Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Os Planos para o Porto – dos Almadas aos nossos dias 7 I

Os anos 30 e os Planos dos Italianos para o Porto
Entre o Prólogo ao Plano do Porto do engenheiro Ezequiel de Campos de 1932 e o início da colaboração dos arquitectos italianos em 1938, diversas e profundas transformações se deram, a vários níveis, em Portugal e na cidade do Porto.
I Parte – Aspectos dos anos 30
A consolidação do Estado Novo
Salazar, o "salvador das finanças", quando em 1932 se torna Presidente do Conselho de Ministros vai estabelecer o perfil político do regime, o "Estado Novo", como um estado autoritário.
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Notícias Ilustrado 1932
Nesta imagem é de notar a garrafa com os cálices de Vinho do Porto (Borges) e sobretudo a presença e o desenho dos microfones, ou seja da rádio. De facto, a rádio e o cinema serão nesta época os mais poderosos instrumentos da propaganda dos estados autoritários.
"A rádio vai ser para o século XX o que a imprensa foi até ao século XIX" Josef Goebbels, 1933.
Hitler e Goebbels, viram na rádio uma poderosa arma de propaganda e a Alemanha nazi foi o primeiro estado totalitário a usar a rádio como forma de massificar e dirigir toda a informação estatal. Com o monopólio Reich Broadcasting Corporation sob controle dos nazis, e com os seus programas estritamente censurados a rádio tornava-se a maneira mais fácil de espalhar a propaganda. Como os aparelhos eram demasiado caros para a maioria dos alemães os nazis decidiram introduzir uma rádio acessível, o Volksempfänger (receptor do povo).
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Paul Mathias Padua(1904-1981) - Der Führer Spricht - 1939
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Cartaz de propaganda nazi : “Todo a Alemanha escuta o Füher no receptor do povo” e o Volksempfänger (receptor do povo)
Em Portugal
"Se não falha este pequeno aparelho que parece estremecer às menores vibrações da minha voz, estarei falando neste momento à maior assembleia que em Portugal alguma vez se congregou a escutar a pala­vra de alguém." Salazar na Emissora Nacional em 1935
Em Portugal a Emissora Nacional foi oficialmente fundada no dia 4 de Agosto de 1935, na continuidade da Direcção dos Serviços Radio Eléctricos, criada em 1930 e das primeiras emissões em Onda Média (1932) e Onda Curta (1934).
Em 1934, os estúdios eram transferidos de Barcarena para a Rua do Quelhas
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Com uma larga influência da Itália de Mussolini, então atingindo provavelmente o seu momento mais prestigiado, Salazar irá pôr em prática os mecanismos que lhe permitirão o controle quase total de todos os aspectos da vida nacional.
Para além da polícia política (PVDE - Polícia de Vigilância e Defesa do Estado) o regime irá instituir o partido único (União Nacional). Mas é sobretudo a criação das bases jurídicas e do enquadramento legal do regime: em 1930 o Acto Colonial, em 1932 o Estatuto do Trabalho Nacional (directamente inspirado na Carta del Lavoro de 1927, em que Mussolini instaurava um estado Corporativo) e finalmente em 1933 com a nova Constituição da República.
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Cartaz de Almada
Almada Negreiros, regressado de Madrid e apesar das reservas em relação ao Estado Novo, vai elaborar um grafismo de propaganda, que se inicia com o cartaz para a Feira de Sevilha 1929, os cartazes do referendo da Constituição, diversas vinhetas e selos de correio de que se destaca o célebre “Tudo Pela Nação”. Neste cartaz Almada representa a República, com o barrete frígio e vestida com as cores da Bandeira Nacional, segurnado uma lápide com Autoridade, Ordem e Justiça Social.

No campo das relações económicas, em 1931, é publicada a Lei do Condicionamento Industrial, instrumento indispensável para a concentração de capitais.
Também nesta procura de condicionar (e introduzir um espírito de disciplina militar em) toda a vida nacional, e ainda inspiradas senão mesmo copiadas do regime fascista italiano, procura o Estado Novo enquadrar a juventude e os tempos livres com a Mocidade Portuguesa de 1936 seguindo o modelo da Giuventú Italiana del Littorio, a Legião Portuguesa e em 1935 a FNAT - Federação Nacional para a Alegria no Trabalho,seguindo o modelo da italiana Opera Nazionale del Dopolavoro.
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desenho de Almada de 1938 e capa do Livro da Primeira Classe
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Inauguração de uma sede da Legião em Lisboa e o Boletim da Legião.
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Desfile da Mocidade Portuguesa e da Legião em Lisboa – fotos BA FCG
Propaganda e Obras Públicas
Para a construção da "fachada" interna e externa do Estado Novo, Salazar irá apoiar-se (senão servir-se!) de duas personalidades chave da época: António Ferro e Duarte Pacheco, mostrando a importância que nos regimes dos anos trinta assumem os sectores da Propaganda e das Obras Públicas.
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Salazar discursando por detrás à direita Duarte Pacheco e António Ferro
António Ferro (1895-1956) e a construção da política cultural e de propaganda do Estado Novo.
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Caricatura de António Ferro – Teixeira Cabral
Ainda muito novo António Ferro, aparecera como editor da revista ORPHEU contactando com Pessoa , Almada, Sousa Cardoso, Santa Rita e os “futuristas” do breve movimento nos anos da I Guerra Mundial.
Nos anos vinte aparecerá associado à revista Contemporânea (1922/26), um velho projecto de José Pacheko, que se concretiza em 22, e que marcará a modernidade das publicações que então proliferam nos anos 20.
