Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Um percurso pelo Weissenhof Siedlung, Stuttgart 1927 (parte 2)

4 - Casas unifamiliares

Le Corbusier

Casa na Friedrich-Ebert Strasse (Hab 13)

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A Casa é a realização depurada da casa Citröhan que Le Corbusier estudava desde 1920.

Le Corbusier chama casa “Citröhan "para não dizer “Citröen" referindo-se a ela como “a máquina de habitar”. Isto exprime as suas preocupações no desenvolvimento de um projecto de casa que se pudesse construir em série como os automóveis. O conceito de habitar e a concepção do projecto, tinham por modelo os automóveis, os navios e os aviões. Propunha a pre-fabricação, a redução do equipamento ao mínimo necessário em benefício dos espaços de estar.

Sobre a casa do Weissenhof Le Corbusier escreve:  “ Apresenta-se aqui uma tese da habitação moderna. Um vasto volume na sala, na qual se vive todo o dia, no bem estar das grandes dimensões e do grande cubo de ar, do afluxo de luz; abrindo sobre esta sala, células para funções de curta duração e para as quais as dimensões exigidas pelos regulamentos em vigor são demasiado grandes…

Esta casa é projectada com elementos construtivos extremamente simples, com uma preocupação funcional e cumprindo os “5 pontos para uma arquitectura  moderna” formulados por Le Corbusier nesse mesmo ano:

os pilotis; ao tornar todas as construções suspensas, cria-se no ambiente urbano uma perspectiva nova e uma nova relação interior-exterior.

a planta livre; a definição dos espaços internos não depende da concepção estrutural. O uso de sistemas viga-pilar em grelhas ortogonais gera a flexibilidade necessária para procurar a melhor definição espacial interna.

a fachada livre; consequência do ponto anterior. Os pilares devem ser projectados internamente às construções, criando recuos nas lajes de forma a tornar o projecto das aberturas mais flexível.

a janela em comprimento; as janelas podem abrir-se livremente na fachada, aproveitando a melhor orientação solar e as melhores vistas.

o terraço jardim; não mais os telhados do passado. Com o avanço técnico do cimento armado é possível aproveitar a última laje como espaço de lazer.

Na evolução da Maison Citröhan de 1920 até à casa do Weissenhof de 1927,  Le Corbusier cumpre o seu programa de “recherche patiente” (pesquisa paciente). A partir de um protótipo e mediante um processo de sucessivas depurações, chega a uma síntese construtiva e plástica completa e à  resolução do “problème bien posé” (problema bem colocado).

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Postais de Willi Baumeister para  Le Corbusier e Pierre Jeanneret datados de 5 de Agosto de 1927 e não enviados

No 1.º piso a sala de estar/comer centralizada numa lareira, cozinha e serviços.

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No 2.º piso o quarto principal com banho privativo,e um boudoir que abre sobre o vão de pé-direito duplo da sala. O uso de divisórias curvas permite resolver o desenho do quarto de banho mínimo.

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No 3.º piso os quartos individuais com casa de banho mínima e o terraço jardim.

Os pisos articulam-se por uma escada que se desenvolve ao longo da parede lateral.

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perspectivas de interiores por Alfred Roth,1927

(Alfred Roth(1903–98), suisso, conhecido sobretudo pelas suas publicações sobre a arquitectura moderna, trabalhava então no atelier de Le Corbusier).

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Cadeiras Thonet e pintura de Willy Baumeister

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A cadeira de braços Thonet n.º 9 de 1876 utilizada por Le Corbusier

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Walter Gropius 1883 – 1969
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Em 1914 Gropius com Adolf Meyer, projecta a Fábrica-modelo da Exposição da Deutcher Werkbund em Colónia. Em 1919 torna-se o 1º director da BAUHAUS (até 1928), e em 1925 projecta o edifício da Escola em Dassau, e as casas dos professores.

No Manifesto da Bauhaus de 1919 lê-se: “Cremos num novo grémio de artesãos, sem as distinções de classe que colocam uma arrogante barreira entre o artesão e o artista. Concebamos, juntos, e criemos o novo edifício do futuro, que abarcará arquitectura, escultura, e pintura numa unidade e que um dia será erguido para o céu com as mãos de um milhão de trabalhadores, como o símbolo cristalino de uma nova fé.”

As suas propostas para o Weissenhof, procuram responder às suas investigações da época: a pré fabricação para a montagem a seco de casas individuais. Nestes anos escreve: “…a principal tarefa do arquitecto é, hoje, a de um organizador que tem de se confrontar com um conjunto de problemas biológicos, sociais, técnicos e plásticos, fazendo a síntese numa unidade autónoma.”

E “…só mediante um contacto prolongado com os avanços da técnica, com a descoberta de novos materiais e novas construções consegue o indivíduo criador a capacidade de fazer com que o objecto guarde uma relação viva com a sua transmissão, e que assim se possa desenvolver o novo carácter da obra: decidida afirmação da envolvente das máquinas e veículos. Criação orgânica das coisas a partir da sua própria lei de contemporaneidade, sem embelezamentos nem elementos românticos. Redução a formas e cores básicas típicas e compreensíveis para todos. Simplicidade na multiplicidade e economia dos materiais, do tempo e do dinheiro.”

