Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















quarta-feira, 27 de julho de 2011

Apontamentos sobre terras, fortalezas e cidades em Os Lusíadas de Luís de Camões (3)

Nota – Continuaremos a referir as cidades, conforme são nomeadas ao longo de Os Lusíadas, e não por uma qualquer sequência geográfica ou cronológica. Por exemplo, trataremos agora de  Ormuz, citada no Canto II, e só trataremos de Mascate e outras cidades do Golfo Pérsico, quando forem referidas  no Canto X.

Canto II

No Canto II, Vénus intervém e ajudada pelas Nereidas, afasta as naus de Vasco da Gama de Mombaça e indica-lhe o caminho até Melinde onde encontram de facto um bom acolhimento. Enquanto a armada se dirige para Melinde, Júpiter para  consolar Vénus que lhe havia pedido protecção para os portugueses, profetiza futuras glórias aos Lusitanos.

Canto II – estrofe XLVI

Fortalezas, cidades e altos muros
Por eles vereis, filha, edificados;
Os Turcos belacíssimos e duros
Deles sempre vereis desbaratados;
Os Reis da Índia, livres e seguros,
Vereis ao Rei potente sojugados,
E por eles, de tudo enfim senhores,
Serão dadas na terra leis milhores.

11. Ormuz (Irão) 

A preocupação com a ocupação de Ormuz, prende-se com a já referida estratégia de domínio das rotas marítimas do Índico com a ocupação de todas as suas “portas”. No caso de Ormuz com o controle do Estreito do mesmo nome e o acesso ao golfo Pérsico. (Do mesmo modo que Adem, cidade estrategicamente situada à entrada do Mar Vermelho e Malaca à entrada das rotas da China).

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Ormuz é já conhecida dos portugueses, através das viagens por terra, e do próprio livro de Marco Polo.

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Marco Polo com elefantes e camelos chegando a Ormuz no Golfo Pérsico c.1410/12, Miniatura do livro “As Viagens de Marco Polo” no Livre des Merveilles Bibliothèque Nationale de France

Ormuz aparece já cartografada nos mapas do século XVI.

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Lopo Homem ? / Pedro e Jorge Reinel ? Carta do Mar Índico de 1519, carta n.º 6 do Atlas Miller BnF

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Pormenor do Golfo Pérsico e do Mar Vermelho

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Pormenor da entrada do Golfo Pérsico e o que deveria ser a cidade de Ormuz.

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Pormenor com a cidade de Adem-Regio na Arabia Felix e a cidade de Ormanus, que sendo Ormuz está mal localizada.

 

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Anónimo Livro de Marinharia de João de Lisboa c. 1560l311a

Pormenor do Golfo Pérsico com a indicação de Ormuz

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Sebastião Lopes ? Carta do Oceano Índico c.1565, atlas portolano Newberry Library Chicago USA

Mas a conquista de Ormuz não se revelou fácil para os portugueses e isso mesmo revela Camões no Canto II estrofe XLXIX, onde fala do Reino de Ormuz duas vezes subjugado.

E vereis o Mar Roxo, tão famoso,
Tornar-se-lhe amarelo, de enfiado;
Vereis de
Ormuz o Reino poderoso
Duas vezes tomado e sojugado.
Ali vereis o Mouro furioso
De suas mesmas setas traspassado;
Que quem vai contra os vossos, claro veja
Que, se resiste, contra si peleja.

De facto Ormuz foi assaltada a primeira vez por Afonso de Albuquerque em 1507 que quase conseguiu concluir a construção do Forte então apelidado de Nossa Senhora da Vitória, se não fosse a deserção de três capitães portugueses (Motim dos Capitães). Foi forçado a desistir em Janeiro de 1508 e só em 1515, consegue conquistar definitivamente a cidade, concluir a fortaleza, agora nomeada de Nossa Senhora da Conceição, e estabelecer o domínio português.

Camões no Canto X, quando Vénus também relata as proezas dos portugueses e  dos vice-reis da Índia, volta a referir as cidades do Oriente, e de novo Ormuz, e a sua conquista por Afonso de Albuquerque aos párseos (persas).

Canto X estrofe XL

Esta luz é do fogo e das luzentes
Armas com que Albuquerque irá amansando
De Ormuz os Párseos, por seu mal valentes,
Que refusam o jugo honroso e brando.
Ali verão as setas estridentes
Reciprocar-se, a ponta no ar virando
Contra quem as tirou; que Deus peleja
Por quem estende a fé da Madre Igreja.

F.L. de Castanheda relata a conquista de Ormuz,, no Livro II, capítulos LXI a LXIII, da Historia dos descobrimentos & conquista da India pelos Portugueses.

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Camões refere ainda Ormuz, no Canto X, estrofe LIII,  na sua submissão a D. Duarte de Meneses e Vasco da Gama. A referência a Vasco da Gama, resulta de ter sucedido a Duarte de Meneses, já com os títulos de conde da Vidigueira, almirante do mar Índico e vice-rei, na sua terceira viagem à Índia em 1524.

Canto X, estrofe LIII

Virá despois Meneses, cujo ferro
Mais na África, que cá, terá provado;
Castigará de
Ormuz soberba o erro,
Com lhe fazer tributo dar dobrado.
Também tu, Gama, em pago do desterro
Em que estás e serás inda tornado,
Cos títulos de Conde e d' honras nobres
Virás mandar a terra que descobres.

Fernão Lopes de Castanheda (Livro VI. cap. XXII) refere o tributo que Ormuz pagava ao Rei de Portugal.

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“& que pagaria a el rey de Portugal  mais corenta mil xerafins que fazião sessenta mil cõ os q pagava dãtes, /de que pagaria logo ametade: & pagaria a valia de fazẽda q se tomara a el rey de Portugal na feytoria: e alẽ disso daria duzẽtos mil xerafins / pera o q ho governador quisesse”.

António Tenreiro no seu Itinerário (1560) também descreve a questão do tributo e sobretudo a cidade de Ormuz:

Capítulo I Da cidade de Ormuz, no Reino da Pérsia

Antes que o reino de Ormuz fosse ganhado por el Rei D. Manuel, que Deus haja, pagavam os reis de Ormuz párias ao Xeque Ismael ou Sufi, como agora lhe chamam; depois não lhas pagaram mais. E querendo el Rei D. Manuel saber o que rendia a alfândega de Ormuz, pôs nela oficiais portugueses em tempo que Diogo Lopes de Sequeira governava a Índia. Pelo que el Rei de Ormuz se alevantou logo contra os portugueses, mandando oferecer ao Sufi as párias que dantes tinha no reino de Ormuz com outras tantas e que o ajudasse contra os portugueses. Do que o Sufi foi contente: e mandou gente em sua ajuda. Mas quando chegou a terra firme, já el Rei de Ormuz era morto e feito outro rei, que estava concertado com os portugueses. Vendo os capitães do Sufi que iam em ajuda d’el Rei que a sua ida era debalde, tolhiam as cáfilas que iam para Ormuz. Pelo que el Rei de Ormuz perdia as suas rendas e escusava-se ao governador D. Duarte de Meneses, que então governava a Índia, que não podia pagar a el Rei de Portugal as párias que era obrigado a pagar. Para desapresar Ormuz dessa opressão e da gente do Sufi mandou o governador uma embaixada por um homem de muito merecimento, chamado Baltasar Pessoa, o qual partiu da cidade de Ormuz, de que farei menção. Esta cidade de Ormuz está em uma ilha assim chamada, situada na boca do sino Pérsico três léguas de terra firme; terá de roda três ou quatro léguas: há nela uma pequena serra, que de uma parte tem uma pedreira de sal e que se chama o Sal Índico, e da outra é de viveiros de enxofre. O sal é de dentro muito alvo e de fora ruivo. Uma légua da cidade estão estão três poços de água muito boa e não tem outra salvo de cisternas, ou salobras, nem têm arvoredos, nem campos verdes. E conquanto assim é estéril por estar naquela paragem e ter o melhor porto que pode ser, fundaram nela os mouros uma cidade a que puseram o nome Ormuz, em uma ponta da ilha e os portos ficam em baías: um do Levante e o outro do Poente, em que podem tirar a monte naus de quatrocentos tonéis.

António Tenreiro - Viajante (séculos XV e XVI). Provavelmente natural de Coimbra, era cavaleiro professo na Ordem de Cristo. Foi um dos primeiros portugueses a seguir para a Índia, onde se notabilizou. Incumbido de seguir por terra com uma mensagem para D. João III, deixou Ormuz a 20 de Setembro de 1528 e chegou a Lisboa em 20 de Maio de 1529. Da viagem, ficou o seu Itinerário da Índia para Portugal por Terra, impresso pela primeira vez em 1560, mas que voltaria a ser publicado ainda nesse século. O seu relato impressionou D. João III, que lhe terá concedido uma tença anual. Segundo o historiador Diogo de Couto, terá sido gravemente ferido a golpes de cutelo quando, pouco depois de regressar, abandonava os paços reais a altas horas da noite. (in “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Diogo Lopes Sequeira (1465-1530), Governador da Índia entre 1518 e 1522.

D. Duarte de Menezes (ant. 1488-dep. 1539) foi Vizo-Rei da Índia entre 1584 e 1588.

Ainda no Canto X, na estrofe C e CI, Camões refere o estreito e o reino de Ormuz

estrofe C

Olha as Arábias três, que tanta terra
Tomam, todas da gente vaga e baça,
Donde vêm os cavalos pera a guerra,
Ligeiros e feroces, de alta raça;
Olha a costa que corre, até que cerra
Outro
Estreito de Pérsia, e faz a traça
O Cabo que co nome se apelida
Da cidade Fartaque, ali sabida.

estrofe CI

Olha Dófar, insigne porque manda
O mais cheiroso incenso pera as aras;
Mas atenta: já cá destoutra banda
De Roçalgate, e praias sempre avaras,
Começa o
reino Ormuz, que todo se anda
Pelas ribeiras que inda serão claras
Quando as galés do Turco e fera armada
Virem de Castelbranco nua a espada.


João de Barros na Década I, Livro IX, Cap. I, descreve o estreito e o reino de Ormuz:

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(…) té o cabo Rofalgate, que está em vinte e dous graos e meio, e será de costa cento e vinte leguas, toda he terra esteril, e deserta. Neste cabo começa o Reyno de Ormuz, e delle té o outro cabo Monçadan haverá oitenta e sete leguas de costa, em que jazem estes lugares do mesmo Reyno, Calayate, Curiante, Mascate, Soar, Calaja, Orsaçam, Dobá, e Lima, que fica oito leguas antes de chegar ao cabo Monçadan, que Ptolomeu chama Asaboro, situado per elle em vinte e tres graos e meio, e per nós em em vinte e seis, no qual acaba a primeira nossa divisão. E a toda a terra que se comprehende entre estes dous termos, os Arabios lhe chamam Hyaman, e nós Arabia Feliz, a mais fértil, e povoada parte de toda Arabia.

Nesta última estrofe, Camões refere  Pedro de Castelo Branco que foi para a Índia em Novembro de 1533.

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Braun and Hogenberg, Ormuz 1572, Civitates Orbis Terrarum,The Hebrew University of Jerusalem

E ainda João de Barros nas Décadas da Ásia II, Livro II cap. 2

"A cidade de Ormuz está situada em hua pequena ilha chamada Gerum que jaz quasi na garganta de estreito do mar Parseo tam perto da costa da terra de Persia que avera de hua a outra tres leguoas e dez da outra Arabia e terà em roda pouco mais de tres leguoas: toda muy esterele e a mayor parte hua mineira de sale enxolfre sem naturalmente ter hum ramo ou herva verde.

A cidade em sy é muy magnifica em edificios, grossa em tracto por ser hua escala onde concorrem todalas mercadorias orientaes e occidentaes a ella, e as que vem da Persea, Armenia e Tartaria que lhe jazem ao norte: de maneira que nam tendo a ilha em sy cousa propria, per carreto tem todalas estimadas do mundo /...../ a cidade é tam viçosa e abastada, que dizem os moradores della que o mundo é hum anel e Ormuz hua pedra preciosa engastada nelle"

A Fortaleza

Rafael Moreira, em A época manuelina, refere deste modo a fortaleza de Ormuz:

A única fortificação da época manuelina que parece conservar-se hoje no Oriente é a de Ormuz, onde aliás vários períodos construtivos envolvem o núcleo de origem, ini­ciado por Afonso de Albuquerque logo após a conquista da ilha (1507), mas só adiantado com a sua estadia de sete meses (1515), em que lhe mudou o nome para Nossa Senhora da Conceição. Segundo o arqueó­logo e historiador da arquitectura Wolfram Kleiss, consistia num pentágono irregular de cerca de 70 m por 90 m (de que metade permanece de pé), com torres rectangulares e ultra-semicirculares nos ângulos, sendo toda a face nascente, sobre o mar, ocupada pelo palácio dos capitães, com a sua torre de menagem, o primeiro elemento a ser construído. Foi-nos possível averiguar que, numa segunda fase, em 1525-1528, o «mestre das obras na cidade de Ormuz» reparava o fosso e um cubelo, talvez acrescentando então à entrada do paço as duas originalíssimas torres hexagonais acasamatadas junto a uma escada de caracol, e em 1533 Cristóvão Fernan­des fazia a cisterna abobadada no pátio do castelo, duas estru­turas ainda muito bem conservadas; em 1540 o capitão Martim Afonso de Melo erguia o «baluarte novo» e o «baluarte redondo», destinados a artilharia grossa; e em 1558-1560 Inofre de Carvalho transformava o conjunto num impressio­nante recinto de 260 m por 176 m fortificado à italiana. Trata-se, pois, de um testemunho extraordinariamente va­lioso de evolução formal e de riqueza das formas de transição no Oriente português, mas que é único. (Rafael Moreira – A época manuelina in Portugal no Mundo – História das Fortificações Portuguesas no Mundo, direcção de Rafael Moreira, Publicações Alfa 1989)

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Planta de Ormuz. A fortaleza portuguesa da ilba de Ormuz (Irão), à entrada do golfo Pérsico, é um raro caso de conservação de fases construtivas sobrepostas documentando a evolução da arquitectura militar quinhentista no Oriente, desde o núcleo inicial de Afonso de Albuquerque, de 1507-1515 (a vermelho), até às últimas reformas antes da sua conquista pelo xá Abas da Pérsia em 1622. Destaque-se, pelas suas dimensões e modernidade, a intervenção (a negro) do arquitecto obidense Inofre de Carvalho em 1558-1560, inspirado em modelos italianos (levantamento do arquitecto W. Kleiss, 1978). in Rafael Moreira – A época manuelina in Portugal no Mundo – História das Fortificações Portuguesas no Mundo, direcção de Rafael Moreira, Publicações Alfa 1989

Gaspar Correia descreve todo o ritual da fundação e construção da fortaleza, no seu livro Lendas da Índia, Maio de 1515:

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Tendo todas estas pertenças juntas, e grande quantidade de tudo, e o primeyro do alicerce “aberto aos “ tres dias de mayo, dia de Santa Cruz, o Governador tomou a enxada nas mãos, e dom Garcia, e os capitães, que acabando o padre de cantar huma oração da evocação de Santa Cruz, o primeyro foy o Governador que começou a cavar, e os outros capitães com elle, que cavarão hum pouqo, e então entrarão os trabalhadores que abrirão todo o lanço. E querendo assentar pedra, que foy aos seis dias do mês, depois de os padres rezarem orações, e deitarem benções e agoa benta, o Governador deitou hum panno sobre os hombros, em que lhe puserão huma pedra que levou abaixo ao alicerce, e com suas mãos assentou onde os mestres lhe dixerão, debaixo da qual elle meteo com sua mão cinqo portugueses d’ouro; e logo dom Garcia e os outros capitães, cada hum troxerão pedras às costas, que assentarão onde lhe mandavão (…)

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E a primeyra obra que se alevantou forão dous cubellos na travessa da praya, antre os quaes fiqou a porta assy na praya, com seu alçapão, e em cyma torre de gorita pera defensão da porta; e hum destes cubellos fiqou fundado dentro no mar, em que de baixa mar a grã pressa se abrio o alicerce; e foy oitavado e largo, sobradado. Onde logo se armou altar, e “foy” feita igreja da evocação de Nossa Senhora da Conceição, que assy o mandara ElRey dom Manuel, e para ysso mandara hum sino que tomou da Conceição de Lisboa, que tinha derrador os doze apostolos dourados, que este foy o primeyro sino que se pôs na Conceição de Lisboa.(…)

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No cabo d’este muro pera ponta se fez outro cubello forte, e atravessando a ponta se fez huma torre quadrada, debaixo da qual fiqou um postigo pera serviço da ponta, de que logo fizerão adro pera a gente que morria, que enterrado na area em só dous dias se comia hum corpo, que era cousa d’espanto(…)

