Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















quinta-feira, 5 de abril de 2012

BARROQUISMOS VII (1)

1706

Achegas sobre o Porto Barroco

cap.I Breve enquadramento

Terminada a Guerra da Restauração (1668) no período, correspondente aos reinados do poder absoluto de D. Pedro II e D. João V, Portugal - apesar do episódio da Guerra da Sucessão Espanhola - beneficia globalmente da paz com os países estrangeiros, o que permite o desenvolvimento do comércio externo, com uma economia sustentada pela exploração do ouro do Brasil e pelo desenvolvimento do comércio.

D. Pedro II, nasce em 1648, torna-se regente em 1668 e rei em 1683 e morre em 1706

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Elias Christoph Heiss (1660-1731)  Petrus II D. G. Rex Portugalliae  171-? gravura maneira negra, p&b ; 33 x 22 cm http://purl.pt/1053 BND
D. João V, nasce em 1689 torna-se rei em 1707 morre em 1750. Três retratos de D. João V no seu longo reinado.

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1 D. João V atribuído a Pompeo Girolamo Batoni (1708 -1787 )óleo s/ tela Palácio da Ajuda 2 D. João V por Carlos António Leoni (c.1745-1774) óleo sobre tela 100,6 x 74,8 cm Museu Nacional dos Coches 3 D. João V 1748 por Alessandro Giusti (1715-1799) mármore 120 x 80 x 60 cm Palácio de Mafra

A esta exploração e as suas consequências em Portugal e na corte de D. João V, referiu-se Montesquieu (1689-1755) na Enciclopédia: “Quanto maior for a massa de ouro na Europa, tanto mais Portugal será pobre, tanto mais será uma província da Inglaterra, sem que por isso ninguém seja mais rico.”

Também o poeta Manoel Bandeira (1886-1968) num poema publicado em 1940 na Lira dos 50 anos refere a exploração do ouro e as suas consequências:

“Ouro branco! Ouro preto! Ouro podre!/De cada ribeirão trepidante e de cada recosto/De montanha o metal rolou na cascalhada/Para fausto d’el-Rei: para a glória do imposto/Que restou do esplendor de outrora? Quase nada:/pedras…templos que são fantasmas ao sol-posto."

Mais recentemente, a grande poetisa brasileira Cecília Meireles (1901-1964), no seu Romanceiro da Inconfidência de 1953, faz uma pertinente descrição destes tempos do Barroco:

“D. João V, rei faustoso, entre fidalgos e criados,/calcula grandes despesas para os festins projetados./Ai, quanto veludo e seda, e quantos finos brocados!/Ai, quantos rubis do Oriente e diamantes lapidados!

Ai, quantos vasos e joias, cinzelados, marchetados…/E embora tenha o seu reino limites tão dilatados/E seja Rei tão faustoso, entre os demais potentados/ai, como está com seus cofres completamente arrasados!

Ai, quantos ricos presentes para outros reinos enviados!/Ai, que mosteiro, ai que torres, ai, que sinos afinados!/Eis que recebe a notícia de que ao porto são chegados/os quintos de ouro das minas que do Brasil são mandados.

Ai, que alegria ressumam seus olhos aveludados…/Ai que pressa, que alvoroço, por catorze mil cruzados!”

(nota sobre o Barroco Brasileiro publicarei futuramente um texto)

Com base nesta economia, neste período acentua-se a estruturação de uma classe aristocrática quer eclesiástica quer cortesã, que irá, no seguimento da Contra Reforma, fomentar uma série de construções e reconstruções barrocas (ou tardo barrocas) ligadas à Igreja ou palácios e habitações urbanas, periurbanas e rurais, os solares .

Contra o poder desta classe irá lutar o Marquês de Pombal decapitando a aristocracia no processo dos Távoras, e atacando o poder da Igreja com a expulsão dos Jesuítas.

O Porto

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A agricultura, beneficia do considerável aumento da produção de cereais e sobretudo do vinho, datando de 1678 a primeira exportação de vinhos para Inglaterra, registada na Alfândega do Porto. Como consequência do tratado de Methween de 1703, do nome do inglês John Methwen (1650 - 1706) que o negociou, o comércio internacional intensifica-se, tornando a barra do Douro e a cidade do Porto um importante ponto de movimentação de mercadorias e passageiros. Destacam-se os navios ingleses seguindo-se os holandeses, franceses, alemães e os portugueses, sobretudo com as viagens para o Brasil.

cap.II - O perfil da cidade em três imagens.

Este período -o Porto Barroco - é ilustrado por três vistas da cidade:

1. A de Pier Maria Baldi de 1769;pb00

2. A de H. Duncalf de 1736;pb000b

3. A de Teodoro de Sousa Maldonado, de 1789, sendo que esta, integrando todo este período, reflete já as intervenções urbanas do Iluminismo e da acção dos Almadas, no Porto a partir de 1757 e que abrem um novo ciclo na evolução da cidade.pb0000a

O Porto é identificado em cada uma das imagens por cartelas:

A de Baldi sob a fita onde aparece a palavra PORTO, um escudo com umas fantasiosas armas da cidade.

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Na de Duncalf uma fita tem escrito OPORTO mostrando a origem inglesa do seu autor que, como muitos outros seus compatriotas, desempenham já um relevante papel na cidade.

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Na de Maldonado dois anjinhos barrocos (putti) seguram uma fita onde está inscrito C.de DO PORTO. Na margem inferior entre a legenda, as Armas da Cidade com a inscrição Civitas Virginis .

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Os objectivos destas imagens já não são militares. A defesa da cidade de ataques por terra é realizada pelas fortalezas e praças de armas num cordão fronteiriço que se estende da fronteira com a Galiza a norte, até à fronteira do Guadiana a sul, e resultante da Guerra da Restauração. A defesa dos ataques marítimos à cidade(na época os mais perigosos) é feita por três fortes: o de S. João Baptista da Foz do Douro) iniciado em 1570 mas com uma grande transformação entre 1642 e 1653 e de que Maldonado desenha uma gravura para a Descripção Topographica e Historica; o de São Francisco Xavier do Queijo (Castelo do Queijo) de cerca 1661; e o de Nossa Senhora das Neves de Leça de 1638, todos assinalados no mapa de J. G. Cruz de 1775.