E conclui W. Gropius “A criação de tipos para os objectos utilitários de uso quotidiano constitui uma necessidade social.”

Gropius escreve ainda um texto sobre as vantagens da uniformização:
“Construir significa dar forma a processos vitais; a maioria dos indivíduos tem o mesmo tipo de necessidades vitais.Portanto é lógico e e cabe numa maneira económica de proceder, dar uniformidade a este tipo de necessidades de massa. Por isso não tem justificação que cada casa tenha uma planta diferente, uma aparência diferente, esteja construída com materiais diferentes e mostre outro tipo de “estilo”. Isto significa desperdiçar e acentuar falsamente o conceito de individual. As nossas roupas, sapatos, carteiras e automóveis possuem uma força uniforme e ainda assim o indivíduo conserva a possibilidade de salvaguardar as suas características pessoais.”

No Weissenhof, Gropius construiu duas casas que foram concluídas em três meses e dez dias, graças à pré fabricação, sendo uma das casas com estrutura de betão armado e outra com estrutura metálica. Esta pretendia ser a demonstração da aplicação da construção modulada e standarizada. Os painéis eram de chapa metálica e cortiça. Foi destruída nos anos 40.

Sobre os projectos do Weissenhof Gropius escreve um texto Caminhos para a produção industrial de habitação:

“…para os edifícios experimentais que desenhei para a exposição Werkbund Stuttgart 1927 propus-me claramente a missão de encontrar novas soluções para a construção pré-fabricada. Até agora, os esforços para reduzir os custos da habitação, conseguiram criar estruturas economicamente viáveis e em grande número, através da produção industrial, utilizando em larga escala material de construção prefabricado.

Este sistema não seria adequado para a construção de casas individuais, devido aos altos custos de montagem. A fim de  satisfazer a necessidade de produção de casas unifamiliares de baixo custo, foi-me pedida neste caso, uma solução através de novos processos baseados num projecto pessoal. (…) a construção dos edifícios da  Werkbund e, em especial estas duas estruturas, mostram claramente o estado actual de desenvolvimento na construção de moradias, e ao mesmo tempo revelam os problemas técnicos que continuam por resolver no âmbito da habitação moderna.  Agora é da responsabilidade do arquitecto articular esses problemas, porque a sua tarefa principal é hoje a de um organizador que deve reunir todas as considerações biológicas, sociais, técnicas e de design e fundi-las num todo independente.
Walter Gropius: Caminhos para a produção industrial de habitação.

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Casas no Weissenhof (hab.16 e 17)

Casa 16

A casa, com cave e dois pisos, tem uma planta quadrada, com 9x9 módulos de 1,06 m2.

Na cave, 4 por 9 módulos, o aquecimento e arrumos.

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O piso térreo é organizado pela parede de suporte da escada e pelas paredes de suporte do piso superior. Numa zona a entrada, a sala comum, a cozinha, o arrumo das bicicletas. A outra zona é constituída pelos quartos e casa de banho. weiss229

No piso superior, em L, e abrindo para um amplo terraço (5x6 módulos), a lavandaria, o WC, e 3 compartimentos que podem ser utilizados como quartos.

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A casa 17

Sobre a casa 17 , totalmente composta de elementos pré-fabricados, escreve Gropius:

“A casa 17, foi erguida por meio de um processo de pré-fabricação a seco, utilizando componentes individuais que podem ser fabricadas industrialmente e apenas montadas no local. Este processo, baseado num sistema industrializado, permite as melhores perspectivas económicas a longo prazo. 
O maior inimigo da construção da casa é a humidade (a partir dos elementos e, no curso do processo de construção). Ela é a principal causa das desastrosas deficiências que podem ser encontradas nas formas tradicionais de construção: componentes que não se encaixam; dias de trabalho inesperados (desfazendo e  fazendo estucar novamente); perda de tempo e dinheiro com os atrasos na secagem.
A construção industrializada, por outro lado tem a vantagem de ser completamente independente da época e das condições meteorológicas. Por outras palavras, representa um factor de
estabilização no sector da construção, transformando-o em uma forma regular de trabalho, em contraste com o trabalho sazonal que temos conhecido até agora. Significa a eliminação da humidade nos edifícios; um ajuste garantido entre as várias partes, que tenham sido fabricados pelas máquinas com dimensões exactas;  preços fixos; e um curto, determinado e garantido tempo de construção. A produção de edifícios deste tipo com processos de construção a seco, não pode ser feita no local, mas terá de ocorrer nas fábricas e em estaleiros próprios. Usando materiais de construção de alta qualidade , a carga e o peso do edifício podem ser reduzidos; a sua estabilidade e as qualidades de isolamento, por outro lado podem ser melhoradas, de modo que será possível o transporte de casas unifamiliares, reduzidos às suas componentes - paredes, pisos, telhados, serviços mecânicos, instalações e equipamentos, - em camiões desde os locais de fabrico até ao local de qualquer obra e reuni-los, isoladamente ou em série, no mais curto espaço de tempo e independentemente das condições climáticas.”  Walter Gropius - Caminhos para a produção industrial de habitação.

