Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















domingo, 15 de julho de 2012

BARROQUISMOS VII (7)


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A Igreja d’ouro (continuação no dia de São Boaventura)
A Cabeceira
1 – A Capela-mor
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Esta capela pertenceu aos Sá e Meneses, Condes de Matosinhos, nela estando sepultado o célebre Sá das Galés “…que o 1.° alcaide do Porto, João de Sá, por suas proezas no mar, ganhara esse apelido na luta com os Castelhanos”. (in Guia de Portugal – Entre Douro e Minho – I Douro Litoral Fundação Calouste Gulbenkian)
7b190_thumb3Detalhe de Foto in Reinaldo dos Santos Oito Séculos de Arte Portuguesa Empresa Nacional de Publicidade Lisboa 1940/43
O altar do século XVIII, em escada, desenvolve-se em sete andares encimados pelo crucifixo, e é iluminado pelas janelas góticas da cabeceira. Seis colunas salomónicas sustentam a cobertura em arco.7b82_thumb2Postal do Museu da O. de S. Francisco
Nas paredes laterais, seis estátuas de santos Franciscanos, três deles canonizados no século XVIII.
Do lado esquerdo: S. Jacob (Tiago) da Marca de Ancona (1391-1476) canonizado em 1726; S. Sebastião (256-286) e S. Domingos (1170-1221).
Do lado direito: S. Francisco de Assis ao fundo, S. João Nepomuceno de Praga (1340- 1393) canonizado em 1729 e S. João de Capistrano (1386 —1456) canonizado em 1724.7b53a_thumb2
À esquerda S.Tiago da Marca e S. Domingos e à direita S. Francisco (ao fundo) e S. João de Capistrano
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S. Tiago da Marca de Ancona com o cálice de onde sai uma serpente.7b124_thumb3
S. Tiago da Marca detalhe de fotografia de Robert Chester Smith (1912-1975). Biblioteca da Fundação Calouste Gulbenkian.
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Fotograma de PORTO EM FOTOGRAFIA - IGREJA DE S. FRANCISCO de António Amen You Tube 09/03/2012
7b125_thumb3S. Sebastião detalhe de foto SIPA/IHRU
S. João Nepomuceno
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Fotograma de PORTO EM FOTOGRAFIA - IGREJA DE S. FRANCISCO de António Amen You Tube 09/03/2012
S. Francisco
7b126_thumb5 detalhe de foto SIPA/IHRU
S. João de Capristano
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Fotograma de PORTO EM FOTOGRAFIA - IGREJA DE S. FRANCISCO de António Amen You Tube 09/03/2012
No pavimento no eixo da capela-mor aparecem sete túmulos, sendo seis na primeira fila e um na segunda. Quatro são brasonados e dois identificados, um de Luís Brandão Pereira de Lacerda (n. 1528) e herdeiros cujo brasão tem brandões e arruelas e um outro com brasão irreconhecível.7b166_thumb2
Foto SIPA/IHRU
2 - Capela de Santo António
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A capela de Santo António é a capela colateral da cabeceira do lado poente e está revestida a talha dourada tendo um retábulo dedicado ao popular santo.
