Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















sábado, 21 de maio de 2011

Os Planos para o Porto–dos Almadas aos nossos dias 8 (conclusão 1)

 

A Avenida Nun’Álvares

Como ainda hoje, 50 anos depois, está a C.M.P. (forçosamente noutras circunstâncias) a decidir a abertura da Avenida Nun’Álvares e o planeamento das sua margens, tem interesse analisar as propostas feitas na época do Plano.

A avenida nasceu da necessidade de articular o porto de Leixões e Matosinhos com o centro da cidade do Porto, em particular a zona ribeirinha e a Alfândega, libertando as avenidas do Brasil e Montevideu do trânsito de pesados. Por isso o Plano Regulador de Almeida Garrett previa a “libertação das praias do trânsito rápido e de velocidade pelo desdobramento da Marginal pela Avenida de Nun' Álvares”. O Plano Director de Robert Auzelle vai retomar esta proposta embora com um diferente traçado. Numa zona com a forma de um triângulo, delimitada pela Avenida da Boavista, a Avenida Gomes da Costa, é realizado um estudo de urbanização pelo arquitecto Carvalho Dias, que vai servir de base ao concurso para professor de Urbanologia na ESBAP em 1961/62.

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Os trabalhos do concurso na XI Exposição Magna da ESBAP em 1962

Assim no programa do concurso considera-se que “facultados aos candidatos todos os possíveis elementos de consulta e, mais do que consulta, uma solução municipal para a malha interior dos arruamentos da zona de Nevogilde— vias secundárias e vias de serviço, segundo a própria designação oficial — solicita-se que, embora mantendo intactas as vias principais periféricas, cada um dos candidatos, analisado o problema e dispondo do seu livre espírito crítico, opte por essa ou por qualquer outra malha interior que entenda oferecer, sobre aquela, vantagens que, em seu critério, o conduzam a preferi-la, desde que plenamente justificada.”

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Planta base do concurso

No programa do concurso prevê-se uma “zona residencial que cada candidato estruturará como melhor entender, distribuindo a população que a ela se destina nas condições mais favoráveis e organizando os espaços de acordo com um tipo de equipamento, que na sua essência, deverá satisfazer igualmente as necessidades das Zonas da Foz Nova e Dominicanos, no que a estes possa faltar.” E propõe como equipamentos: “a) — Um Centro Cívico, com cinema e sala de reuniões, biblioteca, serviços administrativos, etc.; b) — Um Centro Comercial, numa ampla praça de peões constituído por pequenos edifícios comerciais ou de habitação e comércio; c) — Um Centro Religioso, destinado a substituir a sede da actual paróquia de Nevogilde. Com efeito através do inquérito efectuado às condições actuais das paróquias citadinas, verificou-se a necessidade da transferência da de Nevogilde para outro local, por impossibilidade da sua ampliação; d) — Um Centro Desportivo, para o que estará possivelmente indicado o aproveitamento e a ampliação das instalações existentes que quase se limitam à existência de um campo de «foot-ball»; e) — Um Liceu Misto e f)—Escolas Primarias, tendo em atenção as já existentes, assinaladas na planta que se fornece à escala de 1:5000.

É dado como condicionante “a construção de um Hotel dispondo de piscina de marés, aproveitando, para o efeito, o molhe que entesta a rua do mesmo nome, Hotel que se localizará na plataforma existente ao nível da Avenida do Brasil” e “um restaurante, um bar, um dancing, uma sala de jogos, etc., ao nível baixo valorizará o local e constituirá ponte de atracção turística a considerar.”

Apresentam-se ao concurso três arquitectos.

1 - João Mello Breyner Andersen (1920/1967), que apresenta no Concurso para Professor de Urbanologia , uma dissertação "Para Uma Cidade Mais Humana".