A Casa 17 é do mesmo modo modulada, neste caso com 8 x 9 módulos.

O piso térreo é dividido em três zonas: uma ocupada pela sala comum (8 x 3,5 módulos); a zona central (8 x 3 módulos)  pela caixa de escada e pela cozinha e a terceira zona (8 x 2 módulos)por compartimentos de serviço.

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No piso 3 quarto, sala de banho e um compartimento para apoio aos quartos.

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As habitações de W. Gropius no Weissenhof apresentam no interior mobiliário da Bauhaus.

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Marcel Breuer (1902-1982) cadeira “clubsessel" de  1926 e a Patente de 1927 weiss501

Marcel Breuer criou a cadeira B5 em 1926 como "um antídoto dramático para o assento estofado da Belle Époque".

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Marcel Breuer mesas B 9 1925/26  Mesas de 4 tamanhos diferentes, sobreponíveis em aço cromado tubular, e tampos de madeira de faia envernizada.

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Marianne Brandt (1893-1983), candeeiro HMB 25 1925/26

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Bruno Julius Florian Taut (1880 – 1938)

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Na Exposição da Werkbund de Colónia em 1914 Bruno Taut projectou o seu célebre Pavilhão de Vidro. Também os princípios do manifesto da Bauhaus em 1919 tinham sido antecipados pelo programa arquitectónico de Bruno Taut para a Arbeitsrat für Kunst, publicado em 1918. Nele, Taut defendia uma nova unidade cultural através de uma nova concepção das diferentes disciplinas em que todas contribuíssem para a forma final e onde

“ …não existirão fronteiras entre os ofícios, a escultura e a pintura; tudo será apenas uma coisa: Arquitectura.”

Entre 1921 e 1924 trabalha em Magdeburgo e entre 1924 e 1932 foi o arquitecto-chefe da GEHAG , uma cooperativa de habitação, fundada em Berlim. Entre 1925 e 1931 desenhou vários grandes empreendimentos residenciais ("Gross-Siedlungen"),  nomeadamente a Hufeisensiedlung com a sua conhecida forma de ferradura e o Siedlung Onkle-Toms-Hütte

A Casa no Weissenhof (hab. 19)

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Bruno Taut, procura realizar uma habitação para trabalhadores, reduzindo os custos:

“De acordo com o texto do programa, esta é a casa proletária entre as moradias unifamiliares da exposição. É destinada, em princípio, a oferecer as vantagens de uma habitação de piso único no piso térreo. As actividades dos moradores exercem-se   em espaços bem dimensionados e que são, no entanto, precisamente ajustados às suas necessidades. As dimensões são deliberadamente económicas, não apenas por causa das grandes limitações impostas pelo local, mas a fim de reduzir, na medida do possível, os custos.”

A casa organiza-se num só piso, a que é acrescentado um pequeno 2º piso sobre a entrada e a área de serviços.

O piso com uma forma sensivelmente quadrada é dividido pela escada, e por divisórias, cortinas e armários, formando os diversos espaços: estar, comer, dormir (3 quartos)

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O piso superior funciona como uma reserva para a ampliação da casa, com um pequeno quarto e um pequeno estúdio, abrindo para um amplo terraço.

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Max Taut (1884 – 1967)

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Max Taut o irmão mais novo de Bruno Taut em 1920 construiu os edifícios de escritórios para os sindicatos. Foi membro da “Cadeia de Cristal”. Em 1924/26 projecta em Berlim a sede da Federação das Tipografias Alemãs.

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Casas no Weissenhof  (hab. 23 e 24)

Max Taut num texto intitulado “As minhas casas em Stuttgart” escreve:

“O projecto destas casas baseou-se  nos mais simples princípios. Os pontos cardeais devem  determinar a orientação da casa e os seus compartimentos. As zonas de estar e de quartos devem ter tanta luz quanto possível. A cozinha recebe luz do norte. A organização dos diferentes compartimentos é uma  forma de simplificar a limpeza e a administração do lar. Quartos, salas de estar e jantar devem, portanto, estar relacionadas umas com as outras numa sequência lógica.

“As instalações técnicas são baseadas em considerações de ordem económica. Processos rápidos  de construção parecem absolutamente necessários, a fim de economizar dinheiro e investimentos. Ou por outras palavras: a construção rápida e a rápida utilização da casa.
Na escolha dos materiais a atenção deve ser dada às propriedades de isolamento térmico. Eu atribuo uma enorme importância ao aquecimento rápido da casa. O uso da água durante a construção deve ser evitado na medida do possível. D
ecidi-me, assim, por um sistema de construção pré-fabricada que  apenas exige pequenas quantidades de água. As casas foram construídas com uma estrutura de aço e com um acabamento de "thermo-panels". Cada elemento da construção, como portas, janelas, ferragens, basearam-se em desenhos standardizados. O custo de cada casa que equivaleria a cerca de 21 mil Reichsmark, em Berlim, incluindo todas as despesas gerais e extras, mas excluindo o terreno e o mobiliário. No caso da produção industrializada, seria possível conseguir um preço consideravelmente mais baixo.”

