Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Os bairros Sociais no Porto IV – parte 2

Na segunda metade dos anos cinquenta em Portugal e ainda como consequência das preocupações do Congresso, iniciam-se as grandes operações de alojamento social, quer em Lisboa com o “Plano dos Olivais Norte" de 1955, quer na cidade do Porto, em 1956 com o “Plano de Melhoramentos".

Lisboa e o Bairro dos Olivais

Em Lisboa é lançada a primeira grande operação de alojamento social - o Bairro dos Olivais Norte - projectado entre 1955 e 58, e destinado a criar um total de 2 500 fogos, da responsabilidade do GEU - Gabinete de Estudos de Urbanização da Câmara Municipal de Lisboa.

Concebido numa clara aplicação da Carta de Atenas, onde as vias hierarquizadas substituem as ruas, os edifícios se dispões em unidades autónomas de blocos ou torres, criando no centro espaços de convívio ou comerciais.

O objectivo de extinguir, ou pelo menos minimizar, as carências habitacionais de Lisboa onde os "bairros de lata“ continuam a proliferar, não é atingido, tanto mais que as habitações se destinarão a populações com outra capacidade económica.

No entanto, e diferentemente da operação realizada no Porto, os projectos dos edifícios, na continuidade das experiências realizadas na primeira metade da década, são entregues a diversas equipas de profissionais liberais, o que irá permitir testar, de certo modo, diferentes tipologias e comportamentos.

Olivais foi subdividida em duas zonas: Olivais Norte e Olivais Sul.

A primeira, abrange cerca de 40 ha e foi planeada para uma população de 10.000 habitantes distribuídos por 2500 fogos;

A segunda perfaz uma área total de 187 ha, tendo sido planeada para cerca de 8.000 fogos a distribuir por uma população aproximada de 38.250 habitantes.

Nota-se a influência da Carta de Atenas mas há já o conhecimento dos programas de construção das novas cidades do pós-guerra, das new-towns inglesas. De referir Harlow, cidade-satélite de Londres (1947), cujo plano, integrado na primeira fase do programa das novas cidades britânicas do pós-guerra funcionou como modelo de cidade satélite e o bairro de Roehampton em Londres, 1952 / 55, considerado na altura, como um exemplo de articulação e síntese entre o edificado e a paisagem envolvente.

Olivais Norte

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A zona de implantação dos Olivais junto ao Bairro da Encarnação

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O Plano de Olivaispa52

Panorâmica AFML

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Panorâmica AFML

Dos vários projectos de Olivais Norte destacam-se:

• os blocos de quatro pisos de Braula Reis (1927) e João Matoso (1929) de 1960, numa solução de blocos de r/ e 4 pisos, na continuidade das experiências de Alvalade, e que se aproxima dos projectos que se realizarão no Porto.

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Categoria I - Projecto-Tipo IC Edifício de 4 pisos 40 fogos T2 40 fogos T3

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Os pisos organizam-se num esquerdo/direito com um T3 e um T2

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Repare-se na dimensão das áreas de cozinha e lavandaria se comparadas com os fogos do Plano de Melhoramentos do Porto

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Painel de Lima de Freitas

• as torres de oito pisos de Teotónio Pereira e António Freitas (1925), do mesmo ano e prémio Valmor de 1967, com uma solução de dois blocos articulados pela caixa de escadas

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• os grandes blocos de 8 pisos, assentes em pilotis e com galerias exterior de distribuição, de Pires Martins (1914) e Palma Melo (1922), e que reflectem a influência de Le Corbusier-

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Edifícios de 8 pisos com 16 fogos T3 e 16 fogos T4, com acesso aos fogos por galeria.

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planta do piso 0

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planta dos pisos

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A organização dos fogos tira partido e valoriza a estrutura modulada do edifício.

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pa94cor

Os fogos T3 e T4, dispõe de um corredor de acesso aos quartos e de quarto de empregada com wc.

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O Plano de Melhoramentos do Porto 1956/66

Depois da experiência do Bairro de Ramalde de Fernando Távora (1952), e das ampliações, com a construção agora em blocos, nos bairros Rainha D. Leonor em Sobreiras (1954/55), e S. João de Deus (1956) e correspondendo à necessidade inadiável de satisfazer a crescente procura de habitação e de “resolver” o problema das ilhas, a Câmara Municipal do Porto, presidida entre 1952 e 1962, pelo Engenheiro José Albino Machado Vaz , promove o “Plano de Melhoramentos 1956-1966”.