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José Gomes da Cruz, Piloto das Naus de Guerra, detalhe do  “(…)Mapa he a demonstração da Costa do Mar desde a vila de Matozinhos, athe a Barra da Cidade do Porto (…)” 1775. Cópia de 1906 Arquivo da APDL

Sobre estes três fortes e num texto de 1728 a propósito das festividades de um duplo casamento realizado no Porto, pode ler-se: “… aos Militares o Coronel do Regimento pago da Guarnição desta Cidade, e Governador das Armas Antonio Monteiro de Almeida, que álem de dispor q em todas as seis noites o Regimento formado nas praças della desse repetidas salvas de mosquetaria, mãdou ordem aos tres Castellos de São Joaõ da Foz, S. Francisco Xavier do Quejo, e Matosinhos, paraque nas mesmas noites se dessem alternadas salvas de artelharia; e assi o fizeraõ…”

na Relação dos Festivos Applausos com que na Cidade do Porto se congratularaõ os felices despozorios dos Serenissimos Senhor Dom Joseph Principe do Brasil, e Senhora D. Maria Anna Victoria Infanta de Castellae dos Serenissimos Senhor D. Fernando Principe das Asturias, e Senhora D. Maria Barbara Infanta de Portugal, Lisboa Occidental Na Officina da Musica, anno 1728.

O Douro e a Muralha

A vista (…) cae sobre o Douro, que faz porto á cidade, e lava as muralhas, que decem a beber na agoa.”                     Frei Luís de Sousa (c.1555-1632) História de São Domingos Livro III cap. XIII 1623/26

Nas três imagens destacam-se dois elementos: o Douro e a cidade cinturada pela muralha.

O Porto edificado aparece praticamente confinado ao perímetro da muralha dita Fernandina. Mas esta, já sem funções militares, tem apenas funções fiscais e sanitárias, e serve para estabelecer os limites da cidade. Fora das muralhas e pertencendo à cidade, apenas edificações em Miragaia a poente, os campos da zona das Fontaínhas a nascente (nas duas primeiras imagens) e a zona de Vila Nova e da Serra do Pilar na margem sul do Douro.

Mas na sucessão destas imagens, a muralha fazendo parte da cidade vai progressivamente assumir um papel de unificação da sua arquitectura, e apresentando-a como um todo coerente, cria uma imagem identificadora do Porto, clara e facilmente reconhecível.

Também o Douro tem nas três imagens uma presença central, já que é gerador do próprio nome (funcional) da cidade.

Assim, em todas elas está presente a navegação, quer pelas embarcações que se deslocam ou estão fundeadas no rio, quer pelas actividades que se desenvolvem nas margens, quer ainda pelos edifícios de referência para a navegação no Douro. (1) Na primeira e na terceira imagens está assinalada a Torre da Marca.

(1) ver neste blogue Os transportes marítimos e fluviais em Abril de 2010

Também Vila Nova de Gaia, na margem sul do Douro (2), que então não estava separada administrativamente do Porto, aparece representada nas três imagens, sendo de notar a evolução da forma e do espaço que os artistas dão à margem sul em cada uma das imagens.

(2) Num momento em que se fala da fusão de concelhos!

Na primeira de Baldi, é-lhe dada um largo espaço, mostrando uma Gaia rural e bucólica, entre a colina do Castelo e a zona edificada no sopé da Serra do Pilar cuja igreja aparece representada.

Na segunda de Duncalf, apenas aparece uma pequena língua da margem onde se desenvolvem já, para além da pesca, as actividades ligadas ao comércio do vinho.

Finalmente na de Maldonado, Gaia ocupa uma boa parte da imagem, num espaço totalmente edificado que se eleva até ao mosteiro da Serra do Pilar.

 A imagem de Baldi

Em 1668-1669 o príncipe Cosme (Cosimo) III de Medicis (1642-1723), Grão-Duque da Toscana, realiza uma viagem pela Europa incluindo a Espanha (1668) e Portugal (1669), tendo aqui permanecido de 9 de Janeiro a 1 de Março de 1669.

Nesta visita aos países ibéricos, que se inicia precisamente no ano em que termina a guerra da Restauração, o príncipe faz-se acompanhar do conde Lorenzo Magalotti (1637-1712), pensador, diplomata e poeta, que escreve então um Diário, onde Pier Maria Baldi (?-1686), insere um conjunto de 71 aguarelas de vistas de cidades ibéricas, entre as quais o Porto. Os originais encontram-se na Biblioteca Laurenciana de Florença e foram publicados (não coloridos), pelo Centro de Estudos Históricos de Madrid, com o título de Viaje de Cosme de Médicis por España y Portugal (1668-1669) pbooc

Viaje de Cosme de Médicis por España y Portugal (1668-1669) publicado em 1933 edicion y notas por Angel Sánchez Rivero y Angela Mariutti de Sánchez Rivero. Madrid : Sucesores de Rivadeneyra, [1933]. - XXVI, 347 p. + 1 pasta (3 f., 71 estampas) ; 25 cm, 51x67 cm http://purl.pt/12926 BND

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Lorenzo Magalotti (1637-1712), mostrando o seu conhecimento que então adquiriu de Portugal, tem uma curiosa dissertação acerca da origem e do significado das palavras portuguesas Cheiro e Púcaro numa Carta de 1695 (Lettere Prima, Firenza 5 luglio 1695) em que começando por referir Camões e a Ilha dos Amores do canto IX dos Lusíadas, refere as Terre Odorose, citando ainda algumas curiosas expressões populares de Alfama:"Hua sopa de Vaca com o seu coentrosinho: Eua sardinha do Rio assada, com o seu bocado de doce, et hum pucaro de agoa do chofariz: rica cousa, regalada cousa!” in Varie Operette del conte Lorenzo Magalotti con giunta di otto Lettere su le Terre Odorose d’Europa e d’America dette volgarmente Bucchere, obra publicatate per la prima volta per Giovanni Silvestri Milano MDCCC XXV

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A aguarela de Pier Maria Baldi é apresentada neste álbum em duas imagens não coloridas: uma de Massarelos e da Torre da Marca até à Sé e a outra que se sobrepõe em parte, de S. Bento da Vitória até às Fontaínhas. Em primeiro plano Vila Nova de Gaia, do convento de Val da Piedade até ao mosteiro do Pilar.pb00a

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A imagem completa é centrada no rio.pb00

No Douro, uma embarcação fundeada em Massarelos, cinco outras fundeadas ao longo do cais de Banhos na margem norte, uma barca que atravessa o rio de velas enfunadas e dois pequenos barco de remos.pb0004

A cidade ao fundo, contida pela muralha fernandina. pb0004

O edificado prolonga-se para Miragaia, com a sua praia.