As casas de Max Taut são projectadas partilhando um mesmo terreno e organizando cada um dos lotes.

Uma abre para a Rathenaustrasse  e a outra a poente para a Bruckmannwegg. Um corredor a céu aberto e com pequenos lanços de escada, une as duas vias, dando acesso à casa da Rathenaustrasse.

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Perspectiva da casa da Rathenaustrasse (hab24)

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Perspectiva da casa da Bruckmannweg (hab. 23)

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A casa na Bruckmannweg notando-se os painéis prefabricados

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A casa da Rathenaustrasse vista de poente. Em primeiro plano o corredor de ligação das duas vias.

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Vista da Rathenaustrasse. Em primeiro plano a casa de Max Taut,  a que segue a casa de Richard Döcker e a de Poelzig. Por detrás o bloco de Mies van der Rohe e ao fundo à esquerda os edifícios de Le Corbusier.

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Richard Döcker (1894 – 1968)

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Richard Docker arquitecto e professor na Universidade Técnica de Estugarda, pertencia à associação Der Ring e à Deutsche Werkbund, sendo o responsável local pela Weissenhof. Irá ter um papel activo nos CIAM (Congrès International d'Architecture Moderne).

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Döcker também projecta duas casas no Weissenhof (Hab. 21 e 22)e sobre as quais escreve:

“Flexibilidade da planta numa casa moderna, ou mesmo em qualquer outro prédio funcional, conduz a projectos  que, evitando tudo o que é supérfulo, facilitem as considerações práticas e a satisfação das necessidades modernas, que buscam melhorar os espaços de estar e de  trabalho, usando todos os meios à disposição do progresso, - sem interferência de qualquer noção de "arquitectura" ou desenho do telhado.
No caso de um projecto novo que sendo realmente novo, procura a resposta funcional e  flexível a todas as  necessidades, torna-se difícil, senão mesmo  impossível, de um modo satisfatório caber um telhado inclinado.
A insistência num telhado inclinado pode facilmente comprometer uma sensível e inovadora solução funcional que um projecto moderno necessita.

Uma habitação depende hoje, mais do que nunca, de uma combinação de sol, luz e ar. A casa deve ter grandes janelas, colunas esbeltas, paredes isoladas termicamente.  A sala deverá normalmente permitir a saída directa para o exterior, criando um vínculo directo e  uma qualidade de abertura ao exterior, em contraste com a velha ideia de se fechar ao mundo exterior, o que tornando uma casa inadequada aos modernos conceitos  de habitação. O projecto, portanto, geralmente difere de modelos anteriores; não pode ser tão fechado, não se pode confinar aos limites de um quadrado ou de um retângulo, e terá de ter em conta as circunstâncias do sítio, do caminho de acesso, aspecto, a incidência da luz solar, etc . Por esse motivo, não terá mais o aspecto até agora familiar, com uma maior ou menor imponência exterior, com a chamada "fachada" principal e eixo central, e com vergonha de revelar no exterior o verdadeiro funcionamento interno. Em vez disso, terá uma aparência externa, que mostra a disposição do interior e do uso a que se destina.“

casa na Rathenaustrasse (Hab.22)

A casa insere-se no lote criando a sul um conjunto de terraços ajardinados.  A entrada situa-se a norte.

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No piso semi enterrado tem a garagem com um acesso à habitação por um percurso ao ar livre pelo terraço/jardim, as salas para as crianças, e os serviços: lavandaria e arrumos.

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No piso principal um pequeno hall, e abrindo para a Rathenaustrasse: um escritório, um quarto com boudoir e casa de banho; do lado poente a sala de estar separada da zona de jantar por uma divisória, a cozinha, quarto de engomar, e um quarto de empregada com WC.

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No piso superior dois quartos, uma casa de banho e duas pequenas salas.

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casa na Bruckmannweg (Hab. 21) demolida

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A sala abrindo sobre o terraço, com mobiliário de Döcker. Ao fundo o candeeiro DS L 23.

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Candeeiro de pé ajustável  DSL 23 Bauhaus desenhado por  Richard Döcker em 1923. Ferro cromado e globo de vidro opaco com 35 cm. de diâmetro. Foto do Weissenhof de 1927 e foto actual (Tecnolumen)

Na parede um quadro de Willi Baumeister, de que se apresenta um do mesmo ciclo.

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Willi Baumeister - Abstração com cinza e marrom 1926, carvão e lápis sobre cartão 34,2 × 22,6 cm. colecção particular.

