Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















terça-feira, 18 de Outubro de 2011

A propósito dos “Massacres” de Antoine Caron

O quadro Les Massacres du Triumvirat existente no Museu do Louvre em Paris, foi pintado em 1566 por Antoine Caron (1521-1599). Inicialmente numa peça só, não se sabe em que data foi dividido em três painéis, eventualmente para fazer um biombo.

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Antoine Caron (1521-1599) Les massacres du Triumvirat 1566 óleo sobre tela 1,160 x 1,950 m. musée du Louvre

Um outro quadro Le Massacre des Triumvirs, de 1562, sobre o mesmo tema e atribuído à escola de Fontainebleau, mas provavelmente de Antoine Caron, natural de Beauvais, está no museu de Beauvais.

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Atribuído a Antoine Caron, Le Massacre des Triumvirs,1562 Musée de Beauvais

1. A descoberta do quadro e o surrealismo

Em 1929 Michel Leiris (1901 -1990), então ligado a uma dissidência do Movimento Surrealista, juntamente com Georges Bataille (1897-1962 e outros, fundam em Paris a revista ilustrada Documents, uma publicação que pretendia ser uma alternativa aos surrealistas “ortodoxos” seguidores de André Breton (1896-1966), o qual nesse mesmo ano publicou o 2º Manifeste du Surrealisme.

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No essencial a revista, com 15 números publicados em 1929 e 1930, conta com a colaboração desses surrealistas dissidentes e de um grupo de etnólogos que mais tarde irão contribuir para a criação do Museu do Homem em Paris.

Por isso apresenta na sua capa em subtítulo Doctrines, archéologie, beaux-arts, ethnographie que depois passa a Archéologie, beaux-arts, ethnographie, variétés, e exibe textos e imagens relacionando artes primitivas e arte moderna. A revista publicou imagens de obras deentre outros, Picasso, Braque, Juan Gris, Klee, Giacometti, Léger, Dali, Masson, Hans Arp e Brancusi.

Na revista Documents n.º 7 de Dezembro de 1929, Michel Leiris publica um artigo intitulado UNE PEINTURE DE ANTOINE CARON, com quatro fotografias do “Les Massacres du Triunvirat”.

Para além de uma Introdução, onde é referido o outro quadro, Le Massacre des Triumvirs, Neil Cox aponta que “o ensaio divide-se em três partes distintas reflectindo sem dúvida, a forma do quadro. As três partes são: uma reminiscência autobiográfica da infância sem relação aparente com o trabalho em causa, uma exploração especulativa dos motivos do artista que sugere que a pintura está ligada a práticas de magia negra e, finalmente, uma poética e extraordinária evocação do mundo deste massacre.” (Neil Cox A Painting by Antoine Caron in Papers of Surrealism Issue 7, 2007 The Use-Value of Documents)

O tema e a composição do quadro, vem ao encontro da estética surrealista, seguida por muitos autores nesta época entre as duas guerras.

Por isso Leiris (que como os surrealistas da época consideram De Chirico o primeiro dos surrealistas) escreve que Antoine Caron “foi o autor de um dos quadros que se pode colocar meritoriamente  entre os mais aterradores e mais admiráveis, e que contém em germe uma grande parte da pintura actual, nomeadamente a de Chirico.”

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Giorgio de Chirico (1888-1978) A ribeira de Tessália 1926. óleo sobre tela. 92 x 73 cm. Coleção particular

2. O autor: Antoine Caron (1521-1599)

Sabe-se  que Antoine Caron nasceu em Beauvais, onde terá realizado pinturas religiosas, que foram destruídas na Revolução Francesa, e trabalhou com os pintores italianos chamados por François I (1494 – 1547), para Fontainebleau na década de 40 e 50, como Francesco Primaticcio (1504-1570) e Nicolò dell’Abate (1509/12-1571). Tornou-se o pintor favorito da corte de Catarina de Médicis (1519-1589), para quem produziu para além de pintura, uma assinalável quantidade de desenhos, muitos deles depois reproduzidos em gravuras, cartões para tapeçarias, e ainda realizou decorações para diversas cerimónias e festejos da corte.

Existe uma gravura feita pelo  gravador de origem holandesa, Thomas De Leu (1560 – 1612) que foi seu genro, com o retrato de Antoine Caron.

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(antoine) peintre, a paris né à Beauvais + en 1599 à 78 ans gravé par son genre Thomas de Leu, Album Louis-Philippe Gravura sobre madeira sur bois 4,5 x 2.7 cm. châteaux de Versailles et de Trianon.

3. O tema dos Massacres

Os títulos dos quadros, Le Massacre des Triumvirs e Os Massacres do Triunvirato referem-se aparentemente aos massacres que se deram no tempo do 2º triunvirato formado por Octávio, Marco António e Lépido, durante a luta pelo poder e a guerra civil que se seguiu ao assassinato de Júlio César no Senado em 44 a.C.

Mas na época em que os quadros são pintados, eles são imediatamente conotados com os massacres da Guerra Religiosa entre católicos e protestantes (huguenotes), que eclodiu nos meados do século XVI em França, onde aliás também se constituiu um “triunvirato”.

Os massacres do triunvirato de Roma são descritos pelo historiador grego de Alexandria, Apiano (c. 95-c.165) na sua “História Romana”, onde certamente se inspirou Antoine Caron para as sua pinturas, veja-se o número de decapitações, que nelas figuram.