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Mais distante o pequeno aglomerado de Massarelos. Aqui onde existia um estaleiro naval, foi fundada em 1394 a Confraria das Almas do Corpo Santo por navegantes que tinham sofrido uma tempestade quando regressavam de Inglaterra.

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No alto da colina, que corresponde hoje ao Palácio de Cristal, bem visível a Torre da Marca que servia para orientação dos navios que entravam na barra do Douro. Foi construída pela Câmara em 1542, a pedido do rei D. João III, em substituição de um pinheiro que ali existia com as mesmas funções. Como veremos irá perder a sua funcionalidade com a construção da Torre dos Clérigos.porto12a2

O fortim da Porta Nova construído por ordem de D. Manuel, aqui ainda com a sua forma primitiva.

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Na imagem de Baldi também se destaca o Convento de S. João Novo. Quando em 1583,  foi criada a paróquia de São João de Belo Monte, a sede era na capela de São João Baptista. Em 1592 com a extinção da freguesia, dividida pelas  de Vitória e S. Nicolau, a ermida foi doada aos Agostinhos. Estes iniciaram então a construção do Convento e da igreja de S. João Novo, concluída por volta de 1689. porto12a4

Na zona ribeirinha mostram-se os Conventos de S. Domingos e de S. Francisco. O convento de Nossa Senhora dos Fiéis de Deus de S. Domingos foi fundado em 1238 e construído entre 1239 e 1245. Em 1375 é reconstruído após um incêndio. No início do século XVIII irá sofrer uma nova remodelação. O convento de S. Francisco data de 1245 mas a sua igreja é construída entre 1383 e 1410. Irá sofrer alterações no século XVIII.

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Na cidade destaca-se o morro da Sé, com a Catedral, o Paço do Bispo e o Colégio e  igreja de S. Lourenço (Grilos), e a torre da Câmara.

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A Sé é um edifício iniciado nos finais do século XII, mas cuja construção se estendeu pelos séculos seguintes. O Paço Episcopal é o antigo, já que o edifício actual apenas foi construído entre 1771 e 1793. O Colégio de S. Lourenço (Grilos) foi iniciado em 1573, e a igreja iniciada em 1577 (alguns autores colocam em 1614 o início da construção da igreja) sendo as obras dirigidas por Baltazar Álvares, sob um risco inicial da autoria de Afonso Álvares. A Casa da Câmara (Paços do Concelho) edificado no século XV serviu a administração municipal até aos finais do século XVIII, quando se mudou para o Colégio de S. Lourenço.pb22f

A poente o Morro da Vitória com o Convento Beneditino fundado em 1598, no tempo dos  Filipes, mas cuja igreja projectada pelo arquitecto Diogo Marques Lucas (?-?),  é iniciada cerca de 1604 apenas se concluindo na última década do século XVII, datando a fachada de 1709.pb0003

O lado nascente da cidade amuralhada com o convento de Santa Clara transferido de Entre-os-Rios para o Porto em 1405, por D. Filipa de Lencastre, e construído entre 1416 e 1427. A igreja só estará concluída em 1457. Sofrerá alterações nos séculos seguintes.pb22g

No primeiro plano um troço da margem sul desde o convento de Vale Piedade ao convento da Serra do Pilar.

O mosteiro de Vale da Piedade é descrito no Elucidário do Viajante no Porto de Francisco Ferreira Barbosa, publicado em Coimbra em 1864 do seguinte modo:

"O mosteiro de Vale da Piedade foi fundado em 1569, pelos religiosos franciscanos (antoninos) da província da Soledade, ou reformados menores de S. Francisco.
Ao lugar onde se fundou este mosteiro (em frente de Miragaia, na margem esquerda do Douro) se chamava até então Vale de Amores. Deu-se-lhe este nome, porque sendo um matagal, com árvores silvestres, era o alcoice (local de prostituição) dos moradores do Porto e Gaia. Os frades mudaram o nome para o de Vale da Piedade.”

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A zona ribeirinha da margem sul

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O Convento da Serra do Pilar resultou da intenção de D. João III de substituir o arruinado mosteiro de Grijó, mudando-o para a serra de São Nicolau de Vila Nova, defronte da cidade do Porto; 1537 - Frei Brás de Braga escreve a D. João III e refere Diogo de Castilho e João de Ruão como mestres contratados para as obras; 1538 - lançamento da 1ª pedra na presença do Bispo do Porto D. Baltasar Limpo.

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A gravura e a pintura de H. Duncalf c.1733

Esta estampa terá resultado de uma pintura a óleo provavelmente também da autoria de (Humphrey ?) Duncalf, de 1730 ou 1733 e que pertenceu à coleção de João Allen (1781-1848) encontrando-se hoje no Arquivo Histórico Municipal do Porto.

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H. Duncalf ? Vista do Porto c. 1730/33 óleo sobre tela 155 x 90 cm. Arquivo Histórico Municipal do Porto

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OPORTO. H. Duncalf delin. H. Toms sculp. Publish'd According to Act o f Parliament Augt. 3. 1736 Água-forte colorida 38 x 61 cm. Tem uma fita superior com O PORTO e uma legenda com dez números em Português e Inglês dos principais edifícios.CMP

Legenda: 1 Os frades de S. Bento  2 A Igreja da Vittoria  3 Os Agostinhos  4 Os Congregados  5 S. Domingos  6 S. Francisco  7 A Igreja da Sé  8 O Paço do Bispo  9 Os padres da Companhia  10 A Igreja de S. Nicolau (À direita a legenda em inglês)

Na gravura de H. Duncalf  de cerca de 1733,  o que se altera significativamente é o ponto de vista do autor, agora deslocado para poente, conferindo ao Douro e às actividades portuárias o principal protagonismo. Na zona ribeirinha destaca-se a praia de Miragaia, a Porta Nova e o seu fortim, e a reentrância correspondente à Porta de Banhos.