“Revista feita expressamente para gente civilizada, revista feita para civilizar gente", como se anuncia, procurará um grafismo e um conteúdo explicitamente modernos e actuais. Com preocupações que incluíam a própria qualidade gráfica da publicidade, o seu primeiro número, dedicado à viagem de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, tem uma capa de Almada.
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Número 1 da Contemporânea e retrato de José Pacheko com a revista por Mário Elói com dedicatória “Ao José Pacheko / e para a humani / dade O / Vêr e Saber /Mário Eloy / 1925 “ Tela 196 x 123,5 cm Museu do Chiado
Em 1922 participa na Semana Paulista de Arte Moderna e publica ainda, nos anos vinte,um romance, "A Leviana"(1921) e peças de teatro como "Mar Alto" (1924 com um certo escândalo futurista).
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A Leviana 1921 e A Idade do Jazz-Band 1924 (com capa de Bernardo Marques)
A partir dessa época vai dedicar-se ao jornalismo, em particular às entrevistas das personalidades políticas da época: Pio XI, Primo de Rivera, Mussolini, Moustapha Kemal, em "Viagens à volta das Ditaduras", e ainda Foch, Poincaré, Pétain, Cocteau e Lindebergh, ou grandes artistas de Hollywood como Chaplin, Douglas Fairbanks ou Walt Disney.
Em 1931, organiza em Lisboa o Congresso Internacional da Crítica, onde participam Mauriac, Unamuno e Pirandello, e onde é exibido o “Douro Faina Fluvial” de Manoel de Oliveira.
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Novo Mundo Mundo Novo 1930 e Hollywood Capital das Imagens 1931
Mas é sobretudo, em 1932, quando realiza para o Diário de Notícias as suas famosas entrevistas a Salazar, que dão a conhecer (e ajudam a criar o mito) do ditador, que Ferro passará a ser conhecido do grande público.
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Assim, nas citadas entrevistas, procura expor - aparentemente com sucesso - ao ditador a importância da (e de uma) política cultural "inteligente e premeditada", que dirigindo-se às novas gerações lhes permitisse "vir à superfície", dando-lhes um papel "neste momento de renovação".
E cita a Oliveira Salazar os grandes líderes que sempre haviam considerado "as artes e as letras como instrumentos indispensáveis da elevação de um povo e do esplendor de uma época": "É que a arte, a literatura e a ciência constituem a grande fachada de uma nacionalidade, o que se vê lá de fora...".
E, perante as respostas de Salazar, que evoca prioridades de ordem financeira e preocupações com o património histórico e artístico, Ferro argumenta que, apesar disso é necessário "pensar na arte viva que deve acompanhar a nossa evolução, que deve ser a expressão do nosso momento", referindo ainda as "duas dúzias de rapazes cheios de talento e mocidade, que esperam, ansiosamente para serem úteis ao seu País", rematando com uma citação de Mussolini, aliás diversas vezes citado durante as referidas entrevistas, como o "técnico das Ditaduras" ou o "grande escultor do povo italiano".
Salazar responde então a Ferro: "o pensamento e o espírito não devem parar: há que estimula-los e dar-lhes um movimento contínuo. Diga, portanto. a esses rapazes que tenham confiança e saibam esperar...".
Esses rapazes” são a geração nascida no início do século, que acompanharam (ou participaram) como estudantes nessa “vanguarda” animada por Almada e que nos meados dos anos vinte sobretudo em Lisboa se começam a afirmar no campo das artes plásticas, da arquitectura, da literatura, do cinema, etc. Todos (ou quase todos) os que em 1930 tinham participado no Salão dos Independentes.
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Catálogo com vinheta de Almada
Em 1930 realiza-se o I Salão dos Independentes, na SNBA, com a participação de pintores, escultores, arquitectos e ainda de desenhadores, decoradores, fotógrafos e artistas gráficos.
Um catálogo com textos de Almada, Diogo de Macedo, Carlos Ramos, Jorge Segurado, Fernando Pessoa, José Régio, Carlos Queiroz, Raul Leal, Gaspar Simões e António Ferro, entre outros, consagrava a modernidade da arte em Portugal, em todas as disciplinas.
Expõe no Salão os pintores:
Almada, Sara Afonso, Bernardo Marques, Barradas, Abel Manta, Carlos Botelho, Meneses Ferreira, Rui Gameiro, Arlindo Vicente, António Pedro, Tagarro, Ofélia Marques, Luís Teixeira, Olavo d'Eça Leal, Reis Santos, Carlos Queiroz, Lino António, João Carlos, Mário Eloy, Fred Kradolfer, e Júlio (Reis Pereira).
Expõe no Salão os escultores:
Diogo de Macedo, Francisco Franco, Ernesto Canto da Maia (com fotografias de obras), Barata Feyo, Ruy Gameiro e António Duarte.
Expõe no Salão dos Independentes os arquitectos:
Paulino Montês (Plano de Urbanização de Caldas da Rainha, Mafra e Torres Vedras), Adelino Nunes (Bairro Económico e Moradias), Vasco Regaleira (Central Eléctrica), Veloso Reis (Hotel e Moradias), Jorge Segurado (Cinema e Moradias)
Raúl Tojal (Piscina de Algés e Dafundo), Cottineli Telmo (Ideias Arquitectónicas), Able Pascoal (Posto Náutico), Carlos Ramos (Liceu, Bairro em Olhão, Plano Urbanização de Moledo, Hotel em Espinho) e Cristino da Silva (Prolongamento da Avenida da Liberdade, Lisboa).
