Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















sábado, 9 de outubro de 2010

Os Planos para o Porto – dos Almadas aos nossos dias 7 IV

Os anos 30 e os Planos dos Italianos para o Porto

Entre o Prólogo ao Plano do Porto do engenheiro Ezequiel de Campos de 1932 e o início da colaboração dos arquitectos italianos em 1938, diversas e profundas transformações se deram, a vários níveis, em Portugal e na cidade do Porto.

II Parte – A Cidade do Porto

A Exposição Colonial

Em 2003 o jornalista Ercílio de Azevedo (1924-2005) editou uma publicação intitulada “Porto 1934 - A Grande Exposição” com prefácio de Paulo Vallada que a partir da descrição muito documentada da Exposição Colonial realizada no Porto em 1934, procura descrever e documentar o ambiente nacional e portuense que rodearam esse acontecimento. É a partir dessa publicação que este texto é realizado, procurando mostrar que a Exposição Colonial foi de facto o acontecimento que mais impacto teve na vida da cidade do Porto nos anos 30, mobilizando e atraindo milhares de visitantes.

Em 1934 o Regime já consolidado e inspirado pela Exposição Colonial de Paris de 1931, promove no Porto a primeira das suas grandes exposições - a Exposição Colonial do Porto – destinada a propagandear o Estado Novo como um regime moderno, activo num Portugal Imperial.

O regime é desde o seu início despertado para a questão colonial já que em Março de 1930 surgira em Angola, um confronto entre funcionários civis e militares contestando a autoridade do poder central, e sobretudo em torno da Sociedade das Nações, gera-se, nesta época, um movimento no sentido de ilegalizar e acabar com os trabalhos forçados nas colónias.

Coincidindo com Salazar ocupando o Ministério das Colónias, é aprovado em 1930, O Acto Colonial (Decreto n.º 18 570, de 8 de Julho de 1930).

Salazar, reage na instituição e na defesa do Império Colonial, como uma unidade orgânica e indivisível, consagrando o Acto Colonial na Constituição de 1933, alterando a denominação dos territórios do Ultramar português, de "províncias ultramarinas" para "colónias" . (Em 1951 regressará à primitiva terminologia na revisão da Constituição que revoga o Acto Colonial).

"Somos sobretudo uma potência atlântica, presos pela natureza à Espanha, política e economicamente debruçados sobre o mar e as colónias, antigas descobertas e conquistas. Nem sempre a nossa política se fez de Lisboa ou da parte continental, mas de outros pontos, tal a ideia de que a colónias não o foram à maneira corrente mas partes integrantes do mesmo todo nacional."

" Portugal constitui com as suas colónias um todo, em virtude de um pensamento político que se fez pelos tempos fora realidade política."

“Alheios a todos os conluios, não vendemos, não cedemos, não arrendamos, não partilhamos as nossas Colónias com reserva ou sem ela de qualquer parcela de soberania nominal para satisfação dos nossos brios patrióticos. Não no-lo permitem as nossas leis constitucionais; e, na ausência desses textos, não no-lo permitiria a consciência nacional." (António de Oliveira Salazar - Discursos e Notas Políticas)

É neste quadro que se insere a participação de Portugal na Exposition Coloniale de Paris em 1931 de que resulta a Exposição Colonial de 1934 como afirma Henrique Galvão: "A Primeira Exposição Colonial Portuguesa é filha de um pensamento de política Imperial que, na larga e brilhante representação portuguesa na Exposição Internacional de Paris teve a sua realização inicial." .

A Exposição Colonial do Porto em 1934, em muitos aspectos, servirá ainda de ensaio à Exposição do Duplo Centenário (ou do Mundo Português) de 1940.

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Assim, a partir de 1931, quando Armindo Monteiro se torna Ministro das Colónias, o Estado Novo vai procurar lançar uma campanha de propaganda com o objectivo de consolidar externamente a ideia do Império Colonial e internamente de mostrar aos portugueses a ideia de um Portugal Imperial, espalhado pelo Mundo, grande, uno e indivisível, que marcará o regime (e o país) nas décadas seguintes.

Esta ideia será traduzida graficamente num mapa da Europa,com a legenda “PORTUGAL NÃO É UM PAÍS PEQUENO”, e onde os territórios das colónias portuguesas sobressaem, mostrando a dimensão do Portugal Imperial. O mapa é acompanhado de alguns números comparando áreas entre os maiores países da Europa e o Império Português.

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"Portugal não é um país pequeno" Escala [ca. 1:13000000]. - Lisboa : Secretariado da Propaganda Nacional. - 1 map. : color. ; 55x38 cm. - No canto inf. direito contém: "Superfícies do Império Colonial Português comparadas com as dos principais países da Europa http://purl.pt/ BND

Este mapa exposto na Exposição Colonial com a legenda "Portugal não é um país pequeno", mostra os objectivos da Exposição Colonial de 1934, inserida numa política estruturada na afirmação da ordem social, económica e financeira estendendo-se a todo Império Colonial.

Com o objectivo de conseguir que esta mensagem atingisse públicos mais vastos, interna e externamente, o SPN publicou o mapa sob a forma de postal ilustrado.

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Em 1934 é ainda publicado, para uso escolar e com outro rigor, o “Mapa de Portugal Insular e Império Colonial Português” .

