Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















terça-feira, 17 de agosto de 2010

Os Planos para o Porto – dos Almadas aos nossos dias 2

4. o período de 1840 a 1881 – o crescimento da cidade sem plano

A partir dos anos 40 do século XIX segue-se um longo período de acelerado desenvolvimento do Porto, correspondente aos reinados de de 1834 a 1853 de D. Maria II (1819-1853), do reinado 1853-1861 do seu filho D. Pedro V (1837-1861) e do reinado 1861- 1889 do seu outro filho D. Luís I (1838-1889).

No entanto este desenvolvimento do Porto manifesta-se por um crescimento “orgânico”, e não planeado da cidade. Só em 1881 o então presidente da Câmara Correia de Barros irá formalizar um “Plano de Melhoramentos” num momento em que está em execução uma Carta da Cidade que estará concluída em 1892. Nos meados deste período, em 1865, Frederico Perry Vidal reelabora uma Planta de 1844, de modo a servir os visitantes da Exposição Universal do Porto que então se realiza no Palácio de Cristal.

De facto o Fontismo traz profundas transformações ao País, mas com profundas repercussões nas duas grandes cidades Lisboa e Porto. Há um sensível incremento da produção industrial, da produção agrícola, e por isso da comercialização dos produtos. Aumentam nas duas cidades as classes trabalhadoras assalariadas (operários da indústria e da construção civil). Desenvolvem-se e multiplicam-se os transportes (caminhos de ferro, transportes rodoviários e transportes urbanos) e os meios de comunicação (jornal, telégrafo) favorecendo o desenvolvimento de todos os sectores da economia. Assiste-se à formação do capitalismo com a criação dos primeiros bancos (3 em 1858, 12 em 1865, 36 em 1874 e 51 no final do século) das companhias de seguros, e das sociedades anónimas (oito em 1850 até 600 na viragem do século).

Paralelamente, às migrações internas para a cidade verifica-se uma enorme emigração para o Brasil, como sintoma das dificuldades no campo e do apelo exercido pelos meios urbanos.

O Porto (e Lisboa) a partir da segunda metade do século XIX, conhece os problemas das grandes cidades europeias, criados pelas rápidas transformações e desenvolvimento urbano: crescimento da população urbana e aumento das densidades populacionais e habitacionais; aumento de soluções de habitação precária e sobre ocupação de espaços residenciais; criação de zonas urbanas degradadas e más condições sanitárias.

Pela primeira vez na história a expansão das cidades provocará a perda dos seus ritmos e limites naturais já que o nascimento das periferias, ligado à do transporte público, quebra a escala tradicional do andar a pé, estendendo o espaço urbano teoricamente até ao infinito e simultaneamente a iluminação artificial (e nomeadamente a iluminação pública) quebra a cadência dia/noite aumentando o período de trabalho e criando a vida nocturna.

O comércio, tradicionalmente associado à cidade do Porto, torna-se uma das mais significativas funções urbanas, criando novos empregos e novas profissões como empregados de comércio, distribuidores e contabilistas. A criação e progressiva generalização do ensino público, obriga à criação na cidade de novos equipamentos e ao aumento dos profissionais ligados ao ensino. Do mesmo modo as novas necessidades da administração pública produzem uma nova classe de funcionários.

A revolução dos transportes produz também alterações na cidade sejam as estações de caminho de ferro cuja localização é geradora de novos espaços urbanos e de urbanizações e edificações, sejam os hotéis, restaurantes e o comércio associados aos viajantes.

A extensão das cidades, o aumento da sua população, e as transformações que daí resultam fazem surgir os novos problemas de subsistência e trabalho, de abastecimento, de circulação, de alojamento, de ordem pública, a criação de equipamentos de saúde, de cultura e de lazer, e ainda a necessidade de novos símbolos urbanos.

A planta de Perry Vidal de 1844 e corrigida em 1865

A planta de 1865 publicada no ano seguinte da chegada do caminho de ferro a Gaia e nas vésperas da Exposição Universal do Porto em 1865 tem como objectivo incluir o Palácio de Cristal, criar uma planta actualizada para os que se deslocarem ao Porto na ocasião da Exposição.

Apresenta no interior da área central a construção do Palácio da Bolsa, demarcando assim um novo centro financeiro, e simbolizando o poder da Associação Comercial, criada em 1833.

Na área periférica de expansão, regista-se a evolução das quatro zonas identificadas anteriormente.

A Norte do Hospital de Santo António, regista-se por um lado o alongamento da Rua do Pombal (Adolfo Casais Monteiro), e por outro lado a edificação quase completa dos dois eixos Nascente-Poente: as Ruas do Breiner e do Príncipe (Miguel Bombarda).

No Bonfim, identifica-se a abertura de duas novas ruas - Santos Pousada e Moreira.

No prolongamento da Rua da Boavista, a implantação do Hospital Militar.

A implantação do Palácio de Cristal na zona Ocidental da cidade, aliás o motivo da planta.

Finalmente a implantação da Nova Alfândega.

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VIDAL, Frederico Perry - Planta da cidade do Porto contendo o palácio de Christal, nova alfândega, e diversos melhoramentos posteriores a 1844

[Material cartográfico / por F. Perry Vidal ; gr. Emygdio. Escala [ca. 1:6600], 4000 Palmos=[13,30 cm]. Lisboa : Off. de Vasques & cª., 1865. - 1 pl. : p&b ; 44,80x60,60 cm em folha de 55,20x73,20 cm. Nos cantos inferiores, contém uma pequena notícia histórica da cidade, em português e em francês. O exemplar, C.C. 261 A., apresenta uma cota antiga inscrita no verso . Contém ainda escalas gráficas de "879,20 Metros" BND

A planta com um objectivo claramente turístico, tem duas cartelas onde se apontam as características da Cidade e os seus principais monumentos e equipamentos, em português e em francês.

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Foi fundada pelos Suevos e é Cidade episcopal desde o século V, está situada na margem direita do rio Douro a uma pequena légua da sua foz, sobre dois morros que são o da Sé e o da Vitória, formando um grande amphiteatro. É Capital da Província do Douro, sendo pela sua população (calculada em mais de 80 mil habitantes) e pelo seu commercio a segunda capital do reino. Tem 7 freguesias, Sé - S.to Ildefonso - Victoria – S. Nicolau – S. Pedro de Miragaia – S. Martinho da Cedofeita – e S. Marinha de Villa Nova de Gaya. Os principaes edifícios publicos são o hospital real – a cathedral – a soberba igreja dos clerigos cuja torre é a mais alta do reino e excede as de Hamburgo – Bristol – Bolonha – e Riga, sendo de altura até o assento da bolla 70 metros e 30 cent.os, e descobrindo-se a distancia de 10 légoas as mar, serve de marca para se dirigirem por ella todas as embarcações que entrão pela barra do rio Douro. A casa da Relação e cadeia, o grande quartel de S.to Ovidio, com capacidade para admitir 3000 homens, o paço episcopal, o palacio da Camara Municipal, na praça de D. Pedro, a Igreja de N. S.a da Lapa onde está depositado o coração do Duque de Bragança, o real theatro de S. João, comparavel com os milhores de Italia, o Tribunal e praça do Commercio, pela sua bella architectura e riqueza das suas salas, ornatos e pavimentos. São dignas de mencionar as bellas e novas praças do Anjo, e Bulhão, que servem para venda de frutas, hortalice, ves, &, o Campo da Regeneração, a Praça da cordoaria pelo seu tamanho, o bello palacio de christal e o magnifico ponto de vista do seu parque, o museu Allen Municipal, os palacios particulares, - dosCarrancas – hoje pertencentes à Casa Real; - da Feitoria Inglesa; do Visconde de Beire, e o de Joaquim Pinto Leite, de bellissima architectura e recentemente concluido com manificencia.

Na legenda numerada de 2 a 64, destaca-se a referência às Hospedarias (5), aos Hospitais (4), Bancos (2) e Companhias de Seguros (3), Teatros (3), ao Correio Geral, ao Museu Municipal, aos principais largos e praças e ainda aos principais monumentos.

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2 Administração Civil 3 AlFandega 4 “ ou deposito de g.º Coloniaes 5 Academia Polythechnica 6 Asylo da 1ª Infancia 7 Assemblea Portuense 8 Club Portuense 9 Bibliotheca e Atheneo 10 Banco Commercial do Porto 11 Caixa filial do B.º de Portugal 12 Cathedral 13 Cadeia e Relação 14 Correio Geral 15 Hospicio dos expostos 16 Convento de S.ª Clara 17 “ Monchique 18 Calçada do Corpo da guarda 19 Cemitério da Lapa 20 “ do Carmo 21 Comp.ª de Seguros Bonança 22 “ “ Segurança 23 “ “ La Única de Madrid 24 Memoria de D. Pedro V 25 Hospital Real de S.º António 26 “ dos 3.º do Carmo 27 “ de S. Francisco 28 “ N.ª S.ª do Terço 29 “ dos Lázaros 30 Hospedaria do Peixe 31 “ Aguia d’ Ouro 32 “ Estrella do Norte 33 Hosped.ª do Cysne 34 “ Lusitania 35 “ Estanislau 36 Igreja dos Clerigos 37 “ Congregados 38 “ Cedofeita 39 “ S.º Ildefonso 40 “ S. Pedro de Miragaia 41 “ Boa Nova 42 Largo de S.º Ildefonso 43 “ S. João Novo 44 “ das Taipas 45 “ do Corpo da guarda 46 Memoria de D. Pedro IV 47 Paço Episcopal 48 “ Municipal 49 Postigo do Sol 50 Praça do Coronel Pacheco 51 “ de S.ª Thereza 52 “ do Anjo 53 Passeio publico 54 “ das Fontainhas 55 “ Virtudes 56 Palacio dos Carranca, hoje da Casa Real 57 “ do Visconde de Beire 58 Quartel da Guarda Municipal 59 Recolhimentos das Orphãos 60 Tribunal e Praça do Commercio 61 Theatro S. João 62 “ Baquet 63 Circo dos Cavalinhos 64 Museu Allen Municipal

Os limites da Cidade

A Cidade é cartografada tendo como limites:

A Poente

Hospital Militar / rua de S. Paulo / rua da Piedade / cemitério dos Ingleses / torre da Marca / palácio de Cristal / Alameda de Massarelos.