Fundamentado no “ Decreto-lei n.° 40616, de 28 de Maio de 1956, foi aprovado o Plano de Melhoramentos para a Cidade do Porto, a executar pela Câmara Municipal e que previa a construção no prazo de dez anos, a partir de 1 de Janeiro de 1957, de prédios urbanos com a capacidade de alo­jamento de 6 000 fogos, de rendas módicas, destinados exclusivamente a habitação das famílias provenientes das construções a demolir ou a beneficiar.”

Em 1966, nas comemorações do 40º aniversário do 28 de Maio, a Câmara publica uma brochura dando conta da execução do Plano.

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Esta brochura abre com uma introdução do Presidente da Câmara (entre 1962 e 1969), Nuno Pinheiro Torres (1915-1969).

“Projectado no 30.° aniversário da Revolução Nacional, o Plano de Melhoramentos conclui-se, com antecipação sobre a data prevista e com excesso sobre o número de fogos indicado, no 40.° aniversário da mesma Revolução. É sobretudo com esta realização que o Porto se associa às comemorações do acontecimento histórico, que restituiu a Portugal o sentido da sua dignidade, das suas possibilidades e da sua grandeza.”

Para a execução deste plano em 1956 foi criada na Câmara Municipal, na dependência do Presidente da Câmara, a Direcção dos Serviços do Plano de Melhoramentos e, de acordo com o Dec.Lei n.º 40 816, traçados os objectivos do Plano.

No campo da urbanização:

1) Criação de zonas de expansão que permitam a realização das construções previstas (…), facilitem o desenvolvimento normal da cidade e atendam à necessidade de descongestionamento das sua zonas centrais.

2) Demolição de construções que sejam condenadas nos bairros denominados “ilhas” e noutros considerados insalubres, remodelação urbanística das respectivas áreas e beneficiação dos prédios que possam subsistir.

3) Urbanização da zona do Campo Alegre, coordenado com a construção pelo Estado da nova ponte sobre o rio Douro e das respectivas artérias de acesso a incluir na rede de estradas nacionais.”

O Plano de Melhoramentosconstituiu assim, um precioso instrumento urbanístico, ao alterar o uso dos solos e as acessibilidades à cidade e ao valorizar os terrenos da periferia da área central permitindo a expansão do comércio e serviços, tornou ultrapassado o Plano Regulador de A. Almeida Garrett, e foi com a construção da Ponte da Arrábida (inaugurada em 1963), de crucial importância na configuração do Plano Director Municipal de que é então encarregado o arquitecto francês Robert Auzelle (1913 –1983), Assiste-se nestes anos à transformação da cidade quer pela sua expansão urbanizando as zonas periféricas, quer pela transformação das acessibilidades, iniciando-se a deslocação da área central para poente.

Para se ter uma melhor percepção desta transformação repare-se na planta da Cidade, inserida nesta publicação, com a implantação dos bairros e com as “zonas salubrizadas”, zonas onde predominavam ilhas, que irão ser expropriadas e as populações deslocadas para os bairros em construção. A Câmara vendia depois os terrenos em hasta pública para financiar a construção dos bairros.

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Estas zonas situam-se no limite da área central:

Ao centro a zona limitada pelas ruas Gonçalves Cristóvão e Latino Coelho e a rua do Almada, rua de S. Braz e rua de Santa Catarina;

A nascente a zona limitada pela rua da Alegria e av. Fernão de Magalhães, e pela rua Latino Coelho, Calçada da Póvoa e rua da Firmeza.

Ainda do lado Oriental a zona adjacente à anterior entre a Av. Fernão de Magalhães e a rua das Antas e pela Travessa de Fernão de Magalhães e rua Manuel Carqueja.

A norte a zona limitada pela rua da Constituição e rua do Bolama, Álvaro Castelões e rua do Cunha e pela rua Faria Guimarães e a rua da Alegria;

E a outra limitada pelas ruas da Constituição e rua de Chaimite, a norte rua de S. Dinis, a poente pelas ruas Oliveira Monteiro e Freire de Andrade, e a nascente pela rua Antero de Quental.

