Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















segunda-feira, 12 de Julho de 2010

os transportes na transição do século 19 para o século 20 II

I Do Balão ao Dirigível

Apesar de ser muito antigo o conhecimento dos balões de ar quente, entende-se que apenas no século XVII se procurou concretizar um balão que pudesse transportar seres humanos através do ar.

Bartolomeu de Gusmão e a Passarola

“(…) ambição de elevar-se um dia no ar, onde até agora só subiram Cristo, a Virgem e alguns santos eleitos.”

José Saramago Memorial do Convento ed. Caminho 1982

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Uma das versões da Passarola numa gravura francesa da Biblioteca Nacional de Paris

Não é possível falar de aeronáutica em geral e de balões em particular sem referir o padre jesuíta Bartolomeu Lourenço de Gusmão (1685-1724), alcunhado de o Voador e o seu invento a Passarola, quer esta tenha ou não, de facto, voado.

Bartolomeu Lourenço de Gusmão nasceu na Vila de Santos no Brasil em 1865, foi noviço na Companhia de Jesus, em 1703 é assistente na Universidade de Coimbra, está de novo no Brasil em 1707 e regressa a Portugal nos finais de 1708, inícios de 1709. Perseguido pela Inquisição terá fugido de Portugal em 1713 para a Holanda e regressado foge novamente em 1724 para Toledo onde morreu com 39 anos.

Em Maio de 1883 a revista O Occidente inicia a publicação de uma série de artigos sobre “O Centenário da Invenção dos Aeróstatos em França e o seu inventor o Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão”, assinados por Brito Rebello, nos quais o autor procura esclarecer a vida de Bartolomeu de Gusmão, a sua invenção e os equívocos em torno da célebre gravura da Passarola, em que refere a gravura colorida da Biblioteca Francesa.

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A Passarola no n.º 158 de 11 de Maio de 1883 da revista O Occidente

Também A.de Magalhães Basto, reuniu num livro com o título de “Porto e Brasil” (edições Progredior Porto 1946) um conjunto das sua crónicas “Falam Velhos Manuscritos” publicadas em O Primeiro de Janeiro, sobre Bartolomeu de Gusmão: O” Voador” e a historiografia portuense, O espírito crítico do Doutor Bartolomeu, Um Padre “Voador” na Holanda!, Bartolomeu Lourenço e a Inquisição,A conquista do ar e os Mss. Da Biblioteca Municipal do Porto, Gusmanòloguices, Sensacional revelação! e “A Vida gloriosa e trágica de Bartolomeu de Gusmão”.

Esta última reproduz o título de um livro do professor, académico e historiador brasileiro Afonso de Taunay (1876-1958), publicado em S. Paulo em 1934 e ainda hoje referência essencial para o conhecimento da vida e da obra de Bartolomeu de Gusmão.

Se o aparelho de Bartolomeu de Gusmão foi o primeiro aeróstato, nada permite uma conclusão positiva. Mas aquilo que está de facto documentado sobre “o instrumento que inventou para andar pelo ar, e suas utilidades” o aparelho de voar de Bartolomeu de Gusmão como autêntico, é o requerimento que o padre Bartolomeu dirigiu em 1709 a D. João V e o alvará passado por este a seu favor.

Nesse requerimento Bartolomeu de Gusmão antecipa a utilização e as vantagens do balão, do dirigível e do avião:

Diz o Padre Bartolomeu Lourenço, que ele tem descoberto um instrumento para se andar pelo ar da mesma sorte que pela terra, e pelo mar, e com muito mais brevidade, fazendo-se muitas vezes duzentas e mais léguas de caminho por dia, no qual instrumento se poderão levar os avisos de mais importância aos exércitos e a terras mui remotas, quase no mesmo tempo em que se resolverem; em que interessa Vossa Majestade muito mais que nenhum dos outros Príncipes, pela maior distância dos seus domínios; evitando-se desta sorte os desgovernos das conquistas, que procedem em grande parte de chegar muito tarde a notícia deles a Vossa Majestade. Além do que, poderá Vossa Majestade mandar vir todo o precioso delas com mais brevidade, e mais seguramente poderão os homens de negócio passar letras e cabedais com a mesma brevidade. Todas as praças sitiadas poderão ser socorridas tanto de gente como de munições e víveres a todo o tempo, e retirarem-se delas todas as pessoas que quiserem, sem que o inimigo o possa impedir. Descobrir-se-ão as regiões que ficam mais vizinhas ao Pólo do mundo, sendo da nação portuguesa a glória deste descobrimento, que tantas vezes tem tentado inutilmente as estrangeiras. Saber-se-ão verdadeiramente as longitudes de todo o mundo, que por estarem erradas nos mapas causam muitos naufrágios, além de infinitas conveniências, que mostrará o tempo, e outras que por si são notórias, que todas merecem a real atenção de Vossa Majestade.

E terá convencido o rei já que D. João V lhe passa o alvará:

Lisboa, 19 de abril de 1709 - Eu El-Rei faço saber, que o P. Bartholomeu Lourenço me representou por sua petição, que elle tinha descoberto um ins­trumento para se andar pelo ar, da mesma sorte que pela terra e pelo mar, e com muito mais brevidade, fazendo-se muitas vezes duzentas e mais léguas de caminho por dia; no qual instrumento se poderiam levar os avisos de mais importância aos exércitos e a terras mui remotas... Saber-se-hão as verdadeiras longitudes de todo mundo, que por estarem erradas nos mappas causavam muitos naufrágios....

E visto o que allegou, hei por bem fazer-lhe mercê ao supplicante de lhe conceder o privilegio de que pondo por obra o invento de que trata, nenhuma pessoa, de qualidade que for, possa usar delle em nenhum tempo neste reino e suas conquistas, com qualquer pretexto, sem licença do supplicante ou de seus herdeiros, sob pena de perdimento de todos os seus bens ametade para elle supplicante, e a outra ametade para quem os acusar: e só o supplicante poderá usar do dito invento, como pede na sua petição.

Assim só depois de 19 de Abril de 1709 é que Gusmão principiou a pôr por obra o seu in­vento.

