Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















domingo, 22 de julho de 2012

BARROQUISMOS VII (8)




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A Igreja d’ouro (continuação)

Capela e Retábulos do lado da Epístola
9 - Retábulo da Senhora da Anunciação (ou Encarnação) 1750 de Manuel Pereira da Costa Noronha
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O retábulo também se organiza em três andares, que por sua vez se dividem em três compartimentos.
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Sobre o altar, um primeiro andar com três figuras. Santo André e São João Baptista rodeando São separadas por colunas salomónicas.
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Foto Robert Chester Smith (1912-1975). Biblioteca da Fundação Calouste Gulbenkian.
Na moldura anjos com conchas de São Tiago.sf3encarnaao1_thumb_thumb
Detalhe da foto anterior
Santo André com a cruz em forma de X
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S. João Baptista
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No andar superior uma Anunciação ao centro ladeada por imagens de S. Miguel Arcanjo e de S. João Evangelista, apoiados em mísulas.
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Robert Chester Smith (1912-1975). Retábulo de Nossa Senhora da Encarnação: lado da Epístola, ca 1750-1751. Data de produção das fotografias: 1962-1964. Biblioteca da Fundação Calouste Gulbenkian.
S. Miguel Arcanjo e S. João Evangelista
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Detalhes da foto anterior
A Anunciação
Segundo o Evangelho de S. Lucas,1 (26-31)
26Ao sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, 27a uma virgem desposada com um homem chamado José, da casa de David; e o nome da virgem era Maria. 28Ao entrar em casa dela, o anjo disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo.» 29Ao ouvir estas palavras, ela perturbou-se e inquiria de si própria o que significava tal saudação. 30Disse-lhe o anjo: «Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus. 31Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus.
Apesar da má qualidade da foto do IHRU, dá uma ideia da policromia do retábulo.7b145_thumb2_thumb
Foto SIPA/IHRU
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Detalhe de fotografia de Robert Chester Smith (1912-1975). Biblioteca FCG
Ao contrário da maior parte das representações da Anunciação (nota 7) o Anjo encontra-se no lado direito e a Virgem no lado esquerdo, separados por uma arca, como na Anunciação do retábulo de Isenheim (1513-1515),de Matthias Grunewald.(nota 8)
A Virgem vestida de uma túnica e de véu, está ajoelhada, como na Anunciação de Giotto, da Capela Scrovegni, (c.1305), considerada a primeira representação em que Maria se encontra de joelhos (ver adiante). O olhar baixo, tem a mão esquerda sobre o peito num gesto de meditação e aceitação das palavras e o braço direito estendido com a mão aberta num gesto de surpresa por ter sido escolhida.
Do outro lado o Arcanjo Gabriel é representado sobre uma nuvem de asas abertas, as vestes esvoaçando num movimento que significa ser o enviado do céu à terra. São João Crisóstomo recomenda que o Anjo Gabriel seja representado em atitude de estar na eminência do voo "(...) não que Deus o tenha criado provido de asas, mas para dar a entender que ele desceu da sua morada celeste até à terra, junto do género humano." (nota 7)
nota 7 - Sobre a iconografia da Anunciação veja-se o excelente trabalho de Luís Alberto Esteves dos Santos Casimiro A Anunciação do Senhor na Pintura Quinhentista Portuguesa (1500-1550) - Análise Geométrica, Iconográfica e Significado Iconológico. Tese de Doutoramento apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto 2004)
nota 8 - Sobre o magnífico Retábulo de Isenheim de Matthias Grunewald, cujos 500 anos se comemora e uma das obras da minha preferência, penso em breve publicar um texto.
Na parte superior entre as duas figuras a pomba do Espírito Santo dentro de uma coroa irradiante.encarn3_thumb2_thumb
Outras imagens da Anunciação.
Em Giotto as personagens da Anunciação fazem parte da decoração do tímpano do arco que dá acesso ao altar.
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Assim o Anjo e a Virgem ambos ajoelhados, encontram-se separados pelo arco.
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Giotto di Bondone 1266-1337 À esquerda o Anjo Gabriel e à direita a Virgem 1306
Frescos 150 x 195 cm. Cappella Scrovegni (Capela Arena) Pádua

Das inúmeras representações em Portugal da Anunciação, escolhi esta, quer por ser do século XVIII, quer pela configuração e os gestos das personagens serem os que mais se aproximam do retábulo da Encarnação, pese embora o Anjo apareça à esquerda.
