Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Um Percurso por Paris do Segundo Império 3.1

nota – todas as traduções são da minha autoria. Para não os trair, não se traduziram os poemas. Todos os realces dos textos são meus.

La Grande Croisée - O Eixo Sul-Norte

Haussman tem como preocupação prioritária o traçado de um longo boulevard, que no sentido sul-norte ligasse o Observatório à gare de Strasbourg (depois gare de l’Est). Após a ideia de lhe chamar boulevard du Centre, propôs se chamasse do “glorioso nome” de Sébastopol, lembrando o Cerco de Sebastopol, o principal combate ocorrido durante a Guerra da Crimeia, tendo durado de Setembro de 1854 a Setembro de 1855. Um dos primeiros livros de Leão Tolstoi, Crónicas de Sebastopol detalha os combates num misto de ficção e relato histórico.

Este boulevard destinava-se a completar a Grande Croisée, permitindo a comunicação directa dos limites extremos da cidade de Paris: “ la Barrière de la Villette et la Barrière d'Enfer, dans un sens; les Places de l'Etoile et du Trône, dans l'autre.” 1

Assim, Haussmann define como primeira intervenção o “…prolongement du Boulevard de Sébastopol à travers la Cité, puis, à travers le Quartier Latin, jusqu'au Carrefour de l'Observatoire (Boulevards du Palais et Saint-Michel). 1

__________

1 Mémoires du Baron Haussmann, Grands travaux de Paris/Le Plan de Paris / Les services d’ ingénieurs / Voie publique / Promenades et plantations /Service des eaux/ Architecture et Beaux Arts III, Victor-Havard, éditeur Boulevard Saint-Gemain 168, Paris 1893

O boulevard de Sebastopol como indica Haussman, irá contudo, adquirir diferentes nomes ao longo da sua extensão. Na margem esquerda, do Observatório à ponte que liga com a ilha da Cité, chamar-se- a partir de 1867, boulevard Saint-Michel

Na planta de 1870 ainda aparece indicado como Boulevard Sebastopol, e na planta de 1894 já como boulevard Saint-Michel.

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Planta de 1870 e planta de 1894

…na ilha da Cité, boulevard du Palaissn22

…do Châtelet até ao boulevard de Saint-Denis, que pertence ao arco dos grands boulevards (que trataremos na V Parte), conservará o nome de Sébastopol. E finalmente o troço entre os boulevards e a estação de Strasbourg (gare de l’Est), boulevard de Strasbourg.

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3.1 - Do Observatório à ponte Saint-Michel - margem esquerda (Rive Gauche)

O Boulevard de Saint Michel (popularmente conhecido por Boul’Mich)

O boulevard de Sébastopol, que na margem esquerda (Rive Gauche) se chamou, a partir de 1867 boulevard Saint Michel, separa o V arrondissement (a amarelo na planta de 1870) do VI arrondissement  (a rosa na planta de 1870).sn0 - Cópia

A presença da Sorbonne e de outros estabelecimentos de ensino universitário (Letras, Direito, Medicina, Minas e Farmácia), da Escola Politécnica, da Escola Normal e dos liceus (Henri IV, Louis le Grand e Saint-Louis), de diversos estabelecimentos ligados à ciência (Observatório, Jardin des Plantes, biblioteca Sainte-Geneviève, Collège de France), e ainda a Escola de Belas Artes e a Escola de Artes Decorativas, arrastando para esta zona as principais editoras e livrarias parisienses, acrescentaram  a todo este território formado pelos V e VI arrondissements, e chamado de Quartier Latin (Bairro Latino), às características de um bairro popular, as de  intelectual e estudantil.

No final do século esse carácter do Quartier Latin é assinalado por Zola, em Les trois Villes – Paris: 2

“Non, je regardais Paris, reprit François lentement.
C'est singulier comme la nuit y descend par
degrés, d'un air d'intelligence. Le dernier quartier éclairé
a été, là-bas, la montagne Sainte-Geneviève, ce plateau
du Panthéon, où toute connaissance et toute science ont
grandi. Les écoles, les bibliothèques, les laboratoires
sont encore dorés d'un rayon de soleil, lorsque les bas
quartiers des marchands plongent déjà dans les ténèbres. (…)
D'un geste large, au delà du jardin du Luxembourg,
François indiquait les institutions, les lycées, les Ecoles
supérieures, les Facultés de droit et de médecine, l'Institut
avec ses cinq Académies, les bibliothèques et les musées
sans nombre, tout ce domaine du travail intellectuel,
qui occupe un vaste champ de Paris immense.” *

E, também Eça de Queiroz, caracteriza esta zona de Paris, numa frase em que coloca as suas personagens de A Cidade e as Serras a “filosofar” nas cervejarias do boulevard Saint-Michel:

“Pelo menos assim Jacinto formulava copiosamente a sua ideia, quando conversávamos de fins e destinos humanos, sorvendo bocks poeirentos, sob o toldo das cervejarias filosóficas, no Boulevard Saint-Michel.” 3

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2 Émile Zola (1840-1902) Les trois Villes – Paris Bibliothèque Charpentier G. Charpentier et E. Fasquelle, Éditeurs rue de Grenelle, 11, Paris 1898

tradução:

* “Não, eu olhava Paris, retomou François lentamente. É singular como a noite desce gradualmente, com um ar de inteligência. O último bairro iluminado foi, lá ao fundo, a colina de Sainte-Geneviève, esse planalto do Panteão, onde todo o conhecimento e toda a ciência se desenvolveram. As escolas, as bibliotecas, os laboratórios estão ainda dourados, enquanto os rés-do-chão dos comerciantes mergulham já nas trevas. (…) “Com um gesto largo, para além do jardim do Luxemburgo, François indicava as instituições, os liceus, as Escolas superiores, as Faculdades de direito e de medicina, o Instituto com as suas cinco Academias, as inúmeras bibliotecas  e museus, todo este território do trabalho intelectual que ocupa um vasto campo deste Paris imenso.”  

…………………….

3 Eça de Queiroz (1845-1900) A Cidade e as Serras Livraria Chadron de Lello & Irmão editores, Porto 1901

Toda a zona é do ponto de vista urbano, dominada pela presença da igreja de Santa Genoveva – Panteão (Sainte-Geneviève / Panthéon), durante mais de um século o ponto mais alto de Paris (até à construção da Torre Eiffel em 1889).

O Percurso

Façamos um percurso de sul para norte assinalando os principais edifícios que se situam no boulevard Saint Michel ou nas suas imediações.

O Observatório

sn191Francisque  Millet (1642–1679) L'Observatoire, vu de la Butte aux Cailles c. 1710 óleo sobre tela 132 x 185,5 cm. Musée Carnavalet, Paris

sn169Alexis Hubert Jaillot (c. 1632- 1712) detalhe de Nouveau Plan de la Ville et Faubourgs de Paris par le S.r Jailiot Geographe Ordinaire du Roi de l’Académie Royale des Sciences et Belles Lettres d’Angers, A Paris Chés l’Auteur Quai et a Côté des Grands Augustins Avec le Privilége du Roi M.DCC.LXXV (1775)

O Observatório de Paris de 1667, projectado por Claude Perrault (1613-1688), foi dirigido por Jean-Dominique Cassini (1625-1712), a quem sucederam o seu filho, neto e bisneto. Está colocado exatamente no Meridiano de Paris definido nesse mesmo ano, pela Academia Real das Ciências fundada em 1666. O meridiano de Paris entra em disputa com o meridiano de Greenwich cujo Observatório, projectado por Christopher Wren (1632-1723), data de 1675, para saber qual seria considerado o primeiro meridiano, decisão com consequências para a definição da Hora e da Longitude, o que importava para a navegação e o comércio.

Na Conferência Internacional do Meridiano, realizada em 1884 em Washington, foi escolhido pela maioria dos países participantes o meridiano de Greenwich como o primeiro meridiano. No entanto a França manteve até à segunda década do século XX o meridiano de Paris para a sua cronometragem e navegação.

O Observatório de Paris e o Meridiano na planta de Verniquet, aliás a primeira planta rigorosa da capital de França e feita a partir do Observatório e do meridiano.sn1Edme Verniquet (1727-1804) Detalhe de Plan de la Ville de Paris avec sa nouvelle enceinte Levé Géometriquement sur la Méridienne de l’Óbservatoire par le C.[itoy] en  Verniquet, Parachevé en 1791

Esta disputa entre meridianos é referida por Jules Verne no seu romance Vinte Mil Léguas Submarinas publicado em 1871. Aronnax, o narrador pretende saber a nacionalidade do capitão Nemo, e pergunta qual o meridiano que este utiliza:

“Là, le capitaine fit son point et calcula chronométriquement sa longitude, qu’il contrôla par de précédentes observations d’angles horaires. Puis il me dit:

“Monsieur Aronnax, nous sommes par cent trente-sept degrés et quinze minutes de longitude à l’ouest...

– De quel méridien? demandai-je vivement, espérant que la réponse du capitaine m’indiquerait peut-être sa nationalité.

– Monsieur, me répondit-il, j’ai divers chronomètres réglés sur les méridiens de Paris, de Greenwich et de Washington. Mais, en votre honneur, je me servirai de celui de Paris.” 4

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4 JulesVerne (1828-1905) Vingt mille lieues sous les mers Illustré de 111 dessins par de Neuville et Riou, graves par Hildibrand. Bibliothèque d’Éducation et de Récreation, Hetzel et C.ª 18 rue Jacob, Paris 1871

Tradução: “Então, o capitão calculou cronometricamente a longitude com prévias observações dos ângulos horários. Depois disse-me: “ Senhor Aronnax, estamos a cento e trinta e sete graus e quinze minutos de longitude a oeste…

- De qual meridiano? Perguntei vivamente, esperando que a resposta do capitão talvez me indicasse a sua nacionalidade.

- Senhor, respondeu-me ele, tenho diversos cronómetros regulados para os meridianos de Paris, de Greenwich e de Washington. Mas, em sua honra, vou servir-me do de Paris.”

O Observatório provocará a abertura da avenida do Observatório, seguindo o traçado do meridiano e prolongando-se até ao Jardim do Luxemburgo (o qual será tratado na V Parte – Parques e Jardins).

sn29Achille-Etna Michallon (1796-1822) l’Observatoire 1817, Lavis à l'encre brune ; 9,1 x 13,7 cm. Bibliothèque nationale de France

sn7Detalhe de Plan de la Ville de Paris divisé en 12 Arrondissements et 48 Quartiers, Indiquant tous les Changements faits & Projetés Dressé par X. (Xavier) Girard, Géographe des Postes, Paris Chez J.Goujon et J. Andriveau, éditeur rue du Bac n.º17 près du Pont Royal 1843

sn13O Observatório na planta de 1870

sn31Frederick Nash (1782-1856) L'Observatoire 1829, Dessin à la plume et lavis à l'encre brune, rehauts d'aquarelle ; 8,2 x 14,1 cm. Bibliothèque nationale de France

Em 1846/47 o arquitecto Alphonse-Henri Guy de Gisors (1796-1886) acrescenta uma nova cúpula à torre com uma luneta que contudo, apenas é utilizada alguns anos depois.

sn26Observatoire in Adolphe Joanne The Diamond Guide For The Stranger in Paris, L. Hachette and Cª. Boulevard Saint Germain 77, Paris 1867

A Fonte das Quatro Partes do Mundo (fonte Carpeaux ou fonte do Observatório)

No segundo Império entre 1867 e 1874, é construída junto ao Observatório, a fonte das Quatro Partes do Mundo, concebida por Gabriel Davioud (1823-1881). Nela colaboraram Jean-Baptiste Carpeaux (1827-1875) que é o autor das quatro figuras femininas representando a África (uma negra), a América (uma ameríndia), a Ásia (uma chinesa) e a Europa (uma branca), que suportam o Globo. Com a morte de Carpeaux é Emmanuel Frémiet (1824-1910) que termina a fonte esculpindo os oito cavalos, os golfinhos e as tartarugas do tanque.

sn127Fontaine de l’Observatoire in Felix Narjoux Paris Monuments élevés par la Ville 1850-1890, Édifices Décoratifs Paris 1890

sn146A Fonte das Quatro partes do Mundo num postal do início do século XX

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A fonte nas plantas de 1870 e 1894

A École des Mines

No lado poente do boulevard, encontra-se a École des Mines, instalada desde 1816 no antigo Hôtel de Vendôme, um edifício do início do século XVIII, situado na então rue de l’Enfer.