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Mapa de Portugal insular e império colonial português coord. por Manuel Pinto de Sousa. - Escalas [ca >1<130000]-[>ca <130000000]. - Porto : Livr. Escolar "Progredior", 1934. - 1 map. : color. ; 98x87 cm BND

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Henrique Galvão

Para Comissário da Exposição, é escolhido o capitão Henrique Galvão (1885-1970), então ainda um dos militares ligados ao Regime e um dos homens mais conhecedores dos nossos territórios coloniais, já que tinha sido Governador da província de Huíla em Angola (1929), participado na Exposição Colonial de Paris em 1931 e organizado as feiras coloniais de Luanda e Lourenço Marques (1932). Tinha ainda escrito diversos ensaios, crónicas e narrativas relacionadas com África. Em 1929 tinha publicado um conjunto de crónicas intituladas Em Terra de Pretos e Crónicas d'Angola. Em 1932 escreve o romance O Velo d'Oiro a que é atribuído em 1933 o 1º Prémio de Literatura Colonial, criado em 1926, e em 1934 os livro de contos Terras do Feitiço (também premiado) e Contos Africanos. Nos anos quarenta irá ainda publicar “Outras Terras, Outras Gentes”, uma descrição pormenorizada da África Portuguesa, ilustrada por Eduardo Malta, Fausto Sampaio, Neves e Sousa, Martins Barata, António Ayres, Rui Filipe, e com fotografias, na sua maior parte, de Elmano da Cunha e Costa. (Rompendo depois com o regime, será como se sabe conhecido pela acção política com o assalto ao paquete Santa Maria).

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Mas se os objectivos da Exposição são claros, mostrar interna e externamente a unidade e a grandeza do Império Colonial Português, a ideia da sua realização no Porto, deve-se provavelmente ao volume e importância da emigração e das importações de mercadorias com o Brasil e as Colónias, que se efectua através do porto do Douro. Diversos sectores do Norte de Portugal, em particular a indústria têxtil, que então rapidamente se desenvolve no Vale do Ave, apontam desde o início da década para a necessidade de promover a conquista dos mercados coloniais, em particular os africanos. É o sector algodoeiro, que reivindica a protecção à importação do algodão e à exportação dos tecidos portugueses para o Ultramar. Nessas preocupações e reivindicações destacam-se a Associação Comercial do Porto, Associação Industrial Portuense e o Centro Comercial do Porto que defendem um estreitamento das relações entre a metrópole e as colónias numa perspectiva de desenvolvimento da economia pela centralização no Continente das economias subordinadas das colónias. É na base deste interesse geopolítico e económico que também assenta a ideia do Império Português, propagandeado pelo Estado Novo.

Como se lê no interior da Exposição:

O RENASCIMENTO DA POLITICA IMPERIAL É UMA REALIZAÇÃO DO ESTADO NOVO.

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Pensados os objectivos e escolhida a cidade do Porto para a exposição, cedo se concluiu que o local mais adequado para instalar a exposição era o Palácio de Cristal e os seus jardins, onde "(...) nada lhe faltava: denso arvoredo, sombras, largas e longas ruas, espaços livres e magnificência da paisagem." (Henrique Galvão - Álbum Comemorativo da Primeira Exposição Colonial Portuguesa, Porto, Litografia Nacional, 1934) quer por possuir um edifício próprio para exposições mas também pelo jardim onde se podia prolongar a exposição e colocar as representações das várias colónias. Para isso a Câmara do Porto adquiriu, no início de 1934, o recinto bastante degradado do Palácio de Cristal à Associação Industrial, sendo que a Exposição Colonial seria uma das formas de reabilitar o Palácio.

São mobilizadas a partir de 1933, diversas instituições, empresas e personalidades da cidade.

É criado um jornal oficial da Exposição “O Ultramar” dirigido por Henrique Galvão e publicado de 1 de Fevereiro a 1 de Outubro de 1934 e O Comércio do Porto com instalações na exposição cria também, O Comércio do Porto colonial, um jornal da Exposição.

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A rádio

A Invicta Rádio foi considerada a emissora oficiosa da “Exposição Colonial do Porto” em 1934. A estação transmitiu todas as palestras do capitão Henrique Galvão e de outras figuras ligadas ao regime - muitas delas em Castelhano e destinadas a Espanha. A firma Arnaldo Trindade procedeu à instalação sonora. A publicidade radiofónica foi adjudicada à Rádio Clarion.

Os Correios

É instalado um posto dos CTT e impresso um selo comemorativo.

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A fotografia

Da fotografia vai encarregar-se Domingos Alvão (Casa Alvão) que realizará todas as fotografias oficiais da Exposição e que irá publicar um “Álbum fotográfico da 1ª Exposição Colonial Portuguesa” com 101 clichés fotográficos de Alvão - Porto, fotógrafo oficial da Exposição Colonial, editado no Porto pela Litografia Nacional.

A pintura e a ilustração

Para além de diversos artistas plásticos, será Eduardo Malta (1900-1967) que em 1933 havia executado um retrato de Salazar, o pintor “oficial” da Exposição e encarregar-se-á de retratar muitos dos seus protagonistas e de ilustrar muitas das publicações que dela resultarão.

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Eduardo Malta - Retrato de António de Oliveira Salazar 1933 óleo sobre tela 99x115 cm Museu do Chiado – MNAC

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Desenho de Eduardo Malta para o Álbum Comemorativo da Exposição

A electricidade e a iluminação

A parte eléctrica, que nesta época é fundamental para o sucesso da Exposição é concessionada à firma Carlos dos Santos, L.da. e aos Serviços Municipais de Gás e Electricidade dirigidos por Ezequiel de Campos.

Mário de Figueiredo escreve no jornal Ultramar:

"Uma das grandes atracções [da Exposição] é, sem dúvida, a iluminação, profusa, bem distribuída e montada com preceitos mo­dernos. Foi concessionária a firma Carlos dos Santos, Lda., mas o director da montagem, o engenheiro civil Sr. João Fernando Ma­chado Gouveia, durante alguns meses, modesta mas proficiente­mente, auxiliado pêlos seus operários, de que destacaria o Antó­nio Lopes, estabeleceu e distribuiu toda a aparelhagem iluminan­te. Devem-se-lhes os efeito obtidos com as sancas, com os reflec­tores, os tubos e torres luminosas. As fontes, principalmente as do lago grande, exigiram paciente afinação e não dispensam ainda ho­je permanente assistência, dado o seu funcionamento complicado. Pertence aos serviços de electricidade do município a instalação da rede subterrânea, em substituição da aérea, que existiu mui­tos anos nos jardins do Palácio com os seus inestéticos postes, e a montagem dos transformadores, com a as respectivas «cabines» de distribuição, trabalho de carácter definitivo, não isento de responsabilidades e de que se desempenhou muito bem o pessoal, so­bre a direcção do engenheiro Ezequiel de Campos”.

A Exposição

A Exposição Colonial é oficialmente inaugurada pelo General Óscar Carmona, presidente da República, em 16 de Junho e encerra a 30 de Setembro de 1934.

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Repare-se no uso do fraque e do chapéu alto das autoridades civis.

Todo o recinto do Palácio é organizado para a Exposição, como se pode constatar no “Guia Oficial do Visitante” (Porto, Mário Antunes Leitão e Vitorino Coimbra editores, 1934) então publicado, de modo a permitir a instalação dos 338 stands entre oficiais e privados.

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Na arquitectura, na decoração, nas artes gráficas e no lettering, utiliza-se a linguagem da época, o estilo art déco, criando na Exposição um ambiente que se pretende moderno e avançado. Assim, predominam as linhas rectas ou circulares estilizadas, as formas geométricas e os volumes simples e encastrados. Este vocabulário moderno e modernista explora ainda as contribuições das artes coloniais africana e oriental consentâneas com a temática da Exposição.

No Porto, nestes anos são muitos os exemplos de arquitectos, artistas plásticos e gráficos que utilizam esta linguagem nas suas obras.expo0

Este Guia descrevia a exposição pormenorizadamente, mencionando o que se podia visitar ao ar livre e dentro do edifício. Incluía algumas fotografias ilustrativas dos locais considerados de maior interesse e sugeria ao visitante um caminho a percorrer de forma a não deixar de visitar o que de mais significativo havia para ver. Incluía ainda uma lista completa dos participantes privados (em ordem alfabética) e algumas páginas de anúncios. O Guia fornecia também um mapa dos terrenos e jardins do Palácio mostrando a localização exacta de todas as atracções; no verso estava uma planta do edifício, o Palácio das Colónias, com a respectiva legenda explicativa.

Para percorrer a Exposição e comodidade dos visitantes são criados um “comboio turístico” e um pequeno teleférico, o Cabo Aéreo, que pese embora o atraso com que iniciou a sua actividade, cedo se tornou uma das atracções do certame.

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O percurso do comboio no Guia da Exposição

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O percurso do teleférico (Cabo Aéreo) no Guia da Exposição

Hugo Rocha numa reportagem sob o sugestivo título de “O Mistério do Cabo Aéreo” descreve assim a viagem no pequeno teleférico: “(…)Seguimos. Para lá do lago, cuja perspectiva era duma beleza es­tranha, o comboio liliputiano silvava, em marcha pachorrenta. Bre­ve saudação entre os passageiros da terra e os passageiros do ar. Lenços que alvejaram, que acenaram, lépidos e contentes com os olhos que lhes acompanhavam os acenos. Uns metros ainda, so­bre o bosque umbroso e verdejante. E começou a descida. A des­cida... Enquanto houve terra sob a cesta, terra quase resvés, terra a dois passos, na emergência dum salto de dramática fuga, a emo­ção não teclou, grandemente, as sensibilidades ambulantes. E era linda, até, a perspectiva das torres de ferro, em sucessão metódi­ca, encosta abaixo. Por momentos, pareceu que descíamos, em funicular, algum es­tranho monte dalgum pais estranho. Depois, foi o vácuo, a altura, a vertigem. A Rua da Restauração, paralelepípedos alinhados, bri­lhando ao Sol oblíquo, as quatro paralelas de aço, dois eléctricos rodando, pesadamente, em sentido contrário, a escarpa impres­sionante, o abismo hiante -eis o filme rápido que se desbobinou a nossos olhos Para lá, o Douro, apinhado de vapores e traineiras. Mais lá, ainda, o casario de Gaia, as chaminés das fábricas, o céu cor de safira pálida. A travessia do abismo, lenta, cautelosa, foi o ponto culminante de viagem. Em muitos, talvez em todos, o coração deve ter-se aperta­do um tanto. E quanto mais devagar se marcha, a contemplação do abismo causa arrepios, mais impressiona a descida. Depois, uma breve paragem na estação da Rua da Restauração complicada e vasta como a da Exposição. A seguir, o regresso. E a subida, sobre a larga rua primeiro, depois ao longo da escarpa aterradora, foi talvez mais impressionante. Não faltou então, quem limpasse, discretamente, o suor, sob a frescura deliciosa da tarde...".

