Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

BARROQUISMOS VII (13) 4ª parte


Falemos de casas, do sagaz exercício de um poder
tão firme e silencioso como só houve
no tempo mais antigo.                                                                          
Herberto Helder
As casas da rua das Flores
Nota importante - Sobre as casas da rua das Flores ver José Ferrão Afonso A Rua das Flores no século XVI : elementos para a história urbana do Porto quinhentista 2º ed. - Porto : Faup Publicações, 2000 que apresenta um levantamento completo das casas existentes no século XVI.
Assim descreve Rebello da Costa as casas do Porto:
“As cazas de que se compoem estas, todas as outras Ruas, de que naõ faço mençaõ particular, chegaõ a dez mil. Ordinariamente saõ de tres andares, muitas de quatro, e algumas de cinco, alé das sobrecozinhas, e lojas subterraneas. A sua fabrica, he toda de pedra, e cal: os portais, janellas, cunhais, e balcoens, saõ de cantaria fina, e bem lavrada; porque a muita pedra de que abundaõ os arrabaldes, e suburbios desta Cidade (incomparavel neste genero) subministra ainda a necessaria para outras muitas obras. Quasi todas as Cazas, principalmente as modernas, tem os seus quartos interiores illustrados com altas, e grandes claras boyas, que lhes comunicaõ tanta luz, quanta poderaõ receber, se faceassem com a Rua: os portais saõ altamente elevados, e á sua proporçaõ as janellas ornadas de grandes e crystallinas vidraças: pela parte exterior, tem largos balcoens, ou sacadas com parapeitos de ferro lavrado em grades que se remattaõ com piramides douradas, ficando deste modo livres do rançoso, e melancolico uzo das rótulas de pao com que os antigos Portuguezes, se figuravaõ recatar a honestidade das suas familias: o resto, como saõ os tectos, paredes &c., he tudo pintado, segundo o differente gosto dos seus moradores.”
A maior parte das casas da rua das Flores são, como em toda a zona da cidade intramuros, de “parcela estreita”. Segundo José Ferrão Afonso “O loteamento inicial, desenhado em 1521 na Rua das Flores, foi eficaz: salvo um único caso, as habitações hoje existentes mantêm o parcelamento do século XVI.”

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Parcelamento da rua das Flores na planta de 1892
No Guia de Portugal reproduz-se um desenho do arquitecto francês Albert Laprade (1883-1978), de um conjunto de casas da rua das Flores.
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Albert Laprade (1883-1978) Casas típicas da rua das Flores in Guia de Portugal

Este desenho foi retirado de uma página do álbum Albert Laprade Croquis, Portugal, Espagne, Maroc Vincent, Fréal et Cie, Editeurs,4, rue des Beaux-Arts, Paris 1952

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As casas nobres da rua das Flores
D. Manuel, que em 1502 esteve no Porto a caminho de Santiago de Compostela, e no “anno de M.D.III quebrou os privilegios da Cidade do Porto, para que nella podessem viver fidalgos o que se dantes nam permitia” (1) e, a partir de então inicia-se a construção de casas apalaçadas quer no interior da muralha quer na periferia da cidade. No interior, é na prestigiada rua das Flores que muitos fidalgos irão construir as suas mansões.
(1) Chronica do Serenissimo Senhor Rei D. Manoel escrita por Damião de Goes, e novamente dada a luz, e offerecida ao Illustrissimo Senhor D. Rodrigo Antonio de Noronha, e Menezes, por Reinerio Bocache, Lisboa Na Officina de Miguel Manescal da Costa, Impressor do Santo Officio, MDCC XLIX
A casa do reverendo Martinho do Couto, segundo José Ferrão Afonso, teria sido uma das primeiras casas nobres da rua das Flores. A casa foi demolida no século XIX para dar lugar ao edifício da papelaria Reis. Resta o desenho de Albrecht Haupt do capítulo Porto em A Arquitectura da Renascença em Portugal, publicada em capítulos na revista Serões (da Livraria Ferreira da rua do Ouro em Lisboa). O desenho está publicado no n.º 36 de Junho de 1908, com outros desenhos e acompanhado de um sucinto comentário.