O edifício no século XVIII

sn130bAugustin-Charles d' Aviler (1653-1701), Cours d'architecture qui comprend les Ordes de Vignole, avec des commentaires, , les figures & les descriptions de ses plus beaux bâtimens, & de ceux de Michel-Ange, des instructions et des preceptes, & plusieurs nouveaux desseins concernans la distribution & la décoration, la matière & la construction des édifices, la maçonnerie, la charpenterie, la couverture, la serrurerie, la menuiserie, le jardinage, & géneralement tout ce qui regarde l'art de bastirpar le Sieur C.A. D’Aviler, Architecte Paris, Chez Jean Mariette, rue de S. Jacques, aux Colonnes d’Hercules M.DCC.XXXVIII (1738) ETH-Bibliothek Zürich

sn200Gotrot Detalhe do "Plan de Paris dédié à M. le marquis de Savine, gouverneur de Paris, officier de la gendarmerie, par son très humble et tres obbeissant serviteur Gotrot" c.1775 cor 78,5 x 93 cm. Bibliothèque Royale de Belgique

sn226aAlexis Hubert Jaillot (c. 1632- 1712) detalhe de Nouveau Plan de la Ville et Faubourgs de Paris par le S.r Jailiot Geographe Ordinaire du Roi de l’Académie Royale des Sciences et Belles Lettres d’Angers, A Paris Chés l’Auteur Quai et a Côté des Grands Augustins Avec le Privilége du Roi M.DCC.LXXV (1775)

sn227Detalhe do Plan de Paris en 1839 avec Le Tracé de ses Anciennes Enceintes; augmenté de tous les changements survenus jusq’à ce jour, par Ambroise Tardieu, membre de la Comission centrale de la Société de Géographie de Paris Furne et C.ie Editeurs à Paris , 55 rue S.t André des Arts

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sn228aDetalhes do Plan Géometral de la Ville de Paris  par X. [Xavier] Girard, Géographe des Postes, publié par J. Andriveau, éditeur rue du Bac n.º17 près du Pont Royal 1845

No Segundo Império, com a abertura do boulevard Sébastopol (Saint-Michel), o edifício foi aumentado com um novo andar e foram construídos anexos em 1867.sn36Vue de la façade principale et des batiments neufs de l’École Impériale des Mines in Paris Nouveau Illustré 1864-1872 Journal périodique publié par l'Illustration impr. de E. Martinet (Paris)

A localização e implantação em 1870 e em 1894

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A igreja de Saint-Jacques du Haut-Pas

Em frente, do outro lado do boulevard, Saint-Jacques du Haut-Pas, uma igreja do século XVII (1630-1684), erguida sobre igrejas anteriores.

sn168Alexis Hubert Jaillot (c. 1632- 1712) detalhe de Nouveau Plan de la Ville et Faubourgs de Paris par le S.r Jailiot Geographe Ordinaire du Roi de l’Académie Royale des Sciences et Belles Lettres d’Angers, A Paris Chés l’Auteur Quai et a Côté des Grands Augustins Avec le Privilége du Roi M.DCC.LXXVII

sn200bGotrot Detalhe do "Plan de Paris dédié à M. le marquis de Savine, gouverneur de Paris, officier de la gendarmerie, par son très humble et tres obbeissant serviteur Gotrot" c.1775 cor 78,5 x 93 cm. Bibliothèque Royale de Belgique

sn253Saint-Jacques du Haut Pas in  Adolphe Joanne (1813-1881). Paris illustré en 1870 et 1876. Guide de l'étranger et du Parisien, par Adolphe Joanne, contenant  442 vignettes dessinées sur bois, un plan de Paris et quatorze autres plans et  un appendice pour 1876. 3e édition. Librairie Hachette et C.ª, boulevard Saint-Germain, 79 Paris 1876.

sn229Planta de 1870

A igreja de Santa Genoveva (Panteão)

A igreja de Santa Genoveva sucessivamente ou transformada em Panteão ou regressando ao seu estatuto de igreja, resume bem o século XIX francês desde a Revolução Francesa até à Terceira República.

A sua fundação deve-se a Luís XV (1710-1774), que adoecendo em Metz, fez a promessa de construir uma igreja dedicada a Santa Genoveva, segundo um projecto de Jacques-Germain Soufflot (1713-1780), substituindo a velha igreja em ruínas.

Em 1757 o Marquês de Marigny apresenta ao Rei o Plan général de l'église de Sainte-Geneviève, reproduzido num álbum constituído por 6 estampas: implantação, planta, alçado principal, corte transversal, alçado lateral e perspectiva. 5

sn235Jacques-Germain Soufflot (1713-1780), Plan général de l'église de Sainte-Geneviève

Na planta orientada no sentido sul/norte, era projectada uma praça a poente da igreja e uma rua que se prolongava até aos jardins do palácio do Luxemburgo.

sn235aJacques-Germain Soufflot (1713-1780),  Plan de la Nouvelle Église de S.te Geneviève

sn235bJacques-Germain Soufflot (1713-1780), Elevation de la Nouvelle Église de S.te Geneviève

sn235cJacques-Germain Soufflot (1713-1780), Coupe en travers de la Nouvelle Église de S.te Geneviève

sn235dJacques-Germain Soufflot (1713-1780), Elevation Laterale de la Nouvelle Église de S.te Geneviève

sn235eJacques-Germain Soufflot (1713-1780), Vue de la Nouvelle Église de S.te Geneviève

Ao fundo à esquerda a igreja de Saint-Étienne-du-Mont (ver adiante).

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5 Jacques Germain Soufflot (1709-1780); Jérôme-Charles Bellicard (1726-1786) gravador, Plan général de l'église de Sainte-Geneviève, de la place & de la rüe au devant , suivant le dernier projet présenté au Roy par Mr le Marquis de Marigny, approuvé par Sa Majesté le 2 mars 1757, inventé et dessiné par J. G. Soufflot, A Paris chez J. C. Bellicard Inspecteur des Batimens du Roy, au Palais du Luxembourg, 1757, álbum com 6 água-forte abertas a buril, 25 x 35 cm. Bibliothèque nationale de France

A primeira pedra foi colocada por Louis XV, em 1764, sendo construída para a cerimónia um cená rio reproduzindo à escala natural, o pórtico da entrada.sn151aPierre-Antoine Demachy Colocação da primeira pedra da igreja de Sainte-Geneviève 6 de setembro 1764, 1765 óleo sobre tela 81 x 129 cm. Museu do Carnavalet Paris

No quadro vê-se a falsa fachada construída para a ocasião, em tela e madeira e à escala natural (1:1). Ao fundo à esquerda a igreja de Saint-Étiènne au Mont.

sn201Louis-Charles Desnos (1725-1805) Detalhe do Nouveau plan de Paris divisé en ses vingt quartiers, Fauxbourgs et environs, orné des vues de Versailles et autres Maison Royales avec la description particulière de chacune de ces Maisons 1768 , plano gravado a buril e água-forte, coloridas a verde as zonas de jardim e do rio, Chez Desnos Ingenieur Géographe pour les Globes et Spheres Paris 1768

sn213Premier projet de Soufflot (1757) Fronton de Coustou (Musée Carnavalet)

A cúpula ainda não está elevada da colunata. No topo Santa Genoveva segurando uma cruz. Na base da cúpula os quatro evangelistas.

sn236 No frontão com um baixo-relevo de Guillaume Coustou (1716-1777) estava representada uma cruz raiada ladeada por anjos e querubins.

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Toda a igreja era francamente iluminada por numerosas janelas.

Em 1779, a igreja estava concluída, mas as colunas que suportavam a cúpula não garantiam a sua estabilidade, pelo que os andaimes não foram sequer retirados. Soufflot, foi então veementemente criticado, em particular pelo prestigiado Pierre Patte (1723-1814). 6

Patte, inicia a sua Memoire, de 38 páginas e dois desenhos, afirmando que “Quelque peu vraisemblable qu’il soit que l’on ait entrepris une Coupole aussi importante que celle de la nouvelle Eglise de Sainte Geneviève, sans avoir donné à ses principaux supports les proportions convenables pour assurer sa solidité, c’est ce dont il ne sera gueres permis de douter après la lecture de ce Mémoire.” 6*

De seguida, fundamenta a sua crítica nos cálculos então possíveis, dando como exemplos as cúpulas de Paris, das igrejas da Sorbonne, de Val-de-Grace, e dos Inválidos e ainda S.Paulo de Londres e S. Pedro de Roma (de que apresenta um desenho comparativo das respectivas plantas da cúpula).

sn237aPierre Patte (1723-1814), Plans des Piliers des Principaux Dômes en Parallele, servant a prouver l’insuffisance de ceux qui doivent porter la Coupole de l’èglise de S.te Geneviève, in Mémoire sur la construction de la coupole projettée pour couronner la nouvelle église de Sainte-Geneviève à Paris … 1770

E Patte concluiu: “ Ainsi, de quelque façon que l’on veuille considérer l’exécution de la coupole promise au centre de l’Eglise de Sainte Génevieve, il seroit difficile de la justifier; la pratique & la théorie, les exemples mis en parallele, & les démonstrations Mathématiques  s’accordent à prouver que les piliers déjà élevés sont d’une disproportion trop manifeste pour la porter; qu’ils se déroberont  de tous cótés dans le bas à son poids & à sa poussée…” 6**

sn237Pierre Patte (1723-1814), Règles pour les proportions d’une coupole… la Coupole de l’èglise de S.te Geneviève, in Mémoire sur la construction de la coupole projettée pour couronner la nouvelle église de Sainte-Geneviève à Paris … 1770

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6 Mémoire sur la construction de la coupole projettée pour couronner la nouvelle église de Sainte-Geneviève à Paris /ou il est question de prouver que les Pilliers déjà exécutés & destinés à porter cette Coupole, n’ont point les dimensions necessaires pour espérer d’y élever un sembleble Ouvrage avec solidité. /Problesme adressée à toutes les sociétés savantes, /aux Ingénieurs, aux Architectes /Et à ceux qui se connaissent en construction, A Amsterdam, Et se trouve a Paris, Chez P.Fr. Gueffier, au bas de la rue de la Harpe M DCC LXX ( 1770)

* tradução: “Por mais inverosímil que seja que se tenha empreendido a construção de uma Cúpula tão importante como a da nova Igreja de Santa Genoveva, sem ter dado aos seus principais suportes as proporções convenientes para assegurar a sua solidez, é o que não será mais permitido duvidar depois da leitura desta Memória.”

** tradução: “Assim, qualquer que seja a maneira de considerar a execução da cúpula prometida para o centro da Igreja de Santa Genoveva, será difícil justifica-la; a prática & a teoria, comparados os exemplos, & as demonstrações Matemáticas, conduzem a provar que os pilares já erguidos são de uma desproporção manifesta para a segurar; que eles se desmoronarão pelo seu peso & a sua força…”

Soufflot pouco tempo depois falecia, e é o seu colaborador Jean-Baptiste Rondelet (1743-1829) 7  que é encarregado de encontrar uma solução para o problema, o que consegue construindo novos e pesados pilares que sustentam a cúpula. Depois de várias alterações ao projecto, a igreja é concluída em 1789.

sn215Atelier de Jacques-Germain Soufflot (1713-1780) Projet pour l'église Sainte-Geneviève. Elévation de la façade c.1760 encre noire, lavis, plume (dessin) 43 x 48,5 cm. bibliothèque de l'INHA, Paris

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Gravuras de François Noël Sellier (1737-?) d’après Jacques-Germain Soufflot (1713-1780) Façade de la nouvelle église de Sainte-Geneviève de Paris e Louis Gustave Taraval (1739-1794) d’après Jacques-Germain Soufflot (1713-1780) Façade de la nouvelle église de Sainte-Geneviève de Paris avec le Dôme à colonnade circulaire In "Oeuvres de Jacques-Germain Soufflot. Chevalier de l'ordre du roi, architecte de sa majesté...". 1776 gravuras em cobre 57 cm. x ?  bibliothèque de l'INHA

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Jean-Baptiste Rondelet responde a Patte com Doutes raisonnables d'un marguillier de la paroisse de S.-Étienne-du-Mont sur le problème de M. Patte,... concernant la construction de la coupole de l'église de Sainte-Geneviève Paris : Jombert fils, Paris 1770 e irá em 1797 resumir a sua intervenção em Mémoire historique sur le dôme du Panthéon français, divisé en quatre parties: La Ire contient la description de ce Monument, La IIe le détail historique et raisonné de sa construction. Dans la IIIe Partie on examine si les murs et points d'appuis du Dôme ont les dimensions nécessaires pour résister aux efforts qu'ils ont à soutenir. La IVe Partie contient le détail exact de tous les accidens qui se sont manifestés aux piliers du Dôme , les causes de ces accidens, et les divers moyens proposés pour les réparer. Par J. Rondelet, Architecte, ex -Commissaire des Travaux publics , et Membre du Conseil des Bâtimens civils. A Paris, Chez Du Pont, Imprimeur - Libraire, rua de la Loi, N.º 1231 An V. — 1797.

Rondelet é ainda o autor do Traité Théorique et Pratique de l’Art de Bâtir par J. Rondelet,Architecte du Panthéon Français et Membre du Conseil des batiments Civils auprès du Ministre de l’Intérieur, Chez l’auteur, Enclos du Panthéon na XII – MDCCCIV, e um dos criadores com Gaspard Monge (1746-1818) da École Centrale des Travaux Publics, de que se torna em 1795 a École Polytechnique, situada precisamente por detrás do Panteão.

sn236aDesenho de Jean Jacques Lequeu (1757-1825 e gravura de  Claude René Gabriel Poulleau (1749-17..), Vue de l'église de Sainte Geneviève, na legenda  INCLYTIS  J. G. SOUFFLOT REG II ARCHITECTI MANIBUS, M DCC LXXXI, A Paris chez M. Dumont, professeur d'architecture rue des Arcis, m.on du Commissaire  Bibliothèque nationale de France

sn200aGotrot Detalhe do "Plan de Paris dédié à M. le marquis de Savine, gouverneur de Paris, officier de la gendarmerie, par son très humble et tres obbeissant serviteur Gotrot" c.1775 cor 78,5 x 93 cm. Bibliothèque Royale de Belgique

sn167Alexis Hubert Jaillot (c. 1632- 1712) detalhe do Nouveau Plan de la Ville et Faubourgs de Paris par le S.r Jailiot Geographe Ordinaire du Roi de l’Académie Royale des Sciences et Belles Lettres d’Angers, A Paris Chés l’Auteur Quai et a Côté des Grands Augustins Avec le Privilége du Roi M.DCC.LXXVII

A igreja de Santa Genoveva torna-se o Panteão

 “ La historia, no la piedra, es el panteón de los grandes hombres.” 8                                                                                                                ___________  

8 Roque Barcia (1821-1885) Paseo por Paris / Retratos al natural por Don Roque Barcia, Imprenta de Manuel Galliano Plaza de los Ministerios 2. Madrid 1863. Tradução: “A história e não a pedra é o panteão dos grandes homens” 

sn57Autor desconhecido Panthéon, 179? dessin : crayon, lavis d'encre brune ; 16,8 x 22,2 cm. Bibliothèque nationale de France

Em 1791 a Assembleia Constituinte decreta que a igreja se torne o Panteão de França. O Decreto de 4 de Abril de 1791 diz:

“Article Premier – Le nouvel édifice de Sainte-Geneviève sera destine à recevoir les cendres des grands hommes de l’époque de la liberte française. Art. 2 – Le corps législatif décidera seul à qui cet honneur sera décerné. Art. 3 – Honoré Riquetti Mirabeau est jugé digne de recevoir cet honneur. Art. 4 – La législature ne pourra a l’avenir décerner cet honneur à un de ces membres venant à déceder; il ne pourra être déféré que par la législature suivante. Art.5 – Les exeptions qui pourront avoir lieu pour quelques grands hommes morts avant la Révolution ne pourront être faites que par le corps législatif. Art.6 – Le Directoire du Département de la Seine será charge de mettre promptement l’édifice de Sainte-Geneviève en état de remplir sa nouvelle destination et fera graver au-dessus du fronton, ces mots: “Aux grands hommes, la patrie reconnaissante”. Art.7 – En attendant que la nouvelle église Sainte-Geneviève soit achevé, le corps de Riquetti Mirabeau sera déposé à côté des cendres de Descartes dans le caveau de l’ancienne église.” 9

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9 tradução: Artigo primeiro – O novo edifício de Santa Genoveva será destinado a receber as cinzas dos grandes homens da época da liberdade francesa. Art. 2 - Só o corpo legislativo decidirá a quem esta honra será atribuída. Art. 3 - Honoré Riquetti Mirabeau é considerado digno de receber esta honra. Art. 4 – A legislatura não poderá de futuro atribuir esta honra a um dos seus membros que tenha falecido; apenas poderá ser atribuída na legislatura seguinte. Art. 5 – As excepções que poderão vir a ter lugar para alguns grandes homens mortos antes da Revolução apenas poderão ser feitas pelo corpo legislativo. Art. 6 – O Directório do Departamento do Sena será encarregado de adaptar rapidamente o edifício de Santa Genoveva ao seu novo destino e fará gravar sob o frontão estas palavras: “Aos grandes homens, a pátria reconhecida”. Art. 7 – Enquanto a nova igreja de Santa Genoveva não estiver acabada, o corpo de Riquetti Mirabeau será depositado ao lado das cinzas de Descartes na cave do antigo edifício.