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Nesta, João Andersen mantendo-se ainda ligado aos princípios da Carta de Atenas, "...os princípios da Carta de Atenas mantêm-se certos, simplesmente, apesar de tudo, o indivíduo - o homem - parece não ter encontrado aí ainda a definição do seu habitat. Não consideramos no entanto ultrapassados, no sentido negativo do termo, os princípios da Carta de Atenas, simplesmente cremos que eles atingiram apenas os seus objectivos primeiros, isto é, a formulação de muitos dos problemas que informam a cidade de hoje e a criação de uma nova mentalidade urbanística", formula no entanto, muitas das preocupações dos urbanistas da época: a necessidade do Plano Regional como infra estrutura necessária para planos de menor escala; as preocupações com o aumento demográfico e com os problemas de circulação nas cidades; os problemas da escala das realizações efectuadas, criticando já o "gigantismo" dos espaços de Brasília e defendendo as realizações das cidades satélite de Harlow no Reino Unido e Wallingby na Suécia; a necessidade de colocar os problemas do urbano em parâmetros científicos ou seja, passar do Urbanismo para a Urbanologia; e, finalmente, as questões prementes do planeamento à escala nacional.

A prova de Composição

A sua proposta de plano de urbanização, é sem dúvida a mais consistente e interessante, e João Andersen vai aplicar os conceitos que havia desenvolvido na sua Dissertação.

Começando por analisar a área a urbanizar, detecta três zonas, as quais descreve cuidadosamente dando-nos um panorama da área nos inícios dos anos 6o:

“1 — A parte a ocidente, já comprometida por toda uma malha viária em xadrez, de ruas paralelas e perpen­diculares à costa, que constitui a chamada «Foz Nova» …(que) …apresenta características nitidamente residenciais, embora mal apetrechada em matéria de apoio comercial local e de estabelecimentos de Ensino Oficial, o que a levou a ser considerada com um tipo de cidade-dormitório, ainda que dotada de certa vida social fechada que a tem carac­terizado, facilitada, senão provocada, pela grande zona rural que se interpõe desde longa data, entre ela e a restante parte urbana do Porto. Verifica-se porém que esse carácter tende ultimamente a desaparecer, não só devido a uma maior faci­lidade de transportes rápidos, como pela continuidade cada vez mais acentuada na direcção do centro urbano da cidade provocada pela abertura da Avenida Marechal Gomes da Costa, com toda a consequente urbanização envolvente. O facto desta zona se desenvolver ao longo do mar, com as suas praias, e o seu carácter isolado e sossegado, transformou esta parte do litoral num local residencial de eleição para uma parte de população de maior nível de vida, reflectida aliás nas boas e cuidadas moradias que aqui se encontram, apesar de se notar ultimamente a construção de alguns blocos de andares.”

2 — A parte oriental, onde começou já uma urbanização do mesmo tipo e onde a presença dos Padres Domi­nicanos, com a sua Igreja e Convento, torna já esta zona conhecida por Zona dos Dominicanos …(que)…embora mais recente, é igualmente uma zona estritamente residencial, constituída por moradias igualmente reveladoras dum bom nível de vida dos seus habitantes. Há aqui a assinalar a presença duma recente praceta, sobre a qual dá a Igreja dos Dominicanos, um prédio de andares cujo rés-do-chão é ocupado por estabelecimentos comerciais. (nota-trata-se do bloco projectado pelo arquitecto Pereira da Costa e referido neste blogue em). Neste pequeno conjunto esboça-se um princípio de centro de inte­resse social à escala vicinal. De resto, o apoio comercial desta zona é praticamente nulo.

3 — O terreno intermediário entre as duas zonas citadas e de características predominantemente rurais, refor­çadas por um ou outro agrupamento habitacional…(uma)… grande zona intermédia, de carácter rural, como acon­tece ainda em tantos outros pontos da Cidade do Porto. Apresenta esta zona aspectos curiosos, dignos de serem salva­guardados pelo contraste agradável que oferecem em relação à grande parte urbanizada da cidade. Chamou-nos neste capí­tulo a atenção o conjunto onde se situa a Igreja de Nevogilde, formando um Largo pitoresco e calmo, no meio do qual se situa a bela Igreja, de pequenas proporções, mas de vincado sabor arquitectónico. Em torno desse largo arborizado, dispõem-se um conjunto de moradias cuidadas, que são testemu­nhas agradáveis doutros tempos e devidamente integradas no ambiente local. No fundo da Travessa de Nevogilde, situa-se uma outra moradia integrada num belo jardim cercado por muros altos que representa no seu conjunto um valor a manter.

