Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















terça-feira, 14 de junho de 2011

Um percurso visual pela Divina Comédia 2

O Inferno (continuação)

Canto IX

A muralha e a porta da cidade de Dite

Este palude que ar podre respira/a cidade em redor cinge dolente,/lá não se pode entrar jamais sem ira.”

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Priamo della Quercia Entrance to Dis; Devils and the Furies 1444-1452 Yates Thompson 36. The British Library.

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Sandro Botticelli, A entrada para a cidade de Dite c.1480-c.1495 desenhos de Sandro Botticelli para a Divina Comédia de Dante, réplicas em miniatura dos originais no Gabinete de Gravura em Berlim e na Biblioteca do Vaticano, com uma introdução e uma explicação de Darstellungg ed. F. Lipper. Berlim 1921.

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John Flaxman Virgil points out Dis to Dante,1793 in La Divina Comedia di Dante Alighieri: cioé L'Inferno, Il Purgatorio ed Il Paradiso disegnata da Giovanni Flaxman, scultore inglese, ed incisa da Tommaso Piroli Romano. (Cornell Fiske Dante Collection

 

Camões em os Lusíadas, canto IV, estrofe LXXX: Descer enfim às sombras vãs e escuras/Onde os campos de Dite a Estige lava;

À entrada de Dite estão as Fúrias ou Erínias e com elas a Medusa, que petrifica quem a olhe.Não querem que Dante nem Virgílio entrem, pois Dante não está morto mas um enviado celeste chega e abre as portas de Dite.

de súbito se elevam, num só gesto, /três fúrias infernais, sangue tingidas/que tinham membros feminis e apresto

e eram de hidras verdíssimas cingidas;/suas crinas cerastas, serpentinhas,/por sobre as feras têmporas unidas.

E ele, que bem soube das mesquinhas/da rainha daquele eterno pranto:/”As ferozes Erínias eis vizinhas.

Esta é Megera do sinistro canto;/e chora Aleto ao seu lado direito;/Tesífone é no meio”; e cala entanto.

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Le départ du Messager céleste. Dante et Virgile devant la cité de Dis. Les trois furies en haut de la Tour c.1328-1330, iluminura sobre pergaminho pag. 33 x 24,5 cm. in Divine Comédie de Dante. L'Enfer avec un commentaire de Fra Guido de Pise, musée Condé Chantilly

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Giovanni Stradano ou Jan Van der Straet (1523-1605)- Divina Commedia, Inferno, Canto IX, 1587, Biblioteca Medicea Laurenziana, Firenze

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Gustave Doré (1832-1883) Megera, Aleto e Tesífone L’ Enfer de Dante Alighieri avec les Dessins de Gustav Doré, traduction française de Pier-Angelo Fiorentino, accompagné du texte italien, Paris, Librairie de L. Hachette et Cª, Boulevard de Saint-Germain, n. 77, MDCCCLXVIII – BNF

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Jean-Édouard Dargent dito Yan' Dargent (1824-1899) as Fúriasd65_thumb

Salvador Dali – As Fúrias, La Divina commedia. Illustrated by Salvador Dalí. 3 vols. in 6. Rome and Florence: Arti e scienze and Salani, April 1963 – May 1964

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William Adolphe Bouguereau (1825-1905) The Remorse of Orestes 1862 óleo sobre tela 278 x 227 cm Chrysler Museum of Art Norfolk, Virginia, United States.              As Fúrias perseguem Orestes depois de este ter assassinado Clitemenestre.

O enviado dos céus aparece e abre as portas de Dite

Ahi quanto mi parea pien di disdegno!/Venne alla porta, e con una verghetta/l' aperse, chè non v' ebbe alcun ritegno.

Ah como o vi tão cheio de desdém!/Chegou à porta e com uma vareta/a abriu e a isso não se opôs ninguém.

