Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Deambulações pelo Castelo da rua de Santa Catarina, 8 parte

 

Da Torre de Belém ao Palácio da Pena

Olha, repara bem, vê como o Tejo
Agora está sereno, e socegado;
Pois quantas vezes eu daqui o vejo,
Até ás próprias nuvens levantado?
 [1]


pp17fig. 1 - Thomas Buttersworth (1768–1842), An English frigate and an armed naval cutter becalmed in the Tagus off the Belem Tower c. 1800, óleo sobre tela,35,6 x 43,2cm. colecção particular.

Ao longo desta deambulação a partir dos quadros de John Thomas Serres, que se prolongou pela navegação numa muleta do Tejo, vimos como nas imagens na transição do século XVIII para o século XIX, num período que corresponde ao Romantismo, a Torre de Belém foi perdendo o seu carácter de fortaleza defensiva para se ir assumindo como uma imagem e mesmo símbolo da cidade de Lisboa.

pp15fig. 2 - George Vivian(1798-1873) Torre de Belém, frontispício de  Scenery of Portugal & Spain, 14 Pa ll Mall, East P. and D. Colnaghi and Com. London 1839.

Para isso contribuiu o facto de a Torre de São Vicente, com navios entrando e saindo a barra / De proa para países estrangeiros! [2], ser assim a primeira e última imagem dos que, de barco, chegavam a Lisboa ou da capital partiam, tanto mais que a partir de 1665, segundo uma lápide aí existente, passou a desempenhar funções aduaneiras.


[1] Theotonio Joze Xavier da Cunha, Écloga Lereno,e Melibeo, in Poesias de Theotonio Joze Xavier da Cunha. Na Offic. de António Alvarez Ribeiro, Porto, Anno de 1796. (pág. 159).
[2] António Nobre (1867-1900) À Lisboa das Naus cheia de Gloria, est. III in Despedidas 1895-1899, prefácio de José Pereira de Sampaio (Bruno), Porto 1902. (pág.69).



A Torre de Belém na visão de alguns estrangeiros que por Lisboa passavam até 1850 [1]

1 -  O general francês Charles-François du Périer Dumouriez [2] já em 1766 referia esta utilização da Torre:
…à une lieue et demie de la tour de St. Jean et à une lieue de Lisbonne est la tour de Belem, du cotê du nord, à deux cents pas du Tage; c’est où l’on visite les bâtiments; elle fut fondée par le Roi Don Manuel, qui lui donna le nom de la tour de St. Vincent. [3]

[…a uma légua e meia da torre de S. João e a uma légua de Lisboa situa-se a torre de Belém, no lado norte, e a duzentos passos do Tejo; é aí que são vistoriados os navios; a torre foi fundada pelo Rei Dom Manuel, que lhe deu o nome de torre de São Vicente.]

Lembre-se ainda que as imagens e descrições destas primeiras impressões de Lisboa eram de um modo geral feitas a partir do rio, como escreve em 1810,William Granville Eliot [4]:
The view of Lisbon sailing up the Tagus is delightful; the number of churches and convents in elevated situations, the castle commanding the town, and the apparent whiteness of the houses, with the fleets at anchor in the river, form a coup d’oeil truly picturesque. [5]

[A vista de Lisboa velejando pelo Tejo é muito aprazível; o número de igrejas e conventos em situações elevadas, o castelo dominando a cidade, e a aparente brancura das casas, com os navios fundeados no rio, formam uma paisagem verdadeiramente pitoresco.]

…o castelo dominando a cidade, e a aparente brancura das casas, com os navios fundeados no rio…
pp13fig. 3 - Jean-Baptiste Pillement (1728-1808), A view of Lisbon, óleo s/ tela 84,2 x 111,8 cm. Wikigallery.org. in Almada Virtual Museum e Viático de Vagamundo.

[1] Como não domino o alemão não se referem estes autores.
[2] Charles-François du Périer Dumouriez (1739-1823) general do exército francês distinguiu-se como militar na Guerra dos Sete Anos. Esteve em Portugal entre 1765 e 1766 ao serviço do rei Luís XV, numa missão simultaneamente de diplomata e de informador militar. Dessa estadia escreveu um livro État présent du Royaume du Portugal en l'année1766, onde traça um panorama de Portugal, abordando a sua geografia, as suas defesas militares e os costumes dos portugueses.
[3] Charles-François du Périer Dumouriez (1739-1823), État présent du royaume de Portugal en l'année MDCCLXVI, chez P. Chateauneuf, Libraire Hambourg 1797 (Livre I, Chapitre V, pág.22)
[4] William Granville Eliot (1779-1855), militar,capitão do Royal Regiment of Artillery, mas exercendo funções de engenheiro, distinguiu-se na Batalha de Talavera (junto de Talavera de la Reina, Toledo) travada em 1809 ,após a derrota de Soult em Portuga,l, entre o Exército Inglês com o apoio do Espanhol, comandados respectivamente pelo Tenente- General Arthur Colley Wellesley (1769-1852) futuro Duque de Wellington e pelo general Gregorio García de la Cuesta y Fernández de Celis (1741 -1811) e as tropas de Napoleão Comandadas pelo Marechal Claude Victor (1764-1841) e pelo Major general Horace François Bastien Sébastiani de La Porta (1771-1851) a que se juntou Joseph-Napoléon Bonaparte (1768-1844) o irmão de Napoleão e colocado por este no trono de Espanha com o nome de José I.
[5] William Granville Eliot (1779-1855) A treatise on the defence of Portugal, with a military map of the country: to which is added, a sketch of the manners and customs of the inhabitants and principal events of the campaigns under Lord Wellington, in 1808 and 1809. London printed for T. Egerton Military Library Whitehall 1810. (Chapter X - Lisbon and the Environs – Amusements of the Portuguese, pág. 152).
 
2 -  Na capa do segundo volume do livro de Marianne Baillie, Lisbon in the years 1821, 1822 and 1823, Edward Finden desenha, por volta de 1825, a Torre de Belém junto à qual navegam alguns navios.

pp2fig. 4 - Edward Francis Finden (1791–1857) Belem Castle c.1825. Capa do livro de Marianne (Wathen) Baillie (1795?-1831), Lisbon in the years 1821,1822 and 1823. Second Edition, in two volumes, vo.lII John Murray, Albemarble-street, London MDCCC XXV.

E do mesmo modo, a pintora e litógrafa Celestine Brelaz, nascida em Lisboa mas casada com o suíço Jules François Lenoir, também desenhou, por volta de 1830, uma delicada e romântica vista da Torre de Belém, junto à qual serenamente, navegando pelo sossegado rio, um navio, a todo o pano, parte da foz do Tejo á demanda os mares…[1]


pp1fig. 5 - Celestine (Lenoir) Brelaz (1811-1892), Tour de Belem, Dix Vues de Lisbonne: Dessinées d’après nature & Litographiées par M.lle C.ne B. Lit.h de Schmid, à Geneve, 1840.

Nas figuras repare-se que, para além de prisão (de 1580 a 1830) e de posto aduaneiro (desde 1665), a Torre de Belém estava equipada com um farol, já que era um dos pontos de orientação na entrada da barra. Também um telégrafo óptico, já instalado em 1813 fazendo parte de uma linha da Barra, sendo que o posto telegráfico da Torre de Belém era o único dessa linha que comunicava com os navios. [2]
Curiosamente são diferentes os telégrafos ditos semafóricos ou ópticos que figuram em cada uma das imagens. Na primeira imagem figura um telégrafo de ponteiro e na segunda imagem, um telégrafo de persianas ou de palhetas. Ambos são invenção de Francisco António Ciera [3], que aperfeiçoando e simplificando a invenção dos irmãos Chappe [4], apresentou em 1808 o seu telégrafo de ponteiro.

pp3fig. 6 - Pormenores das figuras anteriores vendo-se no alto da Torre de Belém, à esquerda o telégrafo de ponteiro e à direita o telégrafo de persianas de Francisco Ciera.

[1] Belchior Manoel Curvo Semedo (1766-1838), Ode in Composições Poéticas oferecidas ao Serenissimo Senhor Dom Joaõ, Principe Regente de Portugal, por Belchior Manoel Curvo Semedo, Cavaleiro Professo na Ordem de Christo, Fidalgo da Caza Real, Moço da Camara do Numero do Principe Regente, e primeiro tenente do Real Corpo de Engenheiros, Socio da Academia Tubuciana. Entre os Arcades Belmiro Transtagano. Na Regia Officina Typografica, Lisboa, M. DCCCIII. (pág. 87).
[2] Sobre o telégrafo ver: Major-General António Luís Pedroso de Lima BICENTENÁRIO DO CORPO TELEGRÁFICO 1810-2010 Comissão da História das Transmissões - Liga dos Amigos do Arquivo Histórico Militar Edição da Comissão Portuguesa de História Militar, Lisboa 2010.
[3] Francisco António Ciera (1763-1814), cartógrafo iniciou em 1790 os estudos para a elaboração da Carta Geral do Reino, lente da Academia de Real da Marinha e sócio da Real Academia de Ciências. Em 1803 é nomeado para dirigir a Linha da Barra e em 1810 o Corpo Telegráfico que se encarregará de expandir a rede de Lisboa a Almeida e de Lisboa para o Porto. O telégrafo óptico desempenhou um crucial papel durante as Invasões Francesas. Com a morte de Francisco Ciera em 1814, sucedeu-lhe o seu colaborador João Leal Garcia (1772-18.?) e como Inspector outro dos seus colaboradores, o coronel Pedro Folque (1744-1848). Na Guerra Civil o telégrafo tem de novo um papel determinante mas como esteve nas mãos dos Miguelistas, foi então criado um sistema paralelo ao serviço dos liberais. Na Carta do Porto de Frederico Perry Vidal, de 1844 mas adaptada em 1865 para a Exposição Universal , está representada a Estação do Telégrafo da Lapa.
[4] Claude Chappe (1763-1805) inventou com o seu irmão Ignace em 1793 um telégrafo óptico em plena Revolução Francesa.
 
3 -  Mas para além das imagens, também são muitas as descrições da Torre de Belém que surgem nos livros de viagem, um género que se começa a difundir neste período. [1]
A arquitectura da Torre de Belém é inicialmente definida como mourisca e só mais tarde aparece o termo manuelino.
Assim, o Capitão do Real Regimento de Artilharia William Granville Eliot [2] define a arquitectura da Torre de Belém como mourisca mas, escrevendo no tempo da Guerra Peninsular, salienta sobretudo o seu caracter militar de defesa da entrada do Tejo.
The beautiful Moorish tower, or castle of Belem, remains yet entire; projecting into the river, it serves as a block house for the defence of the harbour, and is mounted with a few pieces of cannon: from the top of the tower, Lisbon, and the whole of the river to the bar at the entrance, is seen to great advantage. [3]

[A bela torre Mourisca, ou castelo de Belém, permanece ainda conservado; projetando-se para o rio, serve como uma fortaleza para a defesa do porto, e aí estão montadas algumas peças de canhão: a partir do topo da torre, têm-se uma vista sobre Lisboa e do rio até à barra o que significa uma enorme vantagem defensiva.]

E Richard Barnard Fisher também define a sua arquitectura como mourisca, mas lamenta os acrescentos que desfiguram a traça original.
…until you arrive at the Castle and town of Belem, a place that will be ever remembered as the spot from which the royal family of Portugal, and a immense number of Portuguese nobility, emigrating to the Brazils, took their departure. The castle of Belem is a prodigious fine Moorish building, and advances majestically in the sea, on a long neck of land. It is unfortumately much defaced, and lessened in beauty by some modern additions, which partake nothing of the original style of building. [4]


[…antes de chegar ao Castelo e povoação de Belém, um lugar que será sempre lembrado como o local de onde partiu para os Brasis a família real de Portugal, bem como muita da nobreza portuguesa. O castelo de Belém é um prodigioso edifício de uma delicada arquitectura Mourisca, e avança majestosamente para o mar, a partir de uma longa faixa de terra. Está infelizmente muito desfigurado, e diminuído na sua beleza por alguns acrescentos posteriores, que em nada correspondem ao estilo original do edifício.]

A data da publicação de Richard Barnard Fisher é a mesma da pintura de John Thomas Serres do Museu da Cidade de Lisboa (1811) e neste podemos observar os acrescentos a que Fisher se refere.

pp4fig. 7 - Pormenor da Torre de Belém no quadro de John Thomas Serres de 1811.

[1] Ver Maria Clara Paulino Uma torre delicada: Lisboa e arredores em notas de viajantes ca. 1750-1850, CITCEM – Centro de Investigação Transdisciplinar «Cultura, Espaço e Memória» FLUP – Via Panorâmica, 4150-564 Porto. www.citcem.org | citcem@letras.up.pt , Edições Afrontamento, Lda. Rua Costa Cabral, 859, 4200-225 Porto.
[2] William Granville Eliot (1779-1855), pertencendo a uma família de militares recebeu uma medalha pela sua acção na batalha de Talavera em 1809.
[3] William Granville Eliot (1779-1855) A treatise on the defence of Portugal, with a military map of the country: to which is added, a sketch of the manners and customs of the inhabitants and principal events of the campaigns under Lord Wellington, in 1808 and 1809. London printed for T. Egerton Military Library Whitehall 1810. (Chapter X - Lisbon and the Environs – Amusements of the Portuguese,Defence of Portugal pág.157)
[4] Richard Barnard Fisher (?-1828), A sketch of the city of Lisbon, and its environs with some observations on the manners, disposition, and character of the Portuguese nation. London 1811 (pág.8).
 
4  - O pintor escocês Henry Aston Barker (1774-1856) iniciou e patenteou em 1797, uma técnica de sucesso a que chamou Panoramas, que consistia em desenhar uma cidade ou um acontecimento em 360 graus.

Em 1813 foi publicada A Short Accounl of the View of Lisbon, [1] com um desenho do panorama de Lisboa exibido no seu edifício em Leicester.

pp5fig. 8 - Explanation of a view of Llsbon, taken on the river Tagus, by Mr. John Burford. Whose Views of Malta and Messina have g1ven very general Satisfaction. and painted by Henry Aston Barker, On Ten Thousand Square Feet of Canvas. now exhlbiti exhlbiting in the Panorama. Leicester Square.

Com uma legenda, ao número 3 corresponde a Torre de Belém, com a seguinte legenda, de onde se salienta apenas a função militar e de prisão:
Belem Castle stands projecting into the river opposite to Belem Church, and was erected by King Emanuel, who named it St. Vincent. It has two batteries, mouting several pieces of cannon, which serve to defend the entrance to the capital. Underneath, below the water-line, are dungeons for state prisoners.

[A Torre de Belém está situada sobre o rio, defronte da Igreja de Belém, e foi construída pelo rei Manuel, que lhe chamou de São Vicente. Tem duas baterias, equipadas de várias peças de canhão, que servem para defender a entrada na capital. No piso inferior, abaixo da linha de água, existem masmorras para os prisioneiros do estado.]

pp5cfig. 9 - Pormenor da parte superior da figura anterior.

Na parte inferior do círculo a margem sul, e no Tejo com o número 33, uma muleta, com a legenda: Boat peculiar to Portugal, called Moleta, or Bean Cod. E com o n.º 35 um barco transportando passageiros de Lisboa para Cacilhas.

pp5dfig. 10 - Pormenor da parte inferior da figura.

[1] A Short Accounl of the View of Lisbon, now exhibited in Henry Aston Barker's Panorama, Leicester Square.. J. Adlard, Printer,23,Barthelomew Close, London 1813.
 
5 -  George Cockburn [1] numa publicação de 1815 mas referida aos anos de 1810 e 1811, classifica a arquitectura como Gótica e salienta a posição estratégica da Torre de Belém.

Belem castle is an old Gothic building, and commads the river. The grenter part is, and long has been, a prison; its battery would be most formidable, if it were mounted, and in order. [2]

[A Torre de Belém é um antigo edifício Gótico, dominando o rio. Durante maior parte do tempo foi, e ainda é, uma prisão; a bateria seria formidável se estivesse montada e em condições.]

E mais adiante volta a referir a Torre de Belém:
…and the old castle of Belem, which, if not strong, is at least a very picturesque object.[3]


[…a antiga Torre de Belém que se não é forte, é ainda assim uma muito pitoresca construção.]


Desta mesma época (1814) existe do coronel George Thomas Landmann [4] , um engenheiro militar que participou na Guerra Peninsular, uma gravura com a Torre de Belém, inserta na monumental obra Historical, Military, and Picturesque Observations in Portugal, illustrated numerous coloured Views and authentic Plans of all the Sieges and Battles fought in the Peninsula during the present War que publicou em 1818. [5]


pp7fig. 11 - Colonel George Thomas Landmann, Torre Velha de Belem, from the West; Estremadura 1814, gravura de Joseph Jeakes Hand-coloured aquatint 25,4 x 33 cm. publicada por Cadell & Davies Strand London. The British Museum. Gravura inserta na Historical, Military, and Picturesque Observations in Portugal. (II Volume, pág. 43).

[1] General Sir George Cockburn (1763-1847), militar e escritor irlandês , tendo viajado por toda a Europa, numa viagem de regresso à Irlanda, Cockburn passa em Portugal em 1811, e dessa estadia resulta o Capítulo VII do Volume II do seu livro, publicado em Dublin em 1815.
[2] George Cockburn (1763-1847), A voyage to Cadiz and Gibraltar, up the Mediterranean to Sicily and Malta, in 1810 & 11, including a description of Sicily and the Lipari Islands, and an excursion in Portugal, Dublin 1815. (cap. VII,pág. 145).
[3] Idem. (cap. VII, pág. 202).
[4] Coronel George Thomas Landmann (1779-1854) engenheiro militar serviu no Royal Engineers em diversos países incluindo Portugal. