Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Dia de Reis

Em Dia de Reis, apresenta-se uma  iluminura das Très Riches Heures du Duc de Berry, intitulada La Rencontre des Trois Rois Mages. É uma bela composição em que cada um dos reis chega de uma direcção diferente. No canto superior esquerdo uma vista de Paris onde se destacam a Sainte-Chapelle e Notre-Dame.
A cena representa a história dos Reis Magos  segundo São Mateus (2, 1-2): 1 Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, chegaram a Jerusalém uns magos vindos do Oriente. 2 E perguntaram: «Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo.
cite8fig. 1 - Frères Limbourg. La Rencontre des Trois Rois Mages, 1416, miniature enluminée, Très Riches Heures du Duc de Berry, folio 51v.Chantilly, Musée Condé.
Embora na Bíblia nada o indique, cedo se convencionou que seriam três os reis vindos do oriente: Melchior ou Belchior, o ancião trazendo o ouro, Baltazar de meia-idade trazendo a mirra, e Gaspar o jovem trazendo o incenso. Na iluminura estão representados como vindos de diferentes direções, dando-se o encontro junto a um marco ornamentado, que aliás, centraliza a composição.

No canto inferior direito, montando um soberbo cavalo branco, empunhando um ceptro e tendo à cintura um sabre - símbolos de autoridade e liderança - Melchior (Belchior) com uma barba branca indicando a sua avançada idade. Está rodeado pelo seu séquito trajando à oriental, com turbante e sabre. Junto a eles um urso lembra o emblemático animal de Jean I, Duque de Berry (1340-1416), a quem se refere a obra. O urso figura também, aos pés da estátua jazente do seu magnífico túmulo, obra de Jean de Cambray (1375-1438), que se encontra na catedral de Bourges. 1

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fig. 2 – Detalhe da imagem anterior

Do lado esquerdo chega Baltazar, de barba negra também indicando a sua meia-idade, a cavalo, com o seu séquito onde algumas figuras montam camelos, acentuando que vêm do oriente. O leão que o acompanha lembra o emblema de João sem Medo, duque da Borgonha (1371-1419), e que figura aos pés da sua estátua jazentes e da mulher Marguerite de Bavière (1363-1423), no seu túmulo, de Jean de Marville (1381–1389), Claus Sluter (1389–1406) e Claus de Werve (1406–1410), hoje no Museu de Belas Artes de Dijon. 2
cite8efig. 3 – Detalhe da fig. 1
Gaspar vindo da direita alta, um jovem imberbe, comanda também o seu séquito, onde também figura  um camelo.

cite8ffig. 4 – Detalhe da fig. 1

No fundo uma representação de Paris (como Jerusalém), reconhecendo-se a Sainte-Chapelle, o Palácio, Notre-Dame e ainda a colina de Montmartre.cite10fig. 5 - Detalhe da fig. 1 com o panorama de Paris.
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[1] Ambos os túmulos, obras-primas da escultura, são ornamentados nas faces dos sarcófagos com uma série de figuras encarapuçadas os “pleurants”. Os pleurants do primeiro destes túmulos da autoria de Jean de Cambray (cinco) e de Etienne Bobillet (activo em 1453) e Paul Mosselman (activo em 1453), estes executados já depois da morte de Jean de Berry, foram dispersos durante a Revolução Francesa, encontrando-se hoje os 35 que restaram, em vários museus e colecções particulares.


cite171fig. 6 - Paul Gauchery (1846-1925), Restituition du tombeau de Jean du Berry. In A. de Champeaux (1833-1903) et Paul Gauchery Les Travaux d’Art exécutés pou Jean de France Duc de Berry, H. Champion, Paris 1894.
jean6fig. 7 - O Urso aos pés da estátua jazente de Jean I, Duque de Berry.
cite179fig. 8 - JeanBobillet  (conhecido em 1453) e Paul Mosselmann (conhecido a partir de 1441-1467), Pleurant tenant un livre ouvert e Pleurant tenant un livre, d. 1450. Elementos do cortejo funerário do túmulo de Jean Duc de Berry, alabastro 39 x 14 x 12 cm. Museu do Louvre, Paris.

[2] O Túmulo de João sem Medo e Margarida da Baviera com os leões a seus pés.
cite175fig. 9 - Tombeau du duc de Bourgogne Jean sans Peur et de la duchesse Marguerite de Bavière. Dessin de G. Dubois, publié en 1748 dans l’Histoire de Bourgogne de Dom Plancher (t. III, p. 526).
cite176fig. 10 - Jean-Baptiste Lallemand (1716?-1803?). Tombeau de Jean Sans peur et de Marguerite de bavière - (duc de Bourgogne) aux Chartreux à Dijon, 178?,  Dessin à la plume et encre de Chine, aquarelle ; 15 x 21,7 cm. Chartreuse de Champmol (Dijon) Bibliothèque nationale de France.
cite142fig. 11 - Jean de Marville (1381–1389), Claus Sluter (1389–1406) e Claus de Werve (1406–1410), Túmulo de João sem Medo e Margarida de Baviera. Postal do início do século XX.
cite143afig. 12 - Jean de Marville (1381–1389), Claus Sluter (1389–1406) e Claus de Werve (1406–1410), Túmulo de João sem Medo e Margarida de Baviera. Museu de Belas Artes de Dijon.
cite177fig. 13 – O Leão aos pés da estátua jazente de João sem medo.
cite180fig. 14 - Pleurants du tombeau de Jean sans Peur à Dijon. Encre noir, lavis d’encre de Chine, lavis gris , pinceau, plume et sanguine. 12,6 x 30,5 cm. Museu do Louvre.
Nota final – Aproveitando o Dia de Reis , antecipou-se este texto sobre o Palácio de Justiça de Paris que faz parte da série Um Percurso por Paris do Segundo Império a publicar em breve.

2 comentários:

  1. Caro amigo,
    É com prazer que vejo o seu regresso com assiduidade.
    Precisava de uma foto específica sobre o Mercado do Bolhão e só a poderia encontrar no seu espaço. Não falhei o palpite.
    Renovo os votos de Bom Ano.
    Um abraço de amizade

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  2. Caro amigo:
    Obrigado pelos votos de Bom Ano que retribuo. O meu blogue está sempre à disposição de quem o queira utilizar. Um abraço
    RF

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