Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Um Percurso por Paris do Segundo Império 2

 

Continuamos  o Percurso pelo centro de Paris, para através de planos, pinturas, gravuras, desenhos e fotografias, acompanhadas por textos da época, dar uma ideia do que seria o ambiente de Paris no Segundo Império e nas duas décadas seguintes.
nota – todas as traduções são da minha autoria. Para não os trair, não se traduziram os poemas. Todos os realces dos textos são meus.

 

II Parte

La Grande Croisée – o eixo nascente-poente

O eixo poente-nascente une as entradas e o limite oriental e ocidental de Paris: Barreira de l’Étoile e Barreira do Trône.
Estende-se desde a praça da Étoile pelos Champs-Élysées, rua de Rivoli até à praça do Châtelet, e continua pela rua Saint Antoine até à praça da Bastille. Daqui pela rua do Faubourg Saint Antoine até à praça do Trône (Nation).
Da praça da Étoile à praça da Concórdia
ex191O eixo Étoile - Concórdia e a mancha da cidade em 1740. Detalhe de imagem in Edmond Bacon D’Athènes à Brasilia edita Lausanne, 1967
ex192aO eixo Étoile – Concórdia nos finais do século XIX. Detalhe de imagem in Edmond Bacon D’Athènes à Brasilia edita Lausanne, 1967
Praça da Étoile
ex1 Localização da Place de l’Étoile
O Arco do Triunfo
J'aime Paris aux beaux couchants d'automne,
Paris superbe aux couchants élargis,
Quand sur les quais du soleil tout rougis,
Le long des ponts, je m'arrête et m'étonne.
Rompant au fond la splendeur monotone,
L'Arc de Triomphe et ses pans obscurcis
Semblent s'ouvrir au vainqueur de Memphis,
Qui les emplit de l'or de sa couronne. 
Sainte Beuve
*
__________
* Sainte Beuve (1804-1869) Pensées d'Août 1838
A Praça de l’Étoile no final do século XVIII, antes da construção do Arco do Triunfo.
ex112aDetalhe de Plan de la Ville de Paris avec sa nouvelle enceinte Levé Géometriquement sur la Méridienne de lÓbservatoire par le C.en  Verniquet, Parachevé en 1791

Construído entre 1806 e 1836 por ordem de Napoleão Bonaparte segundo o projecto de Jean-François-Thérèse Chalgrin (1739-1811) e após a morte deste por Louis-Robert Goust (1761-1829) e finalmente por Jean-Nicolas Huyot (1780-1840).
ex2Chalgrin, Projet pour l'Arc de triomphe de l'Etoile c.1806, encre grise, lavis gris, mine de plomb, plume 69,5  x 76,0 cm. Paris, musée du Louvre
Nele estão colocadas um conjunto de esculturas e baixos-relevos onde se destaca “A Marselhesa” (Le Chant du Départ) de François Rude (1784-1855).
ex3
Le Chant du Départ (Bas-rellef de l’Arc du Triomphe) Dessin de M. Delestre, grave par M. Guillaume in Paris Guide par les principaux écrivains et artistes de la France Deuxième partie La Vie, Librairie Internationale Boulevard Montmartre, A. Lacroix, Verboeckhoven et C.ª Éditeurs, Paris 1867
ex114  ex114a
J.D. Thierry, architecte, premier inspecteur du monument, Arc de Triomphe de l’Étoile, Typographie de Firmin Didot Frères, imprimerie de l’Institut de France Paris M DCCC XLV
Émile de Labedollière  em Le Nouveau Paris, cita J. Rousseau, descrevendo o baixo-relevo:
“Le Départ est le plus remarquable de tous ces groupes: “Ce bas-relief, a dit M. J. Rousseau, est tout simplement une chose sublime. Qui n’a senti le frisson de l’admiration portée à son plus haut degré d’intensité vis-à-vis de cette page épique qui s’intitule le Départ, et où l’on voit, au-dessus d’un groupe de guerriers, la guerre planer les ailes déployées, le casque en tête, jetant dans l’air son cri d’alarme, et de son glaive nu montrant l’énnemi ? A ce signal tout frémit et s’élance. Les vieillards stimulent les adolescents; les jeunes gens jettent leur manteau et sautent sur leur épée. Celui-ci est monté sur son cheval qui se cabre; celui-là tend déjà son arc; cet autre en courant sonne une fanfare. Et sur le devant du tableau, décidés à combattre et à mourir ensemble, un guerrier d’un âge mûr et un soldat de vingt ans marchent ensemble et les premiers à la rencontre du danger, avec la mêmme sérénité enthousiaste, du même pas, comme deux frères, les bras entrelacés dans une suprême étreinte !”  1
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1 Émile de Labedollière (1812-1883), Le Nouveau Paris, Histoire de ses 20 Arrondissements, Gustave Barba, Libraire-Éditeur rue Cassette 8, Paris 
tradução: “O Départ é o mais notável de todos esses grupos: “Esse baixo-relevo, disse o Sr. J. Rousseau, é simplesmente uma coisa sublime. Quem não sentiu o arrepio de admiração elevado ao mais alto grau de intensidade perante esta página épica que se intitula o Départ, onde se vê, por cima de um grupo de combatentes, a guerra planar de asas abertas, o elmo na cabeça, atirando o seu grito de alarme, com a espada desembainhada mostrando o inimigo? A este sinal todos tremem e avançam. Os mais velhos estimulam os adolescentes; os jovens atiram os seus mantos e saltam sobre as espadas; Este monta o seu cavalo que se empina; aquele arma já o seu arco; um outro corre tocando uma fanfarra. E no primeiro plano, decididos a combater e a morrer juntos, um idoso combatente e um soldado com vinte anos marcham juntos e no mesmo passo, sendo os primeiros a enfrentar o perigo, com a mesma serenidade entusiasta, de braço dado num supremo abraço!
O Arco do Triunfo foi construído numa das entradas (Barreiras) de Paris marcada pelos dois edifícios projectados por Claude Nicolas Ledoux (1736-1806) entre 1784 e 1790.
ex4Christophe Civeton (1796-1831), Barrière de l'Etoile vue du pied de l'arc de Triomphe, 1829 BnF
Na gravura anterior de Civeton, entre os edifícios de Leloux, os Campos Elísios, enquanto um conjunto de figuras entram em Paris, transportando diversas mercadorias em carros puxados por mulas e cavalos, enquanto outros conduzem rebanhos. Aqui e ali alguns burgueses passeiam-se por entre a multidão. À direita um grupo descarrega um carro e serve-se de vinho. Paris ainda não era servido pelo caminho-de-ferro.

ex6A praça da Étoile em 1843 Detalhe de Plan de la Ville de Paris divisé en 12 Arrondissements et 48 Quartiers, Indiquant tous les Changements faits & Projetés Dressé par X. (Xavier) Girard, Géographe des Postes, Paris Chez J.Goujon et J. Andriveau, éditeur rue du Bac n.º17 près du Pont Royal 1843 53 cm x 96 cm Brown University Library
ex98Jules-Frédéric Bouchet (1799-1860) L’Arc de Triomphe et la Barrière de l’Étoile, 1837 aguarela 49 x 84 cm. colecção particular

Em 1860 Haussmann manda demolir a barreira de l’Étoile, e é realizada a praça circular com doze avenidas, um modelo que será difundido por todo mundo. 2 Nesta praça e junto ao Arco do Triunfo irão realizar-se até aos nossos dias os mais solenes acontecimentos da França.
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2 Lembre-se a praça do Marquês de Pombal em Lisboa e a praça Mouzinho de Albuquerque (Rotunda da Boavista) no Porto
ex5
Félix Thorigny (1824-1870) dessinateur Henri Linton, Graveur Démolitions des barrières de Paris - Physyonomie de la place de l’Étoile Le Monde Illustré 1860 gravure sur bois ; 20,2 x 32 cm Collection de Vinck. Un siècle d'histoire de France par l'estampe, 1770-1870. Bibliothèque nationale de France
Na estampa de Thorigny, enquanto operários procedem à demolição dos edifícios de Leloux e ao arranjo da sua envolvente vê-se  a pé, a cavalo e em carruagens, um considerável número de parisienses passeando nos Campos Elísios.
ex158 cópiaLithographie Ch. Fernique, Paris, Place de l'Arc de Triomphe de l'Etoile 1861 carte 62 x 47 cm. Bibliothèque nationale de France
ex7Place de L'Étoile Promenades de Paris 1860  printed by Ch. Chardon, Paris
As doze Avenidas:
ex8
Legenda
1 - Avenue d'Essling 3 (depois Avenue Carnot 4)
2 – Avenue du Prince-Jérôme 5 (depois Avenue Mac-Mahon 6)
3 - Boulevard de l'Étoile ou boulevard Bezons (depois Avenue de Wagram 7)
4 - Avenue de la Reine-Hortense 8 (antes boulevard Monceau e depois Avenue Hoche 9)
5 - Avenue de Friedland 10 (antes Boulevard Beaujon)
6 - Avenue des Champs-Élysées
7 - Avenue Joséphine 11 (depois Avenue Marceau 12)
8 - Avenue d'Iéna 13
9 - Avenue du Roi-de-Rome 14 (antes boulevard de Passy e depois Avenue Kléber 15)
10 - Avenue d'Eylau 16 (antes avenue de Saint-Cloud e depois Avenue Victor-Hugo 17
11 - Avenue de l'Impératrice 18 (depois avenue du Bois de Boulogne na III República e depois Avenue Foch 19)
12 - Avenue de la Grande Armée (antes avenue de Neuilly)
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3 Batalha de Aspern-Essling 1809  4 François Sadi Carnot (1837-1894) presidente da República 
5 Jérôme-Napoléon Bonaparte (1784-1860) irmão de Napoleão 
6 Edme Patrice Mac-Mahon (1808 – 1893), marechal de França  7 Batalha de Wagram ganha por Napoleão em 1809  8 Hortense Eugénie Cécile de Beauharnais (1783-1837), casada com Luís Napoleão e rainha da Holanda. Mãe do Imperador Napoleão III  
9 Lazare Hoche (1768- 1797),  general francês 
10 Batalha de Friedland ganha por Napoleão em 1809. 11 Joséphine de Beauharnais (1763-1814), primeira mulher de Napoleão
12 François Séverin Marceau (1869 – 1893), general francês 13 Batalha de Iéna ganha por Napoleão em 1806. 14 Napoléon François Charles Joseph Bonaparte (1811-1832), filho de Napoleão e do segundo casamento com Maria Luísa de Áustria
15 Jean-Baptiste Kléber (1753- 1800) general de Napoleão, morreu assassinado no Cairo 16 Batalha de Eylau 1807
17 Victor Hugo (1802-1885)
18 Eugénia de Montijo (1826-1920), mulher do Imperador Napoleão III
19 Ferdinand Foch (1851-1929) marechal francês herói da I guerra mundial

ex9François Villeret (1800-1866) Place de l’Étoile 1840 aquarelle et rehauts de gouache blanche, 22 x 31 c. colecção particular
ex10François Etienne Villeret (1800-1866) arc de Triomphe de l'Etoile óleo s/tela 54 x 88 cm. musée du Louvre Paris
Victor Hugo (1802-1885) escreve em 1837 um poema sobre o Arco do Triunfo 20, que começa por referir a sua localização no extremo poente da cidade e o seu simbolismo ligado com os exércitos napoleónicos.

“Toi dont la courbe au loin, par le couchant dorée
S'emplit d'azur céleste, arche démesurée
Toi qui lèves si haut ton front large et serein
Fait pour changer sous lui la campagne en abîme,
Et pour servir de base à quelque aigle sublime
Qui viendra s'y poser et qui sera d'airain !
O vaste entassement ciselé par l'histoire !
Monceau de pierre assis sur un monceau de gloire!
Edifice inouï !
Toi que l'homme par qui notre siècle commence,
De loin, dans les rayons de l'avenir immense,
Voyait, tout ébloui !”
……………..

E o poema continua no espírito do Romantismo, em que Victor Hugo lamenta que o Arco esteja ainda novo (tinha sido completado no ano anterior) e por isso deseja que ganhe antiguidade, a patine do tempo, as rugas da idade. Falta passado ao edifício. E Victor Hugo quase no fim do seu poema espera que, o tempo esse grande escultor, envelheça o edifício de modo que se torne uma romântica ruína.
“Et laissez travailler à toutes les statues
Le temps, ce grand sculpteur !”
 21
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20 Victor Hugo Les Voix intérieures 1837 
21 Este verso de Victor Hugo foi e é usado por diversos autores e em diversas ocasiões e é o título de um livro de 1983 de Marguerite Yourcenar (1903-1987), que julgo estar traduzido para português.
Um dos grandes acontecimentos em Paris, junto ao Arco do Triunfo, é precisamente o funeral de Victor Hugo em 1885.
ex11Georges François Guiaud (1840 - 1893) Funerais de Victor Hugo 1 de Junho de 1885, desenho aguarelado musée Carnavalet Paris
ex12Jean Béraud (1849-1936) Les funérailles de Victor Hugo, place de l'Etoileóleo s/madeira 31,5 x 35 cm. musée Carnavalet Paris

Não é por acaso, que Béraud procura um ponto de vista em que figura “A Marselhesa” (o Départ) de François Rude. Em 1885 a França é de novo uma República e a Marselhesa definitivamente assumida como o hino nacional. De notar ainda o aluguer de escadas para melhor ver o acontecimento.
A praça da Étoile no segundo Império torna-se um local de grande circulação, como entrada poente de Paris, mas sobretudo para quem se dirige ao Bosque de Bolonha pelos Campos Elísios ou pelos Boulevards.
Alfred Delvau refere nos meados dos anos 60:
 
“Il est effrayant le nombre de promeneurs & d’equipages de toutes sortes – broughams & briskas, flies & tandems, caleches & carrosses, fiacres & tapissières – qui traversent chaque jour cette place pour se rendre, soit au Bois de Boulogne, soit à Neuilly dont elle est le chemin: autant vaudrait compter les sables de la mer ou les étoiles du ciel. Effrayant aussi le nombre des gens, étrangers ou provinciaux, qui la traversent pour entrer dans Paris”. 22
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22 Alfred Delvau (1825-1867), Histoire Anecdotique des Barrières de Paris, avec 10 eaux-fortes par Émile Thérond, E. Dentu éditeur, Librarie de la Société des Gens de Lettres, Palais-Royal, 17 & 19 Galerie d’Orléans, Paris 1865
tradução: “ É assustador o número de peões & de carruagens de todas as espécies - broughams & briskas, flies & tandems, caleches & carrosses, fiacres & tapissières – que atravessam todos os dias esta praça para ir, seja ao Bosque de Bolonha, seja a Neully de que faz parte do caminho: mais valia contar os grãos de areia do mar ou as estrelas do céu. Assustador também o número de pessoas, estrangeiros e provincianos, que a atravessam para entrar em Paris.”
ex13
L. Riga, Panorama de Paris. Description des principaux monuments et grands établissements, revue de l'industrie et  du commerce et guide de l'étranger. Texte français de L. Riga Texte anglais de G. W. Yapp,Dessins de C. Lepage, Ch. Boulay, Sauvestre, Ch. Rivière, Durand-Brager, Ed. Renard, Ch. Vernier, Ed. Morin, Julienne.D. Boistier éditeur Directeur de l’Agence Internationale, gérant du Journal The Traveller Guide 13, Rue Montyon (Faubourg de Montmartre) Paris 1857

ex14Gabriel Emile Wibaille, (1802-18?? ) Vue de la place de l'Etoile, c.1853, gravura em madeira  22.4 x 31.8 cm. Publicado no Le journal illustré, 1867
ex15Noël François Bertrand (1784-1852)  A Praça de L’Etoile 1869
ex104Felix Nadar (1820-1910) Vue aérienne du quartier de l’Etoile, papier albuminé, 24 x 30 cm, 16 juillet 1868. Detalhe
As Avenidas da Imperatriz e dos Campos Elísios
Das doze avenidas que partem da praça de l’Étoile, no Segundo Império duas assumem particular importância, quer como eixos de circulação quer como passeios públicos. A avenida da Imperatriz (avenida do Bois de Boulogne) precisamente por conduzir à entrada do Bosque de Bolonha; e os Campos Elísios por integrarem o eixo poente nascente estruturante de Paris.
Avenida da Imperatriz (Avenida do Bois de Boulogne)
ex16E. Hochereau (Émile Hochereau 1828-19..) Avenue de l’Impératrice prise de l’Entrée du Bois de Boulogne in Adolphe Arphand Les Promenades de Paris, J. Rothschild, Editeur, 1868/73
A avenida da Imperatriz (na III República avenida do Bosque de Bolonha e hoje avenida Foch) criada em 1854 com uma extensão de 1.300 metros e uma ampla largura de 120 metros, tornou-se com os Campos Elísios o local de passeio preferido no Segundo Império, já que dava acesso ao Bosque de Bolonha.