A zona a norte do Palácio de Cristal, limitada pela rua D. Manuel II a sul, pela rua da Torrinha a norte, pela rua Júlio Diniz a poente e a rua do Rosário a nascente.

Ainda algumas pequenas bolsas no Bom Sucesso, em S. Lázaro, na praça Velasquez (Sá Carneiro) , na Sé e nos Guindais.

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A zona central na actualidade

Abílio Cardoso (1955-1991) assinala que a construção dos bairros “conduziu à deslocação para a periferia de cerca de 20% da população da área central da cidade e foi responsável pela construção de 3/4 do saldo habitacional positivo, verificado na década de 60, nas freguesias periféricas (Campanhã, Paranhos, Aldoar, Lordelo do Ouro e Ramalde), enquanto que as ilhas demolidas representaram cerca de 80% do saldo negativo das freguesias centrais. (Abílio Cardoso, De Ponte a Ponte: o processo de Urbanização da Área Metropolitana do Porto desde os anos cinquenta. Porto: CCRN, Perspectivas nº 4, 1990).

Os Bairros

Até 1966 - ano em que o regime comemora os seus quarenta anos – constroem-se 13 Bairros (alguns com duas fases), num total de 6 072 fogos, ultrapassando o objectivo de construção de 6 ooo fogos fixados no Plano, e que tornarão, com a construção do II Plano de Melhoramentos (1966/73) a Câmara Municipal do Porto, o maior senhorio do País.

ano

Bairro

Freguesia

Fogos

1956

Bom Sucesso

Massarelos

128

1957

Pio XII

Campanhã

122

1957

Carvalhido

Paranhos

264

1957

Pasteleira

Lordelo

608

1958

Outeiro

Paranhos

235

1958

Agra do Amial

Paranhos

181

1959

Carriçal

Paranhos

258

1959

Fernão de Magalhães

Bonfim

346

1959

S. Roque

Campanhã

451

1960

Fonte da Moura

Aldoar

596

1961

Cerco do Porto

Campanhã

804

1962

Regado

Paranhos

722

1962

Fonte da Moura II

Aldoar

42

1963

Arantes de Oliveira

Ramalde

900

1963

S. Roque II

Campanhã

272

1964

Outeiro II

Paranhos

143

Total de Fogos

6072

Os bairros distribuem-se do seguinte modo pelas freguesias: 1 em Massarelos, 1 em Aldoar, 1 no Bonfim, 1 em Lordelo, 1 em Ramalde, 3 em Campanhã e 5 em Paranhos, ou seja concentrando-se a sua localização nas duas freguesias norte e nascente.

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Localização dos bairros da I Fase 1956-1966

Os bairros procuravam situar-se junto dos bairros da República e dos bairros de Casas Económicas do Estado Novo e quase todos no exterior da projectada Via de Cintura Externa, exceptuando-se três – Bom Sucesso, Carvalhido e Fernão de Magalhães – mesmo assim em zonas ainda não urbanizadas.

Os planos de urbanização dos bairros

A brochura apresenta os planos de urbanização dos diversos bairros, “com a localização dos edifícios, traçado da rede viária, veredas para peões e espaços livres”.

“A urbanização de cada um dos agrupamentos de moradias, já construídos, foi estudada de modo a diminuir o mais possível o movimento de terras na regularização das superfícies onde se situam os edifícios, deixando sempre entre estas, distâncias nunca inferiores às fixadas no Regulamento Geral de Edificações Urbanas. ( DL nº38 382, publicado em 7 de Agosto de 1951)

O traçado dos arruamentos que envolve ou serve estas unidades residenciais insere-se sempre nas grandes malhas do Plano Director, tendo obe­decido o aproveitamento do terreno à utilização das áreas adjacentes de vias a abrir ou até existentes como no Carvalhido, Outeiro, Fernão de Magalhães, Cerco do Porto, Regado, Eng.° Arantes e Oliveira e Ampliação de S. Roque da Lameira no primeiro caso e Agra do Amial, Bom Sucesso e Ampliação do Outeiro, no segundo. E quando tal foi possível, por já serem do Muni­cípio os respectivos terrenos, os agrupamentos de moradias constituíam malhas de Urbanização prevista no Plano Director, como nos Bairros da Pasteleira, Fonte da Moura, Cerco do Porto e Eng.° Arantes e Oliveira. Destes vários tipos de urbanização, com a localização dos edifícios, traçado da rede viária, veredas para peões e espaços livres, se apresentam os res­pectivos planos.” (Plano de Melhoramentos op.cit)