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Gustave Doré L’ Enfer de Dante Alighieri avec les Dessins de Gustav Doré, traduction française de Pier-Angelo Fiorentino, accompagné du texte italien, Paris, Librairie de L. Hachette et Cª, Boulevard de Saint-Germain, n. 77, MDCCCLXVIII – BNF

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William Blake O Anjo e a porta de Dite 1824 – 1827 in Illustrations to Dante's `Divine Comedy'

Canto X

6º Círculo

No sexto círculo, Dante e Virgílio recomeçam a viagem por dentro de Dite. Lá eles vêm nos túmulos de fogo os hereges. Os hereges eram queimados em fogueiras quando estavam vivos. Em rios de fogo estão os assassinos atingidos por flechas dos centauros. Os violentos contra si mesmos são transformados em árvores. Os esbanjadores são perseguidos e devorados por cadelas ferozes e famintas.

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Sandro Botticelli, punição dos hereges c.1480-c.1495 desenhos de Sandro Botticelli para a Divina Comédia de Dante, réplicas em miniatura dos originais no Gabinete de Gravura em Berlim e na Biblioteca do Vaticano

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Gustav Doré - L’ Enfer de Dante Alighieri avec les Dessins de Gustav Doré, traduction française de Pier-Angelo Fiorentino, accompagné du texte italien, Paris, Librairie de L. Hachette et Cª, Boulevard de Saint-Germain, n. 77, MDCCCLXVIII – BNF

Canto XI

e aqui, entre as horríveis baforadas/do fedor quedo abismo se vomita,/nos ficámos de costas encostadas

à tampa de um sepulcro, onde uma escrita/vi dizer:”Anastácio papa guardo,/que Fontino tirou à vida estrita.”

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Gustav Doré - L’ Enfer de Dante Alighieri avec les Dessins de Gustav Doré, traduction française de Pier-Angelo Fiorentino, accompagné du texte italien, Paris, Librairie de L. Hachette et Cª, Boulevard de Saint-Germain, n. 77, MDCCCLXVIII – BNF

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Salvador Dali In dark limbo La Divina commedia. Illustrated by Salvador Dalí. 3 vols. in 6. Rome and Florence: Arti e scienze and Salani, April 1963 – May 1964

O 7ºcírculo

Canto XII

os Violentos

No sétimo círculo ficam os violentos com Deus e com a natureza. Estão deitados, sentados ou caminhando e sobre eles cai uma chuva de fogo. São guardados pelo Minotauro, “…a infâmia de Creta” meio homem e meio touro, num rio de sangue o Flegetonte “…a ribeira de sangue na qual ferve/quem violento os outros desistima.” Aí estão Alexandre, Atila, Pirro.

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Dante et Virgile devant le Minotaure c.1328-1330, iluminura sobre pergaminho pag. 33 x 24,5 cm. in Divine Comédie de Dante. L'Enfer avec un commentaire de Fra Guido de Pise, musée Condé Chantilly

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Gustave Doré Minotauro - L’ Enfer de Dante Alighieri avec les Dessins de Gustav Doré, traduction française de Pier-Angelo Fiorentino, accompagné du texte italien, Paris, Librairie de L. Hachette et Cª, Boulevard de Saint-Germain, n. 77, MDCCCLXVIII – BNF

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William Blake Minotauro Illustrations to Dante's `Divine Comedy' 1824/27

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Salvador Dali Minotauro La Divina commedia. Illustrated by Salvador Dalí. 3 vols. in 6. Rome and Florence: Arti e scienze and Salani, April 1963 – May 1964

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O Minotauro, o Labirinto e Teseu.

Minos em vez de sacrificar um touro branco oferecido por Poseidon, pediu a Dédalo para construir o Labirinto onde manteve o touro em cativeiro. Contudo a rainha Pasífae pediu também a Dédalo para criar uma vaca de madeira onde no interior foi possuída pelo touro, e desse amor contra-natura nasceu o Minotauro.

e sobre a ponta íngreme da placa,/a infâmia de Creta era estendida/que fora concebida em falsa vaca;

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Pasifaé e o Minotauro, kylix atico com figuras vermelhas 340-320 a.C. Cabinet des médailles de la Bibliothèque nationale de France

A ideia do Labirinto prende-se com a Divina Comédia já que o Inferno, com os seus 9 círculos concêntricos é já uma imagem de um labirinto. Também Umberto Eco, em o Nome da Rosa de 1980, descreve a biblioteca da abadia como um labirinto.

