Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O Porto dos anos 30–A Exposição Colonial 1934

Nota inicial – Este texto é uma versão revista, corrigida e muito aumentada do texto publicado neste blogue em 9 de Outubro de 2010. Faz parte de um conjunto de textos sob o título de o Porto nos anos 30, que será publicado sem qualquer preocupação de cronologia. Todas as fotografias da Exposição são da Casa Alvão. Todos os realces a negrito são do autor deste texto. Conservou-se a ortografia original dos textos.

A Exposição Colonial Portuguesa. Porto 1934.

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fig. 1 – Cartaz da Exposição Colonial Porto Junho 1934 em Ercílio de Azevedo, Porto 1934 : a Grande Exposição, Edição de Autor, Porto 2003

Tendo em 1984 a Câmara Municipal do Porto, então presidida pelo engenheiro Paulo Vallada (1924-2006), comemorado os 50 anos da Exposição Colonial, o jornalista Ercílio de Azevedo (1924-2005) editou em 2003 uma publicação intitulada “Porto 1934 - A Grande Exposição”, onde procurava descrever e documentar o ambiente nacional e portuense vivido na ocasião desse acontecimento.
Oitenta anos depois procura-se dar uma ideia do que foi esse acontecimento e de como contribuiu para a propaganda do Estado Novo e das repercussões que teve na cidade do Porto.
A Exposição Colonial foi de facto o acontecimento que mais impacto teve na vida da cidade do Porto nos anos 30, mobilizando e atraindo milhares de visitantes.
Em 1934, o Regime já consolidado e inspirado pela Exposição Colonial de Paris de 1931, promoveu no Porto a primeira das suas grandes exposições - a Exposição Colonial do Porto – destinada a propagandear o Estado Novo como um regime moderno e activo num Portugal Imperial.

O Império Colonial Português

O regime é desde o seu início despertado para a questão colonial, já que em Março de 1930 surgira em Angola, um confronto entre funcionários civis e militares contestando a autoridade do poder central. Em torno da Sociedade das Nações, também se gerou, nesta época, um movimento no sentido de ilegalizar e acabar com os trabalhos forçados nas colónias.
Assim, e coincidindo com Salazar [1] a assumir o Ministério das Colónias, a ideia do Império Colonial Português é consagrada no Acto Colonial (Decreto n.º 18 570, de 8 de Julho de 1930). No seu artigo 2.º define que “É da essência orgânica da Nação Portuguesa desempenhar a função histórica de possuir e colonizar domínios ultramarinos e de civilizar as populações indígenas que neles se compreendam, exercendo também influência moral que lhe é adstrita pelo Padroado do Oriente.” E no artigo 3.º classifica “Os domínios ultramarinos de Portugal denominam-se colónias e constituem o Império Colonial Português.” [2]
Com este decreto e mais tarde com a Carta Orgânica do Império Colonial Português (Decreto-Lei nº 23 228, de 15 de Novembro de 1933), Salazar procurou a instituição do Império Colonial, como uma unidade orgânica e indivisível, o que será consagrado na Constituição de 1933 (Decreto-Lei Nº. 22 465 de 11 de Abril de 1933).

Salazar expressa, por diversas vezes, a sua visão da política colonial:
"Somos sobretudo uma potência atlântica, presos pela natureza à Espanha, política e economicamente debruçados sobre o mar e as colónias, antigas descobertas e conquistas. Nem sempre a nossa política se fez de Lisboa ou da parte continental, mas de outros pontos, tal a ideia de que a colónias não o foram à maneira corrente mas partes integrantes do mesmo todo nacional."
Em 1933, na Conferência dos Governadores Coloniais (ou Conferência do Império), afirma:
“…o orgulho que sinto, — de o Estado Novo ter feito inserir na Constituição Política, como parte integrante do estatuto fundamental do País, as directrizes, não simplesmente duma política diferente, mas duma política nova nesta matéria, para mais perfeita expressão da nossa consciência nacional e afirmação mais vincada do temperamento colonizador dos portu­gueses, para engrandecimento de Portugal e melhor utilização dos nossos recursos comuns, e na antevisão das perturbadas ideias que a crise faria surgir, para ser mais clara, diante da Europa, a nossa posição de grande potência colonial.” [3]
E já em 1935, perante rumores de interesses estrangeiros sobre as nossas colónias, Salazar afirma:
" Portugal constitui com as suas colónias um todo, em virtude de um pensamento político que se fez pelos tempos fora realidade política. Alheios a todos os conluios, não vendemos, não cedemos, não arrendamos, não partilhamos as nossas Colónias com reserva ou sem ela de qualquer parcela de soberania nominal para satisfação dos nossos brios patrióticos. Não no-lo permitem as nossas leis constitucionais; e, na ausência desses textos, não no-lo permitiria a consciência nacional." [4]

É neste quadro que se insere a participação de Portugal na Exposition Coloniale de Paris em 1931, [5] da qual resultou a ideia de uma Exposição Colonial Portuguesa. Como afirma Henrique Galvão (1895-1970): "A Primeira Exposição Colonial Portuguesa é filha de um pensamento de política Imperial que, na larga e brilhante representação portuguesa na Exposição Internacional de Paris teve a sua realização inicial.”
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fig. 2 - Cartaz de Fred Kradolfer (1903-1968) para a Exposição Colonial Portuguesa em Paris.

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fig. 3 - Pavilhão de Portugal foto de M. Cloche, Studi Deberny Peignot em 60 Aspects de l’Exposition Coloniale, éditions Arts et Métiers Graphiques Paris 1931.

Escreve Bento Carqueja [6] em O Comércio do Porto de que era director: “Depois do êxito alcançado, em Paris, pela secção portuguesa da Exposição Colonial Internacional, era bem cabida, era indispensável a evidenciação dos variados e valiosos recursos de que as colónias portuguesas dispõem e da importante obra colonizadora que Portugal tem realizado na África, na Ásia e na Oceania. Essa obra dá-nos direito a proclamar bem alto que existe um Império Colonial Português. Sagrou esta denominação o artigo 132.º da nova Constituição Política da República Portuguesa, e sagrou-o muito bem. Existe, na verdade – e nisso temos muito orgulho – um Império Colonial Português.” [7]

A Exposição Colonial do Porto em 1934, servirá ainda de ensaio, em muitos aspectos, à Exposição do Duplo Centenário (ou do Mundo Português) de 1940.

Portugal não é um País Pequeno

“Sabe-se que os homens que nasceram num país pequeno querem hoje, firmemente, morrer dentro dum império.” [8] Henrique Galvão

A partir de 1931, quando Armindo Monteiro (1896-1955), se torna Ministro das Colónias, o Estado Novo vai procurar lançar uma campanha de propaganda com o objectivo de consolidar externamente a ideia do Império Colonial Português, e internamente de mostrar aos portugueses a ideia de um Portugal Imperial espalhado pelo Mundo, grande, uno e indivisível, que marcará o regime (e o país) nas décadas seguintes.
Em 1933, Armindo Monteiro [9] Ministro das Colónias, no encerramento da I Conferência dos Governadores Coloniais expressa a ideia da enorme dimensão de Portugal, espalhado pelo mundo.
“A um povo que, apesar de tudo, ainda se julga pequeno, mostrarão a imensidade e a variedade dos territórios que lhe pertencem e das raças que lhe andam ligadas. Provar-lhe-ão que ele forma não um país ibérico, comprimido numa nesga de terra europeia, mas uma nação que se dilata pelo Mundo tão largamente que os seus interesses abarcam ainda quasi todos os mares e continentes. Indicar-lhe-ão que as suas responsabilidades se dividem, nesta hora de ruidosas ambições, por uma área imensa, que o coloca na categoria de um dos mais vastos países do globo.” [10]

Esta ideia irá ser traduzida graficamente num mapa da Europa, com a legenda “PORTUGAL NÃO É UM PAÍS PEQUENO”, onde os territórios das colónias portuguesas sobressaem, mostrando a dimensão do Portugal Imperial.
O mapa - que é atribuído a Henrique Galvão [11] - é acompanhado de alguns números, comparando áreas entre os maiores países da Europa e o Império Português.
Este mapa exposto na Exposição Colonial com a legenda "Portugal não é um país pequeno", cumpriu de uma forma clara os objectivos traçados pelo Estado Novo para a Exposição Colonial de 1934, ou seja uma política estruturada de afirmação da ordem social, económica e financeira estendida a todo o extenso Império Colonial.

clip_image008fig. 4 – Henrique Galvão - Portugal não é um país pequeno no álbum No Rumo do Império.

clip_image010fig. 5 – Henrique Galvão - Portugal não é um País pequeno 1931, Mapa do Secretariado da Propaganda Nacional 59 x 90 cm Câmara Municipal de Penafiel 1935 http://purl.pt/11440 BND de Portugal.

Henrique Galvão reafirma este objectivo ao escrever, após o seu encerramento, que a Exposição Colonial Portuguesa “manterá a lembrança de um acontecimento que interessou profundamente todo o País, e perante o qual milhão e meio de portugueses, dentro das mais impecáveis ordens política, social e espiritual, compreenderam que não eram habitantes de um país pequeno.” [12]
Com o objectivo de conseguir que esta mensagem atingisse públicos ainda mais vastos, interna e externamente, o SPN publicou o mapa sob a forma de postal ilustrado.

clip_image012fig. 6 - "Portugal não é um país pequeno" Escala [ca. 1:13000000]. - Lisboa : Secretariado da Propaganda Nacional. - 1 map. : color. ; 55x38 cm. - No canto inf. direito contém: "Superfícies do Império Colonial Português comparadas com as dos principais países da Europa http://purl.pt/ BND.

Manuel Múrias [13] depois de visitar a Exposição, escreveu na Revolução Nacional um texto significativamente intitulado Contra a idéia dum país pequeno:
Convém, em todo o caso, que nos fixemos nos dois mapas, organizados para combater no espírito público a idéia derrotista de um país pequeno: - um deles reúne, nas mesmas proporções, os mapas de todas as parcelas do Império, deixando no espírito uma ideia de grandeza, que só é igualada pelo segundo mapa, o qual sobrepõe, também na mesma escala, a carta do Império da Europa, demonstrando uma extensão territorial superior à de Espanha, França, Alemanha e Itália, todas juntas.” [14]

Lembre-se que precisamente em 1934 foi publicado, para uso escolar e com outro rigor, o “Mapa de Portugal Insular e Império Colonial Português”.

clip_image014fig. 7 - Mapa de Portugal insular e império colonial português coord. por Manuel Pinto de Sousa. - Escalas [ca >1<130000]-[>ca <130000000]. - Porto : Livr. Escolar "Progredior", 1934. - 1 map. : color. ; 98x87 cm BND.

E terminada a Exposição, a ideia de que Portugal não é um país pequeno, foi reafirmada por Henrique Galvão no Álbum Fotográfico da Exposição Colonial Portuguesa.
Associando a ideia ao regime de Salazar acrescentava: “A Obra do Estado Novo – que é uma obra generosa digna de um país grande – foi mais sentida e compreendida por aqueles em quem renascia o orgulho de serem grandes.[15]
António Eça de Queiroz [16] repete a mesma ideia da dimensão do Portugal Imperial, num artigo intitulado Que nos mostra e nos diz a Exposição, publicado no Jornal do Comércio e das Colónias:
“Milhares e milhares de pessoas, que foram ali, foi como se lhes tivesse arrancado uma venda de sobre os olhos, e que uma grande luz as inundasse, que lhes fizesse ver que Portugal não é apenas esta delgada faixa de terreno que o Atlântico morde, mas muito mais, infinitamente mais, centenas e centenas de milhares de quilómetros quadrados, quási que dois milhões, onde vivem os portugueses que fizeram e fazem Portugal de além-mar, e milhões de seres humanos educados no respeito da Bandeira de Portugal !”
O sucesso deste mapa conduziu a que tenha sido exposto no Pavilhão de Portugal na Exposição Universal de Paris em 1937.

A nova política colonial

Henrique Galvão em Janeiro de 1934, entrevistado pelo jornal O Século, expõe claramente os objectivos da Exposição: propagandear a nova política colonial como obra do Governo (leia-se Salazar e o Estado Novo).
Diz Henrique Galvão:
“A Exposição não inaugurará uma nova política colonial. Será uma consequência – não será uma causa. A nova política colonial é obra do Governo e a Exposição Colonial Portuguesa é um capítulo dessa obra, em matéria de propaganda. No entanto, se me perguntar se a Exposição Colonial pretende ser uma expressão viva, animada e didactica da nova política colonial portuguesa, dir-lhe-ei, sem hesitar, que sim e que é esse um dos seus objectivos.” [17]

E no Álbum-Catalogo:
“A 1.a Exposição Colonial Portuguesa, se a sua realização corres­ponder à elevada ideia que a determinou, é o primeiro grande acto de propaganda Colonial na Metrópole, no momento em que a propaganda das Colónias precisava ganhar novas formas e nova intensidade.
A maioria dos portugueses não tem a menor ideia sobre a realidade da sua grandeza, quer sob o ponto de vista material da extensão territorial, quer sob os pontos de vista moral, político e espiritual, que resultam do facto histórico da Colonização através de cinco séculos, e do facto contemporâneo de conser­varmos ainda um grande Império e de o termos sabido elevar ao nível em que se encontra.
Esta ignorância diminui possibilidades materiais de riqueza que o futuro nos oferece rasgadamente — e diminui também o aprumo das atitudes morais que como povo europeu podemos assumir no concerto das Nações.” [18]

Esta ideia será afirmada na Exposição, através de diversas frases de Salazar, autênticos slogans de propaganda do Estado Novo.
O RESSURGIMENTO DA POLÍTICA IMPERIAL É UMA REALIZAÇÃO DO ESTADO NOVO.

clip_image016fig. 8 – Detalhe da fig. 90.

O Decreto que instituiu a Exposição

Em 28 de Agosto de 1933 é publicado no Diário do Governo o decreto n.º 22 987, cujos dois primeiros artigos definem o local, o apoio do Estado e os objectivos da Exposição:
Artigo 1.º Realizar-se-á no Pôrto, em Julho e Agôsto de 1934, a Primeira Exposição Colonial Portuguesa, oficialmente patrocinada.
Art. 2.º A exposição será organizada com critério essencialmente prático, mostrando a extensão, intensidade e efeitos da acção colonizadora portuguesa, os recursos e actividades económicas do Império e as possibilidades de estreitamento de relações comerciais entre as várias partes da Nação.

Henrique Galvão

Para Director-Técnico (Comissário) da Exposição, é escolhido o capitão [19] Henrique Carlos da Mata Galvão (1885-1970), então (ainda) um dos militares ligados ao Regime e um dos homens mais conhecedores dos nossos territórios coloniais, já que tinha sido Governador da província de Huíla em Angola (1929), participado na Exposição Colonial de Paris em 1931 e ter organizado as feiras coloniais de Luanda e Lourenço Marques (1932).

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fig. 9 – Henrique Galvão por Eduardo Malta, pintura e desenho no Álbum Comemorativo da Exposição

Tinha ainda escrito diversos ensaios, crónicas e narrativas relacionadas com África. Em 1929 tinha publicado um conjunto de crónicas intituladas Em Terra de Pretos e Crónicas d'Angola. Em 1932 escreve o romance O Velo d'Oiro a que é atribuído no ano seguinte o 1º Prémio de Literatura Colonial, criado em 1926, e em 1934 publica o livro de contos Terras do Feitiço Contos Africanos (também premiado). Nos anos quarenta irá ainda publicar “Outras Terras, Outras Gentes”, uma descrição pormenorizada da África Portuguesa, ilustrada por Eduardo Malta, Fausto Sampaio, Neves e Sousa, Martins Barata, António Ayres, Rui Filipe, e com fotografias, na sua maior parte, de Elmano da Cunha e Costa. [20]

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fig. 10 – Capas de duas obras de Henrique Galvão

A cidade do Porto como local da Exposição

Mas se os objectivos da Exposição são claros, mostrar interna e externamente a unidade e a grandeza do Império Colonial Português, e propagandear a nova política colonial e a acção do Estado Novo, a ideia da sua realização no Porto, deve-se provavelmente ao volume e importância da emigração e da troca de mercadorias com as Colónias (e com o Brasil), que se efectuava através do porto do Douro. O Regime pretendia, para além de desenvolver o comércio com as colónias, canalizar para esses territórios a emigração que então se fazia para o Brasil.
Diversos sectores do Norte de Portugal, em particular a indústria têxtil que então rapidamente se desenvolvia no Vale do Ave, apontavam desde o início da década, para a necessidade de promover a conquista dos mercados coloniais, em particular os africanos. É o sector algodoeiro, que mais reivindica a protecção à importação do algodão e à exportação dos tecidos portugueses para o Ultramar. Nessas preocupações e reivindicações destacavam-se a Associação Comercial do Porto, a Associação Industrial Portuense e o Centro Comercial do Porto que defendiam um estreitamento das relações entre a metrópole e as colónias numa perspectiva de desenvolvimento da economia pela centralização no Continente das economias subordinadas das colónias.
É na base deste interesse geopolítico e económico que também assenta a ideia do Império Português, propagandeado pelo Estado Novo.

Henrique Galvão na referida entrevista ao jornal O Século, questionado sobre a escolha da cidade do Porto para a realização da Exposição, depois de evocar tratar-se de “uma antiga aspiração dos homens do Norte”, afirma “ …o Porto é a capital da parte mais populosa do País; está, também, no centro da região em que as actividades, industrial e comercial são mais intensas. Não pode haver em Portugal uma realização séria em matéria de propaganda colonial, que não procure incidir especialmente sobre as províncias nortenhas.” [21]

J. Mimoso Moreira, Chefe da Divisão de Propaganda e Publicidade da Agência Geral das Colónias, e um dos organizadores da Exposição, escrevia no Álbum-Catálogo: “ O Norte era, para mais, um sector despresado na propaganda e difusão de pormenores sobre o Império, com a agravante de, entre as outras zonas do País, disfrutar uma dominante posição demográfica e económica. Não foi pois difícil constituir um núcleo acionante, reunindo no Centro Comercial do Porto os presidentes das Direcções da Associa­ção Comercial do Porto, Associação Industrial Portuense, Centro Comer­cial do Porto, Liga Agrária do Norte, Associação dos Comerciantes do Porto, Associação Comercial dos Lojistas, Ateneu Comercial do Porto, e Club Fenianos Portuense, que se constituíram em quotistas para a reu­nião dum fundo destinado a despesas de propaganda e celebração dum certame colonial.” [22]

O Palácio de Cristal

Pensados os objectivos e escolhida a cidade do Porto para a exposição, cedo se concluiu que o local mais adequado para a instalar seria o Palácio de Cristal e os seus jardins, onde "(...) nada lhe faltava: denso arvoredo, sombras, largas e longas ruas, espaços livres e magnificência da paisagem." [23]
Assim foi “…escolhido o Palácio de Cristal e seus jardins para a realização do certame, aproveitando-se as excepcionais condições do edifício e do recinto, sobranceiro ao rio Douro e dominando um horizonte encantador, composto por aspectos dum regionalismo forte e impressionante. Não era fácil encontrar um local vedado, com uma área ajardinada, reunindo um ambiente tão propício para uma demonstração tropical, no centro dum burgo com as tradições e a importância populacional e económica como é o Porto” [24]
O Palácio, quer por possuir um edifício próprio para exposições, quer ainda pelo jardim, onde a exposição se podia prolongar e aí colocar as representações das várias colónias, era a escolha natural.

Para isso a Câmara do Porto, então presidida por Alfredo Magalhães [25], adquiriu à Associação Industrial, no início de 1934, o recinto (aliás bastante degradado) do Palácio de Cristal, sendo a Exposição Colonial um meio e uma justificação para a sua reabilitação.

Esta reabilitação incluiu o prolongamento da rua Júlio Diniz até à porta principal do recinto na rua do Triunfo (hoje D. Manuel II), e a instalação dos trilhos do carro eléctrico ligando Leça, Matosinhos e Foz com o Palácio de Cristal.
Para o sucesso da Exposição são mobilizadas, a partir de 1933, diversas instituições, empresas e personalidades da cidade.

A propaganda e publicidade da Exposição

Para a divulgação da Exposição é elaborado - ainda em 1933 - um “plano de propaganda em execução, por meio de artigos e notícias na imprensa, cartazes, “placars”, “plaquetes” com informações de turismo, selos, etiquetas, calendários, fotografias, circulares, programas, etc.”, com divulgação “pela radiofonia” e mesmo um “ filme de divulgação da Exposição, projectado gratuitamente nos cinemas portugueses.” [26]
E de acordo com esse plano, ainda antes da abertura da Exposição, é distribuído um folheto “Primeira Exposição Colonial Portuguesa / Porto 1934” com uma planta da Exposição no recinto do Palácio de Cristal.

clip_image024fig. 11- EXPOSICAO COLONIAL PORTUGUESA, 1, Porto, 1934, Primeira exposição Colonial Portuguesa, Porto 1934 [Visual gráfico]. - Porto : [s.n.], 1934 (Porto: : Lito Nacional). - 1 desdobr. : il. color. ; 24 x 39,5 cm Biblioteca Nacional Lisboa.

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fig. 12 – Planta Geral da Exposição Colonial Portuguesa.

No verso, um texto- apelo: “Visitai a Exposição Colonial Portuguesa que terá logar na Cidade do Porto de Junho a Setembro de 1934”, ilustrado por três fotografias aéreas.

clip_image027fig. 13 - Visitai a Exposição Colonial Portuguesa que terá logar na Cidade do Porto de Junho a Setembro de 1934.

As fotografias:
- Da torre dos Clérigos ex-libris da cidade, e da área central onde se destaca a Estação de S. Bento já que o caminho-de-ferro é então uma das principais formas de chegar à cidade;

clip_image029fig. 14 – O centro da cidade.

- Do Palácio de Cristal local da Exposição;
clip_image031fig. 15 – O palácio de Cristal.

- Do rio Douro com as duas pontes (acessos ferroviário e rodoviário), com o porto fluvial, então ainda com grande actividade mercantil, e a cidade ribeirinha e Vila Nova de Gaia.
clip_image033fig. 16 – O rio Douro e a cidade.

panoramica1fig. 16 a – A mesma imagem num postal da época.

O texto (em português e inglês) é claro na propaganda do Estado Novo. Numa referência clara à crise mundial – faziam-se já sentir na Europa os efeitos da crise económica provocada pelo crash da Bolsa de Nova Iorque de 1929 e sentiam-se já “ventos da guerra” - Portugal com um espírito português renovado pelo Regime do Estado Novo, apresentava-se como exemplo de Ordem, Organização, Ressurgimento, Arrumação, Disciplina, etc.
O texto termina com uma referência à cidade e ao vinho do Porto, e um convite a visitar o país do sol.
O texto diz: “Portugal. O mais antigo dos actuais países colonisadores, o país que atravez das suas descobertas deu novos mundos ao Mundo, vai apresentar na sua Exposição Colonial Nacional, não só os resultados brilhantes do seu esforço e actividade modernos, como também métodos coloniais originalíssimos, reorganizados e valorizados por uma Política de ressurgimento nacional que pode constituir um exemplo nas agitadas horas de crise que o mundo atravessa. Quando o momento internacional se apresenta cheio de dúvidas e incertezas, de desorganização e de desordem, em confessada impotência contra a crise mundial, Portugal, como sentido da sua grandeza, reorganizou-se na Metrópole e nas Colónias, onde a sua Política tem imposto a ordem, a arrumação, a disciplina – na vida social, política, económica e financeira.
A Exposição Colonial Portuguesa será uma realização do espírito português, renovado por um Estado Novo, na sua obra Colonial.
Realiza-se a Exposição na antiga e nobre cidade do Porto, a segunda cidade do país, no centro de uma das mais admiráveis zonas de turismo – a cidade que deu o nome ao vinho mundialmente conhecido.
Visitai a Exposição Colonial Portuguesa, que terá logar de Junho a Setembro de 1934, no país do sol e na cidade mais pitoresca e característica de Portugal.” [27]

Os Jornais da Exposição

É criado um jornal oficial da Exposição “O Ultramar” dirigido por Henrique Galvão e publicado de 1 de Fevereiro a 1 de Outubro de 1934.

clip_image035fig. 17 – Ultramar órgão oficial da Exposição Colonial n.º10 15 de Junho de 1934, Ercílio de Azevedo, Porto 1934 : a Grande Exposição, Edição de Autor, Porto 2003.

O jornal O Comércio do Porto, com instalações na exposição na rua de Lourenço Marques, cria O Comércio do Porto Colonial, um periódico da Exposição.

clip_image037fig. 18 – O Comércio do Porto Colonial n.º2 17 de Junho de 1934, Ercílio de Azevedo, Porto 1934 : a Grande Exposição, Edição de Autor, Porto 2003

Também outros jornais se instalam no Palácio de Cristal, para melhor acompanhar o certame.

A rádio

Num período em que a rádio assume crucial importância como meio de comunicação e de propaganda, a Invicta Rádio [28] é escolhida como emissora oficiosa da “Exposição Colonial do Porto”. A estação transmitiu todas as palestras do capitão Henrique Galvão e de outras figuras ligadas ao regime. A firma Arnaldo Trindade procedeu à instalação sonora. A publicidade radiofónica foi adjudicada à Rádio Clarion.

Os Correios

É instalado um posto dos CTT e impresso um selo comemorativo, com um desenho de Almada Negreiros, com a figura de uma africana, e impresso na Casa da Moeda. Circularam até 1945.

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fig. 19 – selo de Almada Negreiros. Casa da Moeda 1934.

A fotografia

Da fotografia vai encarregar-se a Casa Alvão de Domingos Alvão (1872-1946), que realizará todas as fotografias oficiais da Exposição e que irá publicar um “Álbum fotográfico da 1ª Exposição Colonial Portuguesa” com 101 clichés fotográficos de Alvão - Porto, fotógrafo oficial da Exposição Colonial, editado no Porto pela Litografia Nacional.

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fig. 20 – Capa do Album Fotográfico de Alvão da 1ª Exposição Colonial Portuguesa Litografia Nacional, Porto 1934 e fig. 21 – Reprodução do Álbum com o título de A Porta do Meio Exposição Colonial de 1934 Fotografias da Casa Alvão, com um texto de Maria do Carmo Serén, Centro Português de Fotografia, Ministério da Cultura Arquivo Português de Fotografia, Setembro de 2001.

Escreve Henrique Galvão na apresentação do álbum: “(...) êste Album é dedicado a todos os portugueses de idéas claras e acção pronta, a quem se deve o êxito político, espiritual e material da Exposição — a todos os portugueses ainda que, alheios a intrigas demolidoras e a actividades desagregantes, estão, disciplinada e generosamente, em volta dos Chefes do Estado Novo, Áquém e Além-Mar, prontos a servir o Bem da Nação — êsse Bem de todos, que não póde confundir-se com o bem de cada um, nem com as fórmulas improvisadas de qualquer crítico ambicioso.” [29]

A Casa Alvão & C.ª instalou um pavilhão na Avenida das Tílias, então chamada Avenida da Índia, tendo Domingos Alvão (1872-1946), recebido um Diploma de Cooperação, atribuído pelas duas personalidades promotoras da Exposição: o ministro das Colónias, Armindo Monteiro e o director-técnico da exposição, Henrique Galvão.

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fig. 22 – O stand da Casa Alvão na avenida da Índia no Álbum Fotográfico e fig. 23 - anúncio da Casa Alvão no Álbum Catálogo.

A importância das fotografias da Casa Alvão é salientada por Maria do Carmo Serén: “Se a Exposição Colonial ficou na memória das pessoas deve-se em grande parte às ima­gens de Domingos Alvão. São as personagens vivas, os africanos dos "aldeamentos" sucedâneos, as belas raparigas da Guiné, Angola ou da Índia, fotografadas por Alvão, o pequenino Augusto que se tornou a mascote da feira, que todos recordam. E a nobreza da cabeça de velho, da Índia, os guerreiros de Moçambique, a impressionante postura do régulo Amadú Sissé ou o notável inconformismo do seu filho Abdulai, o respeito pelo outro das fotografias de Domingos Alvão, conservadas no Álbum da Exposição, que nos permitem ainda hoje olhar de frente a Exposição Colonial e permitiram, então, que a propaganda se tornasse mais difusa.” [30]

O cinema

Finalmente em 1935 é editado um filme-documentário de 73 minutos intitulado Primeira Exposição Colonial Portuguesa - Porto 1934, realizado por Aníbal Contreiras (1896-?), de que existe apenas uma cópia restaurada na Cinemateca Portuguesa.

A pintura e a ilustração

Para além de diversos artistas plásticos, será Eduardo Malta [31] que em 1933 havia executado um retrato de Salazar [32], o pintor “oficial” da Exposição e encarregar-se-á de retratar muitos dos seus protagonistas e de ilustrar muitas das publicações que dela resultarão. Eduardo Malta, revela-se mais interessante pelos seus desenhos, mais espontâneos, do que pela sua pintura, mais académica.

clip_image049fig. 24 - Eduardo Malta - Retrato de António de Oliveira Salazar 1933 óleo sobre tela 99 x 115 cm Museu do Chiado – MNAC.

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fig. 25 - Eduardo Malta, desenho de Eduardo Malta para o Álbum Comemorativo da Exposição.

A electricidade e a iluminação

Num momento da concretização da iluminação eléctrica nos edifícios e nos espaços públicos, onde os reclamos luminosos começam a ter um importante papel publicitário, e a propaganda política utiliza com sucesso os efeitos luminosos, [33] a iluminação eléctrica, foi fundamental para o sucesso da Exposição. A instalação eléctrica foi concessionada à firma Carlos dos Santos, Lda. e aos Serviços Municipais de Gás e Electricidade, então dirigidos pelo engenheiro Ezequiel de Campos. [34]
J. Mimoso Moreira, Chefe da Divisão de Propaganda e Publicidade da Agência Geral das Colónias, escreve: “A iluminação do Palácio será feita pelos mais modernos processos, utilizando os últimos expedientes, compreendendo a montagem desde os mais poderosos reflectores e torres iluminantes, às fontes e postes luminosos – custando a sua montagem algumas centenas de milhares de escudos.”  [35]
Mário de Figueiredo escreve no jornal Ultramar: "Uma das grandes atracções [da Exposição] é, sem dúvida, a iluminação, profusa, bem distribuída e montada com preceitos mo­dernos. Foi concessionária a firma Carlos dos Santos, Lda., mas o director da montagem, o engenheiro civil Sr. João Fernando Ma­chado Gouveia, durante alguns meses, modesta mas proficiente­mente, auxiliado pelos seus operários, de que destacaria o Antó­nio Lopes, estabeleceu e distribuiu toda a aparelhagem iluminan­te. Devem-se-lhes os efeitos obtidos com as sancas, com os reflec­tores, os tubos e torres luminosas. As fontes, principalmente as do lago grande, exigiram paciente afinação e não dispensam ainda ho­je permanente assistência, dado o seu funcionamento complicado. Pertence aos serviços de electricidade do município a instalação da rede subterrânea, em substituição da aérea, que existiu mui­tos anos nos jardins do Palácio com os seus inestéticos postes, e a montagem dos transformadores, com a as respectivas «cabines» de distribuição, trabalho de carácter definitivo, não isento de responsabilidades e de que se desempenhou muito bem o pessoal, so­bre a direcção do engenheiro Ezequiel de Campos”.
Também na revista Ilustração, acompanhando uma notícia ilustrada sobre a inauguração da Exposição, e apresentando algumas fotos noturnas, publica-se um outro artigo Aspectos Nocturnos da Exposição, realçando a importância da iluminação para o sucesso do certame.
“Os jardins do Palácio de Cristal, onde amiude se deparam típicas aldeias indígenas e “stands” vários das nossas províncias ultramarinas, oferecem de noite um espectáculo maravilhoso. A iluminação é grandiosa. Todo o enorme recinto ressurge sob um deslumbramento de luz, rodiado [sic] de numerosos e potentes projectores eléctricos, das gigantescas fontes luminosas e das feéricas iluminações, de feição artística e decorativa, e ornamentam e se alinham pelas avenidas e áleas dos parques e jardins do antigo Palácio de Cristal.” [36]

clip_image053fig. 26 – foto na Ilustração, n.º 205 de 1 de Julho de 1934.

E no número especial dedicado à Iª Exposição Colonial Portuguesa do Boletim Geral das Colónias [37], até pelo número de fotografias, são realçados os aspectos nocturnos da Exposição e o seu impacto no grande público.

clip_image055fig. 27- Foto no Boletim Geral das Colónias Número especial dedicado à Iª Exposição Colonial Portuguesa.

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fig. 28 - A venida das Tílias (Índia) de dia e fig. 29 – A venida das Tílias (Índia) de noite.

clip_image061fig. 30 - A fonte luminosa.

clip_image063fig. 31 – idem.

A chegada das delegações coloniais

Ainda antes de inaugurada a Exposição, as cidades de Lisboa e sobretudo do Porto, são agitadas pela chegada das diversas delegações vindas das Colónias. Primeiro desembarcam em Lisboa e de seguida vem de comboio para o Porto, onde desfilam na cidade.

“A caminho do Porto, onde em meados deste mês, será inaugurada a I Exposição Colonial Portuguesa, passaram em Lisboa na última quinzena a 5ª Companhia de Infantaria Indígena de Moçambique, com o seu terno de corneteiros e tambores, e a banda da 1ª Companhia Indígena de Angola e a Embaixada de Timor.(…) A embaixada timorense é de quatro homens e três mulheres, superiormente chefiados por dois régulos, que são tenentes coronéis embora vistam à paisana.” [38]
A 5ª Companhia de Infantaria de Moçambique permanece em Lisboa tendo desfilado na parada do dia do Exército a 27 de Maio.

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fig. 32 – Página da revista Ilustração com a chegada das delegações de Moçambique e Timor a Lisboa.

A 12 de Maio chegam ao Porto as delegações de Timor e da Guiné, esta composta pelos 63 indígenas de várias etnias.
A chegada ao Porto da delegação da Guiné é descrita por um jornal portuense:
“…A caravana indígena, composta de 18 homens “bijagoz”, 14 mulheres e 20 homens “balantas”, “mandingas” e “fulas”, 5 artífices e um régulo com sua mulher, dois filhos e dois criados, dirigiu-se, em carros eléctricos, para o Palácio de Cristal. Pelas ruas do trajecto, uma curiosidade enorme por parte da população, pouco habituada a vêr gente negra com as mais variadas e exóticas vestimentas. Os indígenas, presos também de curiosidade, olhavam tudo e todos com quási manifestações de espanto…” [39]
No âmbito da participação da Universidade do Porto na Exposição Colonial ainda no mês de Maio realizaram-se duas conferências no Ateneu Comercial. A primeira foi proferida no dia 12 pelo professor Mendes Correia (será Presidente da Câmara do Porto entre 1936 e 1942) e subordinada ao tema Raças coloniais e mestiços, e a segunda pelo professor Américo Pires de Lima (1886-1966), sobre o tema A Universidade e as Colónias.

A inauguração

No dia 15 de Junho chega à Estação de S. Bento o Presidente da República, Óscar Carmona, que se dirige para uma sessão de boas-vindas no Palácio da Bolsa. [40]
Nessa noite, realiza-se um Baile de Gala no Palácio da Bolsa a que assistiram “o Se­nhor Presidente da República, os membros do Governo que o acompanharam a esta cidade e o corpo diplomático estrangeiro acreditado na Capital, que, largamente, brilhantemente, se fez representar.”
Segundo O Comércio do Porto:

“O aspecto do Palácio, simplesmente assom­broso. De todos os bailes que, ali, se têm rea­lizado - garantiu-nos quem vem assistindo, há algumas dezenas de anos, às festas da Asso­ciação Comercial - foi neste, nos últimos tem­pos, pelo menos, o melhor, o mais sumptuoso, o de maior grandiosidade. Desde o exterior do Palácio - um dos melhores, se não o melhor, do Porto - até ao seu interior, tudo se mostrou fe­érico, tudo cintilou, tudo esteve belo.Os projectores - focos poderosos de luz branca incidindo sobre to­das as fachadas do Palácio - contribuíram, grandemente, para o brilho da festa, iluminando a casa em que ela se realizava fazendo destacar os seus mínimos pormenores arquitectónicos.” [41]
E segundo o Diário de Lisboa:
“…uma das festas mais brilhantes que se realizaram por motivo da abertura da Exposição Colonial (…) que reuniu nos magníficos salões e na vasta galeria cerca de 1500 convidados (…) Dançou-se até depois das 4 horas da madrugada.” [42]

clip_image067fig. 33 – o General Carmona com Madame Oliveira Cálem, Ercílio de Azevedo, Porto 1934 : a Grande Exposição, Edição de Autor, Porto 2003.

Carmona quis ainda ver nessa noite as iluminações e o aspecto nocturno da Exposição, pelo que se deslocou ao Palácio de Cristal.
“O Chefe do Estado retirou-se perto das 3 horas, seguindo para o Palácio de Cristal acompanhado pelo sr. ministro das Colónias e pelo director técnico da Exposição. Todo o recinto se iluminou expressamente para o sr. General Carmona apreciar o efeito nocturno do grande certame.” [43]

A abertura da Exposição, Sábado 16 de Junho de 1934

No dia 16 de Junho, depois de uma parada militar na Avenida dos Aliados, onde desfilaram os militares das colónias, o Chefe do Estado dirigiu-se ao Palácio de Cristal, onde cortou a fita que concretizou a abertura da Exposição. A Exposição esteve aberta até 30 de Setembro do mesmo ano.

clip_image069fig. 34 - Foto Alvão. Da esquerda para a direita: Armindo Monteiro ministro das Colónias, o Cardeal Cerejeira, Óscar Carmona Presidente da República e Henrique Galvão. Repare-se no uso do fraque e do chapéu alto das autoridades civis.

clip_image071fig. 35 – O Chefe do Estado, tendo à direita o capitão Henrique Galvão, e à esquerda o ministro das Colónias, cortando a fita que vedava o acesso ao Palácio das Colónias, inaugurando, dessa maneira a Exposição. Ilustração, n.º 205 de 1 de Julho de 1934.

clip_image073fig. 36 – No dia da inauguração.

A Sessão Solene de 16 de Junho

Na noite de 16 realizou-se uma sessão solene no Palácio da Bolsa,  transmitida pela Emissora Nacional, a que presidiu o Presidente da República General Óscar Carmona, acompanhada pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros José Caeiro da Mata [44], pelo Ministro das Colónias, Armindo Rodrigues Monteiro e pelo Director Técnico da Exposição, capitão Henrique Galvão. Presentes ainda, entre outras individualidades, o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira [45] e o Presidente da Câmara do Porto, o professor doutor Alfredo de Magalhães. De seguida dirigiram-se para o Palácio de Cristal onde o Chefe do Estado cortou a fita que concretizou a abertura da Exposição, em 16 de Junho de 1934. A Exposição esteve aberta até 30 de Setembro do mesmo ano.

clip_image075fig. 37 - A mesa da presidência da sessão inaugural da Exposição, que se realizou no Palácio da Bolsa. Ao centro, vê-se o Chefe do Estado e logo em baixo o ministro dos Negócios Estrangeiros. Ilustração, n.º 205 de 1 de Julho de 1934.

Salazar e a Exposição

Apesar da importância do evento, Salazar não esteve presente nas cerimónias e limitou-se a enviar diversos telegramas aos organizadores da Exposição Colonial.
No entanto Salazar visitou a Exposição em duas ocasiões: em 28 e 29 de Abril, antes da sua abertura e em 7 Setembro antes do seu encerramento.

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fig. 38 - Ultramar de Maio e de Setembro de 1934.

Em 28 de Abril, numa sessão no Palácio da Bolsa seguida de um Baile, e que antecedeu a sua visita às obras da Exposição realizada no dia seguinte, Salazar profere um discurso em que explica a política colonial do Estado Novo e termina dizendo que:
Estamos ansiosos pela abertura da Exposição Colonial a que o Pôrto quis patrioticamente dar um concurso decisivo, para ser bem patente a todos e de modo especial a alguns, mais esquecidos que ignorantes, o que tem sido por um lado o sacrifício de vidas e fazendo a nossa epopeia colonial e por outro a obra por nós silenciosamente realizada em benefício da paz, do progresso económico e da Humanidade. Há tal desconhecimento e tão generalizado duma obra talvez não excedida por ninguém, que, depois de ser erro, passaria a ser crime contra a Pátria, não fazer incidir sobre ela toda a luz.” [46]

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fig. 39 – Salazar acompanhado por Armindo Monteiro e Henrique Galvão antes da abertura da Exposição. Foto no Boletim Geral das Colónias, Agência Geral das Colónias, Vol. X - 107, Maio de 1934.

Em 7 de Setembro, Salazar interrompe as suas férias no Caramulo, para (discretamente) visitar a Exposição, pouco antes do seu encerramento.

clip_image083fig. 40 – Salazar no terraço da réplica do Farol da Guia, em Setembro de 1934.

Os guias da Exposição

Todo o recinto - tendo por centro o Palácio de Cristal rebaptizado de Palácio das Colónias, é organizado para a Exposição, de modo a permitir a instalação dos 338 stands, oficiais e privados, como se pode constatar no Guia Oficial dos Visitantes [47], e no “O Império Português, Album-Catálogo Oficial” [48] então publicados.

O Guia Oficial do Visitante

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fig. 41 - Guia Oficial dos Visitantes e fig. 42 – Guia Oficial dos Visitantes – Planta Guia.

“Este Guia descrevia a exposição pormenorizadamente, mencionando o que se podia visitar ao ar livre e dentro do edifício. Incluía algumas fotografias ilustrativas dos locais considerados de maior interesse e sugeria ao visitante um caminho a percorrer de forma a não deixar de visitar o que de mais significativo havia para ver. Incluía ainda uma lista completa dos participantes privados (em ordem alfabética) e algumas páginas de anúncios. O Guia fornecia também um mapa dos terrenos e jardins do Palácio mostrando a localização exacta de todas as atracções; no verso estava uma planta do edifício, o Palácio das Colónias, com a respectiva legenda explicativa.” [49]

O Império Português Na Iª. Exposição Colonial Portuguesa Álbum – Catálogo

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fig. 43– Capa e rosto do Álbum-Catálogo da I.ª Exposição Colonial Portuguesa.

Este Álbum, para além das incontornáveis fotografias de página inteira do Presidente da República, do Presidente do Conselho, do Ministro e do Sub-Secretário de Estado das Colónias, tem uma primeira parte intitulada O Passado, dividida em As Descobertas, por Quirino da Fonseca, A Conquista, pelo general João Almeida e A Colonização, por Vicente Ferreira, onde se procura resumir e enaltecer o passado colonial português.
Segue-se um capítulo A Obra Colonizadora dos Últimos Anos, em que se refere O Acto Colonial e a Conferência dos Governadores do Império realizada em Junho de 1933, no hemiciclo da Câmara dos Deputados.
O capítulo seguinte intitula-se O Porto d’ontem, d’hoje e d’amanhã e é da autoria de Francisco Pereira de Sequeira. E descreve os principais monumentos da cidade. Seguem-se, do mesmo autor textos sobre Gaia e Matozinhos; sobre as regiões de Turismo – três belas excursões (para norte até Chaves; para sul até Aveiro e para sul até Coimbra), onde não falta a publicidade das empresas dessas regiões.

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expo362bfig. 44 – A primeira parte do Álbum e os cabeçalhos dos capítulos.

O Álbum, ilustrado por mapas, fotografias, gráficos, dioramas, maquetes e desenhos descrevia depois a exposição pormenorizadamente, com referências para cada uma das Colónias, e ao que se podia visitar ao ar livre e dentro dos edifícios. Incluía algumas fotografias ilustrativas dos locais considerados de maior interesse e sugeria ao visitante um caminho a percorrer de forma a não deixar de visitar o que de mais significativo havia para ver.
O Álbum – Catálogo incluía nas suas páginas finais um ROTEIRO Resumo Elucidativo do Visitante da Primeira Exposição Colonial Portuguesa, detalhando o que o visitante poderia ver nas três secções (secção oficial, secção particular e atrações e concessões) distribuídas no Palácio das Colónias, jardins e entre o Palácio e o Quartel do Batalhão de Metralhadoras n.°3. No texto estavam inseridas fotografias da Casa Alvão mostrando aspectos relevantes da Exposição.

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fig. 45 e fig. 46 – Primeira e última página do Roteiro inserido no Álbum Catálogo.

No final a lista dos cerca de 270 participantes, oficiais e particulares, onde se destacam pelo número as empresas fabris do Porto, e de entre estas as fábricas de fiação, têxteis e tecidos.
Henrique Galvão irá publicar dois álbuns sobre a Exposição Colonial: o Álbum Comemorativo da Primeira Exposição Colonial Portuguesa, M CM XXXIV, Porto, com um prefácio pelo Senhor Ministro das Colónias e ilustrações de Eduardo Malta, numa edição da Litografia Nacional.

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fig. 47 e fig. 48 – Capa e Selo do Álbum Comemorativo da Exposição Colonial por Henrique Galvão.

E o álbum No Rumo do Império, com um texto de Henrique Galvão e desenhos de Eduardo Malta, também de 1934, numa edição da Litografia Nacional.

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fig. 49 - Capa e rosto de No Rumo do Império.

O Boletim Geral das Colónias

Em Julho de 1934 a Agência Geral das Colónias publica o seu Boletim com um número especial dedicado à 1ª Exposição Colonial Portuguesa, [50] onde se referem todos os textos e depoimentos, ilustrados com algumas fotografias da Exposição.

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fig. 50 Capa do Número Especial dedicado à 1.ª Exposição Colonial Portuguesa, Agência Geral das Colónias Julho 1934.

A Exposição

O monumento “Ao Esforço Colonizador Português”

Logo à entrada, centralizando a então denominada Praça do Império, foi erigido o monumento “Ao Esforço Colonizador Português” do alferes  Alberto Ponce de Castro (? - ?) e de José de Sousa Caldas (1894-1965): “Sintetizando o Esfôrço Colonizador Português, através dos mais altos heróis da Epopeia Nacional, ergue-se, como símbolo magnífico, à entrada, mesmo, dos jardins, a coluna que a gravura mostra e que parece formar a Cruz que os nossos mareantes levaram às cinco partes do mundo.” [51]

clip_image115fig. 51 – A Praça do Império e o Monumento ao Esforço Colonizador.

Com uma linguagem Art-Déco (compare-se a sua base com o pedestal da Juventude [52] na Avenida da Liberdade, seu contemporâneo) é constituído por um conjunto de paralelepípedos de granito encastrados que se eleva a cerca de 10 metros de altura, onde estão “inscritos os nomes ilustres dos homens que maiores serviços prestaram à obra portuguesa de colonização nos últimos cincoenta anos.” [53]
No topo as armas de Portugal. Na base sustentando esse bloco, seis figuras simbolizando o esforço colonizador representando a Mulher, o Missionário, o Militar, o Comerciante, o Médico e o Agricultor. “A cada face do poliedro associou o escultor uma figura de austeras linhas, alegórica das virtudes da Grei e dos agentes na empresa mais essenciais: a mulher, o soldado, o missionário, o pioneiro, o colono, o cientista, finalmente : médico, agrónomo, veterinário. A caracteres de ouro, alguns dos nomes que durante meia centúria mais se ilustraram ao serviço do Ultramar: Rebêlo da Silva, Teixeira de Sousa, Serpa Pinto, Silva Pôrto, Roberto Ivens, Hermenegildo Capêlo, Mousinho de Albuquerque,…” (seguem-se os nomes). [54]

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fig. 52 – A base do monumento. À direita as figuras do Missionário e do Médico com os respectivos símbolos.

Na base uma inscrição: “Em comemoração da Exposição Colonial Portuguesa no Porto de 16 de Junho a 30 de Setembro de 1934”.

À noite “O deslumbramento da luz apoteotiza o monumento ao Esforço Colonizador.” [55]

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fig. 53 - Um aspecto nocturno do monumento ao Esforço Colonizador Português.
 
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fig. 54 – O Monumento ao Esforço Colonizador.

“Em volta do monumento, em mosaico-cultura, vêem-se as Cartas das oito Colónias portuguesas desenhadas nos canteiros. À esquerda num canteiro que margina a Avenida de Angola, ergue-se a reprodução dum Fortim militar do tipo dos que foram construídos para a ocupação militar das Colónias. À direita, em canteiro oposto, vêem-se as reproduções das pedras de Dighton e de Yelala.” [56]

clip_image125fig. 55 – O monumento ao Esforço Colonizador e o Palácio das Colónias. De salientar os canteiros trabalhados em torno do monumento. Arquivo Nacional de Fotografia Instituto Português dos Museus.

[Este monumento foi colocado 50 anos depois (1984) na actual Praça do Império, pelo então Presidente da C.M.P. engenheiro Paulo Vallada (1924-2006).]

O Palácio das Colónias

No centro da Exposição o Palácio das Colónias, com uma fachada art-déco, revestindo a fachada do Palácio de Cristal, tornando-o assim “…moderno, elegante, arrojado, até.” [57]
Esta fachada art-déco, foi projectada pelo engenheiro Henrique Mouton Osório [58] e “parece erguer, nas suas linhas direitas, o grito da Raça, que desperta para novos e vastos empreendimentos. Dir-se-ia, olhando-a, que o Passado vem até nós com os seus feitos audazes.” [59]
clip_image127fig. 56 – M.CM.XXXIV – Pôrto - Frente do Palácio das Colónias – Projeto de Mouton Osório, cabeçalho de uma página do Álbum Comemorativo.

clip_image129fig. 57 – Foto aérea da Casa Alvão. O Palácio de Cristal transformado no Palácio das Colónias no centro da Exposição.

No corpo central a inscrição “Palácio das Colónias” encimadas pelas armas nacionais, ladeada por duas datas : 1415, a data da tomada de Ceuta, em que principia o esforço colonizador por­tuguês, e 1934, a data da 1.a Exposição Colo­nial Portuguesa.

clip_image130fig. 58 -  Detalhe da fig. anterior.

O corpo do lado poente é encimado por um elemento muito utilizado nos anos 20 e 30, (veja-se por exemplo, o cinema Capitólio em Lisboa ou os Armazéns do Anjo no Porto), um “castelo” de vidro iluminado. No corpo intermédio a inscrição 1934.

clip_image132fig. 59 – Outro detalhe.

Do lado nascente um outro corpo cúbico, encimado por uma escultura de Armando Correia, representando um gigantesco elefante, símbolo da força e da lealdade, o verdadeiro “rei da selva”. [60]

O Elefante

O elefante, que habita as regiões da África e da Ásia, é um símbolo da estabilidade, e surge naturalmente como o símbolo da Exposição e dos territórios portugueses nesses continentes.

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fig. 60 – A preparação da estrutura para a escultura em gesso do Elefante. Veja-se a dimensão da escultura.  fig. 61 – O Elefante no cimo do Palácio das Colónias detalhe da fig.67.

O próprio Henrique Galvão deixou-se fotografar com a maquete da escultura do elefante que encima o Palácio das Colónias.

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fig. 62 – Foto no blogue moderna uma outra nem tanto. (http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/)

O elefante no Álbum-Catálogo e no álbum No Rumo do Império.

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fig. 63 e fig. 64- Desenhos de elefantes em ilustrações dos álbuns da Exposição Colonial.

O elefante tendo escrito na base Mascote Comemorativa da Primeira Exposição Colonial Portuguesa, e Casa Marinha Grande rua Sampaio Bruno Porto. (no blogue moderna uma outra nem tanto http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/)

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clip_image144fig. 65– O elefante Mascote Comemorativa da Primeira Exposição Colonial Portuguesa porcelana moldada, vidrada a branco, com  14 cm. de altura Casa da Marinha Grande, 19 rua Sampaio Bruno Porto.

O elefante de tromba erguida, provavelmente produzido na Marinha Grande, em estilo art-déco. (no blogue Memórias e Arquivo da Fábrica de Loiça de Sacavém http://mfls.blogs.sapo.pt/)

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fig. 66 – Elefante Pisa-papéis em vidro fosco moldado, com cerca de 13,8 x 9,2 x 4,6 cm.

Na fachada, sob o elefante, um painel cerâmico quadrado com o símbolo da Exposição: a esfera armilar com o escudo das cinco quinas, sobre uma cruz da Ordem de Cristo.

clip_image150fig. 67 – O elefante e o painel cerâmico no topo nascente do edifício. Álbum Fotográfico.

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fig. 68 e fig. 69 – Detalhes da fotografia anterior.

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fig. 70 – O símbolo do Império e da Exposição.

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clip_image162fig. 71 – Duas fotografias nocturnas do Pavilhão das Colónias no Boletim Geral das Colónias.

Na arquitectura, na decoração, nas artes gráficas e no lettering, utiliza-se a linguagem da época, o estilo art-déco, criando na Exposição um ambiente que se pretende moderno e avançado. Assim, predominam as linhas rectas ou circulares estilizadas, as formas geométricas e os volumes simples e encastrados. Este vocabulário moderno e modernista explora ainda o exotismo nas contribuições da artes colonial, africana e oriental, exibidas na Exposição. [61]

O Interior do Palácio

No interior do Palácio, as estruturas metálicas estavam dissimuladas por elementos decorativos, também com um desenho art-déco. Parte da cobertura era forrada com elementos decorativos alusivos às colónias.
No Palácio das Colónias, a exposição organizava-se com uma Secção Oficial, onde se procurava fundamentar a ideia do Império e fazer a propaganda do Estado Novo e da sua acção e obras nas colónias .

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fig. 72 - Planta do Palácio das Colónias com a indicação das diversas secções.

À entrada da grande nave, o padrão de Diogo Cão e um painel do pintor Abel de Moura (1911-2003).

clip_image166fig. 73 – O Padrão à entrada do Palácio das Colónias.

Junto à entrada a Sala Histórica, que funcionava como vestíbulo do edifício, apresentava três grandes planisférios luminosos. O das Viagens Marítimas dos Portu­gueses, o das Viagens Terrestres e Explorações e o da Expansão, da Raça e Língua Portuguesa. No centro o túmulo de Afonso de Albuquerque.

clip_image168fig. 74 – Um aspecto da Sala Histórica.

O Caminho de Ferro era a secção que se seguia na nave central, apresentando planos em relevo, maquetes, dioramas, gráficos, diagramas, etc., das obras ferroviárias nas colónias como o ca­minho de ferro de Lourenço Marques, Zambézia, Rodésia, Benguela, Luanda, Moçâmedes, Mormugão, etc.

clip_image170fig. 75 – Um aspecto da zona da nave do Palácio dedicada ao Caminho de Ferro.

clip_image172fig. 76– Outro aspecto da zona da nave do Palácio dedicada ao Caminho de Ferro.

Na parede uma frase de Salazar exaltando a grandeza da Nação.
“Portugal pode, se nós quisermos, ser uma grande e próspera Nação. Sê-lo-á.”

Os Portos

De seguida os portos onde se mostrava “o valor do seu apetrecha­mento com numerosas maquetes de Lourenço Marques, Macau, Lobito, Mormugão, Beira, Luanda, Guiné Portu­guesa, etc.
Outras maquetes miniaturas dos guindastes usados nos portos ultramarinos e uma maquete das instalações frigoríficas do porto de Lourenço Marques, completam a exibição, que compreende também Cartas, gráficos estatísticos e fotografias.” [62]

clip_image174fig. 77 – O espaço dos portos com o porto da Beira.

A Navegação

“Ao centro do grupo vê-se a Estátua do Mari­nheiro.
Cercando a estátua duas secções: a da ma­rinha de guerra e a da marinha mercante. Na primeira faz-se referência à sua cooperação na ma­nutenção da soberania portuguesa e a recons­trução naval; na segunda às carreiras de navegação regulares para a África, exibindo-se no grupo maquetes, material de guerra e náutico, plantas, dia­gramas e fotografias.” [63]

clip_image176fig. 78 - Um aspecto da secção oficial da Navegação vendo-se ao centro a escultura O Homem do Leme.

clip_image178fig. 79 – Outro aspecto da mesma secção.

O Homem do Leme (A estátua do Marinheiro)

(ver neste blogue O Homem do Leme de 27 de Março de 2013)
Durante a Exposição foi exposta a maquete em gesso da escultura “O Homem do Leme”, encomendada por Henrique Galvão ao escultor Américo Gomes.

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fig. 80 e fig. 81 – O Homem do Leme na Exposição Colonial.

No pedestal relevos alusivos à Descoberta, Conquista e Colonização.

Após a Exposição esta maquete recolheu à “…salinha aconchegada do Museu Municipal de Ílhavo, onde veio encontrar carinhoso e seguro abrigo, [onde] nem destoa pelo inevitável contraste das suas dimensões nem corre o perigo de deixar incompreendido o pensamento que o inspirou.” [64]
Escreve ainda o Director do Museu Municipal de Ílhavo, encontrando correspondências entre o Homem do Leme e o marinheiro ilhavense:
“Desde a máscara enrugada pelo vento cortante de largos mares, fronte contraída dominando a emoção, atenção concentrada no horizonte distante, procurando divisar a linha da costa, até o oleado e o sueste por aquele corpo envergados, tudo se transmudou ali no marinheiro ilhavense que não receia desafiar as porcelas medonhas nem as vagas alterosas dos mais longínquos mares do globo, onde a vida de tantos tem sido o preço da heróica aventura constantemente renovada.” [65]

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fig. 82 – A maquete no Museu de Ílhavo.

Mas terminada a Exposição Colonial e perante a qualidade da obra, foi criada uma Comissão para o Levantamento na Foz do Douro da Escultura O Homem do Leme com o objectivo de a reproduzir em bronze, tendo o trabalho sido executado em 1937 na oficina de Bernardino Inácio. Em 1938 a Câmara Municipal do Porto [66] deliberou a sua colocação no local onde está presentemente, a Avenida de Montevideu na Foz do Douro, para o que foi desenhado um novo pedestal, pelo arquitecto Manuel Marques (1890 -1956).

clip_image186fig. 83 – A escultura quando foi colocada na Foz do Douro fotografia do livro O Homem do Leme 1938. Repare-se na frente urbana da avenida.

Ainda no mesmo ano de 1938, foi publicado um Livro O Homem do Leme, [67] com textos, poemas, desenhos, partituras de composições musicais, com datas entre 1936 e 1938. De entre as diversas personalidades que participam neste livro destacam-se as directamente ligadas à Exposição como o capitão Henrique Galvão, e personalidades como o Cardeal Patriarca e o Bispo do Porto, o comandante Gago Coutinho, o engenheiro Ricardo Severo [68] , o escultor Teixeira Lopes e a actriz Palmyra Bastos. Ainda os poetas Teixeira de Pascoaes, António Corrêa d’Oliveira, Eugénio de Castro, Afonso Lopes Vieira e Martha de Mesquita da Câmara, os pintores Carlos Reis, José de Brito, Alberto de Sousa, António Costa, os músicos José Viana da Motta, Guilhermina Suggia, Claudio Carneiro, Óscar da Silva e Armando Leça, os escritores Aquilino Ribeiro, Júlio Dantas e Carlos Passos e os professores Joaquim de Carvalho, Damião Peres, Hernâni Cidade e Aarão de Lacerda.
No livro, ainda uma lista de 270 pessoas que contribuíram para a transposição da escultura para bronze e a sua colocação na Foz do Douro.

As Missões religiosas

O espaço dedicado à acção das Missões, ocupava com as Navegações a zona central da grande nave do Palácio.

clip_image188fig. 84 - A nave central do palácio das Colónias, vendo-se a rotunda e as maquetes das missões católicas.

Era marcado por “uma rotunda”, com um Altar rodeado de lápides onde estavam inscritos os nomes de 150 missio­nários mortos ao serviço da causa missionária. Em torno desta rotunda cinco grupos em que manequins trajando hábitos de missionárias, mostravam a acção das Missões no ensino e na assistência médica.

clip_image190fig. 85 – Uma das maquetes das Missões Católicas.

clip_image192fig. 86 – A educação nas Missões.

clip_image194fig. 87 – A assistência nas Missões.


Medicina e Higiene

“Ao centro encontra-se um alçado com documentários sobre a difusão da assistência médica nas colónias. Á direita um grupo dá a ideia exacta de um Acampamento de combate à doença do sono; à esquerda a organização de saúde e assistência médica nas colónias, por meio de diagramas, cartas, maquetes e fotografias. Trabalhos sobre antro­pologia e anatomia científica com­pletam a demonstração.” [69]

clip_image196fig. 88 – A acção de prevenção e cura da doença do sono.

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fig. 89 – Secção de Medicina e Higiene.

A Alegoria do Futuro do Império

No palco do topo sul da nave a Alegoria do Futuro do Império, “fantasiando o que serão as Colónias, dentro de alguns anos, nos seus diversos aspectos.” [70] É encimada pela frase de Salazar já aqui citada: O Ressurgimento da Política Imperial é uma Realização do Estado Novo.

clip_image200fig. 90 - A nave central do palácio das Colónias com a Alegoria do futuro do Império e a inscrição O Ressurgimento da Política Imperial é uma realização do Estado Novo.

“Ao centro da composição, uma serena figura de mulher, cujos olhos a confiança ilumina, ergue maternalmente nos braços, aos beijos do sol, um bambino negro…No pano de fundo recorta-se o perfil dum padrão da descoberta…À direita, o vulto dum missionário na faina de espalhar a boa semente…À esquerda, a caminho do centro vizinho, aonde vai vender a sua colheita, caminha um indígena educado já, como o homem branco, no amor do trabalho, no gosto do pão que o próprio suor rega…” [71]

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fig. 91 – Detalhe da fotografia anterior.

clip_image204fig. 92- Outra imagem da Alegoria do futuro do Império (no palco) e na frente mostruário da Escola de Medicina Tropical.

Arte indígena

Um espaço onde se exibiam as manifestações artísticas dos indígenas das nossas Colónias.

clip_image206fig. 93 - A Arte Indígena.

Arte colonial

Um espaço para a exposição de Arte Colonial.

clip_image208fig. 94 – Espaço da Arte Colonial.

Sob as galerias, na ala poente:

A Sala do Império
Nesta sala procurava-se fazer uma síntese da nave central, onde se mostrava o esforço colonial português nos últimos cincoenta anos.
O Povoamento Europeu
Com um diorama central em que se via uma Casa de Colono, os mapas de Moçambique e Angola, um gráfico onde se comparava a população branca com a de outras nações e várias fotografias.
A Política indígena
Num diorama um tribunal indígena. Fotografias de chefes indígena.
O Ensino Colonial
O ensino colonial nas Escolas e Universidades do País.
A Instrução nas Colónias
Maquetes, fotografias e gráficos mostram Escolas primárias, Liceus, Escolas Superiores e Escolas profissionais nas Colónias.

clip_image210fig. 95 – Representação de Moçambique. As roças, a instrução e a Assistência Hospitalar. Ao centro no primeiro plano a maquete da Igreja e da Escola de Artes e Ofícios da Beira.

Sob as galerias na ala nascente:

(segundo o Roteiro)
O Automobilismo
Com 2 dioramas mostrando aspectos de es­tradas coloniais. Aos lados grá­ficos e cartas, mos­trando a importância das redes de es­tradas nas colónias e fotografias de tre­chos das mesmas estradas e obras de arte importantes.
As Comunicações
Em cartas, gráficos e fotografias mostra-se a expansão das comunicações postais telegráficas e aéreas nas colónias portuguesas, nos seus as­pectos internos e internacionais.
As Instituições de Crédito
Um diorama focando um as­pecto de uma delegação da Caixa Económica Postal. Aos lados grá­ficos dizendo a importância do auxílio finan­ceiro dado pela Metrópole às Colónias e pelas instituições de crédito aos Governos das Colónias e particu­lares.
A Urbanização
Ao centro uma maquete da praia da Polana em Lourenço Marques, encimada uma fotografia aérea desta cidade e dos lados Plantas de Macau, de Luanda e de outras cidades ultramarinas. Fotografias de aspectos de cidades e povoações coloniais.
O Comércio
Demonstração composta com grá­ficos da expansão Colo­nial das Colónias Portu­guesas. Estatísticas das suas relações co­merciais com a Me­trópole e das possi­bilidades da sua in­tensificação. Mostruário de Embala­gens.

A Assistência Científica

Todo o conjunto de elementos deste grupo mostra, na sua complexidade, como a assistência científica às Colónias tem sido completa e orientada no sentido do perfeito conhecimento dos territórios sob o nosso domínio
A secção de botânica. Mapas das Colónias indicando os traba­lhos das missões de delimitação das fronteiras respectivas, ladeados com as fotografias dos chefes das missões já falecidos.
Cartas geodésicas; gráficos de observações meteorológicas pelos observatórios coloniais; planos de obras hidráulicas cartas de reconhecimentos geológicos e de hidrografia dos portos e rios das Colónias. [72]

clip_image212fig. 96 – Secção de geologia e minas.

Nas naves laterais do Palácio

Na nave a poente, estavam instalados os Expositores particu­lares das Colónias, “…tudo ou quase tudo o que se produz nas colónias portuguesas tem nessa nave representação condigna.” [73]

clip_image214fig. 97 – Exposição das indústrias nas colónias.

clip_image216fig. 98 – Exposição dos Exportadores das colónias.

clip_image218fig. 99 - Indústrias das colónias tabacos e tecidos.

clip_image220fig. 100 - Exportadores das colónias as matérias primas.

clip_image222fig. 101 – Produtos das colónias marfim, madeira, peles e tabaco.

Na ala a nascente, foram distribuídos os participantes privados provenientes da metrópole “…a grandeza, o progresso, a importância da indústria portuguesa.” [74]

clip_image224fig. 102 – Os exportadores da Metrópole.

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fig. 103 – Os exportadores da metrópole.

O Instituto do Vinho do Porto
Ao fundo da nave lateral nascente estava instalado o stand do então criado, Instituto do Vinho do Porto. Ao centro um barco rabelo em metal, e dezenas de garrafas de marcas de vinho do Porto.

clip_image228fig. 104– Stand do Instituto do Vinho do Porto.

Ainda se distribuíam nas galerias do andar superior, as secções de Pecuária, Agricultura e florestas, Produtos do subsolo e Industrias coloniais, bem como a Sala militar e a da Agência Geral das Colónias.
A Sala Militar situada ao fundo da galeria.

clip_image230fig. 105 – Um aspecto da Sala Militar.

clip_image232fig. 106 – Outro aspecto da Sala Militar.

Finalmente, o “ edifício principal incluía ainda um serviço de bar, teatro, hall para recepções oficiais, telefones públicos, sanitários e serviços administrativos.” [75]

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fig. 107 – A distribuição no interior do Palácio das Colónias.

Os Jardins do Palácio de Cristal

O Comboio Turístico e o Cabo Aéreo

Nos jardins, todas as ruas e alamedas têm agora novos nomes, alusivos ao Império Colonial, para melhor guiar os visitantes nos diversos pavilhões institucionais e privados.

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fig. 108 – Os percursos do comboio e do teleférico assinalados no Guia da Exposição.

E para percorrer a Exposição pensando na comodidade dos visitantes são criados um “comboio turístico” e um pequeno teleférico, o Cabo Aéreo, que pese embora o atraso com que iniciou a sua actividade, cedo se tornou uma das atracções do certame. Os respectivos percursos são assinalados no Guia da Exposição.

O Comboio Turístico

clip_image237fig. 109 – O Comboio Turístico na Avenida das Tílias.

Adolfo de Freitas director do Notícias de Coimbra, escreve no n.º 33, de Sábado 8 de Setembro de 1934:
“O pequeno combóio colonial, em linha Décauville, está na estação para partir. Só falta um momento. Interrogamo-nos: - Vamos de combóio ? Talvez seja melhor. E saltamos para a carruagem, aberta, formada por grossos mas envernizados bancos tête-à-tête, que deixam todo o corpo e os movimentos livres, podendo a zeiss de nossos olhos reter todo o interessante panorama da exposição que vai ficando para trás à medida que o minúsculo combóio avança.”

O Cabo Aéreo (teleférico)

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fig. 110 - Detalhe de uma fotografia de Alvão vendo-se o Cabo Aéreo (teleférico).

Uma viagem no Cabo Aéreo
Hugo Rocha [76] numa reportagem sob o sugestivo título de “O Mistério do Cabo Aéreo” descreve assim a viagem no pequeno teleférico: “(…) Seguimos. Para lá do lago, cuja perspectiva era duma beleza es­tranha, o comboio liliputiano silvava, em marcha pachorrenta. Bre­ve saudação entre os passageiros da terra e os passageiros do ar. Lenços que alvejaram, que acenaram, lépidos e contentes com os olhos que lhes acompanhavam os acenos. Uns metros ainda, so­bre o bosque umbroso e verdejante. E começou a descida. A des­cida... Enquanto houve terra sob a cesta, terra quase resvés, terra a dois passos, na emergência dum salto de dramática fuga, a emo­ção não teclou, grandemente, as sensibilidades ambulantes. E era linda, até, a perspectiva das torres de ferro, em sucessão metódi­ca, encosta abaixo. Por momentos, pareceu que descíamos, em funicular, algum es­tranho monte d’algum país estranho. Depois, foi o vácuo, a altura, a vertigem. A Rua da Restauração, paralelepípedos alinhados, bri­lhando ao Sol oblíquo, as quatro paralelas de aço, dois eléctricos rodando, pesadamente, em sentido contrário, a escarpa impres­sionante, o abismo hiante - eis o filme rápido que se desbobinou a nossos olhos. Para lá, o Douro, apinhado de vapores e traineiras. Mais lá, ainda, o casario de Gaia, as chaminés das fábricas, o céu cor de safira pálida. A travessia do abismo, lenta, cautelosa, foi o ponto culminante de viagem. Em muitos, talvez em todos, o coração deve ter-se aperta­do um tanto. E quanto mais devagar se marcha, a contemplação do abismo causa arrepios, mais impressiona a descida. Depois, uma breve paragem na estação da Rua da Restauração complicada e vasta como a da Exposição. A seguir, o regresso. E a subida, sobre a larga rua primeiro, depois ao longo da escarpa aterradora, foi talvez mais impressionante. Não faltou então, quem limpasse, discretamente, o suor, sob a frescura deliciosa da tarde..." [77]
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fig. 111 - Uma “barquinha” do Cabo Aéreo.

Os pavilhões das Colónias

No jardim do Palácio de Cristal procurava-se apresentar o Império Colonial com a sua floresta tropical, o seu deserto, as suas picadas e as suas aldeias típicas correspondentes a cada uma das colónias. Estas e a presença de indígenas das diversas colónias, tinham por intenção dar ao visitante a sensação de ter viajado por todo o Império Português. "Cada Colónia enviou os seus nativos, que foram alojados em aldeias ou habitações típicas, continuando na Exposição a sua vida, usos e costumes coloniais." [78]

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fig. 112– Planta do Guia Oficial do Visitante.

Na Avenida da Índia (Avenida das Tílias), eixo estruturante dos jardins do Palácio, à entrada a réplica do Arco dos Vice- Reis de Goa, e o Pavilhão Etnográfico.

O Arco dos Vice-Reis da Índia

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fig.113 - A avenida Da Índia (das Tílias) com o Arco dos Vice-Reis numa extremidade e o Farol da Guia de Macau na outra e fig.114 – Localização do Arco dos Vice-Reis.

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fig. 115 - réplica do arco dos Vice-Reis (1597) e fig. 116 – O arco dos Vice-Reis na actualidade (recuperado em 1954).

Ao fundo da Avenida, uma réplica do Farol da Guia de Macau.

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fig. 117 - A avenida Da Índia (das Tílias) com o Arco dos Vice-Reis numa extremidade e o Farol da Guia de Macau na outra e fig.118 – Localização do Farol da Guia.

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fig. 119 - Réplica do Farol da Guia fig. 120 - O farol da Guia (1865)

Na avenida da Índia junto ao palácio encontrava-se outro monumento. O Monumento Aos portugueses mortos na obra de colonização.
 
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fig. 121 – Monumento aos portugueses mortos na obra de colonização.

“Sumaria a realização escultórica, talvez uma nave, a nave do nosso destino, designada pelo signo da Cruz na dupla vela…Ao alto, Portugal nas suas quinas…Duma base de cinco vastos degraus figurativos doutras tantas partes do Mundo, um génio irrompe num vôo energicamente desferido para o alto, a proclamar a glória do Império para além das penas e do martírio de soldados, missionários e pioneiros, de muitos portugueses, brancos e negros, - a glória de cinco séculos de epopeia, de bom serviço e sacrifício…” [79]

O monumento era constituído por um conjunto de paralelepípedos, de progressiva altura, onde se escreviam as datas mais significativas da colonização portuguesa, e duas velas com a cruz de Cristo. Na perpendicular um pedestal com uma lápide onde se lia “ AOS PORTUGUESES DE TODAS AS RAÇAS MORTOS NAS 5 PARTES DO MUNDO PELA OBRA PORTUGUESA DE COLONISAÇÃO.”

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fig. 122 – O conjunto de paralelepípedos com as datas inscritas e fig. 123 – A inscrição no monumento.

Assente num conjunto de degraus com o nome dos cinco continentes, um génio alado criando uma dinâmica de progresso e duas velas com a Cruz de Cristo.

expo340001afig. 124 – O génio sobre os continentes.

No extremo sul do recinto, no Miradouro do Palácio em forma de torre medieval, então denominado Torre das Descobertas, estava um soldado landim de sentinela permanente à Bandeira das Descobertas.

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fig. 125 – A bandeira do Império no miradouro do Palácio.

A estátua de Afonso de Albuquerque

A escultura de Diogo de Macedo (1889-1959), concebida em 1930, foi primeiro exibida na Exposição Colonial de Paris em 1931. Colocada nos jardins do Palácio na Exposição Colonial Portuguesa, mostra o Vice-Rei de pé, com grande barba, com uma armadura encoberta por uma grande capa, segurando na mão direita uma fortaleza e a esquerda, pousada no punho duma espada com as insígnias da Ordem de Santiago. A escultura de pedra calcária, assenta num pedestal de granito e encontra-se, desde 1984 na praça de D. João III no Porto.

clip_image269fig. 126 – A estátua de Afonso de Albuquerque na avenida de Tete no Palácio de Cristal. Junto a ela membros da delegação de Cabo Verde. 

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fig. 127 - A estátua no seu local actual o Largo de D. João III, desde 1984.

A participação das Colónias

Na Exposição procurava-se mostrar no Continente a “vida” dos povos das colónias. Assim vieram ao Porto indígenas de Cabo Verde, Angola, Moçambique, Índia e Macau. Junto ao lago são instaladas as “Aldeias” de Timor e da Guiné.
O grande sucesso da Exposição foi, de facto, a criação destas aldeias indígenas. Num misto de curiosidade - já que a maioria dos visitantes não tinha tido qualquer contacto com a população negra ou oriental - e de racismo que pairava na Europa da época, foram as aldeias negras que mais atraíram a atenção dos portuenses, e em particular a aldeia da Guiné visto que as mulheres andavam de peito descoberto.
Num artigo, significativamente intitulado Esta idéia de trazer pretos à Exposição…publicado no Notícias de Lourenço Marques de 15 de Junho, Julião Quintanilha, exprime bem o racismo subjacente a uma grande parte da população branca: “Todos os dias chegam atracções para o certame, despertando o maior interesse a representação indígena das diversas colónias, que deverá constituir a grande atracção do público. Os indígenas da metrópole sempre tiveram uma especial predilecção pelos indígenas do Ultramar, achando uma graça especial aos pretos. (…) Esta idéia de trazer os pretos portugueses à metrópole parece-me interessante, porque constitui uma maneira prática de os elucidar acêrca dos progressos da civilização europeia em que está integrada a vida portuguesa. (…) Visitando Portugal, os indígenas das nossas colónias deverão recolher impressões que muito prestigiarão o nosso país e concorrem para consolidar no seu espírito a obediência e respeito à Soberania Portuguesa.
Por outro lado os que visitarem “a Exposição, examinando esses núcleos de população indígena, recolherão apreciável lição acerca dos pretos e aprenderão a respeitar melhor esses indivíduos de côr diferente que, embora sua expressão pitoresca, são um grande factor da riqueza colonial, porque fornecem a mão de obra indispensável a todas as empresas que os brancos vão tentar em terras de Além-Mar.”

A Aldeia da Guiné

clip_image273fig. 128 – Cabeçalho do Álbum-Catálogo.

A “Aldeia lacustre dos Bijagós” foi instalada no lago do Palácio, e a ela se acedia por uma ponte de madeira. Apesar dos interesses políticos e económicos estarem mais atentos e interessados em Angola e Moçambique, a Aldeia da Guiné, rapidamente, se tornou a grande atracção da Exposição para os visitantes e para a comunicação social.

clip_image275fig. 129 - Localização da Aldeia da Guiné.

clip_image277fig. 130 - Aldeia da Guiné vendo-se o teleférico.

clip_image279fig. 131 – Um outro aspecto da Aldeia da Guiné.

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fig. 132 – A Aldeia Bijagó, desenho de Eduardo Malta no Álbum No Rumo do Império.

Uma das atrações da representação guineense é o régulo Mamadu-Sissé, de 67 anos “tenente de segunda linha, que foi um dos companheiros de Teixeira Pinto [80] na pacificação daquela colónia. Aqui apresenta-se “de barrete vermelho e sabador baraya pelos ombros”.
Aqui retratado por Domingos Alvão e por Eduardo Malta.

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fig. 133 – Foto de Alvão O Régulo Mamadu Sissé e fig. 134 - Eduardo Malta, O Régulo Mamadu Sissé.

O filho o Príncipe Abdulah, que acompanhou o pai Mamadu, apresentava-se elegantemente vestido à ocidental, tornando-se o símbolo da aculturação (na época e para o regime o símbolo da integração de culturas), declarava: “As princesas na Guiné, afora as da família, terminaram o seu reinado. Se as desejasse pa­ra festas nupciais não encontraria outras que não fossem minhas irmãs. Quem me dera mais saber para poder sustentar...uma branca. Só tenho o segundo grau. Se ganhasse bastante, era uma branca que eu queria.” [81]

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fig. 135 - Eduardo Malta O Príncipe Abdulah, Álbum de Henrique Galvão, No Rumo do Império, Edição da Litografia Nacional, Porto, 1934.

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fig. 136 - Eduardo Malta Mamadu-Sissé rodeado por guineenses – pintura 230 x 170 cm. painel direito do tríptico comemorativo da Exposição Colonial Portuguesa.

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fig. 137 – O régulo Mona Samba chefe da delegação indígena da Guiné no Álbum No Rumo do Império.

A Rosinha

Mas para o sucesso da representação da Guiné contribui uma balanta, a Rosinha que rapidamente se tornou uma das atracções da Exposição, pela sua beleza exótica, realçada pelo traje (ou a ausência dele…), num momento em que para os mais viajados, em Paris se exibia Josephine Baker (1906-1975).
Elísio Gonçalves, escreve no 0 Comércio do Porto-Colonial: "Chegando ao pé dela, lei­tor, verás que é assim. Verás que a Rosinha é uma alma esfíngica, que te olha de soslaio, sorrindo, sorrindo sempre, mas não oferecendo mais à tua curiosidade que dentes brancos, uns olhos vivos, e uns requebros, uns requebros que te levam a pensar que se a África é assim, adorável será a vida do sertão... De resto, não estou a falar por mim. Compreendes que através disso que te di­go, só a impressão popular fixo aqui. A impressão das centenas, dos milhares de pessoas que pas­sam pela aldeia onde ela vive, um pouco ao sul da aldeia de Angola, e que ficam ali paradas, meia hora, uma hora- que sei eu! À espera que a Ro­sinha apareça e lhes dê testemunho de que a ad­miração que lhe votam é agradecida e compre­endida..." [82]

A fotografia da Rosinha e a forma porque foi popularizada.

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fig. 138 – A fotografia original da Rosinha.

clip_image294fig. 139 – A forma como foi popularizada…realçando os seios!

A Rosinha foi motivo de obras de arte…

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fig. 140 – Eduardo Malta, retrato da Rosinha, álbum No Rumo do Império de H. Galvão e fig. 141 – Busto da Rosinha.

…utilizada para publicidade, como os Armazéns Cunhas, que a vestiram… e capa da revista CIVILIZAÇÃO, dedicada à Exposição…

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fig. 142 – Publicidade dos Armazéns Cunhas e fig. 143 - Revista Civilização, número 69, de Junho de 1934.

…e ainda para a crítica e o humor!

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fig. 144 – Desenho de angelo, no Maria Rita, semanário humorístico, Porto Agosto de 1934 em Ercílio de Azevedo, Porto 1934 : a grande exposição, Edição de Autor, Porto 2003.

Outra das atrações da Aldeia da Guiné é o Augusto, um miúdo bijagós, traquinas e afectivo.

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fig. 145 – O Augusto fotografado por Alvão.

Imagens de indígenas da Guiné.

clip_image308fig. 146 – Um aspecto da Aldeia balanta.

clip_image310fig. 147 - Outro aspecto da Aldeia da Guiné.

O Pavilhão de Cabo Verde

Cabo Verde tem uma discreta participação, apresentando um pavilhão na Caçada de S. Vicente junto da Companhia de Moçambique.

clip_image312fig. 148 – Cabeçalho do Álbum-Catálogo.

O pavilhão de S. Tomé e Príncipe

clip_image314fig. 149 – Cabeçalho do Álbum Catálogo.

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fig. 150 – Localização do pavilhão de S. Tomé e Príncipe.

clip_image318fig. 151 - O Pavilhão de S. Tomé e Príncipe.

A representação de Angola

clip_image320fig. 152 – cabeçalho do Álbum Catálogo.

Junto ao Arco dos Vice Reis o pavilhão de Angola, simulando um conjunto com a Casa do Colono e a Aldeia indígena. Na representação de Angola são atracção os pigmeus Mukankalas.

clip_image321fig. 153 – Localização da Aldeia de Angola.

clip_image323fig. 154 – Uma machamba com a casa do colono e ao fundo a aldeia dos indígenas.

clip_image325fig. 155 – Outro aspecto da representação de Angola.

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fig. 156 – Desenho de Eduardo Malta no Álbum No Rumo do Império.

clip_image328fig. 157 – vista aérea da representação de Angolana, detalhe da fotografia aérea do conjunto da Exposição.

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fig. 158 – Uma indígena de Angola.

A Companhia e a Aldeia de Moçambique

clip_image332 fig. 159 - Cabeçalho do Álbum Comemorativo.

Ao fundo da Avenida de Angola, reproduzindo os que foram construídos pelos portugueses em África, um forte em madeira, no interior do qual estava instalada a Companhia de Moçambique.

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fig. 160 – A localização da Aldeia de Moçambique.

clip_image336fig. 161 – A entrada do forte de madeira na representação de Moçambique.

clip_image338fig. 162 – outo aspecto doa entrada da representação de Moçambique.

clip_image340fig. 163 – Os soldados landins.

A Aldeia de Moçambique

clip_image342fig. 164 – Indígenas de Moçambique.

clip_image344fig. 165 – Feiticeiros de Moçambique.

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fig. 166 – Indígenas de Moçambique em traje de guerreiro.

O pavilhão da Índia

clip_image348fig. 167 - Cabeçalho do Álbum Catálogo.

clip_image350fig. 168 – Localização da representação da Índia.

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fig. 169 - O Pavilhão da Índia.

clip_image354fig. 170 – Os encantadores de serpentes.

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fig. 171 – Maometano da Índia.

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fig. 172 – Soldado indiano desenho de Eduardo Malta no Álbum No Rumo do Império.

clip_image360fig. 173 – Músicos e bailarinas indianas.

O pavilhão de Macau

clip_image362fig. 174 – Cabeçalho do Álbum Catálogo.

clip_image364fig. 175 – O Pavilhão Casa de Chá de Macau.

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fig. 176 - O Pavilhão de Macau, desenho de Eduardo Malta no Álbum No Rumo do Império.

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fig. 177 – Eduardo Malta – Músico Macaense desenho de Eduardo Malta no Álbum No Rumo do Império e fig. 178 – Os músicos macaenses.

A Aldeia de Timor

clip_image372 fig. 179 – Cabeçalho do Álbum Comemorativo.

Sobre a gruta do Palácio junto ao lago foi construída a Aldeia de Timor.

clip_image373fig. 180 – No canto inferior esquerdo a localização da Aldeia de Timor.

clip_image375fig. 181 – A Aldeia de Timor fotografada por Alvão.

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fig. 182 – Fotografia de Alvão no Álbum Fotográfico e fig. 183 – Eduardo Malta, a Aldeia de Timor, desenho no Álbum No Rumo do Império.

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fig. 184 - Eduardo Malta A delegação timorense – pintura 230 x 170 cm. painel esquerdo do tríptico comemorativo da Exposição Colonial Portuguesa.


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fig. 185- A timorense Maria Guilhermina, desenho de Eduardo Malta no Álbum No Rumo do Império.

A representação Missionária é instalada na Capela de Carlos Alberto.

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fig. 186 – A Capela de Carlos Alberto no Palácio de Cristal num postal da época.

clip_image387fig. 187 – Representação das Missionárias Franciscanas do Coração de Maria.

A tropa colonial

A acção militar em África (a chamada política de “pacificação”) estava representada por uma banda militar de Angola (1ª Companhia Indígena de Angola) e por uma companhia de soldados indígenas de Moçambique (Companhia de Landins de Moçambique) “Esse negros de bronze, altos, atléticos, hirtos, que marcham como autómatos, cheios de elegância e garbo (…) a admirável tropa de África, que o sangue escaldante dos Vátuas anima e a disciplina contém.” [83]

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fig.188 - Companhia de Moçambique 1892-1934 - Documentário fotográfico Primeira Exposição Colonial Portuguesa. Lisboa, 1934.

O Zoo

É criado um pequeno parque zoológico com algumas feras, macacos e antílopes, provenientes da Colónias.

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fig. 189 – A localização do Zoo.

O teatro

Numa entrevista ao Diário de Lisboa, Henrique Galvão fala num teatro colonial.
“- Falou em teatro. Teatro colonial?
- Sim, num genero que me parece novo. Consegui a colaboração preciosa de Amelia Rey Colaço. Creio que com ela vamos apresentar, sempre em prol da boa causa colonial, a primeira tentativa interessante de teatro colonial. Quem conhecer o bom gosto e o espirito da grande artista pode imaginar o que ela terá feito.” [84]
Assim, no Teatro Gil Vicente, então renovado, foi exibida a peça “A Viagem Maravilhosa” pela Companhia Robles Monteiro de Gustavo de Matos Sequeira, Pereira Coelho e Hugo Rocha, com música de Raul Ferrão, Júlio Almada e Armindo Rodrigues. Os cenários e figurinos estiveram a cargo de António Amorim. Interpretaram a peça Amélia Rey Colaço, Vanise Meireles, Estevão Amarante, Maria Lalande, João Villaret e Ruth Aswin, contando ainda com a participação de indígenas das colónias.

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fig. 190 – Capa da peça A Viagem Maravilhosa, Ercílio de Azevedo, Porto 1934 : a Grande Exposição, Edição de Autor, Porto 2003.


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fig. 191 – À esquerda Amélia Rey Colaço (1898-1990),no Teatro Gil Vicente na Exposição Colonial do Porto e  à direita Amélia Rey Colaço no Teatro Gil Vicente na Exposição Colonial do Porto, com um vestido de António Amorim tendo ao colo o miúdo guineense Augusto. Fotografia colada em cartão 23.7; largura: 14.2; Porto Museu Nacional do Teatro.

O cinema

Foi criado o Cinema Balanta, na Avenida da Índia (Avenida das Tílias) onde foi exibido o filme A Patrulha da Alvorada (The Dawn Patrol) de Howard Hawks.

clip_image397fig. 192 – localização do Cinema Balanta.

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fig. 193 - in Porto 1934, A Grande Exposição em Ercílio de Azevedo, Porto 1934 : a grande exposição, Edição de Autor, Porto 2003 e fig. 194 - Cartaz original do filme The Dawn Patrol (A Patrulha da Alvorada).

clip_image403fig. 195 – Os Marimbeiros de Moçambique referidos no cartaz.

O Restaurante de Luxo e o Retiro do Quissange foram adjudicados ao proprietário do conhecido restaurante Comercial.

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fig. 196 – Restaurante na Avenida da Índia e fig. 197 – Anúncio no Álbum Catálogo.

Foi criado um Parque de Diversões com uma montanha russa, um lago de 40 metros para passeios de barco, um tapete rolante, automóveis eléctricos e diversas barracas de jogos.
Para além dos dias dedicados a cada uma das colónias, realizaram-se diversas festas e arraiais, aproveitando a quadra dos santos populares.

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fig. 198 - Arraial da Legião Portuguesa no http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/

Diploma de Participação e de Prémios

Foi atribuído um Diploma de Prémio, assinado pelo Ministro das Colónias (Armindo Monteiro), pelo Comissário da Exposição (Henrique Galvão) e por um elemento do Júri.

clip_image411fig. 199 - Diploma de Grande Prémio atribuído à Fábrica de Fiação e Tecidos do Rio Vizela, L.da.

Foi criada uma Medalha Comemorativa, em bronze de 26 mm, com as armas da cidade do Porto tendo inscrito RECORDAÇÃO DA EXPOSIÇÃO COLONIAL e no verso uma alusão ao futebol, e inscrito PRO STADIUM DO PORTO.

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fig. 200 – Medalha Recordação da Exposição Colonial Portuguesa 1934.

A publicidade e os stands das instituições e das empresas

Publicidade de uma das Associações mais interessadas na promoção da Exposição Colonial.

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fig. 201 - Cartaz da Organização Industrial e Comercial para a Exportação de Tecidos de Algodão para as Nossas Províncias Ultramarinas Importação de Algodão e Outros Produtos Coloniais, Ercílio de Azevedo, Porto 1934 : a Grande Exposição, Edição de Autor, Porto 2003.

Publicidade da CIN, fábrica de tintas e vernizes, com o stand n.º 126 da Exposição Colonial na avenida de Lourenço Marques.

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fig. 202 - Publicidade da CIN (Corporação Industrial do Norte L.da) in blogue da rua 9 http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/

Publicidade de empresas de fósforos
A Fosforeira Portuguesa com um pavilhão na rua da Guiné, criou um cartaz com um fogão de sala construído com fósforos e inspirado no monumento ao Esforço Colonizador.

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fig. 203 - Publicidade da Fosforeira Portuguesa.

A Sociedade Nacional de Fósforos, com sede no Porto, com um stand na rua da Praia, e utilizando a ideia do Império Português, criou a marca “Imperiais” para comemorar a Exposição Colonial.

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fig. 204 - Stand da Sociedade Nacional de Fósforos.

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fig. 205 e fig. 206 – Os Imperiais. Publicidade da Sociedade Nacional de Fósforos.

clip_image433fig. 207 – publicidade da Sociedade Nacional de Fósforos.

A Empresa Vista Alegre, a quem foi atribuído o Grande Prémio da 1ª Exposição Colonial Portuguesa, cria um cartaz com a silhueta de uma negra segurando um vaso de flores. O nome da firma é escrito a negro usando uma fonte Broadway, muito utilizada nos anos 30.

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fig. 208 – Cartaz da Vista Alegre.

A publicidade inserta nos álbuns da Exposição.

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fig. 209 – Publicidade da Kodak e fig. 210 – Publicidade da chapelaria Baptista e da fábrica de lâmpadas Lumiar.

A publicidade da Empreza (Empresa) de Cimentos de Leiria “Cimento Liz”.

clip_image441fig. 211 – Publicidade dos Cimento Liz.

Os pavilhões das empresas particulares

A Firma Ach. Brito, fabricante de sabonetes e perfumaria, para além do seu pavilhão na rua de Lourenço Marques, encontrou uma forma original de publicitar os seus produtos. Contratou um alemão Heinrich Gleiser, que com as suas andas percorria a exposição no alto dos seus 4 metros.

clip_image443fig. 212– Publicidade da Ach. Brito, Ercílio de Azevedo, Porto 1934 : a grande exposição, Edição de Autor, Porto 2003.

clip_image445fig. 213 – Anúncio no Álbum Catálogo.

O stand da Ferreirinha, Companhia Agrícola e Comercial dos Vinhos do Porto, na rua de Timor.

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fig. 214 – O pavilhão da Ferreirinha junto do Lago e fig. 215 - anúncio no Álbum-Catálogo.

O stand Cálem da firma A. A. Cálem & Filho L.ª na avenida da Índia.

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fig. 216 – O pavilhão da Cálem e fig. 217 - Anúncio no Álbum-Catálogo.

A Sociedade Portuguesa de Fibro-Cimento, com um espaço na Exposição publicou um folheto promocional do fibro-cimento Lusalite, com a planta parcial do espaço da exposição e um stand que era um modelo dum edifício para uma Circunscrição Colonial, construído em fibrocimento.

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fig. 218 e fig. 219 - Folheto promocional do fibro-cimento Lusalite, produzido pela Sociedade Portuguesa de Fibro-Cimento, com planta parcial do espaço da exposição in blog da rua 11 http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/

clip_image457fig. 220 – O stand da Sociedade Portuguesa de Fibro-Cimento na Ilustração n.º 212 Outubro de 1934.

Uma Circunscrição Colonial em Moçambique.

clip_image459fig. 221 – A residência do Chefe de Circunscrição Gorongoza 1933 Companhia de Moçambique, Documentário Fotográfico, Primeira Exposição Colonial Portuguesa.

Muitos dos pavilhões inspiravam-se na arquitectura tradicional de África como o magnífico stand da Fábrica de Loiça de Sacavém, Lª, na avenida da Índia. O pavilhão tinha ainda painéis de azulejo de António de Castro Mourinho (1892-1963).

clip_image461fig. 222 – O pavilhão da Fábrica de Loiça de Sacavém.

clip_image463fig. 223 – Anúncio no Álbum Catálogo.

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fig. 224– Dois aspectos do stand da Fábrica de Loiça de Sacavém no blogue Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém http://mfls.blogs.sapo.pt/

Com influência da arquitectura tradicional do Oriente era o pavilhão da Casa das Sementes, n.º 130 na rua de Timor, de Alfredo Carneiro de Vasconcelos & Filhos, empresa de sementes.

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fig. 225 – Pavilhão da empresa Alfredo Carneiro de Vasconcelos.

clip_image471fig. 226 – Anúncio no Álbum Catálogo.

Para além dos pavilhões que utilizavam elementos da arquitectura tradicional das colónias, alguns dos stands, permitiram aos seus projectistas ensaiar soluções modernas, ou utilizar projectos anteriores para a sua utilização em novos contextos.
Foi o caso do pavilhão dos Chocolates Regina, que apresentou uma solução na sua montra semelhante à janela da casa de Guerra Junqueiro do engenheiro Jorge Viana (que não sei se foi o autor do pavilhão da Regina).

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fig. 227 – Pavilhão da Regina na Exposição Colonial.

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fig. 228 – Casa dos anos 30 no bairro de Guerra Junqueiro, engenheiro Jorge Viana e fig. 229 – Pormenor da janela.

Outros pavilhões aproximavam-se de uma linguagem expressionistae  da streamline, então objecto de pesquisas no desenho industrial e na arquitectura, como no pavilhão da Fábrica de Borracha Luzo-Belga de Victor C. Cordier, L.ª, na avenida da Índia.

clip_image479fig. 230 – Pavilhão da Fábrica de Borracha Luzo-Belga de Victor C. Cordier, L.ª

E muitos ensaiaram uma linguagem art-déco, conveniente ao regime na afirmação de uma modernidade que se opunha ao academismo que pretendia conotar com a República. De notar a utilização de um elemento vertical de grande efeito publicitário. É o caso do pavilhão dos vinhos do Porto de Constantino de Almeida, L.ª.

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fig. 231 – Pavilhão da Constantino de Almeida L.ª.

E do mesmo modo, mas utilizando largas superfícies de vidro, o pavilhão da Bosch e Baylina, uma empresa de malhas de Vila Nova de Gaia, na avenida da Índia.

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fig. 232 – Pavilhão Bosch e Baylina e fig. 233 – Anúncio no Álbum Catálogo.

Ainda em art-déco, o pavilhão da firma H. Vaultier & C.ª empresa de mangueiras na rua da Guiné.

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fig. 234 - Stand H. Vaultier & C.. Reproduzido na Ilustração n.º 212 Outubro de 1934.

Também o pavilhão da Sociedade Perfumarias Fábrica Nally, L.ª, em forma de frasco de perfume, utilizava elementos art-déco.

clip_image489fig. 235 - Stand Nally. Também reproduzido na Ilustração n.º 212 Outubro de 1934.

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fig. 236 – Publicidade da Nally na Ilustração n.º 111 de Agosto 1930.

Realizado com uma arquitectura mais clássica o pavilhão da Fábrica de Tecidos da Areosa de Azevedo, Soares & C.ª na avenida da Índia.

clip_image493fig. 237 - Na Ilustração n.º 212 Outubro de 1934.

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fig. 238 – Imagem nocturna do pavilhão da fábrica Azevedo & Soares e fig. 239 – Anúncio no Álbum Catálogo.

O pavilhão da empresa Vidago, Melgaço & Pedras Salgadas, afirmava-se de “um cunho retintamente português”, baseado nas teorias da Casa Portuguesa de Raul Lino, e prenunciando a arquitectura que o regime acarinhará nos anos 40.

clip_image499fig. 240 – Anúncio da empresa Vidago, Melgaço & Pedras Salgadas, no Álbum Catálogo.

clip_image501fig. 241 – O pavilhão da Vidago, Melgaço & Pedras Salgadas.

A Sociedade de Produtos Lácteos – Nestlé de Avanca.

clip_image503fig. 242 – Anúncio no Álbum Catálogo.

A Nestlé, com um pavilhão na rua do Lobito, de que não encontramos fotografia, mas que foi descrito em O Comércio do Porto:
“Um dos mais típicos, dos mais interessantes stands da Exposição, é o dos produtos Nestlé – a marca de confiança. O stand das vaquinhas – como os visitantes geralmente o denominam – atrai a atenção. Dando prova de espírito moderno, a Sociedade de Produtos Lácteos, de Avanca, apresenta, a par de um mostruário dos produtos da sua fabricação, uma colecção de quatro vaquinhas que tem sido o enlevo da pequenada e o divertimento apreciado da gente grande. Com as formas da sua deliciosa manteiga Pensal, o seu leite seco, em pó - alimento va­lioso para os lactantes - a conhecidíssima e apreciada farinha láctea Nestlé, actualmente fabricada em Avança; o seu riquíssimo Nestogeno, a que os médicos dão marcada preferên­cia, a Sociedade de Produtos Lácteos tornou atraente o seu stand, apresentando aos visi­tantes produtos de nome universal e oferecen­do-lhes a distracção das quatro vaquinhas au­tomáticas, que reproduzem - com fidelidade -os movimentos das verdadeiras, causando ver­dadeira ilusão. E a multidão aglomera-se em volta do stand, não sabendo que mais admirar: se os produtos perfeitos ali apresentados, se as va­quinhas, que suscitam os mais engraçados co­mentários." [85]

Os congresso e as publicações

Paralelamente à Exposição realizam-se os Congressos Militar Colonial, Agricultura Colonial, Intercâmbio Comercial das Colónias, da Colonização, do Ensino Colonial e de Antropologia Colonial.
São ainda editadas as diversas conferências realizadas no âmbito da Exposição, como entre muitas outras:

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fig. 243 - “A Função Colonial de Portugal – Razão de Ser da Nacionalidade”, conferência proferida por H. Galvão em 16 de Junho no Teatro S. João. e fig. 244 -  “Res Non Verba – A restauração Missionária nas Colónias Portuguesas”, conferência proferida por A. de Magalhães Basto.

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fig. 245 - Da literatura colonial e da ‘morna’ de Cabo Verde Fausto Duarte, Tip. Leitão Araújo Porto 1934.

“Da literatura colonial e da ‘morna’ de Cabo Verde”, foi uma conferência proferida no Palácio das Colónias, no dia 13 de Setembro de 1934 dedicada a Cabo Verde, por Fausto Duarte. Nesta conferência, Fausto Duarte (1903 -1955) procura relacionar a “morna” com as condições geográficas e étnicas do Arquipélago.
“Cabo Verde é a transição...
Nem arvoredos bastos crescidos ao acaso pela mão da natureza, nem culturas geométricas. E porque a terra se recusou à fecundação, o caboverdeano volveu os olhos para o mar, e o mar enamorou-se dele, atraiu-o, acalentou-o, esculpindo na sua sensibilidade o ritmo das ondas. Sob as velas enfunadas que se deleitam na luz flava e recolhem o murmúrio da brisa, tão grato aos ouvidos dos mareantes, o caboverdeano escutou os queixumes, as notas plangentes que se perdem na imensidade do espaço e são a própria alma do oceano.
E, dedilhando o violão, compôs a primeira “morna”: dolência, sofrimento e harmonia – virtudes da alma do povo ilhéu que se inspirou directamente na mágoa dolorosa do Atlântico..
.”
(…) "A feição típica do Arquipélago reside, pois, na morna que destronou o torno e a manilha, e no violão que fez esquecer o cimbó e o tambor das festas gentílicas" esperando que a presença de cantores e músicos de Cabo Verde pudesse popularizar a “morna” no Continente:
"Para mim, a Exposição Colonial valorizou-se extraordinariamente com a inclusão dos músicos da minha terra. Pela vez primeira em Portugal se ouviu uma orquestra típica de Cabo Verde. E os que a ouviram jamais se esquecerão dessas tengis mulatas em cujos lábios a morna quase não perdeu o encanto que lhe é peculiar, e lá nas aldeias perdidas por vales e serras o povo repeti-las-á, ensinando às crianças o nome das ilhas lendárias."

Fausto Duarte (1903-1955), foi funcionário da administração colonial em Cabo Verde e representou o arquipélago na 1ª Exposição Colonial Portuguesa. Foi jornalista e tinha participado na Exposição Colonial de Paris, com um número especial do jornal O Comércio da Guiné, onde destacou a etnografia guineense.

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fig. 246 -  AUÁ, novela negra Lisboa, Livraria Clássica Editora, 1ª edição, 1934.

Fausto Duarte, é o autor da novela “Auá – Novela Negra” galardoada com o 1º prémio de Literatura Colonial em 1934. Através da viagem em que uma das suas personagens Malam percorre a Guiné, para se encontrar com a sua noiva Auá, Fausto Duarte descreve a paisagem da Guiné, as diversas etnias e religiões, os costumes e a psicologia dos guineenses, a superstição e a crença na feitiçaria, a situação colonial (o colono que vive com uma indígena) e a acção dos portugueses. Sobre Bissau põe na boca de Malam: “Os brancos fizeram grandes coisas. Ruas largas por onde passam automóveis e grande caminhões; lojas enormes de panos de todas as qualidades que os brancos fabricam na sua terra; contas douradas, bicicletas e até máquinas de lavrar a terra. Há tempos, veio de Lisboa um aeroplano que parece um grande pássaro”.
Aquilino Ribeiro no prefácio de Auá escreve: “O primeiro que viu a Guiné foi Nuno Tristão, o segundo foi o autor de Auá... Os que sonham com um Portugal de além-mar engrandecido hão-de de ficar gratos à pena colorida, equilibrada, emotiva sem excesso que escreveu Auá, estreia literária de maior realce e obra de elevação lusíada”. [86]

Várias publicações referem aspectos particulares do desenvolvimento das Colónias.

Alguns exemplos de Angola

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fig. 247  - Capas de três brochuras in Blog da rua onze http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/
1 - SOUSA, Manuel António Vieira e — DESENVOLVIMENTO (O) DAS INDÚSTRIAS ELÉCTRICAS, NA COLÓNIA DE ANGOLA — Por Eng. ... Publicado pela Delegação do Govêrno de Angola à 1.ª Exposição Colonial Portuguesa. (Luanda. Imprensa Nacional. 1934). In-8º de 26 págs + 13 fls. B. Titulo na capa de brochura: "ANGOLA - INDÚSTRIAS ELÉCTRICAS" -"Exposição Colonial Portuguesa - 1934".
2 - LEMOS, Francisco Sande — ADMINISTRAÇÃO DOS PORTOS E CAMINHOS DE FERRO DO ESTADO — por... Publicado pela Delegação do Govêrno de Angola à 1.ª Exposição Colonial Portuguesa. (Luanda. Imprensa Nacional. 1934). In-8º de 36 págs. B. Titulo na capa de brochura: "ANGOLA - PORTOS E CAMINHOS DE FERRO" - "Exposição Colonial Portuguesa - 1934".
3 - CARNEIRO, Carlos Baptista — CONSERVAS DE PEIXE — Por Dr. ... Publicado pela Delegação do Govêrno de Angola à 1.ª Exposição Colonial Portuguesa. (Luanda. Imprensa Nacional. 1934). In-8º de 22 págs. B. Titulo na capa de brochura: "ANGOLA - CONSERVAS DE PEIXE" - "Exposição Colonial Portuguesa - 1934".

E ainda uma publicação sobre o Ensino e uma outra sobre o Uíge e a Circunscrição Civil do Bembe.

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fig. 248 - DIAS, Gastão Sousa — ENSINO (O) EM ANGOLA — Por... Publicado pela Delegação do Govêrno de Angola à 1.ª Exposição Colonial Portuguesa. Luanda. Imprensa Nacional. 1934.

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fig. 249 -  UÍGE, SONGO E BEMBE - A CIRCUNSCRIÇÃO CIVIL DO BEMBE — Na Primeira Exposição Colonial Portuguesa - 1934. OPÚSCULO DE PROPAGANDA. Organizado por: José Roque Martins, João Augusto Afonso, Carlos Alves. Coordenado por Carlos Alves. Publicado pela Delegação do Govêrno de Angola à 1.ª Exposição Colonial Portuguesa. Luanda. Imprensa Nacional. 1934.

A partir de 1934 e até 1947 publica-se a revista O Mundo Português edição da Agência Geral das Colónias e do Secretariado da Propaganda Nacional (SPN).

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Os “visitantes ilustres”

Para além da visita do Presidente da República Óscar Carmona que inaugurou a Exposição, destaca-se entre muitas outras personalidades, o Presidente do Conselho Oliveira Salazar, que visitou a Exposição nas vésperas da sua inauguração e antes do seu encerramento [87], o Príncipe Eduardo de Gales (1894-1972) futuro Eduardo VIII de Inglaterra [88], e o ministro da Marinha de Espanha D. Juan José Rocha [89].

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fig. 250 - Ercílio de Azevedo, Porto 1934 : a Grande Exposição, Edição de Autor, Porto 2003.

clip_image525fig. 251 - O príncipe de Gales na visita à Exposição.

clip_image527fig. 252 – Outra imagem da visita.

clip_image529fig. 253 – O Ministro da Marinha de Espanha junto a Henrique Galvão visitando a aldeia indígena.

Merece especial destaque a visita do Ministro das Colónias da Bélgica Paul Tschoffen, já que se encontrava empenhado na realização da secção colonial belga na Exposição Universal de Bruxelas, que se ia realizar em 1935. Algumas das ideias, são directamente inspiradas da Exposição Colonial Portuguesa.

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fig. 254 – Guia Oficial da secção do Congo Belga e fig. 255 - Pavilhão do Congo.

Compare-se a forma de expor a acção Missionária numa e na outra exposição.

clip_image535fig. 256 – Exposição Universal de Bruxelas 1935. A Acção Missionária.

O Cortejo de Encerramento

A Exposição encerrou com o 1º Congresso de Intercâmbio Comercial com as Colónias e com um cortejo “que foi uma imponentíssima alegoria da história, da política, da economia, do carácter e dos ideais da Nação”. [90]

O Cortejo

O Cortejo Colonial que percorreu algumas ruas da cidade, “desde as luminosas avenidas da Foz até aos românticos arvoredos do Palácio de Cristal e do seu bairro tranquilo e “remoto”, através duma cidade nova, de lindas e floridas vivendas, ainda com rasgões de deliciosa e bucólica como os verdes campos de Nevogilde e de Lordelo, - foi, com efeito, um côro à maneira antiga, colossal, uma apoteose, o espectáculo dum triumfo…” [91]
A abrir o cortejo, seis arautos tocando as suas trombetas, anunciando o cortejo.

clip_image537fig. 257- os Arautos - detalhe de fotografia do Centro Português de Fotografia.

Seguia-se a ala dos cavaleiros de D. João I evocando a conquista de Ceuta.
Depois os carros, que eram puxados por juntas de bois. Primeiro o carro da Câmara Municipal com Gil Eanes (interpretado pelo actor Delmiro Rego) na frente junto a uma Esfera Armilar. Numa legenda “Se mais Mundo houvera lá chegara !”. O Infante D. Henrique, lembrando que era um filho do Porto, com o característico chapéu bolonhês e interpretado pelo actor Raul de Carvalho (1901-1984). Junto dele, Neptuno com o tridente aponta ao Infante o caminho das Descobertas. À frente uma pequena caravela.

clip_image539fig. 258 – O carro da Câmara Municipal.

clip_image541fig. 259 – Outro aspecto do mesmo carro.

Nas costas do Infante, dois putti, numa concha seguram as armas da cidade. Dos lados cinco figuras femininas representam os cinco continentes. Junto ao carro caminham figurantes vestidos de marinheiros do século XVI.

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fig. 260 – Gil Eanes e o Infante D. Henrique, Detalhes de uma fotografia de Alvão – Centro Português de Fotografia.

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fig. 261 O Carro da Câmara Municipal do Porto na Ilustração n.º 212 Outubro de 1934.

De seguida o Carro das Conquistas e Descobertas segundo um projecto de José Luís Brandão.

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fig. 262 – O Carro das Conquistas e Descobertas.

No carro, a representação da Pátria tendo na mão uma caravela, encosta-se ao Padrão dos Descobrimentos.
Os Capitães da Índia, representados por Vasco da Gama interpretado por Robles Monteiro (1888-18589) e o irmão Paulo da Gama, interpretado por Álvaro Benamor (1907-1976) junto de oficiais, marinheiros e pilotos.
Segue-se o Pálio que seis vereadores da Câmara de Goa transportam abrigando o Vice-Rei da Índia, interpretado pelo actor João Villaret (1913-1961).

clip_image550fig. 263 – O Pálio de Goa.

A esta figuração segue-se o carro da Colonização portuguesa no Brasil, com um grupo dos Bandeirantes e a tropa colonial do século XVIII, interpretada por um esquadrão de Cavalaria 9.
Depois a bandeira do Império seguida por antigos combatentes, os velhos colonos e residentes nas colónias.
Segue-se ainda os alunos dos Seminários e das Missões, os asilos do Porto e os meninos do Colégio dos Orfãos, simbolizando os colonos do amanhã.
Depois os carros das Colónias.

O carro de Cabo Verde.

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fig. 264 – O carro de Cabo Verde.

O Carro da Guiné com o régulo Mamadu Sissé ladeado por indígenas balantas e bijagós.
clip_image554fig. 265 - O Carro da Guiné.

O Carro de São Tomé e Príncipe.

clip_image556fig. 266 - O Carro de S. Tomé e Príncipe.

O Carro de Angola com o padrão de Diogo Cão.

clip_image558fig. 267 – O carro de Angola.

Depois os carros de Moçambique, acompanhados pelos soldados landins e um deles com uma representação de Mouzinho de Albuquerque a cavalo.
Seguia-se o carro do Estado da Índia, puxado por duas parelhas de bois cobertos com tecidos indianos e com os chifres dourados à moda indiana. Na frente uma nau sobre um mar agitado. No carro um templo indiano.

clip_image560fig. 268 - O carro do Estado da Índia na rua de Júlio Diniz. Foto de Alvão in Exposições do Estado Novo 1934-1940, Margarida Acciaiuoli, livros Horizonte 1998.

clip_image562fig. 269 - Detalhe da foto anterior.

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fig. 270 - Detalhe da foto anterior vendo-se a Rotunda da Boavista.

Fechavam o conjunto dos carros das colónias, o carro de Macau e o de Timor.

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fig. 271 - O Carro de Macau.

clip_image566fig. 272 – O carro de Macau.

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fig. 273 – Pormenor do carro de Macau.

O cortejo continuava de seguida com uma representação da fauna africana com búfalos, palancas, pacaças, bois da Guiné e um camelo.
De seguida os meios de transporte típicos das colónias, desde os tradicionais como o riquexó, o palaquim, a machila, o carro bóer com dezoito juntas de bois, até às modernas viaturas como o “Ford” com o número N-373, um “Ford-Cama” do industrial Manuel Pinto de Azevedo para as grandes caçadas, e um “Ford” utilizado na África no transporte de algodão.

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fig. 274 – A carrinha Ford-Cama de 1932no Salão Auto Clássico, Porto 2011 in http://gloriasdeoutrostempos.blogspot.pt/2011/10/autoclassico-porto-2011.html

Desfilam ainda o Carro do Comércio (das Associações Comerciais), o Carro da Indústria (da Associação Industrial Portuense) e o Carro do Instituto do Vinho do Porto, com um barco rabelo carregado de pipas, tendo a toda a volta enormes cachos de uva e na vela a inscrição I.V.P.. Era escoltado por mareantes do Douro.

O Carro do Comércio.

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fig. 275 – O Carro do Comércio Ilustração n.º 212 Outubro de 1934.

Ao centro, emergindo uma estilizada figura feminina segue o deus Mercúrio que de joelhos presta homenagem ao comércio portuense. As armas da cidade despeja sobre o Mundo, representado por um globo terrestre, os principais produtos exportados pelo Porto: caixas e barris de Vinho do Porto, latas de conserva e peças de tecido. Ladeando o carro oito jovens vestidas com trajos típicos e transportando alguns produtos locais.

O carro da Indústria.

clip_image573fig. 276 – O Carro da Indústria da Associação Industrial Portuense Ilustração n.º 212 Outubro de 1934.

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fig. 277 – Pormenor do carro da Indústria.

Sobre um soco de tijolo uma quadriga romana, puxada por leões transporta a alegoria da Indústria. Correntes, bigornas, rodas dentadas, produzem notas de Banco, o dinheiro que vai desenvolvendo a riqueza. A pé, acompanhando o carro vários operários, de fato de macaco empunhando os seus utensílios.
Seguiam-se grupos das diversas regiões do País, com os malhadores de milho, um carro com um espigueiro, vindimadores e o Rancho das Padeiras (Minho e Douro), os Pauliteiros de Miranda (Trás os Montes), os campinos de Ribatejo a ca­valo (Ribatejo) e a Escola Agrícola (Estremadura). Depois , o grupo do Algarve, com mulheres de chapéus negros e um grupo de acordeonistas que tocava o hino algarvio. Ainda o carro da Casa do Douro, as tricanas de Coimbra e um carro da Serra da Estrela com pastores e cães da serra.
Depois do Carro do jornal O Século, o carro das Missões Católicas com uma cruz sobre um enorme bloco de granito, a qual tinha nos seus braços as insígnias das várias ordens religiosas empenhadas nas Missões. Acompanhavam o carro, religiosos e religiosas, e alunos dos colégios missionários.

clip_image577fig. 278 - O carro das Missões Católicas.

Fechava o cortejo o conjunto das bandeiras da ocupação dos territórios coloniais entre as quais Henrique Galvão a cavalo, ia agradecendo os aplausos da multidão. E finalmente a força militar da Marinha, os soldados landins de Moçambique e a banda indígena de Angola.

O Porto

Num texto intitulado “O PORTO DE AMANHÔ assinado por Francisco Pereira de Sousa e publicado no Álbum/Catálogo “ O IMPÉRIO PORTUGUÊS NA I ª EXPOSIÇÃO COLONIAL PORTUGUESA” de 1935, o autor faz previsões para o Porto do futuro. Estas previsões demonstram o que os portuenses e os responsáveis pela administração da cidade, pensavam para o desenvolvimento da cidade do Porto, entre o Prólogo do Plano Director de Ezequiel de Campos de 1932 e os planos dos italianos Marcello Piacentini e Giovanni Muzio de 1938.
Destaca-se a constatação do aumento da população da cidade e a sua expansão para ocidente:
“A população aumenta e denuncia como eram insuficientes os alojamentos sitos nas antigas áreas — e aumenta o seu perí­metro, acentuadamente no sentido Oeste.”
Por outro lado as obras no porto de Leixões fazem prever que, “Amanhã, a Estrada da Vilarinha a dois passos de Matozinhos, o Caminho da Pas­teleira Vizinho à Foz, serão ruas de cidade… E que a industrialização do lado oriental tornará “…a Quinta do Freixo, à beira rio, [é] a nota única de bucolismo, naquela ínsua que separa a Capital do Norte da margem Sul — tudo se converterá numa vasta região fabril.”
O autor prevê o desenvolvimento turístico da orla marítima (a riviera) da cidade:
“A cidade moderna, elegante, aproxima-se do mar — Carreiros, com a sua longa avenida marginal que a leva até Matozi­nhos e Leixões, tenta-a, ensinando-a a atrair melhor os estrangeiros, interessados por esta nova riviera de Portugal.”

expo3400012fig.279 – a Foz num postal da época. Foto Beleza.

E em Lordelo e Ramalde, zonas sob atenção particular da administração da cidade, Francisco Pereira de Sousa prevê a sua urbanização:
“Pelo Campo Alegre, nas vizinhanças da Arrábida, por Francos, nas longas e românticas estradas de há um século, erguer-se-ão edificações modernas e ele­gantes com as suas pérgolas, bairros ope­rários cheios de luz e de higiene.”

expo340009fig.280 – As zonas de Massarelos e Lordelo numa fotografia dos anos 30 in Henrique Mateus, O Porto Visto do Céu, Ed. Argumentum Lisboa 2000. Repare-se no elevado número de construções fabris.

Finalmente a previsão da intervenção na zona histórica, junto da Sé, com critérios próprios da época de demolições do “sujo casario” para evidenciar a Catedral: “Que admira que a Foz do Douro se transformasse quando, no centro da ci­dade, para a alterosa Sé Catedral, desa­frontada completamente do sujo casario do Corpo da Guarda e Rua Escura, se deverá subir por uma alta escadaria que nos porá em contacto com essa preciosi­dade histórica — heróica e muda contempladora dos tempos do nosso primeiro Rei!”

expo34000 11fig. 281 – A Sé numa fotografia da época.

Nota: Todas as fotografias da Exposição são da Casa Alvão, publicadas no referido Álbum Fotográfico da Exposição Colonial Portuguesa com 101 clichés fotográficos de Alvão, Litografia Nacional, Porto 1934 e/ou reproduzidas em publicações da época ou posteriores.

Notas:
[1] António de Oliveira Salazar (1889-1970) então com 45 anos.
[2] Em 1951 passam a províncias ultramarinas na revisão da Constituição que revoga o Acto Colonial.
[3] Salazar na sessão solene de inauguração da Conferência dos Governadores Coloniais, no Álbum Catálogo O Império Português na Exposição Colonial Portuguesa, 1934.
[4] António de Oliveira Salazar - Discursos e Notas Políticas,Vol. I.: 1928-1934, Coimbra Editora, Coimbra 1935.
[5] O pavilhão de Portugal foi projectado por Raul Lino.
[6] Bento de Sousa Carqueja 1860-1935.
[7] Bento Carqueja, Organizado o Império Colonial o que resta fazer? Em O Comércio do Porto 16 de Junho de 1934.
[8] Henrique Galvão, discurso na inauguração da Exposição Colonial Portuguesa em 16 de Junho de 1934.
[9] Armindo Rodrigues de Sttau Monteiro (1896-1955), foi de seguida Ministro dos Negócios Estrangeiros de 1935 a 1936, e Embaixador de Portugal no Reino Unido (1937-1943). Era pai do conhecido escritor Luís de Sttau Monteiro.
[10] Armindo Monteiro, discurso de encerramento da I Conferência dos Governadores das Colónias 1 de Junho de 1933, em Boletim Geral das Colónias, IX - 097, [Número especial dedicado à Conferência dos Governadores Coloniais], Agência Geral das Colónias, Vol. IX - 97, Julho de 1933.
[11] Inserido no Álbum de Henrique Galvão, No Rumo do Império, Edição da Litografia Nacional, Porto, 1934.
[12] Henrique Galvão - Álbum Comemorativo da Primeira Exposição Colonial Portuguesa, Porto, Litografia Nacional, 1934.
[13] Manuel Maria Múrias Júnior (1900- 1960), director do órgão oficial da União Nacional, e director do Arquivo Nacional Ultramarino.
[14] Manuel Múrias, Contra a ideia um país pequeno, em Revolução Nacional de 20 de Junho de 1934, citado no Boletim Geral das Colónias, X - 109, Número especial dedicado à Iª Exposição Colonial Portuguesa Agência Geral das Colónias, Julho de 1934.
[15] Álbum Fotográfico da Exposição Colonial Portuguesa com 101 clichés fotográficos de Alvão, Litografia Nacional, Porto 1934 e também citado no Boletim Geral das Colónias, X - 109, Número especial dedicado à Iª Exposição Colonial Portuguesa Agência Geral das Colónias, Julho de 1934.
[16] António Eça de Queiroz (1891-1962) filho do romancista, Que nos mostra e nos diz a Exposição, Jornal do Comércio e das Colónias, 23 de Junho de 1934.
[17] Entrevista ao sr. H. Galvão director-técnico da Exposição Colonial, em O Século de 30 de Janeiro 1934.
[18] Henrique Galvão – O Império Português, Álbum Comemorativo da Primeira Exposição Colonial Portuguesa, Porto, Litografia Nacional, 1934.
[19] O tenente Henrique Galvão foi promovido a capitão em Abril de 1934, nas vésperas da Exposição.
[20] Henrique Galvão, rompendo depois com o regime, será como se sabe conhecido pela acção política como o assalto ao paquete Santa Maria.
[21] Entrevista ao sr. H. Galvão director-técnico da Exposição Colonial, em O Século de 30 de Janeiro 1934.
[22] José Mimoso Moreira, O Império Português, na I Exposição Colonial Portuguesa, Álbum – Catálogo ed. Mário Antunes Leitão e Vitorino Coimbra Porto 1934.
[23] Henrique Galvão - Álbum Comemorativo da Primeira Exposição Colonial Portuguesa, Porto, Litografia Nacional, 1934.
[24] J. Mimoso Moreira, Chefe da Divisão de Propaganda e Publicidade da Agência Geral das Colónias, A I.ª Exposição Colonial Portuguesa – O grande certame do Pôrto, Palestra para ser divulgada pela radiofonia Boletim Geral das Colónias, Agência Geral das Colónias, Vol. X - 103, Janeiro 1934.
[25] José Alfredo Mendes de Magalhães (1870-1957) médico e professor da Faculdade de Medicina do Porto, foi presidente da Câmara  Municipal do Porto entre 1933 e 1936.
[26] J. Mimoso Moreira, Chefe da Divisão de Propaganda e Publicidade da Agência Geral das Colónias, A I.ª Exposição Colonial Portuguesa – O grande certame do Porto, Palestra para ser divulgada pela radiofonia Boletim Geral das Colónias, Agência Geral das Colónias, Vol. X - 103, Janeiro 1934.
[27] Os sublinhados a negrito são da minha autoria.
[28] Fundada em 1932 por Henrique Guilherme Aguiar, com sede na rua de Santa Catarina. Cf. http://telefonia.no.sapo.pt/
[29] Henrique Galvão no “Álbum fotográfico da 1ª Exposição Colonial Portuguesa” com 101 clichés fotográficos de Alvão. Litografia Nacional, Porto, 1934.
[30] Maria do Carmo Serén, Porta do Meio Exposição Colonial de 1934 Fotografias da Casa Alvão, Centro Português de Fotografia, Ministério da Cultura Arquivo Português de Fotografia, Setembro de 2001.
[31] Eduardo Augusto d'Oliveira Morais Melo Jorge Malta (1900-1967)
[32] Reproduzido sem cor no Álbum Comemorativo da Exposição.
[33] Lembre-se o Congresso do Partido Nazi em Nuremberga de 1934, que deu lugar ao filme O Triunfo da Vontade (Triumph des Willens) de "Leni" Riefenstahl.
[34] Ezequiel Pereira de Campos (1874- 1965) foi director dos Serviços Municipalizados de Gás e Electricidade (SMGE) do Porto entre 1927 e 1935. Em 1932 tinha publicado o Prólogo do Plano da Cidade do Porto.
[35] Boletim Geral das Colónias, X – 103 Agência Geral das Colónias, Vol. X - 103, Janeiro de 1934.
[36] Revista Ilustração, propriedade da Livraria Bertrand n.º 205 de 1 de Julho de 1934.
[37] Boletim Geral das Colónias, X - 109, Número especial dedicado à Iª Exposição Colonial Portuguesa Agência Geral das Colónias, Vol. X - 109, Julho de 1934.
[38] Ilustração n.º 203 propriedade da Livraria Bertrand, Junho de 1934.
[39] Boletim Geral das Colónias,Vol. X – 108, Agência Geral das Colónias, Junho 1934.
[40] O Palácio da Bolsa era (e é!) o edifício mais emblemático da cidade, tanto mais que os Paços do Concelho estavam ainda em construção, e a Câmara ocupava o Paço Episcopal junto à Sé.
[41] O Comércio do Porto 17 de Junho de 1934.
[42] Diário de Lisboa de 17 de Junho de 1934.
[43] idem.
[44] José Caeiro da Mata (1877-1963) Ministro dos Negócios Estrangeiros de 1933 a 1935, sendo substituído por Armindo Monteiro. Teve um papel preponderante na vinda de Calouste Gulbenkian para Portugal. Em 1944 foi Ministro da Educação até 1947 e de seguida voltou aos Negócios Estrangeiros até 1950.
[45] D. Manuel Gonçalves Cerejeira (1888-1977) , Diplomado em Teologia e em Ciências Histórico-Geográficas pela Universidade de Coimbra, foi Cardeal Patriarca de Lisboa entre 1929 e 1971.
[46] Boletim Geral das Colónias, X - 107. Agência Geral das Colónias, Vol. X - 107, Maio de 1934.
[47] Guia Oficial dos Visitantes [47], 2ª ed. Porto, Mário Antunes Leitão e Vitorino Coimbra editores, 1934.
[48] O Império Português, Album-Catálogo Oficial Porto, Mário Antunes Leitão e Vitorino Coimbra editores, 1934.
[49] Sérgio Lira Exposições temporárias no Portugal do Estado Novo: Alguns exemplos de usos políticos e ideológicos COLÓQUIO APOM/99.
[50] Boletim Geral das Colónias, X - 109, [Número especial dedicado à Iª Exposição Colonial Portuguesa] Agência Geral das Colónias, Vol. X - 109, Julho de 1934.
[51] O Comércio do Porto Colonial n.º2 Junho 1934.
[52] A Menina Nua nome porque é habitualmente conhecida.
[53] idem.
[54] Boletim Geral das Colónias, X - 109, [Número especial dedicado à Iª Exposição Colonial Portuguesa] Agência Geral das Colónias, Vol. X - 109, Julho 1934.
[55] Legenda da fotografia no Boletim Geral das Colónias, X - 109, [Número especial dedicado à Iª Exposição Colonial Portuguesa] Agência Geral das Colónias, Vol. X - 109, 1934.
[56] Lourenço Cayolla (1863-1935), no Boletim Geral das Colónias, X - 109, [Número especial dedicado à Iª Exposição Colonial Portuguesa]  Agência Geral das Colónias, Vol. X - 109, 1934.
[57] Hugo Rocha (1907-1993), no O Comércio do Porto Colonial.
[58] Henrique Mouton Osório, foi o cenógrafo de A Menina da Rádio de Arthur Duarte de 1944.
[59] O Comércio do Porto Colonial n.º2 Junho 1934.
[60] Boletim Geral das Colónias,Vol. X - 105 Agência Geral das Colónias, Março de 1934.
[61] No Porto, nestes anos são muitos os exemplos de arquitectos, artistas plásticos e gráficos, que nas suas obras utilizam esta linguagem, nascida da Exposition des Arts Décoratifs et Industriels Modernes realizada em Paris em 1925.
[62] No Roteiro do Álbum – Catálogo.
[63] idem.
[64] António Gomes da Rocha Madail (1893-1969), então Director do Museu Municipal de Ílhavo.
[65] idem.
[66] Então presidida pelo professor António Augusto Esteves Mendes Correia (1888-1960).
[67] O Homem do Leme Oficinas Gráficas de O Comércio do Porto, chefe da composição Virgílio Fortes de Almeida, chefe da impressão Eduardo da Costa Andrade, gravuras de Marques de Abreu, fotografias de A. Teixeira Lopes e Virgílio Mengo Filho, cópia da música Américo Oliveira e escrínio da casa Venâncio do Nascimento. Dezembro de 1938.
[68] Que escreve de S. Paulo no Brasil, a partir de uma fotografia que lhe foi enviada.
[69] Roteiro do Álbum Catálogo.
[70] idem.
[71] Boletim Geral das Colónias, X - 109, [Número especial dedicado à Iª Exposição Colonial Portuguesa]. Agência Geral das Colónias, Vol. X - 109, 1934.
[72] Todas as citações em itálico são do Roteiro no Álbum – Catálogo, O Império Português.
[73] Hugo Rocha no O Comércio do Porto Colonial.
[74] idem.
[75] Sérgio Lira Exposições temporárias no Portugal do Estado Novo: Alguns exemplos de usos políticos e ideológicos COLÓQUIO APOM/99.
[76] Hugo Rocha (1907-1993) jornalista de O Comércio do Porto.
[77] Citado por Ercílio de Azevedo em Porto 1934 : a grande exposição, Edição de Autor, Porto 2003.
[78] Henrique Galvão - Álbum Comemorativo da Primeira Exposição Colonial Portuguesa, Porto, Litografia Nacional, 1934.
[79] Boletim Geral das Colónias . X - 109, [Número especial dedicado à Iª Exposição Colonial Portuguesa] PORTUGAL. Agência Geral das Colónias, Vol. X - 109, 1934.
[80] Capitão de Infantaria João Teixeira Pinto (1876-1917), o pacificador da Guiné (1912-1915), com este título foi distribuída uma publicação no dia 23 de Setembro, dia dedicado à Guiné na Exposição Colonial Portuguesa de 1934. Em 1930 foi-lhe erigida uma estátua , presentemente desmontada.
[81] Citado por Ercílio de Azevedo em Porto 1934 / A Grande Exposição.
[82] Ercílio de Azevedo op.cit.
[83] Octávio Sérgio, revista Civilização, número 69, de Junho de 1934.
[84] Diário de Lisboa, Domingo 3 de Junho de 1934.
[85] O Comércio do Porto citado por E. Azevedo.
[86] http://www.triplov.com/guinea_bissau/fausto_duarte/aua/beja_santos.htm
O Prémio de Literatura Colonial foi atribuído em 1926 a Gastão Sousa Dias (1887-1955), com África Portentosa (com capa de José Tagarro, 1902-1931). Em 1928 a Julião Quintinha (1885-1968) com África Misteriosa, editado pela Portugal Ultramar, com capa de Bernardo Marques (1899-1962). Nos anos seguintes o prémio é de novo atribuído a Quintinha com Oiro Africano, e em 1930 com A Derrocada do Império Vátua.
expo1934 483 expo1934 484
fig. 282 e fig.283 -  Gastão Souza Dias, África Portentosa com capa de José Tagarro e Julião Quintinha, África Misteriosa com capa de Bernardo Marques.
[87] Ver acima Salazar e a Exposição.
[88] Apenas por alguns meses em 1936, já que como se sabe abdicando do trono tornou-se Duque de Windsor, sucedendo-lhe o irmão Jorge VI.
[89] Tinha sido embaixador de Espanha em Portugal.
[90] Boletim Geral das Colónias, Agência Geral das Colónias, Vol. X - 110-111, Agosto-Setembro de 1934.
[91] idem.

7 comentários:

  1. Boa tarde,

    Antes de mais quero pedir-lhe desculpa por colocar esta mensagem neste post que nada tem a ver com isto, contudo foi-me dificil encontrar outra forma de o contactar.

    Mensagem:

    Esta semana lançamos uma versão mais funcional do nosso site, o www.zizabi.com. Basicamente, trata-se dum site inovador para a procura de casa, já que pretende informar aos seus visitantes a zona onde os imóveis se encontram para aluguer ou compra, ao invés de agregar anúncios, de forma totalmente gratuita e independente de qualquer imobiliária. A primeira fase está completa.
    Contudo, precisamos de ajuda para arrancar a segunda fase. Pretendemos também proporcionar a discussão local, onde serão os próprios habitantes falar e informar em primeira mão, num formato que será, certamente, único.

    Por isso é que contacto consigo e com o seu blog, já que uma das nossas ideias será, em adição aos testemunhos dos utilizadores que frequentem o site, ter também artigos destacados, de diferentes personalidades e bloggers. Temos, para já, confirmações de diferentes personalidades, e gostaríamos de saber se também poderíamos contar com o seu contributo.

    Seria necessário apenas um pequeno texto, pessoal, sobre uma rua, uma freguesia ou apenas uma zona específica que fosse do agrado do autor, de preferência o lugar onde nasceu ou cresceu, ou que habita na presente data. Acompanhado do artigo, seguiria uma foto do autor e, obviamente, o link para o seu blog.


    Obrigado pelo tempo dispendido,
    Helena Marinho (helena.marinho@zizabi.com)
    Zizabi

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Caramba! Gostei muito. Obrigada pelo trabalho de investigacao para colocar tudo isto num blog. Gostei especialmente do artigo sobre a morna de Cabo Verde que foi ouvida pela primeira vez ao vivo nesta data, no Porto. Cumprimentos.

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  4. Boa tarde,

    Desde já os meus parabéns pelo seu blog.
    Gostaria de saber se me poderia indicar a fonte das figuras 12 e 15.

    Com os melhores cumprimentos,
    Natália Bruno

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  5. As figuras 12 e 15 fazem parte dos dois lados do "dépliant" Visitai a Exposição Colonial da figura 11 e 13. As fotos como aliás todas da Exposição são da Casa Alvão.

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  6. Boa tarde,
    Muito obrigada pela informação.

    Cumprimentos,
    Natália Bruno

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