Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Os Planos para o Porto - dos Almadas aos nossos dias 1

1. O “Plano de Embelezamento” dos Almadas

Se não existe um Plano formalizado ou desenhado para o ordenamento da cidade do Porto, nos finais do século XVIII e sob a orientação iniciada por João de Almada e Melo (1703/1786), definiu-se de facto uma estratégia para a renovação da cidade existente e para a planificação do ordenamento das zonas que se estendiam para fora das muralhas, influenciada pelos planos pombalinos da reconstrução de Lisboa. É este “planeamento sem plano”, que se prolongará até aos meados do século XIX, que nos importa aqui referir nas suas linhas essenciais. Para aprofundar a evolução da cidade do Porto neste período 1760 – 1840, existem entre outras publicações, as essenciais de ALVES, J.J B. Ferreira - O Porto na Época dos Almadas, Porto CMP 1988; FERRÃO, Bernardo - Projecto e transformação urbana do Porto na época dos Almadas 1758/1813, Faup 1989; NONNEL, Annie Günther – Porto 1763/1852 - a construção da cidade entre despotismo e liberalismo – Faup 2002 e BERRANCE, Luís - Evolução do desenho das fachadas da habitação Almadina - CMP 1993.

A Companhia e a Junta de Obras Públicas

Em 1756, o Marquês de Pombal cria, por Alvará Régio, a Companhia Geral das Vinhas do Alto Douro, já que data de 1678 a primeira exportação de vinhos para Inglaterra, registada na Alfândega do Porto e com o Tratado de Methwen de 1703, a exportação do Vinho do Porto vai aumentando sendo a partir de 1718 sensível o aumento dessa exportação.

O Marquês de Pombal com Companhia pretendia não só desenvolver a produção do Vinho do Porto, como defender a sua qualidade, e aumentar (aliás com sucesso) a sua exportação:

"...huma Companhia que, sustentando a cultura das vinhas, conserve a produção dellas na sua pureza natural, em benefício da lavoura, do commercio, e da saude pública...".

…”Companhia Geral das Vinhas do Alto Douro, que é sem exageração, a base principal do comércio desta cidade, um dos maiores e mais fecundos ramos que o promove, e a grande alma que o anima, assim como na indústria como nos interesses gerais.” Descrição Topographica da Cidade do Porto p.e Agostinho Rebelo da Costa

A duração da Companhia era fixada em 20 anos. O seu capital de um milhão e duzentos mil cruzados.

Para a execução destas políticas foi então demarcada a região da cultura do vinho do Porto, e entre as regalias da Companhia figurava o monopólio da exportação dos vinhos, aguardentes e vinagres, e o da venda de vinho na cidade do Porto e arredores.

Esta disposição e privilégio da Companhia, não só encarecia o vinho, como conflituava com os interesses dos retalhistas.

Assim logo em Fevereiro de 1757, estala um motim popular, encabeçado pelos taberneiros, e que pretendia acabar com a Companhia dos Vinhos.

O ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, envia para o Porto o tenente general João de Almada e Melo (1703/1786), seu primo, para reprimir essa revolta, considerando que atentar contra a Companhia era crime de lesa-majestade. Reprimida a revolta a sentença é proferida em 12 de Outubro de 1757 e condena o Juiz do Povo e mais 25 acusados, homens e mulheres, à pena de morte (forca); 99 a degredo e confiscação de bens; 63 a prisão e 33 a penas menores.

João de Almada que será Governador de Armas do Partido do Porto em 1762, e em 1764 Governador das Justiças e Relação da Casa do Porto e presidente do Senado Portuense, ainda em 1761, em pleno período da reconstrução de Lisboa, envia a D. José (na verdade a Sebastião José de Carvalho e Melo) uma "Conta" ou seja um relatório em que refere alguma das causas que levariam à necessidade de encarar a cidade de uma forma diferente:

O aumento do comércio, da população e o aparecimento de novos bairros

… "Havendoce aumentado no prezente seculo o commercio desta cidade ao auge a que se acha, cresceu com elle igualmente a sua povoação e opulência e nam sendo ja suficiente o lemitado âmbito que lhe constituirão as suas muralhas para comprehender todos os moradores fundarão estes para sua habitação novos bairros que lhe sam contíguos e hoje maiores que a cidade antiga";…

