Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















terça-feira, 3 de maio de 2011

Os Planos para o Porto–dos Almadas aos nossos dias 8 (IV parte 2)

O Plano Director da Cidade do Porto – o Centro

(conclusão)

A Escola Superior de Belas Artes e os Concursos para Professores 1962 – 1963

O Plano Director da Cidade do Porto ao abordar o Porto como centro cultural faz uma referência breve à Escola de Belas Artes. Mas esta na década de 50, definitivamente instalada no “Palacete Braguinha”, sob a direcção de Mestre Carlos Ramos (ver neste blogue O Porto onde eu nasci e vivi), tem nestes anos uma particular influência na vida cultural da cidade.

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O Pavilhão de Arquitectura e a entrada para o pavilhão de Exposições.

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O Pavilhão de Pintura e Desenho, projecto de Carlos Ramos 1951. A estátua  de Álvaro de Brée  representa a “Arquitectura”

Esse prestígio deve-se não só à actividade e afirmação dos seus docentes mas também, fruto do ensino praticado na escola, ao aparecimento de uma nova geração de arquitectos e artistas plásticos que se começam a firmar no panorama artístico portuense e nacional. Na arquitectura, entre outros, Álvaro Siza (1933), Alcino Soutinho (1930), José Pulido Valente (1936), José Forjaz (1936), Sérgio Fernandez (1937) e Luís Cunha (1933), e nas artes plásticas Ângelo de Sousa (1938-2011), Jorge Pinheiro (1931), Armando Alves (1935) e José Rodrigues (1936), que formarão em 1968 o grupo “Os 4 Vintes”. Destes algumas obras que mostram o ambiente da Escola, de convívio entre as diversas gerações.

auz554Ângelo de Sousa Tese de fim de curso "Fonte"  1963  Acetato de polivinil sobre platex  195 x 188 cm Esbapauz148 José Rodrigues Tese de fim de curso “ O Guardador do Sol", 1963  Bronze, 320 x 110 x 80 cm Esbap auz556Armando Alves “Évora”auz557Jorge Pinheiro Sem Título, 1962  Óleo sobre tela  80 x 100 cm Museu Berardo

A XI Exposição Magna – ESBAP

É precisamente em 1962 (ano em que aí iniciei o meu curso de arquitectura), com a realização da XI Exposição Magna que a ESBAP atinge um dos pontos mais altos do seu prestígio e influência.

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Em primeiro plano o modelo do “Marco Histórico” para o Tribunal Judicial de Évora obra do arquitecto Carlos Ramos

A XI Magna, atinge uma  importância e repercussão nacional sublinhada  por, sendo uma exposição escolar, pela primeira vez o Presidente da República presidir à sua inauguração (mesmo sendo o almirante Américo Tomás, é o Presidente da República!).auz525

Da esquerda para a direita , o ministro da Educação Manuel Lopes de Almeida, o presidente da Républica Américo Tomás, o presidente da Fundação Calouste Gulbenkian Azeredo Perdigão e o director da ESBAP  Carlos Ramos.

É publicado o “Boletim Especial da Escola Superior de Belas Artes do Porto 1962-1963” (de onde, aliás, são retiradas muitas destas fotografias e informações)

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Acompanhando a XI Exposição Magna a ESBAP expõe a sua coleção de “Desenhos dos séculos XVI a XIX” e expõe a colecção “Arte Negra” de Víctor Bandeira (esta relacionada com o início da guerra colonial e com o despertar do interesse pelas colónias).

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Um aspecto da exposição “Desenhos dos séculos XVI a XIX” – No painel da direita distingue-se o desenho de Henrique Pousão (1859.1884)

auz720Henrique Pousão “Nu feminino sentado”

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Um aspecto da exposição “Arte Negra” – os bronzes de Benim

A Exposição Magna engloba para além de trabalhos de alunos, os projectos, desenhos, pinturas e esculturas realizados pelos docentes candidatos aos Concursos para provimento de lugar de professores nos diversos grupos da Escola Superior de Belas Artes do Porto.

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Dois aspectos da exposição  dos trabalhos dos alunos.