Acção Social e Assistência

Em todos os bairros estavam previstos equipamentos sociais num propósito de enquadramento político e ideológico “ onde além da assistência moral e mate­rial se estabeleçam secções culturais e até recreativas que desviem da rua ou de locais inconvenientes a juventude mal preparada.” Poucos destes equipamentos bem como os previstos estabelecimentos comerciais se concretizaram.

Em alguns dos bairros “foram construídos edifícios escolares apropriados.”

Há também parques infantis com brinquedos diversos para diverti­mento e exercício das crianças.”

As Tipologias dos fogos

Excepto o “primeiro bairro construído — o do Bom Su­cesso— (que) só tem casas tipo III, isto é, sala comum com recanto individualizado para cozinha, instala­ções sanitárias e 3 quartos”, as tipologias para cada bairro resultaram de “inquéritos realizados desde 1956” tendo sido adoptada uma concentração nos tipos T2 e T3 (30 e 45%), em detrimento dos T1 (15%) e dos T4 (10%).

Grupo de moradias populares

T1

T2

T3

T4

Total

Bom Sucesso

128

128

Pio XII

2

8

104

8

122

Carvalhido

8

56

192

8

264

Pasteleira

36

130

410

32

608

Outeiro

8

54

165

8

235

Agra do Amial

13

40

120

8

181

Carriçal

40

88

109

21

258

Fernão de Magalhães

52

120

135

39

346

S. Roque da Lameira

76

128

197

50

451

Fonte da Moura

30

120

416

30

596

Cerco do Porto

139

268

295

102

804

Regado

206

356

80

80

722

Fonte da Moura II

24

12

6

42

Eng. Arantes e Oliveira

188

360

248

104

900

S. Roque da Lameira II

64

88

88

32

272

Outeiro II

65

16

42

20

143

Total

951

1 832

2 741

548

6 072

A Organização dos fogos

“A composição interior da planta das casas foi concebida tendo em conta os hábitos de vida das populações a realojar. Neste capítulo, foi após algu­mas experiências que se adoptaram os tipos de composição de fogo que mais se adaptavam ao gosto e necessidade dos utentes. Assim, por exem­plo, as cozinhas inicialmente consideradas como recantos da sala comum foram em estudos poste­riores individualizadas sempre que possível. De facto, o pouco tempo que as mães de família podem dis­pensar ao arranjo da casa quando simultaneamente trabalham fora do lar, não lhes permitia ter em ordem e asseio o interior das cozinhas-nicho. Tam­bém a diferenciação de circulações interiores entre a zona íntima dos quartos e a sala e mais depen­dências de permanência diurna, aconselhada pela experiência e introduzida nos projectos, permitiu uma mais nítida separação de espaços.”

Alguns Bairros do Plano de Melhoramentos 1956/66

Bairro do Bom Sucesso, Massarelos 1956

128 fogos (128 T3)

Construído em terrenos camarários, inicialmente desvalorizados pela proximidade do cemitério de Agramonte, com a construção da ponte da Arrábida (inaugurada em 1963) e a progressiva importância que vão ganhando as áreas e os equipamentos (Mercado do Bom Sucesso) em torno da rotunda da Boavista, o Bairro foi dos poucos e o que melhor, se integrou no tecido urbano e social da cidade.

O Bairro na actualidade

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O Bairro na época do Plano de Melhoramentos. A ponteado “zona salubrizada”.

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O Bairro é constituído por 6 blocos, 4 a poente da, então aberta rua Gonçalo Sampaio e dois a nascente da mesma artéria.

Os blocos são de 4 pisos, (segundo o RGEU, o n-º máximo sem elevador) orientados no sentido nascente /poente, com escada exterior e com galeria de distribuição.