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Como a forteleza foy çarrada toda em roda altura de dous homens, mandou o Governador trabalhar na torre de menagem, que fiqou logo junto da porta da fortaleza, e foy alevantada em outro sobrado muy alto, que ficava o terrado de cyma das casas d’ElRey; e em cyma mandou fazer huma casinha pera a polvora, e em cyma se fez campanario, em que se pôs o sino que já dixe(…)

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E porque o Governador sempre andava na obra, a gente trabalhava com muyta vontade; onde mandava trazer almoços e merendas, com muyto pão de trigo muyto bom, que os mouros fazião como bolos, e uvas, e figos, mangas, e tamaras maduras, e ysto em avondança pera todos os que trabalhvão. Ao que ElRey tambem fazia grande ajuda com muytos grandes cestos de fruitas, que o Governador com seu olho repartia por todos.

Gaspar Correia insere na sua obra uma vista de Ormuz em que destaca a fortaleza, a cidade com os minaretes e as montanhas por detrás.

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Gaspar Correia (c. 1495 - c. 1561) Fortaleza de Ormuz in "Lendas da Índia", c. 1550

As diversas representações da Fortaleza de Ormuz, apresentam-na com uma planta sensivelmente quadrada, com uma torre de menagem, como eram as primeiras fortificações portuguesas no ultramar.

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António Bocarro e Pedro Barreto de Resende, Demonstração da Fortaleza de Ormuz 1635 Livro do Estado Da India Oriental, British Library London

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Detalhe de mapa português do estreito de Ormuz, mostrando a ilha e a fortaleza de Ormuz.

A ilha de Ormuz, é representada com uma forma sensivelmente triangular tendo no vértice a fortaleza e na base a cidade onde se destaca um enorme minarete.

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João Teixeira Albernaz I Plantas das Cidades e fortalezas da conquista da India oriental Portugal 1648

Também Albernaz representa com maior rigor e pormenor a ilha, a fortaleza e o minarete Alcouram dominando a cidade, que se abre em leque, com arruamentos radiais, e onde estão localizadas a igreja de S. João e Santo Agostinho.

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Estão representadas a entrada e a ribeira das naus.

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Em frente à Ribeira das naus, a Estrebaria dos cavallos. 

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No outro lado da ilha a Caza del Rey.

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À direita da imagem as igrejas de S. Lucia e de Nossa Senhora da Esperança.

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No monte N.S. da Pena.

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À esquerda na imagem a Ilha de Quixime onde se faz aguada l22c

Na terra firme , costa da Pérsia, a fortaleza de Comoram (Comorão).

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A imagem de Manuel Godinho Erédia apresenta a fortaleza com as alterações introduzidas ao longo do século XVI, com os baluartes em triângulo, o fosso e uma muralha separando da cidade. Nesta estão indicadas a Mesquita e o Minarete e a Alfândega.

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Manuel Godinho de Erédia, 1563-1623. Plantas de praças das conquistas de Portugal : feytas por ordem de Ruy Lourenço de Tavora Vizo rey da India / por Manoel Godinho de Eredia Cosmographo. - 1610.

Em 1521 o soberano de Ormuz rebelou-se contra o domínio português, mas foi derrotado e destronado, um novo governante aliado tendo ocupado o seu lugar. Gaspar Correia

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Em 1528 Cristóvão de Mendonça era Capitão-mor da Fortaleza de Ormuz.

Em 1542-1543  a totalidade das receitas aduaneiras de Ormuz foi destinada ao rei de Portugal.

O período entre 1550 e 1560 foi de guerra contínua com os Turcos pela supremacia no Golfo Pérsico.

Em 1550-1551, os Portugueses conquistaram aos Turcos o Forte de El Katiff (Al Qatif) na Arábia. Em 1551-1552, os Turcos atacaram e saquearam Mascate. Com a sua retomada pelos portugueses e para complemento da defesa de Ormuz, foi iniciada a Fortaleza de Mascate.

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Batalha naval 1555 entre portugueses comandados por Fernando de Meneses e galés turcas de Cide Elal Cabo de Moncadão estreito de Ormuz Livro de Luisarte de Abreu The Pierpont Morgan Library

Em 1559, os Turcos sitiaram os Portugueses no Forte de Bahrein, mas, após vários meses de cerco, foram forçados à retirada.

Data deste período, o final da década de 1550 a intervenção do arquitecto Inofre de Carvalho na fortificação de Ormuz.