As provas de Pintura

Das provas para professor de pintura, destaca-se a prova de grande composição com o tema “Faina fluvial no Douro”, uma temática cara aos artistas neo-realistas.auz533

Exposição das provas para professores de pintura tendo em 1º plano os trabalhos de Guilherme Camarinha

Concorrem cinco pintores que haviam participado no Palácio de Justiça. Quer nestas obras de encomenda do Estado, quer nas provas académicas, apesar das temáticas impostas, nota-se a estética figurativa e neo-realista em que todos se formaram, há já uma procura de novos caminhos, no tratamento mais simplificado das figuras, evidente na pintura de Júlio Resende.auz541

Prova de grande composição de Guilherme Camarinha óleo 165x200 cmauz542

Prova de grande composição de Augusto Gomes óleo 170x200 cmauz545

Prova de grande composição de Amândio Silva 200x200 cmauz546

Prova de grande composição de Souza Felgueirasauz543

Prova de grande composição de Júlio Resende óleo 150x200 cm

As provas de Desenho

Concorrem o pintor António Cruz e o escultor Lagoa Henriques.auz550    auz551

Prova de António Cruz carvão 100x130 cm e prova de Lagoa Henriques carvão 100x130 cm.    

As provas de Escultura

A prova de grande composição tinha por tema a “Maturidade”.auz527

Exposição das provas para professores de Arquitectura e de Esculturaauz549    auz548

Prova do escultor Gustavo Bastos gesso 70x75x230 cm e prova do escultor Eduardo Tavares

As provas para professor de Urbanismo

As provas de Projecto para professor de Urbanismo e para professor de Arquitectura tem temas decorrentes do Plano Director da Cidade do Porto de Robert Auzelle. Assim o tema do projecto de Composição de Urbanologia era o “Plano parcial de urbanização da zona de Nevogilde”, a que concorrem os arquitectos David Moreira da Silva, João Andersen e Fernando Borges de Campos, que mostraremos mais adiante neste texto quando nos ocuparmos das propostas do Plano Director para a zona da Foz e Nevogilde.

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Exposição das provas para professores de Urbanismo

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As propostas do Concurso para Professor de Arquitectura

O Plano propõe, sem complexos, a demolição integral do quarteirão e a criação de um edifício destinado a comércio e a escritórios.

O tema é “Um Centro Comercial” localizado no quarteirão a norte do edifício da Reitoria e Faculdade de Ciências, “de configuração rectangular, com cerca de 5600 (cinco mil e seiscentos ) metros quadrados de superfície”. O projecto deve ser integrado no Plano de Pormenor do Plano Director da Cidade do Porto de Robert Auzelle, que “além de prever o prolongamento da Avenida de Ceuta” prevê um “novo sistema de circulações da Praça de Carlos Alberto.”

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Praça de Carlos Alberto - Fotografia do Plano Regulador de A. Almeida Garrett, início dos anos 50, onde se vê a fachada virada a poente do quarteirão a demolir.

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O quarteirão numa fotografia da Foto Beleza dos anos 40

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O quarteirão na actualidade

O programa prevê “um centro comercial por excelência, de características nitidamente urbanas” que seria o 1º centro comercial no Porto, e chama a atenção “no estudo do problema proposto” para “o quadro urbano, a um tempo arqueológico e monumental” com os “ edifícios da Reitoria e Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e do Convento e Igreja do Carmo e, já não tão perto, mas ainda na zona de influência da Igreja e Torre dos Clérigos e Hospital Geral de Santo António” e ainda para a “recente construção do Palácio de Justiça a cerca de uns escassos duzentos metros deste centro comercial” e que “ provocou já ou provocará, a seu tempo, a instalação ou a transferência de escritórios e serviços forenses para a sua proximidade.”

E o programa salienta que “nenhum parque de estacionamento privativo deverá ser considerado além do da zona de serviço eventual, pois a proximidade do que se projecta instalar na Praça de Lisboa, servirá, com relativa comodidade, quem para ali se dirija em qualquer tipo de viatura.”

Estas propostas, embora realizadas num âmbito académico, procuravam ser exequíveis, na concretização do Plano, e também nos podemos perguntar o que seria hoje a zona se alguma delas tivesse sido de facto concretizada. Mas elas mostram ainda, quais as preocupações e qual o tipo de intervenção dos arquitectos portuenses na época.