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A implantação e a configuração dos bairros, na brochura que temos acompanhado, é sobreposta ao PDM de R. Auzelle. Repare-se na proposta de túnel no cruzamento entre Gonçalo Sampaio e o Campo Alegre, que só será executada com uma forma diversa, no anos 90. Repare-se ainda nas propostas de edificação ao longo da rua do Campo Alegre.

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Os fogos do tipo T3

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Os fogos com um pé direito de 2,50 m., e uma área útil de 46,50 m2, são todos do tipo T3. A entrada faz-se pela sala comum (14 m2). A cozinha é reduzida ao fogão e à banca num canto da sala. As arrumações reduzem-se a dois armários simétricos, um abrindo para a sala e outro para um dos quartos (10m2).

Bairro do Carvalhido, Paranhos 1957

264 fogos (8 T1, 56 T2, 192 T3, 8 T4)

Em 22 de Junho de 1957 começou a execução do Bairro do Carvalhido, com 264 moradias, projectado nos primeiros meses do ano.” O Bairro situa-se perto do Largo que lhe dá o nome, entre as ruas do Monte dos Brugos e de Monsanto, entre os edifícios camarários dos Serviços de Manutenção (hoje GOP empresa municipal) e o Canil (antigo Matadouro e hoje serviços do Ambiente).

O Bairro na actualidade.pa130cor

O Bairro no Plano de Melhoramentos 1956/66

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O Bairro é constituído por 14 blocos de 4 pisos, orientados no sentido poente/nascente, com distribuição por galeria.

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Todos os fogos, qualquer que seja a tipologia, tem um pé direito de 2,50 m., e uma entrada directa para a sala comum (14 m2). A cozinha é reduzida ao fogão e à banca num canto da sala.

No T1(8) com uma área útil entre 30,00 e 34,60 m2, o quarto tem uma área útil de 10m2.pa168

No T2 (56), com uma área útil entre 36,00 e 41,70 m2, um dos quartos tem 10 m2 e o outro 8 m2.

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No T3 (193), com uma área útil entre 46,50 e 50,70 m2, a sala é numa das soluções, aumentada para 16 m2, um dos quartos tem 10 m2, e os outros 8 m2.

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No T4 (8), com uma área útil entre 57, 50 e 62,80 m2, a sala numa das soluções tem 16m2, um dos quartos 10 m2 e os outros 8m2.

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Bairro da Pasteleira, Lordelo 1957

608 fogos (36 T1, 130 T2, 410 T3, 32 T4)

“Seguiu-se a construção do Bairro da Pasteleira, com 600 moradias, cujo projecto se concluiu em Janeiro de 1958, iniciando-se a sua construção em 8 de Abril do mesmo ano”.

O Bairro da Pasteleira construído a sul do bairro de Casas Económicas de Gomes da Costa, e junto a uma zona de habitação para a classe média, então planeada para o PDM de R. Auzelle é o primeiro grande bairro do Plano de Melhoramentos. O Bairro da Pasteleira foi tema de um estudo “Câmara Municipal do Porto: o novo conjunto habitacional da Pasteleira” publicado por Bartolomeu Costa Cabral e Nuno Portas na revista Arquitectura n.º 69 Nov/Dez 1960. (de onde são retiradas algumas das fotografias).

A ideia era construir um conjunto habitacional para 2. 500 habitantes, com uma densidade de 500 habitantes por hectare.

A Pasteleira na actualidade.

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A Pasteleira cerca de 1960. O Bairro do Plano de Melhoramentos é edificado a sul do Bairro de Casas Económicas de Gomes da Costa e a poente da Casa de Serralves.

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O Bairro é constituído por 17 blocos orientados no sentido poente / nascente e 11 blocos orientados no sentido norte / sul, todos de 4 pisos, com galeria de distribuição ou com escada central distribuindo para um direito-esquerdo.pa20

A circulação motorizada é periférica ao bairro, sendo o acesso aos blocos feito por vias em cul-de-sac. A área de estacionamento é bastante reduzida, mesmo tendo em atenção a baixa taxa de motorização da população a que o bairro se destinava.

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Panorâmica do Bairro, numa fotografia dos anos 60, vendo-se ao fundo o bairro de Gomes da Costa.

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Os blocos de galeria pa23

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Os blocos de direito/esquerdo, numa fotografia do Plano de Melhoramentos (op.cit.)