O Retábulo de Santo António 1724 de Luís Pereira da Costa
O retábulo também iluminado pelas janelas góticas da cabeceira, divide-se em três nichos ocupados por imagens e separados por colunas “ rectas e não salomónicas” com uma vegetação helicoidal. Na parte superior adaptando-se à estrutura em ogiva da capela um trabalhado frontão.7b87_thumb2
Santo António, Fernando Martins de Bulhões (1191/95 – 1231) é o franciscano mais popular não só em Portugal como na Itália, rivalizando com o próprio fundador da Ordem. A sua representação iconográfica mais frequente é a de um jovem tonsurado calçando sandálias e envergando o hábito da Ordem franciscana de cor castanha, cinturado por um cordão com três nós significando os votos de Obediência, Pobreza e Castidade, de onde normalmente pende um rosário. O Santo segura com o braço esquerdo o Menino sobre um livro ou entre os braços, evocando o Seu aparecimento ao Santo, e tendo na mão direita uma Cruz mas por vezes um ramo de açucenas. No retábulo, Santo António num nicho central, está representado daquela forma tradicional, e apenas o hábito é mais rico e dourado.
S. António tem à sua esquerda S. Caetano (1480-1547) canonizado em 1671, e à sua direita S. Francisco Xavier (1506-1552) canonizado em 1622. 7b58_thumb5
foto in Paulo Pereira "Igreja Monumento de São Francisco" in Discover Baroque Art. Place: Museum With No Frontiers, 2010.
Outra representações de Santo António.
Nesta pintura do século XVII, existente no Museu dos Biscaínho em Braga, o Santo ainda jovem é representado na sua forma tradicional. O Menino, contudo, é representado com cabelo louro, vestindo uma túnica transparente e segura na mão esquerda, o globo (Salvator Mundi) e na mão direita uma açucena. No lado direito sobre uma mesa dois livros, um dos quais abertos e um tinteiro, com a respectiva pena, simbolizando a actividade intelectual de Santo António. As figuras são enquadradas por uma moldura florida de onde pendem cortinados vermelhos e cordões com nós e borlas.7b137_thumb4
Autor desconhecido Santo António com o Menino Jesus (título iconográfico século XVII óleo sobre madeira 80 x 90 cm. Museu dos Biscainhos Braga
Columbano prefere representar a aparição radiante do Menino a Santo António, que com a surpresa deixa cair o livro em que se ocupava. 7b137a_thumb2
Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929) Santo António de Lisboa 1898 óleo sobre tela 2,055 x 1, 655 m. Museu do Chiado Lisboa
Nesta época dos Santos Populares como não recordar João Villaret (1913-1961) recitando Augusto Gil (1873-1929):
Saíra Santo António do convento,
A dar o seu passeio costumado
E a decorar, num tom rezado e lento.
Um cândido sermão sobre o pecado…”

