Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















sábado, 30 de outubro de 2010

Il Quarto Stato

Um pouco mais sobre a obra prima de Giuseppe Pellizza da Volpedo

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Giuseppe Pellizza da Volpedo (1868-1907) - Il Quarto Stato 1901

óleo s/ tela 293x545 cm, Galleria d'Arte Moderna Milano

O autor

Giuseppe Pellizza nasce em Volpedo a 28 de Julho de 1868, numa família de camponeses com algum desafogo económico. Em 1884 inscreve-se na Academia de Brera em Milão e em 1887 na Academia de Belas Artes de Roma. Em 1890 regressa definitivamente a Volpedo, onde em 1892 casa com Teresa Bidone. Passa a acrescentar ao seu nome da Volpedo, (como fez o portuense Silva Porto). A partir de Volpedo, corresponde-se com alguns artistas contemporâneos e viaja por Itália e pelo estrangeiro, para participar em exposições, e noutros eventos relacionados com a sua pintura. Em 1907 com a morte do seu grande amigo o jornalista e escritor Ernesto Majocchi, mas sobretudo com a morte de parto da mulher, acaba por se suicidar.

O Divisionismo

Pellizza é considerado um dos principais, senão o principal pintor do movimento Divisionista italiano, de que ainda fizeram parte Plinio Nomellini (1866-1943) (ver A Greve neste blogue), Giovanni Segantini (1858-1899), Gaetano Previati (1852-1920), Angelo Morbelli (1854-1919) e Filippo Carcano (1840-1914).

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Plinio Nomellini (1866 – 1943) A greve

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Giovanni Segantini, Mezzogiorno sulle Alpi (meio dia nos Alpes) 1891, óleo sobre tela 77,6 x 71,5 cm, Museu Segantini St. Moritz

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Angelo Morbelli, In risaia (no arrozal), 1898-1901, óleo sobre tela 183 x 130 cm, colecção particular

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Angelo Morbelli,Il Natale dei rimasti (o Natal dos remanescentes), 1903, óleo sobre tela 61 x 110 cm, Galleria Internazionale d’Arte Moderna di Ca’Pesaro Veneza

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Filippo Carcano Operai In Riposo (operários descansando) óleo sobre tela 200 x 100 cm colecção particular

O Divisionismo é uma corrente nascida em Milão no final do século XIX, por influência do Pós Impressionismo ou Pontilhismo francês, cujos principais artistas são Georges Seurat (ver neste blogue Notas sobre pintura 1 “Un Dimanche a la Grande Jatte 1884-1886” de George Seurat) e Paul Signac. Como os franceses, os pintores italianos procuram criar uma luminosidade nas suas telas, a partir da utilização de cores não misturadas mas através de pontos (os franceses) e pequenos traços (os italianos) de cores puras, baseados nos estudos da cor dos finais do século.

O quadro Il Quarto Stato

Tem sido apontadas as semelhanças entre G. Seurat (1859 – 1891) e G. Pellizza da Volpedo (1868-1907). Contemporâneos, ambos morrem muito novos, e ambos são conhecidos principalmente por uma obra. Embora nessas obras, abordando temáticas diferentes, ambos procuram utilizar uma técnica senão científica pelo menos rigorosa, o Pontilhismo naquele e o Divisionismo neste, para a elaboração dos seus quadros, aliás num caso e noutro de grandes dimensões.

O que aqui procuro explorar é a utilização por estes dois pintores nestas duas obras é a semelhança do método de aproximação sucessiva até uma versão definitiva.

Pellizza da Volpedo, no início da década de 90, começa a idealizar um quadro de que faz os primeiros esboços, tendo como tema uma manifestação de camponeses e outros trabalhadores de Volpedo junto do Senhor de Malaspina que então possuía a maior parte das terras de Volpedo. Escreve no seu Diário no dia 1 de Maio de 1892 “Eu fiz desde os finais do ano passado, estudos e esboços para um quadro assim concebido…” Pellizza vai, através dos seus escritos dar indicações, ainda mais precisas sobre o seu quadro.