“ Imediatamente, em toda a cidade e região, onde cada um deles fosse encontrado, houve prisões repentinas e assassinatos de várias formas, decapitações com recompensas quando a cabeça fosse mostrada, e indignas rusgas em disfarces cuja estranheza contrasta com o antigo esplendor. Alguns refugiaram-se em poços, outros em esgotos imundos. Houve quem se refugiasse em chaminés. Outros agachados no mais profundo silêncio entalados debaixo das telhas dos seus telhados. Alguns não eram menos temerosos dos assassinos do que as suas esposas e crianças, enquanto outros temiam pelos seus libertos e pelos seus escravos; credores temiam seus devedores e vizinhos temiam vizinhos que cobiçavam as suas terras. Houve uma explosão repentina de latentes e velhos ódios e uma mudança chocante na condição de senadores, cônsules, pretores, tribunos (homens que estavam prestes a assumir estes lugares, ou que já os exerciam) que se atiravam, com lamentações aos pés de seus próprios escravos, dando ao servo o estatuto de salvador e mestre. Mas a coisa mais lamentável é que mesmo após esta humilhação não obtiveram qualquer piedade. (…) Alguns morreram defendendo-se contra os seus assassinos. Outros não opuseram nenhuma resistência, considerando os assaltantes sem culpa. Alguns morreram de fome, ou enforcados, ou afogados ou atirando-se dos telhados para o fogo. Alguns ofereceram-se aos assassinos ou a eles foram enviados quando conseguiram escapar. Outros esconderam-se e fizeram súplicas abjectas, ou comprar os carrascos tentando ficar fora de perigo. Alguns foram mortos por engano, ou por vinganças privadas, contrariamente à intenção dos triúnviros. ..” Apiano História Romana Livro IV (tradução livre do francês rf)

Jean de Gourmont, um antecessor de Antoine Caron, produziu gravuras inspiradas em Apiano, que poderão ter influenciado Caron. (Compare-se esta gravura com o quadro Les Massacres des Triumvirs)

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Jean de Gourmont (c. 1483-ap. 1551) , Pourtraict representant les massacres cruels & inhumains faits à Rome l’an 711 de la fondation, par le Triumvirat Octavius Caesar, Anthonius & Lepidus, gravura em madeira, c.1550 Bibliothèque nationale de France.

Os massacres no tempo de Caron

A época em que Antoine Caron pintou os quadros é marcada em França por uma violenta guerra religiosa, opondo católicos e protestantes então chamados de huguenotes, que se inicia em 1562 e só terminará em 1598 com o Édito de Nantes. As suas consequências irão, contudo prolongar-se até ao século XVIII.

O rei Henri II, nascido em 1519 e rei de França desde 1547, casado com Catarina de Médicis, e que durante o seu reinado se assistiu ao crescimento do protestantismo, morre acidentalmente num torneio em 1559, torneio organizado para os festejos do casamento de Isabel, filha do rei de França com Filipe II de Espanha.

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Antoine Caron (1521-1599)Le Tournoi desenho à pena, lavis e tinta castanha, tinta da China, 40,7 x 55,5 cm., musée du Louvre

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Jean-JacquesPerissin (1536-antes 1611) Le tournoy ou le Roy Henry II fut blessé à mort le dernier de Juin 1559, água-forte musée national du château de Pau

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Jean-Baptiste-Edouard Detaille (1848-1912) Mort d'Henri II, lors du tournoi de l'hôtel des Tournelles óleo sobre tela 57 x 105 cm.  musée de l'Armée Paris

A viúva Catarina de Médicis (1519-1589) rainha-mãe, vai tornar-se então uma personagem com uma enorme influência na política da França. A Henri II sucede o seu filho François II (1544-1560), com apenas 15 anos, casado com Maria Stuart da Escócia, mas que reinou apenas 5 meses, sucedendo-lhe o irmão Carlos IX (1550-1574) então com apenas dez anos. ac16

Antoine Caron (1521-1599) Frontispice du règne de Charles IX : allégorie des guerres religieuses desenho à pena, lápis lavis e tinta castanha, realces a branco 41 x 55 cm., musée du Louvre. Desenho pertencente a uma série para "L'Histoire Françoyse de nostre temps", manuscrito encomendado por Nicolas Houel, e oferecido a Catarina de Médicis.

A católica Catarina de Médicis, irá desempenhar um papel fundamental durante toda a Guerra Religiosa do século XVI. Inicialmente tem uma política de conciliação com os protestantes mas logo em 1561 perante uma revolta dos protestantes dá-se o massacre de Cahors e no ano seguinte o massacre de Wassy (Março de 1562) e o de Sens (Abril de 1562).

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Jacques Tortorel (1568-1592), Jean-Jacques Perissin(1536-avant 1611), Frans Hogenberg (1535-1590) Le massacre de Cahors, 19 Novembro 1561 água-forte musée national du château de Pau

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Jacques Tortorel (1568-1592), Jean-Jacques Perissin(1536-avant 1611), Massacre des protestants à Vassi (ou Wassy) le 1er mars 1562 par le duc de Guise gravura em madeira Bibliothèque nationale de France

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Jacques Tortorel (1568-1592), Jean-Jacques Perissin(1536-avant 1611), Frans Hogenberg (1535-1590) Le massacre de Sens, 12-14 avril 1562 Massacres et pillages perpétrés sur les habitants de Sens suspectés d'appartenir à la Réforme água-forte 17,9 x 28 cm. musée national du château de Pau

Entretanto ainda em 1561 forma-se um Triunvirato para a defesa do catolicismo, de que fazem parte o condestável Anne de Montmorency (1493-1567), duque e par de França, barão de Baux, amigo íntimo do rei François I e de Henri II, François de Lorraine, Prince de Joinville, e Duque de Guise (1519-1563), chamado o Balafré.e Jacques d'Albon de Saint-André, (1505-1562) marechal de França.

François Clouet (c.1510 – 1572), um dos outros pintores da chamada Escola de Fontainebleau, pintou os três triúnviros.