O cais de Miragaiapb15r

O fortim da Porta Nova agora com a sua forma redonda.

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A porta de Banhospb15p

No rio uma tartana, um rabelo, e diversas fragatas de comércio com bandeira inglesa e próprias para a navegação de longo curso.

(ver neste blogue Os Transportes marítimos e fluviais)

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Na margem sul (3) diversas personagens dedicam-se às actividades do rio: do lado esquerdo da imagem pescadores lançando uma rede sob o olhar atento de uma personagem de casaca, dois frades e um serviçal com uma cesta. Ao centro e à direita diversas personagens como carregadores, tanoeiros e comerciantes, ligadas ao comércio do vinho, que assume já uma importância fundamental na economia da cidade.    pb15z      (3) A imagem do cabeçalho deste blogue!

Na cidade, onde se notam ainda grandes zonas não edificadas, destaca-se agora o convento de S. Bento da Vitória, o pano poente da muralha e o vale das Virtudes onde corre o Rio Frio. pb15

O convento de S. Bento da Vitória 1 Os frades de S. Bento já acabado no exterior.

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O Morro da Vitória apresenta já com o n.º 2 A Igreja da Vittoria que corresponderá à  igreja construída em 1638 para substituir a pequena capela existente, sede da paróquia de Nossa Senhora da Vitória criada em 1583.  Entre 1756 e 1766 será construída a actual Igreja.pb15b

Na cidade baixa com os mosteiros de S. João Novo, de S. Domingos e de S. Francisco, com algumas transformações exteriores, mas sobretudo com intervenções nos seus interiores.

Com o n.º 3 Os Agostinhos de S. João Novo cuja fachada foi refeita em 1726.pb15c

Com o n.º 5 S. Domingos pb15e

E com o n.º 6 S. Francisco com o portal da igreja já modificado adquirindo a sua expressão barroca. Datam da primeira metade do século XVIII as intervenções em talha dourada no interior. pb15fpb15n

Ainda na zona ribeirinha com o n.º 10 A Igreja de S. Nicolau que edificada entre 1671 e 1676, será reconstruída em 1758, após um incêndio.pb15h

Com o n.º 4 Congregados o Convento e a igreja na Praça das Hortas, pb15d

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O morro da Sé - a acrópole da cidade – é remetida para o plano de fundo. Com o n.º 7 A Igreja da Sé também com as transformações barrocas como as cúpulas bolbosas e as balaustradas nas torres, o  frontão entre elas (retirado no século XX) sobre o portal principal, este também totalmente remodelado, correspondente ao período da Sede Vacante 1717-1741.

Na imagem é visível a Casa do Cabido construída entre 1717 e 1719.

Com o n.º 8 O Paço do Bispo ainda na sua versão primitiva.

Com o n.º 9 Os padres da Companhia, ou seja igreja e o Colégio de S. Lourenço (Grilos).

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À direita para nascente da muralha a zona das Fontaínhas.

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A gravura de Teodoro de Sousa Maldonado

Em 1789, o padre Agostinho Rebelo da Costa (?-1791) publica a sua Descripção Topographica e Historica da Cidade do Porto Que contém a sua origem, situaçaõ, e antiguidades: a magnificencia dos seus templos, mosteiros, hospitaes, ruas, praças, edificios, e fontes..., um livro (publicado quando já se inicia o ciclo iluminista e neoclássico pela acção da Junta de Obras Públicas e da Companhia das Vinhas do Alto Douro), que procura promover a cidade do Porto, mostrando todas as suas vantagens e características, com uma preocupação de a valorizar e ao seu território, nacional e internacionalmente. A descrição pormenorizada da cidade é acompanhada de um mapa de Entre Douro e Minho e de dois desenhos do arquitecto Teodoro de Sousa Maldonado (1759-?). Um, onde é representada a Barra do Douro e a Foz do Douro e outro, uma vista do Porto da Torre da Marca até à Serra do Pilar, com um primeiro plano de Vila Nova de Gaia.pb0000a

No rodapé T.S. Maldonado delin. Godinho sculp.

Na legenda à esquerda

pb0000b1 Torre da Marca 2 Convento de Monchique 3 Passeio de Miragaya 4 Quarteis Militares 5 Parochia de S. Pedro 6 Forte da Porta Nova 7 Fabrica de Louça 8 Hospital dos Inglezes 9 Porta dos Banhos 10 Gracianos 11 Porta das Virtudes 12 Hospital Novo 13 Terceiros Francisc.os 14 Franciscanos 15 Benedictinos 16 Praça da Victoria 17 Igreja da Victoria 18 Igreja de S. Nicolao 19 Terceiros Trinitários 20 Relação 21 Porta do Olival 22 Terceiros Carmelitas 23 Dominicos 24 Collegio dos Orfãos 25 Igreja dos Clérigos 26 Mizericordia 27 Porta da lingoeta 28 Alfandega

Na legenda à direita

pb0000c29 Caza Antiga da Moeda 30 Hospital de S. Crispim 31 Igreja da Lapa 32 Congregados do Orat. 33 Agostinhos descalços 34 Senado 35 Praça Nova da Ribeira 36 Senhora do Ó 37 Cathedral 38 Paço do Bispo 39 Pelourinho 40 Patibulo 41 Caridade 42 Porta de Sima da V.ª 43 Recolhime.to do Ferro 44 Igreja de S. Ildefonso 45 Convento de S. Clara 46 Porta do Sol 47 Capuchos 48 Recolhim.to das Orfas 49 Escadas dos Guindaes 50 Muro da Cidade 51 Rio Douro 52 Estaleiro 53 Santa Marinha 54 Armazens 55 Villa Nova 56 Convento da Serra

(Nota - Sobre a gravura de T. S. Maldonado utilizo livremente alguns parágrafos de um texto (4) que escrevi para O Tripeiro)

A gravura de Teodoro de Sousa Maldonado - a primeira feita por um portuense - e que não pode ser dissociada do livro do Padre Agostinho Rebelo da Costa, representa uma imagem que se quer promover do Porto setecentista, “…como cidade portuária de Commercio e Navegação, o immenso cabedal, que enriquece a negociaçaõ da Praça do Porto e dar-lhe uma personalidade com o objectivo claro da sua afirmação económica e política, no espaço nacional e internacional.”

