203.7 x 75.1 x 223.2 cm).

A Pop-Art

Claes Oldenburgh (1929)

Constrói coisas/imagens, aumentadas e exageradas nas dimensões ou nas cores, procurando com o insólito criticar a "sociedade de consumo".

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Bicyclette ensevelie 1990 parc de la Vilette Paris

Nos últimos anos pelo despertar da consciência ambiental e pela cultura do corpo desenvolveu-se de novo o ciclismo, como lazer e como desporto. A bicicleta também se transformou com a introdução de materiais e tecnologias avançadas.

Deste novo interesse pelo ciclismo resultaram inúmeros “monumentos ao ciclista o a ciclistas” quer em Portugal quer noutras partes do mundo, muitos deles de gosto duvidoso.

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Monumento a Joaquim Agostinho Torres Vedras

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Monumento ao ciclista S. João de Ver Santa Maria da Feira

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Monumento a Marco Pantani

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Francesco M. Tigli Monumento a Marco Pantani

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Monumento à Volta a França Tourmalet Pirinéus

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Joaquín Manzano Carrero Monumento ao Ciclista Avila Espanha

Para Terminar A Bicyclette interpretada por Yves Montand (1921-1991)

Yves Montand - ''A bicyclette'' (Olympia, 1981)

Quand on partait de bon matin
Quand on partait sur les chemins
A bicyclette
Nous étions quelques bons
Y avait Fernand y avait Firmin
Y avait Francis et Sébastien
Et puis Paulette
On était tous amoureux d'elle
On se sentait pousser des ailes
Sur les petits chemins de terre
On a souvent vécu l'enfer
Pour ne pas mettre pied à terre
Devant Paulette
Faut dire qu'elle y mettait du cÂœur
C'était la fille du facteur
A bicyclette
Et depuis qu'elle avait huit ans
Elle avait fait en le suivant
Tous les chemins environnants
A bicyclette
Quand on approchait la rivière
On déposait dans les fougères
Nos bicyclettes
Puis on se roulait dans les champs
Faisant naître un bouquet changeant
De sauterelles, de papillons
Et de rainettes
Quand le soleil à l'horizon
Profilait sur tous les buissons
Nos silhouettes
On revenait fourbus contents
Le cœur un peu vague pourtant
De n'être pas seul un instant
Avec Paulette
Prendre furtivement sa main
Oublier un peu les copains
La bicyclette
On se disait c'est pour demain
J'oserai, j'oserai demain
Quand on ira sur les chemins
A bicyclette

Pierre Barouh / Francis Lai

7 comentários:

  1. isto e magnifico !!!!!!!!!!!!!!!!!!adoro as fotos sao fantasticas

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  2. impressionante trabalho espetacular, parabéns

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  3. muito legal!!!!!!show de trabalho!!!!

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  4. Travail de grande facture! Félicitations!

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  5. Espetacular ! deveria ser muito divulgado

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