Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















sábado, 21 de maio de 2011

Os Planos para o Porto–dos Almadas aos nossos dias 8 (conclusão 2)

2 - David Moreira da Silva (1909-2002), que no âmbito do Concurso Para Professor de Urbanologia apresenta uma Dissertação intitulada “Subsídios para a elaboração do Código Urbanístico Português” em que procura historiar a legislação portuguesa sobre urbanismo e as suas consequências em particular na cidade do Porto, ilustrando alguns exemplos com plantas e fotografias exemplificativas.

auz1040_thumb1

auz1041_thumb1

Rua de Carlos Malheiro Dias – Porto – Exemplo de má vizinhança de ordem estética, possibilitado por deficiente interpretação do Decreto-Lei n.º 38 382

auz1042_thumb1auz1043_thumb1

A zona na actualidade

O Plano de Urbanização

auz929_thumb2

A sua proposta de plano de urbanização corresponde à concepção de desenvolvimento da cidade na época com a criação de edifício em altura. Respeitando o traçado viário primário do Plano Director, cria uma via de acesso ao interior da área a urbanizar, sensivelmente onde hoje se localiza a rua de Sagres, onde localizará o Centro Cívico. (Com o n.º 1 o Cinema , com o n.º 2 a Sala de Reuniões e com o n.º 3 a Biblioteca).

auz1044d_thumb5

Ao longo desta via localiza um enfiamento de 6 “torres residenciais voltadas para o futuro Parque da Cidade e tendo por panorâmica de fundo o porto de Leixões e o oceano.”

auz1023_thumb2

Para além destas propõe ainda mais três torres: duas próximo da praça do Império e uma outra a norte da rua do Molhe.

auz1023a_thumb2

auz1023c_thumb2

Assim “cada uma destas (…) torres , num total de 9” com uma planta em forma de estrela de três pontas, “teria a altura máxima de 12 andares ou 13 pavimentos habitáveis, servidos por escadas e ascensores, ficando as respectivas garagens e eventuais arrecadações no subsolo.”

Os restantes edifícios de habitação seriam blocos de 3, 4 e 6 andares, e “moradias unifamiliares , geminadas e agrupadas não só junto à avenida da Boavista , mas, também na vizinhança imediata da parte antiga de Nevogilde que, com excepção das casas de lavoura do lugar de Passos, seria inteiramente conservada.”

Respondendo ao programa do concurso e “tendo em conta não só a importância desta zona residencial, mas, também, a existência da numerosa população dos bairros que lhe ficam próximos”, propõe e localiza diversos equipamentos:

— Uma Escola Técnica (na planta com o n.º 14) “pela imperiosa necessidade que, há muito, se vem fazendo sentir de não encaminhar para os liceus e as escolas superiores todos os que pretendem aprender alguma coisa para além da instrução primária. Esta escola ficou prevista no local destinado ao liceu, não sabe­mos ao certo se no Plano Regulador da cidade, se em ulterior solução proposta pelos Serviços Municipais ou seja num terreno situado entre a Avenida da Boavista e a Rua de Fez, a poente da fábrica de sedas Aviz. A escola congénere que, segundo cremos, lhe virá a ficar mais próxima é a que está em construção na Vila de Matosinhos.auz1044f_thumb4

— Um Centro Clínico (na planta assinalado por uma cruz) “para consulta geral, fornecimento de medicamentos, primeiros socorros e tratamento nos casos de doença ou sinistro. Este centro oficial, semioficial ou privado, está localizado nas proximidades do Centro Administrativo e da Nova Igreja de Nevogilde, (um projecto do arquitecto Luís Cunha que não se realizará), junto a uma zona verde ali existente.auz1044g_thumb2

— Várias escolas pré-primárias ou infantis” (na planta assinaladas com o n.º 15) “actualmente indis­pensáveis nas zonas residenciais devidamente equipadas, pelos inestimáveis serviços que prestam guardando os filhos de tenra idade, mormente quando nelas habitam numerosas mães que têm o seu dia normal de trabalho ocupado, dentro ou fora de casa, seriam tantas quantas as escolas primárias previstas.

— Duas grandes garagens mistas de estação de serviço, parque automóvel e respectivas oficinas de reparações; (na planta com os n.ºs 7 Parque Automóvel, n.º 8 Estação de Serviço e n.º 9 Oficina de Reparações)

Os conjuntos constituídos por grandes garagens, parques automóveis, respectivas oficinas de reparações e estações de serviço, hoje por toda a parte cada vez mais consideradas indis­pensáveis elementos de apoio das zonas residenciais de certo nível, que muito bem poderá vir a ser o da zona em referên­cia, ficariam:

Uma no seu extremo nordeste, junto da Avenida da Boavista, entre a fábrica de sedas Aviz e a Escola Técnica, já citada; auz1044h_thumb3

e, a outra, no seu extremo poente, nos primeiros terrenos ainda vagos, situados a nascente do actual casario da Foz Nova ou seja entre este e a via de circulação rápida, ligando a margem direita do Douro ao Porto de Leixões. auz1044c_thumb2

e — Um Centro Comercial (…) situado relativamente perto da área mais edificada da Foz Nova, que neste domínio está muito deficientemente servida, certo como é que a ampliação do Centro Comercial por nós prevista na zona dos Dominica­nos, embora necessária para vir a fazer face às exigências do considerável aumento populacional que a total ocupação das torres e blocos residenciais ali previstos provocariam, se situa­ria excessivamente longe daquela importante zona citadina, de apreciável interesse turístico e balnear.”auz1044e_thumb3

Detalhe da planta com a praça de Afonso V, a Igreja dos Dominicanos, e a proposta de Liceu (n.º13).

Além de todos estes elementos, ainda merecem uma breve refe­rência :

— Os elementos incluídos na ampliação do Centro Desportivo ou sejam: uma pista de atletismo, quatro campos de ténis, um de basquetebol e dois sectores de saltos em altura;auz1044a_thumb2

— As zonas verdes e faixas de protecção e reserva indicadas nas plantas de bonificação e urbanização, que a pouco e pouco deveriam passar a constituir o sistema de espaços livres públicos desta zona; e

— As características especiais dos Centros Comerciais, com acessos para veículos de abastecimento e outros, por um dos seus lados e acessos independentes para peões, por dois e três dos seus. restantes lados.

auz930_thumb2

David Moreira da Silva – Planta de Zonificação

3 – Concorre ainda Fernando António Lorenzini Borges de Campos que apresenta uma Dissertação intitulada “Planeamneto Urbano e Territorial ( Considerações sobre a sua natureza e o seu ensino no âmbito de um curso para a formação de arquitectos)” A sua proposta para o plano de urbanização é a menos desenvolvida, pelo que apenas se apresentam as duas plantas.

auz931auz932

A marginal fluvial

O Plano Director, na continuidade do aproveitamento turístico da orla marítima, também se refere à marginal fluvial, considerando que do “mesmo modo, diversos locais dominando vastas perspectivas sobre o rio Douro apresentam condições para a construção de casas de chá, restau­rantes, esplanadas, etc. É notória a actual falta de instalações deste género. Estas condições, «a priori» desfavoráveis, devem incitar a um esforço muito particular para a valorização do capital turístico de todo o norte do País e à promoção do Porto a seu centro principal.

Falou-se da praia da Foz, mas o mesmo esforço deve ser empreendido para as mar­gens do Douro (fig. 12): organização de passeios —e daí a necessidade de existência de embarcadouros e desembarcadouros —, prova dos vinhos da região, restaurantes, etc.”auz42_thumb3

Plano Auzelle Volume I fig. 12 - Margens do rio Douro. Fotografia obtida durante a construção da ponte da Arrábida, em 1961auz238_thumb2

As margens do Douro num postal dos anos 60

continua…

Sem comentários:

Enviar um comentário