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José Ferrão Afonso, sobre este desenho escreve:
“A casa, designada, ainda no século XVIII, como «morada de casas nobres» tinha dois pisos, térreo e sobrado e foi edificada pelo reverendo Martinho do Couto, capelão real e abade de S. Martinho de Fiães, tendo depois sido de uma sua filha que casou com o dr. João de Barros, o autor da Geographia de Entre Douro e Minho (2), a quem, segundo indica o Censual da Mitra, pertencia já em 1542. Posteriormente habitou nela outro homem poderoso, o prior de Azamor, reverendo Estevão Ribeiro, que a deixou em 1571 a suas sobrinhas. Destruída em finais do século XIX, ergue-se no mesmo local a antiga papelaria Reis. Dadas as suas características estilísticas, foi provavelmente uma das primeiras habitações da rua (mais precisamente, segundo o padre Novais, a segunda casa a ser edificada na rua, sendo a primeira a que pertenceu a Gaspar de Couros). (33)
(2 ) João de Barros (1496 — 1570) autor de Geografia de Entre ouro e Minho e Trás-os-Montes. Porto: Edição da Câmara Municipal do Porto. 1919,
(3) José Ferrão Afonso A Rua das Flores no século XVI : elementos para a história urbana do Porto quinhentista 2º ed. - Porto : Faup Publicações, 2000
As casas do século XVII e XVIII
As 5 casas, que ainda existem, assinaladas na planta de 1892 flo62- Casa dos Cunha Pimentel 3- Casa dos Constantino 4 – Casa dos Maia (ou Ferraz) 5 – Casa dos Sousa e Silva 6 – Casa dos Figueiroa (Casa da Real Companhia Velha)
n.º 2 - Casa Cunha Pimentel
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O conjunto de 5 casas, foram construídas por um mercador de nome Francisco Diaz, nos meados do século XVI. Tiveram depois diversos proprietários e nos finais do século XVII (1699), são adquiridas pelo desembargador Jerónimo da Cunha Pimentel.
José Ferrão Afonso, na ficha correspondente, depois de traçar o percurso da casa no século XVI, publica a Medição:
“Item humas cazas que pesuhem estos reconhecentes nesta Rua de Santa Catherina das Flores defronte da Igreja da Mizericordia para onde tem a principal fronteyra, e também fazem face para o Largo do Chafaris de Sam Domingos, e sam todas comunicáveis por dentro, e do prezcnte estam repartidas por tapamentos de madevra por causa dos muitos moradores que ncllas vivem; as coaes tem na frontevra e face da Rua das Flores, e andar della quatorze portaes; e são de hum sobrado para a mesma rua, e fazem dois para a parte do quintal com o do andar da rua, que constam de varias sallas, para huma e outra parte, e varias cazas interiores; e por bayxo do andar da rua tem varias logeas e sobrelogeas; e na dita face da rua das flores e sallas della oito jannellas rasgadas, e na face do Largo do Chafaris de Sam Domingos duas jannellas rasgadas, e huma de peitoril, e duas portas de servidão das logeas soterraneas que estam por bayxo do andar da rua, e para a parte do quintal varias jannellas frestas, e portas de serventia delle.” (4)
(4) José Ferrão Afonso A Rua das Flores no século XVI : elementos para a história urbana do Porto quinhentista 2º ed. - Porto : Faup Publicações, 2000
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A pedra de armas do cunhal foi mandada colocar no ângulo da casa no século XVIII, por Luís da Cunha Pimentel.
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n.º 3 - Casa dos Constantinos
A construção do século XVIII ocupava um extenso lote, soma de vários chãos, entre a Rua das Flores até à actual Rua da Vitória.
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“A propriedade tem ainda saída para a Rua dos Caldeireiros por um lago portão que tem o n.º. 139, a antiga Porta dos Carros, designação que tinha quando servia o extinto Hospital de D. Lopo.
A entrada principal da casa fica na Rua das Flores e dá para um amplo portal, por onde se sobe à sobreloja e desta para o andar nobre, onde se encontram os salões. No terceiro andar, estão os aposentos principais e a Capela com Sacristia. Também neste andar ficava, na parte de trás, a sala de jantar e o salão de festas. Por baixo era a cozinha e uma esplêndida garrafeira com abóbada de granito.
Possuía extensos jardins, estufas, mirantes, pomares e hortas. Do lado da Rua da Vitória ficavam as cocheiras, cavalariças e outra dependências.
O portão do lado da Rua da Vitória era encimado pela pedra de armas da família dos "Constantinos" (Pereira Cabral).” (5)
(5) Amélia Vieira de Oliveira e Maria Helena Gil Braga AHMP, in Porto a Património Mundial CMP 1993 2.ªedição 1996
n.º4 - Casa dos Maias (ou Ferraz)
flo10Florido Vasconcelos aponta: “Registo de hum prazo de parte dos chaos em que hoje na Rua de Santa Catherina das Flores logo asima da Mizericordia se achaõ feitas huas cazas nobres chamadas dos Ferrazes.” (6)
(6) Florido Vasconcelos (1920- ?), D. Pedro da Costa Subsídio para a Biografia de um Bispo do Porto do Século XVI ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/6340.pdf .
Segundo José Ferrão Afonso, pela pesquisa num documento do Fundo Notarial do Arquivo Distrital do Porto, a casa pertencia em 1570 a “Martim Ferraz, cavaleiro fidalgo da casa real, governador de Baçaim e que casou no Porto com Catarina Rebelo, filha de Manuel Bravo e sua mulher Maria Carneiro.” (7)
(7) José Ferrão Afonso A Rua das Flores no século XVI : elementos para a história urbana do Porto quinhentista 2º ed. - Porto : Faup Publicações, 2000
Segundo Jaime Ferreira Alves: “ Martim Ferraz, «fidalgo cavaleiro da casa real», é o primeiro desta família a viver na Rua das Flores. Em 1733, Bartolomeu Ferraz de Almeida vinculou-a, sendo em 1746 os administradores dos legados perpétuos instituídos por Bartolomeu Ferraz de Almeida, o prefeito e irmãos da Casa de São Roque da Companhia de Jesus. No segundo quartel do século XIX estava na posse de Domingos de Oliveira Maia nome pela qual ficaria conhecida.” (8)
(8) Joaquim Jaime B. Ferreira Alves A Casa Nobre do Porto na Época Moderna ed. INAPA 2001
“O edifício é composto por lojas, sobrelojas e primeiro andar.flo11
Neste ultimo, podem ver-se oito varandas de ferro e respectivas portas, decoradas com frontões triangulares. O beiral é bastante saliente e está assente numa série de «cachorros de pedra».
Entre os dois portais e a janelas da sobreloja, decoradas com finos lavores de pedra, sobressaem dois brasões partidos, com as armas dos Bravo e Ferraz.flo11a
No interior, possui uma escadaria nobre formada por três lanços de escadas de pedra - dois laterais e um central - que dá acesso, por quatro portas abertas no último patamar, aos três salões do primeiro andar.” (9)
(9) Amélia Vieira de Oliveira e Maria Helena Gil Braga AHMP, in Porto a Património Mundial CMP 1993 2.ªedição 1996
Segundo Jaime Ferreira Alves que cita o Auto de reconhecimento de 1746: “sobe para estas cazas por duas andaynas de escadas espaçosas de pedra, no fim das coaes para cada huma das partes de Nascente, e Poente, tem huma cazinha de mosos com huma janella sobre o pateo ou porta principal, e estas escadas acabam em hum pateo de pedra de onde nasce huma só andayna de escadas espaçoza que acaba en hum pateo, no meyo do qual está a porta da salla de espera, e a cada hum dos lados tem sua porta que dá serventia para as mais sallas; e pêra a parte Norte tem duas frestas grandes com seus varois de ferro que servem de dar lus ás escadas.” (10)
(10) Joaquim Jaime B. Ferreira Alves A Casa Nobre do Porto na Época Moderna ed. INAPA 2001 e em José Ferrão Afonso A Rua das Flores no século XVI : elementos para a história urbana do Porto quinhentista 2º ed. - Porto : Faup Publicações, 2000
No pátio das traseiras existe uma fonte composta por um grande golfinho de cabeça voltada para baixo que lançava água para uma taça de pedra.
Neste mesmo pátio erguia-se uma capela de planta oitavada, obra atribuída a Nicolau Nasoni; também já referidos como da autoria de Nasoni são os ornatos das janelas da fachada do edifício, com evidência para as que ostentam os dois brasões.
Tudo indica que o prédio foi reformado no século XVIII, sendo desta época a decoração da frontaria.
n.º5 - Casa Sousa e Silva
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“O edifício é formado não por uma só casa, como aparenta, mas por duas partes independentes de dois andares cada uma.
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“Na fachada principal, ao nível do primeiro andar, vê-se embutida na parede a pedra de armas dos Sousa (de Arronches) e Silvas.
O brasão, em granito, está datado na parte inferior 1703.flo13a
Faziam ângulo da Rua das Flores com a Rua de Ferraz, ou Rua Ponte Nova, para o lado da qual ficava a capela da casa.
Esta encontra-se actualmente ocupada por um armazém, conservando ainda no pináculo a cruz e uma pequena sineira de ferro.” (12)
(12) Amélia Vieira de Oliveira e Maria Helena Gil Braga AHMP, in Porto a Património Mundial CMP 1993 2.ªedição 1996
flo13bFoto Bonfim Barreiros in Bonfim Barreiros Fotógrafo de Arte, catálogo da Exposição na Casa do Infante, CMP, Porto 2001

