Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Lisboa: do Passeio Público às Avenidas Novas 3

 

Aberta a Avenida da Liberdade, o engenheiro Ressano Garcia, elabora em 1888 um projecto de urbanização de uma vasta zona de Lisboa, que se estendia desde a Rotunda do Marquês de Pombal até ao Campo Grande.

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Projecto de Ressano Garcia 1879

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Entrada Lisboa in Atlas Historico de Ciudades Europeas ed. Salvat Barcelona 1994

O plano, no essencial, era constituído por duas artérias arborizadas - a avenida Fontes Pereira de Melo e a avenida da República - articulados por uma rotunda a praça Duque de Saldanha. Destas avenidas partiam um conjunto de ruas constituindo uma malha ortogonal que se integrava nos percursos existentes. O conjunto conhecido por Avenidas Novas estabelecia uma expansão para norte e nordeste da cidade.

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Planta junta ao officio N.º 157 do Engenheiro Director Geral assinada Frederico Ressano Garcia

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Esquema do plano e dos percursos existentes. O traçado das Avenidas Novas substituem os antigos percursos no sentido N/S.

No número de Março de 1906 da revista Ilustração Portuguesa, num artigo intitulado  As Novas Construcções de Lisboa, sobre o Palácio Sotto Mayor, o autor “funccionario de mais elevada categoria do municipio” com o entusiasmo próprio do início do século, escreve:

“As transformações rapidissimas por que passou Lisboa n’estes ultimos sete annos são, entre muitos outros, um documento da nossa capacidade, sob o restricto ponto de vista da actividade e da iniciativa portuguezas. O ultimo anno do seculo XIX assistia aos trabalhos preliminares da nova e vastissima cidade, com que Lisboa ia engrandecer-se em direcção ao norte  e ao nascente, e já hoje, nas largas avenidas abertas, as arvores crescem, dão sombra e flor, os palacios alinham-se e os globos de luz electrica enchem com o seu luar as noites escuras e chuvosas de inverno.”

E depois de referir-se à Avenida da Liberdade que “fez progredir a cidade e a sua vida meio seculo”  considera que “a conclusão da rotunda do Marquez de Pombal e das suas avenidas irradiantes, dilatando por mais um milhão de metros quadrados a area de Lisboa”  (…) que parecia exhausta  por um immenso esforço e decidida á renuncia de maiores progressos (…) em pouco mais de sete annos espraiou-se pelas suas cercanias bucólicas”. E prossegue:os “tramways” electricos avançaram por novas ruas, que poucos mezes antes eram campos de trigo. As avenidas Fontes Pereira de Mello, Antonio Augusto de Aguiar, Ressano Garcia, Antonio Maria de Avellar, estenderam as suas filas symetricas de arvores atravez de todos os obstaculos. Trinta ruas, quarenta ruas, cincoenta ruas appareceram como por encanto, illuminadas, arborisadas, edificadas.”

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PLANTA DE LISBOA - Material cartográfico / des. Tavares Pereira. - Escala 1:15000. - [Lisboa : s.n., 19--]. - 1 carta : imp. em papel , a cores ; 60 x 40 cm http://purl.pt/3846 BND

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Paralelamente ao eixo principal Av. Fontes Pereira de Melo, surgem as Av. 5 de Outubro, a Oeste, e a Av. Defensores de Chaves, a Este, de menores dimensões.

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As alamedas centrais conferem ao espaço a capacidade de adaptar-se à escala da moradia e o espaço da rua permite ao edifício em altura.

“(...) Este sistema de controlo da forma e da imagem foi eficaz, proporcionando um largo campo de resposta às necessidades e capacidades de cada empreendimento.

Desde a «moradia» de ostentação ao« prédio de rendimento», desde a «habitação» à loja ou escritório, tudo isto pode caber na matriz das «Avenidas Novas».(...)

Esta capacidade do plano em conduzir a forma edificada a constituir-se como um resultado da interacção de factores determinados com factores imprevisíveis, que podem variar a cada instante sem que o perfil urbano da área se veja alterado, pode ser chamada, adequadamente, interactividade.(...)” José Callado As Avenidas Novas: um valor de uso, revista Sociedade e Território, 14/15, Dezembro de 1991.