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A Nascente

R. de Mt.e Bello / Campo Grande /rua do Bom Fim / Estrada p.ª Campanhã /rua de S. Victor / rua de Wellesley / Cemitério do Prado

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A Norte

Hospital Militar / R. das Vallas - Est. p.a Vianna (na continuidade da rua de Cedofeita) / Ramada

Águas Férreas

Est. P.ª Braga Telegrapho - Lapa / R. do Paraizo

Est. p..ª Ag.ta e Guimarães na continuidade do Bairro Alto / Fontinha

Est. p.a e Guimarães na continuidade da rua da Bella Princesa

R. 24 de Agosto

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A Sul

Valle Piedade / CASTELLO DE GAYA / GAYA / Caes de Gaya / Campo Bello / Cruz / C. das Freiras / Convento das Freiras / VILLA NOVA / R. D.ta de Villa Nova / Convento do Pilar

Em Gaia reconhecem-se alguns quarteirões de Villa Nova com a sua rua Direita, o convento das freiras (Corpus Christi) e mais a poente, o aglomerado do Castello de Gaya. De destacar a Calçadas das Freiras e a Rua Direita de Villa Nova que faziam a ligação, para quem vinha do Sul à ponte Pênsil.

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A correcção introduzida em 1865 destina-se ainda a implementar os novos equipamentos. Na Rua da Boavista o Hospital Militar representado de uma forma esquemática.

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E ainda na zona ocidental da cidade, os três edifícios que marcam o Porto do século XIX – o Palácio da Bolsa, o Palácio de Cristal e a Nova Alfândega, também desenhados de forma esquemática já que os projectos definitivos irão ser diferentes.

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São poucos os traçados de arruamentos em relação à planta de 1839.

O prolongamento da Rua do Pombal (Adolfo Casais Monteiro)

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A abertura das ruas – de Bragança e Moreira.

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A Ponte Pênsil

A planta de Perry Vidal acrescenta, como elemento mais marcante da cidade, a Ponte Pênsil (D. Maria II).

De facto, a possibilidade de travessia do Douro através da Ponte Pênsil, a partir de 1843, substituindo a velha ponte das Barcas, vai imprimir uma nova dinâmica na relação das duas margens.

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"A abertura da Ponte Pencil devia ser feita com solemnidade, convidhando as authoridades e pessoas de distincção, mas a repentina e grande enchente do Rio Douro obrigou a retirar-se a de Barcas, e dar-se passagem pela pensil; este acontecimento fez com que não se pudesse pôr em práctica o que deixo dicto. E sim faço público que desde hoje em diante fica servindo de passagem publica a Ponte pencil pois que a de Barcas sahiu de vez. Porto 18 de Fevereiro de 1843" - João Coelho de Almeida

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Vue de Porto. Vista do Porto. Paris. L. Turgis J.ne Imp.r r. dês Ecoles et á New York Duane S.t 78. Dessiné et Lithog. par Doroy.

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Gravura do Barão de Forrester, destinado a ilustrar, com outros, a litografia do seu mapa “O Douro portuguez e Paiz adjacente”, estampado em 1860.

5. O Plano de Correia de Barros e a Carta de Telles Ferreira 1892

Os modelos de Paris e de Barcelona

Na segunda metade do século XIX, várias cidades europeias irão criar planos de reconversão e expansão, que irão servir de modelo, em Portugal às intervenções em Lisboa e no Porto. Em primeiro lugar Paris, com as intervenções dirigidas pelo Barão de Haussmann (Georges Eugène Haussmann 1809 – 1891) tornando-a a primeira cidade a adaptar-se à sua época, tornando-se o mole por excelência da renovação das cidades europeias. Lisboa e Porto sonham com uma avenida dos Campos Elísios e com uma arquitectura parisiense cujo principal expoente é a Ópera (1860/75) de Charles Garnier (1825-1898). A outra cidade é Barcelona com a sua expansão (o Ensanche) segundo um plano desenhado por Cerdà (Ildefons Cerdà i Sunyer 1815-1876).

Paris

Quando Napoleão III o nomeia em 1853 Prefeito de Paris, Haussmann sistematiza um programa completo de renovação urbana. O “plano” de Haussmann consiste num conjunto coerente de intervenções - traçados, redes, edificação e reorganização administrativa - que servirá de modelo quer para as cidades francesas (Marseille, Lyon, Lille, Bordeaux, Le Havre, Toulon, Montpellier, Toulouse, Rouen, Brest), quer para muitas outras cidades estrangeiras.

O programa de Haussmann compreende:

A construção do edifício da Ópera e a abertura da Avenida da Ópera.

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Victor Navlet (1819-1886) – Le grand Escalier de l'Opéra à Paris.1880 Musée d'Orsay

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Abertura da Avenida da Opera 1876

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Camille Pissarro1830 – 1903 – L’Avenue de l’Opera, ao nascer do sol 1898 óleo s/ tela 65 x 81 cm colecção particular Philadelphia

A realização da "Grand Croisée" (1854-1858) ou seja os eixos norte-sul e este-oeste que se cruzam na praça do Chatelet organizando uma rede de circulação em volta do centro renovado.

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Paris com a Grand Croisé, as novas vias, os novos parques urbanos e os novos arrondissements.

O eixo Étoile / Place de la Concorde os Champs Élysées

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A praça da Étoile nos funerais de Victor Hugo 1885

Les Champs Élysées

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Edmond-Georges Grandjean 1844-1908 – Os Champs-Elysees vistos da Place de L'Etoile
óleo s/ tela, 1878 colecção particular

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Georges Stein (1818-1890) Champs Elysees

Lápis, aguarela e gouache 31.5 x 50.5 cm colecção privada

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Ulpiano Checa y Sanz (1860-1916) Place de la Concorde
óleo s/ tela 26 x 40.6 cm colecção privada

Os boulevards, são largos, rectos, com pequeno declive, passeios largos e arborização e muitas vezes rematados por monumentos.

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Boulevard des Capucines: 1898 – foto Neurdein Frères (1863-1915) Maison fondée à Paris par les deux frères Neurdein (Etienne et Louis-Antonin) Museo di Storia della Fotografia Fratelli Alinari Florença

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Edmond-Georges Grandjean 1844-1908 - Boulevard des Italiens. Paris 1876

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Edmond-Georges Grandjean 1844-1908 - Boulevard des Italiens. Paris, ca.1885

Óleo s/ tela 50 x 76 cm Colecção Privada

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Camille Pissarro - Boulevard Montmarte 1897

óleo s/ tela 65 x 81 cm Metropolitan Museum New York

Os edifícios ocupam de um modo geral os quarteirões e a sua cércea éfunção da largura da via. Os edifícios são de 5 pisos, com varandas no 2º e no 5º, e com cobertura da mansarda com lucarnas. O piso térreo do edificado é destinado a um uso comercial.

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Raoul Brandon (1878-1941) – Imeuble de rapport 199-201 rue de Charenton Paris 12éme. c. 1914

82x105 cm. Musée d’Orsay Paris

Remodela-se e constroem-se novos parques urbanos e jardins. Jean-Charles Alphand colaborador de Haussmann (e que em 1870 lhe sucederá como Perfeito de Paris) realiza os dois parques: o Bois de Boulogne e o de Vincennes, e os jardins de Buttes-Chaumont (1860) , de Monceau e de Montsouris (1869), e ainda os jardins de arrondissement.Todas as avenidas são arborizadas excepto a avenida da Ópera.

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Béraud Jean (1849-1936)Le Chalet du cycle au bois de Boulogne Sceaux, musée de l'Ile-de-France

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Bois de Vincennes Promenade au bord du lac

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Parc Buttes-Chaumont 1860

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Claude Monet - Parc Monceau1876 oil on canvas 60 x 81 cm, Metropolitan Museum of Art, New York USA.

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Le Parc Montsouris

A reestruturação administrativa com a anexação dos núcleos periféricos. Dos doze passa-se para os actuais 20 Arrondissements.

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O abastecimento de água através dos aquedutos de Dhuys e da Vanne, a captação das águas do Marne e do Sena,os esgotos duplos, arejados, inodoros distribuem-se por oitocentos quilómetros a partir de quatro enormes colectores. Constroem-se as redes de esgotos e de águas.

Constroem-se as redes de gás e seguidamente da electricidade.

Cria-se o grande matadouro de La Villette substituindo os 7 matadouros dispersos em torno da cidade e criando um mercado de animais suficientemente amplo para abastecer Paris.

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Paris do final do século XIX, com as vias de circulação, o caminho de ferro e as Gares, os grandes parques urbanos e os jardins.

Barcelona

Em meados do século XIX é tomada a decisão de derrubar as muralhas e a cidade planear de uma forma global a sua expansão (ensanche). Em 1854 Cerdà inicia o levantamento do «plano topográfico de los alrededores de Barcelona» e apresenta no ano seguinte, uma proposta de “ensanche”, o “Avantprojecte d’Eixample de Barcelona 1855”.

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Cerdà - Levantamento Topográfico de Barcelona e Arredores 1854

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Cerdà - “Avantprojecte d’Eixample de Barcelona 1855”.

As mudanças políticas na Administração Local de Barcelona conduzem esta a procurar que seja um dos arquitectos municipais Garriga y Roca, a elaborar os estudos para o ensanche. Mas só em 1859 o ayuntamiento decide realizar um concurso de projectos, tentando travar o projecto de Cerdà. Concorrem 14 projectos sendo que o vencedor é Antoni Rovira y Trías, com uma proposta radiocentrica provavelmente mais próximo das ideias que o Ayuntamento tinha para a expansão da cidade.

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Plano Antoni Rovira y Trias

No entanto Cerdà consegue que o Ministério do Fomento, a pesar de algumas alterações, aprove em 1859 o seu plano. Cerdà elabora o seu Plano na base do levantamento topográfico rigoroso nas escalas 1/1.250 e 1/5.000 e no seu Ante Projecto de 1855. O conhecimento da realidade de Barcelona será fundamental para tornar viável o Plano depois da sua aprovação.

O Plano baseia-se num suporte teórico paralelamente elaborado por Cerdá nas diversas diferentes memórias descritivas e condensados na sua “Teoria para Ia Construcción de Ia Ciudad “(1859) e na “Teoria General de Ia Urbanización” (1867).

Cerdà desenvolve a sua teoria em três componentes:

1. a higienista – em 1855 Cerda estuda as condições de vida na cidade e elabora uma “Monografia estadística de Ia clase obrera” que acompanha o seu Ante Projecto.

2. a circulação – o aparecimento do caminho de ferro e do transporte público impõe uma nova visão da cidade, que Cerdà irá codificar na “Necessidades de la circulacion yde los vecinos de las calles com respecto a la via publica urbana, y manera de satisfacerlas”de 1863.

3. a globalidade da cidade – o plano de Cerdà tem em conta a cidade na sua extensão natural (construída ou expectante), e não os seus limites administrativos.

O Plano Cerdà

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O Plano Cerdà é a adaptação à realidade de Barcelona de um esquema teórico formalizado previamente, onde são racionalmente distribuídos pela cidade os equipamentos: hospitais, cemitério, edifícios administrativos e parques e jardins.

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Aplicação do esquema teórico no Plano de 1859 (cfr.Salvador Tarragó in Ubs i Territori Electa 1994)

O ensanche de Cerdà estrutura-se numa trama de quarteirões ortogonais que se combinam com vivendas e espaços verdes, variando a disposição dos edifícios dentro de módulos.

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Sobre esta quadrícula Cerdà traça os grandes eixos: a Gran Via, a Diagonal, a Meridiana e a Paralela onde a circulação dos transportes urbanos de nível impõe uma largura das avenidas de 50 metros.

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A Gran Via, a Diagonal e a Meridiana cruzam-se no centro da composição formando uma praça (Praça de les Glòries Catalanes) junto à qual passa o Caminho de Ferro.

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A Avenida Meridiana e a Avenida paralela são apontadas para a Torre do Relógio no porto.

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CORREIA, João Tomás, ca 1667-? - Livro de varias plantas deste Reino e de Castela entre 1699 e 1743

Os quarteirões com uma forma biselada nos gavetos permitem uma diversa disposição da edificação, formando jardins ou equipamentos no seu interior.

Os equipamentos públicos ocupam mais do que um quarteirão.

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Dario de Regoyos y Valdes - diagonal Barcelona

óleo s/ tela 49,5x60,5 museu de Belas Artes Bilbau

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A Diagonal 1905

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A Gran Via

O Plano de Melhoramentos de Correia de Barros

No Porto e a pesar das transformações que os transportes, a industrialização e o consequente aumento da população (entre 1864 data do 1º Censo e 1890, acentua-se a concentração em algumas freguesias - Bonfim passa de 10 712 habitantes para 22 512, Campanhã de 4 314 para 9.908, Paranhos de 3 309 para 9 805 e Cedofeita de 11 614 para 22 668 - enquanto as restantes registam um aumento médio na ordem dos 2 000 habitantes), irão provocar num período entre os anos 40 e os anos 90 do século XIX e que podemos comparar na análise da planta de Perry Vidal (1844 e reformulada em 1865 data da Exposição Universal do Porto) e a planta de Telles Ferreira de 1892, só em 1881 se concretiza o que, de facto, poderá ser considerado como o primeiro plano para a cidade do Porto.

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As transformações da Área Central do Porto entre 1865 e 1900.

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Em 1881 o Presidente da Câmara José Augusto Correa de Barros apresenta "...à Câmara em Sessão Extraordinária de 26 de Setembro de 1881" o "Plano de Melhoramentos da Cidade do Porto".

PROPOSTA

Artigo 1.° - A Gamara Municipal do Porto approva o plano de melhoramentos, que faz parte d'esta proposta.

Art. 2.° - Todas as obras, de que tracta o artigo antecedente, serão feitas por empreitadas parciaes ou tarefas, seguindo-se no que diz respeito á concessão de cada uma o que dispõe a lei e os regulamentos em vigor no ministério das obras publicas.

§. único. Não tem applicacão o disposto n'este artigo aos dous mercados cobertos projectados nas Carmelitas, e na rua do Ferreira Borges.

Art. 3.° - Cada um dos mercados cobertos a que se refere o §. único do artigo antecedente constituirá uma empreitada geral, e na sua adjudicação resolve a Camara proceder como segue: levantada a planta topographica dos respectivos terrenos, e determinadas as condições geraes, a que cada um d'aquelles mercados terá que satisfazer, abrir-se-ha concurso dentro e fora do paiz, devendo cada um dos concorrentes apresentar um projecto d'accordo com as bases, e sob as condições previamente publicadas, sendo a obra concedida áquelle dos concorrentes, cujo projecto for julgado preferível sob o tríplice ponto de vista da solidez, da belleza e da economia. Porto e Paços do Concelho, 26 de setembro de 1881.

O PRESIDENTE

José Augusto Corrêa de Barros

José Augusto Correia de Barros (1835- ) Nasceu no Porto em 1835, formado em Matemática pela Universidade de Coimbra, forma-se ainda em engenharia pela Escola do Exército de Lisboa. Trabalhou nos Caminhos de Ferro, desempenhou as funções de engenheiro da câmara de Lisboa e de inspector dos incêndios até 1863 ano em que é primeiro engenheiro do distrito do Porto, cargo de que pediu a exoneração em 1871.

Foi procurador à junta geral do distrito do Porto, vereador da câmara municipal, entre 1878 até 1887, e de novo em 1887/89 encarregado do pelouro dos incêndios, sendo mais tarde inspector.É Presidente da Câmara entre 1882 e 1887. Em 1898 foi eleito par do reino e sócio honorário da Associação Comercial do Porto. Escreveu um drama em 3 actos e um 1 prólogo, intitulado Nobreza, que se representou no teatro de D. Maria, e se publicou em 1864.

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Nobreza - comedia-drama em um prologo e tres actos / orig. de J. A. Corrêa de Barros. - Lisboa : Impr. de Joaquim Germano de Sousa Neves, 1864.