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Adolf Rading 1888 – 1957

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Depois de terminar a faculdade de arquitetura em Berlim, Rading trabalhou brevemente no escritório de Peter Behrens, em 1919. Nesse mesmo ano mudou-se para Breslau, tornando-se em 1923, professor na Academcy Nacional de Artes e Ofícios. Em 1926 Rading estabeleceu uma parceria com Hans Scharoun , e tornou-se membro da associação Der Ring. Quando os nazis chegaram ao poder em 1933, Rading, cuja mulher era de origem  judaica, emigrou para França e depois para a Palestina, hoje Israel. Projectou em 1921 a sua própria casa, em 1922 a Casa na  Oranienstrass,  em 1925 a Odd Fellow Loge e em 1927 a casa Kriebel, todas em Breslau.

 

Adolf Rading escreve um texto algo pessimista intitulado Zeitlupe (Slow Motion) no Bau und Wohnung (Construção e Habitação):

“Seria bom, se todos pudéssemos parar por um tempo, reduzir um pouco a velocidade, olhar para nós próprios e ver quão maravilhosamente muito temos caminhado ... Por um momento ter consciência do que se tornaram as nossas cidades, as nossas casas ...
Se estivéssemos bem conscientes do que é a vida, se nós pudéssemos compreender o facto de que o bem está ligado com o mal, a alegria com o sofrimento, a altura com a profundidade, a luz com a sombra, que não há nada de humano, não há vida em tudo, sem  abismo, sem enigma. Uma hora, um minuto de contemplação; - e que na terra ampla Deus poderia ainda assumir a responsabilidade de continuar as coisas que têm sido incubados no mofo das instituições  públicas ao longo de quase um século, mais e mais distante da vida, e cada vez mais doutrinária: salvaguardar outros homens de uma das influências da própria vida?
Os regulamentos dos nossos edifícios agora enchendo volumosos livros, têm proliferado  num labirinto de disposições.
Nem todos os profetas, nem toda a providência sempre evocados poderiam ter previsto o que prevíamos com ansiedade e que, consequentemente, fomos  forçados a ir por um caminho que representou a média dourada. Sobre essa coisa altamente suspeita, extremamente inábil e praticamente incalculável chamada vida, vestiram uma camisa de forças. Medo, compromisso e força bruta gritam petrificados ao céu. Esta é a situação.”

A Casa no Weissenhof (Hab. 25)


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Piso inferior: vestíbulo com a escada e acesso ao pátio. Arrumos e sala da caldeira de carvão.

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Piso térreo: entrada pela Am Weissenhof. Sala divisível por portas de correr, formando a sala de estar, a sala de jantar e um escritório. Cozinha. Num meio piso abaixo 3 quartos e sala de banho.

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Piso superior sala de  lavandaria e  engomar, sala das crianças WC e terraço.

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Hans Scharoun (1893-1972)

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Em 1919, após a guerra, Scharoun iniciou a sua actividade como arquitecto em Breslau (Wroclaw). Tornou-se professor na Staatliche Akademie für Kunst und Kunstgewerbe Breslau (Academia de Artes e Ofícios), onde lecionou até o seu encerramento em 1932. Em 1919 aderiu ao grupo de Bruno Taut   a Cadeia de vidro, e em 1926 entrou para a associação de arquitetos Der Ring. Nestes anos participa em diversos concursos como em 1919 o concurso da Praça da Catedral de  Prenzlau, (onde obtém o 1 º prémio), em 1920 o concurso do Museu da Higiene alemão, Dresden, e em 1922 projecta a estação da Friedrichstraße, em Berlim.  Nos  finais dos anos vinte projecta o  conjunto habitacional, Siemensstadt em Berlim. Durante o regime nazi ao contrário da maioria dos arquitectos e artistas,  permaneceu na Alemanha.

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A Casa no Weissenhof (Hab. 33)

“O panorama do problema da habitação dado  pela exposição de Stuttgart não é o resultado de algum impulso novo e repentino surgindo não se sabe de onde. É uma daquelas coisas realizadas esporadicamente, mas  como parte de uma série contínua de acontecimentos que até então se situavam em segundo plano. Esta série natural e  "em curso" de desenvolvimentos foi violentamente interrompida pela guerra. Em vez dos métodos usuais do passado, que faziam parte do mecanismo de auto-regulação da própria vida, depois da guerra uma espécie de método coercitivo foi introduzido que não foi certamente benéfico para o desenvolvimento da construção.
A necessidade de uma nova atitude perante a família, para com o pessoal doméstico, a problemática prioridade do homem sobre a propriedade e as mudanças que estão começando a se manifestar na vida da comunidade, provocando a evolução  que anda de mãos dadas com o desenvolvimento de um nova forma de habitação. E esses fatores são suficientemente importantes para, não apenas lhes ser dado um tratamento teórico, mas para ser abordado em termos práticos.
As nossas cidades têm se mostrado pouco, senão de todo, em condições de lidar com esses problemas. O mais importante neste campo "intelectual" é a reintrodução de um desenvolvimento natural. A demonstração do facto de que ainda existem forças que estão vivas e a trabalhar para estimular a evolução vital para a vida, apesar da falta de apoio - e num certo sentido escondida dos olhos do público - parece-me ser o
objectivo e justificação da exposição da cidade de Stuttgart.
Hans Scharoun: Zur Situation (Situação actual)

A casa de Hans Scharoun situada no topo norte da urbanização junto com o edifício de Berhens, tornou-se não só como das mais conhecidas mas mesmo como um dos símbolos do Weissenhof, pela sua forma escultórica, acentuada pelo volume da caixa de escada visível do exterior.