De resto, nota-se a presença de casario pobre, de explora­ção rural, anacrónico dentro duma cidade, o qual dá albergue a diversas famílias, em condições higienicamente indesejáveis. A par destas figuram outras, de construção mais recente, embora sem grande interesse arquitectónico, mas a respeitar pelo valor que representam e porque oferecem já as devidas condições de habitabilidade. Caracteriza ainda esta zona a existência de manchas de arvoredo (pinheiros sobretudo) que lhe dão um ar agradável de paisagem rural e que tornam o local saudável. Na maioria dos terrenos livres faz-se lavoura, pelos processos mais primitivos, o que, embora pese o carácter pitoresco que esse espectáculo empresta por contraste a uma cidade, tem na verdade o seu quê de anacrónico nesta época, em que há ainda uma grande população urbana mal alojada. Há, pois, que con­quistar esses terrenos para lhes dar um destino mais de acordo com as necessidades duma cidade, acabando-se pois com o habitat rural que ainda abunda no Porto.”

De seguida Andersen refere os equipamentos existentes, referindo o Colégio Brotero como a única escola existente na zona e ainda assim um colégio particular, “situado ao fundo da Avenida Marechal Gomes da Costa, próximo da Praça do Império (…)onde se administra o Ensino Primário e o Ensino Secundário, com uma frequência actual de mais de 600 alunos.”

“Quanto a equipamento comercial, pode-se dizer que ele não só é francamente insuficiente para os 8 700 habitantes actuais, como o pouco que existe situa-se na extremidade Sul da Foz Nova, portanto em más condições de servir eficientemente todo este vasto sector da Cidade. O pequeno agrupamento de lojas recente, junto ao Convento dos Dominicanos, veio atenuar grandemente essa falha, mas continua a ser pouco para as necessidades normais, tanto mais que interessa mais directa­mente à Zona dos Dominicanos e Avenida Marechal Gomes da Costa.”

“A assistência religiosa apoia-se na Igreja de Nevogilde, situada na zona intermédia, mas sem condições para exercer a sua fun­ção paroquial, na Igreja dos Dominicanos e uma Capela que se situa numa esquina da Avenida Marechal Saldanha — Rua do Crasto.”

“A actividade desportiva resume-se à presença dum campo de futebol, de terra batida, sem instalações complementares, situado na Zona intermediária rural.” (O campo da Ervilha !).

Quanto aos transportes a ligação com o centro da Cidade faz-se “por meio de eléctricos, ao longo da Ave­nida da Boavista e Avenida Brasil, enquanto que os autocarros servem este sector através da Avenida Gomes da Costa, atra­vessando depois a Foz Nova, paralelamente ao mar.”

E Andersen termina esta análise, apontando a orla marítima que constitui “na época própria um centro balnear de primordial importância para a cidade do Porto, embora, devido à escassez cada vez mais acentuada de areia, os banhistas se concentram actualmente mais na faixa litoral vizinha, compreendida entre o Castelo do Queijo e o porto de Leixões” e apontando uma função que esta marginal continua a desempenhar já que “nas noites quentes de Verão se concentra quem pode e quem deseja um pouco de ar fresco e de convívio social que essas belas noites propor­cionam. Não é pois demasiado encarar esta função urbana e social que a Foz Nova vem desempenhando, ao longo dos anos em relação à Cidade, cada vez mais facilitada pela crescente facilidade de transportes.”

A proposta de Anteplano

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A partir do esquema viário do Plano Director, Andersen propõe um zonamento em que considera 4 sectores:

Sector A — compreendido entre a Avenida da Boavista, a pro­jectada Avenida Central e um troço do ramo ascendente do Sistema de Travessia, com uma área de 46,0045 hectares… (e)…constituirá uma Unidade de Vizinhança, à ilharga da qual se localizou o Liceu Misto pedido no programa.” Neste sector “está integrado o belo conjunto onde se encon­tra a Igreja de Nevogilde, que se procurou manter intacto na sua estrutura espontânea. Mantiveram-se também intactas, e elas vão bem definidas na planta de apresentação, determina­das propriedades com belos jardins e arvoredo, pois são ele­mentos de valorização insubstituíveis.”

