2 - David Moreira da Silva (1909-2002), que no âmbito do Concurso Para Professor de Urbanologia apresenta uma Dissertação intitulada “Subsídios para a elaboração do Código Urbanístico Português” em que procura historiar a legislação portuguesa sobre urbanismo e as suas consequências em particular na cidade do Porto, ilustrando alguns exemplos com plantas e fotografias exemplificativas.
Rua de Carlos Malheiro Dias – Porto – Exemplo de má vizinhança de ordem estética, possibilitado por deficiente interpretação do Decreto-Lei n.º 38 382
A zona na actualidade
O Plano de Urbanização
A sua proposta de plano de urbanização corresponde à concepção de desenvolvimento da cidade na época com a criação de edifício em altura. Respeitando o traçado viário primário do Plano Director, cria uma via de acesso ao interior da área a urbanizar, sensivelmente onde hoje se localiza a rua de Sagres, onde localizará o Centro Cívico. (Com o n.º 1 o Cinema , com o n.º 2 a Sala de Reuniões e com o n.º 3 a Biblioteca).
Ao longo desta via localiza um enfiamento de 6 “torres residenciais voltadas para o futuro Parque da Cidade e tendo por panorâmica de fundo o porto de Leixões e o oceano.”
Para além destas propõe ainda mais três torres: duas próximo da praça do Império e uma outra a norte da rua do Molhe.
Assim “cada uma destas (…) torres , num total de 9” com uma planta em forma de estrela de três pontas, “teria a altura máxima de 12 andares ou 13 pavimentos habitáveis, servidos por escadas e ascensores, ficando as respectivas garagens e eventuais arrecadações no subsolo.”
Os restantes edifícios de habitação seriam blocos de 3, 4 e 6 andares, e “moradias unifamiliares , geminadas e agrupadas não só junto à avenida da Boavista , mas, também na vizinhança imediata da parte antiga de Nevogilde que, com excepção das casas de lavoura do lugar de Passos, seria inteiramente conservada.”
Respondendo ao programa do concurso e “tendo em conta não só a importância desta zona residencial, mas, também, a existência da numerosa população dos bairros que lhe ficam próximos”, propõe e localiza diversos equipamentos:
— Uma Escola Técnica (na planta com o n.º 14) “pela imperiosa necessidade que, há muito, se vem fazendo sentir de não encaminhar para os liceus e as escolas superiores todos os que pretendem aprender alguma coisa para além da instrução primária. Esta escola ficou prevista no local destinado ao liceu, não sabemos ao certo se no Plano Regulador da cidade, se em ulterior solução proposta pelos Serviços Municipais ou seja num terreno situado entre a Avenida da Boavista e a Rua de Fez, a poente da fábrica de sedas Aviz. A escola congénere que, segundo cremos, lhe virá a ficar mais próxima é a que está em construção na Vila de Matosinhos.![]()
— Um Centro Clínico (na planta assinalado por uma cruz) “para consulta geral, fornecimento de medicamentos, primeiros socorros e tratamento nos casos de doença ou sinistro. Este centro oficial, semioficial ou privado, está localizado nas proximidades do Centro Administrativo e da Nova Igreja de Nevogilde, (um projecto do arquitecto Luís Cunha que não se realizará), junto a uma zona verde ali existente.![]()
— Várias escolas pré-primárias ou infantis” (na planta assinaladas com o n.º 15) “actualmente indispensáveis nas zonas residenciais devidamente equipadas, pelos inestimáveis serviços que prestam guardando os filhos de tenra idade, mormente quando nelas habitam numerosas mães que têm o seu dia normal de trabalho ocupado, dentro ou fora de casa, seriam tantas quantas as escolas primárias previstas.
— Duas grandes garagens mistas de estação de serviço, parque automóvel e respectivas oficinas de reparações; (na planta com os n.ºs 7 Parque Automóvel, n.º 8 Estação de Serviço e n.º 9 Oficina de Reparações)
Os conjuntos constituídos por grandes garagens, parques automóveis, respectivas oficinas de reparações e estações de serviço, hoje por toda a parte cada vez mais consideradas indispensáveis elementos de apoio das zonas residenciais de certo nível, que muito bem poderá vir a ser o da zona em referência, ficariam:
Uma no seu extremo nordeste, junto da Avenida da Boavista, entre a fábrica de sedas Aviz e a Escola Técnica, já citada; ![]()
e, a outra, no seu extremo poente, nos primeiros terrenos ainda vagos, situados a nascente do actual casario da Foz Nova ou seja entre este e a via de circulação rápida, ligando a margem direita do Douro ao Porto de Leixões. ![]()
e — Um Centro Comercial (…) situado relativamente perto da área mais edificada da Foz Nova, que neste domínio está muito deficientemente servida, certo como é que a ampliação do Centro Comercial por nós prevista na zona dos Dominicanos, embora necessária para vir a fazer face às exigências do considerável aumento populacional que a total ocupação das torres e blocos residenciais ali previstos provocariam, se situaria excessivamente longe daquela importante zona citadina, de apreciável interesse turístico e balnear.”![]()
Detalhe da planta com a praça de Afonso V, a Igreja dos Dominicanos, e a proposta de Liceu (n.º13).
Além de todos estes elementos, ainda merecem uma breve referência :
— Os elementos incluídos na ampliação do Centro Desportivo ou sejam: uma pista de atletismo, quatro campos de ténis, um de basquetebol e dois sectores de saltos em altura;![]()
— As zonas verdes e faixas de protecção e reserva indicadas nas plantas de bonificação e urbanização, que a pouco e pouco deveriam passar a constituir o sistema de espaços livres públicos desta zona; e
— As características especiais dos Centros Comerciais, com acessos para veículos de abastecimento e outros, por um dos seus lados e acessos independentes para peões, por dois e três dos seus. restantes lados.
David Moreira da Silva – Planta de Zonificação
3 – Concorre ainda Fernando António Lorenzini Borges de Campos que apresenta uma Dissertação intitulada “Planeamneto Urbano e Territorial ( Considerações sobre a sua natureza e o seu ensino no âmbito de um curso para a formação de arquitectos)” A sua proposta para o plano de urbanização é a menos desenvolvida, pelo que apenas se apresentam as duas plantas.
A marginal fluvial
O Plano Director, na continuidade do aproveitamento turístico da orla marítima, também se refere à marginal fluvial, considerando que do “mesmo modo, diversos locais dominando vastas perspectivas sobre o rio Douro apresentam condições para a construção de casas de chá, restaurantes, esplanadas, etc. É notória a actual falta de instalações deste género. Estas condições, «a priori» desfavoráveis, devem incitar a um esforço muito particular para a valorização do capital turístico de todo o norte do País e à promoção do Porto a seu centro principal.
Falou-se da praia da Foz, mas o mesmo esforço deve ser empreendido para as margens do Douro (fig. 12): organização de passeios —e daí a necessidade de existência de embarcadouros e desembarcadouros —, prova dos vinhos da região, restaurantes, etc.”![]()
Plano Auzelle Volume I fig. 12 - Margens do rio Douro. Fotografia obtida durante a construção da ponte da Arrábida, em 1961![]()
As margens do Douro num postal dos anos 60
continua…

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