A data escolhida por Pellizza, ligado ao movimento socialista, para escrever as reflexões sobre as primeiras abordagens ao quadro que pretende fazer não é por acaso. O 1º de Maio estava já consagrado como o “Dia dos Trabalhadores” instituído três anos antes pela Segunda Internacional, e 1892 é também, o ano da fundação do Partido Socialista dos Trabalhadores Italianos.

O título inicialmente escolhido por Pellizza foi Ambasciatori della fame (Embaixadores da Fome) de que são os estudos e esboços realizados entre 1891 e 1892 referidos no seu Diário. A partir de 1892, e a partir da concepção expressa no Diário vai fazendo sucessivas transformações no tema e na composição do quadro, que culminam entre 1895 e 1896 com a realização das versões de uma grande tela que intitula Fiumana (à letra: Rio humano). Finalmente, não satisfeito com esta versão, trabalha entre 1898 e 1901, numa composição final inicialmente com o nome de Il Cammino dei Lavoratori (A Marcha dos Trabalhadores) e finalmente com o nome de Il Quarto Stato (O Quarto Estado).

Aproximação ao lugar: Volpedo

Volpedo é uma povoação da província de Alessandria, no Piemonte junto ao Val Curone.

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Planta de Volpedo 1843 - Archivio storico di Volpedo

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Centro histórico de Volpedo Google Earth

A definição do sítio

Pellizza vai escolher Praça de Volpedo (Malaspina) como se fosse um palco onde vai colocar as diversas personagens, na cena que pretende pintar. Do mesmo modo como um arquitecto estuda e desenha o local em que vai realizar a sua construção.

Escreve no seu Diário: “...esta praceta onde se situa o palácio do Senhor – o palácio está atrás do espectador e projecta a sua sombra no primeiro plano do quadro – poderia pintar a sombra de um palácio com ameias embora o palácio da Marquesa não as tenha – a praceta teatro da acção é a praceta do Palácio e a rua pela qual se aproximam os camponeses é a a via Torraglio aqui em Volpedo...

E, do mesmo modo que Seurat, realiza quadros preparatórios do local, ainda sem figuras humanas.

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G. Pelliza da Volpedo La piazza di Volpedo (1888),

óleo sobre tela 78x96 cm., colecção privada

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G. Pellizza da Volpedo. Piazza Malaspina a Volpedo 1892
óleo sobre tela 42,8x80,7 cm collecção privada

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A praça na actualidade a que foi dado o nome Quarto Stato. À direita o cavalete indica o local de onde pintou Pellizza o célebre quadro.

“…As duas ruas, pelas quais por uma se aproximam as mulheres e a outra pela qual vem os camponeses, terminam sobre esta praceta onde se encontra o palácio do Senhor. O palácio encontra-se nas costas do espectador e projecta a sua sombra no primeiro plano do quadro.”

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O palácio Malaspina na actualidade

Aproximação ao tempo

Seurat situava pelo título, o seu quadro numa tarde de Domingo. Pellizza define nos seus escritos a hora e a estação do ano:

….Estamos numa povoação rural, são cerca das dez e meia da manhã de um dia de Verão. O sol lança os seus potentes raios….

Definida a temática, o local e o momento temporal, G. Pellizza da Volpedo vai realizar um conjunto de quadros, numa aproximação e depuração sucessiva até chegar a uma composição definitiva.

Ambasciatori della fame (Embaixadores da fome) 1891/92

No primeiro plano três figuras de camponeses, avançam no centro da praça, aproximando-se do palácio Malaspina de que se vê a sombra “… o palácio está atrás do espectador e projecta a sua sombra no primeiro plano do quadro…”

Inicialmente Pellizza, reproduzindo o acontecimento, pensou apenas em duas personagens (os embaixadores) mas nos esboços, apresenta três camponeses.

(…) Um companheiro aproxima-se para chamar a atenção do chefe para a sua mulher que, com a criança ao colo quase desmaia de fome…”

Mais tarde reduzirá de novo as personagens centrais a duas, acrescentando ao primeiro plano a figura feminina.

Pellizza descreve as figuras centrais que se manterão até à versão final:

…Dois camponeses avançam para o espectador. Eles foram designados pela ordeira multidão de camponeses que avançam atrás deles para reivindicar junto do Senhor a causa comum.

