Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















quinta-feira, 14 de maio de 2015

Juventude ou Menina Nua

Nota inicial - No centenário do projecto da Avenida dos Aliados por Barry Parker e nos dez anos da intervenção de Álvaro Siza, apresenta-se um conjunto de apontamentos sobre a arte pública na Avenida dos Aliados e Praça da Liberdade, que se inicia pela Menina Nua (Juventude) que recentemente fez oitenta e cinco anos. [1]
I Parte - Juventude ou Menina Nua, a fonte da Avenida.
Sim, eu conheço, eu amo ainda
esse rumor abrindo, luz molhada,
rosa branca. Não, não é solidão,
nem frio, nem boca aprisionada.
Não é pedra nem espessura.
É juventude. Juventude ou claridade.
É um azul puríssimo, propagado,
isento de peso e crueldade.
[2]
mn1fig. 1 – A Juventude ou Menina Nua, escultura/fonte de Henrique Moreira e Manoel Marques na Avenida dos Aliados no Porto.
Nos finais da década de 20 do século passado, está concluído o ajardinamento da zona central da Avenida então das Nações Aliadas, previsto desde o projecto de Carlos Pezerat e sucessivamente adoptado pelo Plano de Barry Parker e pelas diversas alterações que a concretização da Avenida impôs, onde teve papel preponderante o arquitecto Marques da Silva.
A figura 1 mostra a abertura da Avenida onde ainda não estão construídas as placas ajardinadas centrais. O primeiro quarteirão poente está já quase edificado. Ao fundo vê-se o edifício do Clube dos Fenianos Portuenses e a igreja da Trindade. O novo edifício dos Paços do Concelho ainda se encontra nas suas fundações.
mn2fig. 2 - – A Avenida ainda sem as placas ajardinadas centrais. Postal de 1920. Local de Edição: [S.l.] Editor: [s.n.] AHMP.

[1] Sobre a evolução urbana da Praça e da Avenida ver “Avenida dos Aliados e Baixa do Porto” – Memória, Realidade e Permanência de Ricardo Figueiredo, Clara Pimenta do Vale e Rui Tavares, Porto Vivo, SRU. Porto 2013.
[2] Eugénio de Andrade, Juventude in "Até Amanhã" 1956 in Obra de Eugénio de Andrade /2, Fundação Eugénio de Andrade, Porto 2002.
 
2 - O Concurso
É então lançado pela Câmara Municipal do Porto, um concurso para a execução de um motivo decorativo a construir no primeiro Parterre da Avenida das Nações Aliadas. E a 6 de Junho de 1919, reuniu nos paços do Concelho o Júri nomeado pela Camara Municipal do Porto, para apreciação das “maquettes” apresentadas para o concurso da execução de um motivo decorativo para a Avenida das Nações Aliadas (…) O Júri foi de parecer que a maquette a adoptar é a que tem a divisa “Fonte” do escultor Henrique Moreira e do arquitecto Manoel Marques [1].
mn3fig. 3 - Levantamento da Fonte vencedora do Concurso em 1929. Porto com Pinta, APOR.
A Fonte depois intitulada Juventude foi inaugurada em 1 de Dezembro de 1929, criando de imediato polémica numa geração que ainda fora à escola de americano puxado por cavalos e que se viu exposta a uma paisagem onde excepto as nuvens, tudo era irreconhecível, e em cujo centro, num campo de forças de tensões e de explosões destruidoras, estava o minúsculo e frágil corpo humano. [2]
A Fonte depois intitulada Juventude foi inaugurada em 1 de Dezembro de 1929, sendo que o jornal O Commercio do Porto em 7 do mesmo mês a considerava  “duma elegancia e simplicidade marcantes. [3]
mn4fig. 4 – A Fonte decorativa do insigne escultor Henrique Moreira, ultimamente inaugurada na nova Avenida dos Aliados, no Porto (Foto Francisco Viana) in Ilustração

[1] Actas da Comissão de Estética da Câmara Municipal do Porto (1927-1931) pag. 62 e 62 verso). AHMP. In José Guilherme Ribeiro Pinto de Abreu, A Escultura no Espaço Público do Porto no século XX. Dissertação de Mestrado em História de Arte em Portugal. Faculdade de Letras da Universidade do Porto Porto 1999.
[2] Walter Benjamin (1892 – 1940), Experiência e Pobreza 1933 traduzido de Expérience et pauvreté, suivi de : Le conteur et de : La tâche du traducteur, trad. Cédric Cohen Skalli, préface Elise Pestre, Paris, Payot, coll. « Petite Bibliothèque Payot », 2011. No original em francês: Une génération qui était encore allée à l’école en tramway hippomobile se retrouvait à découvert dans un paysage où plus rien n’était reconnaissable, hormis les nuages et au milieu, dans un champ de forces traversé de tensions et d’explosions destructrices, le minuscule et fragile corps humain.
[3] Citado em José Guilherme Ribeiro Pinto de Abreu, A Escultura no Espaço Público do Porto no século XX. Dissertação de Mestrado em História de Arte em Portugal. Faculdade de Letras da Universidade do Porto Porto 1999.
3 – Parêntesis: A Fonte da Foz do Douro
Tiene el mármol de la fuente /el beso del surtidor, /sueño de estrellas humildes. [1]
Para melhor se compreender a pertinência da decisão do Júri refira-se que este considerou ainda que o projecto “A”, - classificado em 2º lugar e da autoria de Manoel Marques – apesar da sua indiscutível qualidade, tinha dimensões e proporções - uma escala - que não se adequava ao local. Contudo propunha que a Câmara procurasse um outro local, mais amplo, onde pudesse ser erguido.
Esse local será o Jardim da Avenida de Montevideu (antiga rua do Castelo) onde a Escultura/Fonte de Manoel Marques foi realizada em 1931.
Trata-se de uma verdadeira fonte - onde a água faz parte da escultura - num exercício de composição abstracta, baseada numa geometria a partir do círculo e do cilindro, com uma escala que se adapta melhor, no avisado parecer do júri, a um largo espaço como o então criado (1927) Jardim da nova Avenida Montevideu na frente atlântica da cidade.
mn5fig. 5 - Projecto de uma fonte a construir na Foz . Pôrto e Paços do Concelho, 28 de Fevereiro de 1931. Projeto para uma fonte, da autoria do arquiteto Manoel Marques, aprovado em sessão da Comissão Administrativa em 1931-02-28. AHMP.
mn6fig. 6 - Postal da Fonte e lago do jardim da Avenida de Montevideu na Foz do Douro. Editor: O Progresso da Foz. AHMP.
Repare-se no remate superior onde um friso com motivos vegetais compõe o “capitel” e separa a laje superior. Também as colunas são rematadas por um pequeno friso, o suficiente para as “separar” do “capitel”.mn35fig.7 – Pormenor da parte superior da fonte.
A fonte depois de um período de inexplicável abandono foi recentemente recuperada.
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[1] Federico Garcia Lorca Canción menor , Diciembre de 1918 (Granada),de Libro de Poemas, 1921.In Obras Completas, Aguilar S.A. de Ediciones. Juan Bravo 38, Madrid 1969, (pag.184 e 185).
4 - A Fonte da Avenida dos Aliados : Juventude mas popularmente conhecida como a Menina nua.
Embora fosse designada no projecto do Concurso apenas como Fonte a escultura da jovem recebeu do autor Henrique Moreira [1] o título de Juventude.
O título que posteriormente foi esquecido em detrimento do popular Menina Nua, adequava-se contudo à época e ao lugar em que a escultura foi edificada. Nos anos 30, um novo regime estava a ser criado: o Estado Novo de Salazar, interessado em criar uma imagem de um regime jovem e moderno, contrastando com o deposto regime da República considerada de antiquada e académica. E sabe-se como os regimes dos anos 30 exaltavam politicamente a Juventude e culturalmente a modernidade.
Por outro lado a escultura, na sua modernidade (quer no nu feminino como exaltação da beleza e em particular no pedestal art-déco) inseria-se apropriadamente na moderna Avenida que então se edificava.
A Menina Nua rapidamente se tornou um elemento identificador da cidade, como neste painel de azulejos.
mn7fig.8 – painel de azulejos com a associação da cidade do Porto à escultura Juventude (Menina Nua). Autoria, proveniência e localização desconhecida.
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[1] Henrique Moreira (1890-1979), formado na Academia Portuense de Belas Artes. É o autor entre outras das esculturas Os Meninos, O Salva-vidas ou Lobo-do-mar, o monumento a Raul Brandão, Padre Américo e do Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular no Porto. É o autor de diversos baixos-relevos e esculturas de fachada como entre outros no jornal O Comércio do Porto, nos Armazéns Frigoríficos, Teatro Rivoli e Palácio da Justiça.Tem ainda diversos trabalhos espalhados por todo o País.
4.1 - O pedestal da Fonte