As Arquitecturas

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As arquitecturas das Avenidas Novas, no início do século XX, são projectadas num momento em que os arquitectos se organizam na Sociedade dos Architectos Portuguezes, criada em 1901, e que irá publicar os Annuario da Sociedade dos Architectos Portuguezes, mostrando como a profissão de arquitecto ganha então um estatuto com reconhecimento social.

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Também em 1900 começa a publicar-se a revista a Contrucção Moderna que durará até 1919, dirigida pelo engenheiro J. M. de Melo e Matos e por R. G. d'Araújo Carvalheira (Rosendo Carvalheira). Em 1908 inicia-se a publicação de a Architectura Portugueza, que durará até 1926.

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Os números 1 das revistas a Construcção Moderna e de A Architectura Portugueza

Surgem ainda, quer por preocupações higienistas, quer pela própria evolução do papel do Estado - administração central e local - os primeiros Regulamentos de Edificação, destinados a normalizar e a regulamentar as construções urbanas e a substituir a insuficiente regulamentação dos Códigos Civis e das posturas municipais. Assim surge o “Regulamento de Salubridade das Edificações Urbanas” que explicita as "Condições Hygiénicas a adoptar na Construcção dos Prédios, approvado por dec. de 14 de Fevereiro de 1903”, que vem complementar, e substituir as disposições do Código Civil.

As edificações que se vão concretizar nas Avenidas Novas, são num primeiro momento, habitações ou palacetes, unifamiliares, correspondentes ao gosto burguês e fim de século, dos seus proprietários. A partir da segunda década do século XX, aparecem nas Avenidas os prédios de rendimento, ou seja as habitações plurifamiliares por andares.

“Nessas ruas de palácios sobranceiros aos bairros fabris, onde o ruído dos passos parece atufar-se em molezas de alcatifa, paira um silêncio de alta vida e um desdenhoso ar de boa sociedade e gente rica desde o berço. (…) Algum trem que se afasta de stores descidos, misterioso, discreto, levando o senhor juiz para o tribunal, o senhor banqueiro para a bolsa, o amante ou o médico — algum trem que se imbebe a largo trote pela arcaria de um palácio, cheio de crianças guiadas por uma inglesa velha, ou conduzindo, quem sabe ? a primeira culpa daquela jovem senhora que o marido abandona aos Monstros Parisienses de Catulle Mendes.” Fialho d’Almeida, Lisboa Galante, 1890.

Nesta viragem de séculos quando nas capitais europeias irrompe a  Arte Nova, em Lisboa não existem significativas construções  Arte Nova, embora esta não fosse desconhecida no nosso país, como o atestam numerosos escritos dos arquitectos e críticos da época e o desenho de numerosas peças de mobiliário, bem como a sua utilização nas artes gráficas.

Ramalho Ortigão no editorial do nº 1 da revista Architectura Portugueza,  fala no modern-style num texto bem fundamentado na linha do movimento inglês do Arts & Crafts, referindo Maple, Gallé, Morris, Lalique e a escola inglesa de Ruskin, Mackmurdo e de Williams Morris e  pondo o dedo na ferida do "ecletismo do fim de século e na vesania do bric-a-brac de que foi vítima... falsificando a história." Por outro lado, e porque em Portugal muitos viram na arte nova um fenómeno puramente decorativo, são relativamente frequentes as referências à arte nova, com carácter depreciativo:"...uns esthetas arte nova que sabem fazer caixas de amêndoas em logar de casas...".

Esta crítica da Arte Nova relaciona-se ainda com a temática da Casa Portuguesa que irá estar em destaque no debate disciplinar da época. O tema, que tinha sido iniciado por Joaquim de Vasconcelos (1848/1936) no campo da história e da etnografia, e sobretudo por Gabriel Pereira, Henrique das Neves e Paula de Oliveira, em 1893,ao procurar reconhecer a existência de um "Typo Portuguez de Casa"  irá nestes anos estar sempre presente nos artigos e nas críticas da "Architectura Portugueza" e por vezes, na "Construcção Moderna". Esta procura da Casa Portuguesa era uma resposta nacional aos movimentos europeus em torno da arquitectura doméstica, e uma crítica à arquitectura praticada pelos mais conhecidos arquitectos portugueses, todos de formação Beaux Arts.