No Paris dans sa splendeur de 1861 pode ler-se:
“…L'Avenue de l’Impératrice, qui relie le Bois aux Champs-Elysées par une chaussée réservée aux équipages, et des allées à double trottoir destinées, l'une aux cavaliers, l'autre aux piétons, n'est pas seulement une admirable promenade, c'est encore la collection d'arbustes la plus complète et la plus riche qui soit en Europe. Elle a mis à contribution toutes les pépinières de la France, de l'Algérie, de la Belgique et de l'Allemagne, et ses quatre mille sujets différents représentent tous les arbres et tous les arbustes d'agrément qui peuvent, sous nos latitudes, embellir et charmer la demeure de l'homme. Ajoutez que les fleurs éclatantes et groupées; en bouquets dans des corbeilles, des pétunias, des géraniums, des balisiers et des verveines y relèvent de leurs nuances vives et tranchées la monotonie d'une verdure uniforme sur la pelouse qui se déroule devant les yeux depuis l'arc de triomphe jusqu'à la route des Lacs.” 23
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23 Audiganne et autres, Paris dans sa splendeur : Monuments, vues, scènes historiques, descriptions et histoire II vol. Dessins et lithographies par Philippe Benoist,Publié par Henri Charpentier, Imprimeur-Éditeur Paris Quai des Grands- Augustins, 55 M. DCCC. LXI.
tradução: “A Avenida da Imperatriz, que liga o Bosque aos Campos Elísios, por uma faixa de rodagem reservada às carruagens, e alamedas com duas faixas, destinadas, uma aos cavaleiros e a outra aos peões, não é só uma admirável  promenade, é também a mais completa e rica colecção de arbustos existente na Europa. Ela reúne a contribuição dos viveiros da França, da Argélia, da Bélgica e da Alemanha e as suas quatro mil espécies diferentes representam todas as árvores e todos os arbustos que podem, na nossa latitude, embelezar e encantar a morada do homem. Acrescentai que as  flores brilhantes e agrupadas; em bouquets nas suas cestinhas, petúnias, gerânios, girassóis e verbenas, sublinham com as suas nuances vivas a monotonia de uma verdura uniforme do relvado que perante os nossos olhos se estende desde o Arco do Triunfo até ao caminho dos Lagos.”
ex17L’Avenue de l’Impératrice, Dessin de M. Brown, [John-Lewis Brown (1829-1890)], grave par M. Sotain in Paris Guide par les principaux écrivains et artistes de la France Deuxième partie La Vie, Librairie Internationale Boulevard Montmartre, A. Lacroix, Verboeckhoven et C.ª Éditeurs, Paris 1867
Gustave Doré ao ilustrar o Le Nouveau Paris prefere mostrar o movimento dos cavaleiros e carruagens, que se deslocam para ou do Bosque de Bolonha.ex18Gustave Doré  (1832-1883) Avenue de l’Impératrice in Émile de Labedollière (1812-1883), Le Nouveau Paris, Histoire de ses 20 Arrondissements, Gustave Barba, Libraire-Éditeur rue Cassette 8, Paris 
Émile Zola em La Curée de 1872,  escreve:
“A ce moment, la calèche sortit du Bois. L'avenue de l'Impératrice s'allongeait toute droite dans le crépuscule, avec les deux lignes vertes de ses barrières de bois peint, qui allaient se toucher à l'horizon. Dans la contre-allée réservée aux cavaliers, un cheval blanc, au loin, faisait une tache claire trouant l'ombre grise. Il y avait, de l'autre côté, le long de la chaussée, çà et là, des promeneurs attardés, des groupes de points noirs, se dirigeant doucement vers Paris. Et, tout en haut, au bout de la traînée grouillante et confuse des voitures, l'Arc-de-Triomphe, posé de biais, blanchissait sur un vaste pan de ciel couleur de suie.” 24
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24 Émile Zola (1840-1902) La Curée, segundo romance da série  Les Rougon-Macquart, G. Charpentier, Éditeur rue de Grenelle- Saint-Germain, 13 Paris 1879
tradução (de amador e com as devidas reticências) : “Nesse momento a caleche saiu do Bosque. A avenida da Imperatriz alongava-se direita no crepúsculo, com as duas linhas verdes das suas cercas de madeira pintada que se tocavam no horizonte. Na alameda reservada aos cavaleiros, um cavalo branco, ao longe, fazia uma mancha clara esburacando a sombra cinzenta. Havia, do outro lado, ao longo do passeio, aqui e ali, passeantes atrasados, grupos de pontos negros, dirigindo-se docemente para Paris. E, no alto, no remate do fluxo murmurante e confuso das viaturas, o Arco do Triunfo, de lado, esbranquiçava um vasto pedaço de céu cor de fuligem.”
ex19Léon et Lévy. [Moyse Léon e Isaac (Georges) Lévy (1843 – 1926)] Photographe Promenades dans Paris. 1889 / Photographies réunies par le baron De Vinck  album de 81 photogr. pos. sur papier gélatino-argentique, d'après des négatifs sur verre ; 29 x 36 cm (vol.) Bibliothèque nationale de France
No quadro de Grandjean, pode observar-se a separação da faixa do trânsito de viaturas, da faixa para cavalos e da faixa para peões.
ex195Edmond Georges Grandjean (1844-1908) Avenue du Bois, óleo sobre tela 68,6 x 112,7 cm. colecção particular 
Também Giuseppe de Nittis, cujo atelier se situou nesta avenida, deixou-nos um quadro que dá uma ideia da dimensão e da largura da Avenida da Imperatriz. As três figuras femininas mostram a escala da largura dos passeios e ao fundo circulando na direção do Bosque carruagens e cavaleiros. No horizonte algumas instalações fabris e à direita o Arco do Triunfo.
ex21Giuseppe de Nittis (1846 – 1884) Avenue du Bois de Boulogne, 1874 óleo s/ tela 322 x 42.2 cm col. Particular
Francisco Miralles, já no final do século representa o largo passeio tendo no primeiro plano duas figuras femininas que passeiam um carrinho com uma criança, enquanto outra joga com um aro. Junto ao jardim dois cães. No segundo plano um casal, e vários figuras sentadas em bancos ou apenas passeando. Dois cavaleiros  e um fiacre na faixa de rodagem. Ao fundo o Arco do Triunfo e construções na praça da Étoile.
ex20Francisco Miralles (1848-1901) Avenue du Bois de Boulogne et  Arc de Triomphe óleo sobre tela 31.8 x 41 cm colecção particular
A Avenida como acesso ao Bosque de Bolonha, tinha um particular movimento quando se realizavam corridas de cavalos no hipódromo de Longchamp, inaugurado em 1857 (ver o Bois de Boulogne na V Parte - Parques e Jardins).
ex22Childe Hassam (1859–1935) Jour de Grand Prix 1887 , óleo sobre tela 61,28 x 78,74 cm. Museu de Belas Artes Boston

Os Campos Elísios

A mais conhecida das avenidas de Paris, com quase dois quilómetros de comprimento (1.910 m) e 70 metros de largura, torna-se no Segundo Império a Promenade por excelência, como descreve Júlio César Machado em 1862:
“Talvez não se ache no mundo um espectaculo mais attrahente para os estrangeiros, do que a vista do panorama grandioso, que começa no Arc de l’Etoile. Os Campos Elyseos são o passeio do bom mundo, o ponto de reunião da elegancia, o campo de justas dos trens mais ricos; é por ali que passam a uma certa hora as fidalgas nos seus caleches, as senhoritas nos seus carrinhos de caracol, os dandys nos seus tylburys, os cavalheiros que vão ao bosque, e as amazonas que voltam de lá!
Todo o caminho que se estende do Arc de Triomphe até ao Obélisque, vê nascer a primeira moda e a primeira flôr.”
25
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25 Júlio César Machado (1835-1890) Recordações de Paris e Londres, editor José Maria Correa Seabra rua dos Calafates Lisboa 1863
André Le Nôtre (1613-1700) quando desenha o jardim das Tulherias prolonga  em 1670 o seu eixo central em direção ao monte do Roule, plantando uma dupla fila de árvores até ao actual Rond-Point. Chamou-se então em 1680 Avenue du palais des Tuileries.
No século XVII começa a ser edificada nas suas margens por alguns Hotels (palacetes), e em 1770 avenidas de Marigny, de Matignon e des Veuves (avenida das Viúvas, actual avenida Montaigne) ligam os Campos Elísios com as zonas adjacentes. Em 1789 torna-se a Avenue des Champs-Élysées.
Os Campos Elísios no final do século XVIII. Entre a Étoile e o Rond-Point chama-se avenue des Champs-Élysées, e do Rond-Point até à praça da Concórdia, avenue des Tuileries.

ex112bDetalhe do Plan de la Ville de Paris avec sa nouvelle enceinte Levé Géometriquement ser la Méridienne de lÓbservatoire par le C.en  Verniquet, Parachevé en 1791
Napoleão Bonaparte pretendeu fazer dos Campos Elísios uma via monumental que ligasse o jardim das Tulherias e a rua de Rivoli ao Arco do Triunfo.
ex23Charles Malo (1790-1871) Avenue des Champs Elysees in Paris et ses environs. Promenades pittoresques Louis Janet Libraire rue Saint Jacques 59 Paris c.1829
Charles Malo em Paris et ses environs publicado por volta de 1829, acompanha esta imagem dos Campos Elísios com o seguinte comentário:
“…soit enfim qu'il y pénètre par la magnifique avenue des Champs-Élysées, l'un des points de vue les plus imposants de l'intérieur de Paris, puisque, du pied même de l'arc de l'Étoile, le château des Tuileries se développe en perspective à ses regards, et forme ainsi le fond d'un tableau aussi vaste que ravissant.” 26
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26 Charles Malo (1790-1871). Paris et ses environs. Promenades pittoresques Louis Janet Libraire rue Saint Jacques 59 Paris c.1829
tradução: “…seja enfim que ele entre (em Paris) pela magnífica avenida dos Campos Elísios, um dos pontos de vista mais imponentes do interior de Paris, já que, da base do arco da Étoile, o castelo das Tulherias se desenvolve em perspectiva ao seu olhar e forma o fundo de um quadro tão vasto que belo.”
Os Campos Elísios em 1843ex24Os Campos Elísios em 1843 Detalhe de Plan de la Ville de Paris divisé en 12 Arrondissements et 48 Quartiers, Indiquant tous les Changements faits & Projetés Dressé par X. Girard, Géographe des Postes, Paris Chez J.Goujon et J. Andriveau, éditeur rue du Bac n.º17 près du Pont Royal 1843
ex25Rond Point des Champs-Élysées Promenades Paris, Paulin et Lechevalier, rue Richelieu, 60 Paris 1855
Mas é no Segundo Império que os Campos Elísios se vão tornar a Promenade por excelência de Paris.
Quer com a arborização, cuja evolução se pode ver nas Cartas da época, quer ainda com os equipamentos de que se destaca o Palácio da Indústria construído para a Exposição Universal de 1855.  No troço entre o Rond-Point e a praça da Étoile,vão construir-se os palacetes (hotels) da alta burguesia, e onde se destaca o Hotel da Paiva.
Haussmann nas suas Mémoires refere a intervenção nos Campos Elísios, nomeadamente na arborização, de que se ocupa Adolphe Arphand.

“Le remaniement complet de la partie des Champs-Elysées comprise entre la place de la Concorde et le rond-point est trop connu pour que nous nous arrêtions à le décrire. Le détail de cette métamorphose peut fournir des enseignements utiles, même pour l'arrangement de propriétés privées. On remarquera notamment avec quel soin les beaux arbres de l'ancienne plantation ont été conservés et mis à profit pour le raccordément de l'avenue centrale avec les nouvelles plantations; l'emploi varié des arbres et arbustes à feuilles persistantes pour accompagner les façades des restaurants, cafés-concerts, etc.” 27
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27 Mémoires du Baron Haussmann, Grands travaux de Paris/Le Plan de Paris / Les services d’ ingénieurs / Voie publique / Promenades et plantations /Service des eaux/ Architecture et Beaux Arts III, Victor-Havard, éditeur Boulevard Saint-Gemain 168, Paris 1893
tradução: “A completa renovação da  Campos Elísios compreendida entre a praça da Concórdia e o rond-point é demasiadamente  conhecida para que nos detenhamos a descreve-la. O pormenor desta metamorfose pode fornecer ensinamentos úteis, mesmo para o arranjo das propriedades privadas. Notar-se-á nomeadamente com que  cuidado as belas árvores da antiga plantação foram conservadas beneficiando a integração da avenida central com as novas plantações; a utilização de várias árvores e arbustos de folha persistente para acompanhar as fachadas dos restaurantes, cafés-concerto, etc.”
ex26Les Champs Elysées. Vue à vol d’oiseau. In Adolphe Arphand Les Promenades de Paris, dessins de Louis Emile Hochereau (1826-1901), J.Rothschild éditeur 1868
ex27Os Campos Elísios na carta de 1861
ex28Os campos Elísios na Carta de 1870
ex29Os Campos Elísios na Carta de 1894


ex30Les Champs-Élysées, Alfred-Auguste Ernouf (1817-1889), Le Baron Ernouf, avec le concours de A. Alphand L’Art des Jardins, Traité pratique et didactique, 5ª edição éditeur J. Rothschild rue des Saints-Peres, 13, Paris 1886.
Haussmann nas suas Mémoires refere:
“…l'Avenue des Champs-Elysées, fut amené jusqu'à la Place même. Son entrée fut accusée par les deux groupes dits « Les Chevaux de Marly», dus au ciseau de Coustou. 28
On compléta la plantation des quinconces et, au delà du Rond-Point, l'avenue fut continuée par une pente adoucie, jusqu'à la Butte de l'Étoile abaissée, où l'Empereur Napoléon Ier devait consacrer à la gloire de la Grande-Armée, son immense Arc de Triomphe. 29


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28  Guillaume Coustou (1677-1746)
29  Mémoires du Baron Haussmann, Grands travaux de Paris/Le Plan de Paris / Les services d’ ingénieurs / Voie publique / Promenades et plantations /Service des eaux/ Architecture et Beaux Arts III, Victor-Havard, éditeur Boulevard Saint-Gemain 168, Paris 1893
tradução: “…a Avenida dos Campos Elísios foi aberta até à Praça. A sua entrada foi marcada pelos dois conjuntos  ditos “ Os Cavalos de Marly”, devidos ao cinzel de Coustou. Completou-se a plantação de árvores em xadrez, e para além do Rond-Point a avenida foi prolongada com um declive suave, até à Butte de l’Étoile rebaixada onde o imperador Napoleão I quis  consagrar à glória da Grande-Armée o seu enorme Arco do Triunfo.”
Les Chevaux de Marly foram encomendados por Luís XV em 1739 para o palácio de Marly, onde foram colocados em 1745. Em 1794 foram transferidos para a entrada dos Campos Elísios.
ex132Nicolas Coustou (1658-1733) [irmão de Guillaume Coustou] Les Chevaux de Marly  Deux dessins à la plume et lavis à l'encre de Chine ; 25,5 x 39 cm Bibliothèque nationale de France
ex31Adolphe Joanne The Diamond Guide For The Stranger in Paris, L. Hachette and Cª. Boulevard Saint Germain 77, Paris 1867
 Nas imagens que se seguem, Avenida dos Campos Elísios do lado sul, vendo-se à esquerda o Palácio da Indústria, o Rond-Point e os palacetes construídos no troço poente, que se prolongam na segunda imagem, até ao Arco do Triunfo  e à Barreira ainda não demolida.
ex32
ex33Avenue des Champs Élysées Imprimerie Lemercier lithographie 11,2 x 74 cm. Bibliothèque nationale de France
Do mesmo modo a Avenida dos Campos Elísios do lado norte, vendo-se à esquerda o Arco do Triunfo e a Barreira não demolida,  o troço até ao Rond-Point  que se prolonga na segunda e terceira imagem. Na quarta imagem o Cirque d’Été, e na quinta o Café des Ambassadeurs, os Cavalos de Marly e a praça da Concórdia.
1ex103d2ex103a13ex1064ex105a5ex103b1A. Provost Panorama des Champs-Elysées lithographies c. 11,1 x 72,9 cm. Chez Aubert, Pl. de la Bourse Bibliothèque nationale de France
Como se assinalou, ao longo dos Champs Élysées, entre a praça da Concórdia e o Rond-Point, vão-se instalando alguns equipamentos próprios de um passeio público, e nos meados do século alguns edifícios públicos.
ex199Vue du Rond-Point des Champs-Élysées in Paris Nouveau Illustré 1864-1872 Journal périodique publié par l'Illustration impr. de E. Martinet (Paris)  
Júlio César Machado, refere a animação nocturna provocada por esses equipamentos:
“Depois, à noite, por serem ali [nos Campos Elísios] situados o baile Mabille, o Chateau des Fleurs, o Cirque de l’Impératrice, e um numero incrível de Cafés Concertos, o movimento recresce, e dir-se-hia acordarem rouxinoes em cada ramo d’arvore.” 30
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30 Júlio César Machado, Recordações de Paris e Londres, editor José Maria Correa Seabra rua dos Calafates Lisboa 1863
ex34Adolphe Arphand Les Promenades de Paris: Histoire, Description des Embellissements, Depenses de Creation et d'Entretien des Bois de Boulogne et de Vincennes, Champs-Elysees, Parcs, Squares, Boulevards, Places Plantes, 2 Vol. Paris: J. Rothschild, Editeur, 1867-1873
Auguste Villemot cronista do jornal Le Figaro no seu livro La Vie à Paris, que recolhe essas crónicas, escreve:
“Le temps était superbe. Une douce brise soufflait dans l'air, et des parfums de saucisses grillées embaumaient les Champs-Elysées. Partout le peuple dru et serré était attablé aux cabarets en plein vent ; on n'avait que le choix des rafraîchissements; la limonade turque, la limonade polonaise et  la limonade russe se disputaient les amateurs de coliques.” 31
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31 Auguste Villemot (1811-1871 ) La Vie à Paris, édition Hetzel, Meline, Cans et Compagnie, Libraires-Éditeurs, Boulevard de Waterloo 35, Bruxelles 1858
tradução: “O tempo estava magnifico. Uma suave brisa soprava no ar e perfumes de salsichas grelhadas flutuavam nos Campos Elísios. Por todo o lado o povo sentava-se nos cabarets ao ar livre;  só havia a escolha dos refrescos, a limonada turca, a limonada polaca e a limonada russa, disputavam os amantes de cólicas.”
ex37Edmond Charles Yon (1836-1897) Café concert aux Champs Élysées in Scenes et moeurs de Paris, Paris Wild, rue de la Banque 15, près la Bourse lithographie 13,4 x 21 cm. Bibliothèque nationale de Franceex35Kiosque des Champs-Elysées in Adolphe Joanne The Diamond Guide For The Stranger in Paris, L. Hachette and Cª. Boulevard Saint Germain 77, Paris 1867
ex36Café-Concert au Champs Elysées Adolphe Joanne The Diamond Guide For The Stranger in Paris, L. Hachette and Cª. Boulevard Saint Germain 77, Paris 1867
O Café dos Embaixadores, cujo nome se deve à proximidade dos edifícios de Gabriel, estava instalado num edifício projectado por Jacques Hittorff. Reconstruído em 1841 teve grande sucesso até ao início do século XX.
ex38A. Provost e Georges Muller Café des Ambassadeurs (Champs Élysées) Maison Martinet, 41, rue Vivienne, 146, rue de Rivoli, lithographie 17,8 x 26 cm. , Bibliothèque nationale de France.
ex164Café des Ambassadeurs Champs-Elysées
No quadro de Renoir, o Café des Ambassadeurs aparece à direita. ex57Auguste Renoir (1841-1919) Champs-Elysées pendant l’Exposition de Paris 1867, óleo s/tela 76,5 x 130 cm. colecção particular
São conhecidos os cartazes de Jules Chéret (1836-1932) e de Toulouse-Lautrec (1864-1901), precisamente os criadores do cartaz moderno.
ex125Jules Chéret, (1836-1932), Cartaz Paris l'été. Restaurant des Ambassadeurs. Champs-Elysées, 1884  lithographie en couleurs 120 x 86 cm. Bibliothèque nationale de France
ex126Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901) Ambassadeurs: Aristide Bruant dans son cabaret 1892 cartaz 150 × 100 cm.
O Cirque de l’Impératrice e o Panorama