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Detalhe de uma fotografia de Alvão vendo-se o Cabo Aéreo (teleférico)

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Uma “barquinha” do Cabo Aéreo

O monumento “Ao Esforço Colonizador”

Logo à entrada, centralizando a então denominada Praça do Império, é erigido o monumento “Ao Esforço Colonizador” de Alberto Ponce de Castro e de José de Sousa Caldas (1894-1965). Este monumento foi colocado 50 anos depois (1984) na actual Praça do Império, pelo então Presidente da CMP eng. Paulo Vallada.

Com uma linguagem Art-Déco (compare-se a sua base com o pedestal da Menina Nua na Avenida da Liberdade, seu contemporâneo) é constituído por um conjunto de paralelepípedos de granito encastrados que se eleva a cerca de 10 metros de altura. No topo as armas de Portugal. Na base sustentando esse bloco seis figuras simbolizando o esforço colonizador representando a mulher, o missionário, o militar, o comerciante, o médico e o colono.

Na base uma inscrição: “Em comemoração da Exposição Colonial Portuguesa no Porto de 16 de Junho a 30 de Setembro de 1934”.

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Fotos em blog da rua onze http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/

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As figuras do Missionário e do Médico com os respectivos símbolos.

O Palácio das Colónias

No centro da Exposição o Palácio das Colónias que é o Palácio de Cristal onde foi colocada uma falsa fachada art déco “…moderno, elegante, arrojado, até.”. (Hugo Rocha no O Comércio do Porto Colonial)

No corpo central a inscrição “Palácio das Colónias” encimadas pelas armas nacionais.

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Detalhe de fotografia

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O corpo do lado poente é encimado por um elemento muito utilizado nos anos 20 e 30, (veja-se por exemplo, o cinema Capitólio em Lisboa ou os Armazéns do Anjo no Porto), um “castelo” de vidro iluminado. No corpo intermédio a inscrição 1934.

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Detalhe da fotografia

Do lado nascente um outro corpo cúbico, encimado por uma escultura de um elefante de Armando Correia. O elefante símbolo da estabilidade, e que habita as regiões da África e da Ásia, parece pois adequado como símbolo dos territórios portugueses nesses continentes.

Na fachada um painel quadrado cerâmico.

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No interior do Palácio, as estruturas metálicas são dissimuladas por elementos decorativos, também com um desenho art-déco, e onde parte da cobertura é forrada com elementos decorativos e alusivos às colónias.

A exposição organizava-se com uma Secção Oficial, com a evocação da Expansão Portuguesa a partir de 1415, feita pelo Arquivo Histórico Colonial, como fundamentação da propaganda da Obra Colonial Portuguesa nos últimos 40 anos. Nesta inseriam-se as realizações no Ensino (o ensino colonial na metrópole e o ensino nas Colónias), a Assistência, as Obras Públicas, o Sector Primário, e os Serviços, com referências aos portos marítimos, caminhos de ferro, missões religiosas, aspectos relacionados com a saúde e higiene coloniais, entre outros, e que pretendia dar uma visão abrangente sobre todos os benefícios que a colonização havia levado aos territórios de além mar.

Na ala direita estavam instalados os participantes privados, vindos das colónias; “…tudo ou quase tudo o que se produz nas colónias portuguesas tem nessa nave representação condigna.”. (Hugo Rocha op.cit.).

Na ala esquerda foram distribuídos os participantes privados provenientes da metrópole “…a grandeza, o progresso, a importância da indústria portuguesa.” (H.Rocha op.cit.).

O edifício principal incluía ainda um serviço de bar, teatro, hall para recepções oficiais, telefones públicos, sanitários e serviços administrativos.

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A nave central no sentido poente-nascente

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A nave central no sentido nascente-poente

O jardim do Palácio de Cristal

No jardim do Palácio de Cristal procurava-se apresentar o Império Colonial com a floresta tropical, o deserto, uma picada angolana, aldeias típicas de todas as colónias e muitas outras simulações que tinham por intenção dar ao visitante, após o passeio, a sensação de ter viajado por todo o Império Português. "Cada Colónia enviou os seus nativos, que foram alojados em aldeias ou habitações típicas, continuando na Exposição a sua vida, usos e costumes coloniais." (Henrique Galvão - Álbum Comemorativo da Primeira Exposição Colonial Portuguesa, Porto, Litografia Nacional, 1934)

Na Avenida da Índia (Avenida das Tílias), eixo estruturante dos jardins do Palácio, à entrada o Arco dos Vice- Reis, e ao fundo uma réplica do Farol da Guia.

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O Arco dos Vice-Reis da Índia e o Pavilhão Etnográfico

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Réplica do Farol da Guia em Macau

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Réplica do Farol da Guia em Macau

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O verdadeiro farol da Guia (1865)

No Miradouro do Paláci, em forma de torre medieval foi hasteada a Bandeira do Império.

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A estátua de Afonso de Albuquerque

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Um grupo de Timorenses junto da estátua de Afonso de Albuquerque

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A estátua no seu local actual o Largo de D. João III, desde 1984.

A participação dos indígenas das Colónias

Na Exposição procurava-se mostrar no Continente a “vida” dos povos das colónias. Assim vieram ao Porto indígenas de Cabo Verde, Angola, Moçambique, Índia e Macau. Junto ao lago são instaladas as “Aldeias” de Timor e da Guiné.

A Aldeia da Guiné

A “Aldeia lacustre da Guiné” foi instalada no lago do Palácio, e apesar dos interesses políticos e económicos estarem mais atentos e interessados em Angola e Moçambique, a Aldeia da Guiné, rapidamente, se tornou a grande atracção da Exposição para os visitantes e para a comunicação social.

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Aldeia da Guiné vendo-se o teleférico

Uma das atracções da representação guineense é o régulo Mamadu-Sissé, de 67. anos com a sua corte.

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O régulo guineense Mamadu-Sissé “de barrete vermelho e sabador baraya pelos ombros” retratado por Domingos Alvão e por Eduardo Malta

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Mamadu-Sissé rodeado por guineenses – pintura de Eduardo Malta

A acompanhar o pai o Príncipe Abdulah, que contrasta elegantemente vestido à ocidental e que declara «As princesas na Guiné, afora as da família, terminaram o seu reinado. Se as desejasse pa­ra festas nupciais não encontraria outras que não fossem minhas irmãs. Quem me dera mais saber para poder sustentar... uma branca. Só tenho o segundo grau. Se ganhasse bastante, era uma branca que eu queria.»

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O Príncipe Abdulah retratado por Eduardo Malta

A Rosinha

Mas para o sucesso da representação da Guiné contribui uma balanta a Rosinha que rapidamente se tornou uma das atracções da Exposição, pela sua beleza exótica,realçada pelo traje (ou a ausência dele…), num momento em que em Paris se exibia Jaqueline Baker.

Elísio Gonçalves, escreve no 0 Comércio do Porto-Colonial: "Chegando ao pé dela, lei­tor, verás que é assim. Verás que a Rosinha é uma alma esfíngica, que te olha de soslaio, sorrindo, sorrindo sempre, mas não oferecendo mais à tua curiosidade que dentes brancos, uns olhos vivos, e uns requebros, uns requebros que te levam a pensar que se a África é assim, adorável será a vida do sertão... De resto, não estou a falar por mim. Compreendes que através disso que te di­go, só a impressão popular fixo aqui. A impressão das centenas, das milhares de pessoas que pas­sam pela aldeia onde ela vive, um pouco ao sul da aldeia de Angola, e que ficam ali paradas, meia hora, uma hora- que sei eu! À espera que a Ro­sinha apareça e lhes dê testemunho de que a ad­miração que lhe votam é agradecida e compre­endida..." (in Ercílio de Azevedo op.cit)

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A Rosinha irá ser motivo de obras de arte…

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…utilizada para publicidade, como os Armazéns Cunhas, que a vestem…

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… e para a capa da revista CIVILIZAÇÃO, dedicada à Exposição…

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Revista Civilização, número 69, de Junho de 1934. http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/

…e para a crítica e o humor!

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Outra das atracções da Aldeia da Guiné é o Augusto um miúdo bijagós, traquinas e afectivo.

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Um nativo de Bijagós

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Balantas na Aldeia da Guiné

A Aldeia de Timor

Sobre a gruta do Palácio junto ao lago foi construída a Aldeia de Timor.

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A delegação timorense pintada por Eduardo Malta

A representação de Moçambique

Ao fundo da Avenida de Angola um forte em madeira reproduzindo os que foram construídos pelos portugueses em África, onde está instalada a representação de Moçambique.

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Mulher Nangombe por Eduardo Malta

A representação de Macau

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O Jardim de Macau

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Eduardo Malta - Músico Macaense

A representação da Índia

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O Pavilhão da Índia

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Os encantadores de serpentes

A representação de Angola

Junto ao Arco dos Vice Reis a Aldeia de Angola e a Casa do Colono. Na representação de Angola são atracção os pigmeus Mukankalas.

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A Casa do Colono e ao fundo a Aldeia de Angola

O pavilhão de S. Tomé e Príncipe

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O Pavilhão de S. Tomé e Príncipe

A representação Missionária é instalada na Capela de Carlos Alberto.

A tropa colonial

A acção militar em África (a chamada política de “pacificação”) estava representada por uma banda militar de Angola (1ª Companhia Indígena de Angola) e por uma companhia de soldados indígenas de Moçambique (Companhia de Landins de Moçambique) “Esse negros de bronze, altos, atléticos, hirtos, que marcham como autómatos, cheios de elegância e garbo (…) a admirável tropa de África, que o sangue escaldante dos Vátuas anima e a disciplina contém.” Octávio Sérgio no magazine Civilização.

O Zoo

É criado um pequeno parque zoológico com alguns animais ferozes, macacos e antílopes provenientes da Colónias.

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O teatro

No Teatro Gil Vicente, então renovado, é exibida a peça “A Viagem Maravilhosa” pela Companhia Robles Monteiro.

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Amélia Rey Colaço (1898-1990),no Teatro Gil Vicente na Exposição Colonial do Porto, com um vestido de António Amorim tendo ao colo o miúdo guineense Augusto. Foto Domingos Alvão, Porto Museu Nacional do Teatro

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O cinema

É criado o Cinema Balanta, na Avenida da Índia (Avenida das Tílias)

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in Porto 1934, A Grande Exposição – Ercílio de Azevedo

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Cartaz original do filme The Dawn Patrol (A Patrulha da Alvorada)

O restaurante Quissange é adjudicado ao proprietário do conhecido restaurante Comercial.

Um Parque de Diversões com uma montanha russa, um lago de 40 metros para passeios de barco, um tapete rolante, automóveis eléctricos e diversas barracas de jogos.

Para além dos dias dedicados a cada uma das colónias, realizam-se diversas festas e arraiais, aproveitando a quadra dos santos populares.

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Arraial da Legião Portuguesa no http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/

Diploma de Participação e de Prémios

É atribuído um Diploma de Prémio, assinado pelo Ministro das Colónias (Armindo Monteiro), pelo Comissário da Exposição (Henrique Galvão) e por um elemento do Júri.

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Diploma de Grande Prémio atribuído à Fábrica de Fiação e Tecidos do Rio Vizela, L.da.

A publicidade das empresas

Publicidade de uma das Associações mais interessadas na promoção da Exposição Colonial.

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Cartaz da Organização Industrial e Comercial para a Exportação de Tecidos de Algodão para as Nossas Províncias Ultramarinas Importação de Algodão e Outros Produtos Coloniais

Publicidade da CIN

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Publicidade da CIN (Corporação Industrial do Norte L.da) in blogue da rua 9 http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/

Publicidade a empresas de fósforos

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Publicidade da Fosforeira Portuguesa - Sobre um fogão de sala uma construção com fósforos do monumento ao Esforço Colonizador

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Publicidade da Sociedade Nacional de Fósforos

Publicidade da Vista Alegre – Uma silhueta feminina sugerindo tratar-se de uma negra segura um vaso de flores. O nome da firma é escrito a negro usando uma fonte Broadway, muito utilizada nos anos 30.

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Publicidade da Sociedade Portuguesa de Fibro-Cimento

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Folheto promocional do fibro-cimento Lusalite, produzido pela Sociedade Portuguesa de Fibro-Cimento, com planta parcial do espaço da exposição

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Publicidade da Ach. Brito

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A Ach. Brito encontrou uma forma original de publicitar os seus produtos. Contratou um alemão Heinrich Gleiser, que com as suas andas, percorria a exposição no alto dos seus 4 metros.

A Sociedade de Produtos Lácteos - Nestlé

“Um dos mais típicos, dos mais interessantes stands da Exposição, é o dos produtos Nestlé – a marca de confiança. O stand das vaquinhas – como os visitantes geralmente o denominam – atrai a atenção. Dando prova de espírito moderno, a Sociedade de Produtos Lácteos, de Avanca, apresenta, a par de um mostruário dos produtos da sua fabricação, uma colecção de quatro vaquinhas que tem sido o enlevo da pequenada e o divertimento apreciado da gente grande. Com as formas da sua deliciosa manteiga Pensal, o seu leite seco, em pó - alimento va­lioso para os lactantes - a conhecidíssima e apreciada farinha láctea Nestlé, actualmente fabricada em Avança; o seu riquíssimo Nestogeno, a que os médicos dão marcada preferên­cia, a Sociedade de Produtos Lácteos tornou atraente o seu stand, apresentando aos visi­tantes produtos de nome universal e oferecen­do-lhes a distracção das quatro vaquinhas au­tomáticas, que reproduzem - com fidelidade -os movimentos das verdadeiras, causando ver­dadeira ilusão. E a multidão aglomera-se em volta do stand, não sabendo que mais admirar: se os produtos perfeitos ali apresentados, se as va­quinhas, que suscitam os mais engraçados co­mentários." no O Comércio do Porto citado por E. Azevedo

Os congresso e as publicações

Paralelamente à Exposição realizam-se os Congressos Militar Colonial, Agricultura Colonial, Intercâmbio Comercial das Colónias, da Colonização, do Ensino Colonial e de Antropologia Colonial (neste lembre-se que preside à CMP o doutor Mendes Correia, professor de Antropologia).

São editadas diversas publicações relacionadas com a Exposição Colonial e, em primeiro lugar o “Álbum Comemorativo” e o “Livro da Exposição”.

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São ainda editadas as diversas conferências realizadas no âmbito da Exposição, como, entre muitas outras:

A Função Colonial de Portugal – Razão de Ser da Nacionalidade”, conferência proferida por H. Galvão em 16 de Junho no Teatro S. João.

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“Res Non Verba – A restauração Missionária nas Colónias Portuguesas”, conferência proferida por A. de Magalhães Basto.

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“Da literatura colonial e da ‘morna’ de Cabo Verde”, conferência proferida no Palácio das Colónias, no dia 13 de Setembro de 1934 dedicado a Cabo Verde, por Fausto Duarte.

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Nesta conferência, Fausto Duarte procura relacionar a “morna” com as condições geográficas e étnicas do Arquipélago.

“Cabo Verde é a transição...
Nem arvoredos bastos crescidos ao acaso pela mão da natureza, nem culturas geométricas. E porque a terra se recusou à fecundação, o caboverdeano volveu os olhos para o mar, e o mar enamorou-se dele, atraiu-o, acalentou-o, esculpindo na sua sensibilidade o ritmo das ondas. Sob as velas enfunadas que se deleitam na luz flava e recolhem o murmúrio da brisa, tão grato aos ouvidos dos mareantes, o caboverdeano escutou os queixumes, as notas plangentes que se perdem na imensidade do espaço e são a própria alma do oceano.
E, dedilhando o violão, compôs a primeira “morna”: dolência, sofrimento e harmonia – virtudes da alma do povo ilhéu que se inspirou directamente na mágoa dolorosa do Atlântico..
.”