Era ainda um modo de protesto contra o aparecimento de projectos de chalets, villas, cottages e chateaux, na época destinados sobretudo a estâncias balneares, mas também a situações urbanas, protesto que se exprimia nas publicações de arquitectura:"...A propósito de exagerada febre de construções, que ultimamente deu em detemperar o pacatismo tradicional da iniciativa lisboeta, muita banalidade ahi se tem apregoado e muito visiveis alvitres se teem proposto. Clama-se com razão, contra o alastramento pelintra do chalet - clamor, aliás, que já vimos acostumados a ouvir, ha bons vinte anos, - e como patriótica desforra a essa absurda transplantação, para o nosso clima, das inconfortaveis gaiolas alpinas, pedem os neoestetas, em altos brados, a renovação arquitectonica da casa portuguesa." escrevia Abel Botelho na "Architectura Portugueza" comentando a Exposição que o arquitecto Edmundo Tavares realizou na Sociedade Nacional de Belas Artes.

Apenas se destaca destas concepções parisienses, Raul Lino que publica em 1918 um ensaio intitulado "A Nossa Casa" - sucessivamente reeditado até 1929 - em que indica um conjunto de apontamentos sobre a arquitectura, numa preocupação educativa ou formativa, como aliás se deduz do subtítulo - " apontamentos sobre o bom-gosto na construção de casas simples" - na nostalgia da tradição, da "indole da nossa gente", "do trabalho manual" e da "ternura e gosto do artífice", preceitos que serão geradores de muitos dos equívocos a que ficará associado Raul Lino em relação à arquitectura e aos arquitectos modernos, particularmente com a publicação em 1933 de "Casas Portuguesas".

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Av. Fontes Pereira de Melo

A Avenida Fontes Pereira de Melo integra-se no projecto de crescimento da Cidade para Norte, aprovado em 1888, plano intitulado: "Avenida das Picoas ao Campo Grande" da autoria do Engenheiro Ressano Garcia.  Em 1894 inicia-se o processo de expropriações para a abertura da avenida. As terraplanagens nas avenidas Fontes Pereira de Melo e António Augusto de Aguiar, iniciam-se cerca de 1897.

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Av. Fontes Pereira de Melo 1918

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O palácio do Conde de Sabrosa onde terá havido uma intervenção de Norte Júnior.

Este Palácio foi comprado em 1929 por Alexandre de Almeida para a fixação de uma "Companhia dos Grandes Hoteis de Portugal". Em 1937, foi adquirido pela Companhia do Gás e Electricidade. Foi posteriormente demolido.

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fotos Joshua Benoliel, 1873-1932 Negativo de gelatina e prata em vidro 9 x 12 cm. post. 1891 AFML

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Palacete Gabriel José Ramires demolido

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foto post. 1891 Joshua Benoliel, 1873-1932 Negativo de gelatina e prata em vidro 9 x 12 cm.  AFML

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Palácio Sotto Mayor arq. Ezequiel Bandeira/ eng. Rodrigues Nogueira 1902/06

Mandado construir pelo banqueiro Cândido da Cunha Sotto Mayor (1852-1935) entre 1902 e 1906 segundo um projecto do Arquitecto Ezequiel Bandeira após a demolição do solar da família Mayer, ali existente. No entanto dever-se-á o projecto final ao capitão de engenharia António Rodrigues Nogueira  que “…emendando o projecto inicial dum apagado Ezequiel Bandeira, ou tendo este como seu ajudante (as versões técnicas divergem), o engenheiro ficou porém responsável por uma obra de mérito, de “estilo compósito com predomínio do gosto francês sobre o gosto italiano”, (…) reflecte mais do que o gosto burguês (que nas imediações descarreirava em luxos indiscretos), uma severa dignidade urbanística – de que um engenheiro militar se mostrava afinal mais capaz do que os arquitectos do momento.” José Augusto França, A Arte em Portugal no século XIX, volume II, Bertrand 3ª ed. 1990

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Foto Paulo Guedes, (1886-1947) AFML

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O palácio Sotto Mayor no Levantamento de 1911

É com o Palácio Sotto Mayor que a Ilustração Portuguesa, inicia em 1906, uma rubrica sobre AS NOVAS CONSTRUCÇÔES DE LISBOA.