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Planta baja: entrada, aseo, baño, salón con despacho y una terraza cubierta, cocina, sala de limpieza y cuarto de servicio Planta superior: 3 dormitorios, baño, terraza

A casa organiza-se em três pisos, sendo o primeiro semi enterrado e onde se situam a sala da caldeira a carvão, a lavandaria e os arrumos.

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No piso principal um corredor que atravessa toda a construção unindo a entrada principal com a entrada do jardim é o eixo gerador da composição.

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Nele situam-se as zonas de estar e serviços, com hall, WC, sala de estar, cozinha e quarto de empregada.

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No piso superior situam-se os 3 quartos abrindo para o terraço a sul e o quarto de banho.

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A cozinha

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Um dos quarto no piso superior

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Hans Poelzig 1869 – 1936

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Hans Poelzig e Peter Berhens são os dois arquitectos mais velhos que participam no Weissenhof, tendo sido professores de muitos dos outros participantes. Poelzig, entre 1888 e 1893 estudou arquitectura em Berlim. Em 1900 tornou-se professor na Kunstgewerbeschule  em Breslau (hoje Wroclaw, Polónia) de que se torna director em 1903. Projecta em 1911, os armazéns na Lunkenstrasse, em Breslau. No mesmo ano  projecta o célebre  Reservatório de Hamburgo e  em 1911/12 a Fábrica de produtos químicos de Luban. Entre 1916 e 1920 trabalha como consultor de planeamento em Dresden. Em 1924  regressa a Berlim onde lecciona. Torna-se membro da Deutscher Werkbund e da  sociedade Der Ring. Projecta, ainda, nos finais dos anos vinte a sede da empresa IG Farben em Frankfurt.

A Casa no Weissenhof (Hab. 20)

“A Casa Poelzig é concebida para servir as necessidades do trabalhador intelectual, sem que ele tenha de se adaptar às novas condições de vida. Como, hoje em dia, as mulheres também tem uma profissão, ou pelo menos não estão preparadas para dedicar-se inteiramente à família, é importante conceber a habitação da forma mais racional possível. O desenho da casa é, por isso, o mais compacto possível e concebido de modo a criar um máximo de espaço que possa ser usado de diversas maneiras.
Para o norte e poente, a casa é relativamente fechada, abrindo-se para sul e nascente para beneficiar da luz solar e da bela vista.
“ Hans Poelzig

A casa organiza-se em 3 pisos sendo o piso inferior semi enterrado, com um vestíbulo que corresponde a uma entrada de serviço, a sala da caldeira a carvão, uma despensa,  lavandaria e um WC.

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O piso principal inscreve-se num rectângulo modulado, onde se organiza o hall de entrada, a sala de estar, a sala de jantar com acesso ao terraço, uma ampla cozinha, e um WC aproveitando o vão da escada de acesso ao piso superior.

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O Piso superior é dividido em 4 quadrados em que um é ocupado pela escada e quarto de banho; dois deles pelos quartos e o outro quadrado corresponde ao terraço.

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Mobiliário de Hans Poelzig para a casa no Weissenhof

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Ludwig Hilbersmeier 1885 – 1967

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Ludwig Hilberseimer estudou arquitectura em Karlsruhe de 1906 a 1911. Instalado em Berlim, inicia a sua carreira como arquitecto, e em 1919 inicia a sua colaboração como crítico de arte com artigos em revistas culturais como “Das Kunstblatt” e “Sozialistische Monatshefte”. O seu projecto de “Hochhausstadt” de 1924 pretende acrescentar à “cidade contemporânea de três milhões de habitantes” formulada em 1922 por  Le Corbusier, melhorias funcionais. “A cidade do futuro deve ter o carácter de uma realização programada, de um organismo estudado em cada um das suas partes [...]. O plano deve ser claro e ordenado [...], a circulação controlada e diversificada com base no tipo de tráfego, de modo que sobre cada nível circulem meios de transporte determinados e não outros.”

Entre 1925 e 1927, projecta os  conjuntos habitacionais, na Adlergestellstrasse, Adlershofstrasse e na Dörpfeldstrasse; a Rheinlandhaus (lojas, escritórios e um teatro), e algumas lojas.

Em 1927 publica “Großstadtarchitektur” (A arquitetura da grande cidade) e “Beton als Gestalter” em 1928. Naquele escreve, possivelmente tendo em conta os projectos para a Weissenhof:

”Frente a estas tentativas de separar os espaços de uma moradia
segundo suas finalidades e estabelecer para sempre o seu
uso, existe também a possibilidade de modificar o espaço de
uma habitação segundo as necessidades dos seus moradores. Isto  pode-se conseguir graças ao uso de painéis móveis ou, melhor ainda, mediante painéis que se possam fixar facilmente ao tecto e ao pavimento e que permitam, graças à sua mobilidade, a variação temporal da distribuição do
espaço.”