A gravura, apresenta o Porto cujo “…prospecto da Cidade observado da parte meridional do Rio Douro, he bem similhante a hum grande Amphitheatro”, centrado na Torre dos Clérigos e visto debruçado sobre o rio Douro, estendendo-se entre a Torre da Marca e o Recolhimento da Órfãs (Na. Sra. da Esperança). Alguns dos edifícios representados, ainda em construção, pertencem já ao ciclo almadino, mas isso apenas reforça e demonstra a intenção promocional com que a gravura é executada. São eles, com os números da legenda: 4 Quarteis Militares 7 Fabrica de Louça 8 Hospital dos Inglezes 12 Hospital Novo 13 Terceiros Francisc.os 19 Terceiros Trinitários 20 Relação 30 Hospital de S. Crispim 31 Igreja da Lapa

Mas o que importa sublinhar é que se altera significativamente o perfil da cidade sendo que a imagem é agora centrada e dominada pela Torre dos Clérigos.

A Torre “…hum dos maiores Obeliscos” para além de servir “…de Balisa, ou Marca para se dirigirem por elle todas as embarcações que entraõ na barra do rio Douro.” como assinala o P.re Agostinho Rebelo da Costa irá ainda assumir o papel dos obeliscos de Roma na estruturação visual e urbana do Porto barroco.

Mas a Torre dos Clérigos (5) irá ainda afirmar-se como o símbolo da alma e da identidade do Porto,“…para a minha alma eu queria uma torre como esta,/ assim alta,/assim de névoa acompanhando o rio” (6).

E com a muralha “Hum elevado Muro de quasi três mil passos de cicumferencia, e trinta pés de altura” que traça os limites da cidade, unificando-a, e demarcando o interior e o exterior, ambas valorizando a pedra com que a cidade é construída, impõe que mesmo a “…luz terá a cor do granito” (7)

Na margem sul todo o ritmo dos telhados que estendem até à Serra do Pilar, traçam uma curva barroca que enquadra esta cidade apresentada como uma grande arquitectura (ou escultura) coerente e

(as citações em itálico e não referenciadas são da Descripção Topographica e Historica da Cidade do Porto.)

(4) Ricardo Figueiredo Arquitectura da Cidade , Cidade de Arquitecturas em O Tripeiro n.º 5 de Maio de 2011)                                                                                                                                   (5) Cujos 250 anos se comemoram agora!                                                                                                           (6) Jorge de Sena (1919-1978) – Metamorfoses.                                                                                             (7) Eugénio de Andrade – Prefácio de Daqui ouve nome Portugal, ed. Inova Porto 1968

Assim esta imagem da cidade,vista de Gaia e centrada na Torre dos Clérigos, irá tornar-se uma das imagens, senão a imagem, com as suas diversas variantes, identificadora do Porto. Ainda no século XVIII a conhecida imagem de Marques de Aguillar. (nota -sobre esta gravura ver neste blogue Os Transportes marítimos e fluviais 4 de 29 de Abril de 2010)pb00000Vista da Cidade do Porto, desde a Torre da Marca athe as Fontainhas, tomada da parte de Filia Nova do sítio chamado Choupello. Dedicada Ao Illmo. e Exmo. Senhor JOZE DE SE ABRA DA SILVA, Ministro e Secretario de Estado de Sua MAGESTADE FIDELÍSSIMA da Repartição dos Negócios do Reyno. Por Manoel Marques de Aguilar, Alumno das Aulas Regias, Náutica, e Dezenho, estabelecidas na dita Cidade. Aguilar Delin e Esculp no Anno de 1791 e da por Completos os Edifícios dos Números seguintes No. 11. 28. 29. 34. Gravura aberta a buril 35x103 cm Exemplar colorido da Biblioteca Nacional Digital

Dois exemplos de imagens do século XIX

pb32hMARGENS DO DOURO. PORTO. C. A. Pinto dei. Lith. de J. V. V.a Nova. Porto. 1848.

pb32iUma vista do Porto Cazellas «A Illustração Portugueza», 4, 1888

Na fotografia e nos postais ilustrados pb35aFrancis Frith (1822-1898) & Co. Oporto from the Cathy1860/70 - Albumina 15,9 x 21 cm. David Balsells etc al. Napper I Frith. Un viatge fotogràfic per la Ibéria del segle XIX with an essay by Martin Barnes. Barcelona, Museu Nacional d'Art de Catalunya, 2007.

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Comte Henri de Lestrange 1897 (1879?) Positif noir et blanc pour projection Gélatino-bromure Support verre;Recadrage au papier collé Ministère de la Culture (France), Médiathèque de l'architecture et du patrimoine (archives photographiques) diffusion RMN

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A Torre dos Clérigos 1746-1762

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Em 1707, por decisão dos padres da Misericórdia, foi criada a Irmandade de Nossa Senhora da Misericórdia, S. Pedro e S. Filipe Nery, resultante da fusão de três confrarias preexistentes na cidade: Confraria de S. Pedro ad Vincula, a Congregação dos Clérigos de S. Filipe Nery e a Confraria de Nossa Senhora da Misericórdia. Como a Irmandade dos Clérigos não dispusesse de igreja , a Mesa, na pessoa do seu presidente, D. Jerónimo de Távora Noronha Leme e Sernache, deão da Sé, no seguimento do decidido na reunião de 31 de Maio de 1731, elegeu o arquitecto Nicolau Nasoni (1691-1773) ( 8) para projectar o edifício do seu primeiro templo. Primeiro construiu-se a igreja, propriamente dita, e, em seguida, a casa dos clérigos que ligava a capela-mor à torre. A colocação da primeira pedra teve lugar em 2 de Junho de 1732. Aberta ao culto em 1748, somente em 1758 ficou concluída. A sagração teve lugar em 12 de Dezembro de 1779, com a presença do bispo D. Frei Rafael de Mendonça.