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Autor desconhecido Anunciação século XVIII óleo s/tela 218 x 181 cm. Museu Abade de Baçal Bragança
O Anjo Gabriel tem o braço direito erguido e o indicador apontando para o alto. A seus pés açucenas brancas, símbolo da pureza da Virgem. A Virgem abre os braços resignando-se à vontade divina. Veste túnica vermelha atada à cintura e manto azul, com véu branco a proteger a cabeça. O seu braço esquerdo apoia-se numa mesa onde se vê parte de um livro aberto. Na parte superior da composição, vislumbra-se um turbilhão de nuvens por onde, do lado esquerdo, espreitam dois querubins e ao centro aparece a pomba do Espírito Santo trazendo consigo a luminosidade que inunda a cena. (adaptado de MatrizNet/IMC)
10 – Capela da Senhora da Soledade - 1764 Entalhador Francisco Pereira Campanhã 7bplt1l_thumb2_thumb
A Capela barroca de 1764 veio substituir a antiga Capela da Porciúncula como escreve  Natália Ferreira Alves: “Neste mesmo local teria anteriormente existido a Capela da Porciúncula, cujo retábulo fora executado pelo ensamblador e imaginário Francisco Moreira em 1612.”
E refere a documentação existente, um desenho e os contratos de 1612 para a sua execução e para a sua pintura de 1615, segundo o qual “…o mestre pintor Inácio Ferraz de Figueiros, considerado “dos melhores pintores da terra”, foi incumbido de pintar no “Retabollo O milagre da persiunculla e no painel do alto Des (sic) padre e no banquo de baixo pintando alguas figuras q correspoda ha obra de sima (in Natália Marinho Ferreira Alves Os retábulos em andares na escola portuense e o seu estudo tipológico, Actas do II Congresso Internacional do Barroco, FLUP 2001)
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Desenho para o retábulo da capela da Porciúncula, assinado Francisco Moreira e datado de 1612 - in Natália Marinho Ferreira Alves A Arte da Talha no Porto na Época Barroca (Artistas e Clientela. Materiais e Técnica) Arquivo Histórico Câmara Municipal do Porto 1989
A Porciúncula
Porciúncula (Porziuncola) foi a povoação onde S. Francisco reconstruiu a pequena igreja e onde fundou a Ordem dos Frades Menores.
S. Boaventura conta na sua Legenda Maior, que S. Francisco “…chegou a um lugar chamado Porciúncula onde existia uma velha igreja dedicada à Virgem Mãe de Deus, abandonada e sem ninguém que dela cuidasse. Francisco era grande devoto de Maria Senhora do Mundo, e quando viu a igreja naquele desamparo, começou a morar aí permanentemente a fim de a poder restaurar. (…) Sempre amou esse lugar acima de qualquer outro no mundo, pois foi aí que ele principiou humildemente, progrediu na virtude e atingiu a culminância da felicidade. Foi esse lugar que ele confiou aos irmãos ao morrer como particularmente caro à Santíssima Virgem.”
A capela de S. Francisco encontra-se no interior da Basílica de Santa Maria dos Anjos construída entre 1569 e 1679.
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A capela e o Retábulo da Nossa Senhora da Soledade 1764–1765 de Francisco Pereira Campanhã
Não tendo provavelmente a espectacularidade dos retábulos dos Mártires de Marrocos ou da Árvore de Jessé, o retábulo de Nossa Senhora da Soledade é uma obra prima da talha dourada do barroco tardio ou rococó.
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Nossa Senhora da Soledade ou Nossa Senhora das Dores (também chamada Nossa Senhora das Sete Dores, Nossa Senhora da Piedade, Nossa Senhora das Angústias, Nossa Senhora das Lágrimas, Nossa Senhora do Calvário ou ainda Nossa Senhora do Pranto, e invocada em latim como Beata Maria Virgo Perdolens, ou Mater Dolorosa, é um dos muito títulos pelos quais a Igreja venera a Virgem Maria.
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Robert Chester Smith (1912-1975).Capela de Nossa Senhora da Soledade, 1764. B FCG
O retábulo divide-se em três elementos verticais, o altar da capela e os laterais, na entrada da capela, simétricos e compostos por três andares. No remate superior uma imagem de um Anjo com o Menino, no andar do centro, entre colunas rectas e revestidas de motivos florais, duas imagens, e no inferior diversos motivos entre os quais figuram anjos entrelaçados.
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A capela
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Robert Chester Smith (1912-1975).Capela de Nossa Senhora da Soledade, 1764. B FCG
Na capela a Virgem ao centro num nicho ladeado por colunas salomónicas enverga uma túnica púrpura e sobre ela um comprido manto azul. Tem uma expressão de tristeza, de uma mãe que perdeu o Filho simbolizado pelo pano que segura entre as mãos.
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Detalhe da foto anterior
A talha do frontão que remata o nicho onde está a Nossa Senhora da Soledade, prolonga-se pelo revestimento do tecto e pelas paredes laterais onde se abre uma janela de cada lado.sf10sole_thumb3_thumb
Robert Chester Smith (1912-1975).Capela de Nossa Senhora da Soledade, 1764 B FCG
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Robert Chester Smith (1912-1975).Capela de Nossa Senhora da Soledade, 1764: remate do arco. B FCG
A janela na parede lateral
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Robert Chester Smith (1912-1975).Capela de Nossa Senhora da Soledade, 1764: talha parietal. B FCG
As Cancelas da Capela
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Como refere Natália Ferreira Alves no texto já citado, “A talha portuense tem em São Francisco, com a Capela de Nossa Senhora da Soledade, um verdadeiro ex-libris, sendo uma das obras mais requintadas de Francisco Pereira Campanhã e cujo alto nível de feitura é atestado pelo desenho elegante das belíssimas grades, que contribuem significativamente para transformar o pequeno espaço num escrínio de rara beleza, digno da imagem da Mãe Dolorosa posta à veneração dos fiéis.”
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Detalhe de foto de Robert Chester Smith (1912-1975).Capela de Nossa Senhora da Soledade, 1764. B FCG
Já R. Pinto Mattos em 1880 distinguia esta cancela como obra prima da talha de S. Francisco contando a história de alguns visitantes ingleses:
“Não ha muitos annos que ahi vieram al­guns inglezes, um dos quaes logo que entrou, re­correu aos apontamentos manuscriptos que trazia: viram, notaram, admiraram, fizeram suas obser­vações, e recorrendo de vez em quando aos seus apontamentos, passaram d'uma a outra parte da egreja, procurando o quer que fosse, que o mais velho d’elles já ali admirara n'outros tempos, antes da extincção das ordens religiosas em 1834, mas que agora já lá não via, manifestando grande desejo de mostrar esse objecto aos seus companheiros. O servente da egreja, ainda que não comprehendia o que estes visitantes diziam, conheceu comtudo que elles procuravam ver algum objecto com grande empenho, quando, não sabemos por­que motivo, o sacristão fechou as cancellas vaza­das e douradas da capella da Senhora da Sole­dade, que abertas ficam encostadas ás paredes lateraes, e passam desapercebidas, e eis que os apre­ciadores viajantes fitam n'ellas os olhos com attenção e curiosidade investigadora, porque era es­ta obra primorosa que elles procuravam ver.” (in R. Pinto Mattos Memoria Historica e Descriptiva da Ordem Terceira de S. Francisco no Porto, com a vida dos santos cujas imagens costumam ser conduzidas na sua Procissão de Cinza, Porto Typographia Occidental 66- Rua da Fabrica 1880)
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Robert Chester Smith (1912-1975).Capela de Nossa Senhora da Soledade, 1764: cancela. B FCG
Os retábulos da frente
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Na parte superior dos elementos laterais, o Arcanjo Rafael com Tobias, simbolizando o anjo da guarda por excelência.
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No andar inferior entre colunas do lado esquerdo do retábulo a imagem de S. Bernardo de Clarivaux (1090- 1153)
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Do lado direito a imagem de S. Bernardino de Siena (1380-1444), franciscano que foi canonizado em 1450 pelo Papa Nicolau V.
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S. Bernardino de Siena envergando o hábito franciscano tendo no peito um escudo com a Crucificação.
No quadro de Francisco Henriques proveniente do convento de S. Francisco de Évora, “Santo António, à direita, segura com a mão esquerda o livro, enquanto que com a outra ostenta um crucifixo de madeira numa alusão aos sermões que dedicou à Paixão e Morte de Cristo. São Bernardino de Siena tem a seus pés as três mitras que recusou em prol da pobreza e da humildade, ao passo que mostra um sol no qual se inscreve o trigrama IHS.” (in MatrizNet/IMC) (*)
(*) IHS = Iesus Hominun Salvator que significa"Jesus Salvador dos Homens".