Antoine-Chrysostome Quatremère de Quincy (1755-1849) então Comissário para a Instrução Pública, é encarregado por um Decreto da Constituinte de 4 de Abril de 1791 da transformação da igreja de Santa Genoveva no Panteão francês, de que se vai ocupar até 1794.

Quatremère no seu Rapport au Directoire  10 (que irá actualizar sucessivamente até 1794) faz inicialmente a descrição da igreja, tal como se apresentava em 1791, a que se segue uma segunda parte sobre as finanças do edifício sob a administração da Igreja e do Município.

Numa terceira parte, De l’état futur de l’édifice dit de Sainte-Geneviève, Quatremère de Quincy, numa primeira medida, propõe a distinção clara entre o edifício destinado ao culto religioso e o destinado ao culto da Pátria, considerando que eles não podem coabitar. A segunda medida, indica um conjunto de designações para o edifício, entre as quais a de Panteão, que será a adoptada. A terceira medida e a mais importante é a criação de uma nova decoração, coerente com a frase proposta pela Convenção “Aos grandes homens, a Pátria reconhecida”, que propõe seja inscrita no friso sob o frontão, em letras de bronze aplicadas sobre a pedra. O frontão “que tem um baixo-relevo, composto de uma cruz radiante adorada por anjos colocados sobre nuvens”  será liberto da insípida amálgama de nuvens, de anjos & de raios que apenas ofuscam a razão”, e Antoine Quatremère propõe uma figuração, dedicada à Pátria, de que  encarregará Jean-Guillaume Moitte (1746-1810).

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10 Quatremère de Quincy, Antoine (1755-1849). Extrait du premier rapport présenté au Directoire, dans le mois de mai 1791, sur les mesures propres à transformer l'église dite de Sainte-Geneviève, en Panthéon français, De l'Imprimerie de Ballard, Imprimeur du Département de Paris, rue des Mathurins, Paris 1792

sn149Nicolas Marie Joseph Chapuy (1790-1858) Vue de l'église Sainte-Geneviève, Panthéon français Sépulture destinée aux mânes des Grands Hommes et des Dignitaires de l’Empire, 1810 Versailles, châteaux de Versailles et de Trianon

Para o remate da cúpula, Quatremère de Quincy propõe “uma estátua colossal”, figurando, por escolha do Directório, ou a Liberdade ou a Fama, considerando esta a mais apropriada para este templo da glória”.

Pierre Machy pinta uma aguarela do Panteão segundo a proposta escrita de Quatremère de  Quincy em que se destaca no cimo a estátua da Fama (Renommée) com a sua trombeta.

sn208 Pierre-Antoine de Machy (1723-1807) 17..  Le Panthéon, Dessin à la plume et encre de Chine, aquarelle ; 21,5 x 32,6 cm. Bibliothèque nationale de France

Esta escultura da Renommée de Claude Dejoux (1731-1816), apenas foi moldada em gesso, desenhada em 1808 por Charles-Pierre Landon.

sn239  Charles-Pierre Landon (1760-1826), La Renommée de Claude Dejoux 11

O desenho é acompanhado pelo seguinte comentário: “ Le modèle de cette figure, de vingt-sept pieds de proportion , a été fait pour le couronnement de la coupole du Panthéon, et devait être coulé en bronze. Nous ignorons si la nouvelle destination de ce temple,
rendu au culte catholique , influera sur l'exécution de la statue; mais dans tous les cas, nous avons cru faire une chose agréable aux amis des arts, en leur transmettant l'esquisse d'un monument qui jusqu'à ce jour n'a été visible que dans l'atelier de l'artiste. Aucun autre en France n'en a projeté d'une dimension aussi colossale. Il est probable que placée à son véritable point de vue elle produirait beaucoup d'effet.”
12

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11 e 12 Desenho e texto de Charles-Pierre Landon, in Annales du Musée et de l'école moderne des beaux-arts. Salon de 1808, Recueil de morceaux choisis parmi les ouvrages de peinture et de sculpture exposés au Louvre le 14 octobre 1808, et autres productions nouvelles et inédites de l'Ecole française; gravés au trait, avec l'Explication des sujets, et  quelques Observations sur le mérite de leur exécution.
Par C. P. Landon, Peintre, ancien Pensionnaire de l'Académie de France à Rome, membre de plusieurs Sociétés savantes et littéraires. A Paris, Chez C. P. Landon, Peintre, rue de l’Université, n.° 19, vis-à-vis la rue de Beaune. De l’Imprimerie des Annales du Musée, 1808

12 tradução: “o modelo desta figura de 27 pés de proporção foi feito para o coroamento da cúpula do Panteão e deveria ter sido passado a bronze. Ignoramos se o  destino deste templo regressado ao culto católico [com Napoleão] a execução da estátua; em todo o caso, consideramos ter feito algo de agradável aos amigos das artes, revelando o esquiço do monumento que até aos nossos dias é apenas visível no atelier do artista. Nenhum outro foi projectado em França com uma dimensão tão colossal. É provável que visto quando no seu lugar produza um efeito grandioso.”

Todo este Programa destinava-se a transformar Santa Genoveva num templo civil criando o ambiente solene e austero dos templos antigos (em particular do Panteão Romano), para o qual Quatremère propõe o encerramento das janelas laterais no sentido de valorizar a iluminação zenital e indirecta, de maneira que “o interior recebendo menos luz natural, terá um carácter mais sério, & a iluminação zenital, espalhará sobre os monumentos & sobre a arquitectura uma luz mais favorável, mais conveniente ao silêncio religioso do local.

Para o interior, Quatremère de Quincy, para substituir as referências aos símbolos religiosos, propõe “adoptar de preferência, na decoração do vosso panteão filosófico, os atributos  & os emblemas dessa religião verdadeiramente universal, à qual todos os povos devem aderir. Esta religião é a moral.”

O Relatório de Quincy 13, termina com a apresentação de um faseamento das obras a executar e com um rigoroso orçamento das despesas necessárias.

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13  Rapport sur l'édifice dit la Nouvelle Sainte-Geneviève, fait au Directoire du département de Paris par M. Quatremère-Quincy (Paris, Imprimerie Royale, 1791, a que segue um Extrait em 1792 e outros relatórios de 1792 e 1793. (Paris, Imprimerie de Ballard, s.d.). Nota - Todos os sublinhados são da minha autoria R.F.

Em 1793 Antoine Quatremère de Quincy, escreve um outro Rapport, 14 dando conta dos trabalhos já realizados na adaptação de Santa Genoveva a Panteão. Assim descreve pormenorizadamente o segundo frontão, de Jean-Guillaume Moitte (1746-1810), concluído  em 1793, tendo por tema a Pátria, “a divindade principal do templo” coroando a Virtude que “ …com o seu ar tímido, o seu porte modesto, o artista quis mostrar que a verdadeira virtude contenta-se por merecer as recompensas; não as solicita mas não foge delas…”, e o Génio contrastando, com o seu “…ar, a sua atitude & toda a expressão da figura anunciam a audácia, & este desejo de glória & esta ambição de recompensas que são o alimento do Génio.”

sn149Nicolas Marie Joseph Chapuy (1790-1858) Vue de l'église Sainte-Geneviève, Panthéon français Sépulture destinée aux mânes des Grands Hommes et des Dignitaires de l’Empire, 1810 Versailles, châteaux de Versailles et de Trianon

sn149a

Quatremère descreve então o conjunto das transformações exteriores e interiores já realizados ou a realizar no Panteão, e termina este seu Relatório com um conjunto de reflexões sobre o que pensa deverá ser o Panteão, a sua funcionalidade, arquitectura e decoração.

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14 Antoine Quatremère de Quincy,  Rapport fait au Directoire du département de Paris : sur les travaux entrepris, continués ou achevés au Panthéon français depuis le compte-rendu le 17 novembre 1792 , &  sur l'état actuel du monument, le deuxième jour du second mois de l'an 2 de la République française, une & indivisible. Imprimé par ordre du Directoire. A Paris De l’Imprimerie de Ballard, Imprimeur du Département de Paris, rue des Mathurins 1793

A transformação da igreja em panteão, tem por isso uma particular carga ideológica. Trata-se de esvaziar um templo - dedicado a Santa Genoveva, a padroeira de Paris - das suas conotações religiosas, retirando as figurações da Igreja, para o transformar no templo da Revolução e da República, onde se depositarão os “santos” revolucionários 15 e o Panteão será então un temple où tout sera dieu, excepté Dieu même”. 16

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15 No elogio fúnebre de Marat é dito: “Comme Jésus, Marat aima ardemment le peuple et n’aima que lui. Comme Jésus, Marat détesta les rois, les nobles, les prêtres, les riches, les fripons et comme Jésus, il ne cessa de combattre ces pestes de la société.” tradução: “Como Jesus, Marat amou ardentemente o povo, e apenas ele. Como Jesus, Marat odiou reis, nobres, sacerdotes, ricos, vilões e, como Jesus, ele nunca parou de lutar contra estas pragas da sociedade.”

16   “um templo onde tudo será deus, excepto o próprio Deus”  Pétition à l’Assemblé Nationale relative au Transport de Voltaire (julliet 1791), in Jean-François Eugène Robinet  (1825-1899) Le Mouvement Religieux à Paris pendant la Révolution, Maison Quantin, 7 rue Saint-Benoit, Paris 1896

sn221Jean-Baptiste Hilair (1753-1822?) Panthéon Français 1794-1795, Plume et encre de Chine, aquarelle ; 25 x 37,7 cm. Bibliothèque nationale de France,

As  dificuldades dos primeiros grandes homens a serem transportados para o Panteão

Mirabeau

Mirabeau 17 morre em 1791 e é o primeiro a ser sepultado no Panteão, por determinação do Decreto que cria o Panteão (ver atrás o artigo 7º do decreto da criação do Panteão) mas como o edifício ainda não se encontra acabado as suas cinzas são depositadas na cripta.

Uma grandiosa cerimónia foi organizada terminando com um cortejo fúnebre que percorre Paris até ao Panteão, cortejo descrito nas suas Mémoires, pelo general Bon Thiébault, que o presenciou:

“Jamais funérailles ne furent plus imposantes. Paris entier était sur pied, et si tous ses habitants ne suivirent pas le convoi de l'illustre orateur, c'est que, pour le voir il ne fallait pas en faire partie, encore une foule de personnes, après l'avoir vu passer, se réunirent-elles à cette longue et interminable colonne mortuaire; l'Assemblée constituante en masse, toutes les autorités, tous les fonctionnaires, les sociétés populaires, des personnages de la cour, la garde nationale et des milliers de citoyens, tous marchaient confondus dans une même désolation, car tous, avaient espéré en cet homme immense pour qui le Panthéon parut être la seule sépulture dont il fût digne” 18

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17 Honoré Gabriel Riquetti, conde de Mirabeau (1749-1791) o “tribuno do povo”.

18 Paul Charles François Adrien Henri Dieudonné Thiébault (1769-1846), Mémoires du General Bon Thiébault, Publiés sous les auspices de sa fille Mlle Claire Rhiébault d’après le manuscrit original par Fernand Calmettes, v.I 1769-1799, Librairie Plon, E. Plon, Nourrit et Cie, Éditeurs-Imprimeurs, rue Garancière 10, Paris 1894

tradução: “ Nunca funerais tão imponentes. Todo Paris estava presente e se nem todos os habitantes seguiram o cortejo do ilustre orador, na verdade para o ver não era necessário nele tomar parte, e um multidão, depois de o ver passar, reuniram-se a essa longa e interminável coluna funerária; a Assembleia constituinte em massa, todas as autoridades, todos os funcionários, as sociedades populares, personagens dos tribunais, a guarda nacional, e milhares de cidadãos, todos caminhavam comungando da mesma desolação, já que todos, tinham depositado esperanças neste homem imenso para quem o Panteão parecia ser a única sepultura de que ele fosse digno.”

sn188aPompe funèbre du convoi de Mirabeau : aux grands hommes la nation reconnaissante Place Sainte-Geneviève 1791 eau-forte, col. ; 29 x 50 cm. Bibliothèque nationale de France

Jacques Delille, num longo poema L’Imagination, levanta a questão do novo templo revolucionário “o fresco Panteão”, sem memória e sem passado, pouco significar em comparação com a antiga abadia, e quase prevê o que se passará com as cinzas de Mirabeau:

“…Et ce lieu de l'offrande où de pieux tributs
Rachetaient les forfaits, suppléaient les vertus
Tout cet asile enfin, séjour de pénitence,
D'orgueil, de pieté, de savoir, d’ ignorance,
Dit plus dans ses débris que ce frais Panthéon,
Enfant sans souvenir, antique par son nom,
Où la voix du passé ne se fait point entendre,
Et qui, n'ayant rien vu, n'a rien à nous apprendre,
Ou m’instruit à regret qu’outrageant le tombeau,
Toute la France en pompe y cacha Mirabeau…” 
19

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19 Jacques Delille (1738-1813) L’ Imagination, poème en huit chants, Chant IV  in Oeuvres de J. Delille, avec les notes de Delille, Choiseul-Gouffier, Parseval-Grandmaison, Féletz, Descuret, Aimé-Martin, etc. Tome I, Chez Lefèvre, Éditeur rue de l’Éperon 6, Paris 1844

E de facto, Mirabeau, com a descoberta dos seus contactos com Luís XVI em documentos encontrados no “armário de ferro”, cai em desgraça e o seu corpo em 1794 é retirado do Panteão e jogado na vala comum do cemitério de Clamart.