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Para este sector o anteplano de Andersen propõe apenas a “supressão de edi­ficações demasiado modestas, constituindo habitais impróprios, cujos ocupantes se entregam a trabalhos de lavoura” e a manutenção dos “arrua­mentos existentes, embora se alarguem ou rectifiquem onde necessário e possível, e se prolonguem quando se tornou van­tajoso.”

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No sector A, João Andersen propõe ao longo da Avenida da Boavista, a edificação de “um grupo de 8 blocos para habitações, com 8 andares cada (…) com acesso pelo inte­rior do sector” por forma a “quebrar o carác­ter monótono daquela Avenida, criando um prolongamento espacial lateral, de forma a não acentuar tanto a grande e desagradável desproporção entre o seu comprimento e a sua largura, o que seria mais notório se se destinasse à construção de vivendas essa faixa de terreno, como se vem fazendo. Aliás o futuro Parque da Cidade, localizado no lado oposto será também altamente favorável neste sentido.”

E o urbanista sugere que, de iniciativa pública ou privada, se edifiquem neste sector “os mais variados tipos, que vão desde a moradia individual (em número reduzido aliás) até a um bloco de 14 andares, que se encontra junto ao Liceu” num conjunto que “constitui organicamente aquilo a que hoje se chama uma Unidade de Vizinhança, isto é, um conjunto resi­dencial dotado duma primeira auto-suficiência.”

Para isso propõe “um pequeno Centro Comercial, disposto em torno duma praceta, que devido à topografia local, se desenvolverá em duas plataformas, ligadas por escadarias. É constituído por um conjunto de edifícios de 3 e 4 pisos, cujo rés-do-chão é destinado a estabelecimentos comerciais do uso diário, tais como mercearia, drogaria, leitaria, padaria, farmácia, café, etc., além dum pequeno cinema e centro social, com o seu salão de reuniões. Há a acrescentar ainda a presença de determinado artesanato, tal como, alfaiataria, cabeleireiros, lavandaria e tin­turaria, etc., além do picheleiro, o carpinteiro, o electricista e mais quem venha exercer aqui a sua actividade, em proveito próprio e da população que vai servir.”

“Em matéria de assistência infantil distribuiu-se pelo conjunto 4 creches e 4 jardins infantis. A escola primária, com 18 salas, com capacidade para 700 alunos (10 % da população corres­pondente), situou-se no centro da composição, de forma a ser­vir da melhor maneira toda a população em idade escolar, tendo-se admitido como raio de acção máximo 800 metros, e de forma a que as crianças só tenham que atravessar no seu trajecto artérias de trânsito local, isto é, à escala vicinal. O local escolhido é rodeado dum pinhal, o que lhe dará certamente melhor enquadramento.”

E para este sector é previsto um parque com “uma pequena biblioteca junto a um espelho de água, recinto de jogos para crianças e abri­gos” e junto a este o “Liceu Misto…(com)… uma área de 28 000 m.2 aproximadamente” e “ladeado a Nas­cente por uma ampla esplanada de acesso, que o separa duma praceta de estacionamento de carros, com abrigos, praceta esta que serve igualmente um bloco de habitações, em forma de torre, com 15 pisos, além dum pavilhão de chá, integrado num pequeno ambiente de parque.”

Sector B — limitado pela Avenida Marechal Gomes da Costa, a Avenida da Boavista e o restante troço do ramo ascendente do Sistema de Travessia.” auz933c

“Corresponde a este sector uma área de 72,1211 hectares…(e) constituirá uma segunda Unidade de Vizinhança, na qual se integrou o Centro Desportivo e Parque comuns a toda a zona de Nevogilde, aproveitando a existência dum campo de futebol.”