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O Palacio Sotto Mayor “hoje o principal ornamento architectonico da avenida Fontes Pereira de Mello”  in Ilustração Portuguesa n.º 3 de 12 de Março de 1906

Casa António Caetano Macieira Júnior. Arq. Ernesto Korrodi (1870 - 1944). Prémio Valmor 1910. Demolida em 1961. Av. Fontes Pereira de Melo, 30.

Ernesto Korrodi, suiço de origem, veio viver para Leiria aos 24 anos de idade quando foi transferido como professor de desenho para a Escola de Desenho Industrial de Leiria. Foi influenciado pela Arte Nova austríaca e pelo revivalismo de Viollet-Le-Duc, em que se procurava recuperar os monumentos históricos, reconstituindo-os integralmente nas suas funções e formas arquitectónicas originais, resultando, muitas vezes, num retorno a um imaginário medieval "inventado". Ligado a várias iniciativas culturais em Leiria, desde 1907, realiza nesta cidade várias iniciativas de restauro e projecta algumas obras. Destacam-se o projecto do Convento da Portela, o edifício do Banco de Portugal, o edifício dos Paços do Concelho, a Companhia Leiriense de Moagens, o Jardim-Escola João de Deus, o Parque da Cidade, a Torre do Santuário do Senhor Jesus dos Milagres e o grande restauro do Castelo de Leiria.

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Foto AFML

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No levantamento de 1911

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foto AFML

A casa, à face da rua, desenvolve-se em planta de uma forma bastante racional, com um hall central, em ambos os pisos, que distribui para as diversas dependências. No rés do chão, do lado da rua a Sala e o Salão. Abrindo para a passagem o Escritório, um Gabinete e a Sala de Jantar. Na parede de meação, a escada de acesso ao piso, um saguão e a Cozinha, com dispensa e copa.

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No piso superior os quartos: do casal (Donos), com a Toillette  do Messieur e a Toillette da Madame, o quarto das crianças, dos hóspedes e da Miss.

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 Moradia unifamiliar José Maria Marques 1911. Arq. Manuel Norte Júnior. Prémio Valmor 1914. Av. Fontes Pereira de 28/rua Andrade Corvo 38. Sede do Metropolitano de Lisboa desde 1954.

O prémio Valmor foi atribuído pela "originalidade e disposição engenhosa da fachada principal e pela exuberância da decoração".

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foto AFML

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A Casa desenvolve-se em dois pisos. O rés do chão com um eixo central onde estão colocadas a entrada, o hall e a grande escadaria de acesso ao piso. Para cada lado deste eixo uma sucessão de salas que comunicam entre si, e abrindo para dois corredores de serviço, que rematam com a zona e a entrada de serviço. Todo o rés do chão é concebido para recepções e eventos sociais.

lx320d      lx320n                           Planta do Rez do Chão

O esquema mantém-se no piso superior, destinado aos quartos.

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“…Escadas largas, com corrimões de bronze, lambrissées de mogno, sob uma cúpula em vitrail, fazem nas residências pequenos museus fantásticos e preciosos. De lance em lance, alguma estatueta suporta um globo de alabastro.” Fialho d’Almeida, Lisboa Galante, 1890.

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Palacete Silva Graça Palacete Silva Graça (director do jornal O Século) Arq.º Miguel Ventura Terra.

Em 1931/33 segundo um projecto do arq. Vasco Regaleira (?- 1968),  foi transformado em  Hotel Aviz. Demolido em 1954 para a construção do hotel Sheraton, do arq. Fernando Silva (1914-1983).

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foto AFML

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No levantamento de 1911

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Cave

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Planta do 1º pisolx321b

planta do 2º piso

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O Hotel Aviz

O palacete em 1931/33 , foi transformado em Hotel Aviz, segundo um projecto do arq. Vasco Regaleira (?- 1968). O hotel, por onde passaram diversas personalidades no período entre as duas guerras, tornou-se muito conhecido por nele se ter instalado Calouste Gulbenkian. Foi demolido em 1961 para a construção do hotel Sheraton, do arq. Fernando Silva (1914-1983).