Marat

Ao mesmo tempo davam entrada no Panteão os restos mortais de Jean-Pierre Marat 20, e o seu amigo, o pintor Jacques-Louis David (1748-1825) sublinha a coincidência da retirada de Mirabeau e da entrada de Marat: “Que le vice, que l’imposture fuient du Panthéon. Le peuple y appelle celui qui ne se trompa jamais.” 21

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20 Jean-Paul Marat (1743-1793)

21 Jacques-Louis David, Discours prononcé à la Convention Nationale par... député de Paris, en lui offrant le tableau représentant Marat assassiné, 24 do brumário, ano II (14 de Novembro de 1793)

tradução: “Que o vício e a impostura fujam do Panteão. O povo clama para aí, aquele que nunca se enganou.”

Mas em 1795, Marat também é considerado como um traidor e o seu sarcófago é retirado do Panteão. Os seus restos mortais foram supostamente deitados nos esgotos de Paris, todos os seus bustos destruídos e o quadro A morte de Marat até aí na sala da Convenção é remetido para Jacques-Louis David, que o conservou até à morte. 22

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22 Ver neste blogue Marat assassiné, par Jacques Louis David de 1 de Julho 2010

Assim as personagens como Mirabeau e Marat, que aí são inicialmente sepultadas, e depois retiradas mostram a dificuldade, senão a impossibilidade, de definir, no período revolucionário, quem são: “os grandes homens [a que] a pátria [está] reconhecida”.

Bastante anos mais tarde, numa altura que o Panteão se tinha tornado de novo igreja de Santa Genoveva, Proudhon no seu Du principe de l'art et de sa destination sociale, publicado postumamente em 1865, na sua linguagem radical e panfletária, sublinha esta contradição. Ou pelo menos a indefinição da inscrição no frontão do Panteão:

“L’inscription placée sur le frontispice du Panthéon n’est pas moins sujette à critique: Aux grands hommes la Patrie reconaissante! Quoi! C’est la Patrie maintenant qui est reconnaissante envers ses hommes, envers ses enfants! J’aurais cru que ce devait être précisément le contraire: A la Patrie ses grands hommes reconnaissantes!   (…)  En supposant qu’à la suite d’une révolution nouvelle, l’eglise Sainte-Geneviève redevienne le Panthéon, je demande qu’à tout le moins cette inscription malsonante, injurieuse, soit éffacée.” 23

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23 Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865) Du Principe de l’art et de sa Destination Sociale, oeuvres posthumes de P.J. Proudhon, Librarie Internationale, A. Lacroix et C.ª Éditeurs. rue du Faubourg Montmartre Paris 1865

tradução: “A inscrição colocada no frontispício do Panteão também está sujeita a crítica: Aos grandes homens a Pátria reconhecida! O quê! É a Pátria que agora está reconhecida a esses homens, aos seus filhos! Eu pensei que deveria ser precisamente  o contrário: À Pátria os seus grandes homens reconhecido  (…)   Supondo que no seguimento de uma nova revolução, a igreja de Santa Genoveva volte a ser Panteão, peço que essa inscrição mal sonante, injuriosa, seja apagada.”

Voltaire

E são apenas os precursores da República, ou tidos como tal, Voltaire e J.J. Rousseau, porque não envolvidos directamente com o período revolucionário, que não são removidos do Panteão, mesmo quando o edifício regressa às suas funções originais de igreja. Assim, uma das primeiras cerimónias revolucionárias realizadas no Panteão, em 11 de Julho de 1791, é a deposição dos restos mortais, de François Marie Arouet Voltaire (1694-1778), treze anos após a sua morte. Trata-se então de afirmar a República e o edifício como templo laico e republicano. Quando em 1778 Voltaire faleceu, a Igreja tinha-lhe recusado o enterro religioso, acusando-o de maçon e anticlerical. Assim em 1791, realiza-se uma grande cerimónia com a trasladação dos restos mortais para Paris, a sua a exposição nas ruínas da Bastilha (onde Voltaire estivera preso) e no dia seguinte o seu transporte para o Panteão, num enorme cortejo em cuja organização participou o pintor David. No seu túmulo foi inscrito : Ses manes sont ici; son génie est par tout (As suas cinzas estão aqui; o seu génio está em todo o lado).

Das diversas imagens desse verdadeiro culto a Voltaire nos anos seguintes à Revolução Francesa, escolhemos aquelas em que figura o Panteão, que se pretende afirmar como o Templo da Revolução.

sn189Ordre du Cortege pour la Translation des Manes de Voltaire le lundi 11 Juillet 1791 Chez Basset (A Paris) 1791 eau-forte, col. ; 42 x 55 cm (élt d'impr.) Bibliothèque nationale de France

Na gravura à esquerda o Panteão com a sua inscrição, e um longo cortejo serpenteia por  dando uma ideia da enorme adesão popular. No primeiro plano o carro funerário onde se pode ler: "Il combattit les athées et les fanatiques. Il inspira la tolérance, il réclama les droits de l'homme contre la servitude de la féodalité.”  24

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24  tradução: “Combateu os ateus e os fanáticos. Inspirou a tolerância, e reclamou os direitos do homem contra a servidão do poder feudal.”

Numa outra imagem, uma aguarela de  Jean-Jacques Lagrenée, o Jovem (1739-1821) por vezes atribuída ao seu irmão mais velho Louis-Jean-François Lagrenée (1724-1805), são o Panteão e o carro funerário que dominam a composição, e à cerimónia, è atribuída um carácter solene e oficial pela presença de uma guarda de honra a cavalo.

sn303Jean Jacques Lagrenée (1739-1821), Translation de Voltaire au Panthéon français le 10 julliet  1791

Desta aguarela foi realizada uma gravura de enorme difusão.sn189bJean Jacques Lagrenée (1739-1821), Claude Nicolas Malapeau (1755-1803) e Simon-Charles Miger (1736-1820) Translation de Voltaire au Panthéon français 1795 eau-forte, burin ; 28 x 46,5 cm gravé par C.N. Malapeau, terminé au burin par S.C. Miger, d'après une aquarelle de Lagrenée, Bibliothèque nationale de France

Existe uma cópia no The Metropolitan Museum of Art New York, com a seguinte referência: Simon Charles Miger  ( 1736–1820) d’après Jean Jacques Lagrenée (1739–1821) Translation de Voltaire au Panthéon Français 1817 gravura  33,3 × 47,5 cm.

Le Triomphe de Voltaire

sn210Le Triomphe de Voltaire  11 de juin 1791, Água-forte colorida 19,5 x 24,5 cm. Bibliothèque nationale de France

A Fama sobrevoa o caminho que conduz ao Panteão, que tem inscrito, junto da sua cúpula: “Aux grands hommes la patrie reconnaissante”.

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A Fama suspensos das sua trombetas (curiosa a forma como é soprada a trombeta da mão esquerda!!), tem dois estandartes onde num se lê Journée du 21 juin e, no outro uma citação Voltaire: Un roi n’est plus qu’un homme /avec un titre auguste /Premier sujet des loix /et forcé d’être juste. ( “Um rei não é mais do que um homem/ com um título augusto/primeiro sujeito das leis/ e obrigado a ser justo.”25

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Do lado esquerdo da estampa, o busto de Mirabeau onde está inscrito Le Faux pas, e no roda-pé a legenda: Ce monstre votre idole horreur du genre humain / que votre orgueil trompé veut retablir en en vain. (“Esse monstro, vosso ídolo horror do género humano / que o vosso errado orgulho quer restabelecer em vão.” ) 25

À direita o busto de Voltaire, coroado de estrelas, tendo no pedestal a inscrição l’Homine immortel, tendo na sua base uma Lira e diversas folhas de papel. Ao fundo o Pégaso, o cavalo alado que se tornou o símbolo da imaginação poética. No roda-pé a legenda: Tous les vrais citoyens ont enfin rappellé la liberté publique / nous ne redoutons plus le pouvoir tiranique. (“Todos os verdadeiro cidadãos relembraram enfim a liberdade pública, nós não tememos mais o poder tirânico.”) 25

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25  Todas estas frases são adaptadas da mesma estrofe da tragédia Don Pedre, Roi de  Castille, de Voltaire publicada em 1755  mas nunca representada. Nela a personagem Don Pedre rei de Castela, dialoga com Transtamare, o irmão do rei e bastardo legitimado, que lhe responde:

“Acte Second, Scene III

Transtamare – Les tems sont bien changés. Vos maîtres & lés miens, / les états, le sénat, tous les vrais citoyens, / Ont enfin rappellé la liberté publique; / On ne redoute plus ce pouvoir tirannique, / Ce monstre, votre idole, horreur du genre humain, / Que votre orgueil trompé veut rétablir en vain. / Vous n’ êtes plus qu'un homme avec un titre auguste, / Premier sujet des loix, & forcé d'être juste.   

Transtamare – Os tempos estão muito mudados. Os vossos mestres & os meus/ os estados, o senado, todos os verdadeiros cidadãos / relembraram enfim a liberdade pública; / nós não tememos mais o poder tirânico. /Esse monstro, vosso ídolo, horror do género humano / que o vosso errado orgulho quer restabelecer em vão. / Vós não sois mais do que um homem com um título augusto / primeiro sujeito das leis & obrigado a ser justo.

Voltaire (1694-1778),  Don Pedre, roi de Castille , tragédie. Et autres pieces. 1775

Existe ainda uma outra versão do Triomphe de Voltaire, num quadro de Alexandre Duplessis, e que se encontra no Chateau de Ferney, que Voltaire adquiriu em 1759 e onde viveu os seus últimos 20 anos.

sn206aAlexandre Duplessis (activo na década de 1770-80) Le Triomphe de Voltaire 1774  óleo s/ tela 111 x 143 cm. Château de Ferney

A composição organiza-se numa diagonal desde o canto inferior direito (onde estão os inimigos de Voltaire) até ao canto superior esquerdo (o carro de Apolo).sn206g

Voltaire ao centro, envergando uma túnica castanha tem na mão o manuscrito, da sua obra La Henriade. 26 é apresentado por Melopomene, (a musa da tragédia com o seu bastão e a grinalda), a Apolo (com a sua lira). Por seu lado, Apolo oferece-lhe a coroa de louros dourada da Imortalidade.sn206h

Por detrás de Voltaire o Pégaso sn206c

Sob a Fama que aponta para Voltaire e soa a sua trombeta na direção do Panteão, Clio, a musa da história indica o local para onde deve ser colocado o busto de Voltaire, junto aos de Corneille, Racine e Eurípedes no Panteão em cujo frontão está inscrito  TEMPLVM MEMORIAE.

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Le Chateau de Voltaire à Ferney

No canto inferior direito um Inferno de violência e morte onde os críticos  do poeta, entre os quais Fréron e Pompignan, 27 são chicoteados pelas Fúrias.

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No lado esquerdo a família Calas agradece a Voltaire a sua intervenção decisiva para a reabilitação de Jean Calas. 28

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26  La Henriade é uma composição poética em dez cantos, de Voltaire, escrita por volta de 1717 , celebrando a Tolerância na figura do rei Henri IV (1553-1610).

27 Élie Catherine Fréron (1718-1776) e Jean-Jacques Lefranc marquês de Pompignan ou Lefranc de Pompignan (1709-1784)

28 Jean Calas (1698-1762) era calvinista como a sua família. Foi injustamente acusado de matar o filho Marc-Antoine por este se ter convertido ao catolicismo. Foi condenado à morte e executado em 1762, protestando a sua inocência. Voltaire  tomou o partido de Jean Calas e publicou no ano seguinte à sua morte o Traité sur la tolérance (Tratado sobre a tolerância), em que descreve o caso e teoriza sobre a Tolerância, contribuindo para a reabilitação de Jean Calas, decretada em 1765 por Luís XV

Existe uma gravura de A. Duplessis reproduzindo o quadro na Biblioteca Nacional de França.

sn206A. Duplessis, (17..-1…) Le triomphe de Voltaire, Bibliothèque nationale de France

Jean-Jacques Rousseau

Em 11 de Outubro 1794 é a vez de Jean Jacques Rousseau (1712-1778) ser conduzido ao Panteão.

sn187aPierre-Gabriel Berthault (1737-1831) e Abraham Girardet (1763-1823) Apothéose de J.J. Rousseau. Sa Translation au Panthéon : le 11 octobre 1794, ou 20 vendemiaire an 3.eme de la République, 1802, eau-forte, burin 24 x 29 cm. Bibliothèque nationale de France

Igreja ou Panteão ?

O Panteão com estas contradições e indefinições, sobre quem deve aí ser sepultado, torna-se com Napoleão em 1806 de novo igreja de Sainte-Geneviève, conservando no entanto as funções de panteão.

sn152Nicolle Victor-Jean (1754-1826) Vue de l'église de Sainte-Geneviève, ci-devant Panthéon français, à Paris c.1810, aquarelle 67 x 117 cm. Rueil-Malmaison, châteaux de Malmaison et Bois-Préau

sn149Nicolas Marie Joseph Chapuy (1790-1858) Vue de l'église Sainte-Geneviève, Panthéon français Sépulture destinée aux mânes des Grands Hommes et des Dignitaires de l’Empire, 1810 Versailles, châteaux de Versailles et de Trianon

Em 1823, durante o reinado de Louis XVIII (1755- 1824), foi de novo consagrada e reservada ao culto e removida a inscrição Aux grands hommes, la patrie reconnaissante, para em seu lugar ser colocada a inscrição D.O.M. Sub invocatione Sanctae Genovesae/Lud. XV dicavit, Lud. XVIII restiuit. 29

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29  Deus Todo Poderoso e Misericordioso. Sob a invocação de Santa Genoveva, Luís XV a dedicou, Luís XVIII a restituiu.

Mas com a revolução de 1830, que coloca no trono Louis-Philippe (1775-1844) o edifício torna-se de novo o Panteão. O  frontão de Moitte em ruínas é substituído por um terceiro frontão, de que se encarrega Pierre-Jean David, conhecido por David Angers (1788-1856). Entre 1834 e 1837 concretiza-se o frontão que se conservará até aos nossos dias. Volta a inscrever-se a frase: Aux grands hommes, la patrie reconnaissante.

O Frontão de David d’Angerssn211cPierre-Jean David (1788-1856) dit David d'Angers Projet d'étude du fronton du Panthéon à Paris, desenho a lápis e pena Museu Gustave Moreau

David Angers coloca  ao centro a figura da Pátria, coroando de louros todos os que a honraram e serviram. Aos seus pés a Liberdade entrelaçando as coroas e a História escrevendo em tábuas os nomes dos que tem direito ao Panteão.

sn211aÀ esquerda do lado da Liberdade, um conjunto de grandes homens: Malesherbes, Mirabeau, Monge, Fénelon, seguidos de Carnot, Berthollet e Laplace. Por detrás David, Cuvier, Lafayette, Voltaire, Rousseau e Bichat moribundo. Na extremidade alunos da Universidade.

Do lado direito, da História: soldados das diferentes armas. No primeiro plano Bonaparte estendendo a mão para receber a coroa. Por trás o pequeno tambor da batalha de Arcole (1796), André Estienne (1777-1837) e na extremidade os alunos da Escola Polititécnica.

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No friso, a frase Aux grands hommes la Patrie reconaissante

O Panteão, sempre associado ao espírito revolucionário, para além dos funerais será o local de grandes manifestações cívicas e de combates durante o século. De facto, o Panteão para além do seu carácter de templo revolucionário, ocupa uma posição estratégica em Paris. É o edifício mais alto e a sua cúpula pode ser vista de qualquer ponto da cidade, e está inserido num bairro popular e estudantil, junto de quarteirões operários, tornando-se, naturalmente, o centro dos levantamentos populares.

sn24028 Juillet 1830. Premier Rassemblement des Citoyens et des Elèves de l'école Polytechnique Place du Panthéon,  Lith. de Bichebois aîné, rue Cléry, N° 23,  lithographie colorié ; 21,5 x 30,7 cm. Bibliothèque nationale de France

Em Fevereiro de 1848 uma revolta eclode em Paris de onde resultará a proclamação da II República. Mas em Junho uma nova revolta popular e operária contra o regime, ocupa as ruas de Paris. O Panteão, quartel-general dos revoltosos, é palco de combates, sendo conquistado em 24 de Junho, na violenta repressão da revolta que ficou conhecida como as Jornadas de Junho.

sn207Émile Jean Horace Vernet (1789-1863) Barricadas na Rua Soufflot em 24 de Junho de 1848, Wikimedia Commons

Friedrich Engels descreve no dia seguinte, esta jornada do 28 de Junho de 1848. 30

“Vers midi, les abords de la place Maubert furent pris et la place elle-même cernée. A une heure, la place succombait. Cinquante hommes de la garde mobile y tombèrent! Vers le même moment, le Panthéon, après une canonnade longue et violente, était pris ou plutôt livré. Les quinze cents insurgés qui y étaient retranchés, capitulèrent - probablement à la suite de la menace de M. Cavaignac 31  et des bourgeois, écumant de rage, de livrer tout le quartier aux flammes.”

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30 Friedrich Engels, Les Journées de Juin 1848, in Neue Rheinische Zeitung,nº 29 de 29 Junho de 1848.

tradução: “Perto do meio-dia, as imediações da praça Maubert  foram tomadas e a própria praça cercada. à uma hora, a praça caía. Cinquenta homens da guarda aí morreram! Ao mesmo tempo o Panteão, depois de um longo e violento disparo de canhões, foi tomado ou melhor rendeu-se. Os mil e quinhentos insurrectos que aí se tinham refugiado, capitularam – provavelmente perante a ameaça de Cavaignac e dos burgueses, espumando de raiva, de incendiar todo o quarteirão.”

31 Louis-Eugène Cavaignac (1802-1857) o general francês encarregado de reprimir a revolta parisiense, e que depois se torna primeiro-ministro.

sn57bNicolas Edward Gabe (1814-1865) Prise du Panthéon, le 24 juin 1848, 1849, óleo sobre tela 69 x 100 cm. musée Carnavalet Paris

Nas eleições de Dezembro de 1848 Charles Louis Napoléon Bonaparte (1808-1873) torna-se presidente da República, mas em 1851 desencadeará um conjunto de iniciativas com que virá a restaurar o Império no ano seguinte, onde se assumirá como Napoleão III.

Quanto ao Panteão, por um decreto de 1851, o edifício durante o Segundo Império volta a ser a igreja de Sainte Geneviève. 32

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32 É na igreja de Santa Genoveva- Panteão que neste ano de 1851, o astrónomo Jean Bernard Léon Foucault (1819-1868) realiza a sua célebre experiência conhecida pelo Pêndulo de Foucault, para provar a rotação da Terra em torno do seu eixo.

Roque Barcia (1821-1885) no seu Paseo por Paris / Retratos al natural de 1863, salienta a contradição, durante o Segundo Império, do Panteão de novo como igreja de Santa Genoveva:

“Bastará decir en este punto que la Francia ha corrido el espacio que media entre proclamar: NO HAY DIOS, hasta celebrar misa en un altar cristiano, que está precisamente sobre las cenizas y la estatua de Voltaire. En efecto, el Panteón, ese suntuoso mausoleo que el pueblo francés ha levantado á sus grandes hombres, se habilitó hace poco para templo cristiano, y el altar en que un sacerdote católico dice misa diariamente, viene á caer sobre la tumba del más furioso de todos los enciclopedistas; es decir, sobre la tumba del más furioso de los protestantes franceses. 33

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33 Roque Barcia (1821-1885) Paseo por Paris / Retratos al natural por Don Roque Barcia, Imprenta de Manuel Galliano Plaza de los Ministerios 2. Madrid 1863.

sn98Bourrichon L'Eglise Sainte-Geneviève (Panthéon) en 1867 guide Paris-Diamant, Alfred Joanne, Collection des guides Joanne, Hachette, Paris, 1867

Findo o Segundo Império, o Panteão sofre algumas destruições na guerra franco-prussiana de 1870 e em 1871 é o quartel-general dos revoltosos da Comuna de Paris, que hasteiam a Bandeira Vermelha no topo da sua cúpula.

sn202Le Drapeau Rouge au Panthéon in  Jules Claretie (1840-1913), Histoire de la révolution de 1870-1871, Illustrée par MM. Blanchard, Crépon, Darjou, Férat, Fichot, Gaildrau, Gilbert Godefroy-Durand, Janet-Lange, Gustave Janet, M. Lalanne, Lançon, Lix, A. Marie, Ed. Morin,Pauquet, Philippoteaux, Vierge, etc. de Portraits, Vues, Scènes, Plans, Cartes et Autographes, bureaux du Journal "L'Éclipse", 30, rue du Croissant (Ancien Colbert) Paris 1872-1875

sn203aLe drapeau rouge placé sur l’église de Sainte Geneviève redevenu le Panthéon des grands hommes. Gravure pour Le Monde illustré du 8 avril 1871

Acompanhando esta gravura Léo de Bernard escreve no Le Monde Illustré:

“Le dernier, 31 mars, nous avons assisté à la septième consécration du Panthéon. La municipalité du cinquième arrondissement a présidé à cette cérémonie républicaine célébrée par les salves des pièces d'artillerie. Les tambours ont battu aux champs; les musiques militaires ont joué leurs plus entraînantes mélodies nationales; des discours ont été prononcés sur les marches du temple et un garibaldien est monté sur le dôme et a attaché à la croix qui en décorait le faire un éclatant drapeau rouge.
Le Panthéon redevient encore une fois le Temple de Mémoire.”
 
34

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34 Le Monde illustré de 8 de Abril de 1871

tradução: “No passado 31 de Março, assistimos à sétima consagração do Panteão. A municipalidade do quinto arrondissement presidiu a esta cerimónia republicana celebrada por salvas de peças de artilharia. Os tambores soaram; os músicos militares tocaram as tocantes melodias nacionais; foram pronunciados discursos nos degraus do templo e um garibaldino subiu à cúpula e atou à cruz que a encima, uma brilhante bandeira vermelha. O Panteão torna-se outra vez o Templo da Memória.”

Finalmente, a igreja de Sainte-Geneviève, com a III República, torna-se definitivamente o Panteão Nacional em 1885 com a cerimónia da deposição das cinzas de Victor Hugo, que ironicamente não gostava do edifício de que dizia “La Sainte-Geneviève de M. Soufflot est certainement le plus beau gâteau de Savoie qu'on ait jamais fait en pierre.”  35

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35 Victor Hugo, Notre Dame de Paris Livre III, II Paris à vol d’oiseau Charles Gosselin Libraire rue de Saint-Germain-des-Pres, n.Paris M DCCC  XXXI

sn241M. O. du Bré,  Le Panthéon au moment de l’arrivée des députations de l’Alsace-Lorraine  in  Le Monde illustré, n.º dedicado ao funeral de Victor Hugo de 6 de Junho de 1885sn205Funerailles de Victor Hugo Aspect du Panthéon l’après-midi du 1er Juin 1885 – ND Phot

O Panteão tal como chegou aos nossos dias. 36

sn57cEdouard Baldus (1813-1889) Le Panthéon c.1856. Album de Sèvres : photographies de vues de monuments de France et d'inondations à Lyon et Avignon en 1856 épreuve sur papier salé 33,4 x 43,5 cm. musée d'Orsay Paris

sn297Édouard Baldus (1813-1882), Le Panthéon (Paris) in Manuel Magalhães http://albuminasetc.blogspot.pt/

(nota -  existe um exemplar no Amherst College Pioneer Valley of Massachusetts USA, com o título The Pantheon, Paris ca. 1858-1863 albumina  43.815 x 34.1313 cm.)

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36 Repare-se na semelhança com o Panteão de Portugal de 1916 instalado na sempre inacabada, igreja de santa Engrácia. A ideia de Panteão, também recentemente foi motivo de polémicas quanto a decisões de aí sepultar Aquilino Ribeiro e Amália Rodrigues.

Quanto à praça defronte de Sainte-Geneviève, ela estava já regularizada em 1851, inspirada nas ideias de Quatremère de Quincy de isolamento do edifício, criando agora uma praça semicircular.

Roque Barcia no seu Paseo por Paris escreve:

“Cuando se desemboca á la plaza del Panteón, la fachada de aquel gigantesco edificio viene á cautivar deliciosamente el ánimo del que lo contempla. Un monumento como el que tengo delante, se contempla, no se mira.”  37

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37 Roque Barcia (1821-1885) Paseo por Paris / Retratos al natural por Don Roque Barcia, Imprenta de Manuel Galliano Plaza de los Ministerios 2. Madrid 1863.

sn57aAutor desconhecido Panthéon - Démolitions de la rue Soufflot, 18.. dessin sur papier gris : aquarelle, lavis d'encre de Chine, rehauts de gouache ; 31,2 x 22,2 cm. Bibliothèque nationale de France

Sofflot tinha já projectado os dois edifícios que definiam a praça e enquadravam o Panteão: a Escola de Direito e a Escola de Teologia.

sn242aAlexis Hubert Jaillot (c. 1632- 1712) detalhe de Nouveau Plan de la Ville et Faubourgs de Paris par le S.r Jailiot Geographe Ordinaire du Roi de l’Académie Royale des Sciences et Belles Lettres d’Angers, A Paris Chés l’Auteur Quai et a Côté des Grands Augustins Avec le Privilége du Roi   M.DCC.

sn243A praça do Panteão em 1870

A escola de Teologia não foi construída e em seu lugar foi construída entre 1845 e 1850, a Mairie do XIIº arrondissement, (que em 1860 se tornará a Mairie do Vº arrondissement) segundo projecto de François Guenepin (1807-1888) e Victor Calliat (1801-1881) e onde ainda terá colaborado Jacques Hittorff.

sn145A Mairie do Vº Arrondissement postal dos finais do século XIX

A École de Droit (faculdade de Direito)

Construída segundo o projecto de Soufflot entre 1781 e 1785. Em 1823 é construído um novo anfiteatro e em 1878, uma biblioteca.sn244Jacques-Germain Soufflot, Élévation de la façade des écoles des droit à bâtir sur la place de la nouvelle église Sainte-Geneviève. Archives nationales

sn91 Eugène Atget (1857-1927) Place du Panthéon École de Droit  in Le quartier de la Sorbonne 1898-1927, 113 photogr. pos. : n. et b. ; 16 x 22 cm (épr.) (et moins), Bibliothèque nationale de France

“Il songea à Marius, qui était étudiant, et qui, probablement irait, comme les autres, “délibérer, à midi, sul la place du Panthéon.”” Victor Hugo Les Misérables 38

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38 Victor Hugo Les Misérables Marius Livre cinquième – Excellence du malheur, Chapitre VI Le

tradução: “Ele pensou em Marius, que era estudante e que, provavelmente iria, como os outros, “deliberar ao meio dia , na praça do Panteão.”

sn117Gustave Doré (1832-1883) Les étudiants à la sortie de l’École de Droit Émile de Labédollière (1812-1883) Le Nouveau Paris 1861

A Biblioteca de Sainte-Geneviève

Junto à Escola de Direito instala-se em 1850 a Biblioteca de Santa Genoveva, num edifício projectado por Henri Labrouste (1801-1875), que ensaia na sua sala de leitura a futura e magnífica grande sala da Biblioteca Nacional, construída entre 1862 e 1868.

sn222Charles-Lucien Huard (1839-1900?) Ecole de droit et Bibliothèque Sainte-Geneviève in Paris et ses Merveilles L. Boulanger, editeur, 83, rue de Rennes Paris 1890

sn214Gaspard Gobaut (1814-1882) Le Panthéon et la nouvelle bibliothèque Ste Geneviève 18.. Aquarelle ; 12,1 x 18 cm. Bibliothèque nationale de France

A sala de Leitura

sn143Henri Labrouste (1801-1875) Bibliothèque Sainte-Geneviève : salle de lecture : vue perspective 1842, encre (dessin), mine de plomb, plume (dessin) 45,5 x 58,5 cm.Paris, musée d'Orsay

sn105Charles-Lucien Huard (1839-1900?) Salle de lecture de la Bibliothèque Sainte- Geneviéve in Paris et ses Merveilles L. Boulanger, editeur, 83, rue de Rennes Paris 1890

O Carrefour e a rua Soufflot

No eixo do Panteão/igreja de Santa Genoveva é projectada uma rua até à rua de São Jacinto. Com o traçado do boulevard Saint Michel a rua tomará o nome de rua Soufflot.

sn298aAlexis Hubert Jaillot (c. 1632- 1712) detalhe de Nouveau Plan de la Ville et Faubourgs de Paris par le S.r Jailiot Geographe Ordinaire du Roi de l’Académie Royale des Sciences et Belles Lettres d’Angers, A Paris Chés l’Auteur Quai et a Côté des Grands Augustins Avec le Privilége du Roi   M.DCC.

sn299Planta de 1870

A antiga praça de Saint-Michel, no encontro das ruas de l’Enfer, de l’Harpe, dos Francs Bourgeois e de Saint Hyacinthe foi alterada pela construção do boulevard Saint-Michel, e torna-se o Carrefour Soufflot, no encontro do boulevard com as ruas de Fontainebleau e de Monsieur le Prince.

sn298Alexis Hubert Jaillot (c. 1632- 1712) detalhe de Nouveau Plan de la Ville et Faubourgs de Paris par le S.r Jailiot Geographe Ordinaire du Roi de l’Académie Royale des Sciences et Belles Lettres d’Angers, A Paris Chés l’Auteur Quai et a Côté des Grands Augustins Avec le Privilége du Roi   M.DCC.

sn298bAlexis Hubert Jaillot (c. 1632- 1712) detalhe de Nouveau Plan de la Ville et Faubourgs de Paris par le S.r Jailiot Geographe Ordinaire du Roi de l’Académie Royale des Sciences et Belles Lettres d’Angers, A Paris Chés l’Auteur Quai et a Côté des Grands Augustins Avec le Privilége du Roi   M.DCC.

sn294aPlanta de 1870

sn294 cópiaLe Carrefour Soufflot in Paris Nouveau Illustré 1864-1872 Journal périodique publié par l'Illustration impr. de E. Martinet (Paris)

A igreja de Saint-Etienne-du-Mont

Por trás do Panteão, situa-se a igreja de Saint Étienne-du-Mont,onde se encontram os restos de Santa Genoveva a padroeira de Paris.

Datam do século VI as primeiras construções da capela e da abadia. Em 1491 é construída a torre, dita de Clovis, e ao longo do século XVI é construída a igreja.Em 1624 é construído o campanário da igreja e  em 1807 é demolida a igreja da abadia, de que resta apenas a torre. No Segundo Império foi restaurada por Victor Baltard (1805-1874).

sn285Saint-Étienne-du-Mont e a abadia de Sainte-Geneviève na Planta de Michel-Étienne Turgot (1690–1751) de 1739

Balzac no Père Goriot um romance de 1834, refere a igreja de Saint-Étienne-du-Mont.

Quando madame Vauquer pergunta onde estiveram madame Couture e mademoiselle Taillefer:

“Quand tout fut prêt, madame Couture et mademoiselle Taillefer rentrèrent.
—D'où venez-vous donc si matin, mabelle dame? dit madame Vauquer à madame Couture.
— Nous venons de faire nos dévotions à Saint-Étienne-du-Mont; ne devons-nous pas aller aujourd'hui chez M. Taillefer?”

E no final quando Rastinac e Christophe acompanham o corpo do Père Goriot:

“Rastignac et Christophe accompagnèrent seuls, avec deux croque-morts, le char qui menait le pauvre homme à Saint-Etienne-du-Mont, église peu distante de la rue Neuve-Sainte-Geneviève. Arrivé là, le corps fut présenté à une petite chapelle basse et sombre, autour de laquelle l'étudiant chercha vainement les deux filles du père Goriot ou leurs maris.” 39

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39  Honoré de Balzac  (1799-1850) Le père Goriot, Troisième édition Charpentier, Libraire-Éditeur, 6, Rue des Beaux Arts Paris 1839

tradução: “Quando tudo estava pronto, madame Couture e mademoiselle Taillefer regressaram. – De onde vindes tão cedo pela manhã, minha bela dama? disse madame Vauquer a madame Couture. – Nós vimos  de fazer as nossas devoções em Saint-Étienne-du-Mont; não devíamos ir hoje a casa de M. Taillefer?”

tradução: “Rastignac e Christophe acompanharam sós, com dois cangalheiros, o carro que transportava o pobre homem para Saint-Étienne-du-Mont, igreja perto da rua Nova-Santa Genoveva. Aí chegados, o corpo foi depositado numa pequena capela baixa e sombria, onde olhando em volta, o estudante procurou em vão as filhas do Père Goriot ou os seus maridos.”

sn250bAlexis Hubert Jaillot (c. 1632- 1712) detalhe de Nouveau Plan de la Ville et Faubourgs de Paris par le S.r Jailiot Geographe Ordinaire du Roi de l’Académie Royale des Sciences et Belles Lettres d’Angers, A Paris Chés l’Auteur Quai et a Côté des Grands Augustins Avec le Privilége du Roi   M.DCC.

sn283Angelo Garbiza   Saint-Etienne-du-Mont in Thirty-nine Views of Paris. 1780-1830. Engraved by J.B. Chapny, J.N.L. Durand, Angelo Garbiza, François Janinet, and F. von Martens after F. Bourjot. Ed. Paris ; London : Esnault; Esnault et Rapilly; Rittner : Ch. Tilt, 1780-1830

sn246Victor-Jean Nicolle (1754-1826) Vue de l'église de Saint-Etienne située (sic) au Mont Sainte-Geneviève, à Paris c. 1810 aquarelle 67 x 117 cm. châteaux de Malmaison et Bois-Préau

sn238Eglise St. Etienne du Mont, 1833, crayon, aquarelle, lavis d'encre brune ; 23,7 x 18,7 cm. Bibliothèque nationale de France

sn262Thomas Shotter Boys (1803–1874) St Etienne du Mont,  estampa 20: fachada lateral e torre da igreja de St. Etienne vistas da praça ao luar, com a cúpula doPanteão ao fundo, 1839, litografia colorida 35,3 x 28, 9 in the Pantheon Picturesque Architecture in Paris,Ghent, Antwerp, Rouen &c, Drawn from Nature & on Stone  1839.  The British Museum

sn245François-Étienne Villeret (1800-1866) Panthéon de Paris c.1866 aguarela s/ papel 15 x 20 cm.

A igreja restaurada por Victor Baltard, com o tímpano de Auguste-Hyacinthe Debay (1804-1865).

sn147Paris – Eglise Saint-Etienne-du-Mont et Tour de Clovis, postal dos finais do século XIX

sn300Auguste Debay – Tímpano de Sainte-Etienne au Mont representando aRessurreição de Cristo

O liceu Henri IV

Junto à igreja de Saint-Etienne está o liceu Henrique IV,  instalado na antiga abadia de que restou apenas a Torre chamada de Clotilde ou de Clóvis. Chamou-se Liceu Napoleão em 1804, e Colégio Real Henri IV em 1814. Na segunda República 1848 tomou o nome de liceu Corneille, e no segundo Império, Liceu Imperial Napoleão. Em 1870 torna-se de novo o liceu Corneille em 1870 e desde 1873 Liceu Henri IV.

sn261Alexis Hubert Jaillot (c. 1632- 1712) detalhe de Nouveau Plan de la Ville et Faubourgs de Paris par le S.r Jailiot Geographe Ordinaire du Roi de l’Académie Royale des Sciences et Belles Lettres d’Angers, A Paris Chés l’Auteur Quai et a Côté des Grands Augustins Avec le Privilége du Roi   M.DCC.

sn93Abadia de Sainte-Geneviève e SaintEtienne du Mont, em 1790, depois ocupada pelo liceu Henri IV, in Pascal Payen-Appenzeller (1944), Illustrations de Paris à travers les ages, Hoffbauer, aut. du texte. Édition Tchou Paris 1978

sn106Charles-Lucien Huard (1839-1900?) Lycée Henri IV – Vue a vol d’oiseau in Paris et ses Merveilles L. Boulanger, editeur, 83, rue de Rennes Paris 1890

sn83Hermann Raunheim (1817-1895) Lycée Corneille 1849 dessin : crayon, aquarelle, lavis d'encre de Chine ; 17 x 14,8 cm.  Bibliothèque nationale de France

sn90Eugène Atget (1857-1927) Lycée Henri IV in Le quartier de la Sorbonne 1898-1927, 113 photogr. pos. : n. et b. ; 16 x 22 cm (épr.) (et moins), Bibliothèque nationale de France

Frequentaram este liceu, no século XIX, entre muitos outros: Alfred de Musset, Sainte-Beuve, Viollet-le-Duc, e o próprio Haussmann.

A Sorbonne

…La Sorbonne était l'endroit bucolique / Où je t'adorais du soir au matin…                                                        Victor Hugo 40

A Sorbonne foi criada em 1257 por Robert de Sorbon (1201-1274).

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40 Versos de um longo poema dito na barricada da rua Chanvrerie, enquanto esperavam o combate em Victor Hugo Les Misérables – L’Idylle rue Plume et l’Épopée rue Saint-Denis, Livre douzième – Corinthe, Chapitre VI En attendant

A Sorbonne foi criada em 1257 por Robert de Sorbon (1201-1274).

Victor Hugo descreve em Notre Dame de Paris a Sorbonne medieval: “… moitié collège, moitié monastère dont il survit une si admirable nef, le beau cloître quadrilatéral des Mathurins;…” 41

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41 “…metade colégio, metade mosteiro de que restou uma admirável nave, o belo claustro quadrilátero dos Mathurins;…”

sn114a Jean-Baptiste Scotin,  (1678-17..) Detalhe do Plan du Quartier de S.t André des Arts avec ses rues et ses Limites,  Illustrations de Jean-Aimar Piganiol de La Force (1673-1753) Description de la ville de Paris et de ses environs, Par feu M.Piganiol de La Force Nouvelle édition, Revue, corrigée & confidérablement augmentée, Avec des Figures en Taille-douce. Tome sixieme Chez Les Libraires Associés Paris M. DCC. LXV. 

A capela da Sorbonne foi reconstruída entre 1635 e 1659 segundo um projecto de Jacques Lemercier (1585-1654) ordem do cardeal Richelieu 42 então seu provisor.

sn254Grégoire Huret (1606- 1670) EMINENTISSIMO PRINCIPI CARDINALI DVCI DE RICHELIEV, 1640? gravura aberta a buril 44,6 x 52,7 cm. Château de Versailles et de Trianon

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42 Armand Jean du Plessis, Cardeal de Richelieu, Duque de Richelieu e de Fronsac (1585-1642

sn298cAlexis Hubert Jaillot (c. 1632- 1712) detalhe de Nouveau Plan de la Ville et Faubourgs de Paris par le S.r Jailiot Geographe Ordinaire du Roi de l’Académie Royale des Sciences et Belles Lettres d’Angers, A Paris Chés l’Auteur Quai et a Côté des Grands Augustins Avec le Privilége du Roi   M.DCC.

sn250aAlexis Hubert Jaillot (c. 1632- 1712) detalhe de Nouveau Plan de la Ville et Faubourgs de Paris par le S.r Jailiot Geographe Ordinaire du Roi de l’Académie Royale des Sciences et Belles Lettres d’Angers, A Paris Chés l’Auteur Quai et a Côté des Grands Augustins Avec le Privilége du Roi   M.DCC.

O projecto de Lemercier segundo Jean Marot

sn118asn118bsn118Jean Marot ( 1619-1679) Le grand portail de l’église de la Sorbonne du costé de la rue, Plan de l’église de la Sorbonne de Paris e Portail de la Sorbonne du costé de la cour in Recueil des plans, profils et élévations des [sic] plusieurs palais, chasteaux, églises, sépultures, grotes et hostels bâtis dans Paris et aux environs par les meilleurs architectes du royaume desseignez, mesurés et gravez par Jean Marot, Architecte Parisien

O projecto da igreja da Sorbonne segundo Jacques-François Blondel

sn55Jacques-François Blondel (1705-1774) Façade du Dome et du Portail principal de l’Eglise de la Sorbonne du coté de la place 1752 Versailles, châteaux de Versailles et de Trianon

sn142Jacques-François Blondel (1705-1774) Planche 202 : Plan du rez-de-chaussée de l’église de la Sorbonne à Paris 1752 Versailles, châteaux de Versailles et de Trianon

sn55aJacques-François Blondel (1705-1774) Vue Perspective du dedans de l’Eglise de la cour et des batimens de la Sorbonne 1752 Versailles, châteaux de Versailles et de Trianon

sn56Veüe et Perspective de la Chapelle et Maison de Sorbonne ; œuvre singulier, et l’un de ceux que le le grand Cardinal Duc de Richelieu a faït bastir par Monsieur le Mercier Architecte du Roy.

sn54Victor-Jean Nicolle  (1754-1826) Vue de la place et église de Sorbonne c.1810 aquarelle 67,0 x 11,7 cm. châteaux de Malmaison et Bois-Préau

sn144Victor-Jean Nicolle (1754-1826) Vue latérale de l'église de la Sorbonne, prise du côté de la cour, à Paris c. 1810 Aquarelle 67 x 117 cm. Rueil-Malmaison, châteaux de Malmaison et Bois-Préau

sn53Vue de la Sorbonne prise de la cour 1830/40 estampe coloriée, taille douce, vergé 25,6 x 38,1 cm.Musée des Civilisations de l'Europe et de la Méditerranée Marseille

sn42Agrandissement de la place Richelieu, devant la Sorbonne in Paris Nouveau Illustré 1864-1872 Journal périodique publié par l'Illustration impr. de E. Martinet (Paris)

sn43Maurice Emmanuel Lansyer (1835-1893) La Sorbonne 1882, dessin : plume et encre de Chine, lavis d'encre de Chine, rehauts de gouache blanche ; 21,4 x 27,7 cm. Bibliothèque nationale de France

sn88Maurice Emmanuel Lansyer, La Cour de la Vielle Sorbonne, 1886, óleo sobre tela 135 x 174 cm. musée Antoine Vivenel Compiègne

sn107Place de l’église de la Sorbonne in Paris et ses merveilles, L. Boulanger, editeur, 83, rue de Rennes Paris 1890

No interior da Sorbonne o monumento a Richelieu, uma obra-prima de 1694 esculpida por François Girardon (1628-1715). Na cabeceira a Religião segura Richelieu, junto a dois putti que seguram as Armas com um chapéu de Cardeal e o Cordão da Ordem do Espírito Santo. A seus pés está sentada a Ciência que desolada,  chora escondendo a face.

sn260cFrançois Girardon (1628-1715) Tombeau du cardinal de Richelieu dans l'église de la Sorbonne, 1695 gravura de Bernard Picart 1673-1733).Bibliothèque nationale de France

sn260aFrançois Girardon (1628-1715) Monumento a Richelieu, 1675-1694, mármore Capela da Sorbonne Paris

sn260bFrançois Girardon (1628-1715) Monumento a Richelieu, 1675-1694, mármore Capela da Sorbonne Paris

sn260Autor desconhecido Tombeau de Richelieu par François Girardon crayon Conté e mine de plomb 52,5 x 40 cm. Museu do Louvre  

sn263Paul Joseph Victor Dargaud (1873-1921) La Sorbonne óleo s/ tela Musée du Carnavalet Paris
 

O Colégio de França

“Tel est le Collège de France, la haute école de la vie, alternant des sciences morales, aux sciences de la nature, d’elles encore à la morale. Et tout cela identique. Car Nature, c’est encore l’âme. Tout est vie, tout est esprit.”  Michelet 43

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43  Jules Michelet (1798-1874) in Paris-Guide par les principaux écrivains et artistes de la France, introduction par Victor Hugo. Librairie Internationale, 13 Boulevard Montmartre, A Lacroix, Verboeckhoven  et Cia, Éditeurs, A Bruxelles, à Leipzig et à Livourne, Paris 1867.

O Colégio de França foi fundado em 1529 por François I (1494 -1547), com o nome de Collège Royal. Em 1610 Louis XIII (1601-1643) colocou a primeira pedra no local do actual edifício mas os trabalhos foram interrompidos e apenas retomados em com um projecto de François Chalgrin  (1739–1811).

sn268Claude Chastillon (1560?-1616?) Le Grand College Roial basti à Paris du règne de Henri le Grand, 4ème du nom, Roy de France et de Navarre 1612 Burin ; 16,6 x 39,2 cm (au trait) ; 18,2 x 40 cm. Bibliothèque de l'INHA, Institut National d'Histoire de l'Art

sn250dAlexis Hubert Jaillot (c. 1632- 1712) detalhe de Nouveau Plan de la Ville et Faubourgs de Paris par le S.r Jailiot Geographe Ordinaire du Roi de l’Académie Royale des Sciences et Belles Lettres d’Angers, A Paris Chés l’Auteur Quai et a Côté des Grands Augustins Avec le Privilége du Roi   M.DCC.

sn269Plan du quartier du Collège royal et du Collège de Cambrai] 17.., plume et encre de Chine, rehauts d'aquarelle ; 20,9 x 34,1 cm. Bibliothèque nationale de France

sn267Paris, Collège Royal : élévation de la façade du collège sur la rue, premier projet, 1690, plume, encre de Chine, lavis d'encre de Chine, aquarelle ; 15,3 x 30,2 cm. Bibliothèque nationale de France

O projecto de Chalgrin

sn265Jean François Chalgrin  (1739–1811), Le Collège de France, Paris: Elevation of Court Front Showing Entrance Screen Pen and black and gray ink, gray and blue wash 31.9 x 48.5 cm. The Metropolitan Museum of Art New York

Chamou-se ainda Collège des trois langues, Collège National, e Collège Impérial, até 1870 em que passou a chamar-se Collège de France.

sn61Victor-Jean Nicolle (1754-1826) Vue du Collège impérial de France c. 1810 aquarelle - 0.67 x 11,7 cm.  châteaux de Malmaison et Bois-Préau, Malmaison

sn108Charles-Lucien Huard (1839-1900?) Le College de France  in Paris et ses Merveilles L. Boulanger, editeur, 83, rue de Rennes Paris 1890

O Liceu Louis-le-Grand

sn250cAlexis Hubert Jaillot (c. 1632- 1712) detalhe de Nouveau Plan de la Ville et Faubourgs de Paris par le S.r Jailiot Geographe Ordinaire du Roi de l’Académie Royale des Sciences et Belles Lettres d’Angers, A Paris Chés l’Auteur Quai et a Côté des Grands Augustins Avec le Privilége du Roi   M.DCC.

Instalado nos edifícios que datam de 1618, do colégio jesuíta de Clermont, fundado em 1560.

sn271O colégio de Clermont na Planta de Michel-Étienne Turgot (1690–1751) de 1739 

sn272Vue perspective de la décoration élevée au College de Louis Le Grand en l'année 1759 pour les tragedies précédant la distribution solennelle des prix fondés par sa Majesté, 1760, 1 est. : coul. ; 28 x 40 cm (élt d'impr.), A Paris chez J. Chereau rue St Jacques au dessus de la Fontaine St Severin aux 2 colonnes n° 257, Bibliothèque nationale de France

Em 1792 tornou-se o Lycée de l’Égalité, em 1804, foi denominado Liceu Imperial, em 1815 Colégio Real Louis-le-Grand e depois de em 1848 ser chamado liceu Descartes no ano seguinte retomou o nome de Louis-le-Grand. De novo Liceu Descartes em 1870 em 1873 adopta definitivamente o nome inicial de Louis-le-Grand.

sn273Hermann Raunheim (1817-1895) Lycée Descartes  1849, dessin : crayon, plume et encre ; 15,2 x 18 cm. Bibliothèque nationale de France

sn141Charles-Justin Le Coeur (1830-1906) Lycée Louis le Grand (1885-1898) second avant-projet Perspective cavalière du lycée dans le quartier et plan masse c. 1885 aquarelle, crayon (dessin), encre noire, lavis 26,7 x 37,3 cm. musée d'Orsay

Frequentaram este liceu, até ao século XIX, entre muitos outros: Molière, Voltaire, Robespierre, Camille Desmoulins, Victor Hugo, Delacroix e Littré.

O Liceu Saint-Louis

O liceu está instalado no antigo Colégio de Harcourt, fundado em 1280 por Raoul Harcourt e por seu irmão Robert, conselheiros de Filipe o Belo, e filhos de Jean d’Harcourt o amigo de São Luís, funcionou até 1793 até que a Convenção pôs fim às actividades dos colégios religiosos e o Colégio de Harcourt foi demolido.

sn292 Jean-Baptiste Scotin,  (1678-17..) Detalhe do Plan du Quartier de S.t André des Arts avec ses rues et ses Limites,  Illustrations de Jean-Aimar Piganiol de La Force (1673-1753) Description de la ville de Paris et de ses environs, Par feu M.Piganiol de La Force Nouvelle édition, Revue, corrigée & confidérablement augmentée, Avec des Figures en Taille-douce. Tome sixieme Chez Les Libraires Associés Paris M. DCC. LXV.

sn290aCollege d’Harcourt na Planta de Michel-Étienne Turgot (1690–1751) de 1739

“ En 1675, comme le raconte Piganiol de la Force, 44 Nicolas Colbert 45, coadjuteur de l'archevêque de Rouen, posa la première pierre de la nouvelle chapelle placée, comme l'ancienne, sous le vocable de la sainte Vierge et de
saint Louis. La façade de la vieille maison d'Harcourt fit
place à une construction plus régulière, dont Piganiol a
donné la description, sans ménager les critiques qu'elle suggérait.” 
46  

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44 Jean-Aimar Piganiol de La Force (1673-1753) Description de la ville de Paris et de ses environs, Par feu M.Piganiol de La Force Nouvelle édition, Revue, corrigée & confidérablement augmentée, Avec des Figures en Taille-douce. Tome sixieme Chez Les Libraires Associés Paris M. DCC. LXV.

45 Nicolas Colbert (1655-1707) filho mais novo do ministro Jean-Baptiste Colbert.

46  Henri Louis Alfred Bouquet (1839-1926) L'Ancien Collège d’Harcourt et le Lycée Saint-Louis par H. L. Bouquet, Docteur et Professeur Honoraire de Sorbonne, Aumonier du Lycée Saint-Louis, Notes et Documents pour la plupart inédits avec un dessin de G. Rochegrosse et plus de soixante -dix vignettes, sceaux, écussons, plans, vues, portraits, etc. Typographie de MM. Delalain frères Imprimeurs de l’Université rue de la Sorbonne 1 et 3, Paris 1891

tradução: “ Em 1675, como conta Piganiol de la Force, Nicolas Colbert, adjunto do arcebispo de Rouen, colocou a primeira pedra da nova capela localizada, como a antiga, sob a evocação da santa Virgem e de São Luís. A fachada da velha casa d’Harcourt deu lugar a uma construção mais regular, de que Piganiol deu a descrição, sem suavizar as críticas que ela sugeria.”

sn291O antigo Colégio de Harcourt in Henri Louis Alfred Bouquet (1839-1926) L'Ancien Collège d’Harcourt et le Lycée Saint-Louis Paris 1891

sn290Alexis Hubert Jaillot (c. 1632- 1712) detalhe de Nouveau Plan de la Ville et Faubourgs de Paris par le S.r Jailiot Geographe Ordinaire du Roi de l’Académie Royale des Sciences et Belles Lettres d’Angers, A Paris Chés l’Auteur Quai et a Côté des Grands Augustins Avec le Privilége du Roi   M.DCC.

Em 1812 Napoleão decreta a criação dos novos liceus incluindo o Liceu do Collège d’ Harcourt. Em 1814 é construído um novo edifício e em 1820 torna-se o “Collège Royal Saint-Louis”. Quando se procedeu à abertura do boulevard Saint-Michel (Sébastopol) o liceu foi objecto de diversas intervenções no sentido do alinhamento da fachada e em ampliações por necessidades funcionais.

sn291a1in Henri Louis Alfred Bouquet (1839-1926) L'Ancien Collège d’Harcourt et le Lycée Saint-Louis Paris 1891

sn121aAntoine-Nicolas Louis Bailly (1810-1892), Plan géneral du Lycée Saint-Louis et ses abords  in Félix Narjoux, architecte de la Ville de Paris, Paris Monuments Élevés par la Ville 1850-1880, Deuxième Volume, V** A. Morel et C.ª, Libraires-Éditeurs, 13 rue Bonaparte Paris 1881

sn123Antoine-Nicolas Louis Bailly (1810-1892), Lycée Saint-Louis Façade sur le boulevard Saint-Michel in Félix Narjoux, architecte de la Ville de Paris, Paris Monuments Élevés par la Ville 1850-1880, Deuxième Volume, V** A. Morel et C.ª, Libraires-Éditeurs, 13 rue Bonaparte Paris 1881

sn291b3Antoine-Nicolas Louis Bailly (1810-1892), Lycée Imperial Saint-Louis  in Revue générale de l’architecture et des travaux publics n.01 de  année XXV de la Fondation Volume XXII Année de 1864

César Daly (1811-1893), o fundador e director da Revue générale de l’architecture et des travaux publics, publicada em Paris entre 1840 e 1888, acompanha a figura acima do seguinte comentário:

" M. Bailly a été heureusement inspiré au lycée Saint-Louis.
On y sent, comme cela devait être, à la fois, le monument public et l'habitation, la demeure d'une nombreuse population et la présence des représenlants de l'enseignement officiel. La composition s'ordonne bien ; un soubassement sans rudesse, porte un ordre qui embrasse deux étages, surmontés d'un petit ordre d'attique. Le style en est ferme et cependant l'aspect de l'édifice n'a rien d'austère. Le caractère du bâtiment rappelle bien celui de l'enseignement qui convient aux adolescents à l'époque où nous sommes, et qui doit être marqué au coin de la science et de la discipline temperés par la douceur.”
47

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47 César Daly (1811-1894), Revue générale de l’architecture et des travaux publics, Journal des Architectes, des Ingénieurs, des Archéologues, de Industriels et des Propriétaires, n.º 1,  XXVeme  Année de la Fondation, vol. XXII, Année de 1864

tradução: “Bailly esteve particularmente inspirado no liceu Saint-Luois. Sente-se. como deve ser, ao mesmo tempo o monumento público e a habitação, a morada de uma numerosa população e a presença dos representantes do ensino oficial. A composição está bem organizada; uma base sem rudez, sustem uma ordem que se estende por dois andares, encimados de uma pequena ordem ática. O estilo é firme e contudo o aspecto do edifício nada tem de austero. O carácter do edifício lembra o ensino que convém aos adolescentes na época em que vivemos, e que deve assinalar a área da ciência e da disciplina temperadas pela moderação.”

sn35Nouvelle façade du Lycée Impérial Saint-Louis, sur le Boulevard de Sébastopol (Rive Gauche)  in Paris Nouveau Illustré 1864-1872 Journal périodique publié par l'Illustration impr. de E. Martinet (Paris)

sn290bPlanta de 1894

Foram alunos neste liceu, entre muitos outros: Gustave Doré, Michelet, Paul Meurice e Theophile Gautier.