(nota – A igreja dos Clérigos será abordada mais adiante)

(8) Curiosamente terá sido para o referido Grão Duque da Toscana, Cosme III,  que Nicolau Nasoni terá elaborado os seus primeiros trabalhos.

A Mesa decide em 1746 construir uma única torre e não duas conforme o projecto inicial.

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Joaquim Villanova Torre dos Clérigos 1833

À esquerda na imagem a Capela de S. Miguel o Anjo.

Do ponto de vista urbano, a torre dos Clérigos a maior do Reino, e a mais bem lavrada, e (que) fegura entre as principaes da Europa, apresenta-se como um ponto de referência, definindo eixos de evolução da cidade.

Esses eixos apontam na direção das diversas igrejas existentes ou em construção na época.

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Para a Sé, a igreja dos Grilos e a igreja da Serra do Pilar.pb32d

Da Sé para a Torre dos Clérigospb50d Foto de Bonfim Barreiros AHMP

Da Serra do Pilar para a Torre dos Clérigosdia50[1]

James Holland (ca.1799-1870) Convent of Serra 1838 óleo s/ tela 38 x 53,4 cm. col. particular Destas pinturas foram realizadas 41 gravuras publicadas no Jennings Landscape Annual, or Tourist in Portugal for 1839 : Oporto, Batalha, &c. illustrated from paintings by James Holland. London : Robert Jennings & Co., [1838] http://purl.pt/23278 BND

Para a igreja dos Grilos e para S. Domingos e S. Nicolaupb32e

Para S. Ildefonso e para a capela da Batalha e para Avé Maria de S. Bento.pb32c

De Ave Maria de S. Bento para a Torre dos Clérigostorre23

George Vivian (1798-1873), Lithographie de “scenery of Portugal and Spain”, 1839.

Da rua de Santa Catarina para a Torre dos Clérigospb32f

Vista do Porto tirada de St. Catharina 1845 Na legenda aponta-se a rua Fernandes Thomaz, a praça do Bolhão, rua Formoza, Igreja dos Congregados, S. Bento, Clérigos, S. José das Taipas, Graça, Carmo e mercado do Anjo.

De S. Ildefonso para a Torre dos Clérigos. O obelisco no adro da igreja de Santo Ildefonso foi colocado em 1794 servindo de remate à rua de Santo António.pb55Foto Alvão

pb40Artur Loureiro (1853-1932)Igreja e dos Clérigos óleo s/ madeira 33,5 x 67,0 cm. Casa Museu Fernando de Castro

Da rua de Cedofeita para a Torre dos Clérigosauz7454   A rua de Cedofeita – in O Tripeiro, 1952

Da Ramada Alta para a Torre dos Clérigos. No primeiro plano à esquerda os jardins da Quinta dos Pamplonas (que trataremos mais adiante) e à direita a igreja de S. Martinho de Cedofeita.pb32gVista da cidade do Porto, tomada do mirante da casa do Ilustríssimo Senhor José Pedro de Barros Lima, na Ramada Alta

Da rua da Ponte Nova para a Torre dos Clérigospontenova[4]    A rua da Ponte Nova Por volta de 1850 Calotipo de Frederick William Flower, publicado na revista «O Tripeiro», Série VI, ano IV in Porto Antigo http://www.portoantigo.org/

A Torre

A Torre toda em cantaria tem uma altura de 75 metros. No seu 5+interior contam-se 240 degraus, também eles de pedra, que permitem a circulação e acesso ao topo. pb32  pb32a

Enrique Casanova (1850-1913) Torre dos Clérigos ca. 1890 litografia, color. 29 x 30 cm http://purl.pt/1055 BND

A Torre é composta por dois momentos: o primeiro é formado por 4 andares o segundo é formado por dois andares. Formando o total de 6 andares.

Beleza_06Foto Beleza/Mário Ferreira

Apresenta uma planta de secção quadrada com os cunhais arredondados. Na passagem para o quinto andar dá-se a diminuição das dimensões da planta, no entanto mantém a mesma configuração.toore4b 

No primeiro andar, abre-se uma porta emoldurada e encimada por um medalhão ornado que apresenta uma legenda bíblica. Sobreposto à porta está um nicho com a imagem de S. Filipe Nery. pb34

A separar o primeiro e o segundo andar existem simples cornijas. No segundo semelhante a um mezzanino, existe uma janela.

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No terceiro, há uma larga janela sineira com frontão triangular, na qual gira um sino coberto por um entablamento, arqueado na frente, onde se vê um escudo com o monograma AM (Ave Maria) coberto com as chaves de S. Pedro. Este entablamento marca a divisão entre o terceiro e o quarto andares. pb34c

O quarto andar, tem na frente uma legenda bíblica e, na face oposta, uma varanda balaustrada.

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O corpo terminal do edifício é recuado em relação ao inferior. É constituído por um elevado basamento ou pedestal e pelo último andar, aberto em sineiras balaustradas nas quatro faces. pb34f

A rematá-lo está uma cúpula bolbosa, de secção quadrada, à volta da qual corre uma larga varanda de balaústres.

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cap.III - O Porto: evolução urbana na primeira metade do século XVIII

No período que  decorre entre estas três gravuras constrói-se a cidade barroca e consolida-se a “imagem” da cidade do Porto.

Para isso a cidade vai ser submetida a uma renovação:

  1. na arquitectura monumental, religiosa e civil, dentro e fora da muralha,
  2. no início da organização dos espaços públicos, em particular junto às portas da cidade;
  3. na arquitectura da periferia urbana, com as igrejas, e as quintas, associadas aos palácios e solares e a edificação ao longo das vias que unem as portas da muralha com os lugares do território.

E apesar de não seguir um plano concreto para a cidade, estes factores bem como a localização e a arquitectura dos edifícios vai repercutir-se no perfil e nos eixos de orientação da cidade.