Tem mais as seguintes peças: Expiração, drama, escrito sendo ainda estudante; A cruz do matrimonio, em 3 actos, traduzido do espanhol; 0 supplicio d'uma mulher, 3 actos, Os intimos, 4 actos, e Valeria, 3 actos, traduzidas do francês, etc. Fonte: Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, João Romano Torres - Editor1904-1915

O "Plano de Melhoramentos da Cidade do Porto" do ponto de vista urbanístico, apresenta pela primeira vez uma visão global da cidade e da estruturação do seu território apresentando diversas propostas no sentido de introduzir um sistema coerente de comunicações viárias na cidade.

O Plano procura desenvolver a acessibilidade à Estação ferroviária de Campanhã; aos dois tabuleiros da ponte Luís l; procura com o traçado ou o prolongamento de ruas desenvolver as ligações entre a cidade Oriental e Ocidental e entre a cidade ribeirinha e a cidade alta.

O Plano complementava os aspectos urbanísticos, com a definição de uma estratégia para a sua própria gestão financeira, mediante recurso ao empréstimo bancário. É um "plano de actividades", predominantemente político, mas com consequências na evolução urbana da cidade, já que prevê a abertura e a rectificação de ruas, de praças e equipamentos, nomeadamente os mercados. Não apresenta peças desenhadas.

No entanto, na altura em que é apresentado, está em elaboração a Carta Topographica da Cidade do Porto de Augusto Gerardo Telles Ferreira, que será concluída em 1892 e publicada no ano seguinte. Nesta Carta estão cartografadas e realizadas, a quase totalidade das propostas do Plano de Melhoramentos, mostrando a eficiência do Plano de Melhoramentos, podendo considerar-se que os dois documentos acabam por constituir um instrumento eficaz de planeamento.

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A Carta ( cfr. AA.VV. - UMA CARTOGRAFIA EXEMPLAR O PORTO EM 1892 CMP 1992)

A Carta cujos originais se encontram no Arquivo Histórico Municipal do Porto, apresenta um levantamento na escala de 1:500, duas versões referenciadas a 464 peças por cada versão, sendo uma a preto e branco e conservada em 453 folhas de 51 cm / 81 cm, e outra a cor, conservada em 446 folhas de 64 cm / 94 cm.

Desse levantamento executou-se uma redução à pena para a escala 1:5000, publicada numa edição litografada de seis folhas, em 1895.

Quanto à carta cadastral na escala 1:2500 Telles Ferreira refere as vantagens de «se poder lançar n'ella o nivelamento, curvas de nível, divisão de folhas, de freguesias, enfim tudo quanto seja necessário apreciar conjuntamente o que se não poderia fazer na Planta geral»;

e ainda

«para se poder melhor apreciar os novos estudos de ruas que forçosamente se hão-de abrir nas freguesias annexadas, depois de concluída a nova estrada da circunvalação» sendo que «é enfim uma perfeita carta cadastral com a propriedade toda dividida, sobre a qual se poderá fazer uma perfeita matriz predial, sem os erros e as contestações provenientes das más e incorrectas medições que geralmente se praticam nestes trabalhos, provenientes da insuficiência de quem os executa, e da falta d’ uma boa carta”. (TAVARES, Rui Bastos – A CARTA TOPOGRÁFICA DA CIDADE DO PORTO DE 1892 – UMA BASE CARTOGRÁFICA PARA A GESTÃO URBANÍSTICA MUNICIPAL in UMA CARTOGRAFIA EXEMPLAR – O PORTO EM 1892 CMP 1992)

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A Carta é encimada na folha n.º 1, no canto superior esquerdo, pelas armas do Porto sob as quais refere

"CARTA TOPOGRAPHICA DA CIDADE DO PORTO QUE FOI MANDADA LEVANTAR NA ESCALA 1: 5 00 POR ORDEM DA CAMARA MUNICIPAL DA MESMA CIDADE REFERIDA AO ANNO DE 1892.

Dirigida e levantada POR AUGUSTO GERARDO TELLES FERREIRA General de Brigada Reformado Coadjuvado pelo capitão de cavallaria FERNANDO DA COSTA MAYA e mais empregados.”

Pela primeira vez é representado todo o território administrativo da cidade independentemente da zona urbanizada.

A zona ribeirinha de Gaia na margem sul do Douro é a única cartografada para além dos limites administrativos, mostrando a crucial importância do rio Douro, para a cidade do Porto.

A cidade surge representada nos seus actuais limites administrativos, entretanto fixados.

Dada a precisão da Carta de Telles Ferreira não é possível, na economia desta referência, assinalar tudo o que nela está representado. Por isso assinalaremos apenas os aspectos mais importantes.

Estão já representados:

A Estrada da Circunvalação criada com intenções fiscais e de circulação realizada entre 1889 e 1895.

Os três edifícios apenas esboçados na Planta de Perry Vidal: a Alfândega e a rua Nova da Alfândega, o Palácio de Cristal e os seus jardins e o Palácio da Bolsa.

as duas novas travessias do Douro: a ponte Maria Pia inaugurada em 1877 e a ponte Luiz I inaugurada em 1886.

As estruturas ferroviárias: as estações de Campanhã e da Boavista.