2ª A falta de planificação das novas zonas

…"Senão praticou no estabelecimento dos ditos regularidade algua servindo só de plano para as novas obras o particular capricho das pessoas que as edeficaram";…

3º A permanência do traçado irregular

…"Reduziram-se a ruas principaes estradas que se derigião as portas e postigos das muralhas conservando-se porem a dezigualdade do pavimento e a tortuoza figura da sua antecedente direção";…

4º A abertura de ruas travessas

…"com semelhantes e mais excessivos defeitos… “

E propõe-se elaborar projectos e concretizar obras no sentido de criar uma nova e "regular" cidade com novas construções e os novos arruamentos feitos segundo um plano prévio. Esta estratégia desenvolvia-se em três direcções:

1. Ligar a zona ribeirinha da cidade com a sua parte alta na cidade intramuros;

2. Expandir a cidade para norte e regulamentar as novas construções.

3. Regularizar a construção de novos bairros extramuros.

Para a coordenação destes trabalhos é criada em 1758 a Junta das Obras Públicas, sendo o seu financiamento obtido com um imposto lançado sobre o comércio do vinho.

A acção da Junta prolongar-se-á, com continuidade, durante o reinado de D. Maria I “a Viradeira” (1777/1792), a regência de D. João VI e as invasões francesas (1807, 1809 e 1810). Traçaram-se diversos planos parciais para abertura de ruas e para a sua edificação. Podemos por isso falar num autêntico “plano”, que se conformará num desenho da totalidade da cidade nas plantas de 1813 e de J. F. Paiva (ant. 1824)

A Junta de obras Públicas neste período de transição entre os dois séculos, assume a completa responsabilidade das obras da cidade:

• Os planos e a elaboração dos projectos,

• A sua aprovação

• As diligências necessárias para a sua concretização.

Competia-lhe assim:

1. Contratar os projectistas (engenheiros militares / arquitectos) para a elaboração de planos; Os projectistas já não são os arquitectos-artistas do Barroco, mas sim os engenheiros-militares, com uma visão mais racional e estratégica do desenvolvimento e embelezamento urbano;

2. Estes planos e projectos são desenhados, estando por isso documentadas as intervenções urbanas num conjunto de planos parciais, para diversas zonas da cidade;

3. Comprar e expropriar os terrenos necessários; entretanto havia sido criada legislação de expropriação, com base num novo conceito de interesse público, para Lisboa após o terramoto, mas que irá permitir a concretização das intervenções na cidade do Porto;

4. Adjudicar as obras e fiscalizar as construções;

5. Regulamentar os traçados, e as construções. Criam-se normas para construção dos edifícios quanto à composição das fachadas, obedecendo a regras de composição neoclássica.

Assim, neste período, regularizam-se e abrem-se diversas praças e criam-se ou procede-se ao arranjo das alamedas e jardins públicos.

alamada2

Regularizam-se e abrem-se novas ruas.

almada1

Constroem-se - dentro de uma estratégia urbana de localização - vários edifícios civis públicos.

alm3

Constroem-se vários edifícios religiosos.

alm4

Constroem-se ou remodelam-se diversas Casa e Palácios.

alm5

E finalmente, depois de um projecto de Carlos Amarante de uma ponte de pedra à cota alta, que não é realizado, constrói-se, segundo um projecto do mesmo engenheiro, a ponte das Barcas (1806-1842) primeiro atravessamento regular do Douro.

ponte 1

Projecto d’uma Ponte para a Cidade do Porto sobre o Rio Douro 1802 - Carlos Luís Ferreira da Cruz Amarante

ponte2

Vue de Ia Ville et du Port de Porto. H. L’Evêque. d. London P.ed 1817

Inicia-se ainda uma preocupação com as infra-estruturas como o abastecimento de água, com a construção de fontes e fontanários.Constroem-se e recuperam-se os cais, pavimentos e calçadas, introduzindo nos arruamentos os primeiros passeios para utilização exclusiva de peões. Efectuam-se os primeiros ensaios de iluminação pública, na rua dos Ingleses em 1771.

Todas estas intervenções integradas num verdadeiro plano não desenhado para a totalidade da cidade, mas num somatório de planos “de pormenor” para cada uma das intervenções.

totalalm1

As intervenções na planta Redonda de 1813.

alm6

As realizações do final do século XVII e início do século XIX. fonte SRU Porto Vivo.