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Francisco Henriques São Bernardino de Siena e Santo António 1508/11 óleo sobre madeira de carvalho 142,5 x 87 cm. Museu Nacional de Arte Antiga Lisboa
De cada lado, sob os santos uma mísula ricamente trabalhada que ilustra bem a maestria e a qualidade do trabalho de Francisco Pereira Campanhã. sf9solea_thumb2_thumb
Pormenor da talha da parte inferior do retábulo da N.ª Sr.ª da Soledade Detalhe de Robert Chester Smith (1912-1975).Capela de Nossa Senhora da Soledade, 1764: cancela. B FCG

No Museu Nacional de Soares dos Reis existe uma imagem do século XVIII de Nossa Senhora da Soledade da Igreja de S. Francisco do Porto patrocinadora de indulgências
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Guilherme Debrie Nossa Senhora da Soledade 1752 gravura a sanguínea 13,6 x 8,8 cm. Museu Nacional de Soares dos Reis
Verdadeira effigies da maravilloza Imag. de N. S.ra na SOLEDADE da Capella do Claustro de S. Francisco do Porto. A toda a pessoa q lhe tomar a benção, e rogar a desenda de comutar peccados, Concede o Ex.mo e R.mo S. D. fr. Jozeph Maria e Evora, Bispo do Porto por cada vez 20 dias de indulg.a
nota 9 - Frei José Maria Fonseca e Évora (1690-1752), franciscano entre 1730 e 1740 embaixador de Portugal na Santa Sé, depois Bispo do Porto desde 1741 até à sua morte em 1752.
nota 10 - Guilherme Francisco Lourenço Debrie, Guillaume François Laurent de Brié (?-1755 ?) gravador que esteve em Portugal em 1731.
“Gravura monocromada que representa uma estrutura retabular de formato rectangular em que se inscreve na parte superior um arco de volta perfeita. Dentro desta estrutura deparamo-nos com uma imagem de nossa Senhora que surge ao centro e em destaque, ladeada por três anjos meninos que se apresentam com alguns instrumentos da Paixão: um segura a lança de Longinus, o outro a esponja com vinagre, e em baixo um segura uma cruz. A Virgem veste uma túnica e um manto compridos decorados por motivos florais e apresenta uma auréola radiante com uma estrela inscrita. A estrutura retabular que serve de moldura à composição é decorada com uma combinação exuberante de volutas de gosto rococó, mas onde também marcam presença outros objectos alusivos à Paixão, como uma escada e dois chicotes no lado direito, e um martelo, uma tenaz, no lado esquerdo. Os três pregos e uma faixa com a inscrição INRI, encontram-se junto aos pés da Virgem.” (in Matriz Net/IMC)
11 - Retábulo dos Mártires de Marrocos – 1750 de Manuel Pereira da Costa.7bplt1m_thumb2_thumb
O retábulo dos Mártires de Marrocos, um dos mais conhecidos da igreja de S. Francisco, destina-se a evocar os mártires franciscanos, lembrando o significado do martírio para os Frades Menores desde a sua fundação.
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O retábulo também se organiza em três andares que por sua vez criam três compartimentos.
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Ao centro sobre o altar uma representação escultórica do Martírio dos Franciscanos de Marrocos enquadrada pelas imagens de S. Pedro de Alcântara e de S. Manoel. Sobre aquele conjunto escultórico um nicho com S. Gualter. Rematando a parte superior um relevo evocando os mártires do Japão, ladeado pelas imagens de Santa Sancha e Santa Bárbara.
Os Mártires de Marrocos

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Em 1219 S. Francisco de Assis “…aos treze anos de sua cõversão, têdo em sua casa e cõvento reys relligossos Jtalianos .s. frey Uidal e frey Beraldo. Singulares preegadores E frey Otto sacerdote, frey Pedro diacono, frey Adiuto e frey Acursio leygos. Todos hmês de grãde spû, muy approuada vida e seruentes no zello | da fe por saberê a lingoa Arabica, ordenou o padre sã Frãcisco d os mãdar a Marrocos cabeça do Iperio Africano, õde estava el rey Miramoli pera trabalharê de o cõverter á fee d Jesu Christo, porq cõvertido elle seria causa de todo seu Reyno : e vassallos se cõverterê por seu exêplo. E dãdolhe sua bêçam os mãdou cõ a de Deos.” (in Tratado da vida & martyrio dos cinco Martires de Marrocos enviados per São Francisco, Impresso em Coimbra Cõ licença dos Senhores Inquisidores no Anno 1568)
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Como frei Vidal adoeceu em Aragão, os cinco frades restantes  Berardo di Lobio, Pietro di Geminiano, Accursio, Adiuto e Otto, depois de uma passagem por Coimbra onde foram acolhidos por D. Urraca, esposa de D. Afonso II, e em Alenquer por D. Sancha, irmã do rei, dirigiram-se a Sevilha. Daí  seguiram para Marrocos onde procuraram converter Abu-Jacob o então Miramolim “nome dado pela Idade Média ao califado do emir el-Mounemim, emir dos crentes, que os soberanos da dinastia almóada ostentavam” (nota 11). Chegados à sua presença e declarando-se cristãos, apelaram ao Miramolim que abandonasse a falsa religião de Maomé. Este ofendido mandou-os prender e expatriar, mas os frades escaparam-se e continuaram a sua pregação em Marrocos. No entanto quando se encontraram de novo na presença do Miramolim, e de novo insistiram na sua conversão, foram ali mesmo degolados. Coube a D. Pedro Sanches, (1187-1256) filho de D. Sancho I, e irmão do rei, então em Marrocos, recolher os seus corpos e os enviar para o Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra (onde haviam estado antes do embarque para Marrocos) e onde foram recebidos com grandes manifestações de luto e sepultados. Foi este acontecimento que motivou Santo António então cónego regrante de Santo Agostinho, a aderir à Ordem de S. Francisco.
nota 11 - c.f José Francisco Marques, Os mártires de Marrocos e Raimundo Lulo e a evangelização portuguesa no Norte de África até ao século XVI Porto : Universidade do Porto, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses 1989.
O Martírio  dos franciscanos ocupa o centro do retábulo e é encimado pelo o símbolo7b170 criado por Constantino, a partir das duas primeiras letras do nome de Cristo em grego, lançando raios de luz sobro o Martírio dos Santos.
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No conjunto escultórico do retábulo, um dos frades ao centro de joelhos tem por trás dois outros em pé e entoam preces. Do lado esquerdo uma personagem de turbante e vestido à mourisca segura na mão direita o cinto com nós do mártir cujo corpo jaz por terra e na mão esquerda a sua cabeça. Do lado direito um outro mouro no momento em que degola o quinto Mártir.
Outra imagens dos Mártires de Marrocos.
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Página inicial de Tratado da vida & martyrio dos cinco Martires de Marrocos enviados per São Francisco, com a Cruz com a inscrição INRI, ladeada pelo Sol e a Lua, e objectos alusivos à Paixão como a coroa de espinhos, a bolsa de Judas, a escada, o chicote , a tenaz, a lança e os pregos.
Naturalmente que é em Coimbra, para onde os corpos foram transportados que se encontram imagens dos mártires franciscanos, como a Arca Relicário dos Santos Mártires de Marrocos. (nota 12)

nota 12 – c.f. Flávio Gonçalves A Representação Artística dos “Mártires de Marrocos” – Os mais antigos exemplos portugueses, in Flávio Gonçalves, História da Arte – Iconografia e Crítica Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1990
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Autor desconhecido Arca-Relicário dos Mártires de Marrocos 1290 a 1320 calcário 40 x 112 x 51 cm. Museu Nacional Machado de Castro (proveniente do Mosteiro de Santa Maria do Lorvão)
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Descrição do Instituto dos Museus e da Conservação (Matriz Net): Cenotáfio de configuração exterior e cavidade trapezoidais. Por se destinar a ser embutido em arcossólio, apenas possui o lateral direito trabalhado, com enquadramento arquitectónico: sequência de seis arcos trilobados apoiando-se em colunelos oitavados isentos, com bases singelas e capitéis vegetalistas góticos. Sobre a arcatura desenvolve-se a silhueta de uma cidade com múltiplos telhados. No interior de cada arco foi enquadrada uma figura trabalhada em alto-relevo. À esquerda, o Miramolim de Marrocos, sentado em trono, com a mão esquerda erguida. A figura é coroada por turbante. Nas restantes edículas vemos os cinco Mártires de Marrocos, descalços e vestindo o hábito da Ordem. O primeiro parece dirigir-se ao monarca, apresentando o cabelo descoberto e tonsura. Os restantes, iconografados em variadas poses, possuem a cabeça encoberta pelo capuz. A composição apresenta como enquadramento uma pequena moldura de rosetas de quatro pétalas, tratadas como pontas de diamante. Perdeu-se a tampa original.
E eis como Flávio Gonçalves descreve a arca-relicário:
“A arca-relicário do convento de Lorvão, estudada já por diver­sos autores, é um trabalho de pedra de Ançã em forma de sar­cófago de breves dimensões, paralelepípedo, agora sem qualquer cobertura. Tem um dos frontais inteiramente esculpido e aí se recortam seis edículas de arcos trilobulados, que arrancam de minúsculos capitéis. Nas edículas albergam-se as figuras do Miramolim de Marrocos e dos cinco franciscanos, numa evocação ingénua do encontro dos Mártires com o chefe que os condenou. Separadas umas das outras pelos colunelos que sustentam os arcos, as figurinhas esculpidas permanecem cada uma dentro do seu respectivo nicho, em posições variadas. O Miramolim, de túnica longa e turbante na cabeça, aparece-nos sentado na primeira edícula, cruzando indolentemente uma perna, apesar da expres­são atenta e reflexiva do rosto; parece rebater, num gesto, os argumentos dos frades e medita a sentença. À sua frente, dispos­tos em fila, avultam os cinco franciscanos, todos de pé, descalços e enroupados nos hábitos. O da dianteira, de cabeça descoberta, ergue as mãos e põe os olhos no céu, aceitando o possível sacrifício. Atrás, os companheiros dialogam entre si, aos pares, manifestando também, em atitudes expressivas, a resolução de persistirem na sua fé. Só o último monge, ainda moço, toma uma atitude de quase indiferença de rosto sereno e mãos enfiadas nas mangas do hábito.
O autor da composição, que quis representar o final da Dis­puta dos Mártires de Marrocos com o Miramolim, colocou a cena dentro do palácio do rei magrebino. Auxilia a dar essa impressão a linha dos colunelos e arcos, aparente divisória das naves de um salão árabe. Fora das arcarias trilobuladas, ao correr de todo o cimo do frontal, encavalitam-se os telhados de uma grande povoação — de construções estreitas e altas, com janelas esguias e telhas imbricadas, numa sugestão citadina à qual, seguramente, não foram estranhas as arquitecturas fantasistas que, também sobrepujando arcarias, se viam nos esmaltes dos relicários, fron­tais e cofres românicos usados na Península.” (12)
nota 12 –  Flávio Gonçalves A Representação Artística dos “Mártires de Marrocos” – Os mais antigos exemplos portugueses, in Flávio Gonçalves, História da Arte – Iconografia e Crítica Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1990
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Santos Mártires de Marrocos na Igreja de Santa Cruz em Coimbra.
Francisco Henriques no início do século XVI, pinta uma Degolação dos Cinco Mártires de Marrocos para um retábulo da igreja de São Francisco de Évora. (nota 13)
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Francisco Henriques Degolação dos Cinco Mártires de Marrocos, 1508-1511.Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, Portugal
Nesta pintura quatro franciscanos jazem já mortos, dois deles com a cabeça separada do corpo, enquanto um quinto de joelhos está prestes a ser degolado pelo carrasco. Um outro carrasco tem na mão esquerda a adaga e na direita a cabeça de um dos frades. O Miramolim, ricamente trajado observa a cena acompanhado por duas personagens sem turbante, possivelmente os portugueses que guardaram os restos mortais dos mártires.
nota - 13 O retábulo foi desmontado sendo substituído por um novo retábulo em mármore em 1753, e a pintura encontra-se presentemente no Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa.
Vejamos como Flávio Gonçalves, no texto citado descreve o quadro: “Actualmente no Museu N. de Arte Antiga, a tábua dos Mártires de Marrocos retrata o sacrifício dos cinco frades em mol­des algo diferentes dos que até agora temos encontrado. Aqui são dois algozes que, com alfanges, se encarregam de dar a morte aos franciscanos — dos quais já caíram no solo quatro, uns deca­pitados, outros sucumbidos a terríveis golpes no crânio e na gar­ganta. Em breve se lhes juntará o último companheiro, prestes a ser degolado por um dos algozes; ao lado, o outro carrasco segura, por uma orelha, a cabeça de um monge que acabou de decepar. O Miramolim, à esquerda, limita-se a assistir ao dramá­tico espectáculo, de pé, acolitado por duas personagens. Empunha o ceptro, num gesto irado, e enverga pantufas e turbante. Os mártires vestem os hábitos da Ordem dos frades menores, vendo--se os seus corpos, no solo, cercados de uma vegetação florida.”
O tema tratado por Simão Rodrigues (c.1560-1629) nos finais do século XVI.
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Simão Rodrigues (c.1560-1629) Santos Mártires de Marrocos 2ª Metade do Século XVI Óleo sobre madeira 105,3 x 45,5 cm Museu Nacional de Machado de Castro
E também André Reinoso pinta para o Convento de S. José de Ribamar em Algés os Mártires de Marrocos. Aqui cinco franciscanos estão já mortos ou a serem degolados, enquanto ao centro mais dois franciscanos ajoelhados oram (S. Francisco e Frei Vidal, que não chegou a ir até Marrocos, ou Santo António?).
7b169cAndré Reinoso (act. 1610-1641) Sete Mártires de Marrocos óleo sobre madeira de carvalho 29 x 98,5 cm Museu Nacional de Arte Antiga Lisboa Originalmente no Convento de S. José de Ribamar em Algés
Em Itália também estão representados os Cinco Santos Mártires como na igreja de Maria Gloriosa em Veneza.
