Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















sexta-feira, 14 de junho de 2013

HAS HABET ET SVPERAT

 

nota – Na revisão que estou a fazer dos diversos textos publicados neste blogue, surgem alguns temas que não foram “explorados”. Assim no D. Manuel e familiares: elementos de iconografia, a propósito da imperatriz D. Isabel de Portugal, apenas se faz uma breve referência ao emblema  que lhe foi oferecido pelo imperador Carlos V.

HAS HABET ET SVPERAT

Carlos V ofereceu a sua mulher um emblema com as três Graças da antiguidade e a divisa: Has habet et superat normalmente traduzida por Tem estas (Graças) e supera-as.

Julgo que o sentido do emblema tem um significado mais amplo de admiração do imperador pela sua mulher Isabel, considerando que ela  tinha não só as qualidades atribuídas às três Graças, como  mesmo as superava.

No texto D. Manuel e familiares: elementos de iconografia, publicava-se esta medalha de Leone Leoni (1509?-1590), encomendada por Carlos V ao escultor em 1549, portanto dez anos após a morte da imperatriz. Numa das faces figura o retrato de Isabel segundo o retrato de Ticiano. (ver o post citado)

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Leone Leoni (1509?-1590) - Medalha de prata 75 mmm representando numa face a Imperatriz Isabel com a inscrição DIVA .  ISABELLA .AVGVSTA .CAROLI V. VX e na outra face As Três Graças com a inscrição HAS . HABET .  ET . SVPERAT que Carlos V dera como divisa a Isabel. Museu Numismático Português

Neste apontamento iremos observar a outra face da medalha, onde rodeada pela divisa com a HAS . HABET . ET . SVPERAT, se encontra uma figuração das três Graças.

As Graças

“…porque, sem as Karites (Graças), que podem os homens amar ? Que as Graças sejam sempre as minhas fieis companheiras.”  Teócrito (315-c.250 A.C.) Idílios XVI

As três Graças, em grego Karites e para os romanos Gratiae, eram Eufrosínia, Aglaia e Tália tendo uma delas uma rosa, símbolo da beleza; outra um ramo de murta, símbolo do amor; e a terceira uma coroa de carvalho, símbolo da fecundidade.

Hesíodo na Teogonia faz referência às Graças como filhas de Zeus, e de Eurynome, uma ninfa filha do próprio Oceano.

Oceano tulit Eurinome: si nomina quaeris: /Aglaie prior: Euphrosyne Thalie q secuunt./Exoculis pulchrum aspiciut. Uicurndus ab has/Sidereis irrorat amor de more pupillis.(Hesíodo, Teogonia, v.906 a 911).

“Eurinome, filha de Oceano, de sedutora beleza, deu ao deus três filhas, as Caritas de belas faces; Aglae, Eufrosina e a amável Talia. Dos seus olhos brilhantes brotava o amor que rompe os membros; o olhar é tão belo que brilha sob suas sobrancelhas”

“Com as Graças tudo se torna encantador e doce. Convosco o homem é sábio, o homem é belo, o homem é culto. (…) Encantadora Aglaia, Eufrosínia, amiga do canto dos poetas, filhas do mais poderoso dos deuses, escutai-me; e vós Tália, para quem a música tem tanto encanto, reparai neste hino que voa em asa ligeira neste dia feliz e próspero.”
Píndaro  (518 –438 A.C.) Olímpicas XIV

O Emblema

Na Enciclopedia Akal de Emblemas Españoles Ilustrados por Antonio Bernat Vistarini, John T. Cull, Ediciones AKAL S.A.1999 é referido este emblema.

Na entrada Gracias, refere-se Francisco Gómez de la Reguera (*), autor de Empresas de los Reys de Castilla y de León, um manuscrito elaborado cerca de 1632, (**) contendo trinta e quatro empresas quase todas com um desenho e um soneto, da autoria de Gómez de la Riguera.

Na Empresa XXII de Dona Isabel esposa de Carlos V, é apresentado um desenho das três Graças , numa figuração semelhante à medalha de Leoni e a inscrição Has habet et superat.