Manoel Marques em Paris em 1925, naturalmente assistiu à Exposition des Arts Décoratifs et industriels modernes, e as suas obras [1] reflectem os “princípios” desta expressão artística que se difundiu mundialmente na década de 20 e na década seguinte, abarcando desde a pintura e a escultura, a moda e seus acessórios, a decoração e o mobiliário, o lettering e a arquitectura.
A magnífica peça Art-Déco que sinaliza a abertura da Avenida tem um cuidado desenho de dimensões e proporções rigorosamente adaptadas ao local.
mn8fig. 9 – O Pedestal da Menina Nua. Detalhe da fig. 1
O seu pedestal simétrico com uma geometria baseada em quadrados e rectângulos gera um exercício de volumes, com um conjunto de paralelepípedos encastrados utilizando o mármore em superfícies polidas. [2]
 mn9fig.10 – Levantamento da planta do pedestal.mn10fig.11 – Eixos da composição da planta do pedestal.mn11fig.12 – O “jogo” dos quadrados na génese da composição do pedestal.
Como exemplo de um pedestal Art-Déco, algo semelhante, veja-se a fonte construída pela empresa americana Boeing junto à sua fábrica nos anos trinta (1934), em Cheyenne a capital e maior cidade do estado norte-americano do Wyoming, como memorial da história da aviação.
mn12fig.13 - A Fonte Art-Déco no cruzamento da Eighth Avenue com a Warren Avenue, em Cheyenne USA.

[1] Entre outros: Farmácia Vitália 1932. Barbearia Tinoco /alterada) 1939. Edifícios na rua Rodrigues Sampaio 1935 e 1937. Fachada dos Armazéns Cunha 1932. Pedestal do Monumento aos Mortos da Grande Guerra 1928.
[2] Resumidamente a Art-Déco utiliza uma geometria baseada em volumes de cubos, paralelepípedos, esferas e cones com superfícies polidas e brilhantes, onde se inserem zig-zags, raios, ondulações, e composições figurativas como flores e animais estilizados (pavão, gazela). A Art-Déco utiliza preferencialmente o mármore e o granito polidos, madeiras exóticas, metais cromados, e novos materiais como a baquelite.
4.2 - As Carrancas
Neste conjunto de volumes e para além da escultura denominada a Juventude, inserem-se emoldurados quatro elementos figurativos: as carrancas de onde jorra a água, apresentando um desenho art-déco e representando as Quatro Estações (relacionadas com as Quatro Idades da Vida).
[As melhores fotografias que encontrei das carrancas, são de Carlos Romão do magnífico e surpreendente blogue A Cidade Surpreendente http://cidadesurpreendente.blogspot.pt/2014/10/a-menina-nua.html ]
mn13fig.14 - As carrancas Poente (Verão) e Nascente (Primavera) da Menina nua na Avenida dos Aliados. Foto de Carlos Romão no magnífico blogue A Cidade Surpreendente http://cidadesurpreendente.blogspot.pt/2014/10/a-menina-nua.html
mn14fig. 15 - As carrancas Norte (Outono) e Sul (Inverno) da Menina nua na Avenida dos Aliados. Foto de Carlos Romão no magnífico blogue A Cidade Surpreendente http://cidadesurpreendente.blogspot.pt/2014/10/a-menina-nua.html
As carrancas (em francês mascarons do italiano mascharones) eram elementos decorativos utilizados em fontes e fachadas, e podemos ver nestas uma referência, uma memória, das carrancas da fonte da Natividade outrora existente na Praça da Liberdade. Duas destas carrancas podem ser vistas nos jardins do Palácio de Cristal.
mn15fig.16 - Carranca proveniente da Fonte da Praça nos jardins do Palácio de Cristal.
4.3 - As quatro Estações
As carrancas representando as Quatro Estações foram muitas vezes utilizadas em fontes. Tradicionalmente a Primavera é representada por uma figura feminina associada à deusa romana Flora (para os gregos Cloris), por quem Zéfiro o vento oeste, se apaixonou e dando-lhe um filho Carpo (fruto). O Verão é representado por uma figura feminina da deusa romana Ceres (a Deméter na mitologia grega), normalmente representada por uma jovem coroada tendo na mão direita uma foice e carregando espigas (símbolo da fertilidade). Por sua vez o Outono, identificado com Baco (Dionísio na mitologia grega), é muitas vezes representado por um Fauno (ou Sátiro) e pelas uvas de onde se extrai o vinho. Finalmente o Inverno, associado a Vulcano ou a Saturno, é representado por um Velho abrigado numa grossa manta e tendo a seus pés uma braseira.
Um exemplo de uma Fonte das Quatro Estações, encontra-se em Cotignac na Provence, França.mn16fig. 17 - A Fonte das Quatro Estações em Cotignac num postal do início do século XX.
mn17afig.18 - Carrancas da Fonte das Quatro Estações em Cotignac. O Verão e o Outono.
mn18afig.19 - Carrancas da Fonte das Quatro Estações em Cotignac. O Inverno e a Primavera.
O tema das Quatro Estações é ainda utilizado em carrancas nas fachadas dos edifícios, como bem perto da Menina Nua, na fachada do prédio de José Marques da Silva na rua das Carmelitas, conhecido como o edifício das Quatro Estações.
mn21fig. 20 - O Edifício das Quatro Estações projectado por Marques da Silva em 1905. Foto sem data da Fundação Marques da Silva.


mn22afig.21- As Quatro Estações. Adaptado de Porto digital http://cct.portodigital.pt/
5 - A estátua da Juventude (ou Menina Nua)

