Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















sexta-feira, 29 de abril de 2011

Os Planos para o Porto–dos Almadas aos nossos dias 8 (III parte 4)

Propostas para a terciarização do Centro - O Centro de Negócios



Para o Centro o Plano propõe a renovação e ampliação do centro, servido pelos dois grandes eixos sul-norte e poente nascente. No cruzamento destes dois eixos desenvolver-se-ia o Centro de Negócios. “Nestas condições, é de desejar que se pre­vejam na regulamentação os meios de favo­recer esta expansão do terciário, que apenas pode fazer-se no quadro duma renovação progressiva do centro, englobando todos os elementos de equipamento indispensáveis à actividade terciária contemporânea.” auz63a_thumb2




O Centro no cruzamento dos dois eixos viários principais.




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Plano Auzelle Volume II – folha n.º 2 da Planta Sistemas Viários do Plano Director e do Plano Regulador – Detalhe do eixo sul-norte




A Praça da Trindade



A norte da avenida dos Aliados é projectado o arranjo da praça da Trindade com o “objectivo principal (de) melhorar as condições da circulação automóvel num troço do eixo de comunicações norte-sul que liga a avenida dos Aliados à rua de Camões.”auz322_thumb4




Plano Auzelle Volume II – folha n.º 6 da Planta do Estado Actual da Cidade – Detalhe da zona da Trindade



E “como resultante da mudança dos percursos do trân­sito automóvel, foi eliminado o cruzamento entre o edifício da Câmara Municipal e a igreja da Trindade, sendo o espaço inter­médio transformado em praça pública para peões.”auz69_thumb2




Plano Auzelle Volume III – Valorização das Zonas de Interesse Arquitectónico – Arranjo da Praça da Trindade



E o Plano propõe um edifício para a Pedreira da Trindade, com a “demolição de uma zona anterior­mente ocupada por velhos edifícios de habitação e algumas ilhas , recuperando-se o terreno assim re­sultante em benefício de instala­ções comerciais e administrativas de que o centro da cidade tanto carece.”



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Plano Auzelle Volume III – Valorização das Zonas de Interesse Arquitectónico – Arranjo da Praça da Trindade auz68_thumb2




Plano Auzelle Volume III –Plano Auzelle Volume III – Valorização das Zonas de Interesse Arquitectónico – Arranjo da Praça da Trindade Perspectiva das construções previstas para a nova rua da Trindade



Foram diversos os projectos para a Pedreira da Trindade cuja edificação só se concluiu no início do século XXI. A Câmara encomendou ainda nos anos 60 um projecto ao arquitecto Joaquim Bento Lousan (1932), que não foi realizado. Nos anos 80 é encomendado um novo projecto ao arquitecto Tomás Taveira (1938). Em 1992, o construtor Martinho Tavares, associado a uma empresa francesa, iniciou a construção do centro de negócios da Trindade, segundo um projecto de 1986 que por sua vez, seguia o estudo do arquitecto Bento Lousan. No entanto, a falência da firma gaulesa determinou a paragem dos trabalhos em 1996.Nos anos 90, a Câmara, numa parceria (?) com a firma J. Azevedo inicia a construção do edifício, que é suspenso por falência do construtor. Finalmente em 2004 se procede a uma reformulação do projecto pela arquitecta Rosário Rodrigues e o edifíci0 é finalmente concluído.auz481_thumb2




Cruzamento dos eixos sul-norte e poente-nascente



rua de Camões – rua Gonçalo Cristóvão



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“No seu conjunto, a solução adoptada para o prolongamento da rua de Gonçalo Cristóvão para nascente foi encarada no sentido de se obter um traçado rápido, com supressão de todos os pontos de conflito com as outras vias (secundárias ou prin­cipais) e com as características correspondentes a uma grande via de ligação.”





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Plano Auzelle Volume III – documento 1 Eixo Principal este-oeste




O viaduto de Gonçalo Cristóvão



Uma das poucas realizações, em tempo, do Plano, embora do viaduto apenas se tenha concretizado a 1ª fase. Quando da sua construção o viaduto chegou a cair, sendo depois recuperado.



“Quando estiver realizado o prolongamento da rua de Gonçalo Cris­tóvão até à Estação de Campanhã e quando funcio­nar o eixo norte-sul em ligação com a Via Norte, então o afluxo de veículos neste cruzamento será tal, que será impraticável o seu funcionamento como cruzamento de nível. Por isso se previu neste local a construção dum viaduto central relativamente à rua de Gonçalo Cristóvão (com passagem superior desta artéria), de modo a permitir a circulação con­tínua nos eixos norte-sul e este-oeste, dando possi­bilidade, ao mesmo tempo, de o trânsito — ao nível inferior — mudar de direcção (tomando sempre a via da direita) sem pontos de conflito.”
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Plano Auzelle Volume III –documento 1 Eixo principal este-oeste – estado actual e 1.ª fase do viaduto



A - Estado actual “O cruzamento é de nível. O trânsito faz-se nos 2 sentidos em ambas as ruas e pode tomar todas as direcções. Verifica-se o máximo de pontos de conflito. A rua de Gonçalo Cristóvão já está alargada, em parte.”



B —1.a fase “Execução da l .a fase da passagem superior da faixa central da rua de Gonçalo Cristóvão por intermédio dum viaduto para 2 faixas de trânsito (1 para cada sentido). As duas principais cor­rentes de trânsito cruzam a níveis diferentes. A 1.a fase da construção deste viaduto encon­tra-se em vias de conclusão; apresenta um perfil transversal com a largura de 7 metros e comporta duas faixas de trânsito, uma para cada sentido. A fase final, com uma largura de 14 metros, permite o estabelecimento de quatro faixas de trânsito, duas para cada sentido.”



O projecto para o Cruzamento da rua de Camões com a rua de Gonçalo Cristóvão, apenas realizado parcialmente



“A realização completa da passagem superior, do alarga­mento da rua de Gonçalo Cristóvão e do prolongamento da rua de Fonseca Cardoso (para o sentido ascendente do trânsito vindo da rua de Camões) permitira a circulação contínua nos eixos norte-sul e este-oeste e a mudança de direcção para a direita, ao nível inferior. O viaduto comporta 4 faixas de trân­sito, 2 para cada sentido. O cru­zamento funciona sem qualquer ponto de conflito.”auz484_thumb2



Plano Auzelle Volume III –documento 1 Eixo principal este-oeste – 1a Cruzamento da rua Camões com a rua Gonçalo Cristóvão.
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O viaduto na actualidade



A zona Gonçalo Cristóvão /Sá da Bandeira



Para esta zona o Plano previa o desenvolvimento do Centro, com a construção de equipamentos, edifícios de serviços e comércio.



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O Silo Auto




Para o desenvolvimento e terciarização do centro “deve principalmente, sob o ponto de vista da circulação, libertar-se os arruamentos do esta­cionamento, criando vastos parques de vários pisos, que assegurem a conversão fácil do automobilista em peão. Deve ainda favore­cer-se o desenvolvimento dos transportes colectivos, susceptíveis de irrigar o coração vital da cidade.”

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Plano Auzelle Volume I – documento 9.1.1.6 – Parques de Estacionamento propostos



Dos parques de estacionamento previstos apenas se realizou o de Sá da Bandeira (Silo Auto) e cerca de quarenta anos depois, de uma forma diferente o da Cordoaria e da praça do Infante D. Henrique. O Silo Auto, é um projecto dos arquitectos Alberto José Pessoa (1919-1985), e João Abel Bessa, construído em 1964, junto à capela setecentista da Boa Hora de Fradelos.auz20a_thumb2



Na ideia inicial do Plano Director seria um edifício “semi enterrado e adossado em parte às rochas existentes, e teria uma forma oval para melhor se integrar no jardim público ocupando todo o quarteirão. O terraço teria um restaurante e um ringue de hoquei.” (in Urbanisme)
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Também a iniciativa privada constrói, segundo um projecto do arquitecto Manuel Marques de Aguiar (1927- ), o edifício no lado norte da rua Gonçalo Cristóvão. O edifício estende-se ao longo da rua , com um programa misto, de comércio em rés do chão protegido por uma arcada, e 6 pisos de escritórios, onde se eleva uma torre de 16 pisos construída num momento em que a tipologia de torre começa a ser utilizada na cidade do Porto.



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No âmbito desta terciarização da rua de Gonçalo Cristóvão o arquitecto Márcio de Freitas (1926-?) projecta em 1968 o novo edifício sede do Jornal de Notícias, também um edifício torre, e também na zona do "centro" definido pelo Plano de Auzelle, edifício com uma linguagem algo saturada de ornamentações, e desenquadrada do contexto envolvente. auz259_thumb2



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O atelier de José Carlos Loureiro, projecta em 1965, o edifício do hotel D. Henrique, na continuidade do "centro de negócios" do Plano Auzelle, um edifício misto, em que sobre uma "base" de comércio e escritórios, se ergue uma torre correspondente a um hotel, com um tratamento escultórico que não impede as dificuldades da sua implantação e das sua presença no contexto e perfil da cidade.



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A rua Sá da Bandeira



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Plano Auzelle Volume II- folha 6 da Planta do Estado Actual da Cidade – detalhe da zona de Sá da Bandeira



A rua de Sá da Bandeira é prolongada nos anos 50 desde Fernandes Tomás até à rua Gonçalo Cristóvão, edificando-se no lado poente dois quarteirões, que provocarão a abertura da rua do Bolhão.



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Abertura da rua de Sá da Bandeira foto Alvão



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A rua de Sá da Bandeira na planta de 1948 e na Planta actual



O quarteirão a sul é totalmente ocupado pelo Palácio do Comércio, um edifício projectado pelo arquitecto David Moreira da Silva (1909-2002), de programa misto – habitação, comércio e escritórios – com um pátio central para estacionamento automóvel, ideia desenvolvida por Antão Almeida Garrett no sentido de retirar o estacionamento das ruas para o interior dos quarteirõeauz502_thumb2



O quarteirão norte é ocupado por um edifício dos anos 40 projectado pelo arquitecto ArthurAlmeida Júnior



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e pelo edifício DKW (da marca de automóveis alemães que aí tinha os seus escritórios), projectado por Arménio Losa e Cassiano Barbosa em 1946 e concluído em 1951.



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No lado nascente a Câmara organiza em 1955 um concurso público para o remate da rua de Sá da Bandeira, ganho pelos arquitectos Agostinho Ricca (1915-2010) e Benjamim do Carmo, numa solução que compreende um edifício ao longo da rua e que remata o quarteirão existente, um edifício-ponte sobre a rua de Sá da Bandeira, e um pequeno jardim no lado poente.auz506_thumb2auz60_thumb5auz15_thumb2



No centro do jardim é colocada uma escultura em bronze “Maturidade” de João Charters d’ Almeida (1935).



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(CONTINUA)

2 comentários:

  1. Boa Tarde!
    No âmbito de um trabalho necessitava de mais informação sobre o viaduto Gonçalo Cristóvão.
    Já fui à Câmara Municipal do Porto mas eles não têm qualquer tipo de informação.
    Será que me podia indicar algum local?
    Obrigado pela atenção!

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  2. Boa tarde!
    Muito bom o artigo aqui apresentado! Gostaria de saber se o plano auzelle referia a altura em metros do Edifício do Jornal de Notícias?
    Cumprimentos

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