E um soneto de Gómez de la Reguera

Las tiernas gracias que en union hermosa
Enlazaron los génios tan hermanas
Te presentaron en tus cunas ufanas
La encina, el mirto y la purpura rosa


En esa encina sucesion dischosa
En el mirto mil gracias sobranas
Y en la purpura rosa e tus humanas
Prendas, dulce beldad sempre amorosa.

Com tus gracias excediste
Mas de ti como humanas despreciadas
A otras mas celestiales te destinas.

Com heroicas virtudes las vencistes
Que estas las gracias son mas estimadas
Com que a una eterna gloria te encaminas.

(*)Francisco Gómez de la Reguera

(**)Francisco Gómez de la Reguera, Empresas de los Reys de Castilla y de León, Edicion y estudio de Cesar Hernandez Alonso, Valladolid, Secretariado de Publicaciones de Ia Universidad, 1990

As representações das três Graças

A representação das três Graças na Medalha e no Emblema, baseia-se nas representações da antiguidade.

As três Graças são representadas formando uma roda, em que uma está de costas e as outras duas de frente tem nas mãos os símbolos que lhes são atribuídos.

g8Les trois Grâces. Médaillon figuré d'un bol en argent, œuvre romaine, vers 200-260 ap. J.-C. The British Museum

g8aDetalhe da imagem anterior

g17aEspelho com as Três Graças Império Romano de 27 A.C. a 235 D. C.) bronze diâmetro 12,1 cm. The Metropolitan Museum of Art N.Y. USA

g4As Três Graças, relevo proveniente do templo de Afrodite Museu de Afrodisias  Turquia

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Les Trois grâces obra do Império Romano encontrada no Mont Caelius e restaurada em 1609 por Nicolas Cordier (1565-1612)  numa encomenda do cardeal Sipião Borghèse Mármore 1,190 musée du Louvre

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Mosaico das três Graças finais do século 3º início do século 4º  D.C. mármore 269 x 189 x 7 cm. Proveniente do Convent de l’Ensenyança, Barcelona Museu de Arqueologia da Catalunha Barcelona

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Detalhes da imagem anterior

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As três Graças século I A.C. fresco, 63 x 60 cm Museo Archeologico Nazionale Napoli Italia

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Detalhes da imagem anterior

Apesar de a partir dos finais do século XIV, as Três Graças serem representadas de forma diferente, esta representação canónica irá manter-se ao longo dos séculos, mesmo que apresentem pequenas variantes.

g16Sandro Botticelli (1444/1445-1510) La Primavera 1477-1478. têmpera s/ madeira 2,03 x 3,14 m. Galeria dos Ofícios Florença Itália

g16aDetalhe da imagem anterior

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Rafael Sanzio (1483-1520) As Três Graças 1504/05 óleo sobre madeira 17 x 17 cm. Museu Condé

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Detalhe da imagem anterior

g18Francesco Morandini , il Poppi (1544-1597) . As Três Graças 1570 óleo s/madeira 30 x 25 cm. Galeria dos Ofícios Florença Itália

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Les trois Grâces  século XVI, óleo s/ madeira 45 x 105 cm. musée du Louvre

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Detalhe da imagem anterior

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Giovan Francesco Bicesi il Fornarino,  fresco no Palazzo Giardino (1578-1588) Sabbioneta Mantova  Italia

g12Detalhe da imagem anterior

g12aDetalhe da imagem anterior

g15Faustin Besson (1821-1882) Les Trois Grâces óleo s/tela 62 x38 cm.Museu do château Compiègne

g10Jean-Auguste Dominique Ingres (1780-1867) Les Trois Grâces 1827 estudo para l'Apothéose d'Homère, lápis sobre papel 21,9 x 20,5 cm. Museu Ingres Montauban França

g19Edward Coley Burne-Jones (1833–1898) The Three Graces 1890/96  carvão e pastel s/ papel castanho 69.5 x 139 cm. colecção particular

g13Robert Delaunay (1885-1941) La ville de Paris 1910 óleo s/ tela 2,67 x 4,06 m. musée d'Art moderne de la Ville de Paris

g14aPablo Picasso  (1881-1973) Trois baigneuses. Les trois grâces 1932, gravura  14,1 x 11,3 cm. musée Picasso Paris

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