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Alguns dos artistas dos Independentes :Abel Manta, Meneses Ferreira, Rui Gameiro, Arlindo Vicente, António Pedro, Carlos Botelho, Diogo de Macedo, Tagarro, Ofélia Marques, Bernardo Marques, Barradas, António Duarte, Luís Teixeira, Olavo d'Eça Leal, Reis Santos e Carlos Queiroz.
António Ferro, pouco tempo depois destas entrevistas, será nomeado em 1933, para director do então criado Secretariado de Propaganda Nacional SPN, (DECRETO-LEI nº 23.054. D.G. I Série (33-09-25), junto da Presidência do Conselho), onde se irá manter, com as necessárias inflexões, até 1949.
“Em primeiro lugar: o Secretariado denomina-se da propaganda nacional. Quem penetrar bem o seu significado, entenderá que não se trata duma repartição de elogio governativo, que não se trata de elevar artificialmente a estatura dos homens que ocupam as posições dominantes do Estado; compreenderá que o Secretariado não é um instrumento do Governo mas um instrumento de governo no mais alto significado que a expressão pode ter.” (Discurso proferido por António de Oliveira Salazar em 26 de Outubro de 1933, na inauguração do S.P.N. in Catorze anos de Política do Espírito, Lisboa, edições SNI, 1948)
Conhecedor e entusiasta da política e do papel da cultura na afirmação do fascismo de Mussolini, como director do SPN, António Ferro irá pôr em prática a sua "Política do Espírito", aprendida e apreendida com Paul Valery. Efectivamente, na concepção que Ferro tem do papel do SPN e da sua "política do espírito" - que se pode deduzir dos seus discursos e das suas acções - sente-se uma permanente preocupação (ainda aí, ligada com o fascismo italiano dos primeiros anos) de defender os "novos, os inquietos e os audaciosos", de desempenhar o papel "modesto da irreverência oficial" de mostrar que a "uma nova época corresponde uma arte nova" e que o SPN é um organismo dinâmico: " nós não consagramos, nós estimulámos".
Ao Estado Novo e a Salazar convirá, por enquanto, esta associação entre o Regime e a Modernidade, em oposição à propagandeada desordem e inactividade da I República, permitindo ao regime uma acção eficaz no campo da cultura e na sua difusão, quer com a utilização consciente dos media: o cinema e a rádio, quer com a participação consciente e empenhada dos artistas e intelectuais, na construção da "fachada" pública do Estado Novo.
A acção do SPN irá, assim, estender-se a diversos sectores como as artes plásticas, o turismo, a dança, o teatro, a música, a literatura e ao cinema "O cinema constitui um desses problemas fundamentais, vitais, cuja importância, infelizmente, nem sempre é reconhecida. A sua magia, o seu poder de sedução, a sua força de penetração é incalculável” (António Ferro) e à rádio.
Nesta, António Ferro é o presidente da Emissora Nacional, tendo assim nas suas mãos os principais, senão todos, os meios de comunicação e de propaganda da época.
Logo em 1934 lança uma publicação de propaganda do Estado Novo, com um cartaz de Almada e com as realizações do regime entre 1926 e 34. De facto são aproveitados muitos dos projectos da República e que são concluídos neste período, a que se somam as iniciativas programadas pelo Estado Novo. A publicação cuidadosamente apresentada no ponto de vista gráfico apelava para os valores caros ao Estado Novo: Ordem, Família, Pátria.
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Em 1934 o SPN edita «Portugal 1934»,um álbum/revista no formato 44.5 x 32 cm. com 40 páginas, capa variando entre a cor verde, o laranja ou o preto. Profusamente ilustrada, com perto de 200 fotografias de D. Alvão, A. Rasteiro, João Martins, Diniz Salgado, Ferreira da Cunha, Francisco Santos, Horácio Novais, J. Benoliel, José Mesquita, Luis Teixeira, Pinheiro Correia, Mário de Novais, Octávio Bobone, Raimundo Vaissier, Raúl Reis, Salazar Diniz, Serra Ribeiro, V. Rodrigues e com um cartaz de Almada Negreiros “Portugal 1934”.
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Capa de PORTUGAL 1934
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O cartaz de Almada apresenta uma figura feminina (a Pátria) sentada e apoiada no escudo das 5 quinas. A figura está trajada com avental e xaile, tendo na mão um molho de trigo e um cacho de uvas, simbolizando as duas campanhas agrícolas que o Estado Novo promove na época.
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A revista apresenta depois os retratos de Salazar e de Carmona.
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Uma referência ao trabalho do Secretariado da Propaganda Nacional…
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…no canto superior esquerdo os bustos de Carmona e Salazar
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O escultor Francisco Franco moldando o busto de Salazar na presença de António Ferro.
À direita na parte superior o gabinete de António Ferro.
A parte inferior da página é ocupada por publicações do SPN, com os discursos de Salazar, cartazes do SPN e onde se destacam a revista do SPN “Mundo Português - revista de cultura e propaganda de arte e literatura coloniais”, e o n.º 190 da revista francesa “ L’Art Vivant” de 1934 dedicado a Portugal.
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Um mapa de propaganda do Império “Portugal não é um País Pequeno”
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E o Decálogo do Estado Novo dois folhetos amplamente distribuídos.
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O Album refere as exposições onde Portugal participa para promover a sua imagem (e a do regime) no estrangeiro, até então realizadas de Sevilha 1929 e de Paris 1931.