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No interior do bairro, alguns espaços são ocupados por “… parques infantis com brinquedos diversos para diverti­mento e exercício das crianças.” pa5pa27

Estes parques com alguns elementos cuja forma, lembram as esculturas de Henry Moore (1898-1986) , escultor na época com grande sucesso, mas que se vão revelar perigosas para as crianças dos bairros e serão, por isso, posteriormente removidas.

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Numa política consagrada no PDM de Auzelle de construção de equipamentos em zonas de densificação da população, a norte do bairro será construída uma escola de 10 salas de aula para 400 alunos dos dois sexos.

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Os fogos

Tipologia de Galeria T3

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A cozinha é reduzida a um balcão com fogão e banca.

Tipologia de Esquerdo/Direito T 4 e T 3 T 4 e T 1

A entrada é já separada da sala co­mum por um pequeno vestíbulo que dá acesso, também à cozinha, agora individualizada. O quarto de banho, onde o WC é individualizado, abre directamente para a sala comum, de dimensões mais reduzidas para ganhar uma varanda.

T4/T3

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T4/T1

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Bairro do Outeiro Paranhos 1958

235 fogos (8 T1, 54 T2, 165 T3, 8 T4), mais na 2ª fase 143 fogos 65 T1, 16 T2, 42 T3, 20 T4)

“Em Agosto e Setembro de 1958, mais dois novos agrupamentos foram lançados, o primeiro com 235 moradias, denominado do Outeiro, e o segundo com 170, chamado da Agra do Amial.”

O Bairro do Outeiro na actualidade

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n.º 5 Bairro do Outeiro e n.º 16 2ª fase do Bairro - Excerto da Planta da publicação Plano de Melhoramentos 1966

Fotografia c. de 1960 vendo-se ao fundo junto do bairro de Paranhos, o Bairro do Outeiro.

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(Esta fotografia do Arquivo Municipal, mostra a zona como eu a conheci na minha adolescência).

No primeiro plano a rotunda que articulava a avenida D. João II (troço da VCI) com a avenida Fernão de Magalhães, e as instalações do Estrela e Vigorosa Sport. No plano intermédio do lado direito: o Hospital do Conde Ferreira, o cruzamento com a rua Costa Cabral, a Cruz da Regateira e a rua da Cruz; do lado esquerdo o bairro entre as ruas do Relógio, Pedro Teixeira, Luís Woodhouse e Assis Vaz e no outro sentido as ruas Pereira Reis e Augusto Lessa, vendo-se no canto superior esquerdo o campo Vidal Pinheiro.

Por detrás do Hospital do Conde Ferreira vê-se o bairro da Areosa.

O Bairro é constituído por 11 blocos orientados no sentido norte/sul e 7 nos sentido poente/nascente, limitado pelas ruas actor Eduardo Brazão, Dr. Manuel Pereira da Silva e (actualmente) pela VCI. Localiza-se a nascente do bairro de Casas Económicas de Paranhos.pa157

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Bairro do Regado, Paranhos 1962

722 fogos (206 T1, 356 T2, 80 T3, 80 T4)

“Em Agosto de 1962 deu-se início à construção do Grupo de 722 mora­dias do Regado e em Fevereiro de 1963 à do aglomerado do Eng.° Arantes e Oliveira com 900 habitações, o maior núcleo residencial desta natureza levado a efeito no Porto e certamente um dos maiores do País.” (Plano de Melhoramentos, CMP 1966)

Os bairros na actualidade

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Os Bairros na planta do Plano de Melhoramentos 1966

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n.º 12 - Bairro do Regado, n.º 7 - Bairro do Carriçal e n.º 6 – Bairro da Agra do Amial

O Bairro do Regado, implantado num terreno com a forma de um “L”, é constituído por 15 blocos orientados no sentido norte/sul e 13 blocos no sentido este/oeste. Situa-se entre o bairro de Casas Económicas do Amial, a VCI e a Via Norte.

