Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Uma pintura do Porto

 
Nota- No excelente e incontornável blogue Gandalf's Gallery foi publicada em 31 de Julho uma imagem do Porto, uma pintura de Gustave Bourgain com o título de Dourando a Figura de Proa.
bour1fig. 1 - Gustave Bourgain (1856-1921) – Dourando a Figura de Proa (Gilding the Figurehead), Porto 1886 óleo sobre tela 75 x 105 cm. colecção particular.
Gustave Bourgain (1856-1921) pintor e ilustrador francês ligado à revista L'Illustration, foi enviado a Alexandria no Egipto com a expedição inglesa. Expõe pela primeira vez no Salon de 1884 com uma cena da guerra anglo-egipcia.
Torna-se pintor oficial da Marinha. Dedicando-se à pintura histórica, pinta um conjunto de quadros sobre a campanha do Egipto por Napoleão entre os quais dois quadros de Bonaparte no Cairo. Participa na Exposição Universal de 1900 com uma celebrada aguarela leVengeur retratando o combate do navio francês com o navio inglês Brunswick em 1794.
O quadro divide-se em duas partes.
bour2fig. 2 – O quadro com a parte esquerda escurecida.
bour3fig. 3 – Pormenor mostrando o cais de Gaia. Do lado esquerdo Bourgain 86
O lado esquerdo numa zona mais sombria, mostra a proa de um navio atracado ao cais de Gaia, onde dois marinheiros se atarefam na manutenção e lavagem do navio.
bour4fig. 4 – Pormanor dos marinheiros na manutenção do navio.
No centro do quadro uma outra personagem, um artista, (repare-se na diferença do vestuário), paleta na mão, está dourando a figura de proa (a carranca), que explica o título da pintura. A carranca representa um guerreiro romano encavalitado no talhamar (a peça da frente da proa) sob o gurupés (o mastro horizontal da proa).
bour6fig. 5 – Marcação do centro do quadro.
bour5fig. 6 - Pormenor mostrando o artista dourando a carranca.
Na parte direita do quadro, mais luminosa, o Douro onde navegam diversos barcos salientando-se um escaler e um barco rabelo
bour7fig. 7 – Pormenor do escaler que se dirige para a Ribeira do Porto.
bour8fig. 8 – Pormenor do barco rabelo.
Dirigindo-se para jusante, um navio da rota das Índias (indiaman), sem pavilhão e por isso de nacionalidade desconhecida.
bour10fig. 9 – Pormenor do navio.
O navio é semelhante aos representados por Manoel Marques d’Aguilar na gravura da entrada da barra do Douro de 1790.
bour9fig. 10 - Perspectiva da entrada da Barra da Cidade do Porto e Fortaleza que a defende. Dedicada ao Ulmo. e Exmo. Senhor José de Seabra e Silva, Secretário d'Estado de Sua Magestade Fidelíssima da Repartição dos Negócios do Reyno. 1790, gravura a água-forte 44 x 28 cm.
bour9afig. 11 – Manoel Marques d’Aguilar (1767-1816) Pormenor da Perspectiva da Entrada da Barra da Cidade do Porto e Fortaleza que a defende 1790.
Ao fundo a cidade do Porto onde junto da muralha se encontram ancoradas diversas embarcações.
Como o quadro está datado de 1886, e Bourdain pinta sobretudo temas históricos, a cena situa-se nos finais do século XVIII e inícios do século XIX.
bour11fig. 12 – Pormenor da cidade do Porto do convento de S. Bento da Vitória até ao cubelo da muralha fernandina.
Por isso a cidade do Porto, com luz de poente e onde se distingue o morro da Vitória, o morro da Sé, a igreja dos Grilos, o Paço Episcopal, a muralha e o casario e o cais da Ribeira, é provavelmente inspirada na gravura de George Vivian do álbum Scenery of Portugal & Spain, publicado em Londres em 1839. Note-se o pormenor do Palácio Episcopal e dos barcos rabelos.
bour12fig. 13 – Pormenor da Sé e do Paço Episcopal.
bour13fig. 14 – George Vivian(1798-1873) Oporto from Villa nova litografia de Louis Haghe (1806-1885) in Scenery of Portugal & Spain, 14 Pall Mall, East P. and D. Colnaghi and Com. London 1839.
Bourgain aproveita alguns detalhes dos navios para esconder a Torre dos Clérigos e a Ponte das Barcas. (Na data da pintura já a ponte Luís I estava em conclusão e na data que o quadro pretende evocar existia a Ponte das Barcas).
bour14fig. 15 – Dois pormenores que “escondem” à esquerda a Torre dos Clérigos e à direita a Ponte das Barcas.


























2 comentários:

  1. Foi uma agradável surpresa este quadro da hipotética (mas verosímil) paisagem portuense. Gosto particularmente da forma como o rabelo e o navio de linha estão representados.

    O seu blog é também ele incontornável. Sobressai o esmero colocado nas suas publicações.

    Atentamente,
    Nuno Cruz

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  2. Caro Nuno Cruz
    Agradeço e retribuo já que "frequento" assiduamente o seu blogue.
    Saudações

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