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Mosaico policromo do Minotauro no centro de um labirinto dividido em quatro campos e cercado por uma muralha ameada e dotada de oito torres. Romano. Meados do século II d. C.Museu Monográfico de Conímbriga

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Lamberto di Saint-Omer (St.-Omer circa 1060 - ivi 1123), Líber floridus Biblioteca Universitária, Gand

Labirinto com 11 espiras, com 19,9 cm. de diâmetro. No centro está o Minotauro um touro com cabeça humana, segurando uma espada e com o título de Minotaurus. No título da página "Cap. V. Domus Dedali in qua Minotaurum posuit Minos rex" (Casa de Dédalo, na qual o rei Minos aprisionou o Minotauro). À esquerda no alto "Dedalus artifex" (artefacto de Dédalo) e à direita "Ycarus filius eius" (Ícaro seu filho). Em baixo à esquerda "Pasiphe regina" (rainha Pasifae) e à direita "Minotaurus in laberintho" (o Minotauro no labi­rinto).

Teseu e o Labirinto

O mito, descrito nas Metamorfoses de Ovídio, está ilustrado por um artista anónimo conhecido pelo Mestre dos caixotões dos Cassoni Campana.

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Mestre dos caixotões de Campana (Maestro di Ovidio) 1500 – 1524 Impresa di Teseo a Creta 69 X 155 cm., Musée du Petit Palais, Avignon France

Pertence a um grupo de 4 pinturas em caixotões que pertenciam à coleção Campana de Roma, sendo de seguida divididos entre os museus de Besançon e de Marselha e que se encontram reunidos desde 1976 no museu de Avinhão.

Ao fundo à esquerda na arcada de um edifício, Teseu desembarca e conversa com as duas filhas de Minos Ariadne e Fedra.d75a_thumb3

No primeiro plano o barco dos Atenienses ancorado no porto transportando as vítimas do sacrifício.

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Ao fundo o Minotauro, representado como um Centauro mata seres humanos (à esquerda) e é capturado com um laço sob o olhar de Poseidon (à direita)d75b_thumb

À esquerda Teseu com uma armadura da época, recebe o novelo de Ariadne.

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Teseu no labirinto (tipo Chartres) trava a luta com o Minotauro enquanto as duas irmãs Ariadne e Fedra esperam na entrada do labirinto. De notar à entrada o fio atado numa argola.

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Depois de vencer o Minotauro, Teseu apressa-se com as duas irmãs a regressar ao navio que parte com as velas negras (Teseu esqueceu a promessa feita ao seu pai de em caso de vitória içar a vela branca) se faz ao largo rumo a Naxos, onde abandona Ariadne, e Atenas.

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O Minotauro

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Sandro Botticelli (1444/1445-1510) - Minerve et le Minotaure c. 1482 (pertenceu a Lorenzo e Giovanni de Médicis) têmpera sobre tela 2,07 x 1,48 m. Galleria degli Uffizi Florença Itália

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Antoine Louis Barye (1795-1875) Thesée et le Minotaure Bronze

Picasso, em particular nos anos trinta representa inúmeras vezes o Minotauro, em desenhos, gravuras e pinturas.