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A publicação refere as realizações do Estado Novo mostrando aspectos da Agricultura, os serviços florestais e as campanhas do Trigo e do Vinho
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No campo dos estabelecimentos de Ensino e da Educação, acabado que fora o edifício do Instituto Superior Técnico, o governo voltava-se para o ensino técnico profissional, que em dez anos aumentava quase cem por cento, ou seja, dos dez mil alunos de 1924 passara-se para dezanove mil em 34.
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No Ensino Primário, o panorama que se apresentava era de 450 000 crianças a cargo de 9 500 professores.
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No sector liceal, a frequência subi­ra dos 13 500 alunos em 1929-30 para os 20 000 em 1932-33, ao mesmo tempo que se lançavam ou terminavam os liceus da República, Alexandre Herculano e Rodrigues de Freitas no Porto, Maria Amália e Filipa de Lencastre em Lisboa, e ainda os novos liceus da Figueira de Foz, Portimão, Mirandela, Lamego, Coimbra e Be­ja.
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As contas de Finanças Públicas estavam fi­nalmente equilibradas: 2 177 611 552$50 de receitas para 2 176 107 555$11 de despesas!
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Na Justiça
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O album propagandeia a actividade do Ministério das Obras Públicas e Comunicações.
No capítulo da rede viária, entre 1927 e 1933 tinham sido constru­ías ou reparadas 12 970 Km de estradas, apresentadas num mapa de Portugal contendo na parte superior uma panorâmica do Porto e na parte inferior uma panorâmica de Lisboa.
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Esta rede de estradas corresponde à difusão do automóvel que apresenta em 1934 um número de 44 200 veículos automóveis, número esse que quase duplicava o total de 1926: 23 450. É a isto que Antón­io Ferro chamava o "sangue novo no organismo da Nação".
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Os portos de Lisboa e Leixões onde o Estado Novo faz vultuosos investimentos.
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Habitação e Bairros Sociais, onde o regime não tem muita obra para apresentar, socorrendo-se da iniciativa privada e dos bairros lançados pela República. No final dos anos trinta irão ser construídos os bairros de Casas Económicas e os Bairros de Pescadores.
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Os edifícios modernos (Instituto Nacional de Estatística) e a recuperação dos Monumentos a cargo da criada Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN)
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As Comunicações: os telefones, o telégrafo e a rádio.
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E por fim as Forças Armadas.
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As grandes realizações do SPN nos anos 30

Os Concursos para Sagres(cfr. Pedro Vieira de Almeida - a arquitectura do Estado Novo - Livros Horizonte Lisboa 2002 e Catálogo da Exposição Carlos Ramos FCG 1986)

Nos anos trinta são, sem dúvida, os Concursos para o Monumento ao Infante D. Henrique em Sagres, que irão despertar o interesse do público e a atenção (e a polémica) dos arquitectos, artistas plásticos e engenheiros, que nele encontram a oportunidade de experimentarem realizações conjuntas, conjugação de várias artes que se manterá na realização da maioria das obras públicas e mesmo em obras de iniciativa privada.
Tratava-se de um Concurso para um grandioso (megalómano?) Monumento ao Infante D. Henrique a erguer no promontório de Sagres e que nas condições do concurso se apontava que “…não pode (o monumento) restringir-se a uma figura ou a um grupo escultórico que a esmagadora grandeza do local amesquinharia, devendo antes jogar com grandes massas em que a arquitectura predomine sobre a escultura.”
Em 23 de Junho de 1933 toma posse a Comissão do Concurso para o Monumento ao Infante D. Henrique em Sagres de que fazem parte Júlio Dantas, Gago Coutinho, José de Figueiredo, António Soares, Reinaldo dos Santos, Matos Sequeira (arqueólogo), Simões de Almeida (substituído em 34 por Maximiano Alves), Joaquim Manso, Cristino da Silva e Paulino Montês (junta-se ao júri em 1934).
Apresentam-se 15 equipas de entre as quais: Dilatando a Fé e o Império - Rebello de Andrade e Ruy Gameiro, Mar Nostrum – Veloso Reis e Leopoldo de Almeida Mar – Pardal Monteiro e Leopoldo de Almeida, Talent de Bien Faire – Cassiano Branco, Sagres – A. Fernandes de Sá e M. Fernandes de Sá, Cinco Quinas – José Cortez e Francisco Franco, Mais Além – Raul Lino e António Duarte, Síntese – Cottinelli Telmo e Bernadino Coelho e Albuquerque Bettencourt.
De um modo geral as propostas tentam projectar um monumento com dimensões à volta dos cem metros de altura, que se afirme na grandeza do local e onde a figura do Infante aparece associada a símbolos da Pátria e das Descobertas.
São apurados para uma 2ª fase:
Dilatando a Fé e o Império - Rebello de Andrade e Ruy Gameiro (que será o vencedor).
A proposta consistia numa monumental torre em forma de pirâmide inclinada simbolicamente para sul, com uma planta em cruz de braços iguais, correspondendo à Cruz da Ordem de Cristo que colocada superiormente, se reflectia de dia no solo e de noite iluminada se projectava como um farol. Na base do monumento era criado um painel em relevo com personalidades ligadas aos Descobrimentos e a figura do Infante (com o chapéu bolonhês) directamente inspiradas nos painéis de S. Vicente então descobertos. No interior previa-se um museu.
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O baixo relevo do Infante de Ruy Gameiro será exposta em Paris 1937 e Nova Iorque 1939.