Casa Brandão e Silva
Segundo Jaime Ferreira Alves: “A Casa Brandão da Silva, que faz esquina com a Rua da Ponte Nova, pertencia na segunda metade do século XVII a Jerónimo Brandão da Silva, casado com D. Petronilha Maria de Andrade Lemos Sotomaior, sendo herdada mais tarde pelo seu neto, Martim Afonso de Melo Brandão Correia (1711-1776), filho e sucessor de José Correia de Melo e de D. Micaela Margarida Brandão de Sotomaior. O único documento que temos sobre a construção desta casa é de 21 de Julho de 1741, altura em que Martim Afonso de Melo contratou os mestres pedreiros António da Costa, Bernardo Borges, António Fernandes, Manuel Martins e Simão Lopes, para lhe fazerem a obra de pedraria na sua casa do lado da Rua da Ponte Nova, «na forma do risco e planta». Mais uma vez o contrato não revela o nome do autor das plantas. Esta obra pro­vavelmente está relacionada com a construção, de toda ou parte, da extensa fachada virada para a Rua da Ponte Nova, onde se abrem, nos dois pisos, catorze janelas de peitoril. O frontispício virado para a Rua das Flores apresenta, no andar nobre, seis janelas de sacada (numa descrição da casa, em 1746, refe­rem-se cinco), rematadas, em alternância, por frontões curvos e triangulares. Este esquema arquitectó­nico poderia datar-se entre o último quartel do século XVII e o primeira metade de Setecentos, ainda que, sem documentação, a datação precisa seja difícil. No rés-do-chão, onde existiam cinco portadas, uma pequena portada lateral é rematada por um frontão cujo modelo o insere numa linguagem mais lúdica, própria do barroco portuense.” (11)
(11) Joaquim Jaime B. Ferreira Alves A Casa Nobre do Porto na Época Moderna ed. INAPA 2001