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1 Anne de Montmorency c. 1560 óleo sobre madeira 16,5 x 14 cm. musée Condé Chantilly                                                                                                                                                                                 2 François de Lorraine Duc de Guise c. 1560 óleo sobre madeira 31 x 23 cm. Musée du Louvre                                                                                                                                                           3 Jacques d'Albon c.1562 óleo sobre madeira 23 × 32 cm musée national du château et des Trianons Versailles

Em 1562 os católicos comandados pelo triunvirato, e os protestantes comandados por Louis de Bourbon prince de Condé (1530-1569), confrontam-se na batalha de Dreux. Nesta e apesar da morte de Jacques d’Albon e de Montmorency ter sido feito prisioneiro, os católicos acabam por sair vencedores com a captura de Louis de Condé. O duque de Guise cerca de seguida a cidade de Orléans mas morre com três tiros nas costas.

Em 1566 dá-se um novo massacre em Foix e no ano seguinte em Nimes.

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Perissin Jean-Jacques (1536-1611?) Massacre des protestants à Nîmes dans la nuit du 1er octobre 1567 água forte 38 x 49 cm.châteaux de Versailles et de Trianon

Em 1567 nova batalha em Jarnac onde os protestantes são de novo vencidos e só em 1570 é assinada a paz entre Catarina de Médicis e o novo príncipe de Condé em Saint-Germain-en-Lay. Os conflitos entre católicos e protestantes continuarão logo em 1572 com o conhecido massacre de Saint- Barthelemy (S. Bartolomeu) que fez milhares de mortos em Paris e em outras cidades de França.

Houve quem vi-se no quadro Les Massacres du Triumvirat de Caron uma antevisão ou uma premonição do massacre de Saint-Barthelemy, que aconteceu em 24 de Agosto de 1572, portanto alguns anos mais tarde da execução da pintura.

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François Dubois (1529–1584) Le massacre de la Saint-Barthélemy c. 1576 Musée cantonal des Beaux-Arts Lausanne

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Autor desconhecido Massacre de la Saint-Barthélemy Paris, Société de l'Histoire du Protestantisme Français (SHPF)

A Carlos IX sucede em 1574 o seu irmão Henri III (1551-1589) e os conflitos entre católicos e protestantes prosseguem até ao assassinato do rei, e à morte de Catarina de Médicis, pondo fim à dinastia dos Valois.

4. O quadro do Museu de Beauvais de 1562

Michel Leiris, no texto já referido e numa espécie de Introdução,  refere uma outra pintura atribuída a Caron com o mesmo tema: “Um quadro com o mesmo tema que aquele que publicámos figurou numa venda anónima a 20 de Outubro de 1817 (catálogo redigido por Laneuville) mas as suas dimensões (43 x 78 cm.) são nitidamente diferentes. Anatole de Montaiglon numa monografia (Antoine Caron de Beauvais, peintre du XVIe siècle, Paris, 1850) descreve igualmente um quadro com o mesmo tema, também atribuído ao mesmo pintor. Mas as dimensões indicadas vagamente por Montaiglon não concordam com as do catálogo Laneuville e a descrição explícita difere pelos pormenores precisos dos dados do quadro que publicamos, que somente pode ser atribuído claramente a Antoine Caron.” (tradução livre do francês rf)

O quadro referido pertence ao Museu de Beauvais e intitula-se Le Massacre des Triumvirs e está datado de 1561/62, sendo por isso anterior ao quadro do Louvre. É atribuído à escola de Nicolo Dell’Abate (Guilio Camillo dell'Abate Nicolò dell' Abate, ou apenas Nicolò, 1509/12 – 1571), um dos pintores que trabalhou em Fontainebleau com Francesco Primaticcio (1504-1570) para a corte de Henri II e Catarina de Médicis. Por isso, e comparando os dois quadros é muito provável que seja da autoria de Antoine Caron. 

O quadro mostra sob um céu de nuvens amarelecidas pelos incêndios, uma praça e uma rua, onde se desenrolam os massacres, perante o olhar dos triúnviros sentados num luxuoso pórtico, em frente do qual se ergue uma coluna com a estátua de Diana.

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O quadro é composto segundo uma perspectiva central rigorosa com o ponto de fuga colocado num pequeno templo no centro e no remate da rua.

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O texto de Anatole de Montaiglon (1824-1895), a que se refere Michel Leiris "Antoine Caron de Beauvais, peintre du XVIe siècle,publicado em L'Artiste, Fevereiro de 1850 descreve o quadro (invertido em relação ao eixo vertical) da seguinte forma:

"Três generais, sem dúvida os triúnviros, estão sentados à esquerda (à direita) sob um pórtico cujas balaustradas estão cheias de cabeças cortadas.

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Veja-se a gravura de Jean de Gourmont, onde os triúnviros estão à esquerda sentados numa tribuna que faz parte do edifício, e cuja balaustrada também exibe as cabeças cortadas.

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O resto do quadro é uma enorme praça rodeada por sumptuosos edifícios de um gosto muito curiosos, e toda ponteada de uma forma bastante bizarra de pequenos grupos separados de carrascos e vítimas; as personagens assim dispersas na tela e as maiores tendo cinco ou seis polegadas, são inúmeras e o quadro parece à primeira vista vazio.

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Vistos em pormenor alguns dos grupos: um homem que um soldado agarra pela barba, um velho que vai ser decapitado, são excelentes e pintados com uma cor suave, se bem que bastante pálida.

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Uma larga rua abre-se ao fundo, e por cima das casas com telhados pontiagudos, apercebem-se as colinas ao longe da paisagem.

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Na gravura de Jean de Gourmont os massacres também se desenrolam numa praça que abre para uma rua rematada por um templo.