Mar Nostrum – Veloso Reis e Leopoldo de Almeida
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O Mar – Pardal Monteiro e Leopoldo de Almeida
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O monumento assentava numa base a que se acedia por três escadarias, e era constituido por duas paredes triangulares e paralelas (numa forma estruturalmente bem conseguida), cortadas no topo onde se colocavam as armas nacionais. O monumento também projectava de noite uma forte luz zenital. Do lado do mar, na base em forma de proa de navio estava colocada a estátua monumental do Infante de pé (ainda não estava consagrada a imagem do Infante com o chapéu bolonhês retirada de uma das figuras dos painéis de Nuno Gonçalves). O conjunto previa ainda construções na base.
Ao conjunto o Júri atribui “…um excesso de pormenores arquitectónicos que do mar nunca seriam vistos”
Talent de Bien Faire – Cassiano Branco
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Partindo da ideia da Caravela, excluindo toda a figuração mesmo do Infante, o projecto de Cassiano era sem dúvida a proposta mais radicalmente moderna e plástica. Teria provavelmente dificuldades estruturais para a sua construção na época.
Sagres – Fernandes de Sá e Fernandes de Sá.
Falta-lhe “…do lado do mar um traço vigoroso que defina a figura cuja memória se pretende perpetuar”
Dos não classificados para a segunda fase são de salientar por razões diversas:
O projecto Cinco Quinas” de José Cortês e de Francisco Franco, com uma estátua equestre e policroma do Infante D. Henrique.
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O monumento seria constituído pela "A estátua do Infante; O seu templo espiritual e tumular; O Museu das Navegações e Conquistas; Uma biblioteca".
"Assentará [...] na ponta extrema de Sagres. Dar-se-á à sua base a configuração de uma lança, voltada em frente contra Marrocos e contra o Maré Tenebrosum como dardo a investir. A curvatura da lança dá-nos igualmente o sentido da marcha em de­manda da Índia envolvendo o Islão".
A estátua do Infante do escultor Francisco Franco, [...] idealizámos a estátua equestre do Infante [...] Foram razões de interpretação histórica as quais nos fazem visionar o Infante não como um contemplativo, mas por excelência como homem de acção [...] A estátua será toda policromada a cores planas e fortes".
No interior do monumento uma "Atmosfera de serena concentração religiosa" .
A altura total deveria rondar os 100 metros.
O projecto “Aviz” de Carlos Ramos com Adelino Nunes, Dário Vieira, Leopoldo de Almeida e Fred Kradolfer, que não é apresentado a concurso por não estar concluido a tempo, mas que irá ter importância posterior. O projecto muito académico era constituido por uma sugestão de caravela apoiada na fortaleza, com várias velas sustentadas num mastro em forma de Padrão dos descobrimentos. A figura do Infante de Leopoldo de Almeida também segue o figurino dos painéis de S. Vicente.
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Finda esta 1.ª fase, os trabalhos foram expostos no Pavilhão de Festas de Lisboa, o Pavilhão de Portugal na exposição do Centenário da Independência do Brasil de 1922. Actual pavilhão Carlos Lopes e projectado por Carlos e Guilherme Rebelo de Andrade. Foi instalado em Lisboa sob a direcção do arquitecto Jorge Segurado e reabriu para a Grande Exposição Industrial Portuguesa de Outubro de 1932. Tem esculturas (A Ciência e A Arte) de Raúl Xavier e painéis de azulejo de Jorge Colaço.
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Em Março de 1935, o júri presidido por Júlio Dantas, classifica em 1º lugar o projecto denominado de “Dilatando a Fé e o Império” dos arquitectos Carlos e Guilherme Rebello de Andrade em parceria com o escultor Ruy Gameiro “…sob condição expressa de se verificar pelos cálculos que têm de ser feitos por técnicos, que o referido projecto pode ser executado em condições de estabilidade, resistência e duração dentro da verba de 9 000 contos autorizada.”
O resultado do concurso suscitou polémica entre os concorrentes e a elaboração de um documento dirigido a Salazar, “Representação a sua Excelência o Presidente do Ministério doutor António de Oliveira Salazar para que seja construído em Sagres o monumento digno dos Descobrimentos e do Infante” mas conhecido como a “Representação de 35” e onde se defendia a junção das propostas de Pardal Monteiro e de Cortês.
No entanto num atribulado processo de contestação à decisão do Júri é anulado o I Concurso e logo por portaria de 13 de Maio de 1936, é lançado o II Concurso.
Em Janeiro de 1937 é publicada a lista dos concorrentes que passariam a uma segunda fase, e dos 5 escolhidos os Rebello de Andrade, Raúl Lino e Vasco Marques apresentam as propostas do 1º Concurso embora simplificadas. Os resultados deste 2º concurso são divulgados em 7 de Abril de 1938, saindo agora vencedor Carlos Ramos, com uma versão simplificada do projecto do 1º Concurso que não tinha chegado a apresentar. Foram classificados por esta ordem os projectos de Vasco Lacerda Marques, de António Lino, dos Rebello de Andrade e de Raul Lino. Do primeiro para o segundo concurso há uma nítida alteração nos critérios do júri, reflectindo a “nova estética” do Regime, tanto mais que os projectos apresentados eram ou os mesmos do 1º concurso ou apenas simplificados.
O 2º Concurso
1º prémio - Carlos Ramos / Leopoldo de Almeida / Almada Negreiros e os engenheiros: Ricardo Amaral/José Rosa Pereira da Silva/Germano Joaquim Venade /Joaquim de Oliveira Júnior/Jorge Seabra.
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No projecto de Carlos Ramos, em comparação com o inicial para o 1º concurso, mantém-se a ideia da Caravela mas desaparece a fortaleza, mantém-se o Padrão como mastro mas velas são reduzidas a uma só.