Segundo Magalhães Basto

“(…)entre essa data e a de 24 de Junho do mesmo ano foram divulgados pela Europa em vá­rias línguas, pelo menos em latim e alemão — e no fim do ano em inglês —, a petição do Padre Bartolomeu a D. João V, a descrição do seu invento, e um desenho que se dizia representar a máquina voadora. O jornal de Viena de Áustria—«Wienerische Diarium n609, correspondente aos dias 1 a 4 de Junho de 1709, noticiava ter chegado àquela Capital um estafeta ido de Itália com essa sensa­cional novidade; publicava a petição que Bartolomeu dirigira ao rei e descrevia e apresentava ao mundo a pseudo-imagem do invento semelhante, de facto, a uma Passarola.

Imediatamente na dita cidade de Viena foi publicado um folheto, in 4.°, sobre o mesma assunto, de que se reproduz com este artigo a capar onde se lê o que, traduzido, quer dizer:

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Imagens do livro de A.de Magalhães Basto, Porto e Brasil - edições Progredior Porto 1946

“Vista de um admirável navio aéreo ou Arte de Voar que proporciona ao Homem viajar pelos ares em vinte e quatro horas, tão depressa sobre a terra como sobre os mares, transportando longinqua­mente aos exércitos em guerra, cartas, ordens, reforço, munições, dinheiro, permitindo socorrer as praças assediadas em todas as suas necessidades, quaisquer aprovisionamentos. Esta obra de arte foi descoberta por um sacerdote brasileiro oferecida a Sua Majestade o Rei de Portugal e deve a 24 de Junho deste ano de 1709 fazer experiência publica em Lisboa. Traduzido pela primeira vez do português para o alemão culto e pela primeira vez agora impresso Viena (de Áustria) na oficina de João Schönwettern, livreiro da Imperial Universidade Romana, 1709.”

Este opúsculo, de que se conhecem pelo menos duas edições, era acompanhado pela estampa da Passarola igual à do jornal vienense.

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Desenho da “Passarola" publicado no jornal “Wienerische Diarium" de 1 de Junho de 1709 (Biblioteca Nacional de Viena).

Os Montgolfier

Só passado mais de meio século, em 1783 os irmãos Joseph Michel (1740-1810) e Jacques- Etienne (1745-1799) Montgolfier , constroem e experimentam um balão de ar quente. O balão pintado de azul e dourado, com o símbolo real e os signos do Zodíaco tinha 75 metros de altura e 49 metros de diâmetro, e uma capacidade para 79 mil pés cúbicos. Foi tripulado pelo cientista Jean- Francois Pilatre de Rozier (1754-1785) e François Laurent , marquês d' Arlandes (1742-1809). Após partir dos jardins do Chateau La Muette no Bois de Boulogne , na orla de Paris, o balão permaneceu no ar por 25 minutos antes de aterrar com segurança na Butte - aux- Cailles a 8,5 km de distância.

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Imagem de" Le Journal ". A primeira subida do balão 1783 . Science Museum London

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Imagem de "Histoire des Ballons et des Aeronautes Celebres" de Gaston Tissandier1887

Jean-Pierre Blanchard (1753 – 1809)

Algumas semanas após o sucesso dos irmãos Montgolfier mas no ano seguinte o francês Jean Pierre Blanchard (1753-1809) fez o seu primeiro voo, num balão construído por ele próprio, a partir dos “Champs de Mars” em Paris. A partir daí viajou por toda a Europa, realizando demonstrações de voos de balão. Ele foi o primeiro a realizar voos de balão na Alemanha, na Polónia, nos Países Baixos e nos E.U.A.

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Jean-Pierre Blanchard balão de hidrogénio atravessando o Sena.

Deve-se ainda a Blanchard a primeira travessia do Canal da Mancha. A 7 de Janeiro de 1785, Jean-Pierre Blanchard (1753-1809) e o médico americano John Jeffries (1744-1819) levantaram voo na Inglaterra e aterraram em França após cerca de quatro horas e meia. O balão utilizado tinha 8,2 metros de diâmetro, com uma gôndola suspensa . Largando de Dover , em Kent pouco depois do meio-dia, desembarcaram na Floresta de Guines, não muito longe de Calais.

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Pintura a óleo por EW Cocks (c 1840) mostrando balão de hidrogénio Blanchard deixando a costa de Dover , em Kent. 28,8 x 37,2 cm. Science Museum London

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Pintura a óleo feita c 1840 por EW Cocks , mostrando balão Blanchard chegar a Porto Calais , França. No primeiro plano barcos de pesca eem terra uma bandeira francesa com listras incorrectamente representadas. 28,8 x 37,2 cm. Science Museum London.

Jean-Pierre Blanchard foi ainda o inventor do paraquedas moderno, tendo construído um paraquedas em seda, com que André Jacques Garnerin (1770-1823) realizou o primeiro teste em Paris em Outubro de 1797 saltando de um balão de ar quente.

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O paraquedas de Blanchard

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Andrew Garnerin no primeiro salto de paraquedas.

Guache e aguarela de Etienne Chevalier de Lorimier. 1759-1813

Vincenzo Lunardi (1759-1806) foi um divulgador do balonismo nos finais do século XVIII, tendo feito ascensões em Londres 1785, Madrid 1792 e 1793, Lisboa 1794 e Porto 1795, tendo morrido em Portugal.

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Balão de Lunardi

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Ascensão de Lunardi em Londres

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O século XIX

Na primeira metade do século XIX prosseguem as experiências com os balões, sobretudo utilizados para fins militares, durante as guerras napoleónicas.

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Francisco de Goya (1746 - 1828) le Ballon 1818-1819
óleo s/tela 83 x 103 cm Musee Des Beaux-Arts, Agen, France

Mas será necessário esperar pela segunda metade do século, com o desenvolvimento tecnológico, para o Balão adquirir uma verdadeira popularidade.

Essa prática da ascensão em balão desenvolve-se em Paris, e a ela estão ligadas algumas personalidades responsáveis pela grande popularidade que adquire o balão.

Uma dessas personalidades é Gaspar Félix Tounachon (1820/1910), conhecido como NADAR, inventor e aeronauta (detêm por algum tempo o recorde de altitude) é talvez o mais importante dos fotógrafos da época. Não somente faz os "retratos" de quase todos os artistas e personalidades da época, como é o autor das primeiras fotografias aéreas, que modificam definitivamente a "visão" da paisagem urbana.

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Foi no seu estúdio que, em Abril de 1874, se realizou a primeira exposição dos Impressionistas (Monet, Renoir, Pissarro, Sisley, Cézanne, Berthe Morisot e Edgar Degas).