3 - Capela dos Brandão Pereira com o Retábulo dos Reis Magos
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A outra capela da cabeceira do lado sul pertenceu à família dos Brandão Pereira.
O Retábulo dos Reis Magos do século XVII, tem ainda uma concepção maneirista.
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Natália Ferreira Alves escreve: “Ainda que não esteja documentado, o retábulo da Capela dos Reis Magos -colateral do lado da Epístola - na igreja conventual de São Francisco segue, sob o ponto de vista estrutural, o esquema de registos sobrepostos assi­nalado para os exemplos anteriores, se bem que, neste caso, os elementos pic­tóricos tenham desaparecido; porém, é muito interessante verificarmos como numa igreja, onde as sucessivas campanhas avassaladoras de feitura de talha, quer nos dois períodos do barroco, quer durante a vigência do rococó, o retá­bulo maneirista foi poupado.” (in Natália Marinho Ferreira Alves Os retábulos em andares na escola portuense e o seu estudo tipológico, Actas do II Congresso Internacional do Barroco, FLUP 2001)
O retábulo divide-se em três andares. Cada um dos andares divide-se também em três compartimentos.
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No andar superior ao centro uma janela encimada por um frontão com duas volutas que enquadram uma cruz.
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No segundo andar três compartimentos divididos por colunas compósitas de fuste estriado.7b84d_thumb2
Ao centro destacando-se de uma janela com uma rosácea, os Três Reis Magos.7b191a_thumb4
No andar inferior separadas por colunas trabalhadas, e apoiadas em mísulas, a Virgem com o Menino, S. Cristóvão e S. Francisco.
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Lápide
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Num vão lateral o túmulo de Fernão Brandão Pereira.
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Na outra parede um outro túmulo.
Retábulos da frente da cabeceira
4 e 5 – Retábulos de S.Francisco e S. Benedito ladeando a Capela de S. António 1724 Entalhador - Pereira da Costa
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Os retábulos estruturalmente simétricos, apresentam sobre o altar e entre duas colunas salomónicas, um nicho a que se sobrepõe, à direita uma outra imagem e à esquerda um relevo inscrito num octógono. Os dois retábulos são encimados por frontões quebrados tendo ao centro duas estátuas de anjos.
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foto Robert Chester Smith (1912-1975). Data de produção das fotografias: 1962-1964. Biblioteca da Fundação Calouste Gulbenkian.
4 - Retábulo de S. Francisco
Do lado esquerdo entre colunas salomónicas um relevo representando a Santíssima Trindade e um nicho com a figura de S. Francisco. Na parte superior um frontão quebrado com um anjo erguendo um ramo.
7b192_thumb1detalhe da fotografia anterior
A Santíssima Trindade
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O nicho com a imagem de S. Francisco ladeado por dois irmãos franciscanos.
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5 - Retábulo de S. Benedito
7b192a_thumb3detalhe da fotografia de Robert Smith B FCG
Do lado direito de um modo semelhante, um nicho com a figura do franciscano Benedetto di San Fratello, S. Benedito de Palermo (1524-1589) nascido na Sicília, mas filho de escravos e por isso, conhecido como Benedito o Negro, o Africano ou o Mouro.
No convento de S. Francisco existiu no século XVIII a confraria do Rosário e de S. Benedito.
S. Benedito é representado com o hábito franciscano e distribuindo pão aos pobres.
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Outras representações de S. Benedito, sendo que por vezes era escamoteada a sua cor tornando-o apenas “moreno”.
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À esquerda São Benedito, século XVIII Escultura em madeira policromada, altura 67 cm; igreja matriz de Santiago do Cacém. À direita S. Benedito de Palermo 1ª metade do século XVII barro cozido e policromado 59 x 20 x 18 cm. Museu Nacional de Arte Antiga Lisboa
Por cima do nicho com S. Benedito uma imagem de Nossa Senhora do Rosário.
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6 - Retábulo de S. Boaventura
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De uma forma semelhante se apresentam do lado sul os retábulos de S. Boaventura e de N.ª Sr.ª das Candeias, embora este tenha diferentes dimensões.7b72_thumb2Foto SIPA/IHRU
O Retábulo de S. Boaventura
Este retábulo situa-se no transepto, junto à Capela dos Reis Magos, e sob uma imagem de S. Jerónimo, tem dentro de um nicho a imagem de São Boaventura com o báculo, o chapéu cardinalício e segurando um livro.
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S. Boaventura di Bagnoregio, Giovanni Fidanza (1221-1274), foi o franciscano encarregado de escrever a Legenda Maior (Legenda maior Sancti Francisci) contando a vida, os feitos e a importância de S. Francisco para a Igreja. Em 1273, foi nomeado cardeal pelo papa Gregório X e participou activamente no Concílio de Lyon (1274). Foi canonizado em 1482 e em 1588 recebe o título de Doutor Seráfico. É citado por Dante no Canto XII (v.126-129) do Paraíso.
Lo son la vita di Bonaventura
da Bagnoregio
, che ne’grandi offici
sempre pospuosi la sinistra cura.