(…) "A feição típica do Arquipélago reside, pois, na morna que destronou o torno e a manilha, e no violão que fez esquecer o cimbó e o tambor das festas gentílicas." , esperando que a presença de cantores e músicos de Cabo Verde pudesse popularizar a “morna” no Continente:

"Para mim, a Exposição Colonial valorizou-se extraordinariamente com a inclusão dos músicos da minha terra. Pela vez primeira em Portugal se ouviu uma orquestra típica de Cabo Verde. E os que a ouviram jamais se esquecerão dessas tengis mulatas em cujos lábios a morna quase não perdeu o encanto que lhe é peculiar, e lá nas aldeias perdidas por vales e serras o povo repeti-las-á, ensinando às crianças o nome das ilhas lendárias."

Fausto Duarte (1903-1955) foi funcionário da administração colonial em Cabo Verde e representou o arquipélago na 1ª Exposição Colonial Portuguesa. Foi jornalista e tinha participado na Exposição Colonial de Paris, com um número especial do jornal O Comércio da Guiné.onde destacou a etnografia guineense.

Tinha publicado “Auá – Novela Negra” galardoada com o 1º prémio de Literatura Colonial em 1934. Através da viagem em que uma das suas personagens Malam percorre a Guiné, para se encontrar com a sua noiva Auá, Fausto Duarte descreve a paisagem da Guiné, as diversas etnias e religiões, os costumes e a psicologia dos guineenses, a superstição e a crença na feitiçaria, a situação colonial (o colono que vive com uma indígena) e a acção dos portugueses. Sobre Bissau põe na boca de Malam: “Os brancos fizeram grandes coisas. Ruas largas por onde passam automóveis e grande caminhões; lojas enormes de panos de todas as qualidades que os brancos fabricam na sua terra; contas douradas, bicicletas e até máquinas de lavrar a terra. Há tempos, veio de Lisboa um aeroplano que parece um grande pássaro”.

Aquilino Ribeiro no prefácio de Auá escreve: “O primeiro que viu a Guiné foi Nuno Tristão, o segundo foi o autor de Auá... Os que sonham com um Portugal de além-mar engrandecido hão-de de ficar gratos à pena colorida, equilibrada, emotiva sem excesso que escreveu Auá, estreia literária de maior realce e obra de elevação lusíada”.(cf. http://www.triplov.com/guinea_bissau/fausto_duarte/aua/beja_santos.htm)

Várias publicações referem aspectos particulares do desenvolvimento das Colónias.

Sobre Angola, mostramos alguns exemplos:

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O Relatório “Indústrias Eléctricas” da autoria de Manuel António Vieira e Sousa (datas desconhecidas), com 46 páginas, incluindo diversas estatísticas, fotografias e mapas.

E o Relatório “Portos e Caminhos de Ferro” da autoria de Francisco Sande Lemos (1888-?), com 36 páginas, incluindo diversas estatísticas, fotografias e dois mapas desdobráveis (in Blog da rua onze http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/)

E ainda uma publicação sobre o Ensino e uma outra sobre o Uíge e a Circunscrição Civil do Bembe

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Os “visitantes ilustres”

Para além da visita do Presidente da República Óscar Carmona que inaugurou a Exposição, destaca-se entre muitas outras personalidades, o Presidente do Conselho Oliveira Salazar, que visitou a Exposição nas vésperas da sua inauguração (numa das raras visitas que efectuou ao Porto e ao Norte do País, durante todo o seu consulado) e o Príncipe Eduardo de Gales (1894-1972), futuro Eduardo VIII de Inglaterra (apenas por alguns meses em 1936, já que como se sabe abdicando do trono tornou-se Duque de Windsor).

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Salazar

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O príncipe de Gales

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O Cortejo de Encerramento

A Exposição encerrou com um cortejo “colonial” desde o castelo do Queijo até ao Palácio de Cristal e com o 1º Congresso de Intercâmbio Comercial com as Colónias.

A exposição encerrou com o Cortejo Colonial que percorreu algumas ruas da cidade. Este cortejo incluía não só representantes das colónias, como também das diferentes províncias da metrópole. Foi organizado de maneira a formar uma marcha etnográfica que apresentasse o conjunto do mundo português. Um número significativo de homens e mulheres envergando trajes tradicionais, de animais e de veículos, representando as diferentes províncias portuguesas, marchou ao longo de ruas apinhadas de espectadores e marcou o fim da exposição.

A abrir o cortejo, a cavalo, o Infante D. Henrique com o característico chapéu bolonhês interpretado pelo actor Raul de Carvalho (1901-1984).

Segue-se o carro da Câmara Municipal o Carro de Gil Eanes (interpretado pelo actor Delmiro Rego) na frente junto a uma Esfera Armilar. Numa legenda “Se mais Mundo houvera lá chegara !”. Neptuno de pé com o tridente aponta ao Infante o caminho das Descobertas. Cinco figuras femininas representam os cinco continentes. Junto ao carro caminham figurantes vestidos de marinheiros do século XVI.

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De seguida o Carro das Conquistas e Descobertas segundo um projecto de José Luís Brandão.

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No carro a representação da Pátria tendo na mão uma caravela, encosta-se ao Padrão dos Descobrimentos. Rodeando este Vasco da Gama (interpretado por Robles Monteiro 1888-18589 e o irmão Paulo da Gama (interpretado por Álvaro Benamor 1907-1976) junto de oficiais, marinheiros e pilotos.