Além de pintor, escritor e caricaturista Nadar é sobretudo conhecido pelas suas fotos, quer de retratos das personalidades da época, quer pelas fotografias aéreas. Por volta de 1863 Nadar construiu um enorme balão de ar quente, com cerca de 6000 m3, chamado “Le Géant” (O Gigante). Foi presidente da "Societé pour l’encouragement de la locomotion aérienne“ de que Jules Verne foi secretário.

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Nadar pintura de balões 1870

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Nadar - Le Geant , Champ de Mars 1863

Gelatina de prata 17,1 x 16,5 cm Art Institute of Chicago

Nadar realiza um conjunto de fotografias em estúdio simulando um passeio de balão.

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Nadar 5 Mai e 18 Mai 1909 Negativo em vidro

Paris, Médiathèque de l'Architecture et du Patrimoine

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Nadar e Enestina sua mulher num balão.1865, impressa c. 1890
Gelatina de prata em negativo de vidro 9 x 7.8 cm
The Metropolitan Museum of Art New York City

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Honoré Daumier (1808-1879)"Nadar, élevant la photographie à la hauteur de l'Art."

jornal Le Boulevard 1862

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Vue aérienne 1868

Negativo de vidro 11 x 22 cm. musée d'Orsay, Paris, France

No ambiente de crença no progresso, que exaltava a energia e as capacidades humanas, é significativa a obra (e o sucesso) de Jules Verne (1828-1905)

Dar a volta ao mundo em 80 dias, viajar nas selvas, viver no fundo do oceano, voar e ir até à Lua, eis o que testemunha a confiança do mundo ocidental de ser o dono do planeta e de poder conquistar o universo.

E se bem que não fosse um aeronauta, os seus livros desempenharam um papel fundamental na divulgação da aeronáutica. E significativamente a primeira obra de Jules Verne é Cinq semaines en ballon voyage de découvertes en Afrique, par trois anglais, publicada em 1863, com 51 ilustrações de Edouard Riou(1833 – 1900)

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A edição portuguesa de Cinco Semanas em Balão e uma das ilustrações de Edouard Riou

Em 1872, Jules Verne publica no quotidiano Le temps du roman, em folhetins “Le Tour du Monde en quatre-vingts jours” (A Volta ao Mundo em 80 Dias) onde as personagens Phileas Fogg e Passepartout, demonstram as capacidades do balão, ao utilizá-lo numa parte da sua viagem.

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A edição portuguesa de A Volta ao Mundo em 80 Dias.

O balão com a popularidade que lhe é conferida por Nadar e por Jules Verne, vai ser utilizado durante a guerra Franco-Prussiana (1870-1871) pelos franceses para passar mensagens ultrapassando o cerco dos prussianos

Mais de uma centena de costureiras trabalha na Gare de l’Est no fabrico de balões esféricos de 16 metros de diâmetro cheios com o gás de iluminação de Paris.

O político republicano Leon Gambetta (1838 – 1882), então deputado durante o cerco de Paris, entrevê a possibilidade de se deslocar a Tours para aí organizar os exércitos.

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Jules Didier (1831-1892) et Jacques Guiaud (1811-1876).

Départ de Léon Gambetta sur le ballon "L'Armand-Barbès", le 7 octobre 1870

Paris, musée Carnavalet

A 7 de Outubro o balão Armand Barbès levando Gambetta acompanhado do balão George Sand parte. Com ventos contrários os balões sobrevoam as linhas inimigas sobre as quais Gambetta lança panfletos redigidos por Victor Hugo.

Os exércitos prussianos atiram sobre os balões que têm de ganhar altitude para lhes escapar, mas de seguida vão perdendo altitude e o Armand Barbès acaba por cair sobre uma árvore a 68 kms de Paris, quando Gambetta grita Viva a Républica respondem-lhe de baixo Viva a França. É um grupo de camponeses que assistiram à queda do balão. Salvo, Gambetta acaba por se deslocar até Tours de comboio numa viagem que acaba por demorar dois dias e meio.

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Le Mousquet a Ballons de M. Kupp, usado pelos prussianos durante o cerco de Paris

(segundo uma fotografia proveniente das fábricas Krupp)

Revista Nature n.º 139 Janeiro de 1876

A difusão do balão

Jean Eugéne Poitevin (um dos aeronautas a fazer demonstrações em Portugal) que com a sua mulher Louise Goujon, fizeram nos meados do século diversas ascensões, sendo os primeiros a realizar uma ascensão em Genebra em 1847 mas tornando-se sobretudo conhecidos por utilizar não uma barquinha mas cavalos, burros e touros. Com a morte de Poitevin a sua mulher continuou a realizar exibições de subidas de balão montada em animais.

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Paris, le 14 juillet 1850, 1ère ascension équestre de Poitevin

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A grand balloon ascent, Batty's, Thursday, July 1st, 1852 London : s.n., 1852

Poster shows three men and a woman holding flags while sitting in the basket of an ascending balloon labeled "Royal Hippodrom[e]"

to advertise a public ascent at Batty's Grand National Hippodrome in London, England.

Library of Congress Prints and Photographs Division Washington, D.C.

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Ascensione di Emile Julhes, capitano areonauta Milano : Lit. F.H. Tensi, 1880 /1900

lithograph, color. Library of Congress Prints and Photographs Division Washington, D.C.

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Edouard Manet (1832-1883) - Le ballon, 1862

A gravura de Manet representa a ascensão de um balão de hidrogénio, na celebração do aniver~´ario de Napoleão III. No entanto ela é vista como uma sátira ao bonapartismo e à derrota dos franceses pelas tropas mexicanas.

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Pál Szinyei Merse (1845-1920) The Balloon 1878
óleo sobre tela 42 x 39,3 cm
The Hungarian National Gallery, Budapest.

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Pierre Puvis de Chavannes (1824-1898) - Le Ballon 1870

óleo s/ tela 136,7 x 86,5 cm Musée d’Orsay

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Julien Dupre (1851-1910) Des paysans regardent un ballon dérivant dans le ciel1886
óleo s/tela Metropolitan Museum de New-York

Em 1886 Julien Dupré um dos pintores de Barbizon apresenta no Salão o quadro « le Ballon » sobre o qual Joseph Noulens (1828-1898) escreve:

“Monsieur Dupré, dans Le Ballon où les faneuses interrompent leur besogne pour regarder un aérostat dans la rue, est demeuré carrément vigoureux et rigoureux envers la nature, en refusant selon son habitude toute concession à l’école nouvelle qui estompe les formes et les tons et les noie dans une fluidité grise ou violette. L’auteur du ballon s’est donc uniquement préoccupé de rendre brutalement son impression et de bien mettre en valeur les figures vivantes sur fond de paysage.” J. Noulens, in Annuaire du Salon 2e année 1886, Artistes français et étrangers au Salon de 1886, Paris, E. Dentu, 1887

Redon

Odilon Redon(1840-1916)L'Oeil, comme un ballon bizarre se dirige vers l'infini

inspirado por Edgar Allan Poe. 1882.

Lithographie 26,2 x 19,8 cm Paris,

Bibliothèque nationale de France, Cabinet des Estampes

A partir desta litografia Guy Maddin, realizou em 1995 um filme a preto e branco com o mesmo título.
Maurice Prendergast - The balloon

Maurice Prendergast (1858-1924) - The balloon, 1898

Aguarela e lápis sobre papel 51,75 x 38,42 cm colecção privada

Em Portugal

Lisboa

Terá sido o já referido Vincenzo Lunardi (1759-1806) a realizar a primeira subida em balão em Portugal em 24 de Agosto de 1794, a partir do Terreiro do Paço.

Em 1819 Guilherme Eugénio Robertson, aeronauta e malabarista, apareceu em Lisboa, e, com grande impacto e estupefacção do povo, fez o primeiro salto de pára-quedas visto por cá, saltando de um balão.

Lisboa, 15.12.1818 - “As diversas notícias de Viagens aerostáticas feitas em vários países da Europa com a bela invenção do Guarda--queda, inventado por André Jacques Garnerin, e pela primeira vez experimentado em Paris, em Junho de 1799, experiência que o mesmo inventor repetiu em Petersburgo em 1800 na presença do Imperador Alexandre, davam incentivos aos Portugueses que prezam os progressos das Ciências e das Artes, de desejarem se oferecesse algum dia ocasião de presenciarem esta experiência, toda filha das mais acertadas combinações. Não se podia certamente apresentar entre nós um homem mais capaz de desempenhar este objecto que o exímio físico Mr. Robertson, que em quase todas as Cortes da Europa havia patenteado a sua dexteridade neste e nos outros ramos da Física experimental, nos quais o segue com desvelo e grande aptidão seu filho Eugénio Robertson; o qual, tendo na sua primeira viagem aerostática, feita a 14 de Março deste ano nesta Cidade, dando provas do quanto havia aproveitado as lições paternas, quis aqui mesmo fazer a sua primeira experiência de descer em Guarda-queda, visto proporcionar-se-lhe esta ocasião de o fazer com tanto maior gosto por ser un país, se ele a fazia pela primeira vez, também era a primeira vez que se expunha o brilhante espectáculo da descida em Guarda-queda. “Gazeta de Lisboa n.º 297, de 16 de Dezembro de 1819.

Depois, muitas ascensões foram vistas por Lisboa, Beu­det que foi o instrutor de Augusto Abreu de Oliveira do primeiro aeronauta profissional português, António Infante, com os balões Cidade de Lisboa e Dernière Cartouche, que efectuando viagens de balão em diversas localidades nortenhas, incluindo o Porto, tornaram entre nós, popular o espectáculo da ascensão de balões.

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Guedes, Paulo, 1886-1947 Velódromo de Palhavã 19--

Negativo de gelatina e prata em vidro8x11 cm AFML

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Lima, Alberto Carlos, [18--]-1949 A ascenção do balão Nacional1906-05-20

Negativo de gelatina e prata em vidro 9 x 12 cm AFML

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Fotógrafo não identificado Ascensão do balão Nacional1900-05

Negativo de gelatina e prata em vidro9 x 12 cm AFML

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Lima, Alberto Carlos, (18—-1949) Aeronautas com a barquinha do balão e outros instrumentos início sec.XX

Negativo de gelatina e prata em vidro9 x 12 cm AFML

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Fotógrafo não identificado O Balão Nacional, uma ascenção no velódromo[19—]

Negativo de gelatina e prata em vidro9 x 12 cm AFML

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Benoliel, Joshua, 1873-1932 Concurso de balões no velódromo, ascensão de um aeróstato1907-04

Negativo de gelatina e prata em vidro9 x 12 cm AFML

Porto

Fonte: o incontornávelPrimórdios da Aerostação Portuense “ de Henriques-Mateus in Filipe Jorge, Ana Monteiro , António Meneres - O Porto visto do Céu ed. Argumentum Lisboa 2000

Segundo Henriques Mateus, e reportando-se a uma gravura publicada por Pinheiro Correa no Catálogo da Exposição de Lisboa e o Tejo na Aeronáutica Nacional, CML 1959, a primeira ascensão no Porto realizou-se em 1795, pelo aeronauta Vincenzo Lunardi (1759-1806).

Em 25 de Junho de 1820, Guilherme Eugénio Robertson realiza uma ascensão a partir da Quinta do Prado do Bispo (depois cemitério do Prado do Repouso), a qual é descrita na Gazeta de Lisboa n.º 161, de 10 de Julho de1820:
Porto, 28/Junho/1820, Relação da Viagem Aerostática feita nesta Cidade a 25 de Junho de 1820, por Mr. Robertson, filho
"Tendo o Professor Robertson pai, recebido em Lisboa as mais lisonjeiras provas de geral satisfação em todas as suas experiências, que tiveram um feliz sucesso, julgou que não devia deixar Portugal sem oferecer à cidade do Porto o raro espectáculo de uma viagem aerostática. Todas as pessoas eruditas, que se achavam na mesma cidade empenhar-se-ão em favorecer uma subscrição para este objecto: anunciando-se esta experiência para o domingo 25 de Junho, e sendo destinada para celebrar-se a festa do nome de S.M. Fidelíssima Rei do Reino Unido foi desempenhada felizmente no dia referido na bela Quinta do Prado, que pertence ao Excelentíssimo e Reverendíssimo Bispo do Porto.
A chuva, que desde as dez horas até ao meio dia caiu repetidas vezes, fez recear que a experiência fosse diferida; mas ao depois, serenando a atmosfera, Mr. Robertson principiou às três horas o trabalho necessário para a formação do gás hidrogénio, e às 5 horas a máquina, inteiramente cheia esperava o Aeronauta.
O Professor Robertson tinha prometido a sua sobrinha, a esposa do jovem Malabar, o prazer de a deixar elevar-se, estando a barquinha presa por uma corda; por isso antes da partida de Mr. Eugénio Robertson ela subiu a certa altura. Esta jovem, desejando há muito tempo fazer uma viagem aerostática, tinha escondido um canivete, e uma carta no seu lenço, e intentava cortar as prisões, que a retinham: apenas o seu intento foi descoberto por Mr. Eugénio Robertson, que se assustou, e não queria ceder o seu lugar a pessoa alguma, lançou mão rapidamente da corda principal e conduziu o balão até ao recinto. Então esta Dama cheia de coragem saiu da barquinha e Mr. Eugénio Robertson, substituindo o seu lugar, sustentando-se em pé, e tendo na mão a bandeira portuguesa elevou-se majestosamente às 5 horas e meia bradando: ”Viva El-Rei; Viva D. João VI”; e, lançando várias peças de versos em honra da Nação Portuguesa, análogas a tão brilhante circunstância.
Elevando-se o balão, o quadro que se desenvolvia debaixo dos pés do aeronauta tornava-se mais interessante; pois que o Douro, correndo ao longe, já parecia esconder-se por entre as montanhas, já descobrir-se de momentos a momentos. O viajante por uma parte via o Porto como num pequeno quadro; mas sem perder a menor circunstância, por outra parte divisava ao longe verdes florestas, deliciosos jardins, e campos cercados de parreiras que atraíam e encantavam seus olhos, e qual uma serpente, que dá tortuosas voltas para entrar na sua cova, assim o Rio Ave parecia dirigir-se para o mar.
O objecto mais tocante, que o aeronauta observou nesta viagem, foi a vista de mar, que brilhava debaixo de seus pés, e lhe parecia incendiado por todos os lados, efeito da reflexão do Sol que se ocultava no horizonte, e que sem dúvida foi a causa do viajante não sentir na altura a que se remontou o frio activo, que de ordinário se experimenta.
Mr. Eugénio Robertson viu certa poeira, que se levantava da terra, e julgando serem cavaleiros, que vinham ao seu encontro, tomou o óculo para melhor observar; mas era simplesmente o declive de alguns montes de terra argilosa, feridos pelos raios do sol que já declinava.
O Aeronauta, depois de ter subido em meia hora a uma grande altura, e achando-se por cima de uma floresta
, escolheu um sítio sem árvores, e apto para findar a sua viagem; ele o conseguiu descendo tranquilamente perto da freguesia de Ferreiro um lugar além do Rio Ave, distante uma légua de Vila do Conde, e 5 léguas do Porto. As primeiras pessoas que apareceram no momento em que tocou a terra o nosso viajante foram dois caçadores, que presenciaram as duas ascensões, que fez em Lisboa; depois chegou a cavalo o Ajudante das Milícias de Vila do Conde, Lima, que tendo descoberto o aeróstato da varanda da casa do seu Tenente Coronel se dirigiu com ele para o sitio, em que lhes parecia cair o balão.
O Viajante recebeu dos mesmos Senhores todos os socorros possíveis, e os maiores testemunhos de estima; e, depois de ter pernoitado em casa do Ilustríssimo Major das Ordenanças em Bagunte, para onde o conduziu seu Filho o Ilustríssimo Tenente Coronel António Luiz, entrou no Porto no dia 26 quase ao meio dia, recebendo em todos os lugares por onde passou imensas provas de grande satisfação, e os aplausos que sempre costuma excitar em toda a parte esta rara e maravilhosa experiência. Reinou por toda a parte a maior ordem e harmonia em tão imenso concurso, efeito das sábias ordens que foram dadas pelo Ilustríssimo Desembargador Encarregado da Polícia, e pelo Ilustríssimo e Excelentíssimo Tenente General, Governador das Armas. – A tranquilidade, o contentamento, e a boa ordem que resplandeciam por toda a parte, e esta experiência feita em tais circunstâncias, parecia terem tornado este espectáculo uma verdadeira festa. No mesmo dia da viagem o público à noite deu provas da afeição que tinha ao jovem aeronauta, mostrando apenas acabou o teatro a sua impaciência, e o desejo de tornar a vê-lo; porém, não lhe foi possível voltar na referida noite ao mesmo teatro, como tencionava, para cumprimentar a tão respeitável reunião, e mostrar-lhe a sua eterna gratidão.
NOTA: Mr. Eugénio Robertson pela observação do barómetro avaliou a sua altura num quarto de légua no momento da maior elevação."

Carlos Fiolhais in http://dererummundi.blogspot.com/

Ainda segundo Henriques-Mateus só em Agosto de 1857, foram retomadas ascensões agora pelo, também já referido, Jean Eugéne Poitevin.

Passa-se então um longo período até finais de finais de 1883, quando o aeronauta Emilien Castanet chegou à cidade para uma série de demonstrações aerostáticas. Partindo do jardim do Palácio de Cristal em 2 de Dezembro, no balão Rosita foi arrastado para o mar onde caiu, sendo salvo pelo rebocador Vitória, mas perdendo o balão.

Com um novo balão, a que deu o nome de Cidade do Porto faz mais duas ascensões em 1884 que terminam no mar, e na segunda apesar dos esforços do Vitória também este balão se perde.

No entanto a cidade cotiza-se para permitir a Castanet adquirir um novo balão o Portuense, com que irá realizar mais três ascensões. A 23 de Março levando a actriz Ruth Guerreiro, que se torna assim a primeira aeronauta portuguesa.

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Raphael Bordallo Pinheiro – O António Maria de 7 de Fevereiro de 1884

Em 25 de Março, levou um burro pendurado na barquinha, como descreve O Primeiro de Janeiro:

“Pelos ares”
Seria esta a primeira vez que se faria ir um burro aos ares? Se d'esta feita vozes de burro não chegam ao céu, então nunca lá chegarão. Um burro rolando pelas nuvens, estenndendo o focinho de quando em quando para alguma imaginária facha de palha! O grande azul transformado em curral! Como deveria ser cruel para o pobre burrico, longe do verde, das campinas, não podendo firmar as patas para escoicear á vontade, essa viagem aérea! E que symbolica que ella nos pareceu: a apotheose do burro! Certamente foi a nostalgia do verde que matou o burrico. Que extraordinários effeitos deveria produzir o zurro do animalejo misturando-se á harmonia das esferas!
Que surprezas deveriam ficar as nuvens, ellas habituadas ás purezas das azas! Por que seriam substituídas as pennas que as aves deixam nas nuvens ao roçarem-se por ellas! Por ventura ha cravos no azul? Precisam estas flores do mesmo género d'alimento que as da terra? Que baças pérolas rolariam ante-hontem pelos ares? Imaginaria alguém que do céu cahiria uma segunda espécie de maná? Seja como for, o que é certo é que os effluvios primaveraes desinfectaram promptamente as impurezas da atmosphera.
Coisa das tres horas da tarde de ante-hontem, estando regularmente concorrida a avenida principal do Palácio de Crystal, appareceu um burrico, de pello alto, com um aspecto verdadeiramente infeliz, sobre o qual convergiram todos os olhares. Esse burrico era o que deveria ir preso ao “Portuense”. N'essa occasião já o aerostato inflava n'uma ancia violenta de se evadir para o alto. A tarde apresentava um aspecto que tornava carregada a physionomia do arrojado aeronauta. Bojos de nuvens escuras boiavam na atmosphera a um vento noroeste. Umas lufadas rijas sacudiam de quando em quando o balão; os homens que estavam ás cordas faziam um esforço enorme para o segurar. Que ânsia de espaço que o balão tinha, santo Deus!
De facto, ás três e um quarto, soltou-se o balão, preso a elle a barquinha, onde ia o capitão Castanet, e a esta, atado por uma cilha e de olhos vendados para que não sentisse a attracção do abysmo, o burrico. O balão teve um impeto brusco, raspou por uma das árvores, tomando a direcção sudeste e pouco depois desappareceu. Dos appendices do balão cahiam apenas uns annuncíos coloridos. Ouçamos agora do capitão Castanet, o intrépido, a parte mais interessante da sua viagem, recortada de incidentes curiosos:
Approximadamente à altura de 800 metros fendi as nuvens e por cima d'ellas me conservei, subindo à altura de 1.400 metros. Emergindo das nuvens, deparei com um espectáculo surprehendente - um sol esplêndido, brilhante, quente, irradiante, dando às nuvens a configuração de um mar de prata, accidentado de vagas. Por de cima d’esse mar a sombra do balão, contornando-se nitidamente.
Obra ahi de 1.600 metros d'altura, mudou o balão de rumo, em direcção a Espinho. O aeróstato subia sempre, rapidamente chegando a attingir uma altura de 2.000 metros. Tentei descer por três vezes, mas inutilmente. O balão não obedecia porque o gaz que eu expellia pela válvula, era substituído pela dilatação que ficava. Subindo a uma altura de 2.000 metros, forcejei descer pela quarta vez, o que consegui abrindo de todo a válvula. A 2.000 metros d'altura tomei a direcção 0 e a 1.500 o primitivo rumo.
A 700 metros avistei terra. A descida operava-se com uma extraordinária velocidade quando me encontrei sobre um extenso pinheiral. A fim de evitar a queda na matta, descarreguei o ultimo sacco de areia e assim pude manter-me á mesma altura. Pouco depois d'alguns minutos de marcha, avistei uma ampla campina. N'estes comenos icei o burrico paro a barquinha e procurei arpoar a terra, lançando ancora mas não dava em terra firme. N'isto o balão a poucos metros d'altura do solo, esbarrou n'um pinheiral e a barquinha ficou ahi presa. O aeróstato estacou, inclinou-se sobre a franja dos pinheiros, mas súbito levantou-se, rompeu para o alto chegando a barquinha a despedaçar os ramos a que se tinha enleado.
Por effeito do impulso violento do balão, a cesta tombou e eu encontrei-me de cabeça para baixo agarrado ás cordas. N'esta situação o burro cahiu na mesma posição que levava quando sahiu do Palácio. O balão com o impulso do vento foi bater n'outro pinheiral. A barquinha ia batendo d’arvore em árvore, e eu para evitar qualquer desastre conservava-me de cocaras, agarrado às cordas. A corda da ancora despedaçava os ramos das arvores, o gaz evadia-se e a corda a que ia ligado o burro prendeu-se a um ramo, e como as forças do balão se extinguissem, foi bastante a demora para que accudissem os lavradores, puxando a corda da ancora e conseguindo por ultimo suspender o balão.
Desci às quatro horas e meia em Cavadas, freguezia de Pijeiros, concelho de Villa da Feira. Recebi os máximos cuidados das pessoas que me cercaram. Ahi me foi servido este petisco "um tracanaz de broa e vinho" que me soube extraordinariamente, pela muita fome que me devorava. O balão ficou um tanto estragado. Metti-me n'um carro de bois e cheguei às duas horas da manhã ao Alto da Bandeira. Querendo vir para a cidade, oppoz-se a isso um conductor de carros, dizendo que áquella hora não podia atravessar a ponte. Fiquei pois, dentro do carro, debaixo d'um alpendre, vestido apenas com a roupa com que subi. Ás cinco da manhã, encaminhei-me para a cidade, chegando aqui (ao Porto) ás 6 horas. Penaliza-me a sorte do burro.
Eis a resenha da última odyssea aérea do valente aeronauta Capitão Castanet.”
O Primeiro de Janeiro de 16 de Abril de 1884
Emilien Castanet - Este intrépido aeronauta pede-nos para em seu nome agradecer ao publico Portuense, antes da sua partida para Madrid, o bom acolhimento e as provas de simpatia que n'esta cidade recebeu. no site da Junta de Freguesia de Pigeiros http://www.jf-pigeiros.pt/

Finalmente realiza um último voo a 1 de Abril, em que faz as primeiras fotografias aéreas em Portugal.

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Já no início do século XX, em 1903 surge no Porto um outro aeronauta, Emile Carton que no balão Lusitano, realiza diversas ascensões, que terminariam tragicamente a 21 de Novembro quando com José António de Almeida e César Marques dos Santos, foram arrastados para o mar tendo desaparecido para sempre.

O Balão Cativo

Durante a Exposição de Paris de 1867, Henri Giffard (1825 -1882) instala um primeiro Balão Cativo que se torna um enorme sucesso, sobretudo quando a Imperatiz Eugénia nele subiu.

Por isso para a Exposição Universal de Paris de 1878, Henry Giffard, projecta um enorme balão cativo, que se tornará a principal atracção da Exposição.