Ella pareva ripresa e rifoggiata nella giovinezza della natura, abitata da una sorgente che pululasse contro il cristallo de' suoi occhi. Ella era la sua sorgente, il suo fiume e la sua riva, l'ombra del platano, il tremolìo della canna, il velluto del musco. [1]

mn29fig.22 – A Juventude. Foto in https://pt-pt.facebook.com/EscultorHenriqueMoreira
mn27fig. 23 – A Juventude in https://pt-pt.facebook.com/EscultorHenriqueMoreira
O modelo para a estátua foi Aurélia Magalhães Monteiro (1910-1992), que foi modelo para diversos artistas entre os quais Teixeira Lopes, Acácio Lino, Joaquim Lopes, Dórdio Gomes, Sousa Caldas, Augusto Gomes, e Camarinha...
[1] Gabriele D’Annunzio (1863-1938), Aspetti dell’ignoto. La Leda senza cigno. Fratelle Treves Editori, Milano MCMXVI (pág.140). Também citado em Gaston Bachelard (1884-1962), L’Eau et les Rêves, Librairie José Corti, Paris 1942. (pag.59). Tradução (RF): "Ela [a jovem] parecia retomada e recriada na juventude da natureza, habitada por uma fonte que vinha borbulhar contra o cristal de seus olhos. Ela era a sua própria fonte, o seu rio e a sua margem, a sombra do plátano, o estremecimento da cana, o veludo do musgo.
5.1 - A pose
…Folâtre et sérieuse, agaçante et sévère,
Prudente avec l’air indiscret,
Vertueuse, coquette, à toi-même contraire,
La ressemblance échappe en rendant chaque trait...
[1]
mn92fig. 24 – Henrique Moreira, Juventude . Foto do bçogue Crónicas do Rochedo http://cronicasdorochedo.blogspot.pt/2014/08/bibo-porto-12-menina-nua.html
A escultura de Henrique Moreira representa uma jovem despida, sentada, tendo Em seus lábios um sorriso / É a luz do paraíso; [2]e onde apenas o penteado reflecte a modernidade. A pose não pretende exaltar o corpo feminino em movimento como era próprio da art-déco. Pelo contrário a Juventude tem uma pose discreta e natural, a cabeça inclinada, algo envergonhada da sua nudez, que se pode filiar na pintura dos finais do século XIX, e que se relaciona ainda com o Desenho de nu feminino praticado nas Academias.
Muito perto de nós, no Museu Soares dos Reis o belíssimo quadro de José Júlio Sousa Pinto, um nu feminino numa pose semelhante à da escultura de Henrique Moreira.mn30fig.25 - José Júlio de Sousa Pinto, (1856 - 1939) Figura humana. Óleo sobre madeira 21,5 x 15,5 cm. Museu Nacional de Soares dos Reis.
De resto não faltam exemplos de nus femininos em poses semelhantes de épocas anteriores ou contemporâneas de escultura.mn31fig.26 - Alphonse-Amédée Cordonnier (1848-1930). Femme nue, assise, de trois-quarts gauche Pierre noire, 50,3 x 32,8 cm. Palais des Beaux-Arts, Lille.
mn32fig.27 - Paul Gauguin (1848-1903) Etudes de nus féminins, d'une femme courbée, d'un buste de femme chapeautée Lápis 30,9 x 23,9 cm. Musée d’ Orsay conservado no Museu do Louvre.
mn33fig.28 - Maurice Marinot (1882-1960) [3] Baigneuse óleo sobre tela 27 x 15 cm. Palais des Beaux-Arts, Lille. France.
mn34fig.29 - Amadeo Modigliani (1884-1920), Nu assis. Óleo sobre tela 116 x 73,5 cm.musée des Beaux-Arts Lyon, France.

[1] Voltaire.Le portrait manqué, a Madame la Marquise de B* in Œuvres Complètes avec des Remarques et des Notes Historiques, Scientifiques et Littéraires. Tome XVII. Épitres et Poésies Mélées. Deuxième édition. Baudouin Frères, Éditeurs, Rue de Vaugirard, nº 17, Paris MDCCCXXVI. (pág.375). Tradução (RF):
…Brincalhona e séria, provocante e severa,
Prudente com ar indiscreto,
Virtuosa, coquette, em si mesma contraditória,
A semelhança escapa ao desenhar cada traço…

[2] Almeida Garrett A Minha Rosa in Flores sem Fructo Imprensa Nacional Lisboa 1845. (pág.151/152).
[3] Maurice Marinot (1882-1960) Iniciou a sua actividade participando em exposições dos Fauves. Dedicou-se ainda à produção de peças em vidro.
6 - O tema da Juventude
O tema da Juventude não é muito utilizado pelos artistas na transição dos séculos XIX e XX. Como exemplos na pintura apresenta-se uma Juventude de Gaston Bussière um pintor e ilustrador simbolista e que criou a pintura Rosa-Cruz, onde a juventude é representada por uma jovem nua significativamente perto da água (um ribeiro? Um lago?).
mn86fig.30 – Gaston Bussière (1862-1929) Juventa 1ª década do século XX. Óleo s/ tela 146,7 x 114,3 cm. Colecção particular.
E um outro exemplo é uma Juventude de René Magritte, na sua fase de influência cubista e futurista. De novo um nu feminino e onde o elemento água é representado por um navio que ocupa o centro da tela, tendo como fundo um conjunto de triângulos com uma coloração predominante azul representando a ondulação e outros de diversas cores representando velas e pequenas embarcações. O quadro lembra os versos de Eugénio de Andrade:
Os navios existem e existe o teu rosto /Encostado ao rosto dos navios. [1]
mn84fig. 31 – René Magritte (1898-1967) Juventude 1924 óleo s/ tela 50,5x41 cm. Berkeley Art Museum.
Na escultura uma Juventude, um torso numa interpretação clássica do nu feminino de Aristide Maioll que Henrique Moreira certamente conhecia.
mn82fig. 32 – Aristide Maioll (1861-1944) Jeunesse 1910. Mármore 106 x 44 x 34 cm. Museu d’Orsay Paris.
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[1] Eugénio de Andrade, As Palavras Interditas 1951 in Poemas (1945-1965). Portugália Editora, Lisboa 1966 (pág. 98).
7 - A Fonte da Juventude
Numa fonte onde a figura feminina se chama Juventude, não me parece forçado associar a fonte da Menina Nua (Juventude) ao antiquíssimo mito da Fonte da Juventude. Até porque, no século XIX e início do século XX, com o desenvolvimento das termas e da qualidade medicinal das águas (hoje os SPA), o tema reaparece nas obras dos artistas plásticos.
Um exemplo é a Fonte da Juventude (Fontaine de Jouvence) apresentada no Salon des Artistes em 1912 pelo escultor Paul Auban e colocada em 1933 na praça Clemenceau da cidade de Pau.mn76fig. 33 - Paul (Charles Alfred) Auban (1869-1945) La Source, mármore. Exposta no Salon des Artistes Français de 1912. Postal da época.
mn75fig. 34 - Paul (Charles Alfred) Auban (1869-1945) La Source, mármore. Exposta no Salon des Artistes Français de 1912. Fotografia de François Antoine Vizzavona (1876-1961),agence photo RMN-Grand Palais Paris.
mn77fig. 35– A fonte colocada em 1933 na praça Clemenceau em Pau, França.
Uma Fonte da Juventude associada a uma estância termal.
mn93fig. 36 - Émile Popineau (1887-1951) La fontaine de Jouvence Termas de Bagnères-de-Bigorne Hautes-Pyrénées França.
8 – Breve apontamento sobre o  mito da Fonte da Juventude
A complexidade do mito da Fonte da Juventude, associada ainda à Bíblica Fonte da Vida não permite que nos alonguemos sobre o tema, aliás apenas relacionado com a Menina. Bachelard escreve que La Fontaine de Jouvence est une métaphore três complexe qui méritait à elle seule une longue étude. En laissant de côté tout ce qui relève de la psychanalyse dans cette métaphore, nous nous bornerons à quelques remarques três particulières qui montreront comment la fraîcheur, sensation corporelle três nette, devient une métaphore si éloignée de sa base physique qu’on arrive à parler d’un frais paysage, d’un frais tableau, d’une page littéraire pleine de fraîcheur. [1]
Assim na mitologia clássica Zeus (Júpiter) teria transformado a ninfa Náuplia numa fonte cuja água fazia rejuvenescer. Nela se banhava Hera para parecer sempre jovem e bela a Zeus.
A Bíblia refere a Fonte da Vida que se situava no Jardim do Paraíso junto à Árvore da Vida e à Árvore do Conhecimento. Assim no Génese (Gn 2): Depois, o SENHOR Deus plantou um jardim no Éden, ao oriente, e nele colocou o homem que tinha formado. 9 O SENHOR Deus fez brotar da terra toda a espécie de árvores agradáveis à vista e de saborosos frutos para comer; a árvore da Vida estava no meio do jardim, assim como a árvore do conhecimento do bem e do mal. 10 Um rio nascia no Éden para regar o jardim, dividindo-se, a seguir, em quatro braços…

