Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















sexta-feira, 29 de abril de 2016

O Génio da Arquitectura descobre os Progressos da sua Arte 4 1 - As Arquitecturas 2

 

Da igreja de Saint Philippe du Roule de Chalgrin até aos finais do século XIX

Se o reinado de Luís XV corresponde ainda a um desenho urbano barroco, formaliza já um desenho urbano que corresponde à organização da cidade neoclássica.

A construção da igreja de Chalgrin.

Em 1739 é ordenada a demolição da velha capela do Roule por René Hérault. [1]

Mas com o desenvolvimento de toda a zona do Roule em 1767 um projecto para a reconstrução da igreja é encomendado a Jean-François Thérèse Chalgrin (1739-1811). [2]

Protegido pelo marquês Marigny e pelo conde de Saint-Florentin, [3] para quem tinha projectado entre 1767 e 69 um palacete em Paris, Chalgin é recebido na Academia Real de Arquitectura em 1770 e distinguido pelo Conde de Provence [4] que o nomeia intendende dos edifícios e de seguida primeiro arquitecto.

O projecto da igreja foi aprovado em 1768 pela Real Academia de Arquitectura mas apenas em 1773 se iniciaram as obras de preparação do terreno.

A morte de Luís XV em 1774 obrigou ao adiamento da cerimónia da colocação da 1ª pedra.

Em 1784 a igreja estava praticamente concluída faltando apenas edificar as torres campanário, que nunca foram construídas.


[1] René Herault (1691-1740), comandante da polícia foi quem em 1728/29 ordenou a inscrição em placas das ruas de Paris.

[2] Jean-François Thérèse Chalgrin (1739-1811), laureado com um Grand-Prix de Roma em 1758, no ano seguinte e até 1763 vai para a Academia de França em Roma onde estuda com Giovanni Niccolo Servandoni (1695-1766), Architetto, pittore e scenografo e o autor da fachada de S. Suplício em Paris. Chalgrin ocupa-se então do Palácio do Luxemburgo de que apresenta em 1781 um projecto para ampliar o palácio e o seu jardim.Na Revolução é feito prisioneiro no Palácio do Luxemburgo mas a partir de 1795 retoma a sua actividade, sendo confirmado como arquitecto a partir de 1799. Nesse ano é eleito para a Academia de Belas Artes. Chalgrin trabalha então no restauro do teatro do Odeon precisamente incendiado no ano de 1799.

[3] Louis III Phélypeaux (1705- 1777) Conde de Saint-Florentin, Marquês em1725 e Duque em 1770 de La Vrillière, Secretário de Estado da Casa Real (entre 1749 e 1775).

[4] Louis Stanilas Xavier o futuro rei Luís XVIII.

rl1fig. 1 – O projecto de Chalgrin na Planche CIII. - Plan, Coupe et Élévation de l’Eglise S.t Philippe de Roule, Faubourg Honoré batie par Chalgrin, architecte. En 1764/84. Dix-huitième Cahier du Plans, Coupes, Élévations des plus belles Maisons et des Hotels construits à Paris et dans les environs 1801.

A igreja de Saint-Philippe du Roule é considerada a primeira igreja Neoclássica de França, e  com o Convento dos Capuchinhos construído entre 1780 e 1782, [1] de Brongniart [2], são considerados os edifícios que iniciam a arquitectura religiosa neoclássica francesa.


[1] O Convento dos Capuchinhos situado na Chaussée d’Antin foi em 1783, durante a Revolução Francesa, utilizado como tipografia e um hospício. Em 1795 a capela foi recuperada para o culto com o nome de Saint-Louis d’Antin, e em 1802 torna-se paróquia. Em 1805 o convento torna-se propriedade do Estado que aí instala o Liceu Condorcet.

[2] Alexandre-Théodore Brongniart (1739- 1813) foi ainda o autor do Palácio da Bolsa em Paris e do Cemitério do Père Lachaise.

rl2fig. 2 - Couvent des Capucins bâti en 1781 par Brongniart, maintenant College Bourbon 179 ? Élévation à la plume, encre de Chine et aquarelle ; 21,2 x 38,8 cm.Bibliothèque nationale de France.