O estudo de Fernando Távora

Fernando Távora, que apresenta como  dissertação “Da Organização do Espaço”, elabora um cuidado e exequível ante projecto para o Centro Comercial. De notar a apresentação, com um conjunto de perspectivas que realçam a dimensão e a integração urbana da proposta.

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Távora propõe um edifício com um “corpo relativamente baixo (cave e 3 pisos) que ocupa praticamente toda a área do quarteirão” … “com cércea condicio­nada pela Igreja do Carmo e restantes edifícios, (e que) «adere» aos alinhamentos tradicionais, que não sentimos necessidade de alte­rar na sua essência” a que se opõe “um corpo alto (cave e 15 pisos), de pequena superfície de implantação,… “de escri­tórios, e que “constitui como que uma manifestação de presença em face do anonimato do corpo baixo que por aderência e simpa­tia com as formas preexistentes as vai acompanhando, crian­do-se assim um jogo de formas que, sabendo respeitar, sabe também impor-se, dualidade de atitudes sempre difícil de con­seguir não apenas no caso particular da arquitectura, mas no caso mais amplo da própria vida, de que a arquitectura cons­titui aliás, quando autêntica, uma perfeita tradução.

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Corte

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Alçado nascente

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Alçado sul

O edifício assenta em pilotis, prolongando a praça Gomes Teixeira (praça dos Leões) para o “piso térreo do corpo comercial” criando “uma verdadeira praceta comercial coberta" e "permitindo assim que o público percorra livre e francamente o interior do edifício e por seu intermédio, utilizando passagens cobertas que constituem espa­ços de diferente e variada expressão (…)  atravesse fácil e agradavelmente o quarteirão, quer no sentido de encurtar percursos ou de obter percursos protegidos, quer no sentido de encontrar percursos visualmente mais tenta­dores”

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Planta 2 - Piso térreo

“É deste «percurso horizontal» (…) que parte uma escada rolante que estabelece ligações com os dois pisos do supermercado; outros dois sistemas de comunicações verticais, dando sobre passeios exteriores, tentam ainda os pos­síveis compradores a subir até ao supermercado.”

Nota – A primeira escada rolante a ser instalada num espaço público do Porto, julgo ter sido nos anos 70, no Centro Comercial Brasília ele mesmo o primeiro Centro Comercial de grande dimensão na cidade.

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Planta 3 – pisos 1 e 2 Supermercado

Uma vez no 2.° piso deste, o acesso do público a qualquer dos pisos do restaurante será feito através de escada.”auz135

Planta 4 – torre de escritório e coberturas do corpo de comércio

A torre

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A fachada voltada a norte

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V4 Vista da praça Guilherme Gomes Fernandes. À direita Távora desenha a Casa Barroso Pereira de cerca de 1750 e atribuída a Nicolau Nasoni, e na época, ainda existente.

Num momento em que a tipologia de torre (edifício em altura e com uma planta sensivelmente quadrada ou circular) começa a ser utlizada no Porto, Fernando Távora, que nestes anos estuda esta tipologia (entre outros o projecto para o Plano da zona central de Aveiro) também aqui projecta uma torre. Considera que a “torre de escritórios não colide com a Torre dos Clérigos, quer pela distância que as separa, quer pela sua diferença de volumes, quer ainda pelo corpo baixo que entre eles se interpõe”, o que não é pacífico, já que a torre projectada podia, na minha opinião, colidir com a vista da torre dos Clérigos no enfiamento da rua de Cedofeita.

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rua de Cedofeita – in O Tripeiro, 1952 (também no blogue Porto Nobre)

Já quanto à relação com as igrejas do Carmo e dos Carmelitas Távora considera que não existe qualquer conflito visual “pois que quando estas aparecem em primeiro plano a torre de escritórios aparece apenas como um elemento de fundo, animando, com o edifício do restaurante, o perfil do corpo baixo destinado a comércio.”