2º prémio – Mare Nostrum Vasco de Lacerda Marques / Leopoldo de Almeida e os engenheiros Pedro Celestino da Costa/Henrique Grangei Pinto
Segundo o Júri: “…um projecto elegante excessivamente delicado para o local”
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O projecto parte também da ideia de Caravela, estilizada numa enorme parede triangular que representa uma vela, encastrada no Padrão também estilizado. Na “proa” a estátua de Leopoldo de Almeida que se irá classificar nos três primeiros lugares.
3º prémio - António Lino / Leopoldo de Almeida e o engenheiro Francisco de Melo e Castro.
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O projecto apresenta-se do lado do mar como um farol em forma de Padrão. Do lado de terra a este padrão encosta uma parede em quardo de círculo.
4º prémio - G. e C. Rebello de Andrade / Canto da Maia e o engenheiro Raul Ressano Garcia.
O projecto no 1º concurso classificado em 1º lugar, baixa agora perante a supresa e os protestos dos seus autores para 4º lugar. Para isso terá contribuido a “Representação 35”, a alteração dos critérios do Júri (e do Regime…) procurando agora considerar o Padrão como forma representativa da simbologia do Império e consagrando a imagem do Infante na figuração de Leopoldo de Almeida.
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5º prémio - Raul Lino / António Duarte e o engenheiro Celestino de Almeida.
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A proposta de Raul Lino, muito teatral (Wagneriana segundo P. Vieira de Almeida), apresentava um pórtico fechado por um arco em ogiva, assente num conjunto de plataformas a que se acedia por uma escada serpenteante, até à figuração do Infante, também representado com o chapéu bolonhês, mas aqui de braço levantado.
Mas perante as críticas então formuladas, e alegando razões financeiras e construtivas o concurso é mais uma vez anulado, mostrando já os sintomas da "viragem", que em relação à arte o regime começa a efectuar - acompanhando aliás o regime de Mussolini - por clara influência das forças mais reaccionárias e tradicionalistas que se apoiam, agora, na Alemanha Nazi. O regime estava já a planear a Exposição do Mundo Português. (Será retomado em 1958 onde venceu o projecto "Mar Novo" de João Andersen / Barata Feio / Júlio Resende, não executado, e ainda em 1988 onde venceu João Carreira)
As Exposições no estrangeiro
A Exposição Ibero-Americana de Sevilha de 1929
Em 1929 Portugal participa nas duas Exposições de Espanha: a de Barcelona (do célebre pavilhão alemão de Mies van der Rohe) onde tem uma modesta participação e a de Sevilha.
).
António Ferro, então jornalista do Diário de Notícias escreve uma crónica em Maio de 1929, mostrando a sua preferência pela cidade de Barcelona e a sua Expo, e minimizando a de Sevilha:
“A Exposição de Sevilha, pelas atitudes que lhe conheço, deve ser uma exposição mulher, algo de cigano e bailarina, corpo e imaginação de Xherazade, romantismo e volúpia, o banco dos namorados e o banho da sultana…” (citado em Sevilha 1992, João Alfacinha da Silva, Expo'98, 1998, biblioteca Camões)
Mas em Junho já reconhece a importância das Exposições Internacionais:
“Se não podemos levar máquinas, nem automóveis, nem aviões, se não podemos teatralizar a nossa exposição com (...) modelos de comboios e paquetes (...) – porque não fazer uma parada de indústrias regionais, tapetes, mobílias, faianças – tudo quanto nos dá carácter, todas essas coisas pobres que são a riqueza, afinal, da alma de uma nação? Omundo não nos conhece – precisamos antes de mais nada dar-lhe o nosso retrato” (António Ferro Diário de Notícias, 4 de Junho de 1929
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Cartaz de Almada in http://dasmargensdorio.blogspot.com/
Almada Negreiros foi o vencedor do concurso de cartazes. A Pátria vestida de varina segura o escudo com as quinas da bandeira nacional.
O cartaz foi produzido na Empreza do Bolhão, no Porto, em litografia, no formato 99x70, e teve uma tiragem de 5.000 exemplares.
O Pavilhão dos irmãos Rebello de Andrade, apresenta uma arquitectura académica, muito mais próxima do pavilhão apresentado pelos mesmos arquitectos para o Rio de Janeiro do que da sua proposta posterior para Sagres (aliás esse será um dos argumentos da “Representação 35” para criticar o projecto premiado).
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“Todos os que foram à exposição Ibero-Americana e que tenho cruzado no meu caminho, nos corredores dos comboios, nas mesas vizinhas dos restaurantes, na atmosfera oficial e mundana dos banquetes do Ritz – espanhóis, franceses, sul-americanos, gente de todas as raças – falam do nosso pavilhão com um entusiasmo que não engana (...) “E Portugal, em Sevilha, pelo menos, deixou de ser o país das revoluções, para ser o país que levantou, em meia dúzia de meses, o lar mais acolhedor da exposição.” (Diário de Notícias, 4 de Junho de 1929).
A Exposição Colonial de Paris em 1931
Realiza-se para uma afirmação dos impérios coloniais, em particular o francês. A exposição reuniu grandes potências coloniais europeias, com excepção da maior potência colonial a Grã-Bretanha e da Alemanha reflectindo as consequências da primeira guerra. A exposição, aproveitando do sucesso que ainda tem o exotismo das culturas africanas e asiáticas, acolheu 8 milhões de visitantes e teve um enorme sucesso, incluindo o económico.