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Projecto de instalação de um grande balão cativo a vapor de M. Henry Giffard

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Instalado no jardim das Tulherias, com um diâmetro de 36 m e uma altura de 45m, contém 25 000 m3 de hidrogénio puro, podia subir com 50 passageiros até 600 metros de altura.

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De 10 de Julho a 4 de Novembro de 1878 com uma dezena de ascensões diárias, transportou aos céus de Paris 35 000 passageiros. Foi destruído no chão por uma tempestade em 1879.

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Detail view of the gondola of Henri Giffard's balloon at the Tuileries. Photo by Prudent René Patrice Dagron, 1878.

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Panorama de Paris. Vu de la nacelle du grand ballon captif à vapeur de la cour des Tuileries [1878] Library of Congress Prints and Photographs Division Washington, D.C.

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O balão cativo de Henri Giffard sobre Paris, 1878 Library of Congress Prints and Photographs Division Washington, D.C.

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Passagem de um pequeno aeorostato de 500 m3 sob o grande balão cativo a vapor de M. Henry Giffard.

Quarta-feira, 21 de Agosto, 5h.35min.. Segundo natural por Albert Tissandier

Revista Nature 1878

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Paris : Litografia a cores L. Michel & cie ...,

Library of Congress Prints and Photographs Division Washington, D.C.

Paralelamente a máquina que permitia produzir o gás ainda podia encher diversos balões livres.

O sucesso do Balão cativo leva à sua difusão: Nice e Turim em 1884, Barcelona e Buenos Aires em 1888, Copenhague e Chicago em 1891, Mexico em 1893, Antuérpia 1894, Budapeste em 1896, Leipzig em 1897.

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Chateau aérien. Ballon captif à cloisons étanches, système Tobiansky. Exposition universelle Anvers 1894.

Brussels : 1894.photolithograph, color.

Library of Congress Prints and Photographs Division Washington, D.C.

O Dirigível

Desde o início, procurou-se uma forma de dirigir e manobrar o balão, não o sujeitando ao acaso dos ventos. Com o aparecimento dos motores, primeiro eléctricos e de seguida de combustão, tornou-se possível a construção de balões em que se podia controlar a trajectória e por isso chamados de Dirigíveis.

Várias tentativas foram sendo realizadas. O engenheiro Henri Giffard (1825-1882) construiu em 1852 um "dirigível " O Giffard I que era um balão em forma de charuto de 44 metros de comprimento e cheio de hidrogénio. Deslocava-se por meio de uma hélice movida por um máquina a vapor. Era controlado por uma vela triangular.

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Dirigível Giffard I de Henri Giffard

Houve apenas uma experiência, no Hippodrome, em 24 de Setembro de 1852. No dia seguinte, o jornalista Emile de Girardin escrevia no La Presse:

“Ontem, sexta-feira, 24 de Setembro de 1852, um homem partiu calmamente sentado sobre o compartimento de combustível de uma máquina a vapor, erguido por um balão com a forma de uma imensa baleia... Esse Fulton da navegação aérea chama-se Henri Giffard. É um jovem engenheiro que nenhum sacrifício, nenhuma desilusão, nenhum perigo puderam desencorajar e nem desviar desse empreendimento...Era um belo e dramático espectáculo o do soldado com a ideia afrontosa, com a intrepidez que a invenção transmite ao inventor, o perigo, talvez a morte...Como o governo...não abre um crédito de 1 milhão para tratar a solução do problema da navegação aérea? Há para a França uma solução mais importante?...”

Uma outra testemunha, Emile Cassé, escrevia posteriormente:

“Presentes nessa experiência, nós gostamos de nos lembrar do entusiasmo do público e da sensação estranha que nós sentíamos ao ver o intrépido inventor elevar-se no seu aparelho com o barulho agudo do vapor substituindo, nesta circunstância, a saudação habitual ao público da bandeira de bordo.”

Giffard deixou as suas impressões de primeiro piloto de dirigível numa narração sóbria e clara:

“Parti sozinho do Hippodrome, no dia 24, às 5 horas e 15 minutos. O vento soprava de forma bastante violenta. Não imaginei nem um instante lutar directamente contra o vento, a força da máquina não me permitiu; isso estava previsto antecipadamente e demonstrado pelo cálculo; mas executei com sucesso diversas manobras de movimento circular e de desvio lateral. A acção do leme era perfeitamente sentida, e mal eu puxava levemente uma das suas duas cordas de manobra via imediatamente o horizonte circundar ao redor de mim...”

Após ter subido a 1.800 metros, Giffard aterrou em Elancourt, perto de Trappes.

Henri Giffard continuou suas pesquisas e em 1855 regista uma patente de um dirigível de 220.000 metros cúbicos, com uma máquina de 80 cavalos.

O alemão Karl Wölfert tentou utilizar um motor a petróleo acoplado ao balão, mas em Junho de 1887, o dirigível explodiu.

Dois franceses Gaston (1843-1899) e Albert Tissandier (1839-1906) construíram em 1883, um dirigível fusiforme , com um comprimento de 28 m e com um motor eléctrico de 1,5 cv que movia uma hélice Siemens.

Gaston Tissandier (1843-1899) foi um aeronauta escritor e historiador francês. Foi fundador da revista La Nature em 1873, onde tinha uma coluna de Aeronáutica. Em 16 de Agosto de 1868, ele fez com Jules Duruof a sua primeira ascensão em balão, seguida de muitas outras.

Em 1881 na Exposição de Eletricidade, Gaston e seu irmão Albert Tissandier apresentaram o primeiro modelo de balão eléctrico dirigível. Dois anos depois projectaram um modelo em grande escala, construído por Henri Lachambre. A ascensão do primeiro aeróstato dirigível eléctrico teve lugar em 8 de Outubro de 1883. Um segundo ensaio foi efectuado em 26 de Setembro de 1884. A aeronave deu todos os resultados esperados quanto a possibilidades de manobra, mas não foi possível enfrentar o vento por falta de potência.

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dirigível eléctrico de Albert e Gaston Tissandier em Auteuil, Paris ( 8 de Outubro de 1883 )

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Alberto Santos Dumont (1873-1932)

E será Alberto Santos Dumont que já havia realizado diversas ascensões que irá utilizar o motor a gasolina, colocando o motor suspenso para evitar o risco de explosão.

