Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















quarta-feira, 30 de março de 2016

O Génio da Arquitectura descobre os Progressos da sua Arte 4 1 - As Arquitecturas

  A publicação do arquitecto Jean-Charles Krafft (1764-1833) e de Nicolas Ransonnette (1745-1810) Plans, Coupes, Élévations des plus belles Maisons et des Hotels construits à Paris et dans les environs de 1801 como o nome indica apresenta um conjunto de projectos em Paris de características neoclássicas. Depois de analisado o frontispício com O Génio da Arquitectura descobre os progressos da sua Arte, analisemos agora o conteúdo do livro. A publicação trilingue (francês, alemão e inglês) em 20 fascículos apresenta um conjunto de projectos de arquitectura realizados na segunda metade do século XVIII. As tipologias apresentadas vão desde as habitações isoladas 59, 2 conjuntos de 3 habitações, 1 habitação geminada, 1 igreja, 1 moinho para a extracção de água num jardim, um Instituto Politécnico, um atelier de fiação, 2 estufas, 1 escola de equitação, um pavilhão para o Jeu de Paume (o antecessor do ténis), 1 sala de espectáculos e 1 convento. Apresenta ainda 23 folhas de interiores (pormenores, decoração e mobiliário) e um conjunto de alçados de diversos projectos. Deste enorme e variado conjunto de projectos e não seguindo a ordem da sua apresentação, escolhemos apenas alguns, quer pela sua tipologia quer por serem da autoria de arquitectos que se tornaram mais conhecidos.

  A igreja de Saint Philippe du Roule

  O projecto da autoria de Jean-François-Thérèse Chalgrin é apresentado no 18º fascículo (Dix-huitième Cahier). A igreja foi construída entre 1769 e 1784. O autor do projecto Jean-François-Thérèse Chalgrin (1739-1811), foi aluno de Giovanni Niccolò Servando ou Servandoni (1695-1766), e de Étienne-Louis Boullée (1728-1799). Ganhou o Grand Prix de Rome em 1758. Foi o arquitecto do palácio do Luxemburgo e do Collège de France, mas é sobretudo conhecido pelo projecto do Arco do Triunfo em colaboração com Jean-Arnaud Raymond (1742-1811). Após a morte de Chalgin foi concluído por Louis-Robert Goust (1761-1829) e finalmente por Jean-Nicolas Huyot (1780-1840). [ver neste blogue Um Percurso por Paris do Segundo Império 2 http://doportoenaoso.blogspot.pt/2013/08/um-percurso-por-paris-do-segundo.html ]


 rl1fig. 1 - Planche CIII. - Plan, Coupe et Élévation de l’Eglise S.t Philippe de Roule, Faubourg Honoré batie par Chalgrin, architecte. En 1764/84. Dix-huitième Cahier du Plans, Coupes, Élévations des plus belles Maisons et des Hotels construits à Paris et dans les environs 1801.


 Na página seguinte é apresentado o corte longitudinal da igreja.  rl3fig. 2 - Planche CIV - Coupe sur la longueur de l’église Saint-Philippe du Roule.


Antes de nos debruçarmos sobre a arquitectura da igreja de Chalgrin e para a enquadrar iremos sucintamente ocupar-nos da evolução urbana da sua envolvente. Assinalaremos também alguns edifícios que foram importantes na consolidação da zona, como o palácio das Tulherias e alguns projectos dos finais do século XVIII apresentados na publicação Plans, Coupes, Élévations des plus belles Maisons et des Hotels construits à Paris et dans les environs, nomeadamente os Hôtels (palacetes) como o Hôtel Erveux (actual palácio do Eliseu), Hôtel Burnoy 1772 de Étienne Louis Boullée (1728-1799), Maison Argenson 1780 de Lemoine (Paul Guillaume le Romain), Maison Olivier 1799 e Maison Epinée 1796 de Olivier (?-?), Maison Fortin 1795 de Beaunau, Maison Varin 1797 de Charles Aubert, Trois Maisons 1778, 1776, 1779, de Wailly e Maison Beaugeon 1781 de vários arquitectos e o moinho do Jardim Beaugeon 1786 de Paris. Alguns destes projectos serão objecto de próximos textos deste blogue.  


Apontamentos sobre a evolução do sítio.


  1 - Da antiga capela de Saint-Jacques et Saint-Philippe à igreja de Saint-Philippe du Roule. Junto às saídas oeste de Paris, nas estradas que se dirigiam para Rouen, forma-se a Ville l’Evêque, pertencendo ao Arcebispo de Paris, que se torna, no século XIII uma povoação digna de ser elevada a paróquia com uma igreja dedicada a Santa Maria Madalena, reconstruída posteriormente em 1492 e 1660.


rl4fig. 3 - Pormenor de Paris no tempo de Filipe Augusto, século XII/XIII. Jean-Baptiste Bourguignon d'Anville (1697-1782), Quatrième plan de la ville de Paris, son accroissement et l'etat ou elle étoit sous le regne de Philippe Auguste qui mourut l'an 1223 aprs avoir regné 43 ans, 1705. BnF.


Na Idade Média a rua de Saint Honoré, o principal eixo nascente-poente de Paris prolongava-se para oeste, a partir da primeira porta de Saint-Honoré (demolida por volta de 1533 ou 1545) uma das quatro portas principais de Paris na muralha do século XII dita de Filipe Augusto. Essa estrada chamada inicialmente do Roule (depois rua do Faubourg du Roule e finalmente rua Faubourg-Saint-Honoré), ligava a igreja de Saint-Honoré, (na planta realçada a vermelho e posteriormente desaparecida) à ponte do Roule sobre o Grande Esgoto. Aí se formaram as povoações do Alto e Baixo Roule. Nesta a corporação dos Moedeiros instalou, por volta de 1200, uma leprosaria junto à qual o bispo de Paris autorizou a construção em 1217 de uma capela dedicada aos apóstolos Saint-Jacques e Saint-Philippe. (São Tiago e São Filipe). Esta capela possuía uma única nave com um coro iluminado por cinco janelas separadas por contrafortes.

 rl5fig. 4 - Reconstrução da primitiva capela de Saint Jacques e Saint Philippe.


Século XVI


Com François I (1494-1547) rei em 1515, inicia-se a instalação do palácio real no castelo do Louvre, cujos planos Pierre Lescot (1515-1578) traça em 1546, construção que irá impulsionar o desenvolvimento do território a ocidente de Paris. A partir do século XVI Paris também começa a ser cartografado com representações em perspectiva e orientadas no sentido este-oeste, que para além das questões simbólicas pretendiam valorizar as fachadas das igrejas. A partir a chamada planta da Tapeçaria desaparecida mas que se conservaram reproduções, Paris começa a ser cartografado no século XVI. Assim numa representação de cerca de 1550 (fig.5), a planta dita de Saint Victor (nome devido à abadia) e atribuída a Jacques Androuet Du Cerceau (1515-1585), vemos de nascente para poente assinalada a segunda Porte Saint Honoré (construída em 1380 e demolida em 1636) na muralha de Carlos V (1338-1380) rei de França a partir de 1364 até à sua morte. A muralha foi construída entre 1360 e 1380. Está assinalada a rua do Faubourg Saint-Honoré e passada a ponte sobre o Grand Égout, o arrabalde do Roule (Le Roulle) com a igreja de Saint Jacques et Saint Philippe e o cruzeiro. No canto superior direito as Tulherias (Tuilleries) ainda o local das fábricas de telhas que em 1564 irão ser demolidas para dar lugar ao Palácio da Rainha Catarina de Medicis que ao longo dos tempos, como veremos, será determinante para todo o desenvolvimento da zona. No canto superior esquerdo Le Marche aux Pourceaux (mercado dos suínos).

 rl6fig. 5 - Pormenor do Plan dit de Saint Victor attribué à Jacques Androuet Du Cerceau 1550.