O Cirque d’été (Circo de Verão) criado em 1835, e que se chamou Cirque-Olympique des Champs-Élysées, Cirque-National, com a construção de um novo edifício em 1841 segundo o projecto de Jacques Hittorff (1792-1867), passa em 1853 a chamar-se Cirque de l'Impératrice.
ex39O Cirque de l’Impératrice e o Panorama em 1843 Detalhe de Plan de la Ville de Paris divisé en 12 Arrondissements et 48 Quartiers, Indiquant tous les Changements faits & Projetés Dressé par X. (Xavier) Girard, Géographe des Postes, Paris Chez J.Goujon et J. Andriveau, éditeur rue du Bac n.º17 près du Pont Royal 1843 53 cm x 96 cm Brown University Library
ex100aCampos Elísios zona norte entre a praça da Concórdia e o Rond Point. Detalhe de  Michel-Charles Fichot (1817–1903) Vue générale de Paris, prise du rond point des Champs Elysées. Lithograpie 38.6 x 53.8 cm.

ex40Ph. Benoist,  Cirque de l'Impératrice aux Champs Élysées lithographie 23,5 x 36,1 cm Collection de Vinck. Un siècle d'histoire de France par l'estampe, 1770-1870. Vol. 160 Charpentier, Edit. Paris, Quai Conti, 3. – 68 Bibliothèque nationale de France
ex111A. Provost Cirque de l'Impératrice Champs Élysées lithographie 21 x 31,5 cm. Maison Martinet, 41, rue Vivienne 172, rue de Rivoli Bibliothèque nationale de France
O Panorama
O coronel Jean-Charles Langlois (1789-1870), pintor de batalhas, pintou um panorama de dimensões consideráveis que expôs num primeiro Panorama de trinta e oito metros de diâmetro construído na rua Saint-Martin. Demolido este  Panorama, foi construído um novo nos Campos Elísios, com quarenta metros de diâmetro, projectado em 1838 por Jacques Hittorff . Foi inaugurado no ano seguinte, no local onde se edificou em 1855 o Palácio da Indústria.
 ex41Jacques Hittorff, Alçado do Panorama des Champs-Elysées 1840, Bibliothèque nationale de France
Com a construção do Palácio da Indústria, o Panorama é de novo obrigado a mudar de lugar e em 1858 é projectado por Gabriel Davioud um novo edifício, inaugurado em 1860, localizado mais a poente nos Campos Elísios, defronte do Cirque de l’Impératrice.
ex204Le Panorama Langlois in Paris Nouveau Illustré 1864-1872 Journal périodique publié par l'Illustration impr. de E. Martinet (Paris)  
Haussmann nas suas Memórias refere o novo edifício Panorama,
“En regard du Cirque d'Eté, construit sur un terrain concédé par la Ville au droit de l'Avenue Matignon, nous fimes élever, en 1858, le bâtiment symétrique du Panorama, de l'autre côté de la Grande Avenue, au droit de l'Avenue d'Antin.” 32
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32 Mémoires du Baron Haussmann, Grands travaux de Paris/Le Plan de Paris / Les services d’ ingénieurs / Voie publique / Promenades et plantations /Service des eaux/ Architecture et Beaux Arts III, Victor-Havard, éditeur Boulevard Saint-Gemain 168, Paris 1893
tradução: “Em frente do Cirque d’Été construído num terreno cedido pela Cidade junto da Avenida Matignon, fizemos construir em 1858 um edifício simétrico, o Panorama, do outro lado da Grande Avenida, junto à Avenida de Antin.”



No final do século (1893) torna-se o Palais des Glaces uma das atracções do Paris da Belle Époque.
O bal Mabille

Junto aos Campos Elísios na avenida Montaigne situava-se o famoso Bal Mabille. É junto a ele que a Paiva irá construir o seu famoso palacete. 33
No Mabille é suposto ter nascido o Can-Can.
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33 Ver Esboço incompleto da extraordinária história de La Paiva(1819-1884) e a sua revisão na VI Parte. 
ex42O Bal Mabille e o local do Hotel Paiva
O jornalista Victor Fournel (1829-1894) descreve assim o Bal Mabille 34
“…voici le fameux Bal Mabille, avec sa monumentale entrée, le soir toute rayonnante d'illuminations. Je vous y ferais entrer, je vous mettrais en connaissance avec les trois frères qui sont les propriétaires et les directeurs de ce fantastique pandoemonium de la danse échevelée, ce qui n'empêche pas que l'un d'eux ne soit un de nos danseurs les plus corrects, et le chorégraphe habile qui a réglé les ballets du Prophète…” 35
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34 Victor Fournel Etablissements de Plaisir, in Audiganne et autres, Paris dans sa splendeur : Monuments, vues, scènes historiques, descriptions et histoire II vol. Dessins et lithographies par Philippe Benoist,Publié par Henri Charpentier, Imprimeur-Éditeur Paris Quai des Grands- Augustins, 55 M. DCCC. LXI.
tradução: “…eis o famoso Bal Mabille, com a sua monumental entrada, à noite brilhante de iluminações. Farei que entreis, que conheçais os três irmãos que são os propietários e directores deste fantástico pandemónio da dança descabelada, o que não impede que um deles não seja um dos nossos dançarinos mais corretos, e o coreógrafo hábil que produziu os ballets do Prophète…”
35 O Profeta é uma ópera de Giacomo Meyerbeer (1791-1864) traduzida para francês por Augustin Eugène Scribe (1791-1861).
Júlio César Machado também se refere ao Mabille, comparando-o com o Cremorne 36 em Londres:

O baile Mabille de nenhum ponto se parece com o Cremorne; nem esse tem a sua alegria, nem tem este a sua grandeza. As lorettes da França são fabricas de espirito, de callemburgos, de joguetes de palavras, de coq-a l’ânes, de apostrophes graciosas, de replicas incisivas, de paradoxos gallantes, e de petulâncias perdoáveis. Como os bailes durante o verão, são no jardim, ali gyram ellas por um lado e outro em toilette de passeio umas, outras em toilette de noite, mas todas de chapéu.” 37
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36 Cremorne Gardens  um vitoriano  jardim de diversões em Chelsea Londres, entre 1845 e 1877,
37 Júlio César Machado, Recordações de Paris e Londres, editor José Maria Correa Seabra rua dos Calafates Lisboa 1863
O jornalista e escritor Alfred Delvau (1825-1867), em Les Cythères Parisiennes, Histoire Anedoctique  des Bals de Paris, cita estes versos acompanhados de uma imagem da entrada do Bal Mabille.
“Allons chez Mabille,
Charmant et gracieux séjour.
Tout, dans cet asile,
Fuit sur les ailes de l’amour.
Le plaisir facile,
De gaieté parc le destin,
Et le temps qui file
Laisse des fleurs sur son chemin…”
38
ex43A entrada do Bal Mabille in Alfred Delvau, Les Cythères Parisiennes, Histoire Anedoctique  des Bals de Paris, E. Dentu éditeur, Libraire de la Société des Gens de Lettres Palais Royal, 17 et 19 Galerie d’Orléans, Paris  1864
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38 Alfred Delvau, Les Cythères Parisiennes, Histoire Anedoctique  des Bals de Paris, E. Dentu éditeur, Libraire de la Société des Gens de Lettres Palais Royal, 17 et 19 Galerie d’Orléans, Paris  1864

ex44A. Provost, Le Bal Mabile aux Champs Élysées lithographie 19,5 x 30 cm. Bibliothèque nationale de France
ex107A. Provost  Bal Mabile  lithographie 17,5 x 25,1 cm.  Bibliothèque nationale de France
Balzac em La Cousine Bette publicado em 1846, refere o Bal Mabille:
“- Ah çà ! tu restes froid comme un pavé en décembre ! reprit-elle étonnée. Voyons ! tu fais le bonheur d'une famille composée d'un grand-père qui trotte, d'une mère qui s'use à travailler, et de deux soeurs, dont une fort laide, qui gagnent à elles deux trente-deux sous en se tuant les yeux. Ça compense le malheur dont tu est la cause chez toi, tu rachètes tes fautes en t'amusant comme une lorette 39 à Mabille.” 40
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39 Lorettes, eram jovens levianas que procuravam encontrar companheiros ricos nos bailes e cafés de Paris. Eram assim chamadas por habitarem muitas delas junto à igreja de Notre-Dame de Lorette.
40 Honoré de Balzac (1799-1850) Oevres Complètes, Les Parents Pauvres (Scènes de la Vie Parisienne) La Cousine Bette Librairie Nouvelle, Boulevard des Italiens, 15 A. Bourdilliat et C.ª Éditeurs Paris
tradução (com as devidas reservas!): “- Ah é isso ! tu ficas frio como um calhau em Dezembro ! retomou ela espantada. Vejamos! tu fazes a felicidade de uma família composta de um avô que vai e vem, de uma mãe que se esfalfa a trabalhar, e de duas irmãs, uma muito feia, e que ganham entre elas trinta e dois centavos dando cabo dos olhos. Isso compensa o mal de que tu és responsável na tua casa, tu compensas os teus erros divertindo-te como uma lorette no Mabille.”
E, do mesmo modo no seu romance seguinte Le Cousin Pons:
“ …Et l'on vient de nous dire que ce jeune homme avait fait la
folie de partir pour l'Italie, à la suite d'une duchesse du bal
Mabille...
C'est un refus déguisé.”

E noutra passagem:
“Comme M. et Mme de Marville commencent à peine la cinquantaine, les espérances ont quinze ou vingt ans d'échéance ; aucun garçon ne se soucie de les garder
si longtemps en portefeuille ; et
le calcul gangrène si bien le
coeur des étourdis qui dansent la polka chez Mabille
avec des lorettes, que tous les jeunes gens à marier étudient les deux faces de ce problème sans avoir besoin de nous pour le leur expliquer.”
41
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41 H. de Balzac Le Cousin Pons (pub. em 1847), Bibliothèque Larousse 13-17, rue Montparnasse, Paris 1919
tradução: “...E acabam de nos dizer que esse jovem fez a loucura de partir para Itália, atrás de uma duquesa do baile Mabille…É uma recusa disfarçada.”
“ Como o sr. e a sr.ª Marville entram nos cinquenta, as esperanças acabam dentro de quinze ou vinte anos; nenhum rapaz se preocupa de as guardar por muito tempo na sua agenda; e o cálculo corrói de tal forma o coração dos atordoados que dançam a polka no Mabille com as lorettes, que todos em idade de se casar pesam as duas faces do problema, sem precisar de nós para lhes explicar.”
ex45Constantin Ernest Adolphe Hyacinthe Guys (1802-1892) Au bal Mabille aquarelle, crayon graphite, encre brune, lavis brun, plume 31 x 21 cm. musée du Louvre
Também Zola em La Curée coloca as suas personagens masculinas principais, Aristide Saccard e o seu filho Maxime no bal Mabille:
“Ils étaient bien connus à Mabille. Ils y venaient bras
dessus bras dessous, à la suite de quelque dîner fin, faisaient
le tour du jardin, saluant les femmes, leur jetant un mot
au passage. Ils riaient haut, sans se quitter le bras, se prêtaient
main-forte au besoin dans les conversations trop vives.
Le père, très-fort sur ce point, débattait avantageusement
les amours du fils. Parfois, ils s'asseyaient, buvaient avec
une bande de filles. Puis ils changeaient de table, ils reprenaient
leurs courses. Et, jusqu'à minuit, on les voyait, les
bras toujours unis dans leur camaraderie, poursuivre des
jupes, le long des allées jaunes, sous la flamme crue des
becs de gaz.” 
42
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42 Émile Zola (1840-1902) La Curée, segundo romance da série  Les Rougon-Macquart, G. Charpentier, Éditeur rue de Grenelle- Saint-Germain, 13 Paris 1879
tradução: “Eram bem conhecidos no Mabille. Vinham de braço dado, no fim de qualquer  jantar, davam a volta ao jardim, cumprimentando as senhoras, trocando  algumas palavras ao passar. Riam alto, sempre de braço dado,  dado apoiando-se mutuamente quando necessário nas conversas mais animadas. O pai , muito forte nesta questão, tinha vantagem nas conversas sobre os amores do filho. Por vezes , sentavam-se e bebiam com um grupo de raparigas. Depois mudavam de mesa, e retomavam o seu passeio. E até à meia-noite eram vistos, sempre de braço dado, em camaradagem, seguir saias , ao longo das alameda amarelas, sob a luz crua dos bicos de gás.” 
ex46Philippe Jacques Linder (1835-1914) Valse au Bal Mabille , Musée Carnavalet Paris
E, também o jornalista espanhol Carlos Frontaura, de visita à Exposição de 1867, escreve com ironia sobre Paris do Segundo Império referindo o Mabille:
Mabille es un jardin profusamente iluminado, con su cascada, en la que hace grandíssimo efecto el reflejo de miles luces de gas, con su orquesta bastante buena, su café, sus juegos para sacar los cuartos al incauto, y sus puestos de baratijas, que no valen cinco cêntimos, y producen, sin embargo, mucho dinero al vendedor.” 43
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43 Carlos Frontaura (1834-1910). Viáje cómico á la Exposicion de Paris, Libreria de Rosa y Boubet, Calle Visconti, 45 Paris
O Mabille fechou em 1875 e foi demolido em 1882.
O Chateau des Fleurs
Um outro recinto de bailes e espectáculos é o Chateau des Fleurs descrito pelo jornalista Victor Fournel (1829-1894) no Paris dans sa Splendeur.
“…je vous conduirais encore, près de l'arc de triomphe, au Château des Fleurs, qui est aussi leur propriété, mais quelqu'un de mieux entendu s'est chargé de vous diriger dans ces brillants asiles des plaisirs et des jeux peu innocents.” 44
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44 Victor Fournel Etablissements de Plaisir, in Audiganne et autres, Paris dans sa splendeur : Monuments, vues, scènes historiques, descriptions et histoire II vol. Dessins et lithographies par Philippe Benoist,Publié par Henri Charpentier, Imprimeur-Éditeur Paris Quai des Grands- Augustins, 55 M. DCCC. LXI.
tradução: “…levar-vos-ei ainda, junto ao arco do triunfo, ao Chateau des Fleurs, que é também dos mesmos proprietários, mas alguém mais entendido se encarregou de vos guiar nestes brilhantes antros de prazeres e de jogos pouco inocentes.”
ex47A entrada do Chateau des Fleurs in Alfred Delvau, Les Cythères Parisiennes, Histoire Anedoctique  des Bals de Paris, E. Dentu éditeur, Libraire de la Société des Gens de Lettres Palais Royal, 17 et 19 Galerie d’Orléans, Paris  1864
ex48Provost Le Château des Fleurs Champs Élysées lithographie 18,8 x 30,1 cm. Bibliothèque nationale de France