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Bernardino Licinio (c. 1489 – 1565) Os Mártires de Marrocos 1524, Chiesa di Santa Maria Gloriosa dei Frari, Venezia
Os Mártires do Japão
No andar superior, ao centro “hum quadro para o dito altar dos Mártires do Japão de meyo relevo”, ladeado pelas imagens de Santa Sancha e Santa Bárbara.
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Baixo-relevo, em madeira policromada representando o martírio de vinte e seis cristãos no Japão
O relevo representa o martírio de vinte e três Franciscanos e três Jesuítas que foram crucificados em Nagasáqui, Japão no ano de 1597. Destes vinte e seis mártires, dez são Japoneses, grupo onde se destaca S. João Miki. Estes vinte e seis mártires foram canonizados em 1627.
cf. Natália Ferreira Alves,  Entalhadores e imaginários do Núcleo Franciscano Portuense comunicação ao III Seminário Internacional Luso- brasileiro Os Franciscanos no Mundo Português. Artistas e Obras, Rio de Janeiro, 2008 publicado por Edição CEPESE - Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade  Porto 2009
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O relevo dos Mártires do Japão tem ao centro a legenda LOCUS SENTENTIAE, e entre anjos, sete frades cruxificados e um outro a ser colocado na cruz. No fundo pintados figuras de frades e freiras franciscanas. O frade crucificado à direita é espetado por uma lança empunhada por uma personagem, lembrando o episódio de São Longinus (Longuinho) na Paixão.
À esquerda Santa Sancha e à direita Santa Bárbara com a torre das três janelas.sf13maroa
Santa Sancha
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Santa Sancha de Portugal, ou Sancha Sanches,1180-1229 foi a segunda filha de D. Sancho I conhecida como Rainha Santa Sancha, foi beatificada pelo Papa Clemente XI em 1705. As suas irmãs Tersa (1177-1250) e Mafalda (1195-1256) também o seriam. Fundou os conventos Dominicano e Franciscano em Alenquer, onde recebeu os Franciscanos a caminho de Marrocos. Em 1210 fundou o Mosteiro cisterciense de Santa Maria de Celas. Por isso é representada tendo a seus pés a representação de uma igreja. Morreu no Convento de Lorvão, tendo um papel determinante na consagração e na conservação das relíquias dos Mártires de Marrocos.
Santa Bárbara
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Santa Bárbara, a mais popular das mártires, cujo culto se espalhou desde o século IV, pelo Oriente e pelo Ocidente sendo em Portugal uma das santas com mais devoção e por isso mais representada.
O seu martírio teve lugar possivelmente no século III. Bárbara uma jovem muito bela era filha de Dióscoro, um rico pagão persa. Querendo-a resguardar para um casamento conveniente   encerrou-a numa torre, com duas janelas. Bárbara cristã, mandou construir uma terceira, em honra à Santíssima Trindade. Perseguida pelo pai padeceu toda sorte de suplícios: foi queimada com grandes tochas, teve os seios cortados e finalmente foi executada pelo próprio pai, que lhe cortou a cabeça com uma espada. Logo após sua morte, um raio fulminou o seu assassino.
É por isso que Santa Bárbara é invocada, nas tempestades, contra o raio.
Outras representações de Santa Bárbara
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Autor desconhecido Santa Bárbara 1550 óleo sobre madeira 111 x 66 cm. Museu Nacional de Arte Antiga
Num fundo de paisagem, com uma torre do lado direito, a Santa apresenta-se de corpo inteiro com um livro aberto na mão esquerda. Do lado direito uma torre, aludindo ao passo mais conhecido da "passio" de Santa Bárbara. Do lado esquerdo da composição, em plano intermédio, representa-se o episódio do martírio de Santa Bárbara, degolada pelo próprio pai. Matriz Net/IMC
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Autor desconhecido Santa Bárbara século XVIII madeira estofada 44 x 28,5 x 15 cm. Museu dos Biscainhos
Imagem de Santa Bárbara assente em base octogonal, em madeira estofada. A santa segura uma palma na mão direita e, na esquerda, uma torre com três janelas. Enverga túnica "à la maniera romana" e manto descaído nas costas e apanhado nos braços. Tem uma tiara na cabeça e o cabelo é apanhado na parte de trás por um florão. Matriz Net/IMC
Uma diferente representação de Santa Bárbara encontra-se no painel direito do retábulo de Werl, no Museu do Prado atribuído a Robert Campin, Maître de Flémalle (1378-1444).
O retábulo de que falta o painel central, tem do lado esquerdo representados o doador Heinrich von Werl (1400-1463), Superior da Ordem Franciscana em Colónia desde 1432, acompanhado de S. João Baptista.