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Finalmente, no primeiro plano à direita,(à esquerda) vê-se uma espécie de cave na qual se encontra um velho; um outro homem que está por terra fala-lhe e vai talvez acordar esta misteriosa personagem que não tentarei explicar. (Uma referência às catacumbas e aos primeiros cristãos ?)

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A mesma estranha figura aparece à esquerda na gravura de Jean de Gourmont.

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É necessário não esquecer algumas partes secundárias de uma rara felicidade: a estátua branca de Diana pousada sobre a coluna de mármore com baixos relevos em espiral que se levanta no centro da praça, (A estátua de Diana, com o arco e as flechas, o seu atributo de deusa da Caça, é também uma referência a Diane de Poitiers (1499-1566) a amante de Henri II)

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e as três estátuas que ornamentam a balaustrada do terraço com uma cúpula onde se sentam os três triúnviros. (tradução do francês rf)

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5. O quadro do Museu do Louvre de 1566

Mas o quadro que despertou a atenção de Michel Leiris e dos surrealistas, é o existente no Museu do Louvre, e que analisado em detalhe confirma a atribuição da autoria de ambos a Antoine Caron.

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A paisagem é constituída por uma Roma imaginária, que compõe uma larga praça onde se desenrolam os massacres.

Neste quadro Caron mostra o mesmo céu de nuvens amarelecido pelos incêndios. Nesse céu aparecem entre as nuvens umas figuras que Michel Leiris descreve e interroga, como “Os cavaleiros vermelhos que, nos Massacres, atravessam o céu, por cima dos monumentos de Roma e das balaustradas cheias de cabeças cortadas, arquitecturas entre as quais decorrem cenas terríveis de carnificina, não podiam ter um significado mais profundamente simbólico como  mensageiros do sofrimento ? (tradução do francês rf)

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O quadro divide-se em três partes limitadas pela coluna e pelo obelisco, mesmo antes de ter sido separado.

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A composição

A composição é estruturada de um modo semelhante ao outro quadro, com uma perspectiva rigorosa, de ponto de fuga central, colocado no centro do Coliseu, onde estão sentados os triúnviros.

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As figuras

Caron coloca no primeiro plano as cenas sanguinárias onde se vê os comandos dos exércitos de pé e separados em dois grupos vestidos de cores diferentes.

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A decapitação

As figuras que no primeiro plano representam o massacre são em grande parte constituídas por cenas de decapitação. (ver o texto de Apiano)

Michel Leiris, para mostrar a presença do fantasma da decapitação no nosso imaginário, na primeira parte do seu texto sobre o quadro de Caron, relata a impressão que lhe causou ainda criança a imagem do Sacrifício de Isaac “por cima de uma criança ajoelhada, as mãos juntas e o pescoço estendido, o braço do patriarca levantava-se, empunhando uma enorme adaga, e o velho erguia os olhos para o céu sem ironia, procurando a aprovação do deus sanguinário a quem oferecia o filho em holocausto.” (tradução do francês rf)

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Tiziano Vecelli (1485/90-1576) O Sacrifício de Isaac, 1542-44 óleo sobre Tela, 328 x 285 cm Santa Maria della Salute, Veneza

De acordo com o texto de Apiano, “as cabeças dos proscritos estavam expostas no forum, onde era necessário levá-las para receber a recompensa”, Caron coloca em quatro elementos arquitectónicos, que se assemelham a balcões de lojas, as cabeças dos massacrados.

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Mas a  cena que nos atrai imediatamente a atenção, é no centro da composição, um soldado com uma espada na mão exibindo uma cabeça decepada de um velho, num pequeno palco redondo. Ainda de acordo com Apiano trata-se de “Laenos mostrando de longe a cabeça do orador para que António a veja”

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Compare-se a figura com o Perseu de Benvenuto Cellini (1500-1571) na Loggia dei Lanzi em Florença.

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Benvenuto Cellini (1500-1571) Perseu  c.1533. À direita a escultura em bronze 75 cm.  Museo del Bargello Florence

Mais à direita um outro soldado envergando uma lórica, está prestes a desferir o golpe fatal num velho estendido no chão.

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A posição do carrasco e da vítima segue um modelo já estudado para outras representações sobretudo de cenas bíblicas.

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Daniele da Volterra ou Daniele Ricciarelli (1506-1566) Combat de David et Goliath óleo sobre ardósia 1,33 x 1,72 m. musée du Louvre

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Daniele da Volterra ou Daniele Ricciarelli (1506-1566) massacre dos inocentes grafite 9,4 x 9,8 cm. Palais des Beaux-Arts Lille

Subindo uma escada um outro soldado vem correndo com outra cabeça na mão.

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Numa cena que exprime o terror do massacre um outro soldado enfia a mão no ventre de um cadáver decepado.

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6. Roma

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A figuração de Roma, que aparece no quadro, tem também dois significados: é em Roma que se dão os massacres no tempo do Triunvirato de Octávio, mas Roma é no tempo de Antoine Caron, o centro da Igreja Católica, a braços com a luta contra a Reforma.

Aspectos de Roma do século XVI

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Hartmann Schedel, Liber chronicarum Nuremberg 1493

Roma em c.1550ac300

Sebastian Munster Romanae urbis situs, quem hoc Christi anno 1549 habet in Cosmographiae Universalis 1550 Basileia

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Braun and Hogenberg Civitates Orbis Terrarum I 1572

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Braun and Hogenberg     Civitates Orbis Terrarum I 1575

Caron constrói como fundo do seu quadro uma Roma imaginária, com os seus monumentos mais conhecidos, numa espécie de colagem tão grata aos surrealistas. Nunca tendo visitado Roma Caron vai socorrer-se do álbum de gravuras de Antoine Lafréry (1512-1577) Speculum romanae magnificentia, de 1540.