O Jardim de Inverno teve uma vida efémera como refere Victor Fournel:
ex108A. Provost Le Jardin d'hiver, Champs-Élysées lithographie  20 x 29 cm. Bibliothèque nationale de France
“Je poursuis donc ma course. Je passe aussi, en ne lui donnant qu'un regard, devant ce merveilleux Jardin d'Hiver, où tout devait venir en serre chaude, les fleurs et les talents, car on y donnait des concerts, on y faisait des expositions de tableaux, on y jouait même la comédie; mais de tout cela rien n'a fleuri complètement, pas même, à ce qu'il paraît, les dividendes de la société fondatrice. 45
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45 Victor Fournel Etablissements de Plaisir, in Audiganne et autres, Paris dans sa splendeur : Monuments, vues, scènes historiques, descriptions et histoire II vol. Dessins et lithographies par Philippe Benoist,Publié par Henri Charpentier, Imprimeur-Éditeur Paris Quai des Grands- Augustins, 55 M. DCCC. LXI.
tradução: “Continuo o meu percurso. Passo apenas lhe deitando um olhar, diante desse maravilhoso Jardim de Inverno, onde tudo devia desabrochar em  estufa, as flores e os talentos, porque aí faziam-se concertos, exposições de quadros, representavam-se mesmo comédias; mas de tudo isso nada floresceu completamente, nem mesmo ao que parece os lucros da sociedade fundadora.”
ex121Jean Jacques Champin (1796-1860) Jardin d'hiver aux Champs-Elysées 1846 dessin plume et encre brune, 44 x 39 cm. Museu do Louvre Paris
O Palácio da Indústria
ex100bTerreno da implantação do Palácio da Indústria, detalhe de Michel-Charles Fichot (1817–1903) Vue générale de Paris, prise du rond point des Champs Elysées.  Lithographie 38.6 x 53.8 cm.
ex102aFélix Benoist (1818-1896), Jules Arnout (1814-1868) Paris en 1860 Vue à vol d'oiseau, prise au-dessus du rond-point des Champs-Élyséeslithographie  25,4 x 39,6 cm. Nantes, lith. Charpentier, Edit. Paris, quai des Augustins, 55 Bibliothèque nationale de France
Para a Exposição Universal de Paris de 1855 é construído também nos Campos Elísios, o Palácio da Indústria, projectado pelo arquitecto Jean-Marie Victor Viel (1796-1863), e pelo engenheiro Alexis Barrault (1812-1863) 46. O Palácio da Indústria serviu, a partir de 1885 para a realização dos Salons, as grandes exposições de artes plásticas de Paris. Em 1863 perante as inúmeras reclamações dos artistas recusados, o próprio Imperador promoveu a realização do Salon des Refusés, onde foi exposto, com escândalo, o Dejeuner sur l’herbe de Edouard Manet (1832-1883). Estes acontecimentos estarão na origem do movimento contra o Academismo e da criação do Impressionismo.
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46 O edifício será demolido para a Grande Exposição de 1900 dando lugar ao Grand e ao Petit Palais.
ex49Leon Auguste Asselineau (18081889) Vue du Palais de l’Industrie aux Champs Elysées  litografia Museu Carnavalet Paris
ex50Alfred Guesdon, (1808-1876). Etienne David (1819-1900) Palais de l’industrie 1855 lithographie en couleur ; 21,3 x 45 cm Collection de Vinck. Un siècle d'histoire de France par l'estampe, 1770-1870 Bibliothèque nationale de France
ex51Jules  Arnout (1814-1868) Palais de l'Exposition universelle, Champs-Élysées  1855 lithographie en couleur 18 x 26,8 cm. Goupil & C.e. Paris, 19. Boulevart Montmartre,  Bibliothèque nationale de France
ex52Auguste-Victor Deroy (1825-1906). Avenue des Champs- Elysées et entrée du palais de l’Industrie, Dessin d’aprés nature et litho.BnF
Sobre a porta de entrada uma escultura de Elias Robert (1819-1874) representando a França de pé, com duas coroas de louro por cima da Arte e da Indústria sentadas.
 ex53Émile Thérond (1821-....) Entrée principale du palais de l'Industrie, coté du nord, près de la grande avenue des Champs-Eiysees.in Le magasin pittoresque juillet 1855
A Promenade nos Champs Élysées
Em 1848, Alexandre Dumas no seu célebre romance A Dama das Camélias, descreve já os Champs-Elysées como o local onde se passeiam as femmes du monde:
“Je me rappelais avoir rencontré Marguerite, très souvent aux Champs-Élysées, où elle venait assiduement, tous les jours, dans un petit coupé bleu attelé de deux magnifiques chevaux bais. (…)  Elle ne se promenait pas en long et en large, du rond point à l’entrée des Champs-Élysées, comme le font et le faisaient toutes ses collégues. Ses deux chevaux l’emportaient rapidement au bois.” 47
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47 Alexandre Dumas fils, La Dame aux Camélias, Alexandre Cabot éditeur 32, rue de La Harpe Paris 1848
tradução: “Lembro-me de ter encontrado Margarida, muitas vezes nos Campos-Elísios, onde ela vinha assiduamente, todos os dias, num pequeno coupé azul puxado por dois magníficos cavalos baios. (…) Ela não se passeava para cima e para baixo, do rond-point à entrada dos Campos Elísios, como faziam todas as suas colegas. Os seus dois cavalos conduziam-na rapidamente ao Bosque.”
Luísa, a personagem central de O Primo Bazilio de Eça de Queiroz, lê A Dama das Camélias e imagina as suas personagens em Paris vivendo o sabor poético de uma vida intensamente amorosa  e circulando nas avenidas do Bois.
“Havia uma semana que se interessava por Margarida Gautier: o seu amor infeliz dava-lhe uma melancolia ennevoada: via-a alta e magra, com o seu longo chale de cachemira, os olhos negros cheios da avidez da paixão e dos ardores da tisica; nos nomes mesmo do livro — Júlia Duprat, Armando, Prudência, achava o sabor poetico d’ uma vida intensamente amorosa; e todo aquelle destino se agitava, como n’uma música triste, com ceias, noites delirantes, afflições de dinheiro, e dias de melancolia no fundo d’um coupé quando nas avenidas do Bois, sob um céo pardo e elegante, silenciosamente cahem as primeiras neves.” 48
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48 Eça de Queiroz O Primo Bazilio Livraria Internacional de Ernesto Chardron Porto  Braga, 1878


Gustave Doré prefere dar uma imagem mais decadente - talvez mais realista - dos Campo Elísios, no regresso de uma noitada. À esquerda dois bêbados deitados, ao centro os cavaleiros que mal se aguentam nas selas, e à direita dois gavroches (rapazes das ruas de Paris, por extensão da personagem Gavroche de Os Miseráveis de Victor Hugo) que contemplam a cena.ex54Gustave Doré  (1832-1883) La grande avenue des Champs-Élysées in Émile de Labedollière (1812-1883), Le Nouveau Paris, Histoire de ses 20 Arrondissements, Gustave Barba, Libraire-Éditeur rue Cassette 8, Paris 
No Paris Nouveau Illustrée, escreve-se:
“Dans cette avenue , qui s’etend de l’Arc du Triomphe jusqu’à l’Obélisque, du monument de Napoléon jusqu’au monument de Sésostris, tout passe, tout change, tout se transforme. C’est là où l’on se salue, où l’on s’envie, où l’on se hait, où l’on s’admire. Cette avenue voit naitre la première mode et le premier bouquet. Elle a le primeur de tous les colifichets, et c’est pour se montrer à elle que s’épanouissent tant de toilettes extravagantes.” 49
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49 Paris Nouveau Illustré 1864-1872 Journal périodique publié par l'Illustration impr. de E. Martinet (Paris)  
tradução: “Nesta avenida, que se estende do Arco do Triunfo até ao Obelisco, do monumento de Napoleão até ao monumento de Sesóstris, tudo passa, tudo muda, tudo se transforma. É lá que todos se cumprimentam,  se invejam,  se odeiam, se admiram. Esta avenida vê nascer a primeira moda e o primeiro bouquet. Tem a primazia de todas as bugigangas, e é para aí se mostrar que florescem tantas extravagantes toilettes.” 
Mas com a Exposição Universal em 1855, e depois da de 1867, este movimento e animação tornam os Campos Elísios local obrigatório dos parisienses e dos que visitam Paris.
Em 1855, no ano da Exposição Universal, Le Magasin pittoresque, descreve assim os Campos Elísios:

“Par un beau jour d'été, c'est un éblouissant spectacle que celui des Champs-Elysées avec leurs magnifiques ombrages pleins de bruit, de mouvement, de lumière; avec les drapeaux qui flottent à tous les vents de la terre, le murmure des voix, les équipages qui passent, la foule qui circule,les costumes divers qui se croisent en tous sens, les elegantes toilettes qui s'étalent de chaque côté de la chaussée et leur donnent, durant quelques heures, l'aspect de deux bordures de fleurs animées. Mais c'est surtout vers le soir, au moment où la chaleur commence à s'amortir, que les abords du palais de l'Industrie présentent un coup d'oeil enchanteur. Le soleil, qui s'enfonce à l'horizon derrière les collines de la Seine enveloppe comme d'un fluide d'or la partie haute des Champs-Elysées, et nuance de teintes chaudes et vaporeuses les cimes verdoyantes des arbres, que couronne l'arc de triomphe de l'Étoile…” 50
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50 Le Magasin pittoresque, Rédigé, depuis sa fondation, sous la direction de M. Édouard Charton. Vingt-troisieme année 1855 Paris Aux Bureaux d’abonnement et de vente rue jacob, 30 MDCCCLV
tradução:  “Num belo dia de Verão é um deslumbrante espectáculo o dos Campos Elísios com as suas magníficas zonas de sombra cheias de sons, de movimento, de luz; com as bandeiras que se agitam ao vento, o murmúrio das vozes, as carruagens que passam, a multidão que circula, os trajes diversos que se cruzam em todas as direções, as elegantes toilettes que se exibem de ambos os lados da via, e lhes dão, durante algumas horas, o aspecto de animadas molduras de flores. Mas é sobretudo ao cair da noite, quando o calor começa a diminuir, que as vizinhanças do palácio da Indústria mostram um quadro encantador. O sol que mergulha no horizonte por detrás das colinas do Sena envolve de um fluido dourado a parte superior dos Campos Elísios, e esbate de cores quentes e vaporosas os cumes verdejantes das árvores, que coroa o Arco do Triunfo da Étoile…”
No Guide des Promenades, publicado em 1855 para a Exposição, lê-se:
“Nous sommes aux Champs-Elysées la promenade du beau monde, le mail des élégances, le carrousel des riches attelages; c'est là que défilent, à une certaine heure de la journée, pendant la belle saison, des rubans d'équipages, la grande dame dans son coupé, le Bourgeois dans sa calèche, la femme légère dans son colimaçon,le dandy dans son tandem, puis les cavaliers qui vont au bois, et les amazones qui en reviennent…”  51
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51 Guide des Promenades Paris, Paulin et Lechevalier, rue Richelieu, 60 Paris 1855
tradução: “Estamos nos Campos Elísios o passeio do beau monde, o mail das elegâncias,o carrocel das ricas carruagens; é ali que desfilam, a uma certa hora do dia, durante a bela estação, filas de carruagens, a grande senhora no seu coupé, o Burguês na sua caleche, a leviana no seu colimaçon, o dandi no seu tandem, e ainda os cavaleiros que vão para o Bosque e as amazonas que dele regressam…”
ex55Jean Béraud  (1849-1936) La promenade aux Champs-Elysées óleo s/madeira 38 x 55 cm. musée Carnavalet
ex58Edmond-Georges Grandjean (1844-1908) Les Champs-Elysees 1878 óleo s/tela 85,5 x 136,5 cm colecção particular
O jornalista Alphonse Karr escreve em 1867:
Ce jour-là, à partir de deux heures, l’espace qui va des chevaux de Marly à l’Arc de Triomphe disparait sous une masse mouvante de voitures de toutes sortes. Les calèches menées à la Daumont 52 y sont melées aux fiacres. Les landaus aux panneaux armoriés s’y promènent côte à côte avec des tapissières. Coupés et mylords, carrioles et paniers, tous s’y rencontre. Et dans ce pêle-mêle de véhicules de toutes tailles et de toutes formes, les omnibus, pareils à des vaisseaux de haut bord, circulent lentement.
Dans ce va-et-vien, dont le mouvement et la durée fatiguent le regard, toutes les classes de la société sont représentées, le millionaire comme l’ouvrier. L’homme qui a conquis son rang et sa fortune au prix des plus laborieux efforts y coudoie l’héritier d’un grand nom.
L’avenue des Champs-Élysées n’est plus alors une promenade. C’est un symbole. La démocratie coule à pleins bords, et toute cette foule qui marche d’un pas égal semble s’avancer vers un avenir inconnu.” 53
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52 Nesta época em Paris a moda era passear de caleche à d’Aumont, ou seja conduzida por cavaleiro ou cavaleiros montados conforme o número de parelhas de cavalos, sem cocheiro e com um criado na parte de trás. ex58aDetalhe da imagem anterior com uma calèche à d’Aumont
53 Jean-Baptiste Alphonse Karr (1808-1890) Paris Guide par les principaux Écrivains et  Artistes de la France, II partie La Vie, Librarie Internationale , A. Lacroix, Verboeckhoven et C.ie, Éditeurs Paris 1867
tradução: “ Nesse dia, a partir das duas da tarde, o espaço que vai dos cavalos de Marly até ao Arco do Triunfo, desaparece sob uma massa movente de viaturas de toda a espécie.As caleches conduzidas à Daumont misturam-se com os fiacres. Os landaus com painéis brasonados, passeiam-se lado a lado com as tapissières. Coupés e mylords, carrioles e paniers, de tudo se encontra. E nesta mistura de veículos de todos os tamanhos e feitios, os omnibus, semelhantes a grandes navios, circulam lentamente. Neste vai-vem, cujo movimento e a sua duração fatigam o olhar, todas as classes da sociedade estão representadas, o milionário como o operário. O indivíduo que conquistou o seu estatuto e a sua fortuna pelo preço de laboriosos esforços, acotovela o herdeiro de um grande nome.
A avenida dos Campos Elísios não é então apenas uma promenade. É um símbolo. A democracia escorre às golfadas, e toda esta multidão que marcha no mesmo passo, parece avançar para um futuro desconhecido.”


E já no final do século, no seu estilo inconfundível, Eça de Queiroz escreve em A Cidade e as Serras:
”Pela Avenida dos Campos Elísios, os fiacres rolavam para as frescuras do Bosque, lentos, abertos, cansados, transbordando de vestidos claros.”
E ainda:
Enquanto subíamos, ao trote nobre das suas éguas lustrosas, a Avenida dos Campos Elísios e a do Bosque, rejuvenescidas pelas relvas tenras e fresco verdejar dos rebentos, Jacinto, soprando o fumo da cigarrilha pelas vidraças abertas do cupé, permanecia o bom camarada, de veia amável, com quem era doce filosofar através de Paris.” 54
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54 Eça de Queiroz A Cidade e as Serras Livraria Chadron de Lello & Irmão editores, Porto 1901
Em Paris dans sa Splendeur pode ler-se:
“Par les beaux jours de soleil, les dimanches surtout, des torrents de promeneurs roulent sans cesse dans les Champs-Elysées à rangs si compacts que, pressé ou non, il faut bien se résigner à marcher pas à pas à la file. Par toutes les allées et les avenues,
fiacres et omnibus se croisent au trot pesant de leurs rosses; la grande allée centrale est encombrée d'équipages élégants et de
pimpantes amazones, escortées de leurs cavaliers, qui vont faire leur tour au Bois de Boulogne. Une triple et quadruple file de
chaises reçoit les curieux, qui, le binocle à l'oeil, suivent paresseusement les évolutions du spectacle.”
55
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55 Audiganne et autres, Paris dans sa splendeur : Monuments, vues, scènes historiques, descriptions et histoire II vol. Dessins et lithographies par Philippe Benoist,Publié par Henri Charpentier, Imprimeur-Éditeur Paris Quai des Grands- Augustins, 55 M. DCCC. LXI.
tradução: “Nos belos dias de sol, sobretudo aos domingos, catadupas de passeantes, caminham sem parar nos Campos Elísios em filas tão compactas que, com pressa ou sem ela, temos de nos resignar a andar a passo seguindo a fila. Por todas as alamedas e as avenidas, cruzam-se fiacres e omnibus num trote pesado; a grande alameda central está congestionada de carruagens elegantes e pimpantes amazonas escoltadas pelos seus cavaleiros, que vão dar uma volta pelo Bosque de Bolonha. Um tripla ou quadrupla  fila de cadeiras recebe os curiosos, que de binóculo seguem preguiçosamente a evolução do espectáculo.”
ex56Nicolas Joseph-Marie Chapuy (1790-1858). Dessinateur du modèle Muller, Th. Lithographe Paris, place de la Concorde Vue prise du Grand Bassin des Tuileries lithographie en couleur ; 40,2 x 58,8 cm: Collection de Vinck. Un siècle d'histoire de France par l'estampe, 1770-1870. Bibliothèque nationale de France
ex60Postal dos finais do século XIX Biblioteca do Congresso USA
A Praça da Concórdia


A praça  foi inaugurada em 1763 por Luís XV (1710-1774), segundo um desenho de Jacques-Ange Gabriel (1698-1782). No lado norte foram construídos dois palácios gémeos entre 1760 e 1765, que se destinavam inicialmente aos embaixadores.
ex128Vue perspective de la Place de Louis XV en entrant par la porte S. Honoré à Paris 1760-1785 ed. chez Basset (A Paris) eau-forte, col. ; 26,5 x 42 cm. Bibliothèque nationale de France
No centro tinha a estátua de Luís XV de Edmé Bouchardon (1698-1762) de 1764 e inaugurada em 1766.
ex147 Benoît Louis Prévost (c.1735-1804), Statue équestre de Louis XV  gravura, Bibliothèque nationale de France
Como tinha no pedestal esculturas alegóricas às Virtudes, deu origem aos conhecidos versos populares:
“Oh! la belle statue! oh! le beau piédestal!
Les vertus sont à pied, le vice est à cheval !”
56

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56  Oh! a bela estátua! oh! o belo pedestal! /As virtudes estão de pé, e o vício a cavalo!”