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Pablo Picasso (1881-1973) - Minotaure carressant une dormeuse, 18 Juin 1933, ponta seca sobre papel 30 x 36,5 cm., musée Picasso Paris

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Pablo Picasso (1881-1973) - Minotaure et jument morte devant une grotte face à une jeune fille au voile, 6 Mai 1936, encre de Chine, gouache 5,00 x 6,50 m., musée Picasso Paris

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Marc Saint-Saëns (1903-1979), Thésée et le Minotaure 1944, tapeçaria 2,85 x 4,80 m, manufacture Tabard,Centre Georges Pompidou, Musée national d’art moderne Paris

Qui n'a pas son Minotaure? (Quem não tem o seu Minotauro?) é ainda uma peça de teatro em dez cenas, com uma adaptação livre do mito, de Marguerite Yourcenar (1903 – 1987), fazendo do Minotauro o lado obscuro que todos possuímos no nosso próprio labirinto.

Teseu na música

O mito de Teseu é ainda tema musical como na peça de Jean-Baptiste Lully (1632–1687), Thésée - tragédia musical num prólogo e 5 actos (1779)

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e na ópera (em italiano) de 1713 composta por Georg Friedrich Haendel(1685-1759) com libreto de Nicola Francesco Haym (1678-1729).

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Os Centauros

Outros Violentos são crivados de flechas pelos Centauros:

Vi ampla fossa em arco assim torcida,/como aquela que o plaino todo abraça,/segundo a minha escolta prevenida;

e entre arriba e a rocha a fila passa/dos Centauros correndo com as setas,/como usavam no mundo andar à caça.

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L’ Enfer de Dante Alighieri avec les Dessins de Gustav Doré, traduction française de Pier-Angelo Fiorentino, accompagné du texte italien, Paris, Librairie de L. Hachette et Cª, Boulevard de Saint-Germain, n. 77, MDCCCLXVIII – BNF

E vi gente enfiada a toda a altura;/e o grão Centauro disse: “São tiranos,/deram no sangue e na pilhagem dura.

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L’ Enfer de Dante Alighieri avec les Dessins de Gustav Doré, traduction française de Pier-Angelo Fiorentino, accompagné du texte italien, Paris, Librairie de L. Hachette et Cª, Boulevard de Saint-Germain, n. 77, MDCCCLXVIII – BNF

Os centauros Nesso, Quíron e Folo

E me tocou e disse :”Nesso avança,/que morreu pela bela Dejanira/e por si mesmo fez vingança.

E o do meio, que do próprio peito mira,/nutriu Aquiles, e é Quíron sutil;/este outro é Folo, sempre cheio de ira.

Nesso foi o centauro que raptou Dejanira e foi por isso morto por Hércules. Dejanira causa a morte de Hércules com uma túnica envenenada que o centauro lhe havia dado.

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Guido Reni (1575-1642) O rapto de Dejanira por Nesso
óleo sobre tela 259 x 193 cm Musée du Louvre, Paris

Quíron foi o centauro que educou Aquiles.

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Baron Jean-Baptiste Regnault (1754-1829) L'Éducation d'Achille par le centaure Chiron 1782
óleo sobre tela 2,61 x 2,15 m. musée du Louvre Paris

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Pierre Puget (1620-1694) A educação de Aquiles por Quíron c. 1690 óleo sobre tela  Musee des Beaux-Arts, Marseille

Folo foi o centauro que recebeu Hércules e este pede para abrir o jarro de vinho que Dionísios tinhe confiado aos centauros. O cheiro do vinho atraiu os outros centauros e na luta Folo  deixa cair uma flecha numa pata e morre.

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Hídria de figuras negras, Hércules e Folo c. 520-510 a.C.  cerâmica alt. 24,1 cm. musée du Louvre

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Bon Boullogne (1649-1717)  Hércules e Folo 1677 óleo sobre tela 152 x 186 cm. Musée du Louvre

O quadro representa a luta de Hércules (ao centro) e do centauro Folo (à esquerda no primeiro plano)  contra os outros centauros atraídos pelo vinho. A Nuvem (Nefele) que  no lugar de Juno  fez-se amar por Ixion e de quem nasceram os centauros utiliza o vento e  a chuva para acabar com a luta.