A Dinastia Filipina

No contexto da Dinastia Filipina, as possessões portuguesas em todo o mundo tornaram-se alvo de ataques dos inimigos de Espanha, e no golfo Pérsico, particularmente dos Ingleses.

Neste período conturbado, os eventos sucederam-se rápidamente, até à perda das praças portuguesas e do controle da região.

Em 1581, Mascate foi uma vez mais arrasada pelos Turcos. No ano seguinte (1582), o soberano de Lara (a ilha de Larack, vizinha a Ormuz), que se revoltara, impôs cerco à Fortaleza de Ormuz. Os Portugueses, entretanto, conseguiram rechaçar os invasores e, a seu turno, impuseram cerco ao Forte de Xamel, em Lara, que conquistaram.

Finalmente, em 1588, a Fortaleza de Mascate estava reconstruída e a cidade fortificada, assim como havia sido erguida uma fortificação próximo a Matara (Matrah) – o Forte de Matara.

Por volta de 1591, com planos de Giovanni Battista Cairati, as defesas da fortaleza de Ormuz foram reforçadas.

O abastecimento de água potável de Ormuz era feito a partir dos poços em Comorão, na costa persa. Aqui os Portugueses mantiveram um forte (Forte de Comorão), que capitulou ante os persas em 22 de Setembro de 1614.

Em 1616, Soar, que havia se revoltado uma vez mais, foi capturada por uma frota Portuguesa e o seu soberano, executado.

Em 1619, a fortaleza de Ormuz contava com um efetivo estimado entre quinhentos a setecentos soldados.

Em Janeiro de 1619, Rui Freire de Andrade, "General do Mar de Ormuz e costa da Pérsia e Arábia", partiu de Lisboa para a região, com instruções para dispersar os Ingleses, que haviam fundado uma feitoria em Jâsk desde 1616. A armada fundeou em Ormuz a 20 de Junho de 1620.

Em 1620 forças portuguesas sob o comando de Gaspar Pereira Leite erguem o Forte de Corfacão (atual Khor Fakkan).

Em 8 de Maio de 1621, forças portuguesas sob o comando de Rui Freire de Andrada iniciam a construção do Forte de Queixome (Qeshm), para assegurar o suprimento de água potável para Ormuz. Este acto foi considerado como um sinal de hostilidade declarada pelo Xá da Pérsia, que, em 1622, com o apoio de forças árabes, consegue capturar Julfar aos Portugueses.

Na sequência da queda do Forte de Queixome (11 de Fevereiro de 1622), uma flotilha do Xá Abaz I da Pérsia, com mais de 3.000 homens e o apoio de seis embarcações Inglesas,  cercaram o Forte de Ormuz (20 de Fevereiro). A 3 de Maio Ormuz rende-se aos Persas e aos seus aliados Ingleses. A guarnição e a população portuguesa na ilha, cerca de 2.000 pessoas, foram enviadas para Mascate. (Wilkipédia)

Ormus é mencionado por John Milton (1608-1674) no Paradise Lost de 1667 (Book II, lines 1-5):

“ High on a throne of royal state, which far
outshone the wealth of Ormus and of Ind,
Or where the gorgeous East with richest hand
Show'rs on her kings barbaric pearl and gold,
Satan exalted sat, ”

Compare-se a imagem de Albernaz com uma executada quase cem anos depois do mesmo ponto de vista.

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Johann Caspar Arkstee and Henricus Merkus, Das Eyland Ormus
oder Jerun
ca. 1747 Leipzig in Allgemeine Historie der Reisen zu Wasser und Lande; oder Sammlung aller Reisebeschreibungen, no.10, The Hebrew University of Jerusalem.

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A fortaleza e o minarete  dominando a cidade, que se abre em leque, com arruamentos radiais, e onde estão localizadas a igreja de S. João e Santo Agostinho.

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Em frente ao porto, as estrebarias.

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No outro lado da ilha o Koenigs Palast (a Caza del Rey). l23e

À direita da imagem as igrejas de S. Lucia e de Nossa Senhora da Esperança.

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No monte N.S. da Pena.

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À esquerda na imagem a Ilha de Kishom ou Quixome  (Quixime), com o poço.

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Na terra firme , costa da Pérsia, a fortaleza de Komrun (Comorão).

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(CONTINUA)

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