(Eu sou a vida de Boaventura/da Bagnoregio, que nos grãos oficios/sempre pospus toda a sinistra cura)
7bsf3_thumb4Giovanni di Paolo (1403-1482) Ilustração da Divina Comédia, Dante e Beatriz comtemplam São Boaventura entre outras almas no Paraíso do Sol c.1450 iluminura Yates Thompson the British Library.
Outras representações de S. Boaventura
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Francisco Henriques São Boaventura e São Luís de Tolosa 1508/11 óleo sobre madeira de carvalho 142,5 x 87 Museu Nacional de Arte Antiga Lisboa (transferido da igreja do convento de São Francisco de Évora onde se integrava-se num conjunto retabular de talha da autoria de Olivier de Gand, datável de 1508/9 e cujo debuxo foi visto e aprovado pelo próprio rei D. Manuel I)
S. Boaventura com o traje cardinalício, acompanhado de Santo António com um livro e um ramo de açucenas, num painel de um tríptico hoje no museu do Louvre em Paris, e cujo painel central representando S. Francisco, se encontra em Milão. Os três santos envergam o hábito franciscano de cor cinzenta.
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Alessandro Bonvicino Moretto (1498 –1554) São Boaventura e Santo António painel esquerdo do tríptico da igreja de São Bernadino em Gardone di Val Trompia, Brescia 1,13 x 0,60 m. Museu do Louvre Paris. À direita o painel central representando S. Francisco Pinacoteca di Brera Milão
7 - Retábulo da N.ª Sr.ª das Candeias
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A origem da devoção a Nossa Senhora das Candeias (Nossa Senhora da Luz, Nossa Senhora da Purificação) tem o seu início na purificação de Nossa Senhora e na apresentação do Menino Jesus no Templo, quarenta dias após o seu nascimento. De facto a mulher que desse à luz uma criança do sexo masculino, ficava privada de entrar no templo por quarenta dias depois do parto após os quais devia apresentar-se no templo e oferecer duas rolas (ou pombos) ao sacerdote. Foi o papa Gelasius I (Gelásio 410-486 e papa entre 492 e 496) que instituiu uma procissão nocturna dedicada à Mãe Santíssima, cujo trajecto, devia ser todo iluminado por candeias enquanto os fieis levavam velas acesas. Dessa procissão surge o nome de Nossa Senhora das Candeias, ou da Candelária.7b95_thumb3
foto Robert Chester Smith (1912-1975). Data de produção das fotografias: 1962-1964. Biblioteca da Fundação Calouste Gulbenkian.
Entre duas colunas salomónicas um nicho com a imagem de N.ª Sr.ª das Candeias pelos bustos de S. Filipe de Nery e de S. Francisco de Sales.
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Por cima num medalhão octogonal (o octógono é o símbolo da ligação do Céu e da Terra) um baixo- relevo representando a Ressurreição de Cristo.7b147_thumb2
foto SIPA/IHRU
Cristo sai do túmulo entre raios de luz, o sudário esvoaçando, benzendo com a mão direita e tendo na mão esquerda o estandarte da ressurreição perante os soldados fascinados. Ao contrário de muitas outras representações no relevo não figuram os soldados adormecidos, como na Ressurreição de Tiziano.
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Tiziano Vecelli 1485-1576 Ressurreição 1542/44 óleo sobre tela 163 x 104 cm. Palazzo Ducale, Urbino Itália
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Na parte superior surgindo de um frontão quebrado um anjo com um escudo.7b95b_thumb2
O retábulo é provavelmente de 1753 “… data que se vê no escudo d'um anjo, que remata o altar da Senhora das Candeias, junto á capella do Santíssimo”. (in Memória Historica e Descriptiva da Ordem Terceira de S. Francisco no Porto com as Vidas dos Santos cujas imagens costuma ser conduzidas na sua Procissão de Cinza, ordenada por R. Pinto de Mattos, Porto, Typographia Occidental, 66 — Rua da Fabrica, 1880)
Diploma da Irmandade de N. S. da Purificação do Real Convento de S. Francisco da Cidade
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N. S. da Purificação de S. Francisco da Cidade ca 1850?xilogravura 10,5 x 8 cm., http://purl.pt/4883 Biblioteca Nacional Digital Portugal
Outras representações de N.ª Sr.ª das Candeias, (Apresentação do Menino Jesus no Templo) com os seus símbolos, as pombas e as velas.
O quadro de Garcia Fernandes segue o texto bíblico do Evangelho segundo S. Lucas. (Luc. 2, 22-25 e Luc. 2, 36-37)