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Foto dos anos 60, com o bairro do Regado e o bairro do Amial.pa41pa42

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Bairro de S. Roque, Campanhã 1959

I fase 451 fogos (76 T1, 128 T2, 197 T3, 50 T4)

II fase (64 T1, 88 T2, 88 T3, 32 T4)

“…em 1959, no período de Agosto a Outubro, deu-se início à construção das primeiras fases de três novos bairros, respectivamente, do Carriçal com 170 moradias, de Fernão Magalhães com 236 e de S. Roque da Lameira com 116; as segundas fases dos mesmos aglomerados com 88, 110 e 335 habitações, de Maio a Junho de 1960. Resultou este faseamento de dificuldades surgidas na expro­priação do terreno necessário para a totalidade destes empreendimentos como foram previstos.”

O Bairro de S. Roque da Lameira, fase 1 e fase 2, na actualidade.

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O Bairro na época da sua construção. O bairro é atravessado pela linha do caminho de ferro e situa-se junto do bairro de Casas Económicas de S. Roque.

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N.º 9 – Bairro de S. Roque e n.º 15 – Bairro de S. Roque 2ª fase

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O Bairro é constituído na 1ª fase por 9 blocos orientados a sudeste /noroeste e 6 orientados a sudoeste /nordeste e na 2ª fase por 10 blocos orientados a poente/nascente, 4 norte/sul e 4 a sudoeste/nordeste.

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Bairro da Fonte da Moura, Aldoar 1960

I Fase 596 fogos (30T1, 120T2, 416 T3, 30 T4)

II Fase (24 T1, 0 T2, 12 T3, 6 T4)

e Bairro Eng. Arantes e Oliveira (Campinas), Aldoar 1963

900 fogos (188T1, 360 T2, 248 T3, 104 T4)

“… em 1960, em Julho, começou a edificar-se o agrupamento da Fonte da Moura com 596 moradias, seguido, em Março de 1961, do Bairro do Cerco do Porto com 803 casas. “

Os bairros na actualidade.

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A localização dos bairros na planta do Plano de Melhoramentos.

Os dois bairros situam-se junto do bairro de Casas Económicas de Ramalde.

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n.º 10 e 13 – Bairro da Fonte da Moura e n.º 14 – Bairro Eng. Arantes e Oliveira

Bairro da Fonte da Moura

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Bairro Eng. Arantes e Oliveira

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Bairro do Cerco do Porto, Campanhã 1961

804 fogos (139 T1, 268 T2, 295 T3, 102 T4)

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n.º 11 Localização do Bairro do Cerco do Porto

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A II Fase do Plano de Melhoramentos 1966-1973

ano

Bairro

Freguesia

Fogos

1966

S. João de Deus (3ª fase)

Campanhã

36

1966

Francos

Ramalde

522

1967

S. João de Deus (4ª fase)

Campanhã

72

1966

Manuel Carlos Agrelos

Aldoar

396

1966

Monte da Bela

Campanhã

244

1967

Nuno Pinheiro Torres

Lordelo do Ouro

430

1973

Falcão

Campanhã

231

1973

Lagarteiro

Campanhã

248

Total de Fogos

2179

1 em Ramalde, 1 Aldoar, 1 em Lordelo e 4 em Campanhã

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Localização dos bairros da II Fase 1966-1973

A exceção é o Bairro do Aleixo, hoje envolvido em polémica pela sua demolição, com a adopção da tipologia de torre.

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fotos de A Baixa do Porto http://www.porto.taf.net/

Algumas conclusões

Se o Plano de Melhoramentos “marcou” decisivamente a cidade do Porto, o balanço global da operação - que em princípio parecia responder às reivindicações dos que lutavam contra o regime exigindo uma moderna política de habitação, e entre eles os arquitectos - é, sobretudo hoje, do ponto de vista social, económico, urbanístico e arquitectónico francamente negativo. Só dois dos Bairros realizados foram construídos no local das antigas ilhas (Bom Sucesso e Fernão de Magalhães), sendo todos os outros realizados nos terrenos periféricos da cidade. Para além dos custos sociais desta política, no que ela implica de "segregação social" e de desenraizamento das populações, com a descaracterização de muitas zonas da cidade, do ponto de vista urbanístico implicará ainda necessidades de deslocações e de transportes que romperam o equilíbrio urbano da cidade.