A cidade até ao final do século XVIII vai expandir-se “… pelo espaço de huma legoa de comprimento desde o Padrão de Campanham, que fica ao Nascente, até o Bicalho, que fica ao Poente. A sua largura he quasi a mesma, medindo-se da Igreja da Senhora da Lapa, que fica ao Norte até o alto da Bandeira, que fica ao Sul.” (Descripção Topographica…)

I - A cidade

1 - Consolida-se a zona alta em torno da Sé e Cimo de Vila com obras na Sé e na igreja de Santa Clara, a construção do Paço Episcopal, da igreja da O. T. do Terço e Caridade e de casas apalaçadas como a Casa Domingos Barbosa (museu Guerra Junqueiro) e a Casa dos Freire de Andrade, e ainda o Chafariz de S. Miguel.pb6

2 - Consolida-se a zona ribeirinha com obras na igreja de S. Francisco, a reconstrução da igreja de S. Nicolau e da igreja da Ordem Terceira de S. Francisco e a construção da sua Casa do Despacho.pb7

3 - As ruas Nova (do Infante), das Flores e Belmonte tornam-se os eixos principais de ligação entre as diversas partes da cidade intramuros e da zona ribeirinha e portuária. A porta de Carros, junto ao renovado mosteiro de Avé Maria de S. Bento, como saída para o norte adquire então grande importância comercial. Nestas ruas irão ser construídos ou renovados os edifícios religiosos (ver adiante a igreja da Misericórdia) e suprimida a interdição aos fidalgos de permanecer ou viver na cidade, serão construídas diversas casas apalaçadas (ver adiante a casa de Belmonte e as casas da rua das Flores). pb8

4 - Para além do largo de S. Domingos, organizam-se os espaços públicos adaptando-os a uma visão barroca da cidade, a partir dos edifícios religiosos, das casas nobres e das fontes: o Largo do Colégio, o Largo de S. João Novo, o Largo de S. Bento e o Largo de Santo Elói (Lóios).pb9

5 - Os rossios junto das portas da muralha, onde se realizam feiras, começam a ser regularizados com a construção de edifícios religiosos e civis, e a cidade continua a expansão para estas zonas fora das muralhas. pb51. Olival, largo dos Ferradores 2. Hortas 3. Batalha e São Lázaro

Na Alameda do Olival, ao convento dos Carmelitas e ao Recolhimento dos Orfãos irão somar-se a Igreja dos Clérigos e a igreja do Carmo organizando o espaço da praça do Carmo.

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Na porta de Carros, com as transformações do convento de Avé Maria de S. Bento e do convento dos Lóios, a construção da igreja dos Congregados, e das casas Monteiro Pereira, lão Amorim e dos Fidalgos da Fábrica irá ser estruturada a Praça das Hortas, com a Fonte da Arca.pb5b

Na porta de Cimo de Vila, a praça da Batalha irá ser reestruturada com a construção da igreja de S. Ildefonso e o campo de S. Lázaro com a construção do Recolhimento das Orfãs e o convento de Santo António.pb5c

6 – São construídas ou reformuladas as infra-estruturas públicas como os cais, as fontes, e os locais das principais feiras e mercados.pb11

II - O território da Cidade

No território correspondente à actual cidade:

1 - Consolidam-se as pequenas localidades da periferia da cidade amuralhada, com a construção e renovação das igrejas de: S. Martinho de Aldoar, S. Veríssimo de Paranhos, S. Miguel de Nevogilde, Santa Maria de Campanhã, S. Martinho de Lordelo, S. João da Foz do Douro e S. Pedro de Miragaia.pb1

2 - São progressivamente edificadas as margens das vias de ligação entre as portas da cidade e estas povoações, sendo que as quintas e solares vão contribuir para esta estruturação do território periurbano.pb2

Algumas quintas existentes no século XVII e XVII.pb3a1-quinta e palácio do Freixo 2-quinta da Revolta 3-quinta da Bonjóia 4-quinta do Prado 5-quinta do Cyrne 6-quinta do Covelo 7-quinta de Santo Ovídio 8-quinta das Aguas Ferreas 9-quinta das Virtudes 10-quinta do Pombal 11-quinta da Torre da Marca 12-quinta do Bom Sucesso 13 – quinta da Prelada 14-quinta de Ramalde 15 – quinta do Bonjardim 16 – quinta do Reimão

Os edifícios religiosos no Porto do século XVIII

(cf. Francisco Ribeiro da Silva, Tempos Modernos in História do Porto, dir. Luís Oliveira Ramos, 3ª edição Porto Editora 2000)

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1 Sé (portal, torres e galilé 1736) 2 palácio Episcopal 1734/… 3 convento dos Grilos 4 convento S. Francisco e Casa do Despacho da O.T. de S. Francisco 1746/1752 5 convento S. Domingos 6 igreja de S. Nicolau 1671/ 7 convento e igreja de S. João Novo 8 convento de S. Bento da Vitória 1598/ 9 igreja da Vitória 10 igreja e casa da Misericórdia (fachada 1750, nave 1754 a 1779) 11 convento de Avé Maria de S. Bento 12 convento dos Lóis 13 convento de Santa Clara 14 igreja de S. António do Penedo

fora da muralha

15 igreja dos Clérigos 1732/1773 16 recolhimento do Anjo 1672 17 igreja de N. S. da Graça 18 convento 1619/e igreja dos Carmelitas 1630 19 igreja do Carmo 1756/1768 20 convento das Carmelitas 1754 21 convento e igreja dos Congregados 1694/ 22 capela dos Reis Magos c.1724 23 igreja de S. Ildefonso 1720/1739 24 capela da Batalha 1590/1792 25 igreja da O.T. do Terço 1759/1775 26 igreja de N. S. da Esperança 1746/1763 e Recolhimento das Orfãs 1722/ 27 convento de Santo António 1783

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edifícios novos edifícios transformados

Conventos  Femininos e de Assistência

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Conventos  1 Santa Clara 2 São Bento da Avé Maria 3 Madre Deus de Monchique 4 Carmelitas Descalças 5 Anjo 6 Nossa Senhora da Esperança                                                        Assistência 7 Misericórdia 8 Ordem Terceira de S. Francisco 9 Ordem Terceira de S. Domingos