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Pablo Picasso (1881-1973) Le Centaure et le navire 1946 ripolin sobre papel 50 x 65 cm. musée Picasso Antibes

Canto XIII

Num segundo fosso estão os suicidas, os violentos contra si próprios que são transformados em arbustos na floresta das Harpias, monstros com corpo de ave e cabeça de mulher. Dante refere-se à Eneida, quando perto das ilhas Estrófades, Eneias é atacado pelas Harpias. Hesíodo foi um dos primeiros poetas gregos a mencionar as Harpias na Teogonia .

Aqui brutais Harpias sempre aninham/que expulsaram das Trófades Troianos,/com novas que a futuro dano vinham.

Tem alas largas, colo e rosto humanos/pés com artelhos e penudos ventres;/e pios dão nas árvores a insanos.

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William Blake Canto XIII, 1-45, as harpias e os suicidas 1824-7, lápis, pena , tinta e aguarela s/ papel, 37,2 x 52,7 cm. The Tate Gallery London

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L’ Enfer de Dante Alighieri avec les Dessins de Gustav Doré, traduction française de Pier-Angelo Fiorentino, accompagné du texte italien, Paris, Librairie de L. Hachette et Cª, Boulevard de Saint-Germain, n. 77, MDCCCLXVIII – BNF

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Salvador Dali The wood and the SuicideLa Divina commedia. Illustrated by Salvador Dalí. 3 vols. in 6. Rome and Florence: Arti e scienze and Salani, April 1963 – May 1964

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Peter Paul Rubens (1577-1640), A Perseguição das Harpias c. 1636, 14,4 x 14 cm. Museu do Prado Madrid

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François Perrier (c.1600 - 1650) Eneias e os companheiros lutando com as Harpias, 1646-1647, óleo sobre tela 155 x 218 cm. Museu do Louvre Paris

Canto XIV

“Ó Capaneu, pois não se te abrandou/essa soberba, ainda és mais punido;/nenhum martírio além de seres raivoso,

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William Blake Inferno, Canto XIV, 46-72, Capaneu o Blasfemo

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Salvador Dali Os blasfemos La Divina commedia. Illustrated by Salvador Dalí. 3 vols. in 6. Rome and Florence: Arti e scienze and Salani, April 1963 – May 1964

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Robert Rauschenberg (1925-2008). Canto XIV, From XXIV Drawings from Dante's Inferno, 1959. Edition 202/300 of 34 offset lithographs. 36.8 x 29.2 cm. The Museum of Contemporary Art, Los Angeles

Canto XV

Os violentos contra a natureza: os sodomitas.

Dante encontra um seu contemporâneo e conterrâneo Brunetto Latini (1220-1294), autor de o Tesoretto (o Tesouro)

e a mão inclinando a sua face,/respondo:”Vós aqui, senhor Brunetto?”/E ele aí:”Meu filho se voltasse/este Brunetto um pouco atrás contigo,/sen te enfadar, a fila então que passe.”

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Alberto Martini (1876-1954) Dante e Brunetto Latini (Inferno, XV), 1901, técnica mista s/papel 41,4 x 30,4 cm. Pinacoteca Civica Alberto Martini, Oderzo

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Canto XVI

Quando a mentira rosto ao vero ponha,/deve homem fechar a boca enquanto possa,/poia sem ter a culpa tem vergonha;

Canto XVII

7º círculo

Dante e Virgílio encontram Gerião o monstro que foi morto por Hércules.

“Esta é a fera com a cauda aguda,/passa montes, os muros vai rompendo/e as armas; e o mundo infecta e muda!”

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Gustavo Doré Chega Gerião L’ Enfer de Dante Alighieri avec les Dessins de Gustav Doré, traduction française de Pier-Angelo Fiorentino, accompagné du texte italien, Paris, Librairie de L. Hachette et Cª, Boulevard de Saint-Germain, n. 77, MDCCCLXVIII – BNF

Ao rostos de uns meus olhos dirigidos,/que o fogo doloroso assim agasta,/nenhum reconheci; mas vi pendidos

uns sacos nos pescoços onde basta/o terem certa cor, certos sinais,/de que parece que o seu olho pasta.