No início dos anos 60, Nuno Portas conduz um amplo inquérito, no Laboratório Nacional de Engenharia Civil, à Habitação Social, de que irão resultar algumas publicações e em que formula algumas advertências à concepção e à arquitectura dos bairros, onde êxitos e erros se vão acumulando e repetindo sem qualquer controle ou avaliação. Seja na criação de um modelo de "Bloco", em que se vão introduzindo variantes, sem qualquer estudo das suas consequências, arquitectónicas e sociais; seja pela ausência de um estudo rigoroso do comportamento das tecnologias construtivas, persistindo-se por razões económicas em patologias nunca solucionadas; seja ainda, porque não se realiza a quase totalidade das infra-estruturas e dos equipamentos colectivos previstos nos respectivos planos.pa100 (3)pa100 (1)pa100 (2)

Desenhos do Inquérito aos bairros do Plano de Melhoramentos da CMP publicados na revista Arquitectura n.º 69 Nov/Dez 1960

No início dos anos 60, em França inicia-se uma revisão dos programas que deram origem aos HLM (Habitations à Loyer Moderés) e aos HBM (Habitations à Bon Marché). Para esta contestação à política de habitação social contribui, a escritora Christiane Rochefort (1917-1998), conhecida pelo seu romance Le Repos du Guerrier (1958) e que deu origem a um conhecido filme de Roger Vadim(1928-2000) com Brigitte Bardot, escreve em 1961 Les Petits Enfants du siècle, uma crítica feroz e realista da vida e das dificuldades dos moradores nos bairros populares (grands ensembles), e como estes bairros sobretudo os de grande dimensão, contribuem para a degradação dos seus habitantes. “Dix milles logements, tous avec l'eau chaude et une salle de bain! c'est quelque chose!» disait Ethel. Ils discutaient de Sarcelles, j'avais raconté mon voyage.

De facto o objectivo do Plano de Melhoramentos , que seria a extinção das ilhas não foi de modo algum cumprido, já que ele foi concretizado num momento em que a cidade do Porto, como centro da região norte, tinha um crescimento populacional e por isso o parque habitacional continuou num processo de degradação. O plano serviu, sobretudo, para a libertação de terrenos centrais de grande rendibilidade especulativa, que convinha aos empresários da construção civil e das imobiliárias que iniciavam, no Porto, negócios de especulação imobiliária (que ainda hoje se mantêm) e que desde então tem condicionado o desenvolvimento da cidade.

Tratou-se de construir barato, mal, reduzindo ao mínimo os estudos e os investimentos, o que levou à degradação rápida dos bairros, cognominados por isso de "ilhas ao alto", com pesados custos sociais, que em anos posteriores se vieram a revelar.

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A felicidade na relação entre os projectos, as construções e a vida, espelhadas na Medalha Comemorativa do Plano de Melhoramentos, nunca foi de facto concretizada.

3 comentários:

  1. Boa tarde!

    Estamos a fazer um trabalho, no âmbito de um mestrado, sobre os Bairros Sociais do Porto e estamos a ter dificuldade em encontrar informação pós-25 de Abril... Será que nos pode ajudar?

    Já agora, reparamos que ainda não publicou a sua análise acerca do Plano Castel-Branco e do Plano de 2005 - também já a fizemos, por isso, se lhe der jeito, poderemos disponibilizar-lha!

    Obrigado e cumprimentos!

    Luís Vaz
    luismpvaz@gmail.com

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  2. Bom dia

    Estou a desenvolver uma tese de mestrado sobre o tema aqui abordado, os bairros socais do Porto e achei o artigo muito bem documentado.

    Será que me poderia indicar onde posso encontrar alguma da informação que aqui se encontra? Refiro-me não só à informação textual, mas também gráfica.

    Obrigada pela atenção,
    Patrícia Casanova
    patricia89@gmail.com

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  3. Boa tarde,

    Sou aluna de Arquitectura Paisagista do ISA, em Lisboa, e encontro-me neste momento a elaborar a minha tese de mestrado. O meu tema está relacionado com os olivais, e passa pela análise e crítica dos seus planos de urbanização.
    Será que me pode ajudar?
    Gostaria de por um lado saber a sua opinião relativamente a alguns aspectos, e já agora de saber onde conseguiu obter as plantas que aqui podemos ver.
    Fico a aguardar resposta.

    Grata pela atenção
    Ana Cunha
    ana.rfgc@gmail.com

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