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Neste sector Andersen pretende conciliar a urbanização existente com a projectada com outro “espírito, mais livre e maleável, com grande predomínio de espaços livres, no meio dos quais se integram os volumes projectados.” Entre as duas urbanizações a reformulação da praceta onde se situa a Igreja dos Dominicanos e o bloco já referido, (praça Afonso V) com a criação de um “ Centro Comercial (C. C. B.)” e propondo do lado Norte, Poente e Sul (…) dois edifícios extensos, destinados a comércio, escritórios e habitações, e por um em forma de torre, de 10 andares, des­tinado a escritórios e habitações. Este conjunto de edifícios é ligado por um pórtico para abrigo dos peões.”

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“A este sector B fica destinado uma população da ordem dos 6 782 habitantes, aproximadamente, ou seja, prevê-se um aumento, em relação à população actual, de 4705 habitantes.

Tal como aconteceu no sector A, distribuiu-se esta nova popula­ção por diferentes tipos de habitação, ou seja desde a moradia unifamiliar até ao bloco-torre de andares. Constituíram-se assim diversos núcleos, agrupando as Habitações Económicas, as de Renda Económica, ou aquelas entregues à iniciativa privada, conforme se poderá observar pela leitura da respectiva planta e mapa de distribuição, através do qual se poderá verificar que predominam, pelas razões já invocadas em relação ao Sector A, os agrupamentos de habitações multifamiliares.”

Este sector B seria equipado por “um Grupo Escolar de 16 salas para 670 alunos, destinando-lhe uma área de terreno da ordem dos 5 400 m.2” e de um “conjunto de 4 Jardins Infantis e 3 Creches.”

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Mas este sector é sobretudo caracterizado pelo “Centro Desportivo, junto à bifurcação da Avenida Central, Centro este que se desenvolve à escala de toda a Zona de Nevogilde, assim como o Parque que lhe dá seguimento. Este Centro Desportivo, que já des­crevemos, seria tratado e valorizado de forma a ser um foco de atracção de todos os habitantes, servindo não só para a prática da mais variada cultura física, como para promover o mais desejável convívio social. Aproveitando as zonas arbo­rizadas existentes abaixo do miradouro, e a natureza aciden­tada e húmida do terreno, o Centro prolongou-se em Parque até junto do Centro Comercial, isto é, até às traseiras dos talhões sobre a Avenida do Marechal Gomes da Costa.”

Sector C — compreendido entre os dois ramos do Sistema de Travessia, já atrás definido, com uma área de 21,780 hectares (…) o local mais indicado para o Centro Cívico, Comercial, Cultural e Religioso, que passare­mos a denominar no seu conjunto por Centro Comum, dadas as circunstâncias do seu uso ser comum a todos os habitantes desta zona.

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Assim, o Centro Comum forma com o Centro Des­portivo o Parque e com o Liceu, um conjunto localizado no centro de toda a composição, como está naturalmente indicado, tendo em vista a vasta área de terreno e a população a servir, apesar de que cada um dos outros sectores terão à sua dis­posição, centros comerciais próprios, à escala vicinal. A restante parte deste sector C será destinado a Unidades resi­denciais.”

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O Centro Comum, é concebido “com certa largueza, de forma a poder comportar um determinado número de actividades inerentes a uma população da ordem dos 23 000 habitantes” numa “política de descentralização urbana que se vem esboçando custosamente na cidade do Porto, a fim de aliviar não só o centro da cidade duma população que lá se desloca diariamente por não encontrar nas suas zonas residen­ciais aquilo que precisa, como se contribui para desconges­tionar o tráfego urbano, ao mesmo tempo que se dotaria a Zona de Nevogilde duma auto-suficiência conveniente” evitando “deste modo que qualquer dona de casa se tivesse que deslocar à cidade (é assim que para estes lados ainda se designa a Praça e o conjunto de ruas que a cercam), para comprar um par de sapatos para crianças, ou ir ao cabeleireiro. Um pequeno mundo de negócios se poderia instalar neste Cen­tro, provocando uma vida própria, na qual se integravam as actividades culturais, religiosas, os cafés, os centros de diver­são, etc., fomentando ás relações sociais naturais, através des­tes espaços organizados e variados, definidos pela série de praças e pracetas postas à disposição dos peões, uma vez que os automóveis servem este complexo urbano perifericamente.”