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lx322b                                          Fotos da Biblioteca da FCG

Norberto de Araújo citado no blogue Dias que voam descreve o Hotel Aviz: "(…) um hall vistoso, um salão renascença, no qual se vê, à direita, um fogão, tipo lareira portuguesa, com ricas colunas de madeira lavrada, peça que adveio da Vila de Santo António, à Junqueira, que pertenceu aos Burnays; sobre ele, colocou-se um brasão da Casa de Avis. Do lado oposto, vê-se um belo armário renascença, exemplar seiscentista, que estava no Convento das Trinas; e são de realçar, ao fundo, a formosa porta monumental e a balaustrada de ferrageria portuguesa antiga, peça que pertenceu à capela do Convento de Sacavém, naturalmente, todas elas restauradas. As sobreportas ostentam as armas e as divisas dos infantes da Ínclita Geração.
A sala de leitura, com mobiliário de estilo alentejano, o bar, no qual se notam baixos-relevos históricos de Diogo de Macedo e o sentido original no mobiliário, com os terraços decorados com azulejos do tipo hispano-árabe, definem já o carácter e a fisionomia do hotel
"

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Av. Duque de Loulé

Casa Ernesto Empis. Arq.º António Couto de Abreu (1874-1946). Prémio Valmor 1907. Demolido em 1954.

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A´casa obedece à tipologia da casa burguesa, com um rés do chão destinado a eventos sociais e o piso superior destinado a uma zona mais íntima de quartos.

No Rés do Chão a entrada no cunhal abrindo para um hall, que distribui para uma sala do lado da avenida e para um salão que por sua vez comunica com uma ampla sala de jantar.

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Edifício Avenida Duque de Loulé,72-74 Arq.º Adolfo A. Marques da Silva (1876-1939), Menção Honrosa do Prémio Valmor 1909. Demolido em 1965.

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Moradia Alfredo May de Oliveira, Arqº Álvaro Machado (1874 – 1944) Prémio Valmor 1919. Demolida em 1961.

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Numa solução então frequentemente utilizada em edificações de gaveto, a planta desenvolve-se a partir da bissectriz dos eixos dos dois arruamentos.

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Planta do Rez-do-Chão

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(Nota - sobre Álvaro Machado consultar: Magalhães,Nuno José Almeida, A Obra do Arquitecto Álvaro Machado, Tese de Mestrado ISCTE 2007)

Praça José Fontana

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1 – praça José Fontana 2- av. Duque de Loulé 3 – av. Fontes Pereira de Melo 4 – Liceu Luís Vaz de Camões 5 – Matadouro Municipal de Lisboa

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Planta de Lisboa [Material cartográfico : com as novas avenidas construidas e projectadas. - Escala [ca. 1:9200]. - Lisboa : A Editora, [19--]. - 1 carta : imp. em papel, color ; 79x59 cm. - Brinde de "O Século". - Inclui vista da fachada principal de "O Século" e uma vista da sucursal de "O Século" 1906 BND

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O local da implantação do Liceu Camões está já assinalado, no remate da avenida Duque de Loulé.

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Liceu Luís Vaz de Camões 1906/09. Arq. Miguel Ventura Terra.

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foto Benoliel, Joshua, (1873-1932) c. 1909 Negativo de gelatina e prata em vidro 9 x 12 cm AFML

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O Occidente n.º 1112, de 20 de Novembro de 1909

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A Construcção Moderna n.º 330, ano X, 1910

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Matadouro Municipal

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Foi edificado em 1863, segundo o projecto de Pezerat, e deixou de funcionar em 1955, sendo demolido e substituído pelo matadouro de Cabo Ruivo.