École de Médicine

sn92Paris École de Médecine : élévation de la façade sur la cour 1691 dessin, plume et encre de Chine, lavis d'encre de Chine, aquarelle ; 22 x 44,3 cm. Bibliothèque nationale de France

sn299

sn275Jacques Gondoin La cour d’honneur des Ecoles de chirurgie, vue du péristyle, 1780 gravura ,x 52 cm. de C.R.G.Poulleau, in Description des écoles de chirurgie. Cellot et frères Gombert, 1780, pl. XIV, Paris 1780,  http://www.biusante.parisdescartes.fr

sn264Hubert Robert (1733 -1808) L’École de Chirurgie en construction, óleo s/ tela 64,5 x 80 cm. Musée Carnavalet

O edifício da Academia Real de Cirurgia iniciou-se em 1769, segundo um projecto de Jacques Gondouin (1737-1828). Em 1794, tornou-se Escola de Medicina e em 1808 Faculdade de Medicina.sn277a Claude Rene Gabriel Poulleau (1849- ) l’Ecole de Chirurgie 1773 Musee Carnavalet, Paris 

sn109Charles-Lucien Huard (1839-1900?) L’École de Medicine – Façade sur le boulevard Saint Germain in Paris et ses Merveilles L. Boulanger, editeur, 83, rue de Rennes Paris 1890

sn299aPlanta de 1870

O Hôtel de Cluny

Construído em 1340 pelos religiosos de Cluny sobre uma parte do Palais des  Thermes. Foi reconstruído em 1505  por Jacques d'Amboise (1440 ou 50- 1516), sobrinho de Georges d’Amboise (1460-1510), ministro de Louis XII (1462-1515).

sn293 Jean-Baptiste Scotin,  (1678-17..) Detalhe do Plan du Quartier de S.t André des Arts avec ses rues et ses Limites,  Illustrations de Jean-Aimar Piganiol de La Force (1673-1753) Description de la ville de Paris et de ses environs, Par feu M.Piganiol de La Force Nouvelle édition, Revue, corrigée & confidérablement augmentée, Avec des Figures en Taille-douce. Tome sixieme Chez Les Libraires Associés Paris M. DCC. LXV.

sn284Hôtel de Cluny na Planta de Michel-Étienne Turgot (1690–1751) de 1739

Com a Revolução passou em 1793 para a propriedade do Estado. Em 1833 Simon Alexandre Nicolas Du Sommerard (1779-1842),  instalou a sua grande coleção de peças medievais e renascentistas, que formaram o núcleo inicial do actual museu.

sn250Alexis Hubert Jaillot (c. 1632- 1712) detalhe de Nouveau Plan de la Ville et Faubourgs de Paris par le S.r Jailiot Geographe Ordinaire du Roi de l’Académie Royale des Sciences et Belles Lettres d’Angers, A Paris Chés l’Auteur Quai et a Côté des Grands Augustins Avec le Privilége du Roi   M.DCC.

Victor Hugo em Notre Dame de Paris - Paris à vol d’oiseau refere o Hotel de Cluny:

“Près de Cluny, ce palais romain, à belles arches cintrées, c’étaient les Thermes de Julien. Il y avait aussi force abbayes d’une beauté plus dévote, d’une grandeur plus grave que les hôtels, mais non moins belles, non moins grandes.” 48

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48 Victor Hugo, Notre Dame de Paris - Paris à vol d’oiseau Troisième édition, Charles Gosselin, Libraire, rue Saint-Germain-des-Près, 9 M DCCC XXXI

tradução: “Perto de Cluny, este palácio romano, com belos arcos, eram  as Termas de Juliano. E havia ainda várias abadias duma beleza devota, de uma grandeza mais grave que os hôtels, mas não menos belas, não menos grandes.”

sn278Eugène Viollet-le-Duc Hotel de Cluny vue cavalière de cet hôtel, prise du côté de l'entrée, c. 1856,  figure 39 de Dictionnaire raisonné de l'architecture française du XIe au XIe siècle

cluny3Thomas Shotter Boys (1803–1874) Hotel Cluny 1839 in Picturesque Archiecture in Paris, Ghent, Antwerp, Rouen – 1839 e Art Institute of Chicago

sn280aThomas Shotter Boys  (1803–1874) Hotel de Cluny Paris 1839 litografia 27 x 35 cm. in Picturesque Archiecture in Paris, Ghent, Antwerp, Rouen – 1839 e Art Institute of Chicago

sn281Jean Baptiste Scotin (1678-17..) Restes du Palais de Thermes in Jean Aimar Piganiol de La Force (1673-1753), Description de la ville de Paris et de ses environs, Tome sixieme, Paris 1745

O crítico e historiador de arte Paul Mantz escreve em 1867:

“La brique et la pierre, alternativement employés, composent l’appereil des murs dont la surface a été noircie par le temps et dégradée de toutes façons, car cette salle a eu des fortunes diverses et elle a longtemps servi de magasim à un tonnelerier, qui y entassait des cercles et des futailles.”  49

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49  Paul Mantz (1821-1895) Le Musée des Thermes et de l’Hotel Cluny in Paris-Guide par les principaux écrivains et artistes de la France, introduction par Victor Hugo. Librairie Internationale, 13 Boulevard Montmartre, A Lacroix, Verboeckhoven  et Cia, Éditeurs, A Bruxelles, à Leipzig et à Livourne, Paris 1867.

tradução: “O tijolo e a pedra, alternadamente empregues, compõe o aparelho das paredes cuja superfície foi enegrecida pelo tempo e degradada de muitas maneiras, já que esta sala teve sortes diversas e serviu durante muito tempo de armazém a um tanoeiro, que ali amontoava anilhas e pipas.”

sn281aJean-Claude Nattes (c.1765-1839) Thermes de Julien, Hotel de Cluny 1809

sn282Philippe  Benoist (1813-1881) Hotel Cluny 1861 in Paris dans sa splendeur

sn148 (2)Paris – L’Hôtel de Cluny, construit en 1490 par l’Abbé Jacques Amboise, postal dos finais do século XIX

sn247Paris - Musée de Cluny postal dos finais do século XIX

O boulevard Saint-Michel, entre o boulevard de Saint Germain e a praça de Saint Michel

Haussmann indica nas suas Mémoires, que o troço norte do Boulevard Saint-Michel, faz uma subtil torção de modo a apontar para a flecha da Sainte-Chapelle.

“Après l'ouverture du Boulevard Saint-Michel, Sa Majesté, descendant la section inférieure de cette grande voie, comprise entre la rue des Écoles et la Place précédant le Pont, s'aperçut qu'on y voyait, en face de soi, la flèche de la Sainte-Chapelle. Forcé d'accepter, pour la section supérieure, l'alignement de la façade du Lycée Saint-Louis, j'avais, en effet, determine l'infléchissement que, plus bas, le Boulevard devait subir pour gagner le Pont Saint-Michel, de manière à n'en dédommager par cette perspective, et à le conduire, néanmoins, sur la Place, comme le Boulevard Saint-André, qui lui fait pendant, au point où les axes de ces deux voies rencontrent celui du Pont même.” 50

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50  Mémoires du Baron Haussmann, Grands travaux de Paris/Le Plan de Paris / Les services d’ ingénieurs / Voie publique / Promenades et plantations /Service des eaux/ Architecture et Beaux Arts III, Victor-Havard, éditeur Boulevard Saint-Gemain 168, Paris 1893

tradução: “Depois da abertura do Boulevard Saint-Michel, Sua Majestade, descendo a secção inferior desta grande via, compreendida entre a rua das Escola e a Praça que antecede a ponte, apercebeu-se que se via, na sua frente, a flecha da Sainte-Chapelle. Forçado a aceitar, para a secção superior, o alinhamento da fachada do Liceu de São-Luís, eu tinha, com efeito, determinado a inflexão, que mais abaixo, o Boulevard devia sofrer para alcançar a Ponte Saint-Michel, de maneira a não perturbar, por esta perspectiva e a conduzir  o eixo para a Praça como o boulevard Saint-André, que lhe faz pendant no ponto onde os eixos destas duas vias encontram o eixo da própria Ponte.”

Na planta a seguir estão marcados estes eixos, e foi por mim sublinhado a vermelho o eixo do Boulevard Saint-Michel.sn85Avril frères Paris Detalhe do Plan d'ensemble de la cité et de ses abords, avec ses embellissements et améliorations projetés 18.. 72 x 60 cm. Bibliothèque nationale de France

sn14a cópiaPlanta de 1870

Na gravura o último troço do Boulevard Saint-Michel, tendo ao fundo a Sainte-Chapelle.sn51Vue du boulevard Sébastopol (rive gauche) prise des Thermes in Paris Nouveau Illustré 1864-1872 Journal périodique publié par l'Illustration impr. de E. Martinet (Paris)

sn96Marville Charles (dit), Bossu Charles-François (1813-1879) Flèche de la Sainte-Chapelle en plomb martelé c.1870 Fonds de la firme Monduit La maison Monduit, Gaget, Gauthier et Cie existe de 1874 à 1880 rue de Chazelles à Paris. épreuve sur papier albuminé 48,4 x 36,7 cm. musée d'Orsay

A Praça Saint-Michel

A praça no início do século XVIII, quando a antiga ponte de Saint-Michel tinha construções.sn299cAlexis Hubert Jaillot (c. 1632- 1712) detalhe de Nouveau Plan de la Ville et Faubourgs de Paris par le S.r Jailiot Geographe Ordinaire du Roi de l’Académie Royale des Sciences et Belles Lettres d’Angers, A Paris Chés l’Auteur Quai et a Côté des Grands Augustins Avec le Privilége du Roi   M.DCC.

A praça depois da abertura do boulevard.

sn299bPlanta de 1870

sn248La Fontaine et la place Saint-Michel in L'Illustration, 1861

A fonte de Saint Michel 1858-60

Do mesmo modo que do sul para norte a flecha da Sainte-Chapelle servia de remate visual, a Fonte de Saint-Michel, na praça do mesmo nome serve de remate para quem se desloca de norte para sul pelo boulevard do Palais (o troço do boulevard de Sébastopol na ilha da Cité).

sn287Avril frères Paris Detalhe do Plan d'ensemble de la cité et de ses abords, avec ses embellissements et améliorations projetés 18.. 72 x 60 cm. Bibliothèque nationale de France

sn37La Fontaine de Saint-Michel in Paris Nouveau Illustré 1864-1872 Journal périodique publié par l'Illustration impr. de E. Martinet (Paris)

Concebida por Gabriel Jean Antoine Davioud (1823-1881), como se fosse um arco de triunfo a fonte está adossada a um edifício no gaveto do boulevard de Saint-Michel.

Ao centro, num nicho está uma escultura em bronze de São Miguel vencendo o Diabo, com a espada ao alto e o dedo apontando o céu, de Francisque Joseph Duret (1804-1865). Pelo tratamento da figura tem-se referido a eventual influência em Duret de Rafael Sanzio (1483-1520) quer do S. Miguel, chamado de Pequeno São Miguel, quer do S.Miguel vencendo o demónio os quadros de Rafael representando o Arcanjo, existentes no Louvre.

sn300aRafael (1483-1520) Saint Michel terrassant le dragon, dit le Petit Saint Michel c. 1503/05 óleo s/tela 30 x 26 cm. Museu do Louvre

sn300bRafael Saint Michel terrassant le démon, óleo sobre madeira 268 cm × 160 cm. Museu do Louvre

A escultura de Saint-Michel está assente sobre uma pedra de onde a água escorre em cascata para as diversas bacias. De cada lado do tanque inferior dois Dragões em bronze lançam pela boca jactos de água. São esculturas de Henri-Alfred Jacquemart (1824-1896), um escultor que se dedicou a figuras de animais.

sn301d

Por cima da escultura e nos capiteis das colunas quatro figuras representando: a Prudência por Jean-Auguste Barre (1811-1875); a Força por Jean-Baptiste-Claude-Eugène Guillaume,(1822-1905) como apontam os cronistas da época ou por Auguste-Hyacinthe Debay (1804-1865); a Justiça por Louis Valentin Robert dito Élias Robert (1821- 1874); e a Temperança de Charles Gumery (1827-1871).

sn301b

Numa placa de mármore a inscrição Fontaine de Saint Michel / Sous le regne de Napoleon III Empereur des Français / ce Monument a été elevé par la Ville de Paris  / AN  MDCCCLX.

No cimo um frontão circular e no tímpano a Puissance e a Modération  segurando as Armas de França de Auguste-Hyacinthe Debay (1804-1865).

sn301aNos cantos superiores estavam duas águias de asas abertas, hoje substituídas por dois pináculos.

 

Em 1862 no Guide Alphabetique du Voyageur a Paris pode ler-se:

“Fontaine Saint-Michel, en face le pont Saint-Michel. Cette Fontaine la plus belle de Paris, a été construite sous Napoléon III et inaugurée le 15 août 1860. Elle a 20 mètres de hauteur sur 15 de largeur. Le magnifique groupe de saint-Michel terrassant le démon est l'oeuvre d'un de nos jeunes artistes.” 51

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51 Guide Alphabetique du Voyageur a Paris, Librairie de Jules Taride, 2 rue Marengo Paris 1862

tradução: “Fonte de São Miguel, em frente à ponte São Miguel. Esta Fonte a mais bela de Paris, foi construída no tempo de Napoleão III e inaugurada em 15 de Agosto de 1860,. Tem 20 metros de altura por 15 de largura. O magnífico grupo de São Miguel derrotando o demónio é uma obra de um dos nossos jovens artistas.” 

sn297bÉdouard-Denis Baldus (1813-1889)Fontaine de Saint-Michel 1851/60 in Manuel Magalhães http://albuminasetc.blogspot.pt/   (nota: existe um exemplar na Librairy of Congress USA) 

No entanto muitas foram as críticas à fonte salientando sobretudo a profusão, a incoerência e o anacronismo das alegorias e das referências, destacando-se Jules-Antoine Castagnary (1830-1888) na obra colectiva Paris qui s’en va (1860) e Victor Fournel (1829-1894) em Paris Nouveau/Paris Futur (1865). _________________________________________________

Planta actual do edificado estando assinalados os edifícios referidos no texto.

sn251e cópia1 – Observatório 2 – Escola de Minas (juMP Mines Paris Tech) 3 – Saint Jacques du Haut –Pas 4 – Panteão 5 – Mairie do 5º arr. 6 – Escola de Direito (Universidade de Paris I Pantheon-Sorbonne)  7 – Biblioteca de Santa Genoveva 8 – Igr. Saint Etienne du Mont 9 – Liceu Henri IV 10 – Sorbonne 11 – College de France 12 – Liceu Louis-le-Grand 13 – Liceu São Luís 14 – Escola de  Cirurgia (Faculdade de Medicina Paris Descartes) 15 – Hotel e Museu de Cluny (Museu Nacional da Idade Média) 16 – Fonte de Saint Michel

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CONTINUA em Um Percurso por Paris no Segundo Império 3.2 – Da ponte Saint Michel à Gare de 'L’Est

snfimAbraham Bosse (1602-1676) Jeune homme vu de dos montrant du doigt un château situé au loin, 1629, Bibliothèque nationale de France

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