Este Centro Comum correspondia à ideia de criar na cidade um conjunto de subcentros “ para as Antas, para Campanhã, etc, de forma a serem criados outros e variados centros de interesse da Cidade.”

“O eixo principal da Composição é dado pela directriz da Rua do Crasto, no enfiamento da qual se situa a praça principal do Centro Comum, praça esta aberta a Poente e Sul. A Nas­cente e Norte é limitada por um bloco extensivo em L, des­tinado a comércio, escritórios e habitações, e por um edifício de 3 pisos, de base quadrada destinado a Supermercado. Do lado Poente desta praça, e com frente para ela, implantou-se o Centro Religioso, que não é mais do que a Igreja Paro­quial, com todas as instalações inerentes a tal Instituição e à escala da Zona de Nevogilde. Este conjunto de edifícios é ligado por um pórtico coberto para abrigo de peões, pór­tico que se prolonga para Sul e para Norte.  Do lado Sul, ele parte dum parque de estacionamento, serve um edifí­cio alto (20 andares) destinado a escritórios e habitações, Do lado Norte conduz os peões até ao Mercado, Centro de Saúde, e Centro Cultural, passando pelo meio dum parque que se projectou neste Centro Comum, aproveitando uma zona arborizada existente. Pareceu-nos de todo recomendável a integração deste elemento de sossego e frescura na vizinhança do ponto de maior actividade de todo o conjunto. Sobre este parque dá um edifício destinado a Centro Social, ou seja um conjunto compreendendo biblioteca, sala de exposições e reu­niões, clube, restaurante, etc. Uma praceta para a qual dá este edifício, do lado Norte, dotada dum amplo parque de esta­cionamento, serve igualmente o Cinema e o Teatro e Sala de Concertos. Resta-nos ainda referir um conjunto de edificações que se projectam entre a Praça Principal e o ramo ascendente do Sistema de Travessia; um corpo baixo, de 2 pisos, forma um pátio com o edifício destinado ao Supermercado, para onde se pensava abrir os cafés e restaurantes, num ambiente protegido e ao mesmo tempo integrado no centro das activi­dades deste Sector. A este corpo segue-se outro em forma de L, que se desenvolve em torno doutra praceta, servida por um parque de estacionamento, e que por sua vez é constituído por três volumes diferentes, destinando-se a comércio o rés--do-chão, admitindo uma passagem para peões e automóveis, sendo os 4 pisos superiores reservados a escritórios e habita­ções. No canto localizou-se uma ampla garagem de 2 pisos, funcionando igualmente de Estação de Serviço, à qual se segue um outro corpo de construção de 4 pisos, onde se instalavam diversos serviços de interesse público — Junta de Freguesia, Posto de Serviço contra Incêndios, Polícia, Correios, etc. Finalmente temos a assinalar a permanência dum conjunto de mora­dias existentes na Rua do Crasto; esse troço da rua será transformado essencialmente numa artéria de peões, isto é, sem passeios, mantendo-se as suas árvores, embora se admita que os automóveis aqui possam vir também. Aliás esta zona forma por trás dos. referidos edifícios, uma praceta de confi­guração irregular, que pode ser utilizada para estacionamento.”

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“Dentro deste Sector, mas fora do Centro Comum, para Norte, temos dois quarteirões envolvidos pelos inversores do Sistema de Travessia. Em relação ao primeiro, conservou-se um con­junto de 4 moradias com os seus jardins, e adaptou-se a parte restante de forma a poder comportar um certo número de habitações unifamiliares em ala contínua, dotadas de jardins privativos. O outro destinamos à implantação duma série de blocos-torres para habitações, adaptando-se à configuração do terreno. “

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“Os dois quarteirões do lado Sul foram destinados igualmente a conjuntos residenciais. O que se encosta ao Cen­tro Comum disporá dum parque-jardim que lhe fornecerá, sem dúvida, um ambiente agradável, uma vez que é exposto ao Sul e protegido dos ventos dominantes.”

Andersen propõe edificação em altura, como na época se impunha,neste Sector predominam as edificações altas, o que se justifica plenamente não só pelo facto de vir a ser um Sector muito valorizado por se encon­trar no centro da composição, próximo do Centro Comum e directamente servido pelo sistema de artérias que lhe garan­tem uma fácil e rápida comunicação com o centro da Cidade” mas como preocupação “que cada habitação possa desfrutar o belo panorama que lhe é for­necido pelo Atlântico.”

Este Sector C é equipado com “três jardins infantis, um integrado no conjunto de blocos resi­denciais a Norte, outro no Parque do Centro Comum e outro no conjunto de blocos residenciais a Sul” e partilha as Escolas Primárias com o Sector D recorrendo-se “a um tipo de cruzamentos a níveis diferentes, isto é, fazendo os peões atra­vessar de um Sector para o outro por meio de passagens infe­riores à faixa de rodagem dos carros, garantindo assim acessos directos às Escolas Primárias.”

“Sector D — igualmente já definido, ou seja constituído pela Foz Nova e umas parcelas de terrenos livres que se encos­tam ao ramo descendente do Sistema de Travessia, medindo 76 hectares (...) já praticamente estruturado duma forma total, manterá um carácter estático de zona residencial, além da sua função balnear.”

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“As zonas de terreno que ainda se encontram livres, são as do interior, isto é, encostadas ao dito ramo descendente. Aí mesmo manteve-se o carácter niti­damente residencial da Foz, embora se tenha adoptado em parte um tipo de urbanização diferente, a fim de se obter um maior rendimento populacional. De qualquer forma, o tipo de habitações previsto foi encarado como um sistema de transição entre o grande conjunto de moradias da Foz Nova, e os gran­des blocos projectados nos outros Sectores. Se aos 5 053 habi­tantes actuais deste Sector, acrescentamos 2 051 previstos em novas edificações, temos um conjunto de 7 014 habitantes, numa área de 76 hectares.”

João Andersen divide este Sector D em “dois subsectores — um para Norte da Rua do Crasto e outro para Sul desta mesma rua.”

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“O primeiro foi dotado com um Grupo Escolar de 12 salas, que serve não só esta parte da Foz Nova como a parte Norte do Sector C. Destinaram-se também ter­renos para a construção de Jardins Infantis, e criou-se um pequeno Centro Comercial local (C. C. D.), constituído por uma praceta com dois lados envolvidos por um edifício em L, destinando-se o rés-do-chão a Comércio, e os andares a habitações, Escritórios e Actividades inerentes a um conjunto destes, tais como cabeleireiros, alfaiates, etc. Um pequeno jardim-parque defronte do Centro Comercial, cria um local de ar livre que completa este equipamento de carácter comum, favo­rável ao fomento de relações sociais.”

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“O subsector Sul, comporta igualmente um Grupo Escolar, para 10 salas, servindo também a parte Sul do Sector C, e Jardins Infantis. Os restantes terrenos livres foram adaptados à cons­trução de blocos de habitação de 3 e 4 pisos. Quanto a comér­cio, não se contou com qualquer instalação especial, visto que existe já neste local determinada actividade comercial servindo os interesses imediatos da sua população, e dado ainda o facto da proximidade do Centro Comum.”

“Em relação à actividade balnear e turística que caracteriza a Foz, contou-se com a localização de um Hotel de 150 quartos, sobranceiro ao Mar, junto ao Molhe.” (Já previsto no Plano Director).

“É ainda de assinalar a importância que assume, em relação ao conjunto, a Rua do Crasto, que passará a exercer a função de veículo principal de todo o movimento entre a Foz Nova e o Centro Comum, cruzando a nível diferente o Sistema de Tra­vessia.”

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João Andersen Planta de Zonificação e Perfis

continua…

1 comentário:

  1. Gostei imenso de ver a apresentação deste projecto da avenida, que desconhecia por completo.
    A Avenida Nun Alvares foi o tema do meu trabalho final do curso de Arquitectura. Se conseguir abrir este link encontra algumas imagens do meu projecto. Se quiser deixe a sua opinião :)
    cumprimentos

    Link :
    http://www.facebook.com/media/set/?set=a.1429886159231.2057662.1595183366&type=3

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