Estes dois edifícios, serviram de referência a um conjunto de edifícios na transição dos séculos XVIII e XIX, de que é exemplo a igreja de Saint-Louis em Toulon construída entre 1782 e 89, segundo um projecto de Sigaud ( ?- ?). [1]

rl3 fig. 3 - Eglise Saint-Louis, parvis et maisons voisines. Carnet des Plans-reliefs.

Por isso e para melhor entender a génese da arquitectura da igreja de Chalgin impõe-se a sua contextualização no debate então havido sobre a arquitectura da antiguidade e em particular da arquitectura grega.


[1] Pierre Lavedan (1885-1982) e Louis Hautecoeur (1884-1973) salientaram as semelhanças entre as duas igrejas.

Apontamentos sobre o Neoclassicismo

Na segunda metade do século XVIII com as descobertas arqueológicas desenvolve-se um amplo debate teórico e operativo em torno da arquitectura da antiguidade.

As ruínas de Pompeia embora conhecidas desde o século XVI apenas se tornam exploradas com as escavações realizadas a partir de 1719 e até ao final do século. Seguem- as ruínas de Herculano em 1748.

rl4fig. 4 - Jakob Philipp Hackert (1737-1807) Vista das ruínas de Pompeia 1799, oil on canvas, 118 x 164 cm. Attingham Park,Berwick Collection.

rl5fig. 5 - Jakob Philipp Hackert1737-1807. A Porta Herculanum na Via dei Sepolcri em Pompeia Gouache Museum der Bildenden Künste Leipzig.

Joachim Winckelmann

Ao abordar a Arte Neoclássica é necessário citar a incontornável figura de Johann Joachim Winckelmann (1717-1768) e o conjunto dos seus textos de que se salientam Remarques sur l’architecture des Anciens e Histoire de l’Art Chez les Anciens. [1]

É Winckelmann quem teoriza a partir do estudo da arte clássica considerando que o objectivo da arte não é imitar a natureza mas realizar o belo ideal, cujas características são a simplicidade e a capacidade de constituir um modelo sem características particulares. D'après cette idée la Beauté doit être comme l'eau la plus pure puisée à sa source, où moins elle a de goût, & plus elle est saine, étant purifiée de particules étrangeres. [2]

E retoma esta ideia em 1759 num artigo intitulado De la grâce dans les œuvres de l’art, onde define a Graça como um heroico distanciamento tanto mais forte quanto menos expressivo afirmando La grâce est comme l’eau qui est d’autant plus parfaite qu’elle a moins de goût.


[1] Johann Joachim Winckelmann (1717-1768), Remarques sur l’architecture des Anciens Über die Baukunst der Alten aumentado de um relatório sobre os templos de Paestum. 1762 e Histoire de L’Art Chez les Anciens1766 traduit de l'allemand. A Paris, Chez Saillant, rue S. Jean de Beauvais. MDCCLXVI.

[2] Johann Joachim Winckelmann (1717-1768) Histoire de L’Art Chez les Anciens Tome Premier par Johann Joachim Winckelmann, Président des Antiquités à Rome, Membre de la Société Royale des Antiquités de Londres, de l’Académie de Peinture de St. Luc À Rome, & de l’Académie Etrusque de Cortone, &c. traduit de l'allemand. A Paris, Chez Saillant, rue S. Jean de Beauvais. MDCCLXVI. (pág. 256). Tradução: Seguindo esta ideia a Beleza deve ser como a água mais pura colhida na sua fonte, onde como menos gosto tem é mais saudável, não contendo estranhas impurezas.

rl6fig. 6 - Johann Joachim Winckelmann (1717-1768) Planche XIX de Histoire de L’Art Chez les Anciens par Winckelmann; traduite de l’allemand; avec des notes historiques et critiques par diferentes auteurs Tome II A Paris Chez H. J. Jansen et Comp.e , place du Muséum. Na II de la République Française une et indivisible.

Os Templos gregos de Paestum

A imagem do livro de Winckelmann foi escolhida por corresponder ao estudo rigoroso das ruinas dos templos gregos de Paestum (ou Pesto), que então se inicia.

Embora fossem já conhecidos os templos dóricos da cidade de Paestum, a antiga Posidonia grega, no sul da Itália na região da Campânia, são agora estudados e tornados conhecidos através de publicações onde se destaca Thomas Mayor (1720–1799), com The Ruins of Pæstum, otherwise Posidonia, in Magna Græcia, traduzido para francês em 1769 e para alemão em 1781 [1], e do álbum de 21 gravuras de Giovanni Battista Piranesi (1720–1778) e do filho Francesco Piranesi, Différentes vues de quelques Restes de trois grands Edifices qui subsistent encore dans le milieu de l'ancienne Ville de Pesto autrement Posidonia qui est située dans la Lucanie de 1778.

E ainda das pinturas de Antonio Joli (1700–1777) a partir das quais Filippo Morghen (1730– d.1807) realizou diversas gravuras. 


[1] Thomas Mayor (?1714-1799) Les Ruines de Paestum, ou de Posidonie, dans la Grande Grece. London: Printed by James Dixwell, 1768. Die Ruinen von Pästum oder Posidonia, in Groß-Griechenland aus dem Englischen übersetzt von Albrecht Heinrich Baumgärtner. Wirzburg : Johann Jacob Stahel 1781.

Piranesi

rl7fig. 7 - Giovanni Battista Piranesi Plate XI Temple de Neptune à Pesto, vu de côté, et desiné plus en grand, qu'on ne le voit dans la premiere planche 1778 echting 456 x 680 millimetres The British Museum in Différentes vues de quelques Restes de trois grands Edifices qui subsistent encore dans le milieu de l'ancienne Ville de Pesto autrement Posidonia qui est située dans la Lucanie.

rl8fig. 8 - Giovanni Battista Piranesi (1720–1778) e Francesco Piranesi (1758 – 1810) Plate XII: Vue interieure du Temple de Neptune 1778 Etching 469 x 671 millimetres The British Museum. In Différentes vues de quelques Restes de trois grands Edifices qui subsistent encore dans le milieu de l'ancienne Ville de Pesto autrement Posidonia qui est située dans la Lucanie.

 

rl9fig. 9 - Giovanni Battista Piranesi (1720–1778), Study for plate X Vue du Temple de Neptune, Dieu tutélaire de l’ancienne ville de Pesto, quoi que on n’y voye aucune marque qui puisse indiquer si ce temple appartenait à cette Divinite, ou à quelque autre… (View of the Temple of Neptune, Tutelary God of the Ancient C...),c. 1777. Etching platemark: 48 x 70.7 cm. The Arthur Ross Collection 2012.159.17.11. Photo credit: Yale University Art Gallery.

Thomas Mayor

As imagens apresentadas são extraídas da versão alemã.

rl10fig. 10 - Thomas Major Die Ruinen von Pästum oder Posidonia, in Groß-Griechenland aus dem Englischen übersetzt von Albrecht Heinrich Baumgärtner. Wirzburg : Johann Jacob Stahel 1781.

Uma imagem semelhante de Paestum (ou Pesto) é apresentada por Filippo Morghen.

rl12fig. 11 - Filippo Morghen (1730- c.1807) n.º 2 Veduta Generale degli Avanzi di Pesto Dalla Parte Ponente. In Le antichita di Pozzuoli, Baja, e Cuma, Napoli, 1769.

Na Legenda a. Porta b. Mura c. Ruscello d’acqua petrificante d.f.g. Tre Tempj e.Amphiteatro

rl13fig. 12 - Thomas Major Tab. VII Ausficht Sechsfäulichten Peripterfche Tempels zu Pästum von der Sud Thomas Major Die Ruinen von Pästum oder Posidonia, in Groß-Griechenland aus dem Englischen übersetzt von Albrecht Heinrich Baumgärtner. Wirzburg : Johann Jacob Stahel 1781.

Influenciado por estas imagens Antonio Joli (1700-1777) pinta um conjunto de quadros.

rl14fig. 13 - Antonio Joli A View of Paestum, 1759. Óleo s/tela 76,8 x 120,7 cm.Norton Simon Art Foundation.

rl15fig. 14 - Antonio Joli O templo de Poseidon em Paestum óleo sobre tela 74 x 101,5 cm. in Antonio Joli, Travels Around Europe, 15 November – 15 December 2006 Robilant + Voena, London.

Compare-se com as figuras 6 e 12.

rl16fig. 15 - Filippo Morghen (1730– d.1807), d’après Antonio Joli (1700–1777) Veduta interiore del Templo esastilo i pietro dalla parte di setentrione. In Antichità di Pesto (Antiquities of Paestum), 1765. Etching sight in frame (plate): 27.7 x 39 cm. The Arthur Ross Collection 2012.159.30.4. Photo credit: Yale University Art Gallery.

A poética das ruínas

Se bem que a introdução na pintura de fragmentos de arquitecturas clássicas já fosse utilizada em épocas anteriores, de que são exemplo Nicolas Poussin ( 1594-1665), Claude Lorrain (1600- 1682) e Giovanni Paolo Panini (1691-1765), foi sobretudo um discípulo deste último Hubert Robert (1733-1808) [1] que desenvolveu e consolidou uma pintura sobre a qual Denis Diderot teoriza sobre a poética da ruína.

Robert Hubert (1733-1808). Paris, école nationale supérieure des Beaux-Arts (ENSBA). Mra123. fig. 16 – Hubert Robert Le port de Rippeta a Rome orné de différens Monumens d’Architecture antique & moderne. 1766. Exposto no Salon de 1767. Óleo sobre tela 119 x 145 cm. École national supérieure des Beaux.Arts Paris.

Escrevendo sobre o Salon de 1767, Denis Diderot (1713-1784) a propósito da pintura de Hubert Robert teoriza sobre esta poética das ruínas e a questão do tempo e da condição humana. [2]

L’effet de ces compositions, bonnes ou mauvaises, c’est de vous laisser dans une douce mélancolie. Nous attachons nos regards sur les débris d’un arc de triomphe, d’un portique, d’une pyramide, d’un temple, d’un palais ; et nous revenons sur nous-mêmes ; nous anticipons sur les ravages du temps… Et voilà la première ligne de la poétique des ruines.

E mais adiante Diderot escreve :

Les idées que les ruines réveillent en moi sont grandes. Tout s’anéantit, tout périt, tout passe. Il n’y a que le monde qui reste. Il n’y a que le temps qui dure. Qu’il est vieux ce monde ! Je marche entre deux éternités. De quelque part que je jette les yeux, les objets qui m’entourent m’annoncent une fin, et me résignent à celle qui m’attend…

Il faut ruiner un palais pour en faire un objet d’intérêt. Tant il est vrai que, quel que soit le faire, point de vraie beauté sans l'idéal. La beauté de l'idéal frappe tous les hommes; la beauté du faire n'arrête que le connaisseur. Si elle le fait rêver, c'est sur l'art et l'artiste, et non sur la chose. Il reste toujours hors de la scène; il n'y entre jamais. La véritable éloquence est celle qu'on oublie. Si je m'aperçois que vous êtes éloquent, vous ne l'êtes pas assez. Il y a entre le mérite du faire et le mérite de l'idéal, la différence de ce qui attache les yeux et de ce qui attache l'âme.

rl18fig. 17 - Ruines d’un temple dorique (1783) Musée de l'Ermitage - Saint-Pétersbourg.

Quer fossem reais ou apenas imaginadas Hubert Robert introduziu nas suas pinturas ruinas da antiguidade clássica, entre elementos de vegetação e personagens, criando assim uma poética das ruínas com a introdução da passagem do tempo longo nas suas pinturas.

Hubert Robert introduz no meio dessas monumentais ruínas figuras ocupadas em tarefas quotidianas, lavadeiras, passeantes, raparigas brincando, vendedoras de peixe e jogadores de cartas, roupa a secar pendurada num fio suspenso a partir da estátua de Marco Aurélio [3], num contraste que, não sem uma certa ironia, perturba e sublima o simbólico da ruína.

Sobre este pintor que prefigura já o Romantismo, escreveu já no século XX, Élie Faure:

Hubert Robert y hante les murs écroulés, les colonnades inégales, les voûtes crevées que recouvrent le lierre et l'herbe, tous les champs de pierres mortes où le sol exhaussé laisse apercevoir, çà et là, des dieux à moitié enfouis. [4]

[Nota - Está patente no Museu do Louvre até 30 de Maio de 2016 uma exposição sobre a sua obra intitulada Hubert Robert. Un peintre visionaire.]

Em Portugal podem admirar-se duas obras de Hubert Robert ambas oferecidas ao Estado Português por Calouste Gulbenkian e ambas no Museu Nacional de Arte Antiga.

rl20fig. 18 - Hubert Robert Templo em Ruínas, 1775-1780, óleo sobre tela 75 x 61 cm. Museu Nacional de Arte Antiga.

rl19fig. 19 - Hubert Robert A Azenha de Charenton1765 - 1770 Óleo sobre tela 256 x 204 cm. Museu Nacional de Arte Antiga

Também a Sala do Despacho do Palácio de Queluz está decorada com pinturas de Giovanni Berardi (? -?) de 1774 e que seguem esta poética das ruínas talvez mais influenciadas por Giovanni Panini, mas que se aproximam das de Hubert Robert e de que damos dois exemplos.

rl21fig. 20 - Giovanni Berardi, Ruínas Clássicas com estatuária e fontanário em forma de concha, 1774, óleo sobre tela 293 x 210 cm. Palácio Nacional de Queluz.

rl22fig. 21 – Giovanni Berardi Grupo abrigado junto a colunata de ruínas clássicas, 1774, óleo sobre tela 293 x 209 cm. Palácio Nacional de Queluz.


[1] Hubert Robert (1733-1808) Após seguir os seus estudos clássicos no colégio jesuíta de Paris segue os estudos artísticos com o escultor Michel-Ange Slodtz (1705-1764). Em 1754 parte para Roma onde habitará até 1765. Em Roma estudará a obra de Panini e de Piranesi. Em 1760 visita as ruínas de Pompeia. Regressado a Paris é admitido na Real Academia de Pintura e Escultura com o quadro Le port de Ripetta à Rome exposta no Salon de 1767 e comentada por Diderot (fig. 16). Em 1778 é nomeado para uma comissão encarregada da remodelação da Grande Galeria do Louvre. Durante a Revolução Robert foi preso durante dez meses em 1793. Quando saiu em liberdade foi nomeado para o Conservatório do Museu central das Artes o actual Museu do Louvre.

[2] Denis Diderot (1713-1784), Salon de 1767 (Publié en 1798) in Oeuvres completes de Diderot revues sur les éditions originales comprenant ce qui a été publié a diverses époques et les manuscrits inédits conservés a la bibliothèque de l’Ermitage. Notices, notes, Table analytique. Étude sur Diderot et le mouvement philosophique au XVIIIe siècle par J. Assézat. Tome onzième Garnier Frères, Libraires-Éditeurs. 6, Rue des Saints-Pères, 6 Paris 1876. (pág. 227 e 238). [os sublinhados são meus].

[3] Num quadro intitulado Caprice antique avec la statue de Marc Aurèle do Museu do Louvre mas na Embaixada de França em Londres.

[4] Elie Faure (1873- 1937) Histoire de l’Art, tome 4 - L’Art Moderne. Les Éditions G. Crés & Cie, 21, rue Hautefeuille Paris MCMXXI (pág. 233).

 

A arquitectura e o Dórico

De todas imagens em que sobressaem os templos dóricos provocaram o interesse pela primitiva arquitectura grega, pelo Dórico, considerado na sua simplicidade estrutural como poderoso e sublime e como a essência da Arquitectura.

A Grécia ocupada pelos turcos tinha estado isolada dos europeus e por isso do conhecimento directo dos estudiosos. E assim desenvolveu-se por toda a Europa nos arqueólogos, nos artistas e arquitectos, cujas viagens a Roma então imprescindíveis para a sua formação cultural, se estendessem agora ao resto da Itália e sobretudo à Grécia, a um regresso à antiguidade, a um contacto directo com as fontes originais.

Contribuíram para isso, um conjunto de publicações de que se destacam a obra dos britânicos de Stuart e Revett e do francês Le Roy que, com levantamentos rigorosos e com imagens das ruínas e das reconstituições, revelaram uma arquitectura que se afastava das catalogadas por Vitrúvio.

Em 1758 é publicada em Paris Les Ruines des plus beaux monuments de la Grèce de Julien David Le Roy. [1]

Le Roy pretende reconsiderar a arquitectura grega, estudando e comparando as proporções das Ordens Clássicas. Afirma ainda que as ordens originais gregas são mais correctas que as formalizadas posteriormente por Vignola ou Serlio.

E Le Roy apresenta a Ordem Dórica como baseada no corpo masculino: Se l'idée d'en faire ressemblerles colonnes à la force & à la beauté du corps de l'homme, leur en fit déterminer la hauteur à six diamètres. Ce premier pas est sans doute la plus grande découverte qui ait été faite en Architecture en ce qui regarde la décoration, & il est le fondement & la base de toutes les autres découvertes de ce genre.

E a Ordem Jónica baseada no corpo feminino: De l'imitation de la proportion du corps d'un homme , par la proportion massive des colonnes dont les Ioniens ornèrent quelques - uns de leurs Temples, ils passérent facilement à l'imitation de la proportion plus élégante du corps des femmes, dans d'autres Edifices, par des colonnes plus légères. Ils nommèrent ce nouvel Ordre, Ionique , parce qu'ils en étoient les inventeurs ; ils mirent des bases à ses colonnes pour les enrichir, & imitèrent même la coëffure des femmes dans l'ornement du chapiteau. [2]

E Le Roy para sublinhar a importância da Ordem Dórica apresenta as ruínas do Templo de Roma e Augusto em Atenas (já desaparecido).

rl23fig. 22 - Planche XIX Vue du temple d’Auguste à Athènes. In Les Ruines des plus beaux Monuments de la Grèce.

La façade, qui subsiste encore, représentée dans la Planche XIX, est composée, comme on le voit, de quatre colonnes Doriques qui soutiennent un entablement, sur l’architrave duquel on lit une grande inscription Grecque qui, nous apprend qu'il fut dédié à cet Empereur par la Noblesse d'Athènes, sous l'Archontat de Nicias, fils de Serapion. [3]

rl24fig. 23 - Planche XIV Reconstrução do Templo de Roma e Augusto in Les Ruines des plus beaux Monuments de la Grèce.

Também de uma primeira expedição arqueológica promovida pela Society of Dilettanti in Rome com a duração de cerca de dois anos e meio a partir de 1751, a Grécia e a sua arquitectura são estudadas por James Stuart (1713-1788) e Nicholas Revett (1720-1804) e de onde resultou a publicação de The Antiquities of Athens [4] Measured and Delineated uma obra em quatro volumes publicada entre 1762 e 1790. [5]

Logo de início os autores referem Palladio escrevendo : In the Collection of Antiquities published by Palladio, there is no example of a Doric Building ; and the Temple of Manly Fortune is the only ancient example of the Ionic Order he has given us. [6]

rl25fig. 24 - Plate I A View of the Portico in its presente State. Chapiter I. Of a Doric Portic of Athens. In The Antiquities of Athens Measured and Delineated by James Stuart F.R.S.and F.S.A. and Nicholas Revett,

rl26fig. 25 - Plate III. The front Elevation of the Doric Portico. The Acroterium which is over the Middle of the Pediment, probably supported a Statue of Lucius Caeser. Chapiter I. Of a Doric Portic of Athens. In The Antiquities of Athens Measured and Delineated by James Stuart F.R.S.and F.S.A. and Nicholas Revett,


[1] Les Ruines des plus beaux Monuments de la Grèce. Ouvrage divise en deux partie, où l’on considere, dans la première, ces Monuments du côté de l’Histoire; et dans la seconde, du côté de l’Architecture. Par M. Le Roy, Architecte, ancien Pensionnaire du Roi à Rome, & de l’Institut de Bologne. A Paris Chez H.L. Guerin & L.F. Delatour, rue Saint Jacques. Chez Jean-Luc Nyon, Libraire, quai des Augustins. A Amsterdam, Chez Jean Neaulme, Libraire. M. DCC. LVIII.Leroy Voyage Pitoresque en Grece 1758

[2] Idem página XJ

[3] Ibidem

[4] James Stuart and Nicholas Revett, The Antiquities of Athens Measured and Delineated by James Stuart F.R.S.and F.S.A. and Nicholas Revett, Painters and Architectes.Volume the first.London Printed by John Haberkor. MDCCLXII.

[5] O segundo volume é dedicado aos monumentos da Acrópole de Atenas: o Partenon, o Erecteion e o Propileus. O terceiro volume debruça-se sobre o Templo de Hefaestus (Teseu), o Templo de Zeus, o Aqueduto de Adriano, o Templo de Apolo em Corinto, o Estadio Panatenaico, o Odeon de Herodes Atici, do Monumento em Tessalónica, das ruínas de Delos e do pórtico do Monumento de Lisícrates. O quarto volume descreve os monumentos templos e amfiteatro em Pula na Ístria. Foi ainda publicado um quinto volume em honra de Stuart e Revett por um conjunto de arquitectos e arqueólogos, contendo os monumentos de Acragas, Figalia, Corfu, Messina, Micenas, Delos, os Teatros de Epidauro, Dodone e Siracusa. Em 1816 foi publicada uma edição completa da obra.

[6] James Stuart Preface nota de rodapé a) pág. II.

Destes exemplos e publicações resulta um debate sobre a arquitectura dórica e multiplicam-se as publicações em que se pretende regressar às três Ordens originais Gregas e se faz o elogio do Dórico.

Assim Stephen Riou  (1720-1780) publica em 1768 The Grecian Orders of Architecture, delineated and explained from the Antiquities of Athens. [1]

rl27fig. 26 - in The Grecian Orders of Architecture, delineated and explained from the Antiquities of Athens.

Também Giovanni Antonio Antolini publica em Roma em 1781, L’Ordine Dorico ossia il Templo d’Ercole nella Città di Cori. [2]

rl28fig. 27 - Tav.II de L’Ordine Dorico ossia il Templo d’Ercole nella Città di Cori.

E refira-se ainda Claude Delagardette com Les Ruines de Paestum ou Posidonia [3]

rl29fig. 28 - Planche X in Claude Delagardette Les Ruines de Paestum ou Posidonia.


[1] Stephen Riou  (1720-1780) The Grecian Orders of Architecture, delineated and explained from the Antiquities of Athens, also the parallels of the Orders of Palladio, Scamozzi, and Vignola to which are added remarques concerning publick and private edificies with designs. London Printed by J. Dixwell for the author. MDCCLXVIII.

[2] Giovanni Antonio Antolini, L’Ordine Dorico ossia il Templo d’Ercole nella Città di Cori Umiliato alla Santità di Nostro Signore Papa Sisto Sesto da Gio. Antonio Antolini, Architetto In Roma Nella Stamperia Pagliarini MDCCLXXXV.

[3] Claude Delagardette, Les Ruines de Paestum ou Posidonia ancienne ville de la grande Grèce, a vingt-deux lieues de Naples, dans le golfe de Salerne: Levées, mesurées et dessinées sur les lieux, en l’an II.Par C. M. Delagardette, Architecte, pensionaire de la République à l’Ecole des Arts de Rome. A Paris, Chez l’Auteur, rue du Sépulcre, F.B. Germain, ns. 651 et 8. Et Chez H. Barbou, Imprimeur-Libraire, rue des Mathurins. An VII.

 

CONTINUA

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