Com a Revolução essa estátua foi demolida para se erguer a guilhotina que serviu para a decapitação de Luís XVI, de Maria Antonieta e de Robespierre. Chamou-se então em 1792 place de la Révolution. Em 1795 chama-se place de la Concorde, depois em 1814 de novo place Louis XV, em 1826 place Louis XVI , de novo Louis XV em 1828 e finalmente place de la Concorde desde 1830.
ex112fA praça da Concórdia em 1790 Detalhe do Plan de la Ville de Paris avec sa nouvelle enceinte Levé Géometriquement ser la Méridienne de lÓbservatoire par le C.en  Verniquet, Parachevé en 1791
ex61Giuseppe Canella (1788-1847) La Place Louis XV (Place de la Concorde) 1829 Óleo s/ madeira 0.290 x 0.400 m. Paris, musée Carnavalet

ex130Vue du garde-meuble prise de la place Louis XV,  1830 ed. A Paris chez Basset Rue St. Jacques estampe coul. 30 x 44 cm.  Bibliothèque nationale de France
Em 1835, no reinado de Louis-Philippe, o arquitecto Jacques Ignace Hittorff (1792-1867), projecta uma primeira remodelação, colocando em torno do Obelisco de Luxor, estátuas, duas fontes e as colunas de iluminação.
34712-3 François Dubois (1790-1871) Erection de l'obélisque de Louqsor sur la place de la Concorde, le 25 octobre 1836  óleo  /tela  67 x 98 cm.musée Carnavalet Paris
ex62Jean-Charles Geslin (1814-c.1885) La Place de la Concorde, vue de la terrasse du bord de l'eau; le roi Louis-Philippe traverse la place en voiture 1846 óleo s/tela 1,59 x 2,50 m.  musée Carnavalet
ex157Noël-Marie Paymal Lerebours (1807-1873), Excursions daguerriennes / vues et monuments les plus remarquables du globe 1840-1842
Foram ainda construídos entre 1836 e 1840, os oito pequenos pavilhões, sobre os quais se ergueram as estátuas simbolizando as principais cidades de França. As mais conhecidas são as de Lille e de Strasbourg, de Jean-Jacques Pradier ou James Pradier, (1790-1852). As outra são Brest e Rouen, de Jean-Pierre Cortot (1787-1843), Nantes e Bordeaux de Louis-Denis Caillouette (1790-1868) e Marseille e Lyon de Louis Petitot (1794-1862).
ex124   ex124a
As estátuas de Lille e de Strasbourg de James Pradier
Na pintura de Lepine, por detrás das figuras femininas e das duas crianças no primeiro plano, vêm-se duas das estátuas das cidades de França, a parte superior de um candeeiro, a fonte dos Mares e à direita um dos Cavalos de Marly, na entrada dos Campos Elísios.
27094-3 Stanislas Lepine (1835-1892), La place de la Concorde, vue de la terrasse des Tuileries, 1875/85,  óleo s/tela 16,50 x 24 Museu Carnavalet Paris
ex63A praça da Concórdia em 1843 Detalhe de Plan de la Ville de Paris divisé en 12 Arrondissements et 48 Quartiers, Indiquant tous les Changements faits & Projetés Dressé par X. Girard, Géographe des Postes, Paris Chez J.Goujon et J. Andriveau, éditeur rue du Bac n.º17 près du Pont Royal 1843
ex100cPraça da Concórdia detalhe de Michel-Charles Fichot (1817–1903) Vue générale de Paris, prise du rond point des Champs Elysées. Lithographie 38.6 x 53.8 cm.
ex127A Praça da Concórdia detalhe de Les Champs Elysées. Vue à vol d’oiseau. In Adolphe Arphand Les Promenades de Paris, dessins de Louis Emile Hochereau (1826-1901), J.Rothschild éditeur 1868
Haussmann critica o projecto de Hittorff nas suas Memórias:

“Le célèbre architecte Gabriel, le constructeur des Hôtels du Garde-Meuble et du Ministère de la Marine, des deux côtés de la rue Royale, édifiée, selon ses plans, sur l'avenue plantée qui reliait les pelouses de Le Nôtre à la ceinture des anciens boulevards, venait de dessiner la Place de la Concorde, ainsi qu'elle existait en 1836, sous le règne du Roi Louis-Philippe, quand M. Hittorff en obstrua malencontreusement le centre, en' y plantant l'Obélisque de Louqsor, flanqué de deux fontaines monumentales.”
E Haussmann prossegue confessando que teve de se inclinar perante a decisão do Imperador, medida que de se arrependeria por toda a vida.
Gabriel avait laissé libre à la circulation et à la vue ce milieu de place; mais il avait décoré les angles d'une manière charmante, au moyen de quatre parterres bas dont il ne reste que les huit statues de grandes villes érigées sur leurs balustrades.
Obligé d'opter, dans l'intérêt de la circulation, entre ces parterres et le plateau central, supportant l'Obélisque de Sésostris et ses fontaines, l'Empereur préféra, contrairement à mon avis, le maintien de cet obstacle encombrant et m'ordonna de combler les petits jardins de Gabriel. J'aurai sujet de revenir ailleurs sur cette mesure que je regretterai toujours.57
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57 Mémoires du Baron Haussmann, Grands travaux de Paris/Le Plan de Paris / Les services d’ ingénieurs / Voie publique / Promenades et plantations /Service des eaux/ Architecture et Beaux Arts III, Victor-Havard, éditeur Boulevard Saint-Gemain 168, Paris 1893
tradução:
“Gabriel tinha deixado livre para a circulação e para a visão do conjunto este centro da praça; mas tinha decorado os ângulos de uma forma encantadora, com quatro canteiros de que apenas restam as oito estátuas das grandes cidades erguidas sobre as suas balaustradas.
Obrigado a optar, no interesse da circulação, entre estes canteiros e a plataforma central, suportando o Obelisco de Sesóstris, o Imperador preferiu, contrariamente ao meu parecer, a manutenção deste obstáculo perturbador e ordenou-me de cobrir os pequenos jardins de Gabriel. Voltarei a o assunto sobre esta medida de que me arrependerei para sempre.”
ex64La Place de la Concorde, dessin de M. Morin, grave par M. J. Ansseau in Paris Guide par les principaux écrivains et artistes de la France Deuxième partie La Vie, Librairie Internationale Boulevard Montmartre, A. Lacroix, Verboeckhoven et C.ª Éditeurs, Paris 1867
ex65Adolphe Joanne The Diamond Guide For The Stranger in Paris, L. Hachette and Cª. Boulevard Saint Germain 77, Paris 1867

Muitas foram as vozes que criticaram o obelisco, que se filia quer na imagem de Roma da Antiguidade quer na organização urbana com a colocação de obeliscos na Roma Barroca de SistoV. Mas o obelisco da Concórdia tem ainda a ver com as  campanhas de Napoleão Bonaparte no Egipto. e no início do gosto pelas peças exóticas que se estenderá por todo o século XIX.
Proudhon é um dos autores que criticam o arranjo da praça da Concórdia, e em particular o obelisco, considerando que a praça mereceria outro tipo de monumento mais ligado à França e aos franceses.
“Nous avons été chercher à grands frais, avec la permission du pacha d’Égypte, Arabe ou Turc d’origine, qui se moque des antiquités, un des obélisques du temple de Louqsor; nous l’avons dressé au milieu de la place de la Concorde, où il fait une aussi étrange figure que ferait un prie-Dieu dans la salle de la Bourse; et nous avonseu grand soin de mettre sur le piédestal de ce singulier monument, d’un coté une inscription qui indique l’année, le règne sous lequel fut amené l’obélisque; de l’autre, la figure des machines qui servirent à son érection: en sorte que nous avons l’air de l’avoir transporté à Paris uniquement pour nous donner le plaisir de voir comment un ingénieur, sorti de notre École polytechnique, parviendrait à le dresser ! Certes je ne mets pas la civilisation française au-dessous de celle des Égyptiens de Sésostris; mais j’ai peine à me figurer qu’ils eussent été capables d’une pareille ânerie…Quoi! sur cette place révolutionnaire, qui a changé déjà deux ou trois fois de nom, où tant de grandes scènes se sont passées, nous n’avons su élever que deux fontaines mytologiques, assez jolies du reste, et un obélisque égyptien !…” 58
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58 Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865)  Du Principe de l’art et de sa Destination Sociale, oeuvres posthumes de P.J. Proudhon, Librarie Internationale, A. Lacroix et C.ª Éditeurs. rue du Faubourg Montmartre Paris 1865
tradução: “Fomos com custos elevados com a autorização do paxá do Egipto, Árabe ou Turco de origem, que se está nas tintas para as antiguidades, um dos obeliscos do templo de Lucsor; para o erguer no centro da praça da Concórdia, onde faz a mesma insólita figura que faria um genuflexório na sala da Bolsa; e tivemos a preocupação de colocar no pedestal deste singular monumento, de um lado uma inscrição que indica o ano e o reinado sob o qual foi transportado o obelisco; do outro, os desenhos das máquinas que serviram para a sua erecção: de maneira que isto dá a impressão de o ter transportado para Paris apenas para nos dar o prazer de ver como um engenheiro saído da nossa Escola Politécnica, conseguiu erguê-lo ! Com certeza que não coloco a civilização francesa num nível inferior à dos Egípcios de Sesóstris; mas tenho dificuldade em imaginar que eles fossem capazes de uma semelhante burrice… Enfim ! Nesta praça revolucionária, que mudou duas ou três vezes de nome, e onde tantas significativas cenas tiveram lugar, apenas soubemos erguer duas fontes mitológicas, aliás muito belas, e um obelisco egípcio! …”
Théophile Gautier (1811-1872) no seu livro de poemas Emaux et camées de 1852, escreve sobre o Obelisco e a praça da Concórdia, salientando a nova frequência da praça e da avenida.
L'obélisque de Paris
Sur cette place je m'ennuie,
Obélisque dépareillé ;
Neige, givre, bruine et pluie
Glacent mon flanc déjà rouillé ;
 
Et ma vieille aiguille, rougie
Aux fournaises d'un ciel de feu,
Prend des pâleurs de nostalgie
Dans cet air qui n'est jamais bleu.

La sentinelle granitique,
Gardienne des énormités,
Se dresse entre un faux temple antique
Et la chambre des députés….

Sur l'échafaud de Louis seize,
Monolithe au sens aboli,
On a mis mon secret, qui pèse
Le poids de cinq mille ans d'oubli….

La Seine, noir égout des rues,
Fleuve immonde fait de ruisseaux,
Salit mon pied, que dans ses crues
Baisait le Nil, père des eaux,…

Mais aujourd'hui, pilier profane
Entre deux fontaines campé,
Je vois passer la courtisane
Se renversant dans son coupé.
Je vois, de janvier à décembre,
La procession des bourgeois,
Les Solons qui vont à la chambre,
Et les Arthurs qui vont au bois.

Où sous le pied sonne la crypte,
Où l'épervier couve son nid,
Je te pleure, ô ma vieille Egypte, 
Avec des larmes de granit ! 
59
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59 Théophile Gautier (1811-1872)  Emaux et camées de 1852. Como curiosidade refira-se que a personagem Arthur Corvello, de A Capital de Eça de Queiroz, escreve um livro de versos Esmaltes e Jóias.
As fontes
ex67Jacques Ignace Hittorff, fonte Marítima na praça da Concórdia  1832-40 Tinta e aguarela realçada a branco  National Design Museum, Smithsonian Institution
Bibliothèque municipale de Lille, album S2-2, planche 49François Fortier (1825-1882) Fontaine de la Place de la Concorde Paris de Jacques Ignace Hittorff 1853 fotografia  de prova sobre papel 25,1 x 36,8 Bibliotheque Municipale de Lille
Na fotografia de Plaut, em primeiro plano a coluna de iluminação, e  ao fundo o obelisco ladeado pelas duas fontes a Fontaine des Mers e a Fontaine des Fleuves  no arranjo de Jacques Hittorff de 1840.
ex66Charles-Henri Plaut (1820-18 álbum Vues de Paris c. 1865 papier albuminé d'après des négatifs sur verre au collodion ; 34 x 42 cm. Bibliothèque nationale de France
Os candeeiros
Honoré de Balzac, em Le Cousin Pons de 1847, refere ironicamente, os candeeiros da praça da Concórdia:
“Quel malade pouvait croire à la science d'un médecin qui, sans renommée, se trouvait encore sans meubles, par un temps où l'annonce est toute-puissante, où l'on dore les candélabres de la place de la Concorde pour consoler le pauvre en lui persuadant qu'il est un riche citoyen ?” 60
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60 H. de Balzac Le Cousin Pons (pub. em 1847), Bibliothèque Larousse 13-17, rue Montparnasse, Paris 1919
tradução: “ Que doente acreditaria na ciência de um médico que, sem nomeada, se encontrasse ainda sem móveis, neste tempo onde o anúncio é todo poderoso, onde se doura os candelabros da praça da Concórdia para consolar o pobre convencendo-o que é um rico cidadão ?”
25685-10Charles Marville (1816-1878 ou 79) Colonne rostrale à réverbères, place de la Concorde, avenue des Champs-Elysées c.1860, photo tirage sur papier albuminé d'après un négatif sur verre au collodion 37 x 26,30 cm. Museu do Carnavalet Paris
ex69    ex69a         A praça da Concórdia em 1870 e em 1894
O jornalista Victor Fournel, descreve assim a praça da Concórdia:
“… la place de la Concorde qui vous apparaît de loin comme une large et blanche clairière ouverte en plein soleil entre deux parcs voisins; tout au fond la ligne monumentale des bâtiments des Tuileries, sur laquelle se détache la silhouette de l'obélisque qui l'interrompt sans la briser; pour compléter ce grand cadre, partout des maisons, des hôtels, des palais, et pour l'animer, partout du mouvement, du bruit, des files de promeneurs, des cavalcades, des voitures allant et venant par centaines : tout cet ensemble est d'un effet véritablement prestigieux.” 61
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61 Victor Fournel Etablissements de Plaisir, in Audiganne et autres, Paris dans sa splendeur : Monuments, vues, scènes historiques, descriptions et histoire II vol. Dessins et lithographies par Philippe Benoist,Publié par Henri Charpentier, Imprimeur-Éditeur Paris Quai des Grands- Augustins, 55 M. DCCC. LXI.
tradução: “…a praça da Concórdia que vos aparece, vista de longe como uma ampla e branca clareira, aberta ao sol entre dois parques vizinhos; ao fundo a linha monumental dos edifícios das Tulherias, sobre os quais se destaca a silhueta do obelisco que a interrompe sem a quebrar; para completar este grande quadro, por todo o lado casas, palacetes, e para a animar, por todo o lado movimento, barulho, filas de passeantes, cavalgadas, viaturas indo e vindo às centenas: todo este conjunto tem um efeito verdadeiramente prestigiante.”
ex70François Etienne Villeret (1800-1866) Place de la Concorde óleo s/tela 54 x 88 cm musée du Louvre
ex71Moyse Léon e Isaac (Georges) Lévy (1843 - 1926), Léon et Lévy. Photographe Promenades dans Paris. 1889 / Photographies réunies par le baron De Vinck 1 album de 81 photogr. pos. sur papier gélatino-argentique, d'après des négatifs sur verre ; 29 x 36 cm (vol.) Bibliothèque nationale de France

E Émile Zola, no final do século escreve em Les trois Villes:Paris:

“Un instant, Pierre s'arrêta sous le portique de la Madeleine, en haut du vaste perron qui domine la place, par-dessus les grilles. Devant lui, il avait la rue Royale qui s'enfonçait, jusqu'aux étendues de la place de la Concorde, où s'érigeaient l'obélisque et les deux fontaines jaillissantes et, plus loin encore, la colonnade pâlie de la Chambre des députés fermait l'horizon. C'était une perspective d'une souveraine grandeur, sous le ciel clair, envahi par le lent crépuscule, qui élargissait les voies, reculait les monuments, leur donnait l'au-delà tremblant et envolé du rêve. Aucune ville au monde n'avait ce décor de faste chimérique et de grandiose magnificence, à l'heure vague où la nuit commençante apporte aux villes un air de songe, l'infini de l'immensité humaine.” 62
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62 Émile Zola (1840-1902), Les trois Villes: Paris, Bibliotheque-Charpentier, Eugene Fasquelle, éditeur, rue de Grenelle, 11, Paris 1898
tradução: “ Por um instante Pierre parou sob o pórtico da Madeleine, no alto do vasto patamar que domina a praça, por sobre as grades. À sua frente tinha a rua Royale que se prolongava até à praça da Concórdia, onde se erguiam o obelisco e as duas fontes jorrando água, e ainda mais longe, a colunata pálida da Câmara de deputados, fechando o horizonte. Era uma perspectiva duma grandeza soberana, sob o céu claro, invadido pelo lento crepúsculo, que alargava as vias, fazia recuar os monumentos, dando-lhes um além trémulo e esvoaçante de sonho. Nenhuma cidade do mundo tinha esta paisagem de fausto quimérico e de grandiosa magnificência, na hora vaga em que a noite que cai traz às cidades um ar de sonho, o infinito da imensidade humana.”