A Exposição Colonial Paris em 1931, terá influência na Exposição do Porto de 1934, já que nesta o comissário é Henrique Galvão que foi o representante de Portugal no Congresso Colonial de Paris de 1931 e o fundador da revista Portugal Colonial, publicada entre 1931 e 1937. Em 1932, Henrique Galvão organizou e dirigiu as Feiras de Amostras Coloniais de Luanda e Lourenço Marques e em 1934, dirigiu, no Porto, a I Exposição Colonial Portuguesa.
O Pavilhão de Portugal, projectado por Raul Lino, com a presença de muitos dos artistas modernos. Entre outros, Canto da Maia, com Mestiça olhando-se a um espelho, e os relevos representando a África e Oceânia.
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Guia da Exposição e Cartaz de Fred Kradolfer
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Fred Kradolfer (1903 -1968) de origem suissa chega a Portugal em 1928, com uma formação em artes gráficas e vai desempenhar um papel determinante no conjunto de artistas que António Ferro vai reunir para as actividades do SPN e que incluía para além de Thomas de Mello (Tom) , Paulo Ferreira e Maria Keil, ainda Jorge Barradas, Stuart de Carvalhais, Bernardo Marques, Emmérico Nunes e Roberto Nobre.
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O Pavilhão de Raul Lino tinha um volume central com a forma de um castelo (palácio) da Baixa Idade Média, com torreões e uma porta manuelina, de onde partiam duas loggias com arcos em ogiva, torreões e ameias, contrastando com as peças apresentadas no interior onde irão participar os modernos. Na avenida de acesso candeeiros em forma de palmeiras estilizadas, solução que de uma forma um pouco diferente Raul Lino utilizará para as colunas do Pavilhão do Brasil na Exposição do Mundo Português.
A Exposição de Paris 1937
Exposition Internationale des Arts et Techniques dans la Vie Moderne
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Exposition universelle de paris. Exposition universelle de paris.
Outra importância assumiu a participação portuguesa na Exposição Universal de Paris de 1937.
Nesta, onde frente a frente se colocavam os pavilhões da Alemanha Nazi de Albert Speer e da União Soviética de Iofan, e onde no pavilhão espanhol de J.L. Sert, Picasso apresentava a Guernica, o Estado Novo já consolidado promove uma bem montada operação de propaganda.
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Os Pavilhões da Alemenha e da União Soviética
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O Pavilhão de Portugal junto aos pavilhões alemão e soviético
Com a equipa do SPN já formada e experimentada, com a adesão dos principais artistas plásticos após a realização em 1935 do I Salão de Arte Moderna, António Ferro, pretende aqui mostrar as realizações do Regime, enaltecendo a figura de Salazar e mostrar as diferentes vertenes da sua “política do espírito”.
Estes objectivos são configurados no Decreto de Lei n.º 26730 de 27/6/1936:
(…)“mostrar a contribuição portuguesa para a civilização do mundo; a obra e o pensamento do Estado Novo; as realizações, os métodos e os ideais colonizadores portugueses no presente e no passado; as riquezas artísticas mais notáveis do país; o interesse turístico e etnográfico e a importância dos principais produtos da industria e do solo nacionais.”
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Para o projecto do Pavilhão de Portugal é organizado um concurso cujo 3º classificado é o projecto IMPAR de Artur Simões Fonseca
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o 2º classificado o projecto PORTUGAL de Veloso Reis Camelo
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e o 1.º classificado – o projecto BALDIAZ de Francisco Keil do Amaral (1910-1975)
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O pavilhão da autoria de Keil do Amaral ocupava uma área de 1500 m2 com em oito salas. Implantado na margem do rio Sena o edifício articulave-se em dois corpos num jogo de volumes vertical e horizontal. O volume vertical que avança sobre o rio tem em relevo o escudo nacional. No volume horizontal relevos de figuras nacionais. Em cada uma das oito salas um conjunto de obras expostas sob o título de : “Estado”, “Realizações”, “Trabalho”, “Ultramar”, “Arte Popular”, “Pesquisas Cientificas”, “ Riquezas Naturais” e “Turismo”.
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A decoração do Pavilhão esteve a cargo de uma equipa constituída pelo suíço Fred Kradolfer, Bernardo Marques, José Rocha, Carlos Botelho, Tom, Emmerico Nunes , Paulo Ferreira e Maria Keil.
Os pintores Dórdio Gomes, António Soares, Guilherme Camarinha, Eduardo Malta e Abel Manta, entre outros, contribuíram com painéis; o escultor Canto da Maia realizou baixos-relevos de sabor histórico; Paulo Ferreira desenhou azulejos; António Lopes Ribeiro exibiu a longa-metragem A Revolução de Maio.
O escultor Francisco Franco apresentou a sua estátua de Salazar, de corpo inteiro, com capelo e borla doutorais, que lhe havia sido encomendada por Ferro e haveria de figurar igualmente na Exposição do Mundo Português, em Lisboa, em 1940.
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Entrada - Estátua de Salazar de Francisco Franco
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Estátua de Carmona de António da Costa
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Imagem do Estado Novo - Henrique Bettencourt
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Colocado no topo da escadaria do Pavilhão, um painel de azulejos representando a grande praça nobre da cidade de Lisboa, o Terreiro do Paço, antecedida por barco no rio Tejo e o cais das colunas, centrada na estátua de D. José, desenvolvendo-se a partir do Arco da Rua Augusta no casario regrado da baixa pombalina até à Praça do Rossio com o seu monumento a D. Pedro IV e o Teatro D. Maria II. Ao lado direito mostra-se a cidade medieval, com ruas incertas passando pela Sé Catedral e culminando no Castelo de S. Jorge, assinalado com uma grande bandeira nacional.
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Paolo Ferreira (1911-1999) - Lisbonne au mille couleurs 1992 Réplica de secção do revestimento do Pavilhão de Portugal na Exposição Internacional de Paris, 1937 Majólica policroma 224 x 225 cm Museu Nacional do Azulejo
As Salas do Pavilhão
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Na Sala de Arte Popular uma colecção de bonecas com trajes regionais portugueses da responsabilidade de Tomás de Mello (Tom) e Dalila Braga.
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Baixos relevos de Canto da Maia e Barata Feyo (Camões, Magalhães, Infante, Vasco da Gama, Alvares Cabral, Afonso de Albuquerque)
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N.º 1 de ARQUITECTOS – revista oficial do sindicato nacional dos arquitectos Fevereiro de 1938
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Desenhos de Carlos Botelho publicados no “O Sempre Fixe” Junho de 1937
A Exposição de Nova Iorque em 19393 - New York World's Fair.
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A Feira Mundial de Nova York tinha como divisa “O mundo de amanhã”, e foi planeada a partir de 1935.
O objetivo da Feira era antever a tecnologia e a cidade actuais olhada pelas futuras gerações.
“Os olhos da feira estão no futuro - não no sentido de perscrutar o desconhecido nem na tentativa de prever os eventos do amanhã e a forma das coisas do futuro, mas no sentido de apresentar uma nova concepção do presente encarado a partir do amanhã; alcançar uma ideia das forças e ideias que vão prevalecer e do mesmo modo as máquinas.”
Nela participam os designers Walter Dorwin Teague, Norman Bel Geddes, Raymond Loewy desenhando um mundo racionalizado de carros e bens de consumo, de robôs e máquinas eléctricas, fabricado por empresas como a Westinghouse, General Motors e AT & T. Um dos projectos de maior sucesso foi o Futurama, concebido pela General Motors.
Nesta Feira revelam-se internacionalmente, os arquitectos Alvaar Alto com o Pavilhão da Finlândia e Lúcio Costa e Oscar Niemeyer com o projecto do Pavilhão do Brasil.
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Portugal participa contudo com um Pavilhão carregado de símbolos da nacionalidade, já planeando a Exposição do Mundo Português e não aderindo ao conteúdo futurista da Exposição, mas vendo o mundo de amanhã na continuidade das gerações de “Avós, filhos e netos, Família em Portugal”.
Salazar afirma os objectivos da participação portuguesa que tem “… o tríplice fim de prestar homenagem ao povo americano e à sua obra, de reinvindicar para Portugal o seu justo quinhão, desde a afastada época dos Descobrimentos, na formação dos estados Unidos da América do Norte, e, por fim, de dar a portugueses e americanos uma ideia, pálida que seja, do esforço da reconstituição realizado nos últimos anos em Portugal.”(…) “com o nosso modesto pavilhão, cantinho de terra portuguesa na grande América.”

Pavilhão de Portugal na Exposição Internacional de Nova Iorque 1939 projecto de Jorge Segurado (1998-1990)
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O painel da fachada à esquerda é de Maria Keil
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Fotografia de Salazar com os artistas da esquerda para a direita: Barata Feyo, F. Kardolfer, Botelho, Emmerico, Tom, Bernardo Marques, (Salazar, Francisco Duarte, António Ferro, A. Eça de Queiroz), Lourenço Cayola, José Rocha, Paulo Ferreira e Canto da Maia em frente do painel de Maria Keil.
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A entrada no pavilhão, situado no volume circular, é efectuada por uma porta de arco em volta perfeito, encimado pelo o escudo nacional e ladeado por uma monumental moldura decorado com uma figuração em relevo, inicialmente concebida como vitrine. Na torre redonda, marcada por pilares adossados rematados em ameias, é ainda inscrita a designação do país.
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O Pavilhão organizava-se em dois volumes um circular e outro rectangular. Este destinado à evocação do Passado, do Presente e do Futuro e aquele para além de funcionar como recepção e tinha no segundo piso a secção do “Turismo e Arte Popular”.Na entrada por cima da porta de arco de volta perfeita, o Escudo Nacional. Ao lado o painel de Maria Keil onde inicialmente se previu um grande envidraçado.
A partir do Halll uma sequência de salas “Descoberta do Atlântico”, “Cristovão Colombo”, “Expansão Portuguesa”, a que se segue o “Planisfério Luminoso” (um planifério de cortiça com a rota dos navegadores portugueses) e a sala de “Portugal de Hoje” com as realizações do Estado Novo.
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Sala de Honra A FÉ e o IMPÉRIO Painéis de Fred Kradolfer
Esculturas SALAZAR Francisco Franco e CARMONA Leopoldo de Almeida.
O Pavilhão abre-se para um pátio ajardinado, onde uma escadaria dá acesso ao terraço “Mundo de Amanhã”. Numa sala que abre para o pátio os produtos tradicionais portugueses (vinho do Porto, azeite e conservas de sardinhas).
No Pátio ainda as esculturas Cabrilho de Alvaro de Brée e Raça de Salvador Barata Feyoe nas paredes do pavilhão os baixo relevos.
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“O Mundo de Amanhã” com o friso de Canto da Maia “Avós, filhos e netos, Família em Portugal”
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Baixo relevo “Infante D. Henrique” Ruy Gameiro
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Cabrilho (João Rodrigues) – escultura de Álvaro de Brée
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A Raça - Salvador Barata Feyo
(CONTINUA)

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