Com a revolução Liberal, em 1820, inicia-se um novo ciclo de intervenção urbana, mas cuja concretização só se faz sentir com a extinção da Junta de Obras Públicas (1833) e a partir dos meados do século XIX com a Regeneração e a política de Fontes Pereira de Melo.

2. José Francisco de Paiva urbanista?

José Francisco de Paiva (1744-1824) nasceu na freguesia de S.ta Maria de Campanhã, em 9 de Maio de 1744.

“Dos seus irmãos, importa salientar o secundogénito, Francisco José de Paiva também ensamblador, que por ter vindo trabalhar para Lisboa no ano
de 1796, se inscreveu na Casa dos Vinte e Quatro, declarando ser oficial-marceneiro, e ter «aprendido na cidade do Porto com seu irmão Me (mestre) do dito
Offício»; e o penúltimo da irmandade, António Francisco de Paiva, mencio­nado no testamento do nosso ensamblador, como testamenteiro e tutor de
seu único filho, um pobre demente.

Ao ser chamado para Deus quase com 80 anos (Fev.° de 1824), na sua casa da Rua dos Quartéis da Torre da Marca (hoje Rua D. Manuel II), «defronte do Quartel do Regimento Numaro Sexto », J. F. de Paiva deixou viúva Ana Maria Pinta, legando-lhe, além daquele onde habitavam, mais dois prédios situados na mesma rua. Um deles, de gaveto, deve ser o mencionado na vistoria camarária de 1780, demolido no séc. XIX para dar lugar ao que actualmente ali existe.

A planta do terreno e os documentos da vistoria camarária para a construção deste prédio, constituem as primeiras notícias encontradas nos arquivos portuenses e relacionados com a vida profissional de J. F. de Paiva.

No mesmo ano de 1780 J. F. de Paiva, por encomenda de uma irmandade, ou do fabriqueiro de alguma igreja recém-construída, desenhou uma bela estante de coro, com obra de talha e decoração em metal recortado e vasado, para ser executada, com toda a probabilidade, na sua oficina de mestre marce­neiro. E até final do séc. XVIII, alternar-se-ão obras de arquitectura, de marcenaria e de decoração de interiores, num ritmo constante.”

Em 1788 ou 90 desenha a fachada do novo hospital da Ordem Terceira do Carmo que se constrói a partir de 1791.

Em 1793 é encarregado pela Câmara da construção da praça de touros no Campo de Santo Ovídio quando dos festejos do nascimento da filha do Príncipe Regente, futuro D. João VI.

Em 1797 é nomeado “Architecto do Real Quartel de Santo Ovídio”.

(in PINTO, Maria Helena Mendes – José Francisco de Paiva. Ensamblador e arquitecto do Porto [1744-1824], Lisboa: Museu Nacional de Arte Antiga, 1973)

No final do século XVII, como arquitecto, desenha a igreja da Confraria de Nossa Senhora de Campanhã, o Novo Matadouro, e o arranjo do Largo das Fontaínhas.

Entre 1818/19 (data da instalação da Câmara na casa Monteiro Moreira (já referida na legenda da planta) e 1824 (data da sua morte) José Francisco de Paiva elabora uma Planta da Cidade do Porto, de que se conhece um exemplar muito deteriorado.

Esta planta, nem nos seus limites nem na cidade edificada, não difere muito da planta de 1813.

No entanto o que lhe confere o carácter de “plano” é o facto de ser uma planta realizada com objectivos civis e não militares, não se conformando a cartografar a cidade existente, mas projectar (a tracejado) um conjunto de ruas e de edifícios (projectados ou em construção). Para acentuar este carácter de instrumento de planeamento a indicação dos “(L)ampioens (que) (v)ão apontados com pontinh(os) prêtos”.

24total

PLANO DA CIDADE DO PORTO(entre 1818 e 1824) por ]osé Francisco de Paiva Dim. 100x66 (96x62) cm Arquivo Histórico Municipal do Porto

A Planta orientada para o norte magnético, está dividida em 54 quadrados (6x9) de lado correspondente à escala gráfica.