22E, cumprindo-se os dias da purificação dela, segundo a lei de Moisés, o levaram a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor 23(Segundo o que está escrito na lei do Senhor: Todo o macho primogênito será consagrado ao Senhor);
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Garcia Fernandes (? - c. 1565) Apresentação do Menino no Templo 1537 Retábulo do Mosteiro da Trindade 194 x 154 cm. óleo sobre madeira de carvalho Museu Nacional de Arte Antiga Lisboa
No centro da composição uma mesa coberta por uma toalha branca, separa Maria à esquerda, tendo por trás dois anjos.
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Tendo por trás dois anjos, a Virgem, com uma mão segurando o véu e a outra oferecendo as duas rolas e a vela do ritual.
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Luc. 2 24 E para darem a oferta segundo o disposto na lei do Senhor: Um par de rolas ou dois pombinhos.
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À direita, Simeão já com o Menino nos braços tendo por trás um ancião e uma anciã (S. Joaquim e Santa Ana ?).
Luc. 225 Havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão; e este homem era justo e temente a Deus, esperando a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele.7b121z_thumb2
Num segundo plano à esquerda dois anjos, ao centro S. José e a profetisa Ana.
Luc. 2.36 estava ali a profetisa Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Esta era já avançada em idade, e tinha vivido com o marido sete anos, desde a sua virgindade; 37E era viúva, de quase oitenta e quatro anos, e não se afastava do templo, servindo a Deus em jejuns e orações, de noite e de dia.7b121v_thumb2
Ao fundo sobre um pórtico renascentista o Tabernáculo.7b121c7_thumb2
Na Apresentação do Menino no Templo de Grão Vasco (um painel que infelizmente foi repintado) a cena desenrola-se no interior de uma capela onde a Virgem acompanhada de São José, depõe o Menino nos braços de Simeão. À esquerda uma figura feminina segurando um cesto com os pombos da oferenda. A profetisa Ana é agora relegada para um segundo plano. Sobre as personagens, dois anjos seguram uma fita e assinalam o Tabernáculo sob um dossel.
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Grão Vasco, Vasco Fernandes (Viseu 1475-1480 - Tomar 1542) Apresentação do Menino no Templo, painel do antigo retábulo da capela-mor da Sé de Lamego 1506 – 1511 óleo sobre madeira de castanho 183 x 101 cm. Museu de Lamego
Em Giotto é S. José quem transporta as pombas (o que acontecerá em muitas das representações posteriores) acompanhado de outra personagem feminina. A Virgem estende os braços para o Menino que, do outro lado do baldaquino, Simeão segura. Por trás de Simeão a profetisa Ana. Um anjo abençoa a cena.
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Giotto di Bondone 1266-1337 Cenas da vida de Cristo Apresenta~ção do Menino no Templo 1304-06 fresco, 200 x 185 cm. Cappella Scrovegni (Capela Arena) Pádua Itália
Transepto
8 - Capela mortuária da Família dos Carneiros com retábulo do Baptismo de Cristo7bplt1j_thumb2
A capela foi fundada em 1534 por João Carneiro, mestre-escola da Sé de Braga, e construída por Diogo de Castilho (?-1574).
No transepto, a Capela dos Carneiros, obra do arquitecto Diogo de Castilho, é coberta por uma abóbada de nervuras com florões. Ao longo das paredes corre um silhar de azu­lejos do século XVIII. No retábulo enquadra-se uma pintura representando o Baptismo de Cristo, executada no segundo terço do sé­culo XVI.” (in J.A. Ferreira de Almeida coord. Tesouros Artísticos de Portugal Selecções do Reader’s Digest Lisboa 1976)
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foto Robert Chester Smith (1912-1975). Data de produção das fotografias: 1962-1964. Biblioteca da Fundação Calouste Gulbenkian.
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"ESTA. CAPELLA. MANDOV. FAZER. IOAM CARNEIRO. MESTRE. ESCOLA. Q. FOI. NA SEE. D.BRAGA. E. A DOTOV. E. INSTITVIO. EM MORGADO. E DEIXOV POR ADMINISTRADOR. DELLA. A LVIS CARNEIRO. SEV. IRMÃO. E. A. SEVS. DESCENDETES. ACABOV SE. NO ANNO DM. D
O retábulo ergue-se sobre o altar com duas colunas em cada lado que suportam um pesado frontão com um arco quebrado encimado por dois anjos e ao centro um enorme medalhão.7b85_thumb3
