Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Uma Grande Ponte para a Cidade

Visões urbanas 3

Capítulo I
Aquele sítio onde, desde sempre, apeteceu ponte…
¡Qué mansa pena me da!
El puente siempre se queda y el agua siempre se va. [1]

Ainda não havia qualquer atravessamento estável do Douro, e neste sítio, entre as duas colinas já apetecia ponte, como se pode apreciar no desenho da parte oriental da cidade realizado entre 1668 e 1869 por Pier Maria Baldi. [2]
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fig. 1 - Pier Maria Baldi, vista da cidade do Porto, 1668-1669 in “Viagem de Cosme de Medicis por España y Portugal (1668-1669)." Edicion y notas de Angel Sanches Rivero, Madrid, existente na Biblioteca Nacional. (MAGALOTTI, Lorenzo, 1637-1712 - Viaje de Cosme de Médicis por España y Portugal (1668-1669) - edicion y notas por Angel Sánchez Rivero y Angela Mariutti de Sánchez Rivero. Madrid : Sucesores de Rivadeneyra, [1933]. - XXVI, 347 p. + 1 pasta (3 f., 71 estampas) ; 25 cm, 51x67 cm http://purl.pt/12926 BND).

De facto neste lugar o morro granítico da Serra do Pilar, avançando, como se fora um promontório, parece unir-se com a escarpa do monte fronteiro e fechar alli o leito às aguas. [3]

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fig.2 - Detalhe da imagem anterior.

E 120 anos mais tarde, quando ainda não havia qualquer ponte para o atravessamento do rio, o local é de novo desenhado pelo arquitecto Teodoro de Sousa Maldonado, [4] para ilustrar a edição da Descripção topográfica, e histórica da Cidade do Porto, do P. Agostinho Rebelo da Costa. [5]

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fig. 3 - Teodoro de Sousa Maldonado, para ilustrar a edição da Descripçaõ topográfica, e histórica da Cidade do Porto, feita por Agostinho Rebello da Costa, Porto, na Officina de António Alvarez Ribeiro Anno de MDCC LXXX IX (1789).

No lado direito da gravura a Serra do Pilar com o seu mosteiro, fazendo frente ao morro da Sé, local onde se realizará a grande ponte.

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fig.4 -Detalhe da figura anterior.

A partir desta imagem, desta admirável e antiquíssima gravura [6] que consagra a imagem do Porto desde o tempo dos Almadas, e quando no dizer do Abade de Jazente se extendem ruas, se sustentaõ pontes, [7] faz-se sentir a inadiável necessidade e vontade de um atravessamento do Douro, consagrando que os precipícios/Já saõ Cidade, e deixaõ de ser môntes. [8]

Capítulo II
E se houvesse uma ponte que unisse o território

… a ponte lança-se sobre o rio. Não liga apenas as duas margens já existentes. É a passagem da ponte que, faz existir as margens como margens. É a ponte que as opõe uma à outra. É pela ponte que a uma das margens se destaca face à outra. As margens não seguem o rio como as bordas indiferentes da terra firme. Com as margens, a ponte traz ao rio uma e outra extensão dos seus territórios. Ela une o rio, as margens e o território numa mútua vizinhança. A ponte congrega em torno do rio a terra como região. [9]

Talvez até aí ninguém a tivesse visto. Talvez a ponte sempre lá estivesse estado. Olhando o sítio onde o rio se estreita, viu-a em pedra e imaginação, Carlos Amarante [10] ligando o norte com o sul do país, unificando todo território e a nação. Imaginando, cruzar el largo puente, y bajo las arcadas de piedra ensombrecerse las aguas plateadas del Duero. [11]

E surge o magnífico PROJECTO D’HUMA PONTE PARA A CIDADE DO PORTO SOBRE O RIO DOURO, uma ponte de pedra à cota alta, numa visão mais territorial do que urbana, como na época se pretendia.

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fig. 5 - Carlos Luiz Ferreira da Cruz Amarante (1748-1815) Projecto d’huma Ponte para a Cidade do Porto, sobre o Rio Douro. De hum arco de 600 palmos de diâmetro, desenhado pelo primeiro Tenente do Real Corpo d’Engenheiros Carlos Luiz Ferra Cruz Amarte. Anno de 1802. - 1 desenho : tinta-da-china e aguadas ; 127 x 67,5 cm. Biblioteca Nacional Digital.

Mas como é sobre o abismo pequeno que se torna difícil lançar uma ponte [12] foi necessário aguardar oitenta e quatro anos e duas pontes, para o sonho de Carlos Amarante se concretizar.

Capítulo III
Intermezzo com duas pontes

Primeiro andamento - Uma ponte apenas barcos

Em 1806, abandonado o projecto de uma ponte de pedra, Carlos Amarante constrói a Ponte das Barcas, que consistia num tabuleiro apoiado em barcaças movíveis para a passagem de embarcações.

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fig. 6 - Henry Smith, Paisagem do Porto, água-tinta sobre papel 1813, Museu Nacional de Soares dos Reis.

A água-tinta de Smith data do mesmo ano da Planta Redonda e assinala, na sua dedicatória ao futuro Duque de Wellington, a vitória das tropas anglo portuguesas sobre as tropas napoleónicas. Mostra as duas colinas nas margens do Douro, encimada a do lado de Gaia pelo convento da Serra do Pilar, e a do lado do Porto pela Muralha. Ao fundo e ao centro por cima da ponte das barcas o Seminário.
O tenente-coronel Robert Batty [13] ilustrador e topógrafo e que pertenceu ao regimento dos Grenadier Guards que combateu na Guerra Peninsular, desenhou várias vistas do Douro junto da cidade do Porto. Nesta gravura de Batty a Ponte das Barcas quase desaparece, para mostrar o Douro pejado de embarcações de diversas formas e dimensões e a intensa actividade portuária no cais da Ribeira. Neste figuram: um guindaste, passeantes, fiscais, comerciantes e condutores de burros e mulas de transporte. Repare-se ainda no realismo das construções de Cima do Muro.

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fig.7 - Robert Batty, Oporto. The Custom-House Quay. 1829.Painted by Lieut. Col.e Batty. Engraved by R. Wallis.

Escreve o próprio Batty num comentário a esta gravura:
“Voltando à margem setentrional do Douro e colocando-se sobre o muro da cidade ao canto da rua da Reboleira, o espectador goza de uma vista do rio muito interessante. O primeiro plano oferece uma imagem muito movimentada do cais da alfândega. As casas contíguas ao antigo muro, a maior parte delas com grandes telhados avançados, apropriados a um clima bastante quente, são de um gosto muito pitoresco. À direita, estão uma parte de Vila Nova, e o convento da Serra que coroa o rochedo de granito que se percebe detrás.” [14]

Batty realiza ainda uma outra romântica vista do lugar, colhida a montante do Douro.

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fig. 8 - Robert Batty, Oporto. From Fontainhas. Painted by Lieut. Col.e Batty. Engraved by T. Jeavons.

No Douro que se estende mansamente, velejam pequenos barcos até à ponte das barcas e, para além desta, numerosas embarcações de maior dimensão sublinhando a actividade que dá origem ao nome da cidade.
Na margem direita a escarpa, limitada pelo exterior das muralhas da cidade que descem até ao rio. A imagem faz lembrar os versos de Yeats:
I pace upon the battlements and stare
On the foundations of a house, or where
Tree, like a sooty finger, starts from the earth;
And send imagination forth
Under the day's declining beam, and cal
Images and memories
From ruin or from ancient trees,
For I would ask a question of them all. [15]

Ao fundo as construções dos Guindais. Mais próximo de nós a capela do Senhor Jesus do Carvalhinho, de 1737 e as construções da chamada Quinta da Fraga da Companhia de Jesus. Na época da gravura de Batty, a Quinta e a Capela estavam já ao abandono. [16]
Em duas plataformas naturais várias figuras de trabalhadores.
Na margem direita a escarpa com a tapeçaria bela e fina/Com que se cobre o rústico terreno, [17] e onde se eleva majestosamente o convento da Serra: o Douro rola as suas águas rápidas, mais unido, entre estes dois precipícios, e as alturas de Vila Nova de Gaia fecham o horizonte. [18]
Junto ao rio a Capela do Senhor d’ Além.

A planta W. B. Clarke [19] realizada em 1833, após as acções militares do Cerco do Porto, apresenta no canto superior esquerdo uma janela onde é significativa a nova escala do Porto, que não se limita à cidade construída mas a todo o seu território de influência, e a necessidade de dar continuidade ao percurso que une o norte e o sul do país.

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fig. 9  - W.B.Clarck, Oporto, 1833 Published under the Superintendence of the Societyfor the Diffusion of Useful Knowledge. The Environs of Oporto,View of Oporto from Torre da Marca. Drawn by W. B. Clarke Arch.t Engraved by J. Henshall. Dim. 54 x 47 inch.(40x33) cm. Colecção do Arquivo Histórico Municipal.

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fig. 10 - Detalhe da imagem anterior sublinhando o percurso norte-sul.

Segundo andamento - Uma ponte suspensa sobre as águas do Douro

No reinado de D. Maria II, quando em Portugal dá os primeiros passos para a industrialização (o Caminho de Ferro, o barco a vapor, as estradas de macadame…), o Porto vai acrescentando ao estatuto de cidade comercial, o de cidade industrial. A construção da estrada entre Lisboa e o Porto impõe uma nova ponte, esgotada que estava a Ponte das Barcas. Em 2 de Maio de 1841 foi lançada a primeira pedra e em 1843 foi inaugurada a Ponte D. Maria II, conhecida por Ponte de Pênsil, devido ao facto de ser uma ponte suspensa por cabos metálicos. [20]
Foi a primeira ponte de carácter permanente sobre o Rio Douro.
Na imagem do Barão de Forrester [21] a ponte pênsil no centro, atravessando o Douro que corre entre as colinas da Sé na margem direita, e da Serra do Pilar, na margem esquerda.

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fig. 11 - Gravura do Barão de Forrester, destinado a ilustrar, com outros, a litografia do seu mapa “O Douro portuguez e Paiz adjacente”, estampado em 1860.

Por esta ponte pênsil entrou no Porto D. Pedro II, Imperador do Brasil, desembarcado nas Devesas, onde a Câmara mandou postar uma banda de música na estação, enfeitou a estrada, desde este ponto até à ponte pênsil, com grande variedade de vistosas bandeiras, e convidou os habitantes a ornarem as suas casas. D. Pedro, depois da recepção em Vila Nova de Gaia, logo sahiu pelas portas da Calçada para o Porto, caminhando a pé até perto da ponte pênsil, onde entrou para a carruagem descoberta que o havia conduzido às portas da Eira. (…) Desde as Devezas até à ponte pênsil estava a estrada toda embandeirada e as janellas guarnecidas de cobertores de damasco. [22]

Numa outra imagem, uma litografia de Louis Lebreton [23] podemos ver a ponte Pênsil e, significativamente entre vários barcos, dois vapores contemporâneos da ponte. Um ao fundo, saindo do cais da Ribeira e o outro na parte direita da imagem dirigindo-se para o cais com alguma velocidade. Repare-se na representação da deslocação da água, do fumo da chaminé e da bandeira.

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fig. 12 - Louis Lebreton (1818-1866), Porto. Vue du Ponte suspendu et d'une partie de la ville. Porto. Vista da Ponte pênsil e de parte da cidade. Paris., Dépôt chez Bulia fr.es, r. Tiquetonne, 16. Lisboa Manuel Costenha, rua do Loreto, 58. Porto, Depozito de estampas de C. Steffanina, rua trás da Sé, 14. Lith. Becquet frères Paris.

E como escreve o Visconde de Villa Maior descendo o Douro chegámos à Serra do Pilar e transposto este passo entramos agora nos limites da cidade que à nossa direita se eleva em amphitheatro, ficando-nos à esquerda, e em frente d’ella, a populosa Villa Nova de Gaya; ambas apenas separadas pelas águas do Douro, que entre ellas corre, mas communicando-se em contínuo trafico por meio d’uma elegante e magestosa ponte suspensa, e por inumeráveis barcos que incessantemente se cruzam de uma para a outra margem. [24]

E também Lady Jackson vinda de Vila Nova de Gaia descreve a sua nocturna entrada no Porto de ónibus: Subimos e depois descemos vagarosamente uma íngreme encosta e passamos a ponte-pênsil, alumiada pelos lampejos dos raros lampeões. Começava a tremular no rio o radiar da lua, dando feitios fantásticos às sombras dos objectos, quando íamos em solavancos a entrar na cidade, que se eleva na montanha fronteira a nós. Passava de onze horas quando entramos no Porto. [25]

Capítulo IV
A grande ponte que fez cidade

Depois do período destas duas pontes que atravessavam o Douro à cota baixa é retomada, cerca de oitenta anos depois, a visão de Carlos Amarante de um atravessamento do Douro naquele sítio em que apetecia ponte.
Concretizada a ponte ferroviária Maria Pia, logo se pensou numa ponte que pudesse substituir a já esgotada e insegura Ponte Pênsil.
Depois de afastado um projecto de Gustav Eiffel então encomendado, foi criada uma Comissão de engenheiros encarregada pelo governo e que se acha n’esta cidade, a fim de formular o programma para o concurso da ponte metallica sobre o Douro, que tem de substituir a pênsil, que procedeu aos estudos nas duas margens do rio, no local onde existe a actual ponte, (o Commercio do Porto, 10 de Abril de 1880) como refere a imprensa da época. É lançado a 11 de Agosto de 1880 um concurso internacional para uma nova ponte metálica.
Foram apresentadas doze propostas (correspondendo a dez empresas) destacando-se duas propostas algo semelhantes, a da empresa francesa Société de Construction des Batignolles e a da empresa belga, Société de Willebroeck. Esta última vence o concurso, com um projecto de Téophile Seyrig. [26]
As duas soluções diferem, entre outros aspectos, na ligação do tabuleiro superior ao arco e no número de pendurais, os elementos verticais entre os tabuleiros.

clip_image013fig. 13 - Société de Construction des Batignolles, Ante projecto para a ponte sobre o Douro. 1880. AHMP.

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fig.14 - Anteprojeto do alargamento e reforço da ponte Luiz I- Porto.

No dia 1 de Dezembro de 1881, é colocada “a primeira pedra” na presença da família real e inicia-se a construção da ponte. A imagem da construção da ponte lembra os versos de Reinaldo Ferreira (filho): [27]
Da margem esquerda da vida
Parte uma ponte que vai
Só até meio, perdida
Num halo vago, que atrai.

É pouco tudo o que eu vejo,
Mas basta, por ser metade,
P'ra que eu me afogue em desejo
Aquém do mar da vontade.

Da outra margem, direita,
A ponte parte também.
Quem sabe se alguém ma espreita?
Não a atravessa ninguém. [28]

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fig. 15 - Ponte D. Luiz I, no Porto – Estado actual das obras (segundo uma photographia da Casa Biel & Cª do Porto. O Occidente n.º 229 de 1 de Maio de 1885.

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fig. 16 - Autor Desconhecido - Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

E em 31 de Dezembro de 1886, dia do aniversário de D. Luís, a ponte foi inaugurada. E desde então, essa soberba obra de arte, campeia altiva e elegante, oferecendo aos habitantes da cidade do Porto não só mais uma grande comodidade, como também um dos passeios mais seductores pela formosura da paisagem pitoresca e dos explendidos golpes de vista que se deparam do centro do taboleiro superior, e mesmo das suas extremidades n’uma das quaes se ergue a histórica serra do Pilar, de onde se estende um panorama magnífico. [29]

Capítulo V
A ponte que do sítio fez lugar

Como o pássaro da floresta voa sobre os cumes,
Se arqueia sobre o rio, onde brilha a teus pés,
Na sua força ligeira,
A ponte sonora de peões e viaturas. [30]

A ponte passou a fazer parte do rosto da cidade, como se sempre tivesse aí existido, dando razão à visão de Carlos Amarante. Ela é, com a Torre dos Clérigos, a imagem da identidade do Porto que dura até aos nossos dias.
Este “sítio” não existia como entidade antes da ponte (se bem que existem numerosos “sítios” ao longo das margens, onde pudesse ser construída) e apenas é descoberto com a ponte. O fim essencial da construção (da arquitectura) é o de transformar um sítio num lugar. [31] 

A ponte Luiz I irá ter também, um impacto decisivo na evolução da cidade do Porto e da cidade de Gaia. Desde a sua inauguração até 1963, data da inauguração da ponte da Arrábida, os seus dois tabuleiros irão ser a passagem exclusiva de atravessamento pedonal e rodoviário do Douro, provocando o desenvolvimento do centro do Porto, a abertura das Avenidas da Ponte e dos Aliados, e em Gaia da Avenida da República, numa margem e na outra unindo os respectivos Paços do Concelho. [32] 

Para se ter uma ideia do impacto urbano da ponte na cidade do Porto, lembre-se as propostas de José Augusto Correia de Barros [33] que, ainda a ponte estava em construção, já propunha no seu Plano de Melhoramentos da Cidade do Porto uma Rua entre a avenida do taboleiro superior da nova ponte sobre o Douro, partindo das proximidades da rua Chã e terminando no largo da Policia, para ligar a ponte com a Praça da Batalha, por intermédio da rua do mesmo nome (Saraiva de Carvalho). [34]

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fig. 17 - A Avenida Saraiva de Carvalho na Carta da Cidade de Telles Ferreira 1892.

E para o tabuleiro inferior uma Rua entre a avenida inferior da ponte, e a travessa da rua de S. João, através do denominado bairro do Barredo, incluindo o alargamento da referida travessa. (será concretizada apenas nos anos 50 com a abertura do túnel da Ribeira). [35]

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fig. 18 - O Cais da Ribeira e a saída do tabuleiro inferior da ponte na Carta da Cidade de Telles Ferreira 1892.

Capítulo VI
A ponte objecto artístico, símbolo de modernidade

…ó coisas grandes, banais, úteis, inúteis,
Ó coisas todas modernas,
Ó minhas contemporâneas, forma actual e próxima
Do sistema imediato do Universo!
Nova Revelação metálica e dinâmica de Deus! [36]

Durante o século XX, alguns artistas vão escolher a ponte Luiz I para tema da sua arte sentindo que a Ponte, a Grande Ponte, à paisagem da cidade histórica acrescenta modernidade.
Eduardo Viana [37] durante a sua estadia no Porto nos anos 20 elege as pontes metálicas como tema para sinalizar o modernismo que então procura.
Assim a par de uma pintura da ponte ferroviária [38] Viana pinta a ponte Luiz I.

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fig. 19 - Eduardo Viana Ponte Luiz I, anos 20, óleo sobre tela 18 x 24 cm. Colecção particular (exposto na Exposição «Como alguns artistas viram o Porto» em 1951 no Gabinete de História da Cidade (Arquivo Histórico Municipal do Porto).

Nesta pintura em que a ponte e o casario das margens ocupam quase a totalidade do espaço da composição, numa das paisagens que então Eduardo Viana elabora, construídas, - dir-se-iam esculpidas – por planos, largamente marcados pelos valores essenciais, com um desprezo por acessórios que mais intensifica os efeitos cromáticos. [39]
E a modernidade da pintura de Viana afirma-se na cor navegando alta [40] - em que sobressai o amarelo torpe das paredes e o rouge de venise [que] alastra como barro [41] - cores do orfismo reencontrado no Minho no convívio com os Delaunay. [42]


Nos meados dos anos trinta do século passado o Porto tem um outro momento de grande protagonismo e afirmação com a realização da Exposição Colonial. [43]
Então a ponte Luiz I com quase 50 anos, é ainda uma afirmação de modernidade e será uma componente indissociável da imagem da cidade. Assim o entendeu António Soares [44] que a coloca no centro do seu quadro, uma vista pintada a partir do miradouro da Serra do Pilar.

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ig. 20 - António Soares (1894 — 1978) Ponte Luiz I, panorama da Ribeira-Porto,1935, CAM – FCG.

Devia ser uma tarde de Verão no silêncio morno das coisas do meio-dia [45] ou quando na justa monotonia do meio-dia se ouve o prodígio do repouso e a paixão adormecida [46] em que a luz é mais intensa e as sombras mais encolhidas, que o quadro foi pintado...
No centro a ponte criando diagonais e conferindo dinamismo à composição.
No fundo, intensamente iluminado, um apontamento do casario tripeiro, renques de casario humilde a encastelar-se /irregular em ocres e granito, [47] e onde arde a luz/nos vidros da ternura. [48] Também o ardor / do verão caiu ao rio [49] que corre esverdeado.
O tabuleiro superior desenhado com realismo está povoado por um eléctrico, três automóveis e diversas figuras de peões.
O tabuleiro inferior é apenas uma mancha junto ao arco de sombra que o rio reflecte. [50]
O arco e os pendurais da ponte revelam a moderna estrutura construtiva da ponte.

Capítulo VII
Duas diferentes visões da ponte na arte de António Cruz

Numa primeira imagem, ainda dos anos 30, a ponte é pintada por António Cruz [51] naquela hora inaugural do dia, em que há aquelas brumas sobre o Douro, a desfazer-se de manhã, a levantar-se e começa a aparecer, a surgir uns pedaços da cidade do Porto… [52] 
António Cruz com aquela suavidade e delicadeza que a aguarela impõe, naquelas suas aguarelas húmidas de poesia e a escorrer melancolia, onde surge, para além da mancha da Serra do Pilar, apenas uma sugestão da ponte, suspensa na neblina fina e matinal do rio.

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fig. 21 - António Cruz, escarpa da Serra do Pilar aguarela 1937.

Outro é um desenho dos anos da guerra, numa imagem mais negra,

um cais, o traço grosso a carvão
os encaixes da ponte armada em ferro, (…)
o deslizar da luz para poente, tudo
uma dramática placidez escurecendo a ribeira [53]

desenhada com um surpreendente vigoroso traço, explicando a estrutura da ponte sobre a qual circulam os eléctricos que transportam as gentes da outra margem, do lado

do mosteiro
da serra do pilar, recortado
a carvão. [54]

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fig.22 - António Cruz, Serra do Pilar, V.N.Gaia, t écnica mista,1941.

Capítulo VIII
Nadir Afonso e a obstinada procura da essência da ponte

Estás só
e ao teu encontro
vem a grande ponte sobre o rio. [55]

Nadir Afonso [56] ainda como estudante de Arquitectura na Escola de Belas-Artes do Porto faz da ponte Luiz I o tema central da sua pesquisa artística. Na Escola dos anos 40 o director Aarão de Lacerda (1939-45), com os pintores Joaquim Lopes (1945-52) e Dordio Gomes (1890 - 1976) e com os arquitectos Manuel Marques (1890-1956) e Rogério de Azevedo (1898-1983), procuravam aberturas para a arte moderna nos limites do que então era possível ou que o Regime permitia. Mas é sobretudo a partir de 1940, quando o arquitecto Carlos Ramos (1897-1969) se torna professor, que a EBAP se abrirá à arte moderna - introduzida, permitida e até estimulada por uma didática inspirada na Bauhaus e Walter Gropius com particular atenção às formas de expressão criativa que tornassem indefinido o limite entre as diferentes artes. Esta abertura acentuar-se-á quando em 1952 Carlos Ramos sucede a Joaquim Lopes como director da Escola de Belas Artes do Porto. [57]
Esta didática e o exemplo de Le Corbusier (1887-1965), então com grande prestígio no pós guerra, conduziram os arquitectos a realizarem pesquisas plásticas através da Pintura. Associamos de imediato Nadir aos seus contemporâneos Fernando Lanhas (1923-2012) e Rui Pimentel (1924-2004) também eles se afirmando paralelamente à prática da arquitectura, através da pintura. [58]

À procura da alma da ponte

Num casulo de silêncio

Onde os segredos e o ar
São as traves duma ponte
Que não paro de lançar. [59]

O jovem Nadir numa obstinada vontade de apossar e construir plasticamente a Ponte, desenhou e pintou diversas vezes a ponte Luiz I, [60] de diferentes pontos de vista, experimentando incansavelmente novas modalidades de aproximação plástica ao visível [61] naquela loucura que vem/de [a] querer compreender… [62]

Uma obstinada procura como se, para além da sua essência construtiva buscasse o inatingível da  ponte, como se para ele fosse a paisagem do meu eu profundo. [63]

Nadir executa a paisagem de Gaia junto ao Douro, numa primeira aproximação à ponte, com o realismo de um desenho de arquitecto. A Serra do Pilar encima a colina onde na escarpa se escalonam fábricas e casas. A ponte à direita é apresentada num apontamento correcto da sua estrutura.

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fig. 24 - Nadir Afonso, Gaia 1938, lápis sobre papel 24 x 24,5 cm. Fundação Nadir Afonso.

Mas retomando o mesmo ponto de vista evolui para uma visão com a tonalidade expressionista que leva as casas e as ruas a inclinar-se em movimentos abruptos e descontrolados próprios de uma quase bebedeira [64] em desenhos que mostram a ponte como um

Salto esculpido
sobre o vão
do espaço
de pedra e de aço
onde
não permaneço – passo. [65]

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fig. 25 - Estudo para Vila Nova de Gaia 1940, técnica mista sobre papel 15 x 15,5 cm. Fundação Nadir Afonso.

Nadir desenha com a técnica dos expressionista alemães, usada no cinema expressionista, em particular O Gabinete do Dr. Caligari de Robert Wiene (1873-1938) [66] cujos cenários distorcendo a perspectiva, com ângulos irregulares e formas desproporcionadas, dão às imagens novas possibilidades, novos sentidos, acentuadas pelos estranhos efeitos de luz e sombra que criam um clima mais psicológicos e mais misterioso. Do mesmo modo a pintura do Expressionismo alemão de que se pode referir como exemplo a Leipziger Straße mit elektrischer Bahn (Rua Leipzig com eléctrico) de 1914 de Ernst Ludwig Kirchner (1880-1938), ou a  Die Synagoge (A Sinagoga) de 1919 de Max Beckmann (1884-1950).

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fig. 26 - Estudo para Ponte, 1940. Lápis sobre papel, 15,5 x 18,5 cm. Fundação Nadir Afonso.

Estes desenhos onde
tudo, tudo assim me é conduzido no espaço
Por inúmeras interseções de planos
Múltiplos, livres, resvalantes [67]
e onde um indistinto ponto de fuga, as casas inclinadas, os percursos e caminhos kafkianos, as visões de baixo para cima, o imaginário e o delírio, criam um clima que os aproxima da abstracção.
Num outro desenho, Nadir acentua o dramatismo usando o lápis carvão simplificando a paisagem que dança, oscila e estremece, e se vê reduzida aos traços essenciais que a definem.

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fig.27 – Gaia, 1940,. Lápis de carvão sobre papel, 13 x 13,5 cm. Coleccção particular.

A Ponte vista do seu interior

Mas para melhor se acercar do seu interior - da sua alma - Nadir pinta a ponte vista do tabuleiro inferior onde melhor se aprecia… o que é esta grandiosa obra de engenharia. [68] Numa primeira e tranquila pintura Nadir procura captar a sensação de quem percorre a ponte pelo seu tabuleiro inferior.

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fig. 28 - Ponte Luiz I, 1939. Óleo sobre tela 22,2 x 22,5 cm. Fundação Nadir Afonso.

E numa segunda e mais agitada pintura, Nadir, numa impressão que se torna expressão, pinta uma paisagem espectral (…) com uma correspondência íntima, rara nos nossos paisagistas como definia António Dacosta, a propósito do quadro Clérigos. [69]

Nadir transfigura todo o espaço. Ao contrário da primeira pintura Nadir vive, recria e vê a Ponte numa apaixonante inquietação que a não destrói, mas melhor a compreende e valoriza.

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Fig. 29  - Vila Nova de Gaia, 1942. Óleo sobre tela, 50 x 48 cm. Fundação Nadir Afonso.

Três desenhos da ponte vista de cima e dois da ponte na cidade

Quando passo pela ponte deste rio

A quem também chamei de Rio Dourado
E sinto intensamente a alegria
Me encontro, e renasce em mim
O canto da verdade
O espelho da verdade, que me invade... [70 ]


Como algumas técnicas
não são bastante
para captar o que se oculta
no rápido florir de um gesto [71]
Nadir, como aponta Bernardo Pinto de Almeida, substitui o traço vigoroso, rápido, sempre muito intenso e preciso, firme e capaz de definir rapidamente estruturas, quer visuais quer de composição, [e] ia cedendo a vez, aos poucos, à capacidade tantas vezes manifestada — notável para um jovem artista dessa época — de expressar um entendimento intimista, senão mesmo quase lírico, da paisagem. [72]
E o jovem Nadir produz uma série de desenhos com sucessivas reinterpretações e leituras do tema que é sempre a Ponte, essa ponte que separa vibra, e a água do rio a estrada esquece [73] e onde não quer apenas reproduzir a natureza a paisagem mas dar-lhe expressão, a sua expressão, com um sentido de atmosfera que lembra o do grande aguarelista António Cruz, [74] e fazendo recordar Mário de Sá-Carneiro no citado poema Manicure:

Ávido, em sucessão da nova Beleza atmosférica,
O meu olhar coleia sempre em frenesis de absorvê-la
À minha volta.

E a que mágicas, em verdade, tudo baldeado
Pelo grande fluido insidioso.
Se volve, de grotesco célere,
Imponderável, esbelto, leviano... [75]

clip_image029fig. 30 - Ponte D. Luís, s/d (Anos 40). Técnica mista sobre papel 25,5 x 27 cm. Fundação Nadir Afonso.

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Fig. 31 - A Ponte e o Porto, s/d (Anos 40). Técnica mista sobre papel, 20 x 25,5 cm. Colecção particular.

clip_image031fig. 32 - O Porto sobre o Douro, s/d (Anos 40). Técnica mista sobre papel, 22 x 26,5 cm.Fundação Nadir Afonso.

clip_image032fig. 33 - Ponte D. Luís, s/d (Anos 40). Técnica mista sobre papel 18, 5 x 24, 5 cm. Fundação Nadir Afonso.

clip_image033fig. 34 - Porto antigo (Sé) s/d (Anos 40). Técnica mista sobre papel, 23 x 32 cm. Fundação Nadir Afonso.

Toda esta apaixonante pesquisa do jovem Nadir parecendo procurar 
Que o arco desta ponte livre e sem senhores,
lançada pelo amor mais belo e mais profundo,
terão todas as cores, - tal como o "arco-íris"
- e abraçarão o mundo! [76]
fazem ainda antever, não só o abstraccionismo geométrico e cinético que desenvolverá nos anos 50 e 60, mas sobretudo as paisagens reduzidas a traços estruturais que definem formas e espaços urbanos, que Nadir realizará numa fase final da sua actividade plástica.

Capítulo IX
A Ponte e Cidade nas tapeçarias de Camarinha

A cidade do Porto é uma velha tapeçaria, especialmente observada dali, do lado de Vila Nova de Gaia. [77]

A ponte Luiz I torna-se monumento integrante da imagem da cidade, com o Douro, a Sé, a Torre dos Clérigos e torna-se parte da vida da cidade como as festas populares do S. João. Numa tapeçaria de Guilherme Camarinha [78] executada para um hotel da baixa, onde são evocadas as festas do S. João, todas essas componentes da identidade do Porto aparecem representadas.

clip_image034fig. 35  - Tapeçaria S. João Restaurante do Hotel Mercure Batalha, Porto, Portugal.

Numa composição em que a população do lado direito se passeia pelas Fontainhas, tendo ao fundo o Douro com dois rabelos e a ponte, e à esquerda um conjunto de músicos que animam a festa. O centro é ocupado por duas enormes e tradicionais fogueiras, que enquadram S. João,
E S. João ao cimo dominando
A paisagem aqui e além tufando
Toda em cortiça e musgos, tão musgosa
Que era para o olhar cariciosa…
Os ranchos, as fogueiras, orvalhadas;
Graça pagã: catolicismo e fadas.
Deitávamos balões junto à cascata…
[79]

E numa outra tapeçaria Camarinha evoca a actividade dos pedreiros, tão importantes numa cidade de granito.

clip_image035fig. 36 - Actividades e Histórias dos Pedreiros, 1970, tapeçaria Cooperativa dos Pedreiros.

O Douro com rabelos e a Ponte, descreve uma suave curva cuja forma se repete por duas vinhas que florescem e dividem a tapeçaria em faixas onde
pedreiros de profissão,
de sombrias cataduras
como bisontes lendários,
modelam ternas figuras
na brutidão dos calcários. [no Porto na brutidão dos granitos]
….
vestidos de surrobeco
e acocorados no chão,
truca, truca, truca, truca.
……
Fixando a pedra, mirando-a,
quanto mais o olhar se educa,
mais se entende o truca…truca…
[80]

E na pintura que Camarinha apresentou no seu concurso para professor da Esbap, a Descarga do Carvão na Ribeira, a Ponte serve de fundo.

clip_image036fig. 37 - Guilherme Camarinha Faina Fluvial no Douro, Prova de grande composição óleo 165 x 200 cm. 1962 FBAUP.

As carvoeiras Descalças! Nas descargas de carvão, [81] transportam em cestos à cabeça e equilibram-se sobre estreitas pranchas. Um navio [82] de que apenas se vê a proa, trouxe o carvão que de seguida foi passado para as barcaças. Em primeiro plano humanizando e completando a composição uma Mãe embala o filho, simbolizando as
   
Mães de Portugal comovedoras,
Com Meninos Jesus de encontro ao peito,
Iguais na devoção e amor perfeito
Aos painéis onde estão Nossas Senhoras! [83]

E o Menino, simbolizando a nossa infância e que pede
Que me leve consigo, adormecido,
Ao passar pelo sítio mais sombrio...
Me banhe e lave a alma lá no rio
Da clara luz do seu olhar querido... [84]

O quadro, lembrando os cartões das tapeçarias a que Camarinha se irá dedicar, representa as figuras geometrizadas que estabelecem uma diagonal acentuada pelas pranchas e contrastando com a horizontalidade da ponte Luiz I.

Capítulo X 
Apenas mais duas visões da Ponte e da cidade

A imagem do Porto como anfiteatro debruçado sobre o Douro, centrada na Torre dos Clérigos mas integrando a ponte Luiz I, [85] persiste até aos nossos dias embora tratada ou apresentada de outras formas e expressões plásticas.

clip_image037fig. 38 – Júlio Resende.Painel de azulejos. [À procura de informações sobre este painel]

Júlio Resende [86] elabora um painel de azulejos com uma moderna e geometrizada interpretação do desenho do rosto da cidade apontado desde a ponte da Arrábida até à ponte Luiz I e centrado na Torre dos Clérigos. Resende parece seguir a poética de Cecília Meireles quando para o desenho do painel aconselha:
traça a reta e a curva,
a quebrada e a sinuosa e cuida com exatidão da perpendicular
e das paralelas perfeitas.
Com apurado rigor, e para Número, ritmo, distância, dimensão
Tens os teus olhos, o teu pulso, a tua memória. [87]

A imagem do Porto na Pop-Art
A imagem do Porto aparece numa pintura de Tom Wesselmann [88] o pintor da Pop Art que trabalha recuperando os ícones dos grandes painéis publicitários que visam aumentar o consumo. Mas Tom Wesselmann procura criar imagens que pela sua estrutura formal e plástica, criem a sua própria personalidade artística.
  
clip_image038fig. 40 -  Tom Wesselmann (1931–2004), Great American nude no. 10, 1961 óleo e papel colagem sobre madeira, 120.,7 x 120,7 cm. Colecção particular.

O quadro inscreve-se num círculo, dividido em três faixas horizontais.
Na faixa central uma figura feminina à la Matisse, em pose lânguida, que imediata e publicitariamente chama docemente a nossa atenção, deslocando-a para uma dimensão impalpável e convidativa.
Na faixa inferior onde se reclina a figura feminina com uma vaga sugestão da bandeira americana, tanto ao gosto dos artistas da Pop-Art.
Na faixa superior o masculino, representado por uma imagem do Porto, desta cidade tão masculina, [89] cidade masculina e viril, num postal fotográfico, o cliché por excelência do Porto como canta Rui Veloso nesse quase hino da cidade:
Quem vem e atravessa o rio
junto à serra do Pilar
vê um velho casario
que se estende ate ao mar… [90]

Final
y aquí termino el cantar
e los puentes que se quedan,
de las aguas que se van. [91]

clip_image039
_________________________________________________
Notas
[1] Manuel Benitez Carrasco (1922-1999) El Puente in Obra poética. 3 vol. Córdoba, Caja Sur Monte de Piedad y Caja de Ahorros de Cordoba, 2000. Tradução: Que mansa pena me dá/A ponte sempre se fica e a água sempre se vai.
[2] Pier Maria Baldi foi um artista que acompanhou o príncipe Cosimo III, Grande Duque da Toscana, na sua viagem por Espanha e Portugal, e que produziu uma série de desenhos de vistas de cidades ibéricas, entre as quais o Porto. A vista da cidade do Porto está dividida em dois desenhos entre a Torre da Marca e o morro da Sé. Os originais encontram-se na Biblioteca Laurenciana de Florença e foram publicados pelo Centro de Estudos Históricos de Madrid .
[3] Júlio Maximo d’Oliveira Pimentel (1809-1884) Visconde de Villa Maior, in O Douro Illustrado. Album do Rio Douro e Paiz Vinhateiro, [com texto em Português, Francês e Inglês], Porto, Livraria Universal de Magalhães & Moniz – Editores 12-Largo dos Loyos-14, 1876.
[4] Teodoro de Sousa Maldonado foi o primeiro arquitecto da cidade, cargo que começou a desempenhar a partir de 1792, ainda que trabalhasse para a Junta das Obras Públicas desde 24 de Abril de 1789. Entre 1789 e 1792 executou diversas tarefas para a Junta. As qualidades demonstradas entre 1789 e 1792 por Teodoro de Sousa Maldonado levariam a que o Senado da Câmara do Porto o nomeasse arquitecto da cidade. Esta resolução seria tomada numa vereação extraordinária efectuada em 30 de Maio de 1792. A partir de 1792, j á então arquitecto da cidade, a sua actividade foi intensa. A ele se devem inúmeras plantas algumas delas relacionadas com as obras mais importantes que entre aquela data e o ano em que faleceu se executaram no Porto, das quais destacamos: as da rua de Santo António, calçada dos Clérigos e rua da Boavista. Devem-se-lhe também diversos projectos para casas que tinham que ser construídas segundo as plantas que a Junta das Obras Públicas aprovasse.
Teodoro de Sousa Maldonado, arquitecto, hábil no desenho e poeta foi a personagem, ao lado de Champalimaud de Nussane, que directa ou indirectamente mais marcou a arquitectura do Porto no último decénio do século XVIII. (ALVES, Joaquim Jaime Ferreira, O Porto na Época dos Almadas, Porto 1988)
Manuel da Silva Godinho (1757/99), foi discípulo de J. Carneiro da Silva da Aula de Gravura na Impressão Régia.

[5] Gravura de Teodoro de Sousa Maldonado, aberta a buril por Manuel da Silva Godinho, para ilustrar a edição da Descripçaõ topográfica, e histórica da Cidade do Porto, feita por Agostinho Rebello da Costa, Porto, na Officina de António Alvarez Ribeiro Anno de MDCC LXXX IX (1789).
[6] Agustina Bessa Luís A Muralha, Guimarães Editores, Lisboa 1957.
[7] Abade de Jazente in "Poesias de Paulino Cabral de Vasconcellos, abbade de Jazente" Porto Na Officina de Antonio Alvarez Ribeiro Anno de 1786.
[8] idem.
[9] Martin Heidegger(1889-1976) Bâtir, Habiter, Penser. Essais et Conférences trad. A. Préau Ed. Gallimard Paris 1980 pag. 249. No original:. …le pont s’élance au-dessus du fleuve. Il ne relie pas seulement deux rives déja existantes. C’ est le passage du pont qui, seul, fait exister les rives comme rives. C’est le pont qui les oppose spécielment l’une à l’autre. C’est par le pont que la seconde rive se détache en face de la première. Les rives ne suivent pas le fleuve comme des lisières indifférents de la terre ferme. Avec les rives, le pont amène au fleuve l’une et l’autre étendue de leurs arrière-pays. Il unit le fleuve, les rives et le pays dans un mutuel voisinage. Le pont rassemble autour du fleuve la terre comme région. Reflexões de Heidegger a partir do poema de Hölderin citado na nota [30]
[10] Carlos Luiz Ferreira da Cruz Amarante (1748-1815). Foi o autor, entre outros dos projectos das Igrejas do Bom Jesus, do Pópulo e do Hospital em Braga. Do Palácio da Brejoeira em Monção. Da Igreja da Trindade no Porto e das pontes de São Gonçalo em Amarante e das Barcas no Porto.
[11] António Machado (1875-1939) A Orillas del Duero  in Campos de Castilla, Madrid, Renacimiento, Sociedade Anonima Editorial, Pontejos, 8. 1912.  (pág. 14). Tradução: cruzar a larga ponte, e sob as arcadas/de pedra ensombrar as águas prateadas/do Douro.
[12] Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900), Assim Falou Zaratustra: um livro para todos e para ninguém ( Also sprach Zarathustra: Ein Buch für Alle und Keinen) 1883/85 tradução de Alfredo Margarido col. Filosofia & Ensaios, Guimarães Editores 2010.
[13] O tenente-coronel Robert Batty (1789 - 1848) foi um militar, ilustrador e topógrafo. Filho de um cirurgião e também pintor de paisagens. Em 1813, Batty pertenceu ao regimento Grenadier Guards que combateu na Guerra Peninsular. Ao longo da vida, e publicou diversos livros ilustrados das suas viagens: um esboço da campanha da Holanda, 1815; Um esboço histórico da campanha de 1815; a campanha da ala esquerda do exército aliado,1823; Cenário Galês, 1823; Cenário alemão, 1823; Cenário do Reno, da Bélgica e Holanda, 1826; Cenário Hanoveriano e Saxónio, 1829; Seis Vistas de Bruxelas, 1830; Um passeio de família através de Zuid-Holland, 1831; Vistas das principais cidades da Europa, 1832 e O motim e a Apreensão da H.M.S. Bounty, 1876.
[14] Robert Batty, comentário à gravura in Câmara Municipal do Porto, Álbum Comemorativo da inauguração da Ponte da Arrábida, com 50 estampas e textos de Damião Peres, Monteiro de Andrade e António Cruz. Ordenação gráfica de Carlos Carneiro. Litografia Nacional do Porto 1963 (2.ª edição 1983).
[15] W.B.Yeats (1865-1939), A Torre in W.B.Yeats – Uma Antologia. Editora Assírio & Alvim - Lisboa, 1996, Portugal. Tradução de José Agostinho Baptista (1948): Caminho entre as ameias e contemplo/Os alicerces de uma casa, ou ali onde/Uma árvore, como dedo tisnado, se ergue da terra;/E para diante lanço a imaginação/Sob o luminoso dia que declina, e invoco/Imagens e memórias/De ruínas ou de árvores antigas,/Pois a todos interrogarei.
[16] A seguir à revolução liberal tornou-se propriedade de António Joaquim Soares agora com o nome de Quin­ta do Carvalhinho. Em 1840, a quinta do Carvalhinho foi adquirida por To­más Nunes da Cunha e António Montei­ro Catarino que nela montaram uma fá­brica de cerâmica que tomou o nome de fábrica do Carvalhinho, mais tarde deslocada para Vila Nova de Gaia.
[17] Luís de Camões, Os Lusíadas, Canto IX, est. LX, in Obras de Luís de Camões, Lello & Irmãos, Editores, 144, Rua das Carmelitas, Porto 1970. (pag.1353).
[18] Câmara Municipal do Porto, Álbum Comemorativo da inauguração da Ponte da Arrábida, com 50 estampas e textos de Damião Peres, Monteiro de Andrade e António Cruz. Ordenação gráfica de Carlos Carneiro. Litografia Nacional do Porto 1963 (2ªedicão 1983).
[19] William Barnard Clarke (1807–1894), foi um médico, arquitecto e arqueólogo inglês. Publicou uma colecção de mapas de cidades europeias. Foi um membro activo da Society for the Diffusion of Useful Knowledge e do Institute of London Architects.
[20] A sua construção deve-se à empresa Claranges Lucotte e Cª., com um projecto do engenheiro Stanilas Bigot. Ver Pont suspendu de Porto; détails des travaux, suivi de trois planches explicatives. Lisboa, Na Typographia de José Baptista Morando, Rua do Moinho de Vento n.º 59, 1843.
[21] Joseph James Forrester (1809-1861) o barão de Forrester, título concedido por D. Fernando II, em 1855. Empresário do Vinho do Porto foi o autor de Uma palavra ou duas sobre o vinho do Porto (1844), O Douro Português e País Adjacente (1848) e de Prize Essay on Portugal and its Capabilities (1859). Desenhou diversos mapas do Douro. Foi pintor de aguarelas e fotógrafo. Morreu afogado em 1861 num naufrágio no Cachão da Valeira.
[22] “Viagem dos Imperadores do Brasil em Portugal”, publicado pela Imprensa da Universidade de Coimbra no ano de 1872, pelos bacharéis José Alberto Corte Real, Manuel António da Silva Rocha e Augusto Mendes Simões de Castro. (Ver neste blogue: Uma visita ao Porto com D. Pedro II Imperador do Brasil 1872 de sexta-feira, 23 de julho de 2010 http://doportoenaoso.blogspot.pt/2010/07/uma-visita-ao-porto-com-d-pedro-ii.html
[23] Louis Auguste Marie Lebreton, (1818 - 1866) junto à assinatura e antecedendo-a, desenhava uma âncora, provavelmente para referenciar a sua dedicação às imagens de barcos e de portos.
[24] Júlio Maximo d’Oliveira Pimentel (1809-1884) Visconde de Villa Maior, in O Douro Illustrado. Album do Rio Douro e Paiz Vinhateiro, [com texto em Português, Francês e Inglês], Porto, Livraria Universal de Magalhães & Moniz – Editores 12-Largo dos Loyos-14, 1876.
[25] Lady Jackson, (Catherine Hannah Charlotte Elliott) - Fair Lusitania – Formosa Lusitânia, traduzida e anotada por Camilo Castello Branco, Livraria Portuense Editora, Rua do Almada 121-123 Porto, 1878. (pag.284).
[26] François Gustave Téophile Seyrig (1843-1923) Em 1869 funda a Eiffel e Companhia com Gustave Eiffel, tendo desempenhado papel relevante na concepção da ponte Maria Pia. Em 1881, tendo-se desentendido com Eiffel passa a colaborar com a empresa belga Société de Construction Willebroeck, com a qual ganha o concurso para a ponte Luiz I.
[27] Reinaldo Ferreira (1922-1959).Reinaldo Edgar de Azevedo e Silva Ferreira filho do célebre jornalista Reinaldo Ferreira, o Repórter X.
[28] Reinaldo Ferreira Poemas Portugália Editora, Lisboa 1962.
[29] Ponte Luiz I in O Occidente n.º 285, 21 de Novembro de 1886.
[30] Johann Christian Friedrich Hölderlin (1770-1800) Heidelberg 1790/ 1800 Traduzido do francês. No original: Wie der Vogel des Walds über die Gipfel fliegt,/Schwingt sich über den Strom, wo er vorbei dir glänzt,/Leicht und kräftig die Brücke,/Die von Wagen und Menschen tönt. Hölderin refere-se à ponte sobre o rio Neckar.
[31] Christian Norberg-Schulz (1926-2000) Genius Loci: Paysage, ambiance, architecture, Editions Mardaga Éditeur, Bruxelles 1981. No original: Ce “lieu” n’existait pas comme entité avant le pont (bien qu’il existe de nombreux “sites” le long de la rive, ou il aurait pu être construit) on le découvre avec le pont. Le but essenciel de la construction (de l’architecture) est donc celui de transformer un site en un lieu.
[32] Em 2002, com a inauguração da Ponte do Infante, o tabuleiro superior é reservado à linha do Metro, inaugurada em 2005.
[33] José Augusto Correia de Barros (1835-). Nasceu no Porto em 1835, formado em Matemática pela Universidade de Coimbra, forma-se ainda em engenharia pela Escola do Exército de Lisboa. Trabalhou nos Caminhos-de-ferro, desempenhou as funções de engenheiro da câmara de Lisboa e de inspector dos incêndios até 1863 ano em que é primeiro engenheiro do distrito do Porto, cargo de que pediu a exoneração em 1871. Foi procurador à junta geral do distrito do Porto, vereador da câmara municipal, entre 1878 até 1887, e de novo em 1887/89 encarregado do pelouro dos incêndios, sendo mais tarde inspector. Presidente da Câmara entre 1882 e 1887. Em 1898 foi eleito par do reino e sócio honorário da Associação Comercial do Porto. Escreveu um drama em 3 actos e um 1 prólogo, intitulado Nobreza, que se representou no teatro de D. Maria, e se publicou em 1864. Tem mais as seguintes peças: Expiração, drama, escrito sendo ainda estudante; A cruz do matrimonio, em 3 actos, traduzido do espanhol; 0 supplicio d'uma mulher, 3 actos, Os intimos, 4 actos, e Valeria, 3 actos, traduzidas do francês, etc. Fonte: Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, João Romano Torres – Editor 1904-1915.
[34] Plano de Melhoramentos. Apresentado  à Câmara em Sessão Extraordinária de 26 de Setembro de 1881" Typographia de A.J. Alves Teixeira, Rua da Cancela Velha Porto 1981.
[35] idem.
[36]  Álvaro de Campos/Fernando Pessoa,Ode Triunfal, in Fernando Pessoa , Obra Poética, Volume Único, Rio de Janeiro, GB, Companhia Aguilar Editora, 2.ª edição, 1965. (pag. 308).
[37] Eduardo Afonso Viana (1881-1967). Depois de frequentar a Academia de Belas-Artes de Lisboa parte para Paris em 1905 e aí permanece até 1915. Entretanto envia diversos trabalhos para as Exposições. Entre 1915 e 1917, convive com Sónia e Robert Delaunay, que fugindo da I Guerra se instalam em Vila do Conde na Av. Bento de Freitas. Em 1919 participa no III Salão dos Modernistas do Porto; em 1920 expõe individualmente no Porto, e em 1921  na Galeria da Santa Casa da Misericórdia do Porto.
[38] Ver neste blogue em os transportes sobre carris 2 - segunda-feira, 31 de maio de 2010. http://doportoenaoso.blogspot.pt/2010/05/os-transportes-sobre-carris-2.html
[39] Reynaldo dos Santos (1880-1970), A Exposição de Eduardo Viana, in Contemporânea n.º 8 de 1923, Director José Pacheco, Rua Nova do Almada 53, Sociedade Edições Contemporânea Lisboa. Texto reproduzido com o título Eduardo Viana 1923 em Colóquio Artes, n.º 48 Abril de 1968, Fundação Calouste Gulbenkian.
[40] António Ramos Rosa (1924-2013) e certas palavras  in Voz Inicial, Lisboa: Livraria Moraes, col. Círculo de Poesia, 1960.
[41] Fernando Azevedo (1923-2002) O Último Quadro de Eduardo Viana in Colóquio Artes n. º 44 Junho 1967.
[42] Sónia e Robert Delaunay (1885-1941). Com o eclodir da I Grande Guerra vieram para Portugal tendo-se instalado em Vila do Conde na casa que chamaram de La Simultané, entre 1915 e 1917. Aqui reencontram Eduardo Viana que já conheciam de Paris.
[43] Ver neste blogue O Porto dos anos 30–A Exposição Colonial 1934 terça-feira, 25 de Fevereiro de 2014 http://doportoenaoso.blogspot.pt/2014/02/o-porto-dos-anos 30a-exposicao-colonial.html
[44]  António Soares (1894-1978). Expõe pela primeira vez no II Salão dos Humoristas em 1913. Participa  da I Exposição dos Humoristas e Modernistas em 1915, e no ano seguinte na II Exposição dos Modernistas, ambas no Porto. Como ilustrador tem uma larga participação nas revistas Ilustração, ABC e Magazine Bertrand.
[45] Vinícius de Moraes (1913-1980), Mormaço in O caminho para a distância, 1ª edição Rio de Janeiro, Schmidt Editora, 1933 in Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2004.
[46]  António Ramos Rosa Uma pausa, não de plumas, mas elástica in A Rosa Esquerda Editorial Caminho, 1991.
[47] Vasco da Graça Moura, Poesias 1997/2000, Lisboa, Círculo de Leitores 2001.
[48] Eugénio de Andrade (1923-20 ), em louvor do fogo in Obscuro Domínio. Com Desenhos de José Rodrigues e Fotografias de Armando Alves.Inova Editorial. 1971. Há uma edição da Assírio & Alvim de 2013.
[49] Eugénio de Andrade, O Outro Nome da terra, 2ª edição,Limiar, Porto 1989.
[50] Luísa Dacosta (1927) ribeira velha in Daqui Houve Nome Portugal, Editorial Inova Limitada Porto 1968 (exemplar n.º 1124)
[51] António Amadeu Conceição Cruz (1907-1983) é no dizer de Abel Salazar o maior aguarelista português dos tempos moderno. Em 1930 tornou-se aluno da Escola de Belas Artes do Porto, onde teve como mestres Joaquim Lopes e Dordio Gomes (aqui referidos). Depois de uma estadia em Londres regressa e em 1939, realiza a sua primeira exposição individual, no Salão Silva Porto. Em 1956 foi figura principal no filme O Pintor e a Cidade, de Manoel de Oliveira, apresentado no Festival de Veneza.
[52] Antónia de Sousa, Entrevista a António Cruz, 1983 in Diário de Noticias 12-6-83. No Catálogo António Cruz 1907-2007, Exposição no Museu Nacional Soares dos Reis de 14 de Dezembro de 2007 a 31 de Janeiro de 2008, , Árvore – Cooperativa de Actividades Artísticas, C.R.L. Porto 2007.
[53] Vasco da Graça Moura (1942-2014), Poesias 1997/2000, Lisboa, Círculo de Leitores.
[54] Vasco Graça Moura tercetos, reminiscências in catálogo O Porto e Outros Lugares Exposição de António Cruz, dez.1989/jan. 1990, Casa do Infante CMP/Oiro do Dia, Porto 1990.
[55]Eugénio de Andrade, um rio te espera in Coração do Dia (1958) Desenho de Ângelo de Sousa. Retrato de Augusto Gomes/1953 Porto, Fundação Eugénio de Andrade, 1994.
[56] Nadir Afonso Rodrigues (1920-2013) Em 1938 inscreveu-se no Curso de Arquitectura da Escola de Belas Artes do Porto. Ainda estudante expôs em 1944 na IX Exposição de Arte Moderna do Secretariado Nacional de Informação e participou e no ano seguinte na Missão Estética de Évora dirigida por Dordio Gomes, e onde entre outros estudantes participam Júlio Pomar (1926) e Arlindo Rocha (1921 — 1999). Nadir será um dos fundadores da Associação Académica de Belas Artes do Porto, com José Borrego, Francisco Valente, Amândio da Silva, Hernâni Moreira, Joaquim Bento d’Almeida, Fernando Monteiro, Maria Margarida Soares e Celestino de Castro. Participou até 1946 nas exposições dos Independentes. A primeira exposição foi inaugurada em Abril de 1943, na EBAP, a segunda em 1944, no Ateneu Comercial e a terceira em 1945, no Coliseu do Porto, seguem-se em 1946, 1948 e 1950 na Livraria Portugália. Nadir em 1946 parte para Paris onde colabora no atelier de Le Corbusier (1887-1965) entre 1946 e 1948. Em 1948 apresenta a sua C.O.D.A. (Concurso para a obtenção do diploma de arquitecto) orientada por aquele famoso arquitecto suíço com o título de "A Arquitectura não é uma Arte", e com o projecto Fábrica têxtil de Saint-Dié, resultante da sua colaboração com o famoso arquitecto. Depois de uma passagem em 1951 pelo Brasil onde colaborou com Óscar Niemeyer, regressa a Paris onde elabora as suas obras que intitulou “Espacillimité". De regresso a Portugal e abandonando a arquitectura em 1965, expõe no SNI, em Lisboa em 1961 e 1968, na ESBAP em 1963 e na Cooperativa Árvore, no Porto 1966, e representou Portugal na Bienal de S. Paulo (1963 e 1969). Recebeu o Prémio Nacional de Pintura (1967), foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris (1968) e ganhou o prémio Amadeo de Souza-Cardoso (1969). Teorizando sobre arte, publica em 1958"La Sensibilité Plastique", a que se segue "Mécanismes de la Création Artistique"(1970) e "Le Sens de l'Art" (1983).
[57] Ver Gonçalo Esteves de Oliveira do Canto Moniz, O Ensino Moderno da Arquitectura  - A Reforma de 57 e as Escolas de Belas-Artes em Portugal (1931-69), Dissertação de Doutoramento, Departamento de Arquitectura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.2011.
[58] Fernando Lanhas acompanhará Nadir nas suas pesquisas da arte abstracta e Rui Pimental, sob o pseudónimo de AR.CO. enveredará pelo neorrealismo.
[59] José Saramago (1922-2010) Provavelmente Alegria Editorial Caminho 1985.
[60] A primeira exposição do ciclo Sinais do Modernismo-anos 40, organizada por Bernardo Pinto de Almeida e realizada na Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, foi dedicada a Nadir Afonso e exibia uma dúzia de composições em que o tema é a ponte Luiz I.
[61] Bernardo Pinto de Almeida in Catálogo da Exposição Nadir Afonso do ciclo Sinais do Modernismo-anos 40, realizada na Fundação Dr. António Cupertino de Miranda 2014.
[62] Fernando Pessoa Fúria nas Trevas o Vento [23-5-1932],  Cancioneiro [134],in  Fernando Pessoa, Obra Poética, Volume Único, Rio de Janeiro, GB, Companhia Aguilar Editora, 2.ª edição, 1965.
[63] Mário de Andrade (1893-1945) Pauliceia Desvairada, Prefácio Interessantíssimo 1922 Editora Itaiaia Limitada Belo Horizonte in Poesias completas, Mário de Andrade. Edição crítica de Diléa Zanotto Manflo. Editora ltatiaia Belo Horizonte e  Editora da Universidade de São Paulo. São Paulo, 1987. (est. 50, pag.74).
[64] Bernardo Pinto de Almeida in Catálogo da Exposição Nadir Afonso do ciclo Sinais do Modernismo-anos 40, realizada na Fundação Dr. António Cupertino de Miranda 2014.
[65] Zila Mamede (1928-1985). Exercício da palavra, Fundação José Augusto, Natal,1975.
[66] Das Cabinet des Dr. Caligari, Realizado em 1920, mas exibido em Portugal em 1929.
[67] Mário de Sá-Carneiro (1890-1916) Manicure, Poemas sem Suporte in ORPHEU 2 Ática S.A.R.L. Lisboa 1979 (pag.27 )
[68] Guia do Porto Illustrado,com desenhos e direcção litteraria de Carlos Magalhães. Ed. Empreza dos Guias Touriste, Porto 1910.
[69] Citado por Bernardo Pinto de Almeida in Catálogo da Exposição Nadir Afonso do ciclo Sinais do Modernismo-anos 40, realizada na Fundação Dr. António Cupertino de Miranda 2014.
[70] José Cid Onde, Quando, Como, Porque Cantamos Pessoas Vivas 2º Álbum do conjunto Quarteto 1111, de 1975.
[71] Carlos Drummond de Andrade Diante das Fotos de Evandro Teixeira,  in Amar se Aprende Amando. Editora Record Rio de Janeiro, 1985.
[72] Bernardo Pinto de Almeida in Catálogo da Exposição Nadir Afonso do ciclo Sinais do Modernismo-anos 40, realizada na Fundação Dr. António Cupertino de Miranda 2014.
[73] Vitorino Nemésio, Poema de uma viagem ao Porto e de uma partida para a Bélgica 25-11-1960 in Canto de Véspera, Guimarães Editores 1966.
[74] Bernardo Pinto de Almeida in Catálogo da Exposição Nadir Afonso do ciclo Sinais do Modernismo-anos 40, realizada na Fundação Dr. António Cupertino de Miranda 2014.
[75] Mário de Sá-Carneiro (1890-1916) Manicure, Poemas sem Suporte in ORPHEU 2 Ática S.A.R.L. Lisboa 1979 (pag.29).
[76] J.G. (José Guilherme) de Araújo Jorge (1914-1987) Poema à Grande Ponte in O Canto da Terra, 1a edição 1945. 3ª edição Casa Editora Vecchi Limitada, Rio de Janeiro 1965.
[77] António Cruz 1983. Catálogo António Cruz 1907-2007, Exposição no Museu Nacional Soares dos Reis de 14 de Dezembro de 2007 a 31 de Janeiro de 2008, , Árvore – Cooperativa de Actividades Artísticas, C.R.L. Porto 2007.
[78] Guilherme Camarinha (1912-1994). Participou nas suas exposições no Salão Silva Porto (1929) e no Ateneu Comercial do Porto (1931). Na década de 1940 integrou as exposições dos Independentes. Participou: na 7ª Exposição de Arte Moderna do SPN, em Lisboa (1942); na I exposição de Arte Moderna dos Artistas do Norte, no Porto (1945); na I Exposição Primavera, no Porto (1946); na Exposição dos Artistas Premiados pelo SNI, em Lisboa (1949). Convidado em 1940 a executar um cartão para passar a tapeçaria, tornou-se nos anos 50 o pioneiro do movimento de renovação desta técnica, como forma de Arte, em Portugal. Nela se notabilizou recebendo, a partir de então, numerosas encomendas para Portugal e para o estrangeiro de cartões para tapeçarias monumentais, executadas na Manufactura de Portalegre e destinadas a Tribunais, Palácios de Justiça, Câmaras Municipais, Universidades e Embaixadas Portuguesas no estrangeiro. Entre 1959 e 1962 leccionou na ESBAP, na qualidade de Professor Assistente, tendo participado nas exposições Magnas realizadas durante esse período.
[79] António Patrício (1878-1930) Hoje bebendo Reno… in António Patrício, Poesia Completa. Lisboa, Assírio e Alvim, 1980.
[80]António Gedeão pseudónimo de Rómulo Vasco da Gama de Carvalho (1906-1997). Poema de pedra lioz in António Gedeão – Poesias Completas (1956-1967). Portugália, Lisboa, 1972. (p. 93).
[81] Cesário Verde O Sentimento de um Ocidental in O Livro de Cesário Verde, 18731886, publicado por Silva Pinto, Typographia Elzeveriana, rua do Instituto Industrial, Lisboa 1887. (pag.62).
[82] Ver neste blogue Um Navio no Cais da Ribeira 22 de outubro 2014, http://doportoenaoso.blogspot.pt/2014/10/um-navio-no-cais-da-ribeira.html
[83] Alberto de Oliveira (1873 -1940), in Poemas de Itália e Outros Poemas, Tip. da Empresa Nacional de Publicidade, Lisboa 1939.
[84] Antero de Quental (1842-1891), soneto Mãe in Os Sonetos Completos de Antero de Quental, publicados por J.P. de Oliveira Martins, Livraria Portuense de Lopes & C.ª Editores, Rua do Almada Porto 1886. (pag. 38).
[85] Com a construção da Ponte da Arrábida, inaugurada em 1963, a Ponte Luiz I, perdeu gradualmente o estatuto de ponte territorial tornando-se uma ponte urbana. Já neste século o tabuleiro superior foi dedicado ao metro. De qualquer modo a ponte continua a fazer parte da imagem com que o Porto normalmente é apresentado.
[86] Júlio Martins Resende da Silva Dias (1917-2011) Participou na I Exposição dos Independentes no Porto em 1944. Foi o autor das populares histórias de Matulinho e Matulão, publicadas n’O Primeiro de Janeiro, entre 1942 e 1952. Integrou a Missão Estética de Férias em Évora. Já como docente na ESBAP promoveu em 1958 a 3ª Missão Internacional de Arte em Évora. Para além da pintura destacou-se pela recuperação da arte do azulejo de que o painel Ribeira Negra é o mais conhecido. Aguardo com expectativa a exposição do Ciclo Sinais do Modernismo no Porto – anos 40, na Fundação Cupertino de Miranda e dedicada a Júlio Resende que se realizará em Janeiro de 2015.
[87] Cecília Meireles (1901 -1964). Desenho em Mar Absoluto 1945 in Poesia Completa, Companhia Aguilar Editora Rio de Janeiro 1994
[88] Tom Wesselmann (1931–2004). Combateu na guerra da Coreia entre 1952 e 1954. Em 1961 inicia a série dos Great American Nude.
[89] Eugénio de Andrade, escrevendo sobre Pedro Homem de Mello e citando o poema Divórcio do livro "Grande, Grande Era a Cidade..." in O Tripeiro 7ª Série, Ano XXV, Número 1 Janeiro de 2006.
[90] Carlos Tê e Rui Veloso Porto Sentido in Álbum Rui Veloso EMI 1986.
[91] Manuel Benitez Carrasco (1922-1999) El Puente in Obra poética. 3 vol. Córdoba, CajaSur Monte de Piedad y Caja de Ahorros de Cordoba, 2000. Tradução: e aqui termino o cantar/Das pontes que ficam, /E das águas que se vão.

1 comentário:

  1. Para um leigo como eu, apenas um sentimento, Obrigado pelo seu emocionante trabalho.

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