A Avenida da Boavista, aberta até à Fonte da Moura e projectada até ao Castelo do Queijo e a rua de Júlio Diniz, articulando o Palácio de Cristal com a Rotunda da Boavista está aberta até ao Bom Sucesso e projectada até ao Palácio de Cristal.

A rua Mouzuinho da Silveira.

Os jardins do Passeio Alegre e do Duque de Beja (Carregal)

A fábrica de Gás na Arrábida.

Os Cemitérios do Prado do Repouso e de Agramonte.

Os Hospitais Militar e do Conde de Ferreira.

Os mercados do Anjo, do Bolhão e do Peixe.

As fábricas e as ilhas…

Plano de Melhoramentos da Cidade do Porto 1881 e a carta de Telles Ferreira 1892

O Plano de Melhoramentos da Cidade do Porto, resulta embora tardiamente do Decreto-Lei de 19 de Janeiro de 1865. É composto por um texto e um conjunto de quadros orçamentais, e não inclui quaisquer peças desenhadas.

Em primeiro lugar Correia de Barros identifica os principais problemas com que a cidade se debate em 1881: como o isolamento face ao País, as débeis condições sanitárias, a necessidade de uma rede de abastecimento de água, e a má qualidade dos géneros alimentares.

De seguida fixa os objectivos em 4 direcções:

· A reformulação e a abertura de ruas.

· A construção de novos mercados e de um laboratório municipal.

· A rede de saneamento e a melhoria da rede de abastecimento de água ao domicílio.

· A reorganização dos serviços municipais de limpeza e de combate a incêndios.

O plano apresente três grandes linhas de actuação: no sistema viário propondo a reformulação de ruas existentes e a abertura de novas, no abastecimento da cidade propondo a construção de um conjunto de mercados e na higiene urbana propondo a criação da rede de saneamento e a melhoria da rede de abastecimento de água ao domicílio; um laboratório municipal; e ainda a reorganização dos serviços municipais de limpeza e de combate a incêndios.

As propostas enumeradas por Correia de Barros são:

N.º 1 -Rua transversal entre a rua do Heroísmo e a do Pinto Bessa, na extensão de 241m,20

Na planta de 1892 com a indicação Rua de V.e d’Almeida Garret. Esta rua decorre da necessidade de articular a Rua de Pinto Bessa e a Estação (do Pinheiro de) Campanhã, (1873/77) com a Rua do Heroísmo ligação preferencial com o Centro da cidade, e onde circula o “americano”.

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N. º 2 - Alargamento das ruas de S. Lázaro e do Heroísmo, entre o Jardim de S. Lázaro e a rua de Sacaes, formando uma avenida de 20m de largura, na extensão de 553m (Rodrigues de Freitas).

Esta reformulação é consequência da introdução da linha do Americano, servindo dois importantes equipamentos da cidade: a Estação de Campanhã e o Cemitério do Prado do Repouso.

O traçado desta avenida corresponde ainda ao eixo gerador da urbanização da Quinta do Cirne, sendo que na planta de 1892 está já aberto o Largo em frente ao Cemitério do Prado (Largo Soares dos Reis) e as ruas do Conde de Ferreira e de Ferreira Cardoso, segundo uma forma de pé-de-galo muito utilizada nesta época. De salientar que estão projectados o prolongamento para sul das ruas Duque de Saldanha, Duque da Terceira e Barão de S. Cosme e as ruas Duque de Palmela, Joaquim António de Aguiar e rua do Conde das Antas.

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À esquerda a Casa dos Viscondes da Gândara de 1890 e à direita os jardins do Palacete dos Braga (actual FBAUP)

“Em 1861, a família Forbes, regressada do Brasil, comprou um terreno na Rua de S. Lázaro (actual Avenida Rodrigues de Freitas) para construção de um palacete, a Casa de S. Lázaro, concluído em 1873. Dois anos após a conclusão das obras, o palacete foi adquirido, por José Teixeira Braga, também regressado do Brasil. Em 1890, o filho deste segundo proprietário, José Teixeira da Silva Braga, após a morte do pai, mudou-se para S. Lázaro e iniciou então uma reformulação intensa do jardim do palacete. Para o ajudar na empreitada, contratou Florent Claes, arquitecto paisagista da Companhia de Horticultura da Bélgica. Florent Claes esteve no Porto entre 1890-1891. No Porto, para além dos trabalhos que executou para o palacete de S. Lázaro, projectou e dirigiu as obras da construção do lago e da gruta do palácio de Cristal e fez “melhoramentos” na Cordoaria.

Em 1891, no jornal de Horticultura Prática as obras no jardim eram noticiadas da seguinte forma:

“Está sofrendo uma completa transformação o jardim do opulento capitalista, snr. José Teixeira da Silva Braga Junior, jardim que circunda o formoso palacete do mesmo senhor na rua de S. Lazaro. Este cavalheiro, um dos mais reputados amadores portuenses, mandou vir da Bélgica, da Companhia de Horticultura Internacional, um dos seus architectos paisagistas, o snr. Florent Claes, que não só deu o plano do novo jardim e estufas mas também o está pondo em prática, auxiliado por operários por elle trazidos da Bélgica. (…) Constamos também que o snr. Braga Junior vae em terreno próprio, ao lado de casa, construir edifício especial para a sua riquíssima colecção de fauna sul americana, incontestavelmente a primeira colecção particular no género e que faria honra aos mais notáveis museus públicos da Europa. A dar-se tal facto, ficará obrigatório a todos quantos visitarem o Porto a romagem à casa do snr. Braga Júnior não só para verem jardins que sem dúvida hão de ser a admiração de todos, mas também colecções de aves e insectos que são admiráveis, deliciosas, verdadeiramente soberbas. Só vistas.
SEQUEIRA, Eduardo – Chronica. In Jornal de Horticultura Prática, Vol. XXII, 1891. p. 44-45. "

(in GRAÇA, Manuel de Sampayo Pimentel Azevedo — Construções de elite no Porto: 1805-1906. Porto, 2004. Dissertação de mestrado em Historia da Arte em Portugal, apresentada a Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Vol. II ).

