Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Um navio no cais da Ribeira

Visões Urbanas 1

Os navios vistos de perto são outra cousa e a mesma cousa,
Dão a mesma saudade e a mesma ânsia doutra maneira. Álvaro de Campos Ode Marítima

Os artistas do Porto nos anos 30 procuraram, naturalmente, na actividade do porto fluvial e do cais da Ribeira como um dos temas das suas obras, como afirmação de modernidade.
Essa afirmação de modernidade, é consagrada em 1931, no  extraordinário filme de Manoel de Oliveira Douro, Faina Fluvial, onde aparecem, como símbolos de modernidade, o comboio, o transporte motorizado (o camião) contrastando com o carro de bois, um avião que passa no meio das gaivotas, os barcos a vapor e as traineiras, opondo-se aos barcos à vela (bacalhoeiros) e às inúmeras barcaças, e ritmo das próprias actividades portuárias. O modo como Manoel de Oliveira filma a cena do carro de bois disparando pelo cais; a subtileza da ironia em que o guarda-fiscal é filmado em contra plano, dando-lhe uma presença autoritária com paralelo na frente da locomotiva e na proa do navio (o navio italiano Nereide), tudo são sinais evidentes dessa modernidade.
Por isso a pintura do modernismo portuense de entre guerras também procura nas actividades portuárias no Douro, as imagens do Porto moderno.
De entre essas obras, sempre me chamou a atenção e me intrigou um navio que, assumindo um maior ou menor protagonismo, aparece ancorado na Ribeira.

Dessas muitas vistas do Douro e do seu porto fluvial, escolhemos cinco, deste período entre as duas guerras, em que o navio é personagem central, obras de cinco diferentes artistas, que apresentamos por ordem cronológica.

Esse navio, com os dois guinchos de quatro braços, um à proa e outro à ré,  a sua ponte de comando com a chaminé alta e os respiradouros, é provavelmente um cargueiro que navegou de 1923 a 1942, com o significativo nome de “Douro[1]. Uma denominação em que a sua polissemia ecoa dentro de nós e nos lembra que “Não é do navio, é de nós, que sentimos saudade.”. [2]

1 - O quadro de Eduardo Viana s/d (cerca do início dos anos 20) [3]

Encontramos uma representação do navio, numa das pinturas que Eduardo Viana[4] realizou no Porto, julgo que durante a estadia em Vila do Conde do casal Delaunay, refugiados da I Guerra Mundial.

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Eduardo Afonso Viana, (1881-1967), Barcos no Douro, óleo s/ cartão 27 x 35 cm. Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea.

O cargueiro Douro vai navegando rio acima, tendo por fundo a margem de Gaia. No lado esquerdo ocupando largo espaço da composição, lembrando o poeta brasileiro J.G. de Araújo Jorge:

Há uma floresta flutuante ao longo de todo o cais,
floresta de mastros nus, de velas enroladas
no bojo dos veleiros que flutuam em paz
e parecem mortos...[5] 


No canto inferior nesse mesmo cais um grupo de figuras junto de uma guarita.

2 - O quadro de Joaquim Lopes 1927 [6]

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Joaquim Lopes (1886-1956), Barcos à descarga no rio Douro, 1927, óleo s/ tela 47,5 x 67 cm. Museu Nacional Soares dos Reis.

Nesta obra, datada de 1927, de Joaquim Lopes[7] é a presença do navio que ocupa a quase totalidade da pintura. Sob uma clara luz matinal, o barco está fundeado junto ao cais de Gaia, e carrega ou descarrega nas barcaças, as suas mercadorias. Na composição, os tons escuros do navio e das barcaças, que apenas deixam entrever o rio Douro, contrastam com os tons claros e luminosos da praia e da cidade.
O quadro está dividido em três planos.
No primeiro plano na praia, seis peixeiras: uma à esquerda do espectador, que caminha na sua direção, com um cesto na cabeça. Ao centro um grupo de outras quatro; uma sentada e outra que caminha também na direção do espectador, trazendo nos braços uma canasta. Um pouco mais à direita uma outra parece dirigir o olhar para algures na direção da ponte Luís I.
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No segundo plano o rio Douro, com as barcaças e o navio.nav4

Ao fundo, a cidade debruçada sobre o Douro “bem similhante a hum grande Amphitheatro”, e com “a luz …da cor do granito” [8], na representação que se tornou “a imagem” do Porto – a imagem que a representa e identifica - desde a gravura de Teodoro de Sousa Maldonado que acompanha o livro do padre Agostinho Rebello da Costa.[9]
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Distingue-se ao centro a Praça da Ribeira com a sua fonte monumental, tendo à direita do espectador a frente de Cimo do Muro e à esquerda a frente do Muro dos Bacalhoeiros.

A composição é estruturada por três linhas verticais que dividem o quadro sensivelmente em quatro partes, sendo que essas linhas coincidem com a Torre dos Clérigos, definitivamente o símbolo da alma e da identidade do Porto, a linha central com a igreja dos Grilos (São Lourenço) e a última com o mastro da proa do navio.
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3 – O quadro de Domingos Alvarez 1929 [10]
Sou um navio que chegou a um porto
E cujo movimento é ali estar.
Fernando Pessoa


O quadro de Domingos Alvarez[11] é uma vista do Porto para a ribeira de Gaia, à tarde. É um quadro que cria um clima emocional, já que partindo da realidade acrescenta muito de expressão e de memória.
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Domingos Alvarez (1906-1942) Ribeira, 1929 óleo sobre tela colada em cartão. 32,2 x 40,3 cm. Col. Alberto Correia de Almeida.

Alvarez fez um desenho preparatório do quadro que, comparado com a pintura, serve para melhor compreender a “poética” do artista, no melhor e mais personalizado período da sua curta vida.nav8
Domingos Alvarez Desenho-estudo da composição Ribeira n.ass.n.dat. grafite, pastel seco e carvão sobre papel 23 x 37,5 col. Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

O modo como é detalhado o barco, centro da composição, a passagem para a pintura utilizando os valores plásticos como a cor e o contraste da luminosidade, tornam a realidade poética, melancólica e dramática. A introdução de algumas personagens solitárias (representadas de um modo que o artista introduzirá noutras das suas criações), deslocando-se sem destino, sombras de si próprias, são o reflexo da sua condição humana.nav9

O navio é reduzido a uma sombra, uma inquietante silhueta, negra e silenciosa, como se
 “…O seu porão traz nada
nada leva à partida
Vozes e ar pesado
é tudo o que transporta…” [12]

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A composição divide-se em duas partes, divididas pelo navio: na metade superior a frente ribeirinha com o casario representado de uma forma quase esquemática, em contrastes de luz e sombra, criando um ambiente, um espaço inerte, num silêncio com quase ausência de vida. Onde
Ténue é o sono
que adormece o navio. (…)
Ténue é o porto
nos olhos do casario.
Mas o que em fora nos dilui
faz-nos exactos por dentro." [13]

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Na metade inferior da composição o rio Douro, onde um pequeno barco é conduzido com um só remo por uma personagem que transporta uma outra para a margem, como se fosse a barca de Caronte[14] descrita por Dante:
Ed ecco verso noi venir per nave,
Un vecchio bianco per antico pelo,
Gridando: «Guai a voi, anime prave!» [15]

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De facto do desenho para a pintura, a personagem que conduz o barco parece perder um dos remos e o passageiro quase desaparece.nav13

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Alvarez também introduz na pintura, as tais personagens solitárias, deslocando-se sem destino, sombras de si próprias e reflexo da sua condição humana. Algumas estão no convés do navio, de costas voltadas junto ao guincho, ou uma outra isolada à popa.image

E no cais, junto à proa do navio, uma figura masculina parece perseguir uma outra feminina com um cesto ou uma trouxa de roupa na cabeça.nav16

4 – O quadro de Dordio Gomes 1935 [16]

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Dordio Gomes, Barredo,1935, óleo s/tela 105 x 125 cm. Museu do Chiado.

Na pintura de 1935, de Dordio Gomes[17], o mesmo navio também está representado pela sua proa e ponte de comando, num quadro onde predominam as cores térreas (verde, ocre e cinza). Neste quadro com a melancólica e dourada luz outonal dos poentes portuenses, é dada uma maior importância ao rio incluindo parcialmente, a ponte Luís I. O quadro lembra a Balada do Rio Doiro de Pedro Homem de Mello:
“Que diz além, além montanhas,
O Rio Doiro à tarde, quando passa?
Não há canções mais fundas, mais estranhas,
Que as desse rio estreito, de água baça!...
Que diz ao vê-lo o rosto da cidade?
Ó ruas torturadas e compridas,
Que diz ao vê-lo o rosto da cidade,
Onde as veias são ruas com mil vidas?...
Em seus olhos de pedra tão escuros
Que diz ao vê-lo a Sé, quase sombria?
E a tão negra muralha à luz do dia?
E as ameias partidas sobre os muros?
Vergam-se os arcos gastos da Ribeira...
Que triste e rouca a voz dos mercadores!...
Chegam barcos exaustos da fronteira
De velas velhas, já multicolores...
Sinos, caixões, mendigos, regimentos,
Mancham de luto o vulto da cidade...
Que diz o rio além? Porque não há-de
Trazer ao burgo novos pensamentos?
Que diz o rio além? Ávido, um grito
Surge, por trás das aparências calmas...
E o rio passa torturado, aflito,
Sulcando sempre o seu perfil nas almas!...
[18]

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A composição divide-se - neste caso - em dois planos distintos, sensivelmente correspondentes à metade superior e inferior do quadro. Um primeiro plano com o rio Douro e Gaia. No rio Douro, que bebe as cores da cidade [19], as barcaças na margem norte diversos barcos atracados ao cais da Ribeira. No primeiro plano a margem sul, com um apontamento dos telhados dos armazéns de Gaia e, no canto inferior esquerdo, a rua da Barroca.nav19

E um segundo plano, na metade superior do quadro, com a cidade do Porto descendo para o rio, desde a Sé (Que diz ao vê-lo a Sé, quase sombria?) - onde se destaca a presença do Paço Episcopal na altura ocupado pela Câmara Municipal - até ao cais da Ribeira, com a sua frente da rua de Cima do Muro. Neste, pode distinguir-se os pilares da ponte Pênsil, a capela de Cimo do Muro e o casario que fazia a frente do largo da Lada. Finalmente o muro com os seus característicos “arcos gastos da Ribeira...”. A meio da encosta as construções que iriam ser demolidas em 1952 com a construção do túnel da Ribeira, hoje recuperadas. nav20

A parte superior do quadro com a vista da cidade e incluindo parcialmente a ponte Luís I, lembram os versos de Vasco Graça Moura:
“…além umas arcadas, um cais, o traço grosso a carvão
dos encaixes da ponte armada em ferro, a muralha,
o deslizar da luz para poente, tudo
uma dramática placidez escurecendo a ribeira, um vidrado” [20]

5 – O quadro de António Cruz 1936 [21]

As aguarelas de António Cruz, sabeis como são: dão a luz da cidade, a luz violeta e dourada do Paris de Outono. O requinte desta cidade negociadora vem da luz, diferente da de Lisboa, que é africana, loira, seca." Agustina Bessa-Luís [22]

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António Cruz (1907-1983), Cargueiro no Douro, Porto, aguarela 1936 Col. Particular, in Catálogo da exposição António Cruz prefácio de Vasco Graça Moura, no Museu Nacional Soares dos Reis, edição da Cooperativa de Actividades Artísticas , C.R.L.2007.

Na aguarela de António Cruz[23], o navio ocupa a faixa central da composição criando uma mancha escura que contrasta com o primeiro plano onde as barcaças flutuam num rio de cores azul e dourada. No fundo, sob um céu dourado o perfil da cidade determina o espaço do rio. Ou como escreve Eugénio de Andrade: “ No cais da Ribeira avistam-se já manchas francas de sombra, as pequenas embarcações perdem os contornos, e Gaia começa a confundir-se com a neblina crepuscular. Ouve-se um silvo distante, que arrepia a água. Não há dúvida, a noite vai cair. Uma noite antiga, de há cinquenta anos, onde ninguém poderá pressentir a desgrenhada noite dos nossos dias, ruidosa, insegura, desumana. Olhadas assim, com os olhos fatigados, as aguarelas de que estivemos a falar escorrem, também elas, melancolia”.[24]

O navio Douro em três postais da época

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Postal Ed. JO. Porto – Rio Douro (Movimento Parcial) in Jorge Fernandes Alves e José Lima Torres, Douro & Leixões, A Vida Portuária sob o signo dos Bilhetes Postais, Porto de Leixões Asa Editores II, S.A. Porto 2002.

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Porto Vista Parcial, postal in Jorge Fernandes Alves e José Lima Torres, Douro & Leixões, A Vida Portuária sob o signo dos Bilhetes Postais, Porto de Leixões Asa Editores II, S.A. Porto 2002.

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Porto – De Gaia, vista sobre a Cidade postal in Jorge Fernandes Alves e José Lima Torres, Douro & Leixões, A Vida Portuária sob o signo dos Bilhetes Postais, Porto de Leixões Asa Editores II, S.A. Porto 2002.


[1] Segundo o blogue O PILOTO PRÁTICO DO DOURO E LEIXÕES de Rui Amaro, http://opilotopraticododouroeleixoes.blogspot.pt/ tinha as seguintes características: 65m/928tb, entregue a 08/1921 pelo estaleiro A/S Jarlso Vaerft, Tonsberg, como PEIK, ao armador Hans H. Torgersen & Co. A/S. Tonsberg, 1923 DOURO, E. B. Aaby’s Rederi A/S. (Standard Line), Oslo, passando a ser um visitante regular dos portos Portugueses, particularmente o Douro/Leixões., onde era conhecido, juntamente com outras unidades do seu armador, pelos “marca A”, e vinha consignado, conforme os tráfegos a que estava afecto, aos agentes de navegação Kendall, Pinto Basto & Ca, Lda., J. Pinto de Vasconcelos, Lda., e ao Garland, Laidley & Co., Ltd., da praça do Porto. A 07/05/1942 largara de Reykjavik com destino a Hull, transportando peixe congelado e a 9 foi atacado por um avião bombardeiro da "Luftwaffe" nas coordenadas 60.41N 12.58W, tendo sido atingido a meia-nau por 4 bombas, por trás da chaminé, que o fez alquebrar e afundar-se em dois minutos. Como os botes salva-vidas foram destruídos, a tripulação não atingida saltou para a água, conseguindo subir para duas jangadas. Durante a tarde foram localizados por uma aeronave da "RAF", que lhes comunicou que o auxílio viria rápido. Algumas horas depois foram recolhidos pelo vapor de pesca Islandês GYLLIR, que os levou para Reykjavik, onde 2 dos 11 tripulantes salvos encontravam-se feridos, pelo que receberam tratamento hospitalar. No naufrágio pereceram 10 homens, incluindo o capitão.
[2] Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" (1913-1915), publicados na revista Athena, Lisboa, vol. I (5) Fevereiro 1925.
[3] Pode ser visto no Museu do Chiado em Lisboa.
[4] Eduardo Afonso Viana (1881-1967). Depois de frequentar a Academia de Belas-Artes de Lisboa parte para Paris em 1905 e aí permanece até 1915. Entretanto envia diversos trabalhos para as Exposições. Entre 1915 e 1917, convive com Sónia e Robert Delaunay, que fugindo da I Guerra se instalam em Vila do Conde na Av. Bento de Freitas. Em 1919 participa no III Salão dos Modernistas do Porto; em 1920,Expõe individualmente no Porto na Galeria da Santa Casa da Misericórdia em 1921.
[5] José Guilherme de Araújo Jorge (1914-1987), Poema ao Cais e aos Navios in Cânticos, Casa Editora Vechi, Lt.da. Rio de Janeiro, 1941.
[6] Pode ser visto no Museu Nacional Soares dos Reis no Porto.
[7] Joaquim Francisco Lopes (1886-1956), de origens modestas, em 1919 foi para Paris, onde frequentou a Academia La Grande Chaumière. Esta estadia em Paris permite classificá-lo como um pintor de transição entre o naturalismo e um modernismo de influência impressionista. Foi professor do ensino técnico, e em 1930, por concurso, torna-se professor na Escola de Belas Artes do Porto, de que foi Director entre 1948 e 1952, sucedendo-lhe o arquitecto Carlos Ramos.
Colaborou em diversas publicações (O Primeiro de Janeiro, O Tripeiro ou Ocidente), e um livro sobre o pintor Marques de Oliveira.
[8] Eugénio de Andrade – Prefácio de Daqui ouve nome Portugal, ed. Inova Porto, 1968.
[9] Em 1789, o padre Agostinho Rebelo da Costa (?-1791) publica a sua Descripção Topographica e Historica da Cidade do Porto Que contém a sua origem, situaçaõ, e antiguidades: a magnificencia dos seus templos, mosteiros, hospitaes, ruas, praças, edificios, e fontes..., um livro (publicado quando já se inicia o ciclo iluminista e neoclássico pela acção da Junta de Obras Públicas e da Companhia das Vinhas do Alto Douro), que procura promover a cidade do Porto, mostrando todas as suas vantagens e características, com uma preocupação de a valorizar e ao seu território, nacional e internacionalmente. A descrição pormenorizada da cidade é acompanhada de um mapa de Entre Douro e Minho e de dois desenhos do arquitecto Teodoro de Sousa Maldonado (1759-?). Um, onde é representada a Barra do Douro e a Foz do Douro e outro, uma vista do Porto da Torre da Marca até à Serra do Pilar, com um primeiro plano de Vila Nova de Gaia.
[10] Pode ser visto, por enquanto, na Fundação Cupertino de Miranda no Porto na excepcional Exposição Alvarez, inserida no ciclo Sinais do Modernismo no Porto – anos 30, da responsabilidade de Bernardo pinto de Almeida.
[11] Domingos Alvarez (1906-1942). De ascendência galega, nasceu no Porto em 1906, adquiriu a nacionalidade portuguesa em 1936, para se livrar da Guerra Civil Espanhola. Em 1926 inscreveu-se Na Escola de Belas Artes do Porto mas mudando de curso só termina o seu curso em 1940. Em 1929 é um dos elementos do Grupo + Além. Entre 1934 e 1940 publicou artigos na imprensa com o título comum de Comentários sobre a Arte Atual. Morreu prematuramente em 1942, vitimado pela tuberculose. Em 1954 foi inaugurada no Porto uma galeria com o seu nome, por iniciativa de Jaime Isidoro e António Sampaio. Depois da Exposição de 2006, Dominguez Alvarez: 770, Rua da Vigorosa, realizada na Fundação Calouste Gulbenkian, inaugurou-se em 14 de Outubro de 2014, na Fundação Cupertino de Miranda uma exposição organizada pelo professor Bernardo Pinto de Almeida, que reúne cerca de 150 obras do artista, a maioria de colecções particulares, sendo portanto uma oportunidade única de conhecer a obra deste pintor do Porto. Esta exposição insere-se no ciclo Sinais do Modernismo no Porto – anos 30.
[12] Mário Cesariny, O Navio de Espelhos in A Cidade Queimada, Assírio & Alvim, Lisboa 2000.
[13] Fernando Namora (1919-1989), poema Cais em Marketing 1969, 5ª edição Livraria Bertrand 1982.
[14] Caronte é o horrível velho com olhos em brasa que conduz a barca que atravessa o Aqueronte, e a quem as almas devem pagar para essa travessia. Daí a antiga tradição de colocar uma moeda na boca do defunto, para a alma (o sopro) pagar a Caronte.
[15] E veio vindo a nós em nave lesta/Um velho, branco no vetusto pêlo,/gritando: “Guarda a tua alma funesta!” in A Divina Comédia Dante Alighieri, Inferno Canto III v. 82, Tradução de Vasco Graça Moura, Quetzal – textos clássicos – Quetzal Editores, 2001.
[16] Pode ser visto no Museu do Chiado em Lisboa.
[17] Simão César Dordio Gomes. Vai para Paris em 1910 com o escultor Francisco Franco, onde frequenta a célebre Academia Julian, numa estadia apenas de um ano. Regressa a Arraiolos onde permanecerá até 1921, quando volta para Paris para frequentar a École de Beaux-Arts e o atelier de Ferdinand Cormon. Em Paris permanecerá até 1926, sem no entanto deixar de participar em 1923 na Exposição dos 5 Independentes (Diogo de Macedo, Henrique e Francisco Franco e Alfredo Migueis). Em 1933 concorre ao lugar de professor na Escola de Belas Artes do Porto que ocupa entre 1934 e 1960. Nos anos 30 pinta diversas vistas da cidade e do rio Douro. Para além da pintura dedica-se ao fresco tendo realizado os do café Rialto em 1944, do Baptistério da Igreja de Nª Srª da Conceição em 1947, da Livraria Tavares Martins em 1948, da igrejas de Nª Srª do Perpétuo Socorro em 1952 e dos Redentoristas em 1953, do átrio do pavilhão de Arquitectura da Escola Superior de Belas Artes do Porto em 1954, e da Câmara Municipal do Porto em 1957.
[18] Pedro Homem de Mello, (1904-1984), in Estrela Morta, Poesias Escolhidas, Imprensa Nacional Casa da Moeda, Lisboa, 1983.
[19] Egito Gonçalves (1920-200), A Bucólica Margem in A Ferida Amável in Relâmpago n.º 6.
[20] Vasco da Graça Moura, Poesias 1997/2000, Lisboa, Círculo de Leitores.
[21] Figurou na grande exposição António Cruz 1907-2007, no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto.
[22] Agustina Bessa Luís, “O Pintor e a Cidade”, ed. Oiro do Dia, Porto 1982.
[23] António Amadeu Conceição Cruz (1907-1983) é no dizer de Abel Salazar o maior aguarelista português dos tempos moderno. Em 1930 tornou-se aluno da Escola de Belas Artes do Porto, onde teve como mestres Joaquim Lopes e Dordio Gomes (aqui referidos). Depois de uma estadia em Londres regressa e em 1939, realiza a sua primeira exposição individual, no Salão Silva Porto. Em 1956 foi figura principal no filme O Pintor e a Cidade, de Manoel de Oliveira, apresentado no Festival de Veneza.
[24] Eugénio de Andrade, “António Cruz, O Pintor e a Cidade”1997.

3 comentários:

  1. Espectacular esta postagem, Carlos Romão !
    Não vou perder a Exposição !
    Já estava atento à data...

    Um abraço.


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  2. Parece que eu falo de uma Exposição que está na FCM...

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  3. Muito obrigado Carlos Romão e João Meneres. Nunca é de mais publicitar a incontornável Exposição de ALVAREZ na Fundação Cupertino de Miranda.

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