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Robert Campin Maître de Flémalle (1378-1444) retábulo de Werl, c. 1438 óleo sobre madeira 101 x 47 cm. Museo del Prado, Madrid
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Santa Bárbara está representada a ler um livro sagrado junto a uma lareira que ilumina a sala com uma luz dourada.Está sentada numa posição algo estranha numa banqueta de madeira onde está pousado uma almofada de veludo vermelho.
Traja um vestido riquíssimo verde bordado. Própria da pintura desta época é a atenção dada aos pormenores da decoração, sempre minuciosamente pintados, como o jarro de vidro no rebordo lateral do fogão de sala, o candelabro com uma vela apagada e a pequena escultura da Santíssima Trindade sobre o fogão de sala, o lavatório de prata pousado sobre o aparador e a jarra com um lírio sob a janela. Através desta vê-se a torre associada à Santa.
S. Gualter e os santos que o ladeiam
Ao centro sobre a figuração do Martírio dos Frades, um nicho com S. Gualter, e em dois nichos enquadrados por colunas salomónicas, duas figuras de santos S.Pedro de Alcântara e São Manuel,  santos particularmente relacionados com o Brasil.sf12maro6
Detalhe de foto Robert Chester Smith (1912-1975). Data de produção das fotografias: 1962-1964. Biblioteca da Fundação Calouste Gulbenkian.
S. Gualter (?-c.1259) o suposto fundador do Convento de S. Francisco no Porto, e padroeiro da cidade de Guimarães.
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S. Pedro de Alcântara (1499-1552) canonizado em 1669 e padroeiro do Brasil.sf12maro3
Outras representações de S. Pedro de Alcântara
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José de Almeida (1708-1770) S. Pedro de Alcântara século XVIII madeira de carvalho e metal estofada e policromada 84 x 41 x 26,5 cm. Palácio Nacional de Mafra
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S. Pedro de Alcântara na Igreja de São Francisco de Salvador, Bahia Brasil


São Manuel
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São Manoel, martirizado em 363. Apesar da promulgação do Édito de Milão pelo Imperador Constantino em 313, que acabava com a perseguição aos cristãos no Império Romano, logo após a morte de Constantino, assume o trono em 361, o seu sobrinho Juliano, que por um breve período, restabelece a antiga religião pagã, e os cristãos voltaram a ser perseguidos.
São Manoel, sendo embaixador do império persa foi com outros cristãos (seus irmãos Sabel e Ismael) em missão, para negociar a paz com o Imperador romano Juliano, o Apóstata (361-368). Juliano mandou prender os irmãos e submeteu-os a torturas para os obrigar a converterem-se aos deuses pagãos em troca da liberdade.  Tendo contudo resistido às torturas, foram mortos em 363, com pregos no peito e na cabeça, de orelha a orelha. Pouco tempo depois os Persas atacaram Juliano, que foi morto e o Cristianismo reposto como religião.
A representação iconográfica de S. Manuel, que lembra S. Sebastião foi, sobretudo difundida no Brasil. O santo apresenta-se como um jovem imberbe, acorrentado e seminu, com dois pregos no peito e outros dois nos ouvidos. São Manuel é o nome de um município brasileiro do estado de São Paulo.
Outra representação de S. Manuel existente na Biblioteca Nacional.
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San Manuel [Visual gráfico = São Manoel. - Paris : chez Agustoni, [18--]. - 1 gravura : litografia, aguarelada http://purl.pt/5415  - Data baseada em características formais. - Dim. da comp. sem letra: 27,4x21 cm BND Portugal
12 – Espaço com imagem de S. Francisco em um nicho

S. Francisco escultura em granito policromo num retábulo com as armas franciscanas.
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foto IGESPAR
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postal estereoscópio antigo
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postal actual à venda na igreja de S. Francisco no Porto.

Outra representação semelhante de S. Francisco
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Autor desconhecido São Francisco de Assis século XVII, madeira policromada  25,5 x 8 x 7,2 cm.Museu Nacional Machado de Castro (transferido do Convento de S. Clara em Coimbra)

Escultura de vulto de pequenas dimensões, representando S. Francisco de Assis, com o hábito da ordem: castanho, cingido por cordão dourado de cinco nós, com rígido pregueado e capuz estático na cabeça, deixando ver uma pequena franja de cabelo; o cabelo e a barba são castanho dourado. Na mão esquerda segura um crânio, que ampara igualmente com a direita. Possui chagas em ambas as mãos. Apresenta-se em pé, descalço, sobre peanha de formato octogonal, moldurada e dourada. Matriz Net/IMC
Assinale-se a semelhança do desenho do nicho com o prospecto de Andrea del Pozzo.
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Desenho de Andrea del Pozzo no seu tratado Perspectiva pictorum et architectorum de 1693.
CONTINUA

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