Os jardins do Braguinha eram considerados como uma das coisas mais dignas de ver-se na cidade invicta, e creio até que de quando em quando eram franqueados ao público, que se extasiava na contemplação dos mais bellos vegetaes.”

VITERBO, Sousa – A Jardinagem em Portugal: Apontamentos para a sua história. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1908

“(…) O bairro oriental é principalmente brasileiro, por mais procurado pêlos capitalistas que recolhem da América. Predominam neste umas enormes moles graníticas, a que chamam palacetes; o portal largo, as paredes de azulejo - azul, verde ou amarelo, liso ou de relevo; o telhado de beiral azul; as varandas azuis e douradas; os jardins, cuja planta se descreve com termos geométricos e se mede a compasso e escala, adornados de estatuetas de louça, representando as quatro estações; portões de ferro, com o nome do pro­prietário e a era da edificação em letras também douradas; abunda a casa com janelas góticas e portas rectangulares, e a de janelas rectangulares e portas góticas, algumas com ameias, e o mirante chinês. As ruas são mais sujeitas à poeira. Pelas janelas quase sempre algum capitalista ocioso.(…)”

Júlio Diniz - Uma Família Inglesa

N.º 3 - Rua entre a ponte de Villar e a alameda de Massarellos, com 18m de largura, na extensão de 572m (D. Pedro V)

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N.º 4 - Rua transversal entre o Campo da Regeneração e a rua de Cedofeita, com 17m,3 de largo, na extensão de 432m,5

Só será realizada a partir de 1895 a urbanização da quinta dos Pamplonas, que ainda aparece cartografada na planta de Telles Ferreira, com a abertura das ruas Alvares Cabral e Sacadura Cabral, abandonando o projecto de uma rua no prolongamento para poente da rua de Gonçalo Cristovão.

N.º 5 - Prolongamento da rua do Fernandes Thomaz, desde a rua do Bomjardim á da Trindade, e alargamento d'esta.

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N.º 6 - Prolongamento da rua do Passos Manoel, desde a de Santa Catharina até ao largo de Santo André, (Poveiros) com a largura de 16m, e conclusão da parte já aberta.

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N.º 7 - Alargamento do largo da Feira de S. Bento, desde a Praça de D. Pedro até á entrada da rua do Mousinho da Silveira, formando uma avenida de 32m de largura

N.º 8 - Alargamento da parte da rua do Bomjardim, desde a Praça de D. Pedro até à rua do Sá da Bandeira

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N.º 9 - Rua entre a avenida do taboleiro superior da nova ponte sobre o Douro, partindo das proximidades da rua Chã e terminando no largo da Policia, para ligar a ponte com a Praça da Batalha, por intermédio da rua do mesmo nome (Saraiva de Carvalho).

A ponte Luiz I está em construção e o Plano de Correia de Barros preocupa-se com a circulação no Porto de quem chega (e quem parte) quer pelo tabuleiro superior quer pelo inferior.

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N.º 10 - Rua entre a avenida inferior da ponte, e a travessa da rua de S. João, através do denominado bairro do Barredo, incluindo o alargamento da referida travessa

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N.º 11 - Mercado coberto no terreno do extincto convento das Carmelitas, hoje propriedade do município (projecto não realizado)

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É interessante verificar a importância atribuída ao abastecimento da cidade com a proposta de um mercado desta dimensão num local nobre da cidade aproveitando o terreno do antigo convento das Carmelitas.

N.º 12 - Mercado coberto no terreno não edificado, comprehendido entre as ruas das Congostas, D. Fernando e Ferreira Borges (mercado Ferreira Borges)

O mercado Ferreira Borges 1885/88 eng. J.C. Machado

o Mercado Ferreia Borges foi construído com base no projecto do engenheiro municipal João Carlos Machado, na Fundição de Massarelos (Companhia Aliança).

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N.º 13 - Uma praça ajardinada no terreno comprehendido entre as ruas do Ferreira Borges, Inglezes, Congostas e D. Fernando. (praça do Infante)

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PALACIO DA BOLSA DO PORTO (segundo uma photographia de Biel & Cª)

Revista “O Occidente” de 21 de Janeiro de 1889

N.º 15 - Conclusão da Praça da Boa Vista

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(CONTINUA)

2 comentários:

  1. Boa tarde

    Venho por este meio dar-lhe os parabens pelo blog que de facto é muito interessante.
    Gostaria de saber qual foi a fonte da planta apresentada no apontamento de "As transformações da Área Central do Porto entre 1865 e 1900.".

    Obrigado

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    1. A fonte é um curso de historia da arquitectura portuguesa que realizei durante anos na faup. rf

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