Em 1929 irá leccionar na Bauhaus  até em Abril de 1933.

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“…o melhor apartamento será o que for tratado como um objeto de uso comum. “

A melhor habitação será aquela que se tornar um perfeito objecto utilitário e, portanto, reduzir ao mínimo as dificuldades da vida quotidiana. Este objectivo será atingido quando a habitação, que no passado tinham funções de representação, hoje bastante reduzidas, for organizada de tal maneira que os espaços individuais e o mobiliário forem  concebidos de acordo com as suas funções e  utilidade.
Ludwig Hilberseimer

A casa no Weissenhof (Hab. 18)

A casa organiza-se em dois pisos sendo o piso inferior composto pela entrada com um pequeno vestíbulo, um WC, um quarto de empregada, uma sala da caldeira e uma despensa.

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O piso superior é composto por dois rectângulos semelhantes sendo um composto pela sala de estar onde abre a entrada, por um espaço de comer e pela cozinha.

No outro rectângulo dois quartos abertos a nascente,e do lado poente a sala de banho, um pequeno escritório e a escada de acesso ao piso superior.

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Adolf Gustav Schneck 1883 – 1971

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Schneck foi um dos arquitectos (com Richard Döker) de Stuttgart a participar no Weissenhof.  Em 1924 tinha organizado e comissariado a exposição “ Die Form ohne Ornament “ (A Forma sem Ornamentos). Entre 1926 e 1927  Schneck projectou para a fábrica Hellerau de Karl Schmidt-Hellerau um conjunto de peças de mobiliário que foram produzidas industrialmente até aos anos 30.

 

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“Nas  propostas que elaborei para a exposição da Werkbund "A Habitação " na cidade de Stuttgart em que a minha tarefa era construir uma casa individual mas que pudesse ser agrupada, eu tentei elaborar um projecto de tal forma que não ficasse vinculado à colocação da escada, ou dos outros compartimentos. A planta térrea é dividida em dois espaços por uma parede central, que também é de suporte. Entre estes dois espaços é possível uma  grande liberdade e flexibilidade na concepção da planta… A planta, que já não é rigidamente fixa, foi o resultado de tentativas de tornar redundante o espaço da cobertura. A dona de casa tem um lance de escadas para subir poucos andares e um a menos para tratar. Com uma boa disposição de salas o que significa uma economia considerável de trabalho. Adolf G. Schneck

As casas no Weissenhof (Hab. 11 e 12) 

Casa 12 na Friedrich- Ebert strasse

Planta inferior: sala da caldeira a carvão, despensa, lavandaria e arrumos.

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No piso principal entrada e vestíbulo, sala de estar, sala de jantar, cozinha e despensa.weiss176a

No piso superior o quarto de casa, 2 quartos individuais, WC e casa de banho.

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Casa 11 na Bruckmannweg

No piso inferior entrada de serviço, sala da caldeira e depósito de carvão, WC, lavandaria e arrumos.

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Piso principal com hall de entrada, sala de estar, sala de jantar, cozinha e escritório.

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Piso superior: 5 quartos, sendo um destinado a hóspedes, Wc e sala de banho.

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Victor Bourgeois  1897 – 1962

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Estudou na Academia de Belas Artes de Bruxelas (1914/19) de que recusa o diploma contestando a sua orientação tradicionalista.

Em  1922, funda o jornal “7 Arts” , e relaciona-se com René Magritte, Théo Van Doesburg, Adolf Behne, Hannes Meyer, Le Corbusier, Fernand Léger e Robert Mallet-Stevens, o que lhe permitirá ter um papel essencial nos CIAM.

Em 1922 projecta La Cité moderne, Berchem-Bruxelles, 1922

“ O edifício deve o seu verdadeiro significado e a sua justificação  à sua envolvente.”

“Muitos arquitectos praticam a arquitectura de cavalete, isto é, apenas tendo em conta  a sua arquitectura sem se preocupar com a vizinhança antiga ou moderna. Estes arquitectos constroem edifícios sem se preocuparem em saber se a sua justaposição constitui uma cidade. À arquitectura que trabalha no coração de uma cidade, o espírito cívico, impõe muitas vezes o sacrifício da originalidade para alcançar uma certa neutralidade orgânica.” 

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“Mais do que nunca estamos convencidos de que o culto da forma independente – do "formalismo " - tem de ser erradicado.
Se não formos implacáveis para com a tentação do formalismo, em breve teremos um novo estilo Art Nouveau, ainda mais perigoso que o antigo. Desta vez não é apenas uma questão de alguns efeitos e formas excêntricas aplicados às fachadas; confrontamo-nos com o surgimento de bairros inteiros, com uma aparência tão fantástica quanto tem de extensão. Aço, concreto e vidro proporcionam-nos incalculáveis possibilidades para uma renovação das formas. Se, na nossa conquista de materiais, tudo é permitido, então o arquitecto, brilhando com um verdadeiro espírito de invenção deve considerar, cada vez mais, as suas limitações.”
Victor Bourgeois: Considerar as limitações!