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A representação dos edifícios e monumentos de Roma é aqui alargada até ao século XVIII com gravuras de Giuseppe Vasi (1710-1782) e Giovanni Battista Piranesi (1720 - 1778), bem como a imagens posteriores.

O Coliseu

Ao centro o Coliseu representado de forma a percepcionar o seu interior com os seus três andares e as arcadas circulares.

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Antoine Lafréry Theatrum sive Coliseum Romanum Published in Rome “Collegg Societatis Jesu Moguntiae” gravura 23,2 x 33,5 cm.The British Museum

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Ambrogio Brambilla (1549-1629) e Claudio Duchetti,(? –1585) THEATRUM SIVE COLISEUM ROMANUM1581  Rome  39.5 x 54.5 cm. in Speculum Romanae Magnificentiae

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Etienne Du Pérac (1520–1607) I vestigi dell'antichità di Roma 1575

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Etienne Du Pérac (1520–1607) Urbis Romae Sciographia, 1574

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Braun and Hogenberg Civitates Orbis Terrarum I 1572

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Braun and Hogenberg Civitates Orbis Terrarum I 1575

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Giovanni Maggi (1566-1618), Disegno nuovo di Roma moderna  Roma, ed. 1625.

A Roma Barroca de Giuseppe Vasi

Dois séculos depois Giuseppe Vasi  (1710-1782) escreve entre 1746 e 1761 Sulle magnificenze di Roma Antica e Moderna, em 10 Livros, um guia ilustrado de Roma organizado por categorias tipológicas: 1 Portas e muralhas 1747 ; 2 Praças principais 1752; 3 Basílicas e Igrejas 1753 ; 4 Palácios e vias 1754; 5 Pontes e edifícios sobre o Tibre 1754; 6 Igrejas paroquiais 1756; 7 Conventos e casas de clérigos 1756; 8 Mosteiros e recolhimentos femininos 1758; 9 Colégios, hospitais e outros edifícios pios 1759; 10 solares e jardins 1761. Apesar da distância temporal tem algum interesse comparar as imagens e seguir os comentários de Vasi acerca de cada um dos monumentos romanos.

Giuseppe Vasi no Livro II de 1752,  escreve:

Anfiteatro Flavio

“Foi Flavio Vespasiano que principiou este maravilhoso edifício para solenes espectáculos e festas públicas, e  foi acabado por Tito o seu filho e dedicado ao seu pai. Possibilitava setecentas e sete milhares de espectadores, sem que ninguém impedisse o outro, e aí se realizaram festas festas maravilhosas e esplêndidas, e espectáculos muito cruéis, e muitas vezes sacrifício de Cristãos, muitos dos quais aí sofreram martírios. Chamou-se Coliseu por causa de um colosso que aí estava, com a altura de 120 pés representando Nero.” (tradução livre do italiano rf)

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Giuseppe Vasi (1710-1782) Piazza del Colosseo gravura de Sulle magnificenze di Roma Antica e Moderna, 1752/61

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Gabriel Blanchard (1630-1704) Vespasiano construindo o Coliseu modelo para a Sala de Apolo c. 1672 óleo sobre tela 82 x 131 cm., châteaux de Versailles et de Trianon Versailles

Pode ver em Portugal

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Giovanni Paolo Pannini  (1691-1765)  Ruínas de Roma Antiga 1725/50 óleo sobre tela 67 x 87 cm. Museu Nacional de Arte Antiga

O Panteão

Por cima do Coliseu o Panteão visto de frente com a fachada clássica e a célebre cúpula esférica. O Panteão foi inicialmente um templo dedicado a todos os deuses e só no início do século VII, o papa Bonifácio IV o transformou em Igreja, dedicada a Santa Maria dos Mártires. Foi ainda chamada pela sua forma “La Rotonda”.

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Antoine Lafréry Pantheum Romanum nunc Mariae cognomento Rotundae notum ad antiquum suam effigiem et formam expressum  1549  gravura  39,3 x 47,1 cm.

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Philip Galle (1537-1612) S. Maria Rotunda (le Panthéon), d'après Hendrick III van Cleve (1525 - 1589) in Ruinarum varii prospectus, ruriumq. aliquot delineationes gravura 17,7 x 24,2 cm.

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Sebastian Munster Romanae urbis situs, quem hoc Christi anno 1549 habet in Cosmographiae Universalis 1550 Basileia

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Braun and Hogenberg Civitates Orbis Terrarum I 1572

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Braun and Hogenberg Civitates Orbis Terrarum I 1575

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Giovanni Maggi (1566-1618), Disegno nuovo di Roma moderna Roma,1625.

Giuseppe Vasi Livro II 1752

Panteão ou igreja de S. Maria dos Mártires.

Este maravilhoso templo, segundo o senso comum, de certeza não se sabe quem o erigiu; mas no tempo de  Marco Agripa  genro de Augusto foi-lhe acrescentado o pórtico, e se chamou Panteão porque era dedicado a todos os Deuses gentílicos. Na parte superior, que hoje está transformada em igreja estavam colocadas as estátuas dos Deuses celestes, e ao nível do solo os terrestres, estando no meio a estátua de Cibele; e na parte debaixo, que agora está coberta com o pavimento, estavam distribuídos as estátuas dos penitentes. (…) (tradução livre do italiano rf)

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Giuseppe Vasi (1710-1782) Piazza della Rotonda gravura de Sulle magnificenze di Roma Antica e Moderna, 1752/61

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Autor desconhecido, o Panteão de Roma 1877 gravura em madeira 19 x 21 cm.

De reparar nas duas torres sineiras que durante muito tempo foram colocadas por cima do frontão.

O arco de Tito

O arco foi construído pelo imperador Domiciano e pelo Senado romano para celebrar o imperador Tito. Durante a Idade Média, o arco foi incorporado nas fortificações construídas pelos Frangipane à volta do Coliseu, sendo usado como porta. Em 1822 o Papa Pio VII encarregou o arquiteto Giuseppe Valadier para restaurar o arco, diferenciando o original dos acrescentos. O interior do arco tem dois painéis retratando cenas do Triunfo de Tito, após a sua campanha na Palestina. ac37 k

Giuseppe Vasi escreve no  Livro II  de 1752

Arco di Tito

Muito desguarnecido se encontra este célebre arco o qual pela inscrição, que ainda existe na parte do lado do Coliseu, e pelos baixo-relevos com o candelabro do templo de Jerusalém trazido em triunfo por Tito e Vespasiano, assegura que é a ele dedicado. Outra inscrição que estava do outro lado, foi arrancada conjuntamente com os outros ornamentos, pelos “inimigos da verdade” e das belas memórias.(tradução livre do italiano rf)

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Antoine Lafréry The Arch of Vespasian, seen in reconstructed form. 1548 Speculum Romanae Magnificentiae gravura 50 x 37,7 cm. The British Museum

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Juan Bautista Martinez del Mazo (c.1612-1667) o arco de Tito em Roma óleo sobre tela 146 x 111 cm. Museu do Prado

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Bernardo Bellotto (1721–1780) O Arco de Tito em Roma, antes do restauro Valadier 1742-1744 óleo sobre tela 38 × 28 cm.   Galleria dell'Accademia Carrara. Bergamo

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Giovanni Paolo Pannini (1691-1765) Paisagem ideal com o Arco de Titus 1754 óleo sobre madeira 73 x 95 cm colecção particular.

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foto dos finais do século XIX

O Campidoglio e a estátua de Marco Aurélio

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Antoine Lafréry A Estátua equestre de Marco Aurélio no Capitólio vista da esquerda 1548 gravura 36 x 24,3 cm.

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Hieronymus Cock c. 1510–1570), o Campidoglio antes da intervenção de Miguel Ângelo.

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Braun and Hogenberg Civitates Orbis Terrarum I 1575

A intervenção de Miguel Ângelo

A praça trapezoidal, a sul da colina do Capitólio foi remodelada em 1536 por Miguel Ângelo. No centro da praça encontra-se uma estátua equestre do imperador Marco Aurélio, em bronze, instalada pelo próprio Miguel Ângelo no ano de 1544. Dos três lados, a praça é circundada por palácios o Palácio do Senado, o Palácio dos Conservadores projectado por Giacomo della Porta entre 1563-1565, e o Palácio Novo dos Senadores da autoria de Girolamo Rainaldi. A praça abre-se para uma escadaria com as estátuas de Castor e Pólux. Em baixo, duas pequenas fontes com leões de bronze, de cujas bocas jorram jactos de água.

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Planta com a intervenção de Miguel Ângelo sobreposta à antiga Roma. Museu Capitolino Roma

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Planta do arranjo do Capitólio

Escreve Giuseppe Vasi  no Livro IV, 1754

Campidoglio, e suoi Palazzi

…O grande pontífice Paulo III foi quem, depois de ter aberto a rua de acesso, fez ainda com desenho de   Buonarroti a magnífica escada rampeada flanqueada de balaústres. As duas leoas de mármore egípcio que brotam água nas fontes, que estão no início da escada, foram do templo de Isis, e o tronco da estátua, que se vê feita em pórfiro, acredita-se que é Roma.Os dois grandes colossos, que se vêm no cimo da escada representam castor e Polux com os seus cavalos, e os dois grandes troféus em mármore um à direita e outro à esquerda são de Mário; asduas estátuas são de Constantino Magno e as duas colunas, uma é a milenária refeita pelo imperador Vespasiano, e na outra diz-se que estavam as cinzas de Trajano.
No meio da praça vê-se a estátua equestra de metal corintio representando Marco Aurélio, que foi encontrada nos vinhedos junto à Escada Santa no templo de PioV, e que por algum tempo esteve colocada na praça da basílica Lateranense, mas com Paulo III, foi aqui colocada sobre um grande pedestal feito por Buonarroti.(…) Os três palácios que circundam esta praça pertencem à Magistratura Romana, e foram os dois laterais ornados com pórticos internos e externos segundo o desenho de Buonarroti.(…) O palácio do meio, no qual reside o Senador de Roma , foi arquitectado por Giacomo del Duca Siciliano aluno de Buonarroti: deste é contudo,o desenho da escada de dois tramos, e a fonte com a estátua de Roma a ser feita em pórfiro, com o rio Nilo e o Danúbio dos lados
(tradução livre do italiano rf)

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Giovanni Maggi  (1566-1618) Mapa de Roma 1625.

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Recueil édité sous le règne de Louis XIV Planche 92 :vue du Capitole à Rome Fait par Aveline avec privilège du Roy gravura 22 x 31,5 cm châteaux de Versailles

Na legenda: O Capitólio restabelecido pelos Papas Inocêncio X e Alexandre VII. este famoso edifício é desenho de Miguel Ângelo. Está acompanhado dos seus magníficos ornamentos  Estátuas e Palácios vizinhos a maior parte desenho de Tibúrcio Vergelli. de maneira que é um dos mais belos lugares da cidade de Roma .

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Giuseppe Vasi (1710-1782) Palazzi di Campidoglio gravura de Sulle magnificenze di Roma Antica e Moderna, 1752/61

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Postal dos finais do século XIX

Pode ver em Portugalac100

Giacomo Van Lint, (1723 – 1790) Piazza di Campidoglio, Roma 1744 óleo sobre tela 98,6 x 134,8 cm. Museu Nacional dos Coches. Transferida do Paço Patriarcal de S. Vicente de Fora.

O Templo de Castor e Polux

O templo foi construído após a batalha vitoriosa no Lago Regillo (496 aC), durante o qual os romanos viram Castor e Pólux galopando ao seu lado. Está localizado em frente da Fonte di Giuturna, o lugar sagrado onde os dois pararam com os seus cavalos antes de anunciar a vitória ao povo da cidade. O templo foi reconstruído várias vezes e as três colunas restantes são parte de uma reconstrução do tempo do imperador Tibério. O mármore veio da ilha grega de Paros.

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Antoine Lafréry Porticus Templi Iulii columnae tres cum epistylii parte ut in foro Rom. fissuris scilicet fracturisq. deformes extant 1550 gravura 29,3 x 21,1 cm. the British Museum

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Etienne Du Pérac (1520–1607) I vestigi dell'antichità di Roma 1575

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Giuseppe Vasi (1710-1782) parte di Campo Vaccino gravura de Sulle magnificenze di Roma Antica e Moderna, 1752/61

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foto dos finais do século XIX.

O Arco de Sétimo Severo

O arco foi construído pelo Senado para comemorar o décimo aniversário da adesão do Imperador e suas vitórias nas guerras contra os partos. O arco foi transformado em fortaleza na Idade Média e uma torre foi construída no seu topo. Esteve parcialmente enterrado.

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Antoine Lafréry  O Arco de Septimus Severus 1547 Speculum Romanae Magnificentiae  gravura 44,7 x 39,5 cm.

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Sebastian Munster Romanae urbis situs, quem hoc Christi anno 1549 habet in Cosmographiae Universalis 1550 Basileia

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Etienne Du Pérac (1520–1607) I vestigi dell'antichità di Roma 1575

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Giuseppe Vasi (1710-1782) Parte di Campo Vaccino gravura de Sulle magnificenze di Roma Antica e Moderna, 1752/61 – repare-se no Arco de Sétimo Severo parcialmente enterrado.

Os Dióscuros

Sobre o Arco Antoine Caron coloca um Dióscuro dominando um cavalo. As esculturas representavam os deuses Castor e Polux e são cópias romanas do século II de originais gregos do século V a. C. No entanto houve quem visse nelas uma representação de Alexandre dominando o Bucéfalo. Estavam inicialmente colocadas nas Termas de Constantino e só foram trasladadas para a praça do Quirinal em 1587, portanto depois de executada a pintura de Antoine Caron.

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Antoine Lafréry Equitum em Quirinali, aversa Parte, marmorei colossos Romae; absolutissima Praxitelis et Fidiae manu 1550

Na legenda refere-se os Dióscuros anteriormente atribuídos a Fídias e Praxíteles, com duas figuras próximas, uma das quais sentada numa pedra a desenhar, e a outra apontando para o monumento.

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Hartmann Schedel, Liber chronicarum Nuremberg 1493

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Sebastian Munster Romanae urbis situs, quem hoc Christi anno 1549 habet in Cosmographiae Universalis 1550 Basileia

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Giuseppe Vasi (1710-1782) Palazzo Pontifico sul Quirinale gravura de Sulle magnificenze di Roma Antica e Moderna, 1752/61 – junto do obelisco os dois Dioscuros

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Giovanni Battista Piranesi (1720 - 1778) Veduta della Piazza di Monte Cavallo (Piazza del Quirinale) 1746/48 gravura água-forte, 49,2 x 55 cm (aprox.) BND Portugal

O Castelo de Sant’Angelo

O Mausoléu do imperador Adriano, tornou-se uma fortaleza  e foi rebaptizado de Castelo de Sant’Angelo para comemorar a aparição ao papa Gregório Magno de um anjo que lhe anunciou o fim da peste que grassou em Roma em 590.

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Antonio Lafreri ou Claudio Duchetti CASTELLO ANGELO DI ROMA 1575-1586 gravura 25 x 36 cm

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Antoine Lafréry (?) 1544-1577  Castello S. Angelo di Roma 24,7 x 34,8 cm.

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Sebastian Munster Romanae urbis situs, quem hoc Christi anno 1549 habet in Cosmographiae Universalis 1550 Basileia

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Braun and Hogenberg Civitates Orbis Terrarum I 1572

Giuseppe Vasi no  Livro V escreve

Castel s. Angelo

Este redondo e maravilhoso edifício, que agora vemos despojado de qualquer ornamento, foi edificado, como dissemos, por  Elio Adriano Imperador imitando o Mausoléu de Augusto, para aí colocar as suas cinzas e os Césares seus sucessores (…) Estava todo recoberto de mármore, circundado de maravilhosas colunas, com as quais Constantino Magno ornamentou depois a basilica de S. Pedro e a de S. Paulo, e nas quais ainda se podem ver com admiração.(…) Mas depois, …sendo mudado para fortaleza, o castelo mudou também de nome no Pontificado de S. Gregório Magno (…) e pelo mesmo Pontífice foi erguida uma igreja em honra do celeste Príncipe S. Miguel Arcanjo…(tradução livre do italiano rf)

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Giuseppe Vasi (1710-1782) Ponte Adriano oggi  detto S. Angelo gravura de Sulle magnificenze di Roma Antica e Moderna, 1752/61

Pode ver em Portugal

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Henrique César de Araújo Pousão, Aspecto de Roma (Castelo de S. Ângelo) 1882 óleo sobre madeira 10 x 16,5 cm. Museu Nacional Soares dos Reis Porto

A coluna de Trajano e o Obelisco de S. João de Latrão

Construída no Forum de Trajano a coluna celebra as vitórias do Imperador na guerra da Dácia. Teria em cima uma estátua dourada de Trajano. É feita em 34 peças de mármore.

O papa Sisto V mandou-a restaurar e colocar-lhe em cima a estátua de S. Pedro.