ex72Moyse Léon e Isaac (Georges) Lévy (1843 - 1926), Léon et Lévy. Photographe Promenades dans Paris. 1889 / Photographies réunies par le baron De Vinck 1 album de 81 photogr. pos. sur papier gélatino-argentique, d'après des négatifs sur verre ; 29 x 36 cm (vol.) Bibliothèque nationale de France

O pintor António Ramalho (1859-1916), que pertenceu ao Grupo do Leão, pintou a Praça da Concórdia.
ex73António Monteiro Ramalho Júnior (1859-1916), Praça da Concórdia 1883
óleo s/ tela 50 x 30 cm. Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves Lisboa

ex74Ulpiano Checa y Sanz (1860-1916) Vista da Place de la Concorde
óleo s/ tela 26 x 40.6 cm colecção privada


A rua Rivoli

Se  a renovação dos Campos Elísios e o arranjo da praça da Concórdia apenas foram contestados por alguns aspectos culturais, o mesmo não sucedeu com a abertura da rua de Rivoli. A sua abertura, porque tocava em edifícios e espaços carregados de história, como os palácios das Tulherias, do Louvre e Royal; porque necessitava da realização de expropriações e de demolições de um número considerável de terrenos e de edifícios e finalmente porque exigiu o dispêndio de avultadas verbas, que muitos parisienses achavam deveriam ser canalizadas para outros empreendimentos. Todos estavam de acordo contudo, com a realização dos esgotos que acompanharam estas obras.
Para a execução do eixo poente-nascente Haussmann vai prolongar a rua Rivoli até à rua de Saint Antoine, e desta até à praça da Bastilha.
“… opérations complexes, que, plus tard, sous le titre de : Prolongement de la Rue de Rivoli, je groupai, dans le Premier Réseau des voies nouvelles de Paris transformé.
Ces opérations embrassaient :
1- Le dégagement complet et le nivellement de l'espace isolant le Palais des Tuileries de celui du Louvre, accompli sous mon administration seulement.
2- L'ouverture, sur une largeur de 22 mètres, de la section de la Rue de Rivoli, comprise entre le Passage Delorme et la Rue de la Bibliothèque, en vue de la construction de l'aile droite du Louvre, terminée à peine en 1855.
C'est par un Décret du 23 Décembre 1852, que fut déclarée d'utilité publique l'exécution, commencée en 1853 et terminée par moi dans le cours de 1854, de la section de cette voie allant de la Rue de la Bibliothèque à la Rue des Poulies, ou la Place du Louvre, et que fut prescrite la construction, en bordure des deux sections, de maisons uniformes avec arcades.” 63
__________
63 Mémoires du Baron Haussmann, Grands travaux de Paris/Le Plan de Paris / Les services d’ ingénieurs / Voie publique / Promenades et plantations /Service des eaux/ Architecture et Beaux Arts III, Victor-Havard, éditeur Boulevard Saint-Gemain 168, Paris 1893
tradução:   “… operações complexas que, mais tarde, sob o título de : Prolongamento da Rua de Rivoli, eu inseri, na Primeira Rede de nova vias de Paris transformado.
Esta operações incluíam:
1 A limpeza completa e o nivelamento do espaço isolando o Palácio das Tulherias do palácio do Louvre, realizado sob a minha administração.
2 A abertura, com uma largura de 22 metros, do troço da Rua de Rivoli, compreendido entre a Passagem Delorme e a Rua da Biblioteca, tendo em vista a construção da ala direita do Louvre, terminada em 1855.
Foi por um Decreto de 23 de Dezembro de 1852, que foi declarada de utilidade pública execução, iniciada em 1853 e concluída por mim durante 1854, da secção desta via indo da Rua da Biblioteca à Rua des Poulies, ou a Praça do Louvre, e que foi determinada a construção, nas margens das duas secções de casas uniformes e com arcadas.”

1859-percement-rue-de-rivoliLe percement de la rue de Rivoli (1859). Gravure de Dumont. B.n.F.
Gabriel Marc escreve um poema sobre as demolições que por todo o Paris se realizam na concretização do plano de Haussmann.
Demolitions

Les antiques hôtels noircis par les années
Sous les coups des maçons tombent de toutes parts.
Ils gisent sur le sol et leurs débris épars
Ont l’aspect douloureux des choses ruinées.

Comme leurs habitants, ils ont leurs destinées.
Leurs murs, que décoraient les chefs-d’œuvre des arts,
Près de l’affiche énorme, étalent aux regards
Le sillon régulier et noir des cheminées.

Au milieu des débris, aux chauds rayons d’été,
Un carré de jardin par hasard respecté
Sourit, insoucieux de ces métamorphoses ;

Et, malgré l’air poudreux qui viendra les ternir,
Un rosier au soleil épanouit ses roses —
Tel parfois dans mon âme un lointain souvenir.
64
___________
64 Gabriel Marc (1840 – 1931), Sonnets Parisiens – Caprices et Fantaisies, ed. Alphonse Lemerre, 31, Passage Coiseul, Paris M DCCC LXXV

Haussmann concretiza o prolongamento da Rua de Rivoli, dividindo- o em secções:
“…toutes les opérations constituant le prolongement de la Rue de Rivoli ou s'y rattachant, à savoir :
1re Section, du Passage Delorme à la Rue de la Bibliothèque, comprenant le dégagement complet du Carrousel, des abords du Théâtre-Français et du Palais-Royal ;
2e Section, de la Rue de la Bibliothèque à la Rue des Poulies, embrassant le dégagement et la réunion des Places du Louvre et Saint-Germain-l'Auxerrois ;
3e Section, de la Rue des Poulies àla Place de Grève, y compris l'abaissement complet du quartier des Arcis et toutes ses conséquences ;
4e Section, de la Place de Grève à la Place Birague qui comprit le dégagement complet des abords de l'Hôtel de Ville et de la caserne Napoléon.” 65
___________
65 Mémoires du Baron Haussmann, Grands travaux de Paris/Le Plan de Paris / Les services d’ ingénieurs / Voie publique / Promenades et plantations /Service des eaux/ Architecture et Beaux Arts III, Victor-Havard, éditeur Boulevard Saint-Gemain 168, Paris 1893
tradução:
“… todas as operações constituindo o prolongamento da Rua de Rivoli, ou com ele relacionadas, a saber:
1ª Secção, da Passagem Delorme à Rua da Biblioteca, compreendendo a limpeza completa do Carroussel, das imediações do Teatro Francês e do Palais Royal;
2ª Secção , da Rua da Biblioteca à Rua des Poulies, compreendendo ao limpeza e a união das Praças do Louvre e de Saint-Germain-l’Auxerrois;
3ª Secção, da rua des Poulies à Praça da Greve, compreendendo o abaixamento completo do quarteirão des Arcis, com todas as suas consequências;
4ª Secção Da Praça da Greve à Praça de Birague, que compreende a limpeza completa das imediações do Hotel-de-Ville e da Caserna Napoleão.”


1ª Secção, da Passagem Delorme à Rua da Biblioteca, compreendendo a limpeza completa do Carroussel, das imediações do Teatro Francês e do Palais Royal;
ex112cDetalhe de Plan de la Ville de Paris avec sa nouvelle enceinte Levé Géometriquement sur la Méridienne de lÓbservatoire par le C.en  Verniquet, Parachevé en 1791
O troço da rua de Rivoli até ao Palais Royal e ao Oratório do Louvre
ex143 cópiaAdrien Louis Lusson (1788-1864), "Projet de réunion du Louvre et des Tuileries comprenant dans son ensemble la Bibliothèque Royale et des galeries pour l'Exposition des Produits de l'Industrie en conservant les principales dispositions du plan de MM. Percier et Fontaine par A. L. Lusson, architecte".  gravure sur acier ; 28,5 x 22,2 cm. Bibliothèque nationale de France
ex184
Payen-Appenzeller, Hoffbauer, aut. du texte Illustrations de Paris à travers les âges, Editor : Tchou (Paris) 1978, 13 photogr. pos. : n. et b. ; 18,5 x 27,5 cm., 614 est. : gravures : noir et blanc et couleur ; 18,5 x 27,5 cm et moins Bibliothèque nationale de France
ex176Nicolas Marie Joseph Chapuy (1790-1858) Auguste Victor Deroy (1825-1906) Place du Palais Royal, rue de Rivoli, rue Saint-Honoré, Bibliothéque Royale estampe 31 x  cm. musée de Compiègne.
Evolução da fachada norte da rua de Rivoli
Na planta de 1843 Legenda 1- rua Castiglione acesso à praça Vendôme 2 - Palácio Royal e Teatro Francês  (Théatre de la Comédie Française)ex217 cópia
A rua de Rivoli em 1843. Detalhe de Plan de la Ville de Paris divisé en 12 Arrondissements et 48 Quartiers, Indiquant tous les Changements faits .& Projetés Dressé par X. Girard, Géographe des Postes, Paris Chez J.Goujon et J. Andriveau, éditeur rue du Bac n.º17 près du Pont Royal 1843
ex145aAdrien-Louis Lusson (1788-1864), Projet de réunion du Louvre et des Tuileries comprenant dans son ensemble la Bibliothèque Royale et des galeries pour l'Exposition des Produits de l'Industrie en conservant les principales dispositions du plan de MM. Percier et Fontaine par A. L. Lusson architecte,  gravure sur acier de Marlier, 24 x 17,2 cm. Bibliothèque nationale de France
Em 1870ex207 cópiaLegenda 1 - rua Castiglione, acesso à praça Vendôme 2 - Palácio Royal e  Teatro Francês  3 - Grande Hotel do Louvre
Em 1894 – Note-se que o jardim das Tulherias prolonga-se já pela praça do Carroussel até ao Louvre, e aparece já o Grand Magasin do Louvreex213 cópiaLegenda 1 – rua Castiglione acesso à praça Vendôme  2 – Palácio Royal e Teatro Francês 3 – Grande Hotel do Louvre e Grands Magasins do Louvre
O Teatro Francês (Théatre de la Comédie Française) será desenvolvido na IV Parte – Os Boulevards
ex198Théatre Français in Paris Nouveau Illustré 1864-1872 Journal périodique publié par l'Illustration impr. de E. Martinet (Paris)  
O Grande Hotel do Louvre, de que a seguir se apresentam duas imagens, será desenvolvido na IV Parte – Os Boulevards.
ex205Grand Hotel du Louvre  idem
ex163Charles Fichot (1817-1904) Hotel du Louvre 1860? Recueil. Topographie de Paris. Ier arrondissement, 3ème quartier. Rue de Rivoli et Hôtel et Magasins du Louvre
A sul o Jardim das Tulherias que será desenvolvido na V Parte - Parques e Jardins
Na imagem seguinte repare-se à esquerda a rua de Rivoli aberta até ao Louvre.
ex100f Detalhe  de Michel-Charles Fichot (1817–1903) Vue générale de Paris, prise du rond point des Champs Elysées. Lithographie 38.6 x 53.8 cm.
Eugène Pelletan, jornalista, escritor e político, um dos grandes críticos de Haussmann, sublinha o carácter das edificações ao longo desta primeira secção da rua de Rivoli.
“Je ne veux pas dire de mal de ce long ruban d’arcades qui se déroule de la place de la Concorde à la rue du Louvre. Elles ont à tout prendre, un certain caractère de grandeur qui s’harmonise assez bien avec l’important vis-à-vis des jardins et des palais.” 66
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66 Eugène Pelletan (1813-1884), La nouvelle Babylone. Lettres d'un provincial en tournée à Paris, Pagnerre, Libraire-Éditeur 18, rue de Seine Paris 1862
tradução: “Eu não quero dizer mal desta longa fila de arcadas que se estende da praça da Concórdia até à rua do Louvre. Elas tem ao fim e ao cabo, um certo carácter de grandeza que se harmoniza bastante bem com o importante diálogo com os jardins e os palácios.”
ex79Moyse Léon e Isaac (Georges) Lévy (1843 - 1926), Léon et Lévy. Photographe Promenades dans Paris. 1889 / Photographies réunies par le baron De Vinck 1 album de 81 photogr. pos. sur papier gélatino-argentique, d'après des négatifs sur verre ; 29 x 36 cm (vol.) Bibliothèque nationale de France, département Estampes et photographie.
ex154A rua de Rivoli no final do século XIX in Paris et ses environs, 1890-1900, album de 50 photogr. pos. sur papier albuminé, d'après des négatifs sur verre 28 x 38 cm colection Georges Sirot (1898-1977) Bibliothèque nationale de France
E já no princípio do século XX, uma pintura de Edouard Cortes, mostrando a rua de Rivoli e a sua moderna iluminação com luz eléctrica a partir de 1880.
ex80Edouard Leon Cortes (1882 - 1969) Rue de Rivoli, 1905, óleo s/tela 13 x 18 inches colecção particular
Autor desconhecido La rue de Rivoli, de la rue des Lavandières au Palais du Louvre,  lithographie ; 11,3 x 74,9 cm. Bibliothèque nationale de France


2ª Secção, da Rua da Biblioteca à Rua des Poulies, compreendendo a limpeza e a união das Praças do Louvre e de Saint-Germain-l’Auxerrois;

ex144 cópia1 rue de la Bibliothèque 2 rue des Poulies A – Oratoire B – St. Germain l’Auxerrois, adaptado de Payen-Appenzeller, Hoffbauer, aut. du texte Illustrations de Paris à travers les âges Editor : Tchou (Paris) 1978, 13 photogr. pos. : n. et b. ; 18,5 x 27,5 cm., 614 est. : gravures : noir et blanc et couleur ; 18,5 x 27,5 cm et moins Bibliothèque nationale de France

A rua do Oratório e o Oratório
Em 1616, os padres do Oratório compraram o Hôtel du Bouchage (nome dado em 1582 ao antigo hôtel du Coq construído em 1378). Aí se instalaram e construíram a capela. Depois foram adquirindo terrenos vizinhos e em 1621 iniciam a construção de um novo santuário segundo os planos de Jacques Lemercier (1585-1654). Em 1811 Napoleão autorizou que a igreja do Oratório se abra provisoriamente ao culto protestante, autorização tornada definitiva em 1844 por Napoleão III.
Primeiro o alargamento da rua do Oratório e de seguida a abertura da rua de Rivoli, em 1854 e 55 fizeram desaparecer o convento de que apenas restou a igreja.
ex189b  ex189a
Les Perres de l'Oratoire sue St. Honoré, 1710, dessin, plume et encre de Chine, lavis d'encre de Chine ; 63,5 x 38,6 cm. e dessin, plume et encre de Chine, lavis d'encre de Chine, lavis d'encre rouge ; 57,4 x 36 cm. Bibliothèque nationale de France

ex188aJean Marot (1619-1679), Daniel Marot (1663?-1752) Portail de Église des Pères de l’Oratoire de Paris in Recueil des plans, profils et élévations des [sic] plusieurs palais, chasteaux, églises, sépultures, grotes et hostels bâtis dans Paris et aux environs par les meilleurs architectes du royaume …Bibliothèque nationale de France
ex136Église de l'Oratoire au moment du percement de la rue de Rivoli 1854, Dessin à la mine de plomb, lavis à l'encre brune et rehauts de gouache sur papier beige ; 20,7 x 25,5 cm. Bibliothèque nationale de France
ex160A rua de Rivoli na antiga rua do Oratório
O Museu do Louvre
Com a Revolução Francesa, a cultura ou seja as artes, a música, o teatro, e os livros, deixam de estar ao serviço exclusivo do Rei, da nobreza e da Igreja, para ser posta à disposição de todos os cidadãos. Daí a criação de Museus, Teatros, Bibliotecas, Arquivos, etc.
Em 1852 Napoleão III encarrega Louis Tullius Joachim Visconti (1791-1853) e após a morte deste,  Hector-Martin Lefuel (1810-1880) dos trabalhos que pretendiam ligar as Tulherias ao Louvre, prolongando e edificando a rua de Rivoli. Edificam-se duas novas alas no palácio que são concluídas em 1857.
Em 1861 o Imperador encarrega Lefuel de reconstruir a Grande galeria  e o pavilhão de Flore muito degradados e ameaçando ruína. ex201Réedification du Pavillon de Flore et d’une partie de la galerie méridionale du Louvre aux Tuileries. in Paris Nouveau Illustré 1864-1872 Journal périodique publié par l'Illustration impr. de E. Martinet (Paris)  
Na fachada virada para o Sena são construídas uns monumentais acessos com uma estátua equestre de Napoleão III.
ex202Entrada do Louvre in Paris Nouveau Illustré 1864-1872 Journal périodique publié par l'Illustration impr. de E. Martinet (Paris)  
Só em 1882, já com a III República o  Louvre é ocupado quase exclusivamente pela cultura e pela arte.
ex137Louis-Pierre Baltard (1764-1846), Coté nord du Louvre et du Pavillon en retour de la colonnade. [Le Louvre du côté de la Rue du Coq-Saint-Honoré]18??, Lavis à l'encre de Chine et aquarelle ; 19,4 x 14,1 cm. Bibliothèque nationale de France
ex134Louis-Pierre Baltard (1764-1846) [Pai de Victor Baltard (1805-1874) o autor do projecto des Halles de Paris, que abordaremos na III Parte]. Entrée du Louvre par la rue du Coq-Saint-Honoré Dessin à la plume et encre de Chine, aquarelle ; 20,3 x 25 cm. Bibliothèque nationale de France
ex139Philippe Benoist, A. Bayot Le Louvre Nouvelle Façade sur la rue de Rivoli,  lithographie en camaïeu ; 35,7 x 25 cm. Bibliothèque nationale de France
O interior
No interior do Museu, para além dos visitantes, instalam-se os copistas jovens aristas e estudantes de belas artes, que para além de frequentarem academias e ateliers de pintores já estabelecidos, aqui fazem a sua aprendizagem copiando os trabalhos dos grandes mestres.
ex96 - CópiaThomas Allom (1804–1872) Grande Gallerie du Louvre c. 1844. Gravura sobre metal 18.1 × 12.3 cm. de J.B. Allen publicada por  Fisher, Fils & Co., Londres e Paris.
Por aqui passaram, estudando e copiando os mestres, entre muitos outros os impressionistas: Manet, Degas, Cézanne,  Renoir, Edma e Berthe Morrisot, Monet e Fantin-Latour a quem é atribuída a exclamação:
Le Louvre ! Le Louvre ! il n’y a que le Louvre. Jamais vous ne ferez trop de copies !
ex110A. Provost Le Grand Salon Carré et la Galerie du Louvre un jour d'Étude lithographie 29,6 x 24,5 cm. Maison Martinet, 41, r. Vivienne, 172 rue de Rivoli Bibliothèque nationale de France
Émile Zola descreve este ambiente do Museu em Trois Villes : Paris:
“Pierre accepta, surtout lorsque le jeune homme eut ajouté qu'il passerait par le Musée du Louvre, où il voulait prendre son frère Antoine. Sous le clair après midi, les salles du Musée de peinture, presques vides, avaient un calme tiède et noble, lorsqu'on y arrivait du fracas et de la bousculade des rues. Il n'y avait guère là que les copistes, travaillant dans un profond silence, que troublaient seuls les pas errants de quelques étrangers.” 67
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67 Émile Zola (1840-1902), Les trois Villes: Paris, Bibliotheque-Charpentier, Eugene Fasquelle, éditeur, rue de Grenelle, 11, Paris 1898
tradução: “…Pierre aceitou, sobretudo quando o jovem acrescentou que passaria pelo Museu do Louvre, onde ele pretendia ir buscar o seu irmão Antoine. Sob uma tarde clara, as salas do Museu de pintura, quase vazias, tinham uma calma morna e nobre, quando se chegava do barulho e da agitação das ruas. Apenas aí se encontravam os copistas, trabalhando num profundo silêncio, apenas perturbado pelos passos deambulantes de alguns estrangeiros.”
ex167Gustave Doré  Le Musée in Émile de Labedollière (1812-1883), Le Nouveau Paris, Histoire de ses 20 Arrondissements, Gustave Barba, Libraire-Éditeur rue Cassette 8, Paris

3ª Secção, da rua des Poulies à Praça da Greve, compreendendo o abaixamento completo do quarteirão des Arcis, com todas as suas consequências;

ex112o cópiaDetalhe de Plan de la Ville de Paris avec sa nouvelle enceinte Levé Géometriquement sur la Méridienne de l’Observatoire par le C.en  Verniquet, Parachevé en 1791  Legenda: 1 Rue des Poulies 2 place de Grève  
A Praça do Louvre
ex193Praça do Louvre 1876 Payen-Appenzeller, Hoffbauer, aut. du texte Illustrations de Paris à travers les âges, Editor : Tchou (Paris) 1978, 13 photogr. pos. : n. et b. ; 18,5 x 27,5 cm., 614 est. : gravures : noir et blanc et couleur ; 18,5 x 27,5 cm et moins Bibliothèque nationale de France
Em função da abertura da rua de Rivoli, organiza-se o espaço entre a fachada nascente do Louvre e  a igreja de Saint-Germain l’Auxerrois.
ex169Façade du Louvre en face de l'église Saint-Germain-l'Auxerrois, 1830 Dessin à la plume et encre de Chine, aquarelle, 15,7 x 21,1 cm. Bibliothèque nationale de France
A Igreja de Saint Germain-l’Auxerrois
Uma das mais antigas igrejas de Paris, supõe-se que construída no século XII a partir de uma capela existente. Ao longo dos séculos foi sofrendo alterações até ao século XVI adquirindo a forma actual. Na abertura da rua de Rivoli, com o reordenamento da praça do Louvre, foi construída a norte a mairie do 1º arrondissement.
ex165St Germain l'Auxerrois,18...  aquarelle 24,5 x 37,2 cm. Bibliothèque nationale de France
24194-1Charles Negre (1820-1880), Église Saint-Germain l'Auxerrois, 1848/1858 Tirage sur papier salé d'après un négatif papier, 22,40 x 32 cm. musée Carnavalet
Para a organização da praça do Louvre, são demolidos os edifícios vizinhos da igreja, são plantadas árvores, e é construída a Mairie do 1º arrondissement.
ex174Edouard Baldus (1813-1889) Saint Germain l' Auxerrois c. 1858 Lightly albumenized print from a glass negative 32,3 x 44,8 cm. Stephen A. Schwarzman Building / Photography Collection, Miriam and Ira D. Wallach Division of Art, Prints and Photographs
A igreja de Saint-Germain l'Auxerrois estava inicialmente enquadrada por edifícios. No arranjo da praça do Louvre é criada em 1859 a Mairie do 1º Arrondissement, segundo um projecto de Jacques Hittorff, que é uma réplica da igreja. Entre os dois edifícios, em 1860 Théodore Ballu (1817-1885), projecta uma torre neogótica de quarenta metros de altura.
ex203Mairie du premier arrondissement in Paris Nouveau Illustré 1864-1872 Journal périodique publié par l'Illustration impr. de E. Martinet (Paris)  
ex239Charles-Henri Plaut (1820-18..) Vues de Paris 1865/70,album de 40 photogr. pos. sur papier albuminé d'après des négatifs sur verre au collodion ; 34 x 42 cm. Bibliothèque nationale de France
ex225 Charles-Lucien Huard (1839-1900?), Paris et ses merveilles,L. Boulanger, éditeur, 83, rue de Rennes Paris 1890
ex142aClaude Monet Église de Saint Germain l’Auxerrois 1867 óleo sobre tela 79 x 98 cm. Alte Nationalgalerie Berlin
ex221Autor desconhecido Colonnade du Louvre, lithographie en camaïeu, 23,8 x 26,3 cm. Bibliothèque nationale de France
Haussmann, num discurso efectuado perante o imperador na inauguração do boulevard Malesherbes, faz uma espécie de balanço da sua actividade até então, e responde a algumas das críticas formuladas à sua acção. E cita de passagem a abertura deste troço da rua de Rivoli afirmando: 
“A abertura da rua de Rivoli entre a praça do Louvre e o Hôtel-de-Ville, num percurso de 940 metros e uma largura reduzida de 22 metros, fez desaparecer 230 casas e apenas deu lugar a 89 reconstruções.”  68
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68 Haussmann Discurso na inauguração do boulevard Malesherbes em 13 de Agosto de 1863 Paris Nouveau Illustrée

Na imagem seguinte a fachada virada a norte da rua de Rivoli entre a rua das Lavadeiras e o Louvre.
ex222Autor desconhecido La rue de Rivoli, de la rue des Lavandières au Palais du Louvre,  lithographie ; 11,3 x 74,9 cm. Bibliothèque nationale de France
Entre a praça do Louvre e a praça da Grève situa-se a praça do Châtelet, no cruzamento dos dois grandes eixos e que já tratamos   na I Parte e a que voltaremos na III Parte. Também se situam Les Halles, uma das obras emblemáticas do Segundo Império e que também abordaremos na III Parte.
4ª Secção Da Praça da Greve à Praça de Birague, que compreende a limpeza completa das imediações do Hotel-de-Ville e da Caserna Napoleão.”
ex112p cópiaDetalhe de Plan de la Ville de Paris avec sa nouvelle enceinte Levé Géometriquement sur la Méridienne de lÓbservatoire par le C.en  Verniquet, Parachevé en 1791 Legenda:
1 place de Grève  2 place de Birague
ex140Carta de 1870 Legenda
1 Louvre 2 Châtelet 3 Hotel de Ville 4 Caserne Napoléon
ex159 cópia
Avril Frères (Paris)  detalhe de  Plan d'ensemble de la cité et de ses abords, avec ses embellissements et améliorations projetés 18.. carte  72 x 60 cm. Bibliothèque nationale de France
1 – Rua do Louvre igreja de S. Germain-l’Auxerrois e Mairie du 1º Arrondissement  2 – praça do Châtelet 3 – praça do Hôtel-de-Ville 4 – largo junto à igreja de Saint Gervais (e junto à rua de Rivoli a praça Baudoyer)
Émile Zola descreve em 1873 o movimento na rua de Rivoli :
“Au loin, jusqu'à la rue de Rivoli, jusqu'à la place de l'Hôtel-de-Ville, les éternelles files de roues et de bêtes attelées se perdaient dans le pêle-mêle des marchandises qu'on chargeaient; de grandes tapissières emportaient les lots des fruitiers de tout un quartier; des chars à bancs dont les flancs craquaient, partaient pour la banlieue.” 69
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69 Émile Zola,  Le ventre de Paris, G. Charpentier, Éditeur, 13 rue de Grenelle-Saint-Germain, 10e édition,Paris  1878. Primeira edição 1873
tradução: “Ao longe, até à rua de Rivoli, até à praça do Hôtel-de-Ville, as eternas filas de rodagens e de animais aparelhados perdiam-se na confusão das mercadorias que se trocavam; grandes carroças levavam os lotes de frutos de todo um quarteirão; charabãs cujo lados estalavam, partiam para a periferia.”
O Hôtel-de-Ville e a praça de Grève

ex177Vue de l'hôtel de ville de Paris prise de la place 1828/1840 estampe coloriée, taille douce, vergé, 25,9 x 39,2 cm. Museu das Civilizações da Europa e do Mediterrrâneo Marselha
ex241Jean-Baptiste Scotin, (1678-17..) illustrations de Description de Paris 1742 texte Jean Aimar Piganiol de la Force,88 estampes 14,5 x 32 cm. et moins Bibliothèque nationale de France
ex218Denis-Auguste-Marie Raffet (1804-1860), Hôtel de ville 1830-1835 Dessin à la mine de plomb et aquarelle ; 24,3 x 32,5 cm. Bibliothèque nationale de France
ex242 Noël-Marie Paymal Lerebours (1807-1873) Excursions daguerriennes, vues et monuments les plus remarquables du globe, 1840-1842.2 vol. ([140] p. -[60] f. de pl. , [128] p. - [51] f. de pl.) : grav., impr. photoméc. ; 26 x 38 cm. Bibliothèque nationale de France

Este edifício do Hôtel-de-Ville foi incendiado na Comuna de Paris em 1871, sendo depois totalmente reconstruído.
A rua Lobau
Do lado nascente do Hôtel-de-Ville, organiza-se o espaço (rue Lobau e place Saint-Gervais) em torno da igreja de Saint-Gervais e da construção das Casernas Napoleão.
ex234
Legenda 1 Hotel-de-Ville  2 Caserne   3 igreja de Saint-Gervais
A igreja de Saint-Gervais
A mais antiga das igrejas da margem direita do Sena, sobre uma basílica do século IV d.C., foi edificada a partir de 1494. No início do século XVII,  a fachada foi remodelada por Salomon de Brosse (1565 ou 71-1626).
ex168Christophe Civeton (1796-1831) Église de St. Gervais,182? Dessin à la plume et lavis à l'encre brune ; 6,6 x 8,3 cm. Bibliothèque nationale de France
Mairie do IVe Arrondissement 1862/67
ex133aLocalização da Mairie do 4º Arrondissement na planta de 1894
Haussmann refere nas suas Memórias, a construção da Mairie do IV Arrondissement:
“Lors du prolongement de la rue de Rivoli, de la Place de l'Hôtel-de-Ville à la rue Saint-Antoine jusqu'à la Place de la Bastille, j'avais fait réserver, entre ces deux grandes artères, sur l'ancienne Petite-Place Baudoyer considérablement agrandie, derrière la Caserne Napoléon, un grand terrain s'étendant jusqu'à la rue du Pont-Louis-Philippe, sur lequel M. Bailly 70 édifia la grande et belle Mairie du IVe Arrondissement, isolée sur ses quatre faces.” 71
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70 Antoine-Nicolas Louis Bailly (1810-1892)
71 Mémoires du Baron Haussmann, Grands travaux de Paris/Le Plan de Paris / Les services d’ ingénieurs / Voie publique / Promenades et plantations /Service des eaux/ Architecture et Beaux Arts III, Victor-Havard, éditeur Boulevard Saint-Gemain 168, Paris 1893
tradução: “Quando do prolongamento da Rua de Rivoli, da Praça do Hôtel-de-Ville à rua de Saint-Antoine até à Praça da Bastilha, eu reservei, entre estas duas grandes artérias, na antiga praceta Baudoyer, consideravelmente aumentada, por detrás da Caserna Napoleão, um grande terreno que se estendia até à Ponte Louis-Philippe, e onde o Sr. Bailly, edificou a grande e bela Mairie do IV Arrondissement, com quatro frentes.”
ex200aMairie du 4e Arrondissement vue de la rue de Rivoli in Paris Nouveau Illustré 1864-1872 Journal périodique publié par l'Illustration impr. de E. Martinet (Paris)  
ex180
Antoine-Nicolas Louis Bailly (1810-1892), Mairie du 4e arrondissement Élévation Principale in Félix Narjoux (1836-1891), Paris Monuments élevés par la ville 1850-1880 ouvrage publié sous le patronage de la Ville de Paris par Felix Narjoux, architecte de la Ville de Paris Premier Volume,  V A. Morel et C,ª, Libraires-Éditeurs, 13, rue Bonaparte Paris 1881
ex172Antoine-Nicolas Louis Bailly (1810-1892), Mairie du 4e arrondissement Vue du vestibule et du grand escalier.  in Félix Narjoux (1836-1891), Paris Monuments élevés par la ville 1850-1880 ouvrage publié sous le patronage de la Ville de Paris par Felix Narjoux, architecte de la Ville de Paris Premier Volume,  V A. Morel et C,ª, Libraires-Éditeurs, 13, rue Bonaparte Paris 1881
Caserna Napoleão
Por trás do Hôtel-de-Ville foram edificadas os Quartéis (Casernes) Napoléon.
ex155Caserne Napoleon in Félix Narjoux (1836-1891), Paris Monuments élevés par la ville 1850-1880 ouvrage publié sous le patronage de la Ville de Paris par Felix Narjoux, architecte de la Ville de Paris Premier Volume,  V A. Morel et C,ª, Libraires-Éditeurs, 13, rue Bonaparte Paris 1881
ex196 Casernes Napoléon, derrière l’Hôtel-de-Ville, in in Paris Nouveau Illustré 1864-1872 Journal périodique publié par l'Illustration impr. de E. Martinet (Paris)  



A rua de Saint-Antoine
A rua de Rivoli entronca de seguida na rua de Saint-Antoine, que faz a ligação com a praça da Bastilha.
A rua de Saint-Antoine vendo-se à esquerda a igreja de  Saint Paul – Saint Louis.
ex81Carlo Bossoli (1815-1884) Rue Saint-Antoine, Paris, c. 1884 óleo s/metal , 25 x 36 cm colecção particular
ex173Carlo Bossoli ? Rue  St. Antoine Paris, 185? dessin sur papier gris : mine de plomb ; 22,2 x 28,8 cm. Bibliothèque nationale de France


A igreja com risco do padre jesuíta François Derand (c.1590-1644) e primeira pedra foi colocada em 1627, inicialmente chamou-se de Saint Louis. Em 1803 é acrescentado o nome de Saint Paul, já que a igreja paroquial de Saint-Paul nas imediações foi demolida.
ex186Église Saint-Paul-Saint-Louis, rue Saint-Antoine 16. ? Dessin à la plume et encre brune, lavis à l'encre de Chine ; 36 x 23 cm. Bibliothèque nationale de France
A abadia e igreja de Saint-Paul e o liceu Charlemagne
Na rua Saint-Antoine situava-se a igreja de São Paulo  e em 1795 na sua casa conventual  foi criada uma das três Escolas Centrais. Em 1802 é criado o liceu Charlemagne, que se instala na antiga casa dos jesuítas.
ex243Jean-Baptiste Scotin, (1678-17..) illustrations de Description de Paris 1742 texte Jean Aimar Piganiol de la Force,88 estampes 14,5 x 32 cm. et moins Bibliothèque nationale de France
ex187Christophe Civeton (1796-1831). S. Paul, vu de la rue de l'égoût 182 ? Dessin à la plume et lavis à l'encre brune ; 5,9 x 7,8 cm.Bibliothèque nationale de France
O Hôtel de Sully
Na rua de Saint-Antoine situa-se o Hôtel de Sully, construído em 1634 segundo um projecto de Jean Androuet du Cerceau (1585-1649) para Maximilien de Béthune (1560-1641), duque de Sully e ministro do rei Henri IV (1553–1610).

ex189Jean Marot (1619-1679), Daniel Marot (1663?-1752) Hôtel de Sully in Recueil des plans, profils et élévations des [sic] plusieurs palais, chasteaux, églises, sépultures, grotes et hostels bâtis dans Paris et aux environs par les meilleurs architectes du royaume …Bibliothèque nationale de France

ex185Nicolas Ransonnette (1745-1810). Hôtel Sully. Rue Saint-Antoine 1806 Dessin à la plume et encre de Chine, aquarelle ; 15,9 x 24,5 cm. Bibliothèque nationale de France

A Bastilha
O monumento da Praça da Bastilha
Demolida a prisão da Bastilha depois do 14 de Julho de 1789 - a data simbólica da Revolução Francesa - Napoleão Bonaparte em 1808 propôs a construção de uma fonte com um elefante de dimensões colossais. A fonte aproveitaria o encanamento do canal Saint-Martin, que passa por baixo. Apenas esta parte inferior foi realizada e na parte superior foi construída uma maquete do elefante em madeira e gesso, que aí ficou até 1836.
ex146aProjet d'aménagement de la place de la Bastille 1800 Dessin à la plume et encre de Chine, aquarelle ; 21,2 x 42,5 cm. Bibliothèque nationale de France
ex146Jean Antoine Alavoine (1776-1834) Dernier projet de la fontaine de l'éléphant pour la place de la Bastille, Aquarelle, plume, encre brune, et traits à la mine de plomb. 41,0 x 51,8 cm. musée du Louvre
Victor Hugo, que conheceu a enorme maquete desse extraordinário monumento, coloca a sua personagem Gavroche, o menino da rua, a viver no Elefante da Bastilha. E de seguida faz uma descrição do enorme modelo da escultura, e da sua degradação, e critica ainda a Coluna de Julho que o veio substituir.
— Et où loges-tu?
— Dans l'éléphant, dit Gavroche.
Montparnasse, quoique de sa nature peu étonné, ne put retenir une exclamation :
— Dans l'éléphant !
—Eh bien oui, dans l'éléphant! repartit Gavroche. 72
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72 Victor Hugo, Oeuvres Completes, Les Misérables, L’Idylle rue Plumet et  L’Épopée rue Saint-Denis, 1ª ed. 1842, ed. J. Hetzel & C.ª A. Quantin & C.ª, 18 rue Jacob et 7 rue Benoit, Paris 1881
tradução:
“ – E onde moras?
- No elefante diz Gavroche.
Montparnasse, embora pela sua maneira de ser pouco dado a espantos, não pode reter uma exclamação:
- No elefante !
- É mesmo assim, no elefante ! retomou Gavroche.”
ex162
E Victor Hugo mais adiante:
“Il y a vingt ans, on voyait encore dans l'angle sud-est de la place de la Bastille, près delà gare du canal creusée dans l'ancien fossé de la prison-citadelle, un monument bizarre qui s'est effacé déjà de la mémoire des Parisiens, et qui méritait d'y laisser quelque trace, car c'était une pensée du « membre de l'Institut, général en chef de l'armée d'Egypte».
Nous disons monument, quoique ce ne fût qu'une maquette.
Mais cette maquette elle-même, ébauche prodigieuse, cadavre grandiose d'une idée de Napoléon que deux où trois coups de vent successifs avaient emportée et jetée à chaque fois plus loin de nous, était devenue historique, et avait pris je ne sais quoi de définitif qui contrastait avec son aspect provisoire. C'était un éléphant de quarante pieds de haut, construit en charpente et en maçonnerie, portant sur son dos sa tour qui ressemblait à une maison, jadis peint en vert par un badigeonneur quelconque, maintenant peint en noir par le ciel, la pluie et le temps. Dans cet angle désert et découvert de la place, le large front du colosse, sa trompe, ses défenses, sa tour, sa croupe énorme, ses quatre pieds pareils à des colonnes faisaient, la nuit, sur le ciel étoile, une silhouette surprenante et terrible. On ne savait quoi que cela voulait dire. C'était une sorte de symbole de la force populaire. C'était sombre, énigmatique et immense. C'était on ne sait quel fantôme puissant visible et debout à côté du spectre invisible de la Bastille.” 73
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73 Victor Hugo, Oeuvres Completes, Les Misérables, L’Idylle rue Plumet et  L’Épopée rue Saint-Denis, 1ª ed. 1842, ed. J. Hetzel & C.ª A. Quantin & C.ª, 18 rue Jacob et 7 rue Benoit, Paris 1881
tradução:  “Há vinte anos, via-se ainda no canto sudeste da praça da Bastilha, perto da gare do canal cavado no antigo fosso da prisão-cidadela, um monumento bizarro que se apagou já da memória dos Parisienses, e que merecia deixar algum vestígio, já que foi uma ideia de um “membro do Instituto, general chefe do exército do Egipto”. Dizemos monumento, embora fosse apenas uma maquete. Mas esta maquete, esboço prodigioso, cadáver grandioso de uma ideia de Napoleão, que duas ou três sucessivas rabanadas de vento tinham levado e deitado cada vez para mais longe de nós, tinha-se tornado histórica, e tinha ganho um não-sei-quê de definitivo que contrastava com o seu aspecto provisório.  Dizemos monumento, embora fosse apenas uma maquete. Mas esta maquete, esboço prodigioso, cadáver grandioso de uma ideia de Napoleão, que duas ou três sucessivas rabanadas de vento tinham levado e deitado de cada vez para mais longe de nós, tinha-se tornado histórica, e tinha ganho um não-sei-quê de definitivo que contrastava com o seu aspecto provisório. Era um elefante de quarenta pés de altura, construído em madeira e maçonaria, levando no seu dorso uma torre semelhante a uma casa, inicialmente pintado de verde por um pintorzeco qualquer, e agora pintado de negro pelo céu, a chuva e o tempo. Neste canto deserto e descoberto da praça, a larga cara do colosso, a sua tromba, os seus dentes, a sua torre, as suas enormes nádegas,as suas quatro patas semelhantes a colunas, desenhavam à noite, sobre o céu estrelado, uma silhueta surpreendente e terrível. Era uma espécie de símbolo da força popular. Era sombrio, enigmático e imenso. Era não se sabe que poderoso e visível fantasma, de pé ao lado do espectro invisível da Bastilha.”
A Coluna da Liberdade ou de Julho
A ideia de uma coluna servindo para a glória de uma personagem histórica e ao mesmo tempo para a organização de um espaço público, tem raízes no Império Romano com a coluna de Trajano. 74
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74 Em Paris são realizadas duas colunas: a da praça de Vendôme, com a estátua de Napoleão e a da praça do Châtelet encimada por uma escultura da Vitória, que já referenciamos na I Parte. Em Portugal lembremos alguns dos monumentos com esta tipologia. Em Lisboa, o monumento a D. Pedro IV no Rossio do arquitecto francês já aqui referenciado Gabriel Davioud  e do escultor Elias Robert e o monumento ao Marquês de Pombal, um concurso dos finais do século XIX mas que apenas foi inaugurada em 1934 e a que estão associados os arquitectos Adães Bermudes,  António Couto e Francisco Santos e os escultores Simões de Almeida sobrinho e Leopoldo de Almeida. No Porto iniciado em 1909 mas apenas inaugurado em 1951,o monumento aos Heróis da Guerra Peninsular encimado por um leão vencendo uma águia, do arquitecto José Marques da Silva e do escultor Alves de Sousa, (após a sua morte substituído por Henrique Moreira e Sousa Caldas).

No caso da coluna da praça da Bastilha teremos de regressar a 1789 onde o governo revolucionário decreta que  “ . . . que sur le sol de la Bastille détruite et rasée, on établisse une place publique au milieu de laquelle s'élèvera une colonne d'une architecture noble et simple.” 75
O significado desta coluna, no entanto, é profundamente alterado, já que no lugar da personagem histórica é colocado uma alegoria simbolizando o povo. Esta ideia está já esboçada em Rousseau, na sua Carta a D’Alembert de 1758:
“Avec la liberté, partout où règne l'affluence, le bien-être y règne aussi. Plantez au milieu d'une place un piquet couronné de fleurs, rassemblez-y le peuple, et vous aurez une fête. Faites mieux encore : donnez les spectateurs en spectacle; rendez-les acteurs eux-mêmes; faites que chacun se voie et s'aime dans les autres, afin que, tous en soient mieux unis.” 76
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75 “…que no solo da Bastilha destruída e arrasada, se estabeleça uma praça pública no meio da qual se erguerá uma coluna de arquitectura nobre e simples.”
76  Jean-Jacques Rousseau (1712-1778).Contrat Social ou Principes du Droit Politique, précédé de Discours, Lettre a D’Alembert sur les Spectacles et suivi de Consuderations sur le Gouvernement de la Pologne et la Réforme projectée en Avril 1772, Lettre a M. de Beaumont, Archevêque de Paris, Collection des classiques Garnier, Librairie Garnier Frères, 6 rue des Saints-Pères Paris, 1840/1931
tradução: “Com a liberdade, em qualquer lugar onde reine a afluência, o bem-estar também reina. Plantai no centro de uma praça um mastro coroado de flores, juntai o povo e tereis uma festa. Fazei ainda melhor: que sejamos próprios espectadores o espectáculo; tornai-os actores; fazei que cada um se veja e se ame nos outros, de modo a que todos se sintam unidos.”
Após o episódio extravagante do Elefante, coube a Louis-Philippe retomar a ideia de erguer uma coluna no centro da praça da Bastilha, agora em honra dos combatentes das três jornadas de Julho de 1830, que conduziram à queda de Charles X. A primeira pedra foi colocada em 1831 e a coluna inaugurada em 1840.
ex235Philippe Benoist La Place de la Bastille et l’Élephant litografia in  http://www.paris-unplugged.com/search?q=bastille
A praça em 1841ex245 cópiaF. Hoffbauer La Place de la Bastille en 1841 in Payen-Appenzeller, Hoffbauer, aut. du texte Illustrations de Paris à travers les âges, Editor : Tchou (Paris) 1978, 13 photogr. pos. : n. et b. ; 18,5 x 27,5 cm., 614 est. : gravures : noir et blanc et couleur ; 18,5 x 27,5 cm et moins Bibliothèque nationale de France
Legenda:  1 Quai de Jemmapes 2 Modèle de l’Élephant 3 Bassin de l’Arsenal 4 Colonne Juillet 5 Boulevard Beaumarchais 6 Rue de Saint-Antoine 7 Quai de Valmy
A coluna em bronze, com 44 metros de altura, construída segundo um projecto de Jean-Antoine Alavoine (1777-1834) e após a morte deste sob a direcção do arquitecto Joseph-Louis Duc (1802-1879), tem no seu interior uma escadaria de 205 degraus, que conduz a uma balaustrada  sobre a qual se ergue uma lanterna encimada pelo Génio da Liberdade, tendo na mão um cadeado quebrado e na outra uma tocha acesa, em bronze e da autoria de Augustin-Alexandre Dumont (1801-1884).
ex83Philippe Benoist.Place de la Bastille. Monument de Juillet, Paris, Carpentier, c.1860.Litografia 28,5 x 36 cm. in Paris dans sa Splendeur
 O Génie de la Liberté no topo da coluna.
ex170Auguste-AlexandreDumont  (1801-1884),  Le Génie de la Liberté dit Le Génie de la Bastille 1833 bronze, patiné, 2,355 x 1,120 x 1,300 m. musée du Louvre
A Praça da Bastilha
A Praça da Bastilha vista de norte para sul.ex181Colonne de juillet musée Carnavalet Paris
A praça da Bastilha, torna-se um local de distribuição de tráfego, já que para além das ruas de Saint-Antoine e do Faubourg Saint-Antoine, (que fazem parte do eixo poente –nascente), aí vão desaguar a norte: o boulevard Beaumarchais, a avenida da Reine Hortense (boulevard Richard Lenoir),  e a rua de La Roquette; e a sul onde se situa a Gare de l’Arsenal:  o boulevard de la Contrescarpe, o boulevard Bourdon, a rua de Lyon, e a rua de Charenton.
A praça da Bastilha na planta de 1870ex211
ex82La place de la Bastille 1868
A praça da Bastilha na planta de 1894
ex215

ex85Theodor Josef Hubert Hoffbauer (1839-1922) Place de la Bastille, 1878, litografia 24 x 30 cm. Brown University Library
ex84Moyse Léon e Isaac (Georges) Lévy (1843 - 1926), Léon et Lévy. Photographe Promenades dans Paris. 1889 / Photographies réunies par le baron De Vinck 1 album de 81 photogr. pos. sur papier gélatino-argentique, d'après des négatifs sur verre ; 29 x 36 cm (vol.) Bibliothèque nationale de France
La rue du Faubourg-Saint-Antoine
A partir da rua do Faubourg Saint-Antoine entra-se no Paris popular dos operários, dos pequenos comerciantes, dos artesãos, dos cocheiros, etc.
ex112m Rue du faubourg Saint-Antoine Detalhe de Plan de la Ville de Paris avec sa nouvelle enceinte Levé Géometriquement sur la Méridienne de lÓbservatoire par le C.en  Verniquet, Parachevé en 1791
ex86Detalhe de Plan de la Ville de Paris divisé en 12 Arrondissements et 48 Quartiers, Indiquant tous les Changements faits & Projetés Dressé par X. Girard, Géographe des Postes, Paris Chez J.Goujon et J. Andriveau, éditeur rue du Bac n.º17 près du Pont Royal 1843
Hospital de Saint Antoine
O Hospital de Saint-Antoine  foi criado na antiga abadia de Saint-Antoine-des-Champs, fundada em 1198. Em 1770 o edifício foram remodelados e em 1795 a Convenção  decreta a sua conversão em hospital.
ex190Plan de la ci-de-vant Abbaye St Antoine 1800 Plan à la plume et encre de Chine, lavis à l'encre de Chine et encre rouge ; 53 x 81 cm. Bibliothèque nationale de France
ex190aHôpital Saint Antoine Ministère de la Culture (France) - Médiathèque de l'architecture et du patrimoine - diffusion RMN
ex87Planta de 1870 Ao centro o Hospital de Saint-Antoine
ex88Planta de 1894 Ao centro o Hospital de Saint-Antoine
ex89Postal do final do século XIX
ex90Postal do final do século XIX
Place du Trone (Nation a partir de 1880)
A rua do Faubourg de Saint-Antoine, termina  na praça do Trono (Nação) assim chamada, pelo facto de aí ter sido erguido um magnífico trono para Luís XIV receber as homenagens dos parisienses quando da sua entrada em Paris.
ex238Arc de Triomphe élevé à la Barrière du Trône, en l'honneur de Louis XIV, pour son retour de la franche-Comté. Démoli sous la Régence  1750 dessin, plume et encre, aquarelle ; 21 x 26,3 cm. Bibliothèque nationale de France
As colunas marcavam a entrada  nascente de Paris acompanhadas dos edifícios da Barreira projectados por Claude Nicolas Ledoux (1736-1806).
ex182Nicolas Marie Joseph Chapuy (1790-1858)  Vue de l'entrée de la barrière du trône ou de Vincennes faubourg Saint-Antoine 1810 châteaux de Versailles et de Trianon Versailles
ex112ePlace du Trône Detalhe de Plan de la Ville de Paris avec sa nouvelle enceinte Levé Géometriquement sur la Méridienne de lÓbservatoire par le C.en  Verniquet, Parachevé en 1791
Em 1845 no tempo de Louis-Philippe as colunas foram remodeladas  foram colocadas no topo das colunas as estátuas de Saint-Louis (norte) de Antoine Etex (1808-1888)  e Philippe-Auguste (sul)  de Auguste Dumont (1801-1884). Nos pedestais das colunas foram colocados baixo-relevos representando o Comércio e a Indústria  de Antoine Desbœufs (1793-1862 e a Paz e a Vitória de Pierre-Charles Simart (1806-1857).
ex93Barrière du Trône  in Guide des Promenades Paris, Paulin et Lechevalier, rue Richelieu, 60 Paris 1855
A praça do Trono, foi local de festas e manifestações populares.

ex91
Just L’Hernault  La fête du 15 août 1859 à la barrière du Trône Gravure 16,5 x 19 cm
ex92Gustave Doré  (1832-1883) Un Bal à la Barrière du Trône  in Émile de Labedollière (1812-1883), Le Nouveau Paris, Histoire de ses 20 Arrondissements, Gustave Barba, Libraire-Éditeur rue Cassette 8, Paris
ex95
Le Diorama photographique, publié par Rueff, éditeur à Paris, à raison de 2 livraisons par semaine, en 1895, les fascicules 1 à 34 et 53 à 80, 6 phot. par fascicule, soit 372 phot]. 1895. Bibliothèque nationale de France
ex94Postal do final do século XIX
A praça mudou de nome para praça Nation em 1880 e no seu centro foi instalada uma fonte. Em 1889 no centro desta fonte foi erguido um monumento o Triunfo da República, do escultor Aimé-Jules Dalou (1838-1902).
ex237Postal do final do século XIX
ex233Groupe du Triomphe de la République à la place des Nations in Paris et ses Merveilles, L. Boulanger, éditeur, 83, rue de Rennes Paris 1890
ex236Postal c. 1900
Conclusão
E para concluir com Haussmann a abertura do eixo nascente-poente:
“Ainsi fut assurée l'ouverture complète de la grande artère qui relia, non seulement le Louvre à l'Hôtel de Ville, mais la Place de la Concorde à celle de la Bastille, la barrière de l'Etoile à celle du Trône, par une communication directe, spacieuse, monumentale et, de plus, stratégique.” 77
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77 “Assim se assegurou a abertura da grande artéria que ligou não apenas o Louvre ao Hôtel-de-Ville, mas a Praça da Concórdia à praça da Bastilha, a Barreira da Étoile à Barreira do Trône, através de uma comunicação directa, espaçosa, monumental e, sobretudo, estratégica.”
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ex0
Continua na III Parte – La Grande Croisée, O Eixo Sul-Norte

1 comentário:

  1. Acho o seu blog muito bom, com conteúdos muito interessantes. Gostaria que me indicasse algumas referências bibliográficas respeitantes ao assunto das transformações na Baixa do Porto - dos Almadas aos nossos dias. Obrigada e continuação de bom trabalho.

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