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Priamo della Quercia Virgílio negoceia o passeio com Gerião, ao centro, enquanto Dante observa o castigo dos usurários com os sacos com os brasões ao pescoço.

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e disse:”Gerião, segue, mandei,/ e baixa em voltas largas, pouco a pouco:/pensa na nova carga que te dei.”

Como a naveta deslizando, /a troco de recuo em recuo, assim retira/ já sulca em jogo livre e me desloco;

e como agulha tesa a tem movido,ao ponto em que era o peito, a cauda gira,/e co as patas o ar assim revira.

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Gustave Doré (1832-1883) L’ Enfer de Dante Alighieri avec les Dessins de Gustav Doré, traduction française de Pier-Angelo Fiorentino, accompagné du texte italien, Paris, Librairie de L. Hachette et Cª, Boulevard de Saint-Germain, n. 77, MDCCCLXVIII – BNF

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La Divina commedia. Illustrated by Salvador Dalí. 3 vols. in 6. Rome and Florence: Arti e scienze and Salani, April 1963 – May 1964

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Christoro de Predis (?-1486) iluminura Les Trouments de l'Enfer pour les avares et les usuriers (c.157r.) in Codex contenant les Histoires de Joachim, de sainte Anne, de la Vierge, de Jésus, de saint Jean-Baptiste et de la Fin du monde, Biblioteca Reale Torino, Itália

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Giovanni Stradano (1523-1605)- Divina Commedia, Inferno, Canto XVII, 1587, Biblioteca Medicea Laurenziana, Firenze d141_thumb2

Bertel Thorvaldsen (1770 – 1844) Dante and Virgil seated on the monster Geryon, 1800-1830, gravura 27,2 x 21 cm. impr. Franz e Johannes Riepenhausen, The British Museum

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Joseph Anton Koch (1768 – 1839) Dante and Virgil Riding on the Back of Geryon, c. 1821 pena e tinta da china e grafite sobre papel, 38.4 x 30 cm The National Gallery of Art

Canto XVIII

No Canto XVIII chega-se ao 8º círculo, que tem dez fossos circulares e concêntricos, que são ligados por pontes e onde estão as diversas categorias de Fraude. Nas saídas dos fossos há três gigantes acorrentados. Assim começa o Canto XVIII:

Malebolge no inferno se nomeia/lugar todo de pedra em tom ferrino,/como a cerca em seu torno que o rodeia

No primeiro fosso são flagelados os Sedutores e no segundo os Aduladores e os Prostituídos mergulhados na mais fétida lixeira.

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Priamo della Quercia (c.1400 – 1467) manuscrito com iluminura 1444-1452 Yates Thompson 36 The British Library.

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Sandro Botticelli (1444/1445-1510) Canto XVIII de depois de 1480 Desenho à pena sobre pergaminho 32 x 47 cm. Staatliche Museen, Berlin

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Eugène Delacroix(1798 – 1863) cena do Inferno Canto XVIII da "Divina Comédia 1819-1822 aguarela marrom e preto, verde e vermelha, lápis sobre papel 12,6 x 23,2 cm. Albertina Museum Viena

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Gustave Doré O castigo dos Fraudulentos e dos Sedutores 1890 in Dante Alighieri's Inferno from the Original by Dante Alighieri and Illustrated with the Designs of Gustave Doré (New York: Cassell Publishing Company, 1890).

Encontram Jasão do mito dos Argonautas e que seduziu Medeia (de Hesíodo, Píndaro, Eurípedes, Ovídio, Séneca, etc.), para conseguir o Velo de Oiro:

É Jasão, que por senso e coração/os Cólquidas de velo privou bem./Passou a ilha de Lemnos em sazão

que as fêmeas audazes, despiedadas,/ a todos os seus machos morte dão.

….e Medeia também vingar convinha.