Casa no Weissenhof (Hab. 10)

Piso inferior: sala da caldeira e depósito de carvão, lavandaria, despensa e arrumos. weiss215a

Piso principal: hall de entrada com WC, bengaleiro e acesso ao piso superior, cozinha,  sala de estar e sala de jantar.weiss215b

Piso superior: escritório, quarto de casal, quarto de crianças, quarto de serviço e sala de banho.

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Willi Baumeister - "Maschinenbild mit Rot" (visão de máquina com vermelho)1927 óleo 120x55 cm Staatsgalerie Stuttgart. Esta pintura pertenceu a  Victor Bourgeois.

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As consequências do Weissenhof

O impacto da Exposição do Weissenhof, visitada por centena de milhares de visitantes, foi enorme, já que mostrou a toda a Europa uma unidade de intenções e de linguagem, dos arquitectos em busca de uma expressão moderna da arquitectura.

Este impacto foi ampliado por um conjunto de publicações  como os da editora  "Academic Verlag Dr. Pe. Wedekind & Co." de Stuttgart. O já referenciado “ Bau und Wohnung “ (Construção e Habitação), o "Interiores", compilado por Werner Graff e "Como construir?"  com um prefácio de Adolf Behne.

Também Albert Sigrist publica o “Das Buch vom bauen" (o livro sobre a construção) em que apresenta  a arquitetura moderna de um ponto de vista socialista. Albert Sigrist é um pseudónimo de Alexandre Schwab (1887-1943) que escreveu  regularmente  na revista da Werkbund. Morreu numa prisão nazi em 1943.

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O Weissenhof visto por Reinhold Nägele, um pintor de Estugarda.

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Reinhold Nägele (1884-1972) -  Weissenhof Siedlung, 1927 - Têmpera s/ cartão, 31,5 x 50 cm. Staatsgalerie. Stuttgart

Este sucesso do Weissenhof provocou a contestação das forças mais reaccionárias da Alemanha, com uma campanha de describilização, apelidando-o de “aldeia árabe”.

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“Aldeia árabe” Fotomontagem anónima de 1934, Moma N.Y.

Hitler e a Arte Degenerada

Em 37 é criada a Câmara da Cultura do Reich, sob a direcção de Goebels, e inaugurada a "Exposição de Arte Alemã" (Grosse Deutsche Kunstausstellung) paralelamente à "Exposição de Arte Degenerada" (Entartete Kunst) na nova Casa da Arte do Reich (Haus der Deutschen Kunst) em Munique (projecto de 1934 de  Paul Ludwig Troost).

Também descrito como “arte degenerada” em  1938 o Weissenhof  Siedlung foi evacuado. Todas as casas seriam demolidas e substituídas por um edifício para o Comando Supremo da Wehrmacht, o que dadas as circunstâncias da guerra nunca veio a acontecer. Entretanto as casas foram usadas como alojamento para as forças de defesa aérea, e no bloco de  Mies van der Rohe foi instalado um hospital infantil. Em 1943/44, algumas das habitações foram destruídas pelos bombardeamentos.

A recuperação

Em 1981, as autoridades federais criaram um gabinete para a restauração, preservação e manutenção do Weissenhof  Siedlung. O processo iniciou-se no ano seguinte e durou até 1987. Neste processo, foram reconstruídas as habitações n.ºs 16 a 20 (a vermelho na planta). A habitação n.º 21 (a azul) de Richard Döcker, nunca foi reconstruída. Todas as outras  habitações foram recuperadas, sendo que o edifício de Le Corbusier na Rathenaustrasse é hoje o museu do Weissenhof.

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4 comentários:

  1. Boa noite

    Sou um estudante de arquitectura actualmente a desenvolver um trabalho sobre o Bairro das Estacas. No artigo "Os Bairros Sociais no Porto IV" apresenta umas plantas de uma tipologia duplex desse bairro. Gostaria de pedir-lhe que me indicasse a fonte dessas plantas e se eventualmente tivesse plantas de outras tipologias desses edifícios seria possível enviar-mas.

    O meu e-mail é:
    rui_ml89@hotmail.com

    Agradeço-lhe desde já a sua ajuda e desejo-lhe a continuação do sucesso do seu blog.

    Cumprimentos

    Rui Leitão

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  2. Boa noite,

    tenho o mesmo pedido do colega, gostaria de saber as referências usadas, principalmente as de Walter Gropius e onde encontro o texto "Caminhos para a produção industrial de habitação".

    rafawurdig@gmail.com

    Agradeço imensamente se puder me ajudar,

    Rafaela Würdig

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  3. Ótimo trabalho, ajuda enorme para minha turma de arquitetura, estamos reconstruindo o bairro em forma de maquete. Muito obrigado pelas informações, parabéns pelo blog.
    Observação: A casa 16 e 17 do Gropius está com as fachadas invertidas. A que está na casa 17 faz parte da 16 e vice-versa. Abraços.

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  4. sou estudante de Arquitetura e gostaria conhecher o nome da pessoa que realizou este trabalho, porque tenho fazer uso dele e nececito realizar as citacoes correspondentes. desde ja muito obrigado.

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