A porta de Saint-Honoré figura numa iluminura que representa Jeanne d’Arc no cerco de Paris em 1429.

rl48fig. 6 – Abbaye Saint-Martial de Limoges, Jeanne d'Arc à la porte Saint Honoré lors du siège de Paris en 1429, miniature extraite des Vigiles du roi Charles VII, Paris, BnF.


Na planta de 1552 de Olivier Truschet (15..-15..) e Germain Hoyau (15..?-1583) dita a planta de Basileia (fig.6) e certamente inspirada na de Saint Victor, o Roule (Le Roulle) aparece de novo assinalado junto à margem inferior do desenho, junto ao Grande Esgoto e constituído apenas por algumas casas e moinhos em torno da Igreja. Estão assinalados o Faubourg (Les Fau Bours) de Saint-Honoré e a nova Porta do mesmo nome. São contudo acrescentados pormenores como as forcas junto ao Marche aux Pourceaux (mercado dos suínos) e o desenho dos moinhos é mais detalhado.


 rl7fig. 6 - Pormenor da planta de Truschet et Hoyau 1552.


Num manuscrito de 1317 sobre a vida de São Diniz, podemos ver uma iluminura que representa o abastecimento de Paris. Nela estão representados um rebanho de ovelhas, um porco e uma embarcção transportando tonéis.


 rl59bfig. 7 – Boitbien (tradutor de que apenas se sbe o nome). Página e pormenor de Vie et martyre de saint Denis, traduction en français de la Vita et passio sancti Dionysii par Yves de Saint-Denis, vol. I (1ère partie et début de la 2ème partie: chapitres I à XLV). manuscrit 1317 Bibliothèque nationale de France.


Ainda do século XVI, existe uma outra planta (fig.8) desenhada por François de Belleforest (1530-1583) intitulada La Ville, Cité, Université & Faux-bourgs de Paris de 1575 e inserida em La Cosmographie Universelle de Tout le Monde de Sebastian Münster. [1] Apresenta uma legenda com um alfabeto maiúsculo, um alfabeto minúsculo e uma numeração de 2 a 84. Na legenda com o n.º 80 Le Roule; com o n.º 81 Marché aux pourceaux & naguères des chevaux. Com a letra L Porte & Faux-bourgs S. Honoré; M Porte-neusve; N La maison de la Royne, dicte les thuilleries Q Les Bons-hommes. Surge já cartografado o Palácio das Tulherias com um pequeno pátio-jardim.


 rl8fig. 8 - François de Belleforest (1530-1583) La Ville, Cité, Université de Paris 1575 in Sebastian Münster, La Cosmographie Universelle de tout le Monde… 1575.

[1] Sebastian Münster, (1489-1552 La cosmographie universelle de tout le monde : en laquelle, suivant les auteurs plus dignes de foy, font au vray descriptes toutes les parties habitables, et non habitables de la terre, et de la mer, leurs ssiettes et choses qu'elles produisent, puis la description et peincture topographique des regions, la difference de l'air de chacun pays, d'où advient la diversité tant de la complexion des hommes que des figures des bestes brutes.... Tome 1 / auteur en partie Munster ; mais beaucoup plus augm., ornée, et enrichie par François de Belle-Forest,...A Paris chez Michel Sonnius, rue S. Iaques,à l’escu de Basle M. D. LXXV.(pág.70).



O palácio e o jardim das Tulherias


A sua construção iniciou-se em 1564 por iniciativa de Catarina de Medicis (1519-1589), mulher de Henrique II e rainha de França entre 1547 e 1549, e foi erigido no prolongamento do palácio do Louvre. No local existiam desde o século XIV três fábricas de telhas. Daí o seu nome. Inicialmente foi encarregado do projecto Philibert Delorme (1510-1570) mas com a morte deste foi Jean Bullant (c.1515- 1578), quem se encarregou de o edificar. Ambos com prática de projectos de palácios e autores de tratados de arquitectura. (fig. 9 a 12).


 rl15fig. 9 - O projecto inicial de Philibert Delorme. rl64fig. 10 - Jacques Androuet Durceceau (c.1510-1584). Perspective frontale du grand projet des Tuileries, vue du côté du Jardin. Desenho à pena e lavis sobre pergaminho 51 x 75,3 cm. British Museum.

Do ambicioso projecto inicial apenas foi edificado o conjunto dos corpos a nascente.

rl13fig. 11 - Vue des Tuileries, avant les modifications apportées par Levau dans les dômes. 1660. Dessin à la plume et encre brune, lavis à l'encre de Chine, rehauts d'aquarelle ; 14 x 83 cm. Bibliothèque nationale de France. rl16fig. 12 - Jean Marot e Daniel Marot (1663?-1752) Élevation du Palais des Tuilleries du coté du Grand Parterreou Jardin achevésous le regne de Louis XIII par Ordres de Monsieur ColbertSurprendant des Batmens de la Courinne. in L'Architecture française, ou Plans... des églises, palais, hôtels et maisons particulières de Paris... par Jean Marot et Marot fils. Publié par P.-J. Mariette.]. (s.d.).


Mas do jardim que foi então desenhado e plantado para poente do palácio, uma planta de Androuet du Cerceau dá-nos conta de como seria a sua forma inicial.

rl84fig. 13 – Jacques I Androuet du Cerceau (1510-1584) Plan du Palais des Tuileries initialement envisagé par Delorme et jardins. 1576-1579. Les Thuilleries Le Plan General tant du Bastimente comme il doit estre parachevé que du jardrin comme il est de présent. Le Seconde Volume des plus excellents Bastiments de France Auquel sont designez les plans de quinze Bastiments & de leur contenu: ensemble les elevations & singularitez d’un chascun. Par Iacques Andouet, Du Cerceau Architecte. A Paris, Pour le dit Iacques Androuet, du Cerceau. M. D. LXXIX.


  O jardim terá sido desenhado por Pierre Le Nôtre mas será o seu filho Jean Le Nôtre (1575-1655), que junto com o jardineiro real Claude Mollet (1557-1647) o consolidaram. Era formado por um conjunto de canteiros rectangulares de desenho variável por vezes dividos em quadrados, formando um xadrez. Possuía cerca de trinta retângulos com relvados e buxos, olmos, árvores de fruto, pinheiros e álamos, um pequeno lago e uma fonte, todos oe elementos dispostos sem preocupações de simetria. Possuía ainda um Labirinto e um aviário. Algumas esculturas e bancos de pedra colocados aqui e ali e pequenos pavilhões de madeira e vime. O jardim era cercado com sebes e palissadas. O jardim era então admirado e ficou célebre a recepção dada aos embaixadores da Polónia por Catarina de Medicis.


rl63fig. 14 - Antoine Caron (1521-1599) Fête aux Tuileries en l’honneur des ambassadeurs polonais . c.1575 tapeçaria lã, seda, ouro e prata Tapisseries Valois Galeria dos Ofícios Florença.