Em muitos textos da Idade Média, a Fonte da Juventa (deusa romana da juventude) era colocada junto das Portas de Entrada do Paraíso e quem dela bebesse, em jejum, ficaria livre das doenças e rejuvenesceria.
mn53
fig. 37 - Maître d'Egerton (actif entre 1405 et 1420) Récolte du poivre, La fontaine de jouvence in "Livre des merveilles" de Jean de Mandeville (1300?-1372).Trad. Jean le Long (13..-1383) parchemin 42 x 29,8 cm. Bibliothèque nationale de France.
No Renascimento são conhecidas duas alusões pictóricas à Fonte da Juventude. A que figura no painel esquerdo do Jardim das Delícias de Hieronymus Bosch e a Fonte da Juventude de Lucas Cranach.
clip_image002[4]fig. 38 - Hieronymus Bosch (c.1450-c.1516) O Jardim das delícias 1503 óleo s/madeira 220 × 389 cm.Museu do Prado Madrid. 
O painel esquerdo representa o Jardim do Paraíso (Éden) tendo ao centro a Fonte da Vida. Repare-se na figuração de animais africanos (elefante, girafa, macaco) misturados com alguns míticos (unicórnio).clip_image004fig. 39 - Painel esquerdo: O jardim do Éden 220 x 97,5 cm.
mn94fig. 40 - Lucas Cranach o Velho (1472-1553) A Fonte da Juventude 1546, óleo sobre madeira 122,5 x 186,5 cm. Gemäldegalerie (SMPK) Berlim.
Resumidamente no lado esquerdo da pintura as idosas aproximam-se da Fonte.
mn95fig. 41 – Detalhe da Fonte da Juventude de Lucas Carnach.
No centro da Pintura as idosas banham-se nas águas rejuvenescedoras da Fonte.
mn96fig. 42 – Detalhe da zona central da Fonte da Juventude de Lucas Carnach.
Do lado direito do quadro, as mulheres saem rejuvenescidas e vestem-se para o banquete que figura na parte superior.
mn97fig. 43 – Detalhe da Fonte da Juventude de Lucas Carnach.
No século XVII, John Milton refere a fonte no seu Paraíso Perdido.
In Paradise, fast by the tree of life,
Began to bloom ; but soon for man's offence
To Heaven remov'd, where first it grew, there grows,
And flow'rs aloft, shading the fount of life,
And where the riv'er of bliss thro' midst of Heaven
Rolls o'er Elysian flow'rs her amber stream…
[2]



Numa breve conclusão sobre a Fonte da Juventude como afirma Gaston Bachelard:

Chacun possède à la maison une Fontaine de Jouvence en sa cuvette d’eau froide, dans un énergique matin. Et sans cette expérience triviale, le complexe de la poétique Fontaine de Jouvence ne pourrait peut-être pas se nouer. L’eau fraiche réveille et rajeunit le visage où l’homme se voit vieillir, où il voudrait tant qu’on ne le voie pas vieillir ! Mais l’eau fraiche ne rajeunit pas tant le visage pour les autres que pour nous-mêmes. Sous le front réveillé s’anime un œil nouveau. [3]



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[1] Gaston Bachelard (1884-1962)) L’Eau et les Rêves, Librairie José Corti, Paris 1942 (pag.197). Tradução (RF): A fonte de Juventude é uma metáfora muito complexa que mereceria por si só um longo estudo. Deixando de lado tudo o que pertence à psicanálise nessa metáfora, vamos limitar-nos a algumas observações muito específicas que mostrarão como a frescura, sensação corporal muito nítida, se transforma numa metáfora tão afastada da sua base física que chegamos a falar da frescura de uma paisagem, da frescura de um quadro, de uma página literária cheia de frescura.
[2] John Milton (1608-1674) Paradise Lost , A Poem. Twelve Books. Published by Timothy Bedlington Boston 1820. (versos 354 a 359 pág. 66) Tradução António José de Lima Leitão (1787-1856):
Que no Éden, junto da Árvore da Vida,
Transplantada do Céu se abriu primeira!
Mas, assim que brotou a culpa do homem,
Foi removida para o pátrio assento,
E floresce no Empíreo a sacra planta;
Sobre a fonte da vida um toldo forma,
Perfuma, enfeita o rio das delícias
Que dos Céus pelo meio vai correndo,
Sobre as empíreas flores deslizando
Suas mansas, ambáricas torrentes.
[3] Gaston Bachelard (1884-1962)) L’Eau et les Rêves, Librairie José Corti, Paris 1942. (pag.198). Tradução (RF): Cada qual possui em casa uma Fonte de Juventude no seu lavatório de água fria, numa enérgica manhã. E, sem essa experiência trivial, o complexo da poética Fonte de Juventude não poderia talvez se estabelecer. A água fresca desperta e rejuvenesce o rosto, o rosto em que o homem se vê envelhecer, em que tanto gostaria que não envelhecesse! Mas a água fresca não rejuvenesce tanto o rosto para os outros como para nós mesmos. Sob a fronte acordada ganha vida um novo olhar.
II - A Menina Nua e a Avenida - Um percurso temporal através de imagens
Sem preferência de ritmo
As fotografias dividiram entre si
Os intervalos do tempo. Duas.
Cenários universalmente fixos,
Viveram sem mãos de homem:
O antes
E o agora e depois.
A repetição forte das imagens
Era pelo bailado ébrio:
Assistir –
Situação única permitida.
Retratos.
Deles a vida.
[1]