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iluminura Medeia conduzindo um carro e matando os filhos, enquanto Jasão está à mesa com os companheiros. in Histoire ancienne jusq'à César, part 3 of the second redaction, 2nd quarter of the 14th century, Parchment 335 x 235 (215 x 140)mm. Nápoles, British Library UK

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Charles André Van Loo (1705-1765) Jason et Médée 1759, óleo sobre tela Stiftung Preussische Schlösser und Gärten Berlin

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Gustave Moreau (1826–1898) Jason et Médée, 1865, óleo sobre tela 204 x 121,5 cm. Musée d’Orsay, Paris, France

Medeia deu origem a três óperas: de Marc-Antoine Charpentier (1643 - 1704), de Luigi Cherubini (1760-1842) e de Darius Milhaud (1892-1974).

No segundo fosso estão os aduladores.

Lá viemos; e lá no baixo fosso,/vi gente chafurdada em tal esterco/qual de humanas privadas fora grosso.

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La Divina commedia. Illustrated by Salvador Dalí. 3 vols. in 6. Rome and Florence: Arti e scienze and Salani, April 1963 – May 1964

Canto XIX

Num terceiro fosso estão o Simoníacos, de Simão Mago e que traficam em coisas sagradas.

Ó Simão mago, ó míseros sequaces,/que tais cousas de Deus, que da bondade/deviam ser esposas, vós rapaces,

por ouro e prata adulterais; pois há-de/por vós soar trombeta que retumba,/que a terça bolsa vosso grupo invade.

Os Simoníacos estão mergulhados de cabeça para baixo e vão sendo enterrados completamente pelos que lhes sucedem.

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Priamo della Quercia (c.1400 – 1467) manuscrito com iluminura 1444-1452 Castigo dos Simoníacos, Yates Thompson 36 The British Library.

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Salvador Dali os Simoníacos La Divina commedia. Illustrated by Salvador Dalí. 3 vols. in 6. Rome and Florence: Arti e scienze and Salani, April 1963 – May 1964

Canto XX

No quarto fosso estão os Adivinhos que são obrigados a andar com a cabeça ao contrário, para não ver para a frente.

E ao baixar os olhos mais de espaço/mirabilmente vi que era torcido/cada um entre o seu mento e o busto lasso;

que o rosto para os rins era volvido,/e só vir para trás lhe conviria,/pois por diante ver lhe era tolhido.

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Priamo della Quercia (c.1400 – 1467) manuscrito com iluminura 1444-1452 , Yates Thompson 36 The British Library.

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Sandro Botticelli Adivinhos c.1480-c.1495 - desenhos de Sandro Botticelli para a Divina Comédia de Dante, réplicas em miniatura dos originais no Gabinete de Gravura em Berlim e na Biblioteca do Vaticano, com uma introdução e uma explicação de Darstellungg ed. F. homem Lipper. Berlim: Grote G., 1921.

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Salvador Dali The Black Cherub , La Divina commedia. Illustrated by Salvador Dalí. 3 vols. in 6. Rome and Florence: Arti e scienze and Salani, April 1963 – May 1964

Canto XXI

No quinto fosso estão os Impostores que são empurrados para a resina que ferve em baixo espessa fazendo-se picar pelos Malebolges.

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L’ Enfer de Dante Alighieri avec les Dessins de Gustav Doré, traduction française de Pier-Angelo Fiorentino, accompagné du texte italien, Paris, Librairie de L. Hachette et Cª, Boulevard de Saint-Germain, n. 77, MDCCCLXVIII – BNF

non vedi tu ch’e’digrignan li denti/e con le ciglia ne minaccian duoli?”

Tão avisado que és, não vês que passam/eles agora a arreganhar os dentes,/e os cenhos carregados ameaçam?”

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António Carneiro (1872-1930) Os impostores (Canto XXI do Inferno de Dante) 1928/1930 Lápis, tinta preta e aguada sobre papel 32,7 x 25 cm. Museu Nacional de Soares dos Reis

(continua)

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