Conventos Masculinos e Igrejas

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Conventos e Igrejas 1 Convento de S. Bento da Vitória 2 convento dos Carmelitas 3 igreja de S. Nicolau 4 igreja dos Congregados 1694 5 igreja de S. Ildefonso 1731 6 igreja dos Clérigos 1732 7 convento de S. António

Os principais palácios e casas notáveis  no Porto do século XVIII

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A branco intramuros: 1 – casa Domingos Barbosa 2 – casa Freire Andrade 3 – casa na rua de Belmonte (Pacheco Pereira) 4 – casa em S. João Novo (Alvaro Leite) 5 - casa da Vitória (Leite Pereira) na rua das Flores 6 – casa Cunha Pimentel 7 – casa dos Constantinos 8 – casa dos Maias 9 – casa Brandão e Silva 10 – casa Figueiroa Pinto (Companhia Velha)                                                                                                                    A amarelo fora das muralhas: 11 - palácio Monteiro Pereira 12 – casa Morais Alão Amorim 13 – casa dos fidalgos da Fábrica (Souto e Freitas) 14 – casa das Sereias (Portocarrero)

IV – Particularização do ponto III O Porto: evolução urbana na primeira metade do século XVIII

I A cidade

1 – A zona da Sé

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33 Agostinhos des calços 34 Senado 37 Cathedral 38 Paço do Bispo

As obras na Sé do Porto

A Sé “…domina huma grande parte da Cidade. Duas torres fortissimas de cantaria rematadas em abobeda da mesma pedra, e cheias de grandes sinos, entre os quaes há hum, que pela sua grandeza enorme, e singular figura se chama o Balaõ, elevaõ a belleza, e daõ hum novo lustre a este frontispício.”  

No período de Sede Vacante realiza-se uma importante reforma da Sé dirigida por Nicolau Nasoni (1691- 1773) compreendendo o retábulo-mor, o revestimento a mármore da capela-mor, a capela baptismal, os altares laterais ao arco da capela-mor, os azulejos que revestem o claustro gótico e as pinturas murais na capela-mor e na sacristia.

A Galilé

Em 1736 Nasoni projecta a galilé no lado Norte e projecta a escada que une os dois pisos do claustro. Não havendo qualquer documentação há quem ponha em causa a autoria de Nasoni nestes trabalhos da Sé, e os atribua a Miguel Francisco da Silva (?1750) e a António Pereira.

A galilé virada a Norte para a cidade em expansão, constitui como uma varanda permitindo a relação visual entre a Sé e as igrejas da cidade.

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Joaquim Villanova Egreja da Sé (Entrada latteral)

A relação visual da Galilé com as diversas igrejas da cidade, na planta Redonda de 1813.pb18

As transformações da fachada

Reconstituição hipotética da fachada românica da Sé do Portopb50

vila0059     Joaquim Villanova Egreja da Sé (Porta Principal)

O portal barroco no levantamento da DGEMN e no detalhe de uma fotografia da foto Beleza

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O remate superior da fachada da Sé  numa pintura do século XX.       

pb50gArmando Basto s/ título óleo sobre tela 99 x 72 cm. in Bernardo Pinto de Almeida, Pintura Portuguesa do Século XX Lello Editores 2ª edição Porto 1996

A Casa do Cabido

A nova Casa do Cabido (1717-1722) foi construída para substituir uma antiga que existia no claustro, junto da Capela de S. Vicente. Inserida no programa de transformações e construções levado a cabo pelo Cabido durante a Sede Vacante (1717-1741), a sua planta é atribuída ao arquitecto João Pereira dos Santos.

No seu interior trabalharam o pintor italiano Giovanni Battista Pachini, que executou as pinturas alegóricas dos caixotões do tecto (1719/20) e o escultor Domingos da Rocha, que fez o Cristo Crucificado (1719).

pb50b                    Levantamento da DGEMN

pb50b1         Detalhe de uma fotografia da foto Beleza/Mário Ferreira

O Palácio Episcopal

(CONTINUA)

4 comentários:

  1. Meu caro amigo
    Na imagem referida como (copio)Francis Frith (1822-1898) & Co. Oporto from the Cathy1860/70 - Albumina 15,9 x 21 cm. David Balsells etc al. Napper I Frith. Un viatge fotogràfic per la Ibéria del segle XIX with an essay by Martin Barnes. Barcelona, Museu Nacional d'Art de Catalunya, 2007.
    Que torre é aquela que a centro e ligeiramente para a direita se vê na imagem ?
    Será a mesma da qual resta um vestígio ( talvez de cerca de 3 metros de altura) no Largo do Corpo da Guarda e que tem umas inscrições as quais ainda ninguém me ajudou a identificar ?
    Um abraço.

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    1. caro Portojo:
      A torre com cerca de 45 metros pertencia à Fábrica de chumbo de caça e situa-se, (não parece mas ainda lá está, sendo visitável), na rua de São Francisco. O chumbo era lançado do alto da torre e na queda transformava-se em esferas caindo num tanque na parte inferior. A fábrica foi instalada nos anos 80 do século XIX e encerrou por volta de 1960 do século XX. Merece uma visita!

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  2. Mas não pode ser o edifício da foto, esse já não existe. Poderá ser sim, a mesma fábrica quando o edifício da foto foi expropriado para a abertura da Mouzinho da Silveira (creio que o edifício que refere é o que tem a publicidade da Sandeman).
    Numa das primeiríssimas séries de O Tripeiro um correspondente dele da época explica o que era aquele edifício (que já na altura não existia); infelizmente não guardei a referência do ano; mas já nos anos 50, quando o Dr. Magalhães Basto coordenava a mesma revista, publicando uma panorâmica que mostra este edifício, ninguém soube já identifica-la.

    Cumprimentos,
    Nuno Cruz

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    1. Caro Nuno Cruz: primeiro deixe-me felicitá-lo pelo seu blogue que sigo atentamente!Em relação à torre se você o diz eu humildemente acredito que tem razão. Irei pesquisar melhor. Cumprimentos

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