Pedro José (Pierre Joseph) Pezerat (1801-1872) chegou a Portugal cerca de 1840 vindo do Brasil onde fora arquitecto particular de D. Pedro e tinha trabalhado como engenheiro geodésico. Ocupando o lugar de engenheiro e arquitecto da Câmara Municipal de Lisboa em 1852, deu importante contributo para o desenvolvimento da cidade na década de 60, em particular no domínio das infraestruturas de abastecimento de água. A sua obra arquitectónica em Lisboa , não sendo muito vasta ,deixa transparecer a sua formação neo-clássica, onde se destaca a Escola Politécnica (onde foi professor de desenho) projectada em colaboração com J. Costa e Silva.

Av. António Augusto de Aguiar

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Moradia Unifamiliar Clementina dos Passos Ogando Pratt e Artur Pratt (actualmente sede da Ordem dos Engenheiros). Arq. Miguel Ventura Terra.  Menção Honrosa do Prémio Valmor 1913. Avenida António Augusto de Aguiar, n.º 3

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Moradia do início do séc. XX. Avenida António Augusto de Aguiar.

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Casa José Joaquim Miguéis 1902, Arq. Miguel Ventura Terra  (av. A. A. de Aguiar, 134)

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In http://lola-miguelventuraterra.blogspot.com/

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A casa em 1969 Fotografia João H. Goulart, AFML

Moradia na Avenida António Augusto de Aguiar, 144, arq. Raul Lino (1879 - 1974). Demolida

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foto Joshua Benoliel, 1873-1932 Negativo de gelatina e prata em vidro 9 x 12 cm AFML

Avenida Antonio Maria de Avellar (5 de Outubro)

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Habitação e atelier do Pintor José Malhoa (1855/1933) . Arq.º Manuel Norte Júnior (1878-1962).  Prémio Valmor 1905. Av. 5 de Outubro 6/8.

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A “Casa Malhoa”, localizada na antiga Avenida António Maria d’Avellar, hoje Avenida 5 de Outubro, foi mandada construir em 1904 para servir de residência e atelier ao pintor José Vital Branco Malhoa.

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Para os autores da A Construção Moderna de 1905 o edifício encontra-se “entre essas raras manifestações de arte que hão de servir de padrão de estimulo à Lisboa estética do futuro (...)”. [A Construção Moderna, ano VI, n.º 1, Fevereiro de 1905]

Foi descrita em 1909 como uma “(...) casa artística, o ninho feliz de um grande e genial artista. (...) Quer se analyse em conjuncto, quer em detalhe, a casa do sr. Malhôa é uma casa artística em toda a accepção da palavra, e, considerada irreprehensível sob todos os pontos de vista”. [A Arquitectura Portuguesa, Lisboa, Fevereiro de 1909]

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Com um programa particular já que se destina a habitação e a atelier, a casa organiza-se de uma maneira bastante funcional.

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Essa funcionalidade é evidenciada na grande janela em ferro, destinada a iluminar convenientemente o atelier do pintor, mas é também, um elemento fundamental na composição da fachada.

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A casa é decorada com painéis decorativos da autoria de Malhoa e de António Ramalho (1858-1916). A fachada é decorada com frisos ornamentais e painéis de azulejos com temas alusivos à Pintura.

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A casa pertenceu mais tarde ao Dr. Anastácio Gonçalves (que a comprou em 1932 em hasta pública) e a legou por testamento ao Estado. Nela se encontra instalada desde 1980 a Casa Museu Dr. José Anastácio Gonçalves.

Em frente na rua do Viriato a Maternidade Alfredo da Costa, 1908/32, projecto do arq. M. Ventura Terra.

A iniciativa da construção desta maternidade vem de 1908. Só em 1914 se nomeou uma comissão para fazer erguer o edifício, que teria o nome do médico e professor Alfredo da Costa. A maternidade apenas foi inaugurada em 31 de Maio de 1932, constituindo um dos muitos projectos da República de que o Estado Novo beneficiou.

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Para este terreno foi lançado em 1904 um concurso para a Igreja da Imaculada Conceição , tendo sido ainda lançada a primeira pedra mas com a República nunca chegou a ser construída tendo sido substituída pela Maternidade Alfredo da Costa, um equipamento de saúde, mais consentâneo com as preocupações dos republicanos. A Igreja está ainda implantada no levantamento de 1911. 