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V1 – Vista do Carmo

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V2 – Vista da praça de Lisboa

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V3 – Vista da praça de Parada Leitão

 Fernando Távora na “frente sobre a Praça de Gomes Teixeira” cria uma flexão para cortar uma certa frieza que o alinhamento recto actual ali apre­senta e até para a integrar num ritmo de movimento que as outras fachadas teriam de possuir e que aqui e ali se encontra em soluções do passado, inserindo-se desse modo o referido corpo comercial nos espaços e formas envolventes como se já ali existisse há muitos anos.” E assinalando o corpo do restaurante coloca no seu cimo um elemento escultórico lembrando a “Mão Aberta” de Le Corbusier para Chandigard. O mesmo elemento será utilizado e de um modo semelhante em 1967, pelo arquitecto italiano Giuseppe Samonà (1898–1983) no projecto que apresenta a concurso para os Uffici della Camera dei Deputati  em Roma.

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Le Corbusier (1887-1965) La Main Ouverte Chandigarh 1952/59auz290

Giuseppe Samonà (1898–1983) projecto para os Uffici della Camera dei Deputati  Roma 1967 (não realizado)

O estudo de Octávio Lixa Filgueiras

Octávio Lixa Filgueiras, que apresenta como disseratação “Da Responsabilidade Social do Arquitecto, numa Época de Encruzilhada” , elabora um ante-projecto de clara influência de F.L. Wright, “concebido para ir ao encontro duma vida tão peculiar como é a da Zona Central da cidade” e preocupado sobretudo com uma perfeita integração volumétrica no contexto envolvente: “há que contar com a variedade de elementos de desigual valor que imprimem características especiais à Zona, nomeadamente quando, em vizinhança, se distribuem edifícios neoclássicos e barrocos em malha urbana originalmente irre­gular.” E por isso o “nosso edifício além de ser concebido sob uma forma que não choque com o ambiente envolvente deverá promover um determinado tipo de enquadramentos que permitam uma maior disciplina no arranjo urbanístico local, valorizando aqueles ele­mentos de composição já existentes que por índole própria mais obrigam a matéria dessa mesma disciplina.”

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Planta Geral

Filgueiras elenca um conjunto de condicionantes para a conformação do edifício que deverá “apresentar uma ordenação de volume que:

a) na vizinhança respeitem ou não absorvam o Edifício da Ordem do Carmo e as duas Igrejas que o rematam;

b) valorizem os enfiamentos das Ruas de Cedofeita, da Fábrica e de Ceuta, sem, no entanto, e em qualquer caso, brigarem com as perspectivas possíveis — e domi­nantes — da Torre dos Clérigos;

c) ajudem a marcar a continuidade espacial, Largo de Santa Teresa — Largo terminal da Rua de Ceuta —, apesar das diferenças de nivelamento do terreno.”

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Planta do r/c

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corte longitudinal

O “edifício foi concebido como que desabrochando a partir do interior, isto é, com uma estrutura tipicamente inte­rior, libertando as fachadas de qualquer elemento principal de resistência; as suas fachadas, libertas, definem-se como um joga de volumes em que predomina o vidro e uma ligeira arma­dura metálica de apoio. Considerou-se como dominante o eixo de composição imposto pelo Edifício da Universidade, mantendo-se, por isso, a Fonte dos Leões no mesmo lugar e subor­dinando-lhe o jogo principal da fachada do novo edifício. A ligação do prolongamento da Rua de Ceuta com a Praça Carlos Alberto determinou a necessidade de se considerar uma solução de rótulo para esse canto, que igualmente era pedida pelos pontos de vista dominantes no interior da Praça Carlos Alberto.”

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Filgueiras faz uma referência expressa à “arquitectura orgânica”, conceito desenvolvido por Bruno Zevi “ uma construção expressa em termos de «de dentro para fora», com as consequentes relações ou analogias com a estruturação de muitas espécies de seres vivos” e a F. L. Wright ao conceber “ uma solução estrutural que na aparência lembra algumas realizações de F. L, Wright”  com um “conjunto de pilares dos quais desabrocham, como umbelas, consolas circulares sob as quais assentam as lajes dos pavimentos.”

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F. L. Wright, na época torna-se conhecido em Portugal para além dos arquitectos e das revistas da especialidade.

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O Século Ilustrado, Nº 1199, Dezembro 24 1960 – 20 in http://revistaantigaportuguesa.blogspot.com/

O projecto de O.L. Filgueiras inspira-se directamente no edifício sede da empresa  Johnson Wax de 1936/39, com as suas colunas fungiformes, e que tem uma larga difusão nos meios disciplinares no pós guerra.

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Johnson Wax Administration Building 1936/39 Racine Wiscosin USA

O estudo de José Carlos Loureiro

José Carlos Loureiro, apresenta uma dissertação com o título de “O Azulejo, possibilidades da sua reintegração na arquitectura portuguesa”  analisando as pesquisas e os ensaios que então realiza na aplicação do azulejo no revestimento exterior dos edifícios. O seu ante-projecto baseia-se na criação de um local onde “o peão disponha de lugar para perma­necer tranquilamente, distante da rua de onde foi escorraçado pelo automóvel ou do passeio exíguo onde o espaço lhe é ine­xoravelmente restringido, cada dia que passa; (…) onde se possa sentar e estabelecer uma pausa no ritmo frenético da sua vida enquanto saboreia, entre dois dedos de cavaco, uma bebida reconfortante ou descansar simplesmente rodeado por um espaço fechado por árvores, por edifícios vetustos e pelo céu luminoso.”

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Alterando a forma da praça Gomes Teixeira, criando um edifício com uma implantação em triângulo, (composto por um edifício de rés do chão e dois pisos, e onde se eleva o corpo de escritórios de 9 pisos), de modo a tornar visível a torre dos Clérigos a partir da  praça de Carlos Alberto, e deslocando a fonte dos Leões “para um ponto crítico de articulação da composição.”

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V1 – perspectiva da praça Gomes Teixeira.

Assim ao “quarteirão hermético fez-se suceder um amplo largo lajeado, com uma parte coberta num sentido claramente receptivo, onde as pessoas podem tranquilamente ver as montras e conversar.” E J.C. Loureiro cria um espaço que se abre “na direcção dos mais belos motivos da vizinhança: fachada lateral da Igreja, Ordem do Carmo e Jardim da Cordoaria. À esquerda pela abertura entre o edifí­cio da Faculdade de Ciências e o cunhal mais avançado para Sul do Centro Comercial, a Torre dos Clérigos que agora só muito limitadamente participa do Largo dos Leões, estará per­manentemente, com a sua bela silhueta, na paisagem local.”

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Coerente com as suas experiências na utilização do azulejo Loureiro propõe uma “arquitectura que utiliza materiais modernos, como o betão armado, permitindo a realização de espaços largamente dimen­sionados, mas faz chamada a outros com tradições predominan­tes na cidade e no próprio local, como o granito e o azulejo, sujeitando-os claramente a uma nova concepção estética que, não ignorando a escala dos valores existentes, atribui ao Cen­tro uma singela dignidade que o integra de forma correcta entre a exuberância barroca da Igreja e a austera sobriedade do Edifício da Ordem do Carmo.”

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A área central nascente – a Praça dos Poveiros

Para o lado nascente da área central, o Plano propõe o arranjo da praça dos Poveiros. O Plano propõe “suprimir a rua que actualmente limita a Praça dos Poveiros pelo lado nascente” e a “demolição do quarteirão entre a Praça dos Poveiros e o largo da Ramadinha.”

O Plano propõe ainda a “construção de um pavimento sobreelevado relativamente à praça”, aumentando substancialmente “o local de estacionamento de veículos auto­móveis” e recuperando “toda a área actual para logradouro público.”,

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Plano Auzelle Volume III – Arranjo da Praça dos Poveiros

Neste amplo logradouro público seria edificado a sul um “alinhamento comercial” com uma “pequena passagem para peões (estabelecendo) “a liga­ção de percursos pedestres entre o jardim de S. Lázaro e o novo arranjo.”

Mas a propostas para a praça dos Poveiros é sobretudo marcada pela edificação de um “imóvel de 14 pisos implantado (…) no eixo da rua de Passos Manuel”, correspondendo ao sentido de modernidade da época, e que, como se sabe também nunca será concretizado.

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Continua…

1 comentário:

  1. Só para dizer que o blog continua fantástico. A. Günther

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