"O chefe é um homem à volta dos 35 anos com orgulho de ser um trabalhador inteligente.” (…) "Um desses inteligentíssimos que parece ter nascido tanto para os trabalhos do campo como para seguir os árduos caminhos do pensamento; (…) o outro que o acompanha é um homem de têmpera forte e robusta bonomia, e nele um raro bom-senso, foi a causa de lhe ser atribuído o encargo.”

(…) Os dois chefes estão já quase no meio da praceta…”

No fundo à esquerda avança uma manifestação ainda ocupando apenas a embocadura da rua: “…a massa ordeira de camponeses que em ordem estão entrando na praça…”À direita algumas mulheres com os filhos: (…) algumas mulheres ao lado acompanham o acontecimento…”

O local é ainda pintado de uma forma realista, distinguindo-se os edifícios que conformam a praça. As dimensões do quadro vão aumentando.

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Ambasciatori della fame (primeira versão 1891), óleo sobre madeira 25x37,2 cm. colecção particular

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Ambasciatori della fame (Embaixadores da Fome) 1892
óleo sobre tela 51,5 x 73 cm.colecção particular

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Ambasciatori della fame (1893-1894), lápis e giz sobre cartão 159,5 x 198 cm colecção particular.

Fiumana (Rio Humano)1895/96

Entre 1895 e 1896 Pellizza, retoma o tema, introduzindo-lhe significativas alterações. Muda a técnica pictórica criando uma cada vez maior definição das personagens.

Alarga-se a manifestação, começando por ocupar quase todo o fundo do quadro, e na versão final ocupando mesmo toda a tela, introduzindo-lhe um mais amplo significado social. Às duas personagens centrais, Pellizza acrescenta agora uma figura feminina. Mantém-se o fundo realista da praça de Volpedo, embora o céu se torne agora mais escuro e crepuscular.

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Fiumana (esboceto)1895, óleo sobre tela 44,2 x 77,8 cm colecção particular

O quadro assume agora na sua versão Fiumana uma grande dimensão (dois metros e cinquenta e cinco por quatro metros e trinta e oito), de modo que as figuras centrais são pintadas sensivelmente à escala natural, como se vê na fotografia.

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Apresentação de Fiumana 1895/96 G. Pellizza segura a enorme tela do lado direito

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Fiumana (1895-1896), óleo sobre tela 255 x 438 Pinacoteca de Brera, Milão.

Para se ter uma ideia da Fiumana, um relato publicado no jornal francês Le Monde:

“ A primeira versão Il Fiume ou La Fiumana, está colocada ao fundo de uma série de salas na Pinacoteca de Brera: caminhamos para o quadro ao mesmo tempo que as personagens caminham para nós. Depois senta-mo-nos perante eles que nos dominam e aprecem submergir.

Esta multidão de homens do povo, esta massa de rostos com chapéu, de que não distinguimos verdadeiramente os traços, mas somente o contraste entre os rostos clarose os chapéus sombrios, este mar de roupas de cores acinzentadas, acastanhadas, surdas compõe um fundo de onde se destaca o trio da frente.

O lider está banhado de uma luz irreal, como numa cena bíblica onde o profeta ou o santo se destacaria super naturalmente num halo luminoso quase divino, o seu colete vermelho como um alvo.

Quase não se vê os seus olhos perdidos na sombra do chapéu; a barba é espessa. A mão direita, numa pose angulosa, segura descontraidamente o casaco sobre o ombro, num gesto nobre e gracioso; a mão esquerda, com segurança, tem o polegar enfiado numa das presilhas da cintura. O seu vizinho, de braços cruzados, não se destaca. A mulher do trio, pelo contrário não parece acompanhá-lo, ela está voltada para ele, avançando como um caranguejo a três quartos, com uma criança nos braços. Será a única mulher da manifestação? Distingue-se outra no extremo do lado esquerdo, com um vestido verde, mas como em retirada, apoiada sobre uma pedra ou sobre o passeio, inclinada para a frente, hesitando em participar na manifestação. Há ainda crianças, fazendo talvez uma roda, no lado direito.