Depois de diversas tentativas fracassadas finalmente, em 1901, Santos Dumont consegue um balão leve, que pode subir facilmente, reunido a um motor pequeno de alta potência; o conjunto voava sem explodir! Com este dirigível, realizou um percurso em volta da Torre Eiffel, um desafio organizado pelo Aeroclube da França.

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Decidido a solucionar o problema da dirigibilidade, Santos Dumont construiu diversos balões dirigíveis. O primeiro de seus inventos foi um pequeno balão simples, sem motor, que ele chamou de Brasil. De seguida construiu um novo balão com motor e, para afastar o risco de explosão, colocou o motor suspenso, distante do balão.

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Finalmente, em 1901, Santos Dumont consegue um balão leve, que pode subir facilmente, reunido a um motor pequeno de alta potência. Com o seu dirigível, contornou a Torre Eiffel completando o desafio proposto pelo Aeroclube da França e recebendo o Prémio Deutsch de La Meurte.

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Henri-Julien-Félix Rousseau (1844-1910), Le douanier - Le Quai d’Ivry 1908.

Óleo sobre tela 46 x 55 cm. Bridgestone Museum of Art. Tokyo. Japão

A Crença no Progresso

Nos finais do século XIX e no quadro das grandes transformações sociais, económicas e políticas, uma vaga de um certo optimismo e de confiança no progresso, percorreu toda a Europa e os Estados Unidos, e que se radicava, culturalmente, no factor psicológico que, entre outras razões, representava, então, a mudança de século e dos grandes avanços tecnológicos como a fotografia e o cinema, o telégrafo sem fios, o eléctrico e o automóvel, o balão e o dirigível, etc.

Surgem então várias ideias visionárias e prospectivas do futuro e o balão e o dirigível fazem parte dessas visões.

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Hildebrands Deutscher Kakao

A Hildebrands (uma empresa alemã de chocolate) produz de postais com antevisões do ano 2000, baseadas em invenções e descobertas no campo da ciência, das comunicações e dos transportes.

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Jean-Marc Côté desenha para a Villemard na mudança do século um conjunto de 50 cromolitografias do que seria o ano 2000 que se encontram na Biblioteca Nacional de França.

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Aeronave de longo curso

Em Paris são produzidos alguns postais “Paris Futur”com essas visões futuristas da paisagem urbana, em que os transportes ocupam o lugar privilegiado e entre estes, o balão e o dirigível.

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A praça da Bastilha

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A Avenida dos Campos Elíseos

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Os grandes Boulevards

Albert Robida (1848 - 1926) publica em 1890 “Le Vingtième Siècle. La vie électrique” um romance de ficção científica passado em 1955, e em que o autor procura antever as transformações da vida quotidiana dos franceses que resultam do progresso tecnológico. O livro é acompanhado de ilustrações do autor.

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Capa da All Story revista publicada entre 1900 e 1910, por Harry Grant Dart(1869 – 1938), mostrando uma mulher conduzindo um dirigível.

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Em Nova Iorque estreia em 1898 uma comédia musical “The Air Ship” (O navio aéreo), escrita por JM Gaites.

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Cartazes da peça “The Air Ship: A Musical Farce Comedy “ de 1898.

Fonte: paleofutur http://www.paleofuture.com/

A Lisboa do ano 200 na Ilustração Portuguesa II série n.º 6

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O Zeppelin

O Zeppelin foi um dirigível rígido desenhado em 1874 e patenteado em 1895 pelo conde Ferdinand Von Zeppelin (1838-1917) na Alemanha. Ao longo das primeiras décadas do século XX vai sendo desenvolvido como transporte comercial de passageiros até à sua versão final o Graf Zeppelin de transporte transatlântico nas décadas de 20 e 30.

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O primeiro Zeppelin, o LZ1 -no lago Constance em Friedrichshafen, em 1900

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O Graf Zeppelin

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O Zeppelin no Rio de Janeiro

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O Zeppelin em Nova Iorque

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A versão soviética do Zeppelin

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O Zeppelin em Portugal

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Cunha, Ferreira da, 1901-1970 Panorâmica de Lisboa, vendo-se a Encosta do Castelo e a Sé sobrevoados pelo dirigível Zeppelin

Negativo de gelatina e prata em vidro9 x 12 cm AFML

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Ilustração de Stuart Carvalhais saída na "Ilustração", 1 de Maio de 1929.

“Sobre Lisboa, maravilhosa e atónita, pairou na quarta-feira, 24, um dos prodígios da moderna engenharia: o dirigível ‘Conde Zeppelin’, que o sábio construtor Dr. Eckner levou a cabo e dirige. Lisboa viu pela primeira vez um espectáculo que nunca mais esquecerá e que o lápis do grande artista, que é Stuart Carvalhais, fixou na impressiva mancha que aqui reproduzimos”.

“Sobre Lisboa, maravilhosa e atónita, pairou na quarta-feira, 24, um dos prodígios da moderna engenharia: o dirigível ‘Conde Zeppelin’, que o sábio construtor Dr. Eckner levou a cabo e dirige. Lisboa viu pela primeira vez um espectáculo que nunca mais esquecerá e que o lápis do grande artista, que é Stuart Carvalhais, fixou na impressiva mancha que aqui reproduzimos”. http://www.joaojosemarques.net/

O fim do Zeppelin

Em 1937 o maior dos Zeppelin o “Hindenburg” saiu de Hamburgo com 97 ocupantes a bordo, sendo 36 passageiros e 61 tripulantes, cruzou o Atlântico a 110 km/h, e a 6 de Maio de 1937, quando se preparava para descer na base de Lakenhurst, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, um incêndio tomou conta da aeronave e o saldo foi de 13 passageiros e 22 tripulantes mortos e um técnico em solo, no total de 36 pessoas. O acidente filmado e sobretudo transmitido numa dramática e comovente reportagem em directo, numa época dominada pelo cinema e a rádio e em que o avião ganhava já terreno como transporte aéreo, teve um impacto de tal ordem que pôs fim à exploração comercial do Zeppelin.

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O balão e o dirigível vão quase desaparecer e só no final do século 20, com o desenvolvimento de novas tecnologias, irão renascer, quer com aplicações científicas nomeadamente na meteorologia, quer sobretudo na publicidade, no lazer e no desporto. Neste campo populariza-se o balonismo utilizando o balão de ar quente, concretizando o sonho de Bartolomeu de Gusmão e dos Montgolfier.

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