Tem uma cartela no canto superior direito onde se pode ler:

24cart1

PLANO DA CIDADEDO PORTO para este ser(vi)r aos novos alinhamentos projectados ( e) Praças preci( s)as na extenção do mesmo (P)lano; para a(c )autelar a construção dos E(difi)cios para o(fu)turo; e igualmente servir (?) governo á iluminação da Cidade: Os (L)ampioens (v)ão apontados com pontinh(os) prêtos e (??) alinhamentos e Praças (??) ão-se no (??) escrita com numaro (??) algaris(mos) (??) crição dos ditos Lampi(oens) (??) para (??) nte e por esta (??) antidade se faz (?) rçamento e calculo do (??) sua despeza.

Na parte inferior uma escala gráfica em palmos.

24 escala

No canto inferior direito uma legenda em que se apontam os “Edificios públicos, Conventos, Colégios, Igrejas”. Nesta Legenda está assinalado com “ III” a “Casa da Camara”.

24legenda

Os limites da planta

A poente

24poente

A nascente

24nascente

A norte

24norte

A sul

24sul

Gaia

Porto_1824 gaia

Correspondendo a este carácter de “plano” está projectada a rua da Bandeirinha (Restauração) que será aberta em 1825 e a rua do Pombal (rua Casais Monteiro).O hospital de Santo António desenhado na sua parte construída, já mais adiantado do que na planta de 1813, e está indicado o projecto na sua totalidade. Também os quartéis da rua dos Quartéis (D. Manuel II) aparecem projectados na sua totalidade.

24rest

No Campo de Santo Ovídio (praça da República) estão projectadas as diversas vias que partiam dos quatro cantos da praça.

· O prolongamento da rua da Boavista para poente;

· Uma via no lado sul da praça que não será realizada;

Do lado nascente urbanizando a Quinta de Santo António do Bonjardim (pertencente a Gonçalo Cristóvão) um conjunto de ruas:

· No sentido O/E e até à rua do Bonjardim: a rua Gonçalo Cristóvão e a futura rua Nova do Duque do Porto (hoje rua João das Regras).

· No sentido N/S até à praça do Laranjal (da Trindade) uma nova rua (Camões) e da praça do Laranjal para norte uma rua até à rua e ao largo do Bonjardim (largo Tito Fontes).

Estas ruas serão abertas a partir de 1839.

No cruzamento da rua da Torrinha com a rua de Cedofeita seria projectada uma praça. Desta partia uma ligação a norte à rua de Santo Ovídio (Mártires da Liberdade) e uma outra rua a sul que formaria uma outra praça no encontro com a rua de Santo Ovídio um pouco a norte do largo do Mirante (largo Coronel Pacheco).

O traçado mais interessante é, contudo, o arruamento que partia desta praça partia até ao limite NE da planta formando uma nova praça quadrada no encontro com uma via projectada que partia na direcção norte com início no cruzamento da rua Direita com a rua Formosa (a futura rua Santos Posada).

24rint

A norte da praça Nova, onde a Câmara Municipal se instalou desde 1819 no palacete Monteiro Moreira, está apontada uma rua que será a futura rua de D. Pedro.

Porto_1824 dpedroaz

A Praça Nova

Imagem1

1 Casa da Câmara 2 Casa Morais Alão 3 Convento dos Congregados 4 Convento de Santo Eloy 5 Convento de Avé Maria de S. Bento 6 Fonte da Natividade 7 Tanque da Praça Nova

casa da camara

Joaquim Villanova Casa da Câmara 1833Palácio Monteiro Pereira 1725/27.

fontedanatividade

Planta da Fonte da Natividade publicada na Borboleta Constitucional 1822

A fonte da Arca (da Natividade), construída em 1682

“Sobre este segundo corpo se levantava no meio da semicircular frontaria hum grande nicho, ou oratório todo de pedra lavrada, aonde estava colocada a imagem de Nossa Senhora da Natividade, donde provem o nome, porque era conhecido este estabelecimento.