Sulla facciata degli edifici non è scritta soltanto la data della loro nascita, ma sono scritti gli umori pure, i costumi, i pensieri più segreti del loro tempo… [2]
_______________________
[1] Fernando Guedes (1929) R em O Poeta 1950 in M. Alberta Meneres e E. M. de Melo e Castro, Antologia da Poesia Portuguesa (1940-1977) 1º Volume Moraes Editores Lisboa 1979(pág. 180/81).
[2] Alberto Savinio (1891-1952) Ascolto il tuo cuore città, Bompiani Milano 1943 (2ª ed. Adelphi Milano 1984). Tradução (RF): Na fachada dos edifícios não está apenas escrita a data da sua edificação, mas os humores, os costumes e os pensamentos mais secretos do seu tempo…


1 - Os anos 30
As imagens
A primeira imagem (fig.1) mostra a Avenida por volta de 1930. Já se encontra erguida escultura/fonte da Menina Nua, inaugurada nos finais 1 29, mas ainda não aparece a escultura dos Meninos de 1932 (esta escultura também de Manoel Marques e de Henrique Moreira, fará parte de um próximo texto).mn54fig.1 – Postal das Edições JO cerca de 1930.
As placas centrais estão já ajardinadas e arborizadas. Os Paços do Concelho em construção estão no segundo piso, vendo-se por trás a torre da Igreja da Trindade. Enquadrando o edifício, do lado poente está construído o edifício do Clube dos Fenianos Portuenses (Oliveira Ferreira, 1920) e do lado nascente as construções que irão ser demolidas para a edificação do Palácio dos Correios. Do lado poente a Avenida tem já construído todo o primeiro quarteirão a partir do edifício de A Nacional (Marques da Silva, 1920) exceptuando o edifício do café Guarany (Michelangelo Soa) e no segundo está já edificado o edifício do jornal O Comércio do Porto (Rogério de Azevedo, 1930). A nascente da Avenida vê-se já edificados os edifícios desde o edifício Pinto Leite depois Banco Inglês (Marques da Silva,1924) até ao edifício do Montepio Geral (Leandro de Morais,1924). De notar ainda a circulação dos carros eléctricos na Praça da Liberdade, e os poucos automóveis em circulação embora já haja um significativo número de carros estacionados ao longo das duas faixas da Avenida, sendo que muitos deles são táxis.
Nesta outra imagem (fig.2), sensivelmente do mesmo ano, pode observar-se que está já edificado do lado nascente o segundo quarteirão da Avenida, desde a Caixa Geral dos Depósitos (Pardal Monteiro, 1923/28) até à Casa de Saúde da avenida (Oliveira Ferreira, 1930/34). No lado nascente da Praça da Liberdade está já concluído o edifício projectado por Rogério de Azevedo em 1928 na esquina com a rua Sampaio Bruno, mas não está ainda edificado o edifício de Almeida Júnior do café Imperial (licenciado em 1934). mn55fig.2 - foto de 1930/31 da Avenida vista de sul, com a Menina Nua.
Nesta imagem da Avenidavista de norte (fig.3) um pouco anterior às outras duas, vê-se o primeiro quarteirão nascente já edificado com o edifício do Montepio em acabamentos. A placa central está já ajardinada mas ainda não arborizada, e a escultura de Os Meninos ainda não se encontra colocada.mn56fig.3 - Postal das Edições JO cerca de 1930.
A Menina Nua caricaturada no jornal humorístico O Pirolito
Logo a seguir à colocação da fonte/escultura Juventude, o impacto foi grande na população do Porto.
O Pirolito Nº 1
O jornal humorístico o Pirolito logo no seu primeiro número de 24 de Janeiro de 1931, inicia um conjunto de comentários humorísticos acompanhados de desenhos sobre a Menina Nua e sobre outras edificações do centro da cidade. Assim nesse número anuncia as Campanhas do Pirolito, referindo-se aos monumentos mais célebres que ultimamente têm brotado do seio da cidade: - a Chaminé do Banco de Portugal, o Cogumelo da Caixa Geral dos Depósitos e o Capacete da Associação dos Jornalistas. Para cada uma destas preciosidades o Pirolito anuncia que publicará no próximo número três sensacionais entrevistas, em que os ilustres entrevistados alvitram o que se deve fazer aquelas três maravilhas arquitectónicas.
Ler no próximo Pirolito:
- O que se deve fazer da chaminé do Novo edificio do Banco de Portugal. Entrevista com o Snr. D. Pedro IV.mn49fig.4 – A Chaminé do Banco de Portugal. Detalhe de foto Beleza/ Mário Ferreira.
- o que se deve fazer ao Cogumelo da Caixa Geral dos Depositos?  Entrevista com a Senhora Desconhecida da fonte da Avenida dos Aliados. [1]mn36fig.5 – O Cogumelo da Caixa Geral de Depósitos. Detalhe de foto da revista Arquitectura Portuguesa.
- O que se deve fazer ao capacete da Casa dos Jornalistas e Homens de Letras? Entrevista com o nosso querido camarada Loureiro Casa Dias dos Jornalistas [2]. António Loureiro Dias (1878-1962) jornalista de O Primeiro de Janeiro desde 1908, e que foi o principal impulsionador em 1923 da construção do edifício da Associação dos Jornalistas no gaveto das ruas Rodrigues Sampaio e do Bonjardim.

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fig.6 – O Capacete da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto. Detalhe de Foto do AHMP.

E ainda neste primeiro número, numa rubrica Primas & Bordões, é dado um Mote
A menina da Avenida /Lava os pés e mais não disse! Com uma nota: Recebem-se as glosas, que deverão ser décimas, até à próxima Quarta.feira. - N. B. décimas relaxadas não se publicam.

[1] O hábito das esculturas representarem personalidades leva a intitular A Juventude de Senhora Desconhecida, e está ainda na raiz do popular e adquirido nome de A Menina Nua.
[2] António Loureiro Dias (1878-1962) jornalista de O Primeiro de Janeiro desde 1908 , e que foi o principal impulsionador em 1923 da construção do edifício da Associação dos Jornalistas no gaveto das ruas Rodrigues Sampaio e do Bonjardim.
O Pirolito n.º2
No n.º 2 de o Pirolito os textos referindo a Menina Nua prosseguem e é apresentada a entrevista à Senhora Desconhecida da fonte da Avenida dos Aliados.
O Cogumelo da Caixa Geral de Depósitos
A Senhora Desconhecida, - que se encontra em trajes mais que menores à entrada da Avenida dos Aliados, - tem uma grande simpatia pelo Pirolito. Saudamol-a à romana, lemos lhe um soneto do nosso afilhado Júlio Dantas, - e entramos na matéria, - salvo seja !
-Que nos diz V. Ex. do Cogumelo da Caixa Geral dos Depósitos ?
-Eu podia responder·lhes – começou a simpática Vénus - como lhes respondeu o Snr. D. Pedro IV. A Caixa também me fica nas trazeiras e eu não tenho obrigação de vêr o que se passa nas minhas costas. A verdade, porém, é que eu estou sentada numa posição diversa da que está sua Magestade. Ora repare...
Reparamos com toda a atenção e verificamos que a nossa entrevistada não é cega de todo pela parte de traz.
- Viram? ora bem. Vamos ao assunto do tortulho, ou do Cogumélo, como vocês lhe chamam.
Aquela excrescência está ali colocada por engano. De facto foi encomendada a uma casa constructora aquele mirante tortulhal, dizendo-se que era destinada a uma Caixa de Depósitos. Como sabemos, há duas dessas Caixas, na Avenida. Uma, delas, é a que têm o “Cogumelo” e à qual falta um andar.
A outra, é subterrânea, e já funciona há uns mêses, precisamente em frente da primeira. [Os sanitários subterrâneos então construídos]. Abriu com pouca frequência, mas agora tem um grande numero de depositantes, quer de dia, quer de noite. Ora o Cogumelo destinava- se a esta segunda Caixa e não a primeira. Por falta de esclarecimentos trocaram tudo. O que é preciso fazer agora? Tirar o Cogumelo da primeira Caixa fazer outro andar a tôda a volta do edíficio e espetar com o tortulho na Caixa Aromática dos Depósitos.
clip_image002fig.7 - Legenda: O Cogumelo da CGD e a Caixa Aromática dos Depósitos (sanitários), sobre fotografia c. 1937. Foto Beleza/Mário Ferreira.
Ainda neste nº 2 é colocada uma pergunta: Porque é que a Venus [1] da Avenida dos Aliados não tem frio, apesar de nua ?
E na rubrica Primas & Bordões são apresentados os versos de resposta ao Mote: A menina da Avenida /Lava os pés e mais não disse!
De entre outros escolhemos dois:
Glosas
Ela já está, entretida,
a ver a agua a correr,
olhos baixos, podeis vêr,
A menina da Avenida.
Bastante comprometida,
como se grossa tolice
praticasse e nào fugisse,
ficando, ali, meia-môna . ..
-Ai que grande percalhôna!
Lava os pés e mais não disse!
M.Lopes Moreira

O seu nome é Margarida,
filha dum guardo fiscal.
Cosinhava o travial,
A menina da Avenida!
Um dia, estava despida
p'ra fazer uma tolice . . .
Aparece a tia Alice:
- Ai a porca! a descarada!
... E agora, a Guida, coitada!
Lava os pés e mais não disse!


[1] O nome de Vénus era o pretexto para nas artes plásticas se realizar o nu feminino.
O Pirolito n.º3
No número 3 de 7 de Janeiro (é erro de impressão já que é de Fevereiro) do Pirolito a fonte/escultura tem direito a capa, num desenho de Cruz Caldas [1] que justifica o nome de Menina Nua.
mn57fig.8 – Cruz Caldas. Capa do nº 3 da revista Pirolito de 7 de Fevereiro de 1931.
Segue-se um texto de um humor com o que hoje nos parece de mau gosto A carne é fraca – a propósito da senhora desconhecida.
E ainda mais glosas ao mote A Menina da Avenida / Lava os pés - e mais não disse!

[1] António Pedro Barros Cruz Caldas (1897 -1975) nasceu no Porto e teve como padrinhos a pintora Aurélia de Sousa e o escultor António Teixeira Lopes. Iniciou a sua actividade de humorista e caricaturista em 1925 no semanário humorístico Cocorocó, ao qual sucedeu em 1931 O Pirolito. Expôs no Salão dos Humoristas Portugueses no Porto em 1926 e desenhou a capa do livro “O homem que matou a atriz” novela de Mario Ximenes e Ernesto de Balmaceda (1926) e Poeira dos Arquivos (1935), de Magalhães Basto. Em 1927 tornou-se colaborador do Jornal de Notícias. Dedicou-se ainda à cenografia iniciando-se na revista “Porto à Vista” em 1933. Em 1934 trabalhou ainda como publicitário na Empresa do Bolhão. Colaborou ainda com desenhos no O Primeiro de Janeiro, O Comércio do Porto, e na revista O Tripeiro. Recebeu o Prémio de Caricatura Leal da Câmara em 1953 e 1956, atribuído pela Sociedade Nacional de Belas Artes.
As referências à fonte/escultura prosseguem no Pirolito nº6 de 28 de Fevereiro de 1931 com um poema:
Vénus da Avenida
Filha d’Eça!...É imponente
Esta mulher nuasinha!...
É impecável, na linha!
Da escultura transcendente.
Vista assim por toda a gente
Que na Avenida caminha…
Ela lá está, sentadinha,
A ver a água corrente!...
No sorriso de candura,
Traduz-nos o seu amor,
Esta Vénus Formosura!...
Co’o pretexto de calor,
Pôz-se nua a criatura,
P’ra nos agradar melhor!!...
Zephiro
O Pirolito n.º9
No Pirolito nº9 de 21 de Março e a propósito da remoção do Quiosque da Praça da Liberdade, num poema intitulado O Quiosque Sebastiano [do Sebastião que aí vendia tabaco e jornais] de que mostramos um excerto:
…Havia um tempo já, que a praça era catita,
E frequentava a mesma, uma rapariguita,
De risonho perfil, mágico e expressivo,
Elegante e roliça, olhar esperto e vivo,
Vestida de mãe Eva, de frio a tiritar.

Mas uma vez D. Pedro, fitou-a ao passar:
“diz-me cá, que é isso?... Andas nua, safada?...
“É a moda futura”, responde a descarada.
“Ah, sim, bem sei, adiante. Tens ar fino e matreiro,
Não sabes do quiosque, meu velho companheiro?…

mn90fig.9 – O Quiosque do Sebastião na Praça de D. Pedro. Phot. Guedes Porto. AHMP.
O Pirolito n.º 17
E finalmente – de entre as várias referências – a Menina Nua volta a ser capa do Pirolito nº17 de 16 de Maio num desenho de gosto escatológico e muito duvidoso,intitulado Em grandes apuros… e com a legenda Ó Pedro? Falta-me papel higiénico… mn37fig.10 - Cruz Caldas. Capa do Pirolito nº17 de 16 de Maio de 1931.
Numa fotografia de 1934 (fig.11) é visível todo o belíssimo desenho da calçada e do jardim ao centro da Avenida, sendo que esta está já arborizada. Já está colocada no eixo da Avenida a escultura de Os Meninos (uma referência ao Porto como cidade vinícola). A Avenida dos Aliados está já quase na sua totalidade edificada, faltando os edifícios que a nascente e a poente a rematam (serão construídos no pós guerra). A norte na Praça do Município (hoje Humberto Delgado) os Paços do Concelho tem o andar nobre já construído, mas ainda não estão construídos os edifícios, quer do lado nascente quer do poente. Na rua Rodrigues Sampaio destaca-se o edifício da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto.mn58fig.11 - Fotografia do major-aviador Pinheiro Correia in Ilustração n.º205 de 1 de Julho de 1934. Repare-se ainda na asa do avião no canto esquerdo da fotografia.
E numa fotografia da Foto Beleza/ Mário Ferreira dos finais dos anos 30 (fig.12) a placa sul da Avenida com as duas esculturas já colocadas.
mn48fig.12 – A placa central com as duas esculturas. Detalhe de foto da Foto Beleza/ Mário Ferreira. Colecção particular.
2 - A Menina nua e a envolvente nos anos 40
Logo em Agosto de 1940 o Porto sofreu uma extraordinária vaga de calor e Cruz Caldas, agora trabalhando para O Primeiro de Janeiro, publica um desenho alusivo centrado na Menina Nua (fig.13). Repare-se nos pormenores do desenho como a protecção contra  o calor da Menina nua (sombrinha e o bombeiro que lança um jacto de água nas suas costas); os candeeiros que se derretem; e todo um conjunto de personagens fazendo da avenida uma esplanada de uma piscina.
mn41fig.13 – Cruz Caldas. A Vaga de Calor, no Porto. O Primeiro de Janeiro de 14 de Agosto de 1940.
Dos meados da década uma fotografia de Alvão (fig.14) mostra a Praça e a Avenida, consolidando-se como centro da cidade. Os Paços do Concelho estão já quase concluídos no exterior e na Praça da Liberdade está já concluído o edifício do Café Imperial.
mn40fig.14 – Foto Alvão. c. de 1945. in Monumentos Desaparecidos
Dos meados da década temos duas interpretações da Avenida por dois pintores, em que ambos - de modo diferente – pretendem representar a Avenida e a Praça no bulício e dinamismo do centro da cidade. Compare-se com a imagem anterior.
Na primeira (fig.15) de Dordio Gomes [1], a Avenida é vista do edifício das Cardosas sob uma luz de meio-dia, tendo ao fundo e ao centro os Paços do Concelho com o exterior então praticamente construído. O azul do céu e do pavimento, onde se abrem as manchas brancas das nuvens e dos rodados dos automóveis, conferem o dinamismo com que se pretende representar o centro. Contrastando com esse azul as fachadas amareladas e monumentais dos edifícios. Ao centro da composição as placas ajardinadas onde sobressai a Menina Nua.
mn59fig.15 - Dordio Gomes, Avenida dos Aliados (Porto), óleo sobre tela, 1944. Colecção de Arte Millennium / BCP.
A outra pintura (fig.16) de Luciano Santos (1911-2006) [2], mais realista, mostra a Avenida sob uma luz matinal vista de sudeste em que o eixo da estátua de D. Pedro ao centro dos Paços do Concelho traça uma dinâmica diagonal, onde se salienta a Menina Nua que centraliza a composição.
mn60fig.16 - Luciano Santos (1911-2006) Praça da Liberdade-Avenida dos Aliados 1944. Óleo s/ platex 39 x 45 cm. Colecção particular.

[1] Simão César Dórdio Gomes (1890— 1976). Estudou na Academia Real de Belas Artes tendo-se formado em Pintura Histórica em 1910. Nesse ano parte para Paris, como bolseiro, frequentando a Academia Julian e as aulas de Jean-Paul Laurens (1838-1921), mas a bolsa é anulada em 1911. Dordio Gomes regressa a Portugal indo residir em Arraiolos. Em 1921 regressa a Paris onde frequenta a Escola Nacional de Belas Artes de Paris e o atelier de Fernand Cormon (1845-1924). Participa no Salon d’Automne de 1922 em Paris. Organiza e participa na exposição Cinco Independentes 1923 na SNBA. Em 1933 fixa-se no Porto. A partir de 1934 e até à data da sua reforma, em 1960, leciona na Escola de Belas-Artes do Porto. Colabora em diversas publicações periódicas entre as quais: Contemporânea e Alma nova (1914-1930). Prémio Columbano em 1938 e o Prémio António Carneiro em 1944. Participou na Bienal de Veneza em 1950, e na I, II e III Bienal de S. Paulo (1951, 1953 e 1955 respectivamente). 1º Prémio na I Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian em 1957, Prémio Nacional de Arte em 1962 e Diário de Notícias em 1972. Dedicou-se à pintura a fresco com obras no antigo café Rialto em 1944, Baptistério da Igreja de Nª Srª da Conceição em 1947, Livraria Tavares Martins em 1948, Igreja de Nª Srª do Perpétuo Socorro em 1952, Igreja dos Redentoristas em 1953, Escola Superior de Belas Artes do Porto em 1954 e Câmara Municipal do Porto em 1957.
[2] Luciano Pereira dos Santos (1911-2006). Nascido em Setúbal, dedicou-se à pintura de paisagens e trechos citadinos. Diplomou-se na Escola de Belas Artes de Lisboa em 1937. Foi professor do ensino técnico-profissional nas Escolas Industriais de João Vaz(Setúbal), Machado de Castro (Lisboa) e Afonso Domingues (Lisboa). Em 1934 foi prémio José Malhoa; em 1942 prémio Columbano; em 1947 prémio do Salão de Lisboa. Está representado no Museu do Chiado, no Museu de Arte Moderna de Madrid, no Museu da Cidade de Lisboa, no Museu José Malhoa, Caldas da Rainha; e em diversas colecções particulares.


3 - Os anos 50

A poesia está na vida.
Nas artérias imensas cheias de gente em todos os sentidos,
Nos ascensores constantes,
Na bicha de automóveis rápidos, de todos os feitios e de todas as cores
Nas máquinas da fábrica
E nos operários da fábrica
E no fumo da fábrica.

A poesia está no grito do rapaz apregoando jornais,     
No vai-vem de milhões de pessoas ou falando ou papagueando ou rindo. (…)
[1]


Nos anos 50 a Menina Nua vê-se rodeada pela animação da Praça e da Avenida agora constituindo-se como o indiscutível centro da cidade, que se consagra com a inauguração dos Paços do Concelho.
A imagem que se segue Oferta dos Bairristas do Palácio (fig.17) se bem que datada de Agosto de 1957 para assinalar a inauguração dos Paços do Concelho, corresponde a uma fotografia da Foto Beleza dos finais dos anos 40 pelas viaturas que apresenta. Na legenda inferior Porto – Praça da Liberdade e Avenida dos Aliados / Ao fundo, os novos Paços do Concelho recentemente inaugurados. Repare-se que ainda não estão construídos os edifícios de remate do lado nascente e poente da Avenida.
mn106fig.17 – Os Bairrista do Palácio Foto Beleza AHMP.
A Fotografia seguinte (fig.18) foi escolhida para a 3ª edição do Guia de Portugal.
mn46fig.18 – A Menina Nua fotografia do Guia de Portugal da Fundação Calouste Gulbenkian.
No texto Santana Dionísio refere:
O eixo da ampla avenida é marcado por uma placa ajardinada. No topo S. do primeiro talhão relvado, uma discreta fonte decorativa : Juventude, escultura de mármore de Henrique Moreira : uma mulher jovem e nua, com os braços apoiados no plinto e a cabeça levemente pendente. [2]
A imagem seguinte (fig.19) mostra a Praça e a Avenida quase totalmente edificadas (apenas falta o Palácio dos Correios). A inauguração dos Paços do Concelho e a instalação da Câmara Municipal completou o conjunto das actividades dos Bancos e Companhias de Seguros, Jornais, Cafés, comércio e escritórios de empresas e de profissões liberais, e os transporte públicos, criando o verdadeiro e buliçoso centro da cidade. De reparar que para os homens ainda era “obrigatório” o uso de chapéu.
mn71fig.19 – Postal dos anos 50.
Para a criação desta centralidade contribuiu ainda a vida nocturna: espectáculos, cafés, jornais, as montras iluminadas e os anúncios luminosos. Nesta imagem nocturna da Menina Nua e da Avenida dos Aliados (fig.20) está já construído e iluminado, no remate poente da Avenida, o edifício da Companhia de Seguros Garantia (hoje AXA) de 1955 do arquitecto Júlio de Brito. Do mesmo modo no lado poente da Praça do Município (hoje Humberto Delgado) está já construído o edifício Capitólio de 1946/50 de Manuel Passos Júnior e Eduardo Martins.
mn65fig.20 – Foto Teófilo da Rêgo. AHMP.
______________
[1] Mário Dionísio. A Poesia está na Vida in Poemas. Coimbra. Atlântida. 1941. (pág. 51).
[2] Fundação Calouste Gulbenkian, Guia de Portugal, 3ª edição. 4º Volume, Entre Douro e Minho, I – Douro Litoral, Lisboa 1994. (pag. 153).
4 - Os anos 60
mn67fig.21 – Postal da Avenida c.1960 tendo no primeiro plano o canteiro em forma de estrela.
Nesta imagem que se segue (fig.22) a fonte da Menina Nua está rodeada pelos populares e apreciados Jarros brancos (Zantedeschia aethiopica). Flores conhecidas no Brasil como copos-de-leite e na Itália e França como callas. Repare-se ainda nos cuidados e variados canteiros que com as suas cores e os seus cheiros e com a calçada à portuguesa, formavam a identidade da Avenida.
mn50fig.22 – A Menina Nua rodeada por Jarros (Zantedeschia aethiopica). Postal dos anos 60.
Nesta outra imagem (fig.23) a Menina Nua está rodeada de pombas que se refrescam com a água da fonte.
mn47fig.23 – Postal dos anos 60
Nesta outra imagem (fig.24) a Praça e a Avenida no auge da sua animação (carros eléctricos de dois tipos, autocarros de um e dois andares, automóveis e motos e motorizadas). Apenas não está construído o Palácio dos Correios.mn63fig.24 – Foto dos anos 60.
Um outro postal dos anos 60 (fig.25) com a Menina Nua em primeiro plano e onde sobre os Paços do Concelho está hasteada uma enorme bandeira municipal.
mn64fig.25 – Postal dos anos 60.
Na imagem seguinte (fig.26) dos finais dos anos 60, por trás da Menina Nua rodeada de arbustos em primeiro plano  vê-se ao fundo o Palácio dos Correios em construção.
mn45fig.26 – Postal dos finais dos anos 60.


5 - Os anos 70

Na imagem (fig.27) do início dos anos 70 e coincidindo com o início da degradação do centro foram colocados uns incríveis e desproporcionados postes de iluminação e removidos os quase centenários candeeiros em ferro. Na imagem note-se que já se encontra edificado o edifício dos Correios completando a totalidade da edificação da Avenida dos Aliados, mas que entretanto foram suprimidas algumas linhas do carro eléctrico.
mn61fig.27 – Postal dos anos 70.
Na imagem (fig.28) os incríveis postes de iluminação na placa central da Avenida e a sua desproporção com a fonte/escultura da Menina Nua.
mn51fig.28 – Foto da Menina Nua rodeada pelos postes de iluminação.
Num desenho de Cruz Caldas (fig.29) a reacção crítica da imprensa ao enorme e injustificado disparate.
mn43fig.29 – Cruz Caldas. Desenho em O Comércio do Porto de 12 de Dezembro de 1971. AHMP.
6 - A Menina Nua na actualidade
Desapareceu [das placas centrais] da praça todo o vestígio de verdura, cedendo o seu lugar a uma vasta superfície de lajes de pedra. Assim se eliminou do novo recinto toda e qualquer manifestação ocasional da natureza e deu-se-lhe uma severa forma de pedra. Desta maneira se converteu esta formosa praça num local solene em que hoje se reünem os habitantes…” [1]

Durante o último quartel do século XX, quando a cidade esteve ocupada com os problemas político e sociais decorrentes do 25 de Abril, pouco ou nada se alterou no seu centro a não ser uma progressiva desertificação e consequente degradação. Só no actual século com a realização do Porto Capital Europeia da Cultura e as suas polémicas intervenções se questionou a recuperação da Baixa Portuense.
Mas foi em 2005 na sequência da abertura da Linha Amarela do Metro do Porto que a Câmara Municipal executou (digo bem, executou! parafraseando Camilo) um projecto dos arquitectos Álvaro Siza e Eduardo Souto de Moura de requalificação(!) do espaço entre a Estação da Trindade e a Ponte Luís I. Baseado no projecto de Álavro Siza para a Porto 2001 este novo projecto reforça a ideia da uniformização do espaço criando uma Grande Praça, e eliminando o jardim central.
As duas placas da Avenida eliminada a calçada à portuguesa foram pavimentadas com cubos de granito e a arborização reduzida aos limites poente e nascente da placa sul onde as esculturas da Menina Nua e de Os Meninos ficaram agora descontextualizados. (fig.30)
De positivo a eliminação dos horríveis postes de iluminação agora substituídos por réplicas dos anteriores embora colocados no sentido norte- sul, acentuando o sentido de circulação.

mn98fig.30 – Foto em Guía de Viaje http://www.guiadeviaje.net/portugal/oporto-fotos.html
A fonte/escultura conhecida como Menina Nua fica agora verdadeiramente despida, totalmente isolada pela ausência do jardim que a motivou e onde durante décadas permaneceu.
mn42fig.31 – Foto de Jorge Portojo em  A Vida em Fotos http://portojofotos.blogspot.pt/2010_11_18_archive.html
mn104fig.32 – Foto de Antonius J.na Wilkipédia de 14 Janeiro 2007.

[1] Rudolf Wolters (1903-1983) sobre a Praça Real de Munique projecto de Paul Ludwig Troost (1878-1934) in Moderna Arquitectura Alemã, edição do Inspector Geral do Urbanismo de Berlim Albert Speer, Berlim 1941. Álbum bilingue editado para a Exposição Moderna Arquitectura Alemã realizada em Lisboa em 1941.

6 comentários:

  1. Estou-lhe grato por duas razões, a primeira, que andava para expressar há muito tempo, mas enfim, vai agora apesar do atraso, pelas lições de portogalidade que nos vai deixando no Do Porto e Não Só. A segunda deve-se à simpática referência à Cidade Surpreendente. Muito obrigado.

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  2. que bela investigação, mas pessoalmente tenho pena que não inclui, por assim dizer, a pré-história da Avenida - talvez também não existam fotos que mostram essa parte da cidade antes da destruição dos antigos Paços do Conselho? é que dum ponto de vista contemporaneo a abertura da Avenida pode parecer uma opção bastante questionável, ou até a primeira de várias decisões urbanísticas lamentáveis em termos de conservação dum património perdido. quem é que a decidiu, e porquê?

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  3. Os textos deste blogue procuram sobretudo "tocar" uma temática e apontar pistas para quem quiser desenvolver essas temáticas. É o caso recente do excelente livro A Marquesa de Paiva de João Pedro George que teve a cortesia de indicar este blogue na sua bibliografia. Assim a Juventude ou Menina Nua é mais um apontamento sobre a escultura/fonte e não sobre a Avenida dos Aliados, que se remete para a publicação Avenida dos Aliados e Baixa do Porto - Memória, Realidade e Permanência (onde colaborei), editado pela Porto Vivo SRU, e disponível online.

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    1. obrigado pela dica! para quem estiver também interessado nessa temática, o link onde se encontra o livro mencionado é
      http://www.portovivosru.pt/1avenida/fileManager/pdf/Livro2_1Avenida_PT_Final.pdf

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  4. Excelente trabalho de investigação. É muito interessante perceber melhor o contexto e a inspiração que levaram o meu bisavô a realizar essa estátua.

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  5. Caro Luís Moreira:
    Agradeço o comentário mas sinceramente é o seu facebook que melhor tem dado a conhecer a obra do seu bisavô e assim a homenagear o escultor Henrique Moreira. Parabéns.

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