No centro e num enquadramento de uma moldura trilobada uma pintura representando o “…Baptismo de Cristo, obra não identificada, mas valiosa, pelo ar levitante das figuras, pela tonalidade macia das águas do rio, povoado de ínsuas, e até pela ingenuidade da concepção do Espírito Santo que irradia do alto, sob forma humana, num gesto de perene velhice, associado ao simbolismo simples da pomba branca esvoaçando entre cúmulos. Ao lado de Cristo, destaca-se um anjo esbelto e uma figura orante, de vagas afinidades com algumas figuras dos pai­néis de S. Vicente.” (in Guia de Portugal – Entre Douro e Minho – I Douro Litoral 3ª edição 1994, Fundação Calouste Gulbenkian)
O Baptismo de Jesus, é um tema da arte religiosa que se baseia na Bíblia em Mateus 3, 13-17: 13Então, veio Jesus da Galileia ao Jordão ter com João, para ser baptizado por ele. 14João opunha-se, dizendo: «Eu é que tenho necessidade de ser baptizado por ti, e Tu vens a mim?» 15Jesus, porém, respondeu-lhe: «Deixa por agora. Convém que cumpramos assim toda a justiça.» João, então, concordou.16Uma vez baptizado, Jesus saiu da água e eis que se rasgaram os céus, e viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e vir sobre Ele. 17E uma voz vinda do Céu dizia: “Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado.”
Dante no Canto 32 do Paraíso v.82-84 refere o Baptismo de Cristo
ma poi che 'l tempo de la grazia venne,
sanza battesmo perfetto di
Cristo
tale innocenza là giù si ritenne
(Mas se da graça o tempo depois veio,/sem o baptismo em perfeição de Cristo,/tal inocência em baixo teve freio)
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Na imagem, vemos as águas do rio Jordão correndo entre as duas margens, nas quais estão colocados, de pé, um Anjo e S. João Baptista. Este enverga uma túnica vermelha sobre a veste feita de pele e derrama água com uma concha sobre a cabeça de Cristo. Sobre a mão de S. João a pomba do Espírito Santo e no céu, sobre nuvens e irradiando raios luminosos, o Pai abençoa com a mão direita enquanto segura com a esquerda a globo terrestre encimado pela cruz. Sobre a cabeça, uma coroa imperial. Está ladeado por dois anjos de trombeta. Atrás do Santo eleva-se uma árvore. Do lado esquerdo de Cristo, o anjo segura o manto que envolverá Cristo depois do baptismo, junto a uma personagem (o doador) ajoelhada e as mãos em oração.
Outras imagens do Baptismo de Cristo.
Em Giotto os acompanhantes e testemunhas são agora quatro anjos, um santo e uma outra figura, Cristo está meio imerso no Jordão, S. João abençoa Jesus e do alto surge um anjo que faz a ligação com o Céu.
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Giotto di Bondone 1266-1337 Cenas da vida de Cristo O Baptismo de Cristo 1304-06 fresco, 200 x 185 cm. Cappella Scrovegni (Capela Arena) Pádua Itália
No Baptismo de Cristo de Garcia Fernandes, Cristo tem os braços abertos, S. João está de joelhos, o Pai no Céu tem uma fita com a citação da Bíblia “Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado” . Os anjos agora são três e ao fundo na margem do Jordão uma cidade e por trás de S. João uma árvore.
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Garcia Fernandes (? - c. 1565) Baptismo de Cristo 1537 óleo sobre madeira de carvalho 196 x 160 cm Museu Nacional de Arte Antiga Lisboa
Uma iconografia semelhante tem o Baptismo de Cristo do Museu de Belas Artes de Lyon, França.
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O Baptismo de Cristo séc. XVI óleo s/ tela 120,5 x 70 cm. Museu de Belas Artes de Lyon França
Georges Rouault (1871-1958) faz uma interpretação expressionista do Baptismo de Cristo.
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Georges-Henri Rouault (1871-1958) Nous... c'est en sa mort que nous avons été baptisés da série "Miserere" entre 1939 e 1948, tinta e guache 135,3 x 42,2 cm. e Baptême du Christ Fragment retravaillé d'une épreuve de la planche 30 de "Miserere" 1939/48 tinta e guache 29,2 x 27,1 musée national d'Art moderne - Centre Georges Pompidou Paris

CONTINUA

2 comentários:

  1. Parabéns pelo blog

    Deveria ter mais etiquetas para facilitar consulta

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  2. Com o material que tem, já pensou em fazer uma publicação? Acho que seria um livro bastante interessante.

    Cumprimentos

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