Este oratório estava adornado pela parte exterior com duas colunas de granito, as quais assentavam aos lados de uma varanda de ferro, que tinha nos extremos duas grandes lanternas com luzes constantemente alimentadas pela devoção dos fieis; o cimo deste oratório era rematado por terceira cornija que de tão alta posição vinha em forma curva, como deslisando, finalizar nas extremidades do frontispício, que posto não ser e quase sempre estar a alvenaria toda caiada a branco com mistura das duas cores preta e vermelha, das quais tanto uso fazem os nossos trolhas, não deixaria de ser interessante, por indicar o gosto singular de nossos antepassados, que tendo talvez a lembrança de formar hum bazar, destinaram a principal parte dele para oratório e colocação de imagens, pois não era só a da

Padroeira que ali estava, porem muitas outras de barro mal trabalhadas, pousadas cá e lá em toda a extenção da cornija final, e mesmo da segunda, e de tal forma dispostas que mostravão ser o mau gosto o presidente das decorações ou ornatos desta obra.

As lojas eram dispostas nas costas desta frontaria ficando divididas em duas alas: uma encostada a ela, e por conseguinte á parte do sul, e a outra á parede exterior do edifício recebendo toda a luz por frestas praticadas no fundo ou costas das mesmas lojas, e por clarabóias que igualmente a davam ao corredor, que separava pelo meio estas duas alas, e para o qual se entrava por duas portas abertas nos dois extremos desta galeria e quase a par das duas cancelas de ferro acima lembradas: eram adornadas estas portas com pirâmides de pedra, iguais às que guarneciam a parte superior de todo este bazar; das portas havia chaves dobradas, ficando huma para a serventia e uso dos lojistas, e outra para o senado da camara.” (BPMP, Ms. 1295 – citado em Silva, Rafael Santos - Praça da Liberdade: 1700-1932 , Uma história de Arquitectura e Urbanismo no Porto – Dissertação de Mestrado. FLUP)

O tanque da Praça Nova

A Junta das Obras Públicas decide erguer na Praça Nova uma nova fonte desenhada por Champaulimaud de Nussane em 1794 e cuja construção decorreu entre 1794 e 1797.

image

Planta baixa e elevação de huma ligeira e Formosa Fonte projectada por Ordem do Ill.º Sr.º Manoel Francisco da Silva Veiga Ex.º Chanceler Presidente das Obras Publicas, para a Praça Nova (…) D.Joze Champaulimaud de Nussane 13 de Março de 1794”

Na Zona intramuros está projectada uma rua prolongando a rua de Belmonte até à Sé, e uma outra rua que partindo do largo de S. Domingos (reordenado) iria até à praça de S. Roque, e que constitui um troço da futura rua de Mouzinho da Silveira.

24se

Está projectada a rua de S. Lázaro (rua do Heroísmo) bem como a rua de Barros Lima (hoje António Carneiro) entre a rua de São Lázaro (Heroísmo) e a rua do Sr.º do Bom Fim.

Porto_1824 heroismo azul

Está ainda projectada a rua de S. Victor de S. Lázaro até ao Seminário, este desenhado num projecto de planta quadrada com uma capela no centro (como o Hospital de Santo António). Ainda está projectado um arruamento entre a rua de S. Lázaro e o Passeio das Fontaínhas onde se localiza o Matadouro projectado pelo próprio J. F. de Paiva.

Porto_1824 fontainhas

3. 1820 - 1839

Segue-se um período conturbado de Guerra Civil, e a cartografia da cidade volta a ser dominada por preocupações militares, como é o caso das plantas do Cerco do Porto: a Litografia da Academia das Ciências “Planta do Porto e suas Vizinhanças /A.Mip Alvis deli, 1829 London: Dean J. Murray Lithographers”, a “Planta do Porto [e arredores] lit. A. C. de Lemos.”, a “Carte Topographique des Lignes d’Oporto” do Coronel Moreira e a planta “The Environs of Oporto. View of OPORTO from Torre da Marca” de W. B.Clarke de 1833.

Estas plantas com objectivos militares tem como mérito cartografar um território mais vasto do que a cidade edificada, em particular a foz do Rio Douro.

Mas, só em 1839 se retoma a cartografia “civil” com a planta de Joaquim da Costa Lima Júnior, onde de novo, são projectados novos traçados urbanos e novos edifícios. (ver neste blogue “A Planta Topographica da Cidade do Porto 1839” publicada em 28 de Julho de 2010).

(CONTINUA)

1 comentário:

  1. boa tarde. peço desculpa por incomodar mas sera que me podia dar a fonte (link?) da planta "As realizações do final do século XVII e início do século XIX. fonte SRU Porto Vivo.". procurei no site e não encontrei.
    muito obrigada.

    ResponderEliminar