n.º6 - Casa da Companhia Velha
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flo15Joaquim Villanova Casa da Companhia dos Vinhos, na rua das Flores
Segundo Jaime Ferreira Alves: “A Casa dos Figueiroas, das cinco casas é a que está melhor conservada, pertencia a esta família desde o sécu­lo XVI. O primeiro relacionado com a Rua das Flores é Francisco Neto de Figueiroa, (13) que em 1591 aparece designado cavaleiro-fidalgo da Casa Real. Em 1747 pertencia a João de Figueiroa Pinto, casado com D. Antónia Joana de Azeredo e Albuquerque. (14)
(13) José Ferrão Afonso refere que em 1590 Francisco Neto de Figueiroa é de novo procurador da Cidade e, em 8 de Agosto, tem a seu cargo as obras públicas do Porto (A. H. M. R, Vereações, Livro 29, 1590, Agosto 8, fl. 157).
(14) Joaquim Jaime B. Ferreira Alves A Casa Nobre do Porto na Época Moderna ed. INAPA 2001



José Ferrão Afonso reproduz a Medição (Arquivo Distrital do Porto, Cabido, n. ° 5399, livro /" que contem..., fls. 240-248), onde se lê:

A casa, “…que pesuhem (…) nesta Rua de Santa Catherina das Flores para onde tem a principal fronteyra e fazem quina à Viella do Ferras para onde tem outra face e nella sua capella em que se diz missa e na fronteyra e andar da Rua das Flores e para essa parte tem três sallas, e nellas seis jannelas rasgadas, e huma porta principal de carroagem, e mais sinco piquenas de servidão das logeas que tem, e por sima delias varias sobrelogeas e nellas sinco óculos ou janellas redondos, e pella porta principal se entra a hum pateo de pedra aonde principiam humas boas escadas de pedra de servidão destas cazas, que continuão para a parte do norte e quintal com varias sallas e casas, e junto ao quintal tem a cozinha, e nas ditas sallas e casas interiores tem sobre o referido pateo dês jannellas rasgadas e vários óculos de vista; e no andar do mesmo pateo tem sinco portas de serventia das logeas; e na face da Viella do Ferraz tem varias logeas e sobrelogeas; e a capella de dizer missa; e nesta mesma face duas janellas rasgadas, e sinco de peitoril sinco frestas e dous ocullos de vista redondos; e huma porta de serventia das logeas, e outra de carro que vay dar ao pateo fora das casas, que está entre elas e o quintal, e a capella também tem porta para a dita viella e hum óculo de lus.” (15)
(15) cf. José Ferrão Afonso A Rua das Flores no século XVI : elementos para a história urbana do Porto quinhentista 2º ed. - Porto : Faup Publicações, 2000 e Joaquim Jaime B. Ferreira Alves A Casa Nobre do Porto na Época Moderna ed. INAPA 2001
flo16Foto Bonfim Barreiros in Bonfim Barreiros Fotógrafo de Arte, catálogo da Exposição na Casa do Infante, CMP, Porto 2001
A casa foi ainda no século XVIII arrendada à Companhia de Agricultura das Vinhas do Alto Douro, e em 1805 comprada por esta aos seus proprietários.
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CONTINUA

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