O obelisco de S. João de Latrão

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Braun and Hogenberg Civitates Orbis Terrarum I 1575

Giuseppe Vasi no  Livro II

Colonna Trajana

O Senado e o Povo Romano ergueram esta grande coluna no centro do célebre Foro de Trajano em honra do do mesmo Imperador, e nela foram esculpidas admiravelmente a gesta das guerras Dácicas contra Dacabalo. Era encimada, segundo alguns, a estátua dourada do mesmo Imperador, e segundo outros, as cinzas dele numa bola dourada.

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Giovanni Battista Piranesi (1720 - 1778) Trofeo o sia Magnifica Colonna ... ove si le guerre devido veggono scolpite daciche fatte como Trajano, nel mezzo del gran inalzata foro ...Roma 1770

É composta por 34 peças de mármore, sendo que o pedestal contém 8, a base um, o fuste da coluna 23 e o capitel um; o total tem 128 pés; e sobe-se até ao cimo através de 180 degraus escavados no mármore, recebendo luz de 43 pequenas janelas.

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Sisto V tendo-a restaurado, e desenterrado até ao sopé, colocou-lhe encima a estátua de s. Pedro Ap. também de metal. (tradução livre do italiano rf)

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Giuseppe Vasi (1710-1782)  Piazza di Colonna Trajana gravura de Sulle magnificenze di Roma Antica e Moderna, 1752/61

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Postal dos finais do século XIX

O Obelisco de S. João de Latrão

Giuseppe Vasi no Livro II

Obelisco Egizio sulla Piazza di S. Giovanni in Laterano

“Muito célebre, e maravilhoso é o grande obelisco, que se vê erguido no meio da vastíssima desta praça pois que estava erguido em Tebas por Ramsés Rei do Egipto no interior de um vastíssimo templo em honra do Sol, (…) Constantino Magno tirou-o do seu sítio, e pelo Nilo  trouxe-o até Alexandria, e enquanto preparava uma nave de 300 remos para o conduzir a Roma, morreu antes de efectuar a empresa, felizmente realizada depois por seu filho Constâncio;  transportado pelo Tibre  foi introduzido em Roma pela porta Ostiense, e colocado no meio do Circo máximo. (…) O Pontífice Sisto V, no ano de 1588 fê-lo desenterrar das ruínas do Circo máximo, onde jazia 14 palmos debaixo de terra, junto de aquele (outro obelisco) , que depois o mesmo Pontífice alçou…na piazza del Popolo (praça do Povo). E como estava partido em três bocados, fê-lo reajustar, e junto ao pórtico e ao palácio, que havia construído com desenho do Cav. Domenico Fontana, em 10 de Agosto foi alçado em honra de Jesus Cristo verdadeiro Sol  de justiça, pondo-lhe um sinal da ss. Cruz de metal, com 9,5  palmos de altura; de modo que do plano da praça até ao cimo da Cruz tem a altura de duzentos e quatro palmos.” (tradução livre do italiano rf)
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Giuseppe Vasi (1710-1782) Piazza di San Giovanni in Laterano gravura de Sulle magnificenze di Roma Antica e Moderna, 1752/61

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Postal dos finais do século XIX

As duas esculturas
O Apolo do Belvedere

O Apollo Belvedere foi descoberto perto de Roma no final do século XV. Trata-se muito provavelmente de uma cópia em mármore, datada do século II, do original em bronze do escultor grego Leocarés. Pertenceu ao  Cardeal Giuliano della Rovere, que se tornou Papa com o nome de Júlio II e foi transferida por ele para o Vaticano em 1509 e colocada no  Cortile del Belvedere, donde deriva seu nome .

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Antonio Lafreri, SIC ROMAE EX MARMORE SCULP. IN PALATIO PONT. IN LOCO QUI VULGO DICITUR BELVEDERE 1552 gravura 46.0 x 31.0 cm in op.cit.

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Apolo do Belvedere mármore  Museo Pio-Clementino Vaticano

A Estátua de Commodo Imperatore o Hércules Romano

Lucio Aurelio Commodo (161-192) filho de Marco Aurélio, tornou-se imperador em 180. Considerado cruel e sanguinário era um apaixonado pelos  combates de gladiadores e comparando-se com Hércules chegou a participar em combates. Foi assassinado por um gladiador a troco de dinheiro, depois de um conjura.

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Antonio Lafreri COMMODI. IMP. FACIEM ATQUE HABITUM HERCULIS INDUTI AC PUSIONEM INFANTEM (CUIUS ERRORE PERIIT) BRACHIO LAEVO GESTANTIS STATUA INSIGNIS ITA UT IN BELVEDERE (PONT HORTO SIC VULGO APPELLATO) 1550 gravura 45 x 30 cm in op.cit.

7. Outros quadros de Antoine Caron

Para terminar apresentam-se alguns outros quadros de Antoine Caron, que mostram o porquê do impacto na obra de alguns dos pintores surrealistas como Salvador Dali, René Magritte ou Paul Delvaux. Merecerão uma análise mais profunda numa próxima ocasião.

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Antoine Caron (1521-1599) La sibylle de Tibur  ou Augusto e a Sibila óleo sobre tela 1,25 x 1,70 m. musée du Louvre

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Antoine Caron (1521-1599) (atelier de) les funérailles de l'Amour óleo sobre tela 1,64 x 2,09 m. musée du Louvre

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Antoine Caron (1521-1599) Carrocel com elefante  óleo sobre tela colecção particular.ac600

Antoine Caron (1521-1599) Dionísio o Areopagita convertendo o Filósofo Pagão ou  Astrónomos estudando um eclipse 1571 óleo sobre madeira 92 x 73 cm. Museu J. Paul Getty