Segue-se o Pálio que seis vereadores da Câmara de Goa transportam abrigando o Vice-Rei da Índia (interpretado pelo actor João Villaret (1913-1961).

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A esta figuração segue-se o grupo dos Bandeirantes e a tropa colonial do século XVIII interpretada por um esquadrão de Cavalaria 9. Depois os comerciantes de África, os filhos dos antigos combatentes, os velhos colonos e residentes nas colónias, e dois heróis de Chaimite.

Segue-se ainda os alunos dos Seminários e das Missões, os asilos do Porto e os meninos do Colégio dos Orfãos.

Depois os carros das Colónias.

O carro de Cabo Verde, da Guiné ,São Tomé, Angola, Moçambique e o carro da Índia

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O carro do Estado da Índia na rua de Júlio Diniz. Foto de exposições do estado novo 1934-1940, Margarida Acciaiuoli, livros Horizonte 1998

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Detalhe da foto anterior vendo-se a Rotunda da Boavista.

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O carro do Estado da Índia. Puxado por duas parelhas de bois cobertos com tecidos indianos e com os chifres dourados à moda indiana. Na frente uma nau sobre um mar agitado. No carro um templo indiano.

O carro de Macau e finalmente o Carro de Timor.

Desfilam ainda animais da fauna africana, búfalos, palancas, pacaças, bois da Guiné e um camelo, a que seguem riquexós, um palaquim e uma machila, transportes típicos das colónias.

Depois desfilam as viaturas “Ford”o primeiro com o número 373 - Norte, o “Ford-Cama” para as grandes caçadas, do industrial Maunuel Pinto de Azevedo e o “Ford” utilizado na África no transporte de algodão. Desfilam ainda o Carro do Comércio, das Associações Comerciais, o Carro da Indústria da Associação Industrial Portuense a que se seguem os campinos de Ribatejo a ca­valo, eo grupo do Algarve, com mulheres de chapéus negros, e um grupo de acordeonisias que tocou o hino algarvio, muito aplaudido.

Desfila depois o Minho e Douro, com os malhadores de milho, um carro com um espigueiro, vindimadores e o Rancho das Padeira. Segue-se Trás os Montes com os Pauliteiros de Miranda, a Estremadura representada pela Escola Agrícola.

Segue-se o carro da Casa do Douro, as tricanas de Coimbra e um carro da Serra da Estrela com pastores e cães da serra.

Depois do Carro do jornal O Século fecha o cortejo o carro das Missões Católicas e perante a aclamação dos que assistem ao desfile, Henrique Galvão, a cavalo, recebe os aplausos da multidão.

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O carro das Missões Católicas

O Porto

Num texto intitulado “O PORTO DE AMANHÔ assinado por Francisco Pereira de Sousa e publicado no Álbum/Catálogo “ O IMPÉRIO PORTUGUÊS NA I ª EXPOSIÇÃO COLONIAL PORTUGUESA” de 1935, o autor faz previsões para o Porto do futuro tendo em conta que:

“A população aumenta e denuncia como eram insuficientes os alojamentos sitos nas antigas áreas — e aumenta o seu perí­metro, acentuadamente no sentido Oeste.”

Prevendo que,

“Amanhã, a Estrada da Vilarinha a dois passos de Matozinhos, o Caminho da Pas­teleira Vizinho à Foz, serão ruas de cidade : a Quinta do Freixo, à beira rio, é a nota única de bucolismo, naquela ínsua que separa a Capital do Norte da margem Sul — tudo se converterá numa vasta região fabril.

A cidade moderna, elegante, aproxima-se do mar — Carreiros, com a sua longa avenida marginal que a leva até Matozi­nhos e Leixões, tenta-a, ensinando-a a atrair melhor os estrangeiros, interessados por esta nova riviera de Portugal.”

E em Lordelo e Ramalde, zonas sob atenção particular da administração da cidade:

“Pelo Campo Alegre, nas vizinhanças da Arrábida, por Francos, nas longas e românticas estradas de há um século, erguer-se-ão edificações modernas e ele­gantes com as suas pérgolas, bairros ope­rários cheios de luz e de higiene.”

Finalmente a previsão da intervenção junto da Sé:

“Que admira que a Foz do Douro se transformasse quando, no centro da ci­dade, para a alterosa Sé Catedral, desa­frontada completamente do sujo casario do Corpo da Guarda e Rua Escura, se deverá subir por uma alta escadaria que nos porá em contacto com essa preciosi­dade histórica — heróica e muda contempladora dos tempos do nosso primeiro Rei!”

Durante a Exposição foi exposta a maquette em gesso da escultura “O Homem do Leme” encomendada por Henrique Galvão ao escultor Américo Gomes.

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Museu de Ílhavo

Após a Exposição (que decorreu entre 16 de Junho e 30 de Setembro de 1934 nos Jardins do Palácio de Cristal), foi criada uma Comissão para o Levantamento na Foz do Douro da Escultura O Homem do Leme composta por várias personalidades a fim de patrocinarem a feitura em bronze da escultura, o que ocorreu em 1937, nas oficinas de Bernardino Inácio, decidindo a Câmara Municipal do Porto a sua colocação na Avenida de Montevideu em 1938. (no blogue Porto Antigo http://www.portoantigo.org/)

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De 1934 é também a vizinha escultura “O Salva-Vidas”, do escultor Henrique Moreira.

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O Salva Vidas foto de Bonfim Barreiros AHMP

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