Mas o calor, o sol do meio dia, a poeira tornam os contornos imprecisos, o desenho hesitante , as formas indistintas. Para onde marcham ? para baionetas policiais reprimindo a sua greve ? para o futuro radioso do proletariado ? para a conquista de um mundo novo ?

São, sobretudo, para além mesmo do tema do quadro, figuras emblemáticas da manifestação. Um ar fresco emana deste quadro, uma emoção colectiva.”

Le Monde 12 janvier 2010 http://lunettesrouges.blog.lemonde.fr/2010/01/12/marcher-vers-un-avenir-meilleur/

Il cammino dei lavoratori (A Marcha dos Trabalhadores) 1898

Apesar de a Fiumana corresponder ao sentido que Pellizza quer dar ao seu quadro, no ano seguinte inicia uma nova versão da obra que inicialmente chamou “Il cammino dei lavoratori” ( A Marcha dos Trabalhadores), acentuando o significado ideológico do quadro, ou seja a luta, o caminho dos trabalhadores para uma sociedade mais justa e mais humana.

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Il cammino dei lavoratori (1898), óleo sobre tela 66 x 116 colecção particular

Finalmente em 1901, Pellizza termina a versão final a que irá chamar Il Quarto Stato. A composição de grandes dimensões, é depurada, no fundo desaparecendo os elementos que identificam a praça de Volpedo, ficando apenas a o perfil de montanhas ao longe, sob um céu escuro que contrasta com a luminosidade da praça onde o pavimento se torna uniforme e sem sombras, sinal de uma classe cumprindo o seu caminho..

“Quarto Estado – que na minha mente primeiro Fiumana, e O caminho dos trabalhadores – foi uma das minhas primeiríssimas concepções, foi o trabalho continuado de um decénio e só o consegui concretizar depois de ter evoluído na minha arte com muito, muitíssimo trabalho e com outro tanto pensamento. Mas quando pensamento e forma se fundem na minha convicção nada me pode distrair: nem os raspanetes da família, nem os conselhos dos amigos, nem o maldizer dos menos benévolos nem qualquer outra maior dificuldade. Foi o que quis que fosse. O avançar animado de um grupo de trabalhadores para a fonte luminosa simbolizando na minha mente toda a grande família dos filhos do trabalho.” (Carta de Pellizza para Matteo Olivero, 29 de Outubro de 1904). (nota - Matteo Olivero (1879-1932) foi um dos pintores amigo de Pellizza)

O Quarto Estado 1901

Diversos autores, ao analisar a composição e sobretudo o tratamento das figuras, remetem para o conhecimento que Pellizza tem da arte italiana do Renascimento, referindo Piero della Francesca, Raffaello, Masaccio, Botticelli e Michelangelo.

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Il Quarto Stato (1901), óleo sobre tela 293 x 545 Galeria de Arte Moderna Milão

Aproximação às personagens

As personagens são desenhadas com precisão verdadeiros retratos da mulher e dos habitantes de Volpedo.

Como Seurat, Pelliza elabora diversos estudos para as diversas figuras do quadro.

No primeiro plano destacam-se as três figuras em tamanho natural: um homem ao centro, ladeado por duas figuras um pouco atrás. Á sua direita um outro trabalhador e à sua esquerda uma mulher, com uma criança nos braços.

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Como se referiu Pellizza desde 1892 descrevia a personagem central como: "O chefe é um homem à volta dos 35 anos com orgulho de ser um trabalhador inteligente.” (…) "Um desses inteligentíssimos parece ter nascido tanto para os trabalhos do campo como para seguir os árduos caminhos do pensamento;… “

Trata-se na realidade de Giovanni Zarri, e a personagem e a sua figuração é estudada por Pellizza em diversos estudos.

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Estudo de figura masculina (Retrato de Giovanni Zarri) 1899
Lápis e carvão sobre papel amarelo 198,5 x 95 cm.

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Giovanni Zarri

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A segunda personagem Giacomo Bidone, é descrita por Pellizza como:

“… o outro que o acompanha é um homem de têmpera forte e robusta bonomia, e nele um raro bom-senso, foi a causa de lhe ser atribuído o encargo.”

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Giacomo Bidone

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A terceira figura do primeiro plano, a mulher com a criança nos braços, introduzida a partir de Fiumana, é a mulher do pintor, Teresa Bidone, a qual teve duas filhas Maria e Nerina, e um recém-nascido, que morrendo pouco depois, como Teresa Bidone, contribuíram para o suicídio de Pellizza.


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Estudo de mulher com criança
Carvão e giz sobre tela 202 x 98,5 cm.

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Por detrás destas três figuras a massa dos camponeses e trabalhadores, em quatro filas.

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Cópia de volpedoD

Do lado esquerdo da pintura

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Da esquerda pra a direita:Maria Albina Bidone, Giovanni Ferrari, ao centro com as duas mãos abertas Luigi Dolcini, Giuseppe Tedesi

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Maria Albina Bidone

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Giovanni Ferrari

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Luigi Dolcini

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Giuseppe Tedesi

À direita do espectador

Cópia (2) de volpedoD

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Da esquerda para a direita Costantino Gatti, Anónimo, Giuseppe Tedesi, Emilia Bruno, e Lorenzo Rovaretti trazendo pela mão Celeste Rovaretti.

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Constantino Gatti

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Anónimo

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Giuseppe Tedesi, a única personagem que se apresenta de punhos fechados como preparando-se para uma luta.

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Celeste Rovaretti

Por detrás do trio principal

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Siro Emanuele Zaccaria

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Antonio Bidone

A multidão

Nas filas de trás, podemos observar dois camponeses que protegendo os olhos com a mão direita, quase como uma continência militar, olham em frente. Uma criança é transportada às cavalitas e alguém ergue um braço como explicando ao vizinho o que se passa lá à fente.

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Um camponês transporta um cesto (de uvas ?)

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O fundo crepuscular, significando as trevas da condição operária…

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…contrastando com a Luz do futuro dos trabalhadores do Quarto Estado

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As Mãos abertas significando a evidência da condição dos trabalhadores e a sua força tranquila.

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As mãos criam uma ondulação que movimenta toda a composição.

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As dimensões e a geometria

A figura do líder, com o seu colete encarnado sobressaindo como uma bandeira, está colocado no centro da composição.

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A composição organiza-se por dois quadrados que enquadram um rectângulo onde está colocada a personagem central. As diagonais dos quadrados formam um triângulo que define a posição das duas figuras laterais do trio da frente.

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A diagonal do quadrado do lado direito aponta sensivelmente o braço da personagem feminina.

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A linha do horizonte, a linha da parte final e visível da manifestação, a linha dos olhos das personagens e a linha dos pés dos manifestantes, dão uma horizontalidade à composição, acentuando a serenidade e a calma, que Pellizza pretendia para as suas personagens sublinhando a força das suas convicções, e a segurança de que o futuro lhes pertence.

A horizontalidade conota ainda com a terra, que como camponeses estão habituados a cultivar e a respeitar.

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Pellizza escreve no seu Diário: “…A minha aspiração de justiça fez-me idealizar uma massa de pessoas, de camponeses, que inteligentes, fortes, robustos, unidos, avançam como uma inundação varrendo todos os obstáculos para alcançar o lugar onde encontram o equilíbrio…”

“ Com a firmeza e sem fanfarronadas obtém-se aquilo que nos pertence de direito. Essa palavra, se a encontrasse queria coloca-la como título.”

E numa carta ao seu amigo, jornalista e socialista, Ernesto Majocchi de 18 de Novembro de 1905, Pellizza escrevia acerca da publicação do seu quadro, que considera uma prova da “bondade da sua concepção”:

“…E que vá para o meio dos fortes trabalhadores para animá-los a prosseguir seguros para um ideal de equidade na distribuição da riqueza social.”

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Para saber mais sobre Pellizza da Volpedo consultar o excelente e didático site da Associazione Pellizza da Volpedo http://www.pellizza.it/ de onde são retirados alguns elementos deste post.

4 comentários:

  1. Fantástico!! Muito inspirador!

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  2. Temos um Quadro com esta imagem, e não sabia o significado... Agora sei, muito interessante!!

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