Numa tapeçaria de um conjunto chamado de Tapisseries de Valois e atribuída a Antoine Caron, representando a Festa no palácio das Tulherias em honra dos embaixadores polacos em Paris para eleger Henri III rei da Polónia em 1573, pode-se apreciar os jardins das Tulherias. [Sobre Antoine Caron ver neste blogue A propósito dos “Massacres” de Antoine Caron http://doportoenaoso.blogspot.pt/2011/10/proposito-dos-massacres-de-antoine.html ]


 Na tapeçaria a corte e os embaixadores da Polónia assistem a um espectáculo organizado pela rainha-mãe Catarina de Medicis. [1] O trono ao lado de Catarina de Médicis indicia que o rei Charles IX será uma das personagens que no centro da tapeçaria estão a dançar. Brantôme [2], no seu Dames Illustres, descreve esta festa: Comme aussi elle en fit une fort belle [dépense] à l'arrivée des Polonnois à Paris, qu'elle festina fort superbement dans ses Thuilleries & apres souper dans une grande Salle faite à poste, & toute entourée d'une infinité de flambeaux, elle leur presenta le plus beau ballet qui fut jamais fait au monde, je puis parler ainsi, qui fut composé de seize Dames & Damoiselles des plus belles & des mieux apprises des siennes, qui comparurent dans un grand roc tout argenté, où elles estoient assises dãs des niches en forme de nuées de tous costez; les seize Dames représentèrent les seize provinces de la France avec la musique la plus melodieuse qu'on eut sceu voir, & après avoir fait dans ce roc le tour de la Salle pour parade comme dans un camp, & après s'estre bien fait voir, elles vindrent toutes à descendre du roc, & s'estant mises en forme d'un petit bataillon bizarrement inventé, les violons montant jusques à une trentaine, sonnans quasi un air de guerre fort plaisant, elles vindrent marcher sur l'air de ces violons, & par une belle cadence, sans en sortir jamais, s'approcherent & s'arresterent un peu devant leurs Majestez, & puis apres danserent leur ballet si bizarrement inventé, & par tant de tours, contours & detours, d'entrelassements & melanges, affrontement & arrests, qu'aucune Dame ne faillit jamais de tourner à son tour ny à son rang, si bien que tout le monde s'esbahit que par une telle confusion & un tel désordre jamais ne defaillirent leurs ordres, tant ces Dames avoient le jugement solide & la retenuë bonne, & s'estoient si bien apprises & dura ce ballet bizarre pour le moins une heure, lequel estant achevé, toutes ces Dames représentants lesdites seize Provinces que j'ay dit, vindrent à présenter au Roy, à la Reyne, au Roy de Pologne, à Monsieur son Frere, au Roy & à la Reyne de Navarre, & autres grands, & de France & de Pologne, chacun à chacune une placque touted'or, grande comme la paulme de la main, bien emaillée & gentiement enouvrée, où estoient gravez les fruits & singularitez de chaque Province en quoy elle estoit plus fertile, comme La Provence des citrons & oranges. La Champagne des bleds. En la Bourgongne des vins.En la Guyenne des gens de guerre, grand honneur certes pour la Guyenne. Et ainsi consecutivement de toutes les autres Provinces. [3]

[1] Com a morte de Henrique II nascido em 1519 e rei de França desde 1547, casado com Catarina de Médicis num torneio em 1559, torneio sucede-lhe François II (1544-1560) que reinou apenas 5 meses. Sucedeu-lhe o irmão Carlos IX (1550-1574) então com apenas dez anos e com a morte deste sucede-lhe o seu irmão Henri III (1551-1589). [2] Pierre Bourdeille dito Brantôme (c.1537 – 1614), D. Sebastião fê-lo Cavaleiro da Ordem de Cristo. [3] Pierre de Bourdeille, dit o Brantôme (c.1537 – 1614). Memoires de Messire Pierre de Bourdeille, Seigneur de Brantome, contenans Les Vies des Dames Illustres de France se son temps. A Leyde, Chez Jean Sambix le Jeune, à la Sphere M. DC. LXV. (pág.80 a 82).  


A importância desta festa é ainda sublinhada num poema que Emile Raunié [1] transcreve no seu Chansonnier Historique du XVIIIème siècle. [2]


L'arrivée de l'ambassadeur des OttomansOr venez voir, petits et grands,
L’ambassadeur des Ottomans
Il arrive de la Turquie
Et a porté de l’Arabie
Un rare et superbe présent
Pour notre monarque puissant
.

Il amène de beaux chevaux,
Montés par des gens sans chapeau ;
Mais leurs turbans très magnifiques
Font l’admiration publique.
Vit-on jamais si beau bonnet
Que le turban de Mehémet ?
Les jolis dragons d’Orléans
Quatre à quatre marchent devant
Puis venait la belle livrée
Du riche maréchal d’Estrée,
Dont les jeunes laquais poupins
Plaisent à toutes les catins.
Après les fins chevaux du roi
Paraissait sur son long palefroi
Le grand ministre de la Porte,
Précédé d’une belle escorte,
Accompagné du maréchal,
Qui se tient fort bien à cheval.
Suivaient les beaux grenadiers
Et plus de mille cavaliers
Du régiment cornette blanche,
Qui portent le noir sur la manche.
Ils avaient tous le sabre en main,
Et cependant sont fort humains.
Ils arrivent chemin faisant
Aux environs du pont tournant
C’est là que l’on vit sous les armes
Les mousquetaires, les gens d’armes
Et les nobles gardes du corps,
Revêtus de beaux justaucorps.
Lors le glorieux Celebi
Traversa d’un air fort poli
Le grand jardin des Tuileries,Et puis avec cérémonie
Il descendit à l’escalier ;
Son cheval ne pouvant monter.
Au roi se voyant présenté,
Il dit à Sa Majesté :
« Puissant empereur de la France,
Dont chacun vante la puissance,
Je viens ici dans votre cour
Pour vous souhaiter le bonjour.
« Non, les chrétiens n’ont point de roi
Qui vaille celui des Français.
Près de vous le roi d’Allemagne,
Les rois d’Angleterre et d’Espagne,
Qui possèdent si grands États,
Semblent de petits potentats.
Partout, quoique jeune et petit,
On vante votre bel esprit,
Et l’on dit par toute la terre
Que vous serez grand dans la guerre,
Et que vos exploits éclatants
Vaudront ceux de Louis le Grand. »
Notre roi lui a répondu
« Monsieur, soyez le bienvenu.
Je veux vous faire connaître
Que le grand sultan votre maître,
M’envoyant un ambassadeur,
M’a vraiment fait un grand honneur. »
Puis, apercevant le Régent,
Tout chamarré d’or et d’argent,
Lui a fait une révérence,
Afin d’honorer la régence
D’un prince partout si vanté
Et parent de Sa Majesté.
Or prions notre grand Sauveur
Pour le salut du grand seigneur
Qu’il reconnaisse le Messie
Et que son âme convertie,
Sortant de son aveuglement,
Bientôt renonce à l’Alcoran.


[1] Marie-André-Alfred-Émile Raunié (1854-1911).

[2] Emile Raunié Chansonnier Historique du XVIIIème siècle, Recueil Clairambault – Maurepas Paris, 1879.

Como veremos a construção do palácio das Tulherias e do seu jardim foi-se desenvolvendo durante os reinados que se seguiram (Henrique IV, Luís XIV, Luís XV, Luís XVI e ainda Napoleão I, Luís XVIII e Napoleão III) até à sua destruição na Comuna de Paris em 1871. As ruínas do palácio foram definitivamente demolidas em 1883. Conservou-se contudo o magnífico jardim que se foi desenvolvendo, como veremos, até se tornar o actual Jardim das Tulherias.


  O território noroeste de Paris

 No que se refere ao território mostra-se o pormenor de uma planta de 1568 (fig.15), que pelo seu carácter militar (veja-se o desenho de acampamentos e de colunas de soldados num tipo de imagem então muito usado na Flandres) se deve à guerra religiosa entre católicos e protestantes (huguenotes) podemos ter uma ideia do território envolvente de Paris. A planta refere-se à presença das tropas protestantes comandadas por Condé [1] junto a Paris onde em 10 de Novembro de 1567 se dá a batalha de Saint-Denis. Na parte que nos interessa vemos a Porta de Saint-Honoré e a estrada que para ocidente se dirige a Rouen, atravessa o Grande Esgoto junto à capela do Roule, passa entre Chaillot e Polonia e Madrid, e atravessa o Sena numa ponte.  

[1] Louis Ier de Bourbon, prince de Condé, duc d'Enghien (1530-1569).

 rl11fig. 15 - Pormenor da Planta de Matias Zündsen ? Paris in Frankreich Campaigne P. Zu Nuremberg. 1568. In Paris Genèse d’un paysage, sous la Direction de Louis Bergeron Picard 1989. (pag.65).


 E François de la Guillotière (15??-1594) produz nos finais do século XVI um atlas da Isle-de-France, onde está inserida uma planta da região. Essa planta foi depois reproduzida em 1598 por diversos autores como Pierre Pithou (1539-1596) (fig. 16) e Abraham Ortelius, e já no século XVII por Mercator e Hondius (em1606), Jean Le Clerc dito Clericus (em 1619) e outros.

rl9fig. 16 - Pormenor da planta de Pierre Pithou d'après la Guillotière, Ager parisiensis vulgo l’Isle de France, Fr. Guilloterius bitur viu. describ. et Cl.V. Petro Pithæo I.C. dedicabat carte de 52 x 40 cm, noir et blanc, Paris, 1598.


Sublinhado a vermelho o Roule (Rolle) com o símbolo de uma capela.  Século XVII  A planta de Paris de Matheus Merian de 1615 (fig.17). pouco ou nada traz de novo à zona até porque ela não se estende para lá do fosso. No local das forcas aparece agora o mercado de cavalos. Mas o palácio das Tulherias aparece agora detalhado e são agora cartografados os jardins. (ver fig.13)


rl10fig. 17 - Pormenor do Faubourg Saint-Honoré na planta de Matheus Merian (1593-1650) Le Plan de la Ville, Cite, Vniversite, et Favx-Bovrgs de Paris avec la description de son Antqvite et Singvlarites. 1615.


 Nos meados do século XVII os jardins estão já consolidados como se apresentam em duas gravuras de Israel Silvestre (1621-1691).

rl14fig. 18 - Israel Silvestre Palais de la Reyne Catherine de Médicis, dit les Tuilleries basti l'an 1564 et augment l'an 1600 par Henri quatre qui fit faire le Jardin dudit Palais gravura 10,8 x 14,6 cm. Metropolitan Museum of Art .
rl17fig. 19 – Israel Silvestre. Veue et perspectiue du Palais des Tuilleries du costé du Jardin Avec le Plan du Premier estage au rez de Chaussée. Dessigné et gravé par Israel Siluestre auec priuilege du Roy. 1668. 99,5 x 36,7 cm. En deux feuilles, destinées à être réunies.



A zona ocidental de Paris no século XVII


 Jean Boisseau que foi geógrafo, topógrafo e editor mas que se intitulava "Enlumineur du Roy" (Iluminista do Rei) executou por volta de 1640 uma Carta intitulada "Explication des lettres (A à R) pour congnoistre les yssues de la Ville de Paris" (Explicação das letras (A a R) para conhecer as saídas da Cidade de Paris). (fig.20). O Roule está sublinhado a vermelho.


rl19fig. 20 - Jean Boisseau (16??-1657?). Pormenor da Nouvelle description du Territoire et Banlievée de la Ville Citté et Universités de Paris Par Jean Boisseau enlumineur du Roy pour les Cartes Geographiques sur le pont au Change A Paris. c.1640. Explication des lettres pour cognoitre les yssues de la Ville de Paris.
A- Porte de la Conference
B- P. et F. de S.t Honoré
C - P. de Richelieu
D- P. et F de M.Martre
E- P. de St Anne
F- P. et F. S.t. Denis
G-P. et F. St Martin
H-P du Temple et F. de la Courtille
I -P. S.t Louis
K-P et F. S.t Anthoine
L-Boulevart de Larcenal et port au platre
M-Le F. S.t Germain
N-F. St Michel
O-F St Jacques
P-F St Marceau
Q-F St Victot
R-Porte et Quay de la Tournelle


Nessa Carta podemos ver embora num desenho esquemático que a rua do Faubourg Saint Honoré está edificada até à capela de S. Jacques et S. Philippe. Também são cartografadas as urbanizações para norte até à Ville l’Eveque e para sul até ao Sena.

 rl19afig. 21 - Pormenor da imagem anterior.


Jean Boisseau executou ainda uma planta em perspectiva em 1648 orientada ainda no sentido nascente – poente (por ser uma adaptação de plantas anteriores) e sucessivamente reproduzida até 1654, onde detalha toda a zona ocidental de Paris. (fig.22)

rl20fig. 22 - Jean Boisseau, Pormenor do Plan General de la Ville Cité Université Isles et Faubourgs de Paris. Dedié A Messieurs les Gouverneur Prevost des marchands et Eschevins de la dite Ville. Par leur Tres humble et tresaffectione serviteur Jean Boisseau Enlumineur du Roy pour les Cartes Geographiques.1648.


  Durante o século XVII até ao início do XVIII o território que se estendia desde o Sena, o Grande Esgoto e o Faubourg Saint-Honoré foi lentamente sendo urbanizado e absorvido pela cidade de Paris. Na planta está já cartografada a terceira porta Saint-Honoré erguida entre 1632 e 1634 no tempo de Luís XIII, depois ampliada e destruída em 1773.

rl50fig. 23 – Veüe de la porte de S.t Honoré et du Dome des fille de l’Assomption 1770 24 x 40 cm. Chez N. de Poilly, rue St Jacques, à la belle Image. Avec priv. du Roy. Bibliothèque nationale de France.


Era constituída por um edifício de dois pisos com dois corpos laterais. As paredes eram de tijolo sendo os cunhais em calcário e as coberturas em ardósia. A ponte Saint-Honoré permitia a ligação com o Roule. Na planta de Bullet [1] e Blondel [2] de 1676 (fig.24),uma carta em que são projectadas as obras ordenada pelo Rei, está já cartografado o jardim das Tulherias redesenhado e estão apontadas já as grandes vias que a partir dele constituirão o grande eixo do desenvolvimento oeste de Paris. A planta apresenta ainda no canto inferior esquerdo um esquemático Plano das Fontes e das Condutas e Comunicações das Águas Publicas da Cidade de Paris (Plan des Fontaines et des Conduites et Communications des Eaux Publiques de la Ville de Paris) e no canto inferior direito uma planta dos Arredores de Paris (Les Environs de Paris).

rl24bfig. 24 - Pormenor do Plan de Bullet et Blondel 1676 Plan de Paris. Levé par les Ordres du Roy. Et par les soins de Messieurs les Prevost des Marchands et Eschevrins en l’anné 1676. Par le S.R Builet Architecte du Roy et de la Ville sous la conduite de Monsieur Blondel Marechal de Camp aux Armées du Roy, Directeur de l’Académie Royale d’Architecture et Maitre de Mathematique de Monseigneur le Dauphin. Contenent l’Estat presente de le Ville de Paris et les Ouvrages qui ont etè commencez par les Ordres du Roy et qui peuvent étre continuez pour la commodite publique. rl24afig. 25 – As cartelas inferiores da planta de Bullet e Blondel.


Na planta está já desenhada a renovação do jardim das Tulherias. De facto em 1664 por ordem de Colbert são iniciados os trabalhos de renovação do jardim das Tulherias. É encarregado André Le Nôtre (1613-1700) [3] de redesenhar o jardim. Foi então construído o Grande Terraço (la Grande Terrasse) e a norte la Terrasse des Feuillants. Em frente da fachada ocidental do palácio é construído um grande lago circular rodeado por dois outros mais pequenos. Uma alameda arborizada com uma dupla fila de árvores define o eixo central da composição e prolonga-se até um outro lago hexagonal junto ao fosso da muralha de Luís XIII com os dois terraços a que se acede por rampas em forma de ferradura. Este desenho manter-se-á sensivelmente até aos nossos dias.

rl22afig. 26 - Le Jardin des Tuileries en face du Palais du Louvre à Paris 1780, gravura colorida 30 x 48 cm. Bibliothèque nationale de France.


Em 1670 este eixo centralfoi prolongado em direção à colina do Roule traçando uma avenida até ao actual Rond-Point. Chamou-se em 1680 Avenue du palais des Tuileries e tornar-se-á avenida dos Champs-Elysées. Eram traçadas a oeste das Tulherias 3 avenidas divergentes. Mas apenas a axial Avenida das Tulherias e o Cours de la Reine foram executadas e arborizadas em 1670.

rl85afig. 27 – Adam Perelle (1638–1695) e A. Meyer Vue du Jardin des Thuilleries comme il est à present 1697. À Amesterdam chez Charles Alland. Eau-forte 23,3 x 33,5 cm.Bibliothèque Institut National d'Histoire de l'Art.
Na legenda [sublinhada a vermelho]
1 – La Porte de la Conférence
2 – Le Cour de la Reine
3 – Meudon
4 – Le fer à cheval
5 – Le nouveau chemin de Versailles


[1] Pierre Bullet (1639-1716) arquitecto, autor da Porte de Saint Martin e de um conjunto de tratados de arquitectura: Traité de l'usage du pantomètre, instrument géométrique propre à prendre toutes sortes d'angles, mesurer les distances accessibles et inaccessibles, arpenter et diviser toutes sortes de figures, etc. Nouvellement inventé par le Sr Bullet Architecte & Ingénieur du Roy & de la Ville A Paris, Chez André Pralard, rue de Saint Jacques à l’Occasion. M. DC. LXXV. Traité du nivellement, contenant la théorie et la pratique de cet art, avec la description d'un niveau nouvellement inventé, par le sieur Bullet 1688. Observations sur la nature et sur les effets de la mauvaise odeur des lieux d'aisances et cloaques, et sur l'importance dont il est d'éviter cette mauvaise odeur pour la conservation de la santé sem data. Architecture pratique, qui comprend la construction générale & particulière des bâtimens, le détail, les toisés & le devis de chaque partie… avec une explication & une conférence des trente-six articles de la coutume de Paris sur le titre des servitudes & rapports qui concernent les bâtimens, & de l'ordonnance de 1673. com sucessivas edições. L'Architecture pratique qui comprend le detail du toisé, et du devis des ouvrages de massonnerie, charpenterie, menuiserie, serrurerie, plomberie, vitrerie, ardoise, tuile, pavé de grais et impression. Avec une explication de la coutume sur le titre des servitudes et rapports qui regardent les bâtimens. Ouvrage très-nécessaire aux architectes, aux experts, et à tous ceux qui veulent bâtir. Paris : J. B. Delespine : Jean-Th. Herissant, 1741

[2] Jean-François Blondel, (1681-1756) tio do célebre arquitecto, professor e tratadista Jacques-François Blondel (1705-1774) autor do célebre Cours d'architecture, ou Traité de la décoration, distribution et construction des bâtiments : contenant les leçons données en 1750 et les années suivantes. Publicado em 1751.

[3] André Le Nôtre (1613-1700). Era filho de Jean Le Nôtre e neto de Pierre Le Nôtre. Em 1637 por pedido ao Rei do seu pai tornou-se jardineiro das Tulherias onde será colaborador de seu pai até à morte deste. Em 1656 desenhou os jardins do palácio de Vaux-le-Vicompte para Nicolas Fouquet. Com a prisão deste em 1661 foi encarregado da renovação dos jardins de Versailles entre 1662 e 1687.  



Na planta Paris et ses Environs, de Albert Jouvin de Rochefort [1] publicada em 1672, e dedicada a Simon Arnauld Seigneur de Pomponne [2] a primeira planta orientada no sentido norte-sul a partir do Meridiano de Paris, sistema que de seguida se generalizou estão já traçadas estas vias. Está já cartografado o traçado da nova muralha e limites da cidade de Paris, limites que iam a ocidente até à capela do Roule. Na planta está cartografado o edificado ao longo da rua do Faubourg Saint-Honoré e no Roule. Na envolvente próxima da igreja de Saint Jacques et Saint Philippe está cartografado o Chemin de Villers e o Chemin de Monceaux. Para sul a rua Chaillot. A norte da rua do Faubourg de Saint Honoré a Ville de L’Eveque estrutura-se nas ruas da Ville de l’Eveque, rua Surene e na rua de Anjou e de La Madeleine. O plano tinha no canto inferior uma cartela com os arredores de Paris.

rl21fig. 28 - Pormenor da planta de Albert Jouvin de Rochefort Paris et ses environs dedicada ao Tre Haut et Tres Puissant Seigneur Messire Simon Arnauld Chevalier Seigneur de Pomponne Ministre et Secretaire d’Estat. 1672.

[1] Albert Jouvin de Rochefort (c.1640-c.1710), foi tesoureiro de França de 1675 a 1702 e escreveu um monumental livro de viagens, Le voyageur d'Europe, où sont les voyages de France, d'Italie et de Malthe, d'Espagne et de Portugal, des Pays Bas, d'Allemagne et de Pologne, d'Angleterre, de Danemark et de Suède, Paris,1672-1676 (3 t., 7 vol.), onde inclui a sua visita a Portugal. [2] Simon Arnauld (1618-1699), Seigneur em 1660 e Marquis de Pomponne em 1682, foi embaixador, secretário de Estado e ministro de Luís XIV.

Existe um exemplar da planta de Jouvin na Biblioteca Nacional de Portugal.

rl23fig. 29 - Albert Jouvin de Rochefort (c.1640-c.1710) Pormenor da planta Paris et ses environs / A tres haut et tres puissant seigneur mssire Simon Arnauld chevalier seigneur de pompone ministre et secretaire d´Estat, par son très humble tres obeissant et tres obligé serviteur Albert Jouvin de Rochefort tresorier de France avec privilege du Roy.A Paris Chez De Fer,Dans ,’Isle du Palais sur le quay de l’Orloge a la Sphere Avec Privileg. Du Roy pour 20 ans. 1676 Huictcens pas communs qui font 320 Thoises. gravura, p&b ; matriz: 54,60x69,40 cm., em folha de 57,50x75,00 cm. Biblioteca Nacional Digital.


Mesmo no final do século XVII em 1699 a capela de Saint Jacques et Saint Philippe du Roule tornou-se paroquial.


O século XVIII


Logo no início do século a planta de Jean-Baptiste Bourguignon d' Anville [1], mostrando Paris e os seus arredores (num raio de três léguas), assinala o Roule com construções ao longo da rua que prolonga a rua do Faubourg de Saint Honoré. Do mesmo modo está já projectada a avenida das Tulherias até uma praça (Étoile) e daí até Neuilly.

rl26fig. 30 - Jean-Baptiste Bourguignon d' Anville (1697-1782). Pormenor de Les environs de Paris a trois lieues à la ronde 1702

[1] Jean-Baptiste Bourguignon d' Anville (1697-1782) Foi um geógrafo inicialmente contratado para ilustrar diversas obras. Para a Description de l'empire de la Chine do padre jesuíta Jean-Baptiste Du Halde (1674-1743) produziu um atlas Nouvel atlas de la Chine, de la Tartarie chinoise et du Thibet publicado em Haia em 1737. E o autor de Mémoire et abrégé de géographie ancienne et générale e de États formés en Europe après la chute de l'empire romain en occident. Em 1773 foi eleito para a Academia das Ciências.

rl26afig. 31 - Pormenor da imagem anterior.


  Entre 1708 e 1722 o Roule torna-se faubourg assim como Chaillot e Saint Lazare. Em 1710 o Duc d’Antin [1] mandou construir uma ponte sobre o Grande Esgoto. O Roule foi em 1722 ligado à Ville l’Éveque e passou a fazer parte de Paris. Foi então construída uma barreira em 1728 à entrada da povoação e junto à igreja. Esta barreira então chamada do Roule foi em 1788 transferida para a praça de Ternes.

[1] Louis Antoine de Pardaillan de Gondrin (1665-1736), marquis of Antin, Gondrin and Montespan (1701), depois 1º Duque d’Antin (1711) directeur géneral des bâtiments , jardins arts & manufactures de sa Magesté (director geral dos Edifícios, Jardins, Artes e Manufacturas do Rei) em 1708. Foi governador de Orleans em 1707, e conselheiro real na Regência. Existe um célebre retrato do Duque de Antin no Palácio de Versailles pintado em 1710 por Hyacinthe Rigaud (1659- 1743).


Na gravura com a place Vendome em primeiro plano vê-se à esquerda a rua de Saint-Honoré. A cúpula pertence ao convento das Filles d’Assomption (1670-1676) de Charles Errard [1]. De seguida e em direção oeste a Porta de Saint Honoré. Para além da porta o Faubourg Saint-Honoré. À esquerda na imagem a avenida das Tulherias e o Cours de la Reine. À direita a Ville de l’Évêque, com a igreja de Santa Madalena.

[1] Charles Errard (c.1606-1689), pintor e arquitecto, foi um dos fundadores da Real Academia de Pintura de que foi director e director da Real Academia de França em Roma.

rl57fig. 32 - V. Antier (? - ?) La place Louis-le-Grand (Vendôme) et le faubourg Saint-Honoré, vue vers l'Ouest 1705, gouache 31 x 49,5 cm. Musée Carnavalet, Paris.


Na planta de Delegrive [1] de 1728 está assinalado o Roule com algumas construções em torno da igreja e um conjunto de hôtels (palacetes, solares ou quintas como se queira traduzir) ao longo da rua do Faubourg Saint Honoré junto ao Hôtel Evreux (a verde na planta), construído para o Conde d’Évreux [2] por Armand-Claude Mollet (1660-1742) e que depois foi da Pompadour [3] tornando-se na segunda República a sede e residência da Presidência da República Francesa.

[1] Jean Delagrive (1689-1757), padre lazarista e cartógrafo, membro da Royal Society of London, foi nomeado Geógrafo da cidade de Paris. Publicou em 1740 Environs de Paris relevés géométriquement.Foi numa das suas plantas que apareceu o nome de Champs-Elysées. [2] Louis-Henri de La Tour d'Auvergne (1674-1753), Conde d’Évreux e de Tancarville. [3] Jeanne-Antoinette Poisson, Marquesa de Pompadour (1721-1764) mais conhecida como Madame de Pompadour, amante de Luís XV.


 rl28gfig. 33 - Delegrive Pormenor de Nouveau Plan de Paris et de ses Faubourgs dressé sur la Merien de l’Observatoire et levé geometriquement par M. l’Abbé Delagrive avec privilege du Roy MDCC XXVIII. 1728.

Mas é sobretudo a construção sobre o fosso em 1717 de le Pont Tournant (a azul na planta) criada pelo frade agostinho Nicolas Bourgeois (destruída em 1817), permitindo a ligação entre o Jardim das Tulherias e os Campos Elísios desenvolvendo a estrutura viária que prolonga Paris para ocidente. Esta estrutura era constituída a partir dos jardins do palácio das Tulherias pela avenida das Tulherias que após uma rotunda se prolonga na avenida de Neuilly (a futura avenida dos Campos Elíseos), e pelas diagonais que dessa rotunda ligam ao Cours de la Reine na margem do Sena.

rl65fig. 34 - Plan et profil du pont-tournant des Tuileries (1719), plume et encre de Chine, lavis d'encre rouge, aquarelle ; 28,3 x 44,1 cm. Bibliothèque nationale de France.


A ponte era constituída por duas passerelles pivotantes, permitindo a passagem entre o jardim das Tulherias e a praça Luís XV.

rl86fig. 35 - Jacques-François Blondel (1705-1774) Planche 463: élévation et plan au sol du Pont tournant du jardin des Tuileries sur la place Louis XV in Architecture Française Tome IV Edité chez Charles-Louis Jombert Paris 1756 châteaux de Versailles et de Trianon Versailles.


Na parte inferior do Nouveau Plan de Paris et de ses Faubourgs dressé sur la Merien de l’Observatoire et levé geometriquement par M. l’Abbé Delagrive um conjunto de alçados desde o Chateau d’Eau até à Colonade du Louvre, tendo ao centro a Façade du château des Tuilleries du côté du Jardin (fachada do Palácio das Tulherias do lado do jardim).


 rl28bfig. 36 - Alçado do palácio das Tulherias na planta de Delegrive de 1728.


Em 1730 Claude Roussel publica o Plan de Paris que no seu limite superior mostra a praça de l’Etoile e o Bas Roule. Assinala ainda a Pont d’Antin sobre o Nouvel Égout de Paris. Note-se ainda o conjunto dos Hotels entre os Champs Elysées e a rua do Faubourg Saint-Honoré bem como as edificações no lado norte desta mesma rua.

rl29fig. 37 - Claude Roussel (1655?-172.?). Pormenor do Plan de Paris par Roussel Cap.ne Ingénieur en 1700.Publicado em 1730.

 rl58fig. 38 - Gaspard de Baillieul (16..-1744)Pormenor do Nouveau plan de la ville et fauxbourgs de Paris, divisé en vingt quartiers mis au jour par le Sr Gaspard de Baillieul Geographe. Dedié a Son Altesse Serenissime Monseigneur Louis Armand de Bourbon, Prince Conti, et D’Orange, Prince du Sang, Duc de Mercoeur, …Paris, 1730.

Na planta de Delagrive (fig.39) está já apontada, a norte da igreja de Saint Jacques et Saint Philippe, a nova Pepinière (horto ou viveiro) criada em 1699 e sucessivamente aumentada, para servir o jardim das Tulherias. (foi demolida em 1826).

rl35fig. 39 - Jean Delagrive Pormenor do Plan de Paris Dedié à Messieurs les Prêvot des Marchands & Echevins de la Ville par M. L’Abbé Delagrive Geographe de la Ville de Paris de la Societé roiale de Londres M DCC XLI. rl35afig. 40 – Pormenor da planta anterior.


Na planta seguinte (fig.41) está indicada  em pormenor a Nouvelle Pepiniere du Roule, entre a rua de Coursele [Coucelles], o Chemin du Roule aux Porcherons (foi alargado em 1782)que se prolonga pela rua de la Pepiniere e o Sentier de la petite Pologne a norte.
Hororé de Balzac no romance de 1835 intitulado Contrat de Mariage da Comédie Humaine  cria a personagem do Conde Pierre de Manerville que possuía une belle maison entre cour et jardin, sise à Paris, rue de la Pépinière, imposée à quinze cents francs. [1]

[1] Honoré de Balzac Oevres illustrées de Balzac. 200 dessin par MM. Tony Johannot, Staal, Bertali, E. Lampsonius, H. Monnier, Daumier, Meissonnier, etc. Chez Marescq et Compagnie Editeurs des oeuvres de Balzac 5, Rue de Pont-de-Lodi et Chez Gustave Havard Libraire 15, Rue Guénegaud. Paris 1853. (pág.10). 


rl81fig. 41 - Plan de la nouvelle Pépinière du Roule 18 Arp.s y compris les 3 pieds en dehors du côté de Claude Prevost 1720 plume et encre de Chine, lavis d'encre rouge, aquarelle ; 28,3 x 54 cm. Bibliothèque nationale de France.

Na planta de Guillaume de l’Isle [1], para além da precisão da nomenclatura está sinalizada a Orangerie Royale.

rl30fig. 43 - Guillaume de l'Isle (1675-1726). A igreja de Saint Jacques et Saint Philippe num pormenor da planta de Le Roule em Covens et Mortier, Le plan de Paris, ses faubourgs et ses environs, Par Platte Grond van Parys, zyn voorburgen en om leggende Plaatse. A Amsterdam, Chez Jean Covens & Corneille Mortier, avec privilege 1742. David Rumsey Historical Map Collection. rl30afig. 44 - Pormenor da planta anterior com a marcação da igreja de Saint Jacques et Saint Philippe a vermelho.

[1] Guillaume de l’Isle ou Delisle (1625-1726) foi membro da Académie Royale des Sciences e Premier Géographe du Roi. O seu Atlas de Géographie, foi publicado em Amesterdão em 1774 por Covens e Mortier.



A construção da Place Louis XV (1748 – 1772)


No seguimento das estátuas de Henrique IV e Luís XIV erguidas em Paris o prevôt des marchands de Paris [1] determinou em 1748 que fosse oferecida a Luís XV uma estátua equestre de que se encarregou Edmé Bouchardon. [2] Com a morte deste foi Jean-Baptiste Pigalle (1714-1785) que se encarregou de a terminar. A estátua seria destruída na Revolução Francesa.

rl87fig. 45 - Pierre Patte, Planche I de Monumens érigés en France à la gloire de Louis XV, précédés d’un tableau du progrès des Arts & Sciences sous ce règne, ainsi que d’une description des Honneurs & des Monumens de gloire accordés aux grands Hommes, tant chez les Anciens que chez les Modernes ; et suivis d’un choix des principaux projets qui ont été proposés, pour placer la statue du Roi dans les différens quartiers de Paris.


Luís XV a cavalo está vestido à romana com uma coroa de louros. Na mão direita o bastão de comando e na esquerda as rédeas do cavalo. As duas Virtudes do pedestal do lado da marcha do cavalo eram a Prudência e à esquerda a Justiça. Do outro lado a Força e o Amor da Paz. No baixo-relevo em bronze que vemos na estampa o Rei sentado num troféu de armas, concedendo a Paz à Europa. Por cima uma Fama (Renomée) com os seus atributos: a trombeta e a palma. Do outro lado o Rei num carro triunfal é coroado pela Vitória. Na lápide da frente Ludovico XV, Optimo Principi quod Ad Scaldim, Mosam, Rhenum Victor Pacem Armis. Pace Et Suorum Et Europae Felicitatem Auaesivit. (fig.45) Na outra lápide Hoc Pietatis Publice Monumentum Praefectus Et Aediles Decreverunt Anno M.DCC. XLVIII Posuerunt Anno M.DCC.LXII.



  A escolha do local para a escultura


  O local para a colocação da escultura foi então escolhido através de um concurso em que os concorrentes deveriam decidir e projectar um espaço que melhor achassem conveniente na cidade de Paris.


 rl77bfig. 46 - Pierre Patte, Monumens érigés en France à la gloire de Louis XV, précédés d’un tableau du progrès des Arts & Sciences sous ce règne, ainsi que d’une description des Honneurs & des Monumens de gloire accordés aux grands Hommes, tant chez les Anciens que chez les Modernes ; et suivis d’un choix des principaux projets qui ont été proposés, pour placer la statue du Roi dans les différens quartiers de Paris.


Segundo Pierre Patte [3] no seu livro Monuments érigés en France a la Gloire de Louis XV, Précédés d’un Tableau du progrès des Arts & Sciences sous ce règne, ainsi que dúne Description des Honneurs & des Monuments de gloire accordés aux grands Hommes, tant chez les Anciens que chez les Modernes [4] todos os projectos foram apresentados ao rei.

E refere Patte: Sa Magesté, après les avoir examines, voyant qu’il n’étoit pas possible d’ éxecuter une place convenable sans dévaster des quartiers marchands, & sans sacrifier la commodité & les intérèts d’un nombre de ses sujets par la desctuition dúne infinité de maisons, voulut l’emporter de générosité sur son peuple, & fit présent à la Ville dún grand terrein vuide qui lui appartenoit entre le Pont-Tournant des Tuilleries & les Champs-Elysées. [5]

Assim para um novo concurso foi distribuído um plano do quarteirão da Pont-Tournant para projectar a praça com a única condicionante de a estátua estar virada para o jardim das Tulherias.
 E segundo Patte, o rei Louis XV após apreciar os diversos projectos apresentados, encarrega Jacques-Ange Gabriel de Mézières (1698-1782), então Premier Architecte du Roi e director da Académie Royale d’Architecture, de elaborar um projecto definitivo tendo em conta algumas das soluções desse conjunto de propostas. Esse projecto final que Patte classifica de “obra de toda a Nação” foi aprovado em 1753.

rl78fig. 47 - Planche II pag.120.


Jacques-Ange Gabriel integra na sua composição uma nova igreja da Madeleine ligada à praça pela Rue Royale. A construção da igreja cuja primeira pedra é colocada em 1763 segundo um projecto elaborado em 1757 por Pierre Contant d'Ivry (1698-1777). Com a morte deste sucede-lhe Guillaume-Martin Couture (1732-1799). Com a revolução francesa os trabalhos então iniciados foram suspensos até que, em 1806, Napoleão determina um concurso para um templo dedicado aos exércitos franceses. O concurso será ganho por Alexandre Pierre Vignon (1763-1828) tomando então a forma de templo grego. O edifício retomada a sua função original de igreja só será terminado em 1845.


rl89fig.
48 – Georges-Louis Le Rouge (c.1712 – c.1790) Place Louis XV Au Pont-Tournant des Tulleries dont la Ville a posée la premiere Pierre le 22 Avril 1754. A Paris chez le Sr Le Rouge rue des Augustins.30.2 x 19.8 cm. Paris 1754. Colecção particular.


rl88afig. 49 - Joseph-Marie Vien (1716-1809) Inauguration de la statue équestre de Louis XV sur la place du même nom 1763/1769. Óleo sobre tela 44,7 x 60,7 cm. Musée Carnavalet Paris.

Podemos ter uma ideia do quadro de Vien através desta gravura de Saint Aubin com o mesmo tema.



rl88fig. 50 - Augustin de Saint-Aubin, (1736-1807) e Gravelot (1699-1773).Inauguration de la statue équestre de Louis XV 1766 Bibliothèque nationale de France.

Um desenho de Le Rouge mostra a praça tal como seria após a sua conclusão.


rl62a cópiafig. 51 – Georges-Louis Le Rouge (c.1712 – c.1790) Place de Louis XV Dédiée au Roi par son très humble et très obéissant serviteur Le Rouge, Ingénieur et Géographe de Sa Magesté. A Paris : chez le Rouge rue des grands Augustins, 1763.

Patte na sua publicação mostra os projectos dos edifícios que conformam a praça.



rl87bfig. 52 - Patte Planche V Elevation des deux grands Batiments de la PlaceAvec le Portail de l’Église de la Madeleine.


rl90fig. 53 - Antoine-François Peyre (1739-1823). Vue des batiments de la place Louis XV prise de l'une des terrasses des Tuileries 1773   Dessin à la plume et encre de Chine, aquarelle ; 16,9 x 28,1 cm.  Bibliothèque nationale de France.

Na figura 53 em primeiro plano a escultura Mercure monté sur Pégase e à esquerda a Renommée montée sur Pégase, ambas de Antoine Coysevox (1640-1720), em mármore  e com as dimensões de 3,15 x 2,91 x 1,28 m. Foram encomendadas em 1699 para o jardim de Marly e executadas em 1701/02. Em 1719 foram colocadas como se vê na gravura na entrada ocidental do jardim das Tulherias. (Em 1986 foram substituídas por cópias e os originais recolhidos no museu do Louvre).


 rl74fig. 53 - Jacques-Philippe-Joseph de Saint-Quentin (1738-17??) L'Entrée des Tuileries vue de la place Louis XV à Paris. c. 1775 óleo sobre tela 128 x 193 cm. Musée des Beaux-Arts et d’Archéologie de Besançon, France.


Na entrada do jardim os dois leões « egípcios » e as duas esculturas Mercure monté sur Pégase e La Renommée monté sur Pégase de Antoine Coysevox (1640-1720).



rl75fig. 54 – Alexis Nicolas Pérignon (1726-1782), Vue de la place Louis XV, avant la construction du Pont, plume, aquarelle et gouache, vers 1780, BnF


rl34fig. 55 - Louis Charles Desnos (1725-1805) Pormenor do Nouveau Plan de Paris ses Faubourgs et ses Environs Revu, Corrigé et Augmenté par le Sr. Desnos Géographe Ingénieur pour les Globes et Sphères qui s’attachent … les changements lorsque les circonstances le demandent. Paris chez l’auteur rue St. Jacques au Globe 1766.

[1] Louis-Basile de Bernage, seigneur de Saint-Maurice, de Vaux et de Chassy (1691-1767) foi o Prevôt des Marchands entre 1743 e 1757. [2] Edmé Bouchardon (1698-1762) escultor do rei, membro da Academia onde foi professor. [3] Pierre Patte (1723-1814), foi arquitecto do Duque de Deux-Ponts na Baviera para quem projectou o palácio de Jaesgersburg e o Hotel de Charost na rua do Faubourg Saint-Honoré em 1765. (que pertenceu depois a Paulina Bonaparte e que é actualmente a embaixada do Reino Unido). Mas Patte é sobretudo conhecido pela sua extensa obra teórica de que se destacam o Discours sur l'architecture, où l'on fait voir combien il seroit important que l'étude de cet art fit partie de l'éducation des personnes de naissance ; à la suite duquel on propose une manière de l'enseigner en peu de temps, 1754; De la Manière la plus avantageuse d'éclairer les rues d'une ville pendant la nuit, en combinant ensemble la clarté, l'économie et la facilité du service, 1766; Mémoire sur la construction de la coupole, projettée pour couronner la nouvelle église de Sainte-Geneviève à Paris 1770 (que provocou acesa polémica com Soufflot; e Essai sur l'architecture théâtrale, ou De l'ordonnance la plus avantageuse à une salle de spectacles, relativement aux principes de l'optique et de l'acoustique, 1782. [4] Monuments érigés en France a la Gloire de Louis XV, Précédés d’un Tableau du progrès des Arts & Sciences sous ce règne, ainsi que dúne Description des Honneurs & des Monuments de gloire accordés aux grands Hommes, tant chez les Anciens que chez les Modernes; Et suivis d’un choix des principaux Projets qui ont été proposés, pour plácer la Statue du Roi dans les différents quartiers de Paris: Par M. Patte, Architecte de S.A.S. Mgr. Le Prince Palatin, Duc-régnant de Deux-Ponts . Ouvrage enrichi des Palces du Roi, gravées en taille-douce. Praesenti tibi maturos largimur honores Hor. Lib.II ep. I. [No momento em que amadurecer, honras ao longo da vida] Chez L’Auteur, rue des Noyers, la sixième cochère, à droite, en entrant par la rue Saint Jacques. Desaint et Saillant Libraires, rue Saint-Jean de Beauvais. M. DCC. LXV. [5] Idem página 120.



 A conformação do Grande Eixo ocidental


O grande eixo ocidental de Paris idealizado e iniciado a partir do reinado de Luís XIV quando Le Nôtre abre o muro que limitava o Jardim das Tulherias num primeiro gesto que consolida a traçada avenida das Tulherias e provoca a criação do grande eixo a partir da praça Luís XV. Deve-se ao Marquês de Marigny [1], directeur général des bâtiments du Roi a organização do vasto terreno entre as Tulherias e os Campos Elísios. Em 1766 Jean-Todolphe Perronet (1708-1794) o fundador com Daniel-Charles Trudaine [2] da École des Ponts et Chaussées e seu director, traça uma via chamada então de Chemin des Cours desde a colina de Caillot até Neuilly. Em 1768 iniciam-se os trabalhos de nivelamento dos terrenos entre a praça Luís XV e a ponte de Neuilly. Em 1770 o marquês de Marigny manda nivelar a colina do Roule e prolonga a avenida até à ponte de Neuilly.

[1] Abel-François Poisson de Vandières (1727-1781), marquis de Marigny em1754 e irmão de Jeanne-Antoinette Marquise de Pompadour. Em 1745 é nomeado directeur général des bâtiments du Roi, cargo que exerce até 1773. [2] Daniel-Charles Trudaine (1703-1769) Prévôt des marchands de la Ville de Paris de 1716 à 1720. Conselheiro do Parlamento de Paris. Em 1743 nomeado membro da Academial Real das Ciências e em 1744 directeur l'Assemblée des inspecteurs généraux des ponts et chaussées (director da Assembleia dos inspectores gerais das pontes e estradas) cargo que ocupará até morrer sucedendo-lhe o seu filho Jean Charles Philibert Trudaine de Montigny. Em 1747 funda a prestigiada École Royale des Ponts et Chaussées com Jean-Todolphe Perronet (1708-1794) que será o seu primeiro director. Iniciou em 1745 um Atlas conhecido como Atlas de Turaine com as estradas e paisagens de França concluído em 1780.


Numa das plantas do Atlas de Trudaine está desenhado este Eixo entre o Roule e Chaillot e a praça da Étoile e entre esta e Neully uma avenida com o mesmo nome.


rl36bfig. 57 - Daniel-Charles Trudaine Portion de la chaussée de Neuilly-sur-Seine ("Neuilly"), du Roule ("Roulle") à "Courbevoie". 82,5 x 55 cm Echelle de 11 cm pour 500 toises, soit 1/8818e. Orientation figurée.in Atlas de Trudaine pour la généralité de Paris. "Routes des environs de Paris. 11 planches".vol. VII - Environs de Paris 1760.


No canto inferior direito os loteamentos de Chaillot e do Roule e as edificações ao longo da rua do Roule, que se prolonga pela Chaussée de Neuilly.


rl36dfig. 58 – Pormenor da imagem anterior.


A ponte sobre o Sena em Neuilly começou por ser uma ponte de madeira construída no tempo de Henrique IV depois do seu coche ter caído à água em 1605.


rl38bfig. 59 - Vüe de Neuilly du côté du Couchant  1760 A Paris chez Daumont rue St Martin gravura colorida 27 x 39 cm. Bibliothèque nationale de France. rl38dfig. 60 – Pormenor da fiura anterior.


Esta ponte não satisfazendo já as necessidades da circulação foi substituída por uma nova ponte em pedra. Da nova ponte construída entre 1768 e 1774, encarrega-se Jean-Rodolphe Perronet (irá posteiormente construir a ponte da Concórdia ligando as margens do Sena na praça Luís XV, completando assim o esquema urbano da zona ocidental de Paris).


rl37fig. 61 - Dessin du pont de Neuilly - Projet de Jean-Rodolphe Perronet en 1768 Coll. Ecole nationale des Ponts et Chaussées. rl37cfig. 62 - Plan et profil des travaux de Pont de Neuilly, a la fin de l'annee 1772 gravura 63 x 39.5 cm. colecção particular.


A inauguração da ponte em 22 de Setembro de 1772 foi celebrada com grande pompa na presença do Rei e de toda a Corte.


rl37afig. 63 - Hubert Robert (1733-1808) Décintrement du Pont de Neuilly le 22 septembre 1772. 1775. Óleo sobre tela 112 x 195 cm. Musée du Domaine Départemental de Sceaux île de France.

O Eixo Tulherias – Neuilly numa planta de 1790.


rl91bfig. 64 – Pormenor da planta de Paris de 1790 do Département de Paris Décrété le 13 et le 19 Janvier 1790 par lÁssemblée Nationale. Divisée en 3 Districts, 6 Tribunaux, 16 Cantons et 48 Sections.





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