O concurso de 1904, uma consagração do neo-românico como estilo oficial da Igreja, foi ganho com alguma surpresa pelo arquitecto Evaristo Gomes, em detrimento do projecto classificado em 2º lugar, do arquitecto Álvaro Machado, (que recentemente havia realizado o túmulo dos Viscondes de Valmor) e cujo projecto foi reconhecido como o mais inovador.  Em 3º lugar classificou-se o arquitecto Francisco C. Parente.

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O Occidente n.º 934 de 10 de Dezembro de 1904

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Igreja-Monumento à Imaculada Conceição, Picoas, Lisboa, 1904 –
Perspectiva do Conjunto – Aguarela sobre papel, com dimensões aproximadas de 1,20x0,60m. [MDCivil – IST] in Magalhães,Nuno José Almeida op. cit.

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O Occidente n.º 934 de 10 de Dezembro de 1904

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Casa do Sr. Dr. Avelino Lopes Cardoso 1909, arq. Álvaro Machado

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Casa do Sr. Dr. Avelino Lopes Cardoso in A Construcção Moderna. n. º 295, 1909.

Praça Duque de Saldanha

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Monumento ao Marechal Saldanha 1904/09 Tomás (Figueiredo Araújo) Costa (1861-?) e Miguel Ventura Terra

A 5 de Julho de 1904 foi lançada a primeira pedra do monumento, sendo o monumento inaugurado em 18 de Fevereiro de 1909.

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Aspecto da Praça “Marechal Saldanha” por ocasião do lançamento da primeira pedra do monumento (Instantâneo do sr. Benoliel) in O Occidente n.º 919 de 10 de Julho de 1904

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O Occidente n.º 1087 de 10 de Março de 1909

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A VICTORIA - ESTATUA ALLEGORICA Esculptura de Thomaz Costa in O Occidente n.º 933 de 30 de Novembro de 1904

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Praça Duque de Saldanha Edifício de 1902

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Moradia Nuno de Oliveira 1910. Arqº Manuel Norte Júnior (1878-1962). Menção Honrosa Prémio Valmor 1912. Praça Duque de Saldanha 12.

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Num lote difícil, de notar a forma como Norte Júnior resolve a entrada no cunhal. A planta do rés do chão desenvolve-se a partir de um corredor para onde abre uma sucessão de compartimentos, a sul. A norte a escada de acesso ao piso e os serviços.

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A partir da praça Duque de Saldanha abre-se para norte a avenida chamada das Picoas, depois Ressano Garcia e finalmente da República.

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(CONTINUA)

7 comentários:

  1. Professor, sigo os seus artigos com muito interesse,, está a fazer um trabalho incrivel de pesquisa. Tendo andado eu no Arquivo de Lisboa a trabalhar sobre Ressano e Norte Júnior, posso atestar o volume e o trabalho de qualidade que está a publicar em open source. Parabéns e claro Obrigado.

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  2. Riquíssima síntese. Calculo só o labor. Para no-la dar assim, tão generosamente. Obrigado.

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  3. A excelência do artigo é digna de registo! A minha família ficou encantada... admirando a Casa do Sr. Dr. Avelino Lopes Cardoso 1909, arq. Álvaro Machado, in A Construcção Moderna. n. º 295, 1909. Creio já ter sido demolida! Despertou natural curiosidade a planta interior dos dois pisos. Infelizmente as imagens são demasiado pequenas para visualizar a organização interior da casa. Solicito a sua colaboração para nos oferendar uma digitalização em alta-resolução destas cinco imagens! Agradeço antecipadamente. Parabéns!

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  4. Um grande agradecimento pelo enorme trabalho de pesquisa e pela partilha com todos nós do imenso património arquitectónico que temos e, infelizmente, tivemos, em Lisboa. São verdadeiros tesouros, que se apagaram e que apenas podemos conhecer por fotografia`. Obrigado !

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  5. Muitíssimo interessante. Grande trabalho de pesquisa. Obrigada

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  6. Aguém,poderá saber qual o projecto inicial da AV. António Avellar(Av.5 de Outubro)??Se houve algum projecto de continuação,ou se o projecto terminava onde hoje acaba a mesma.Dado que a moradia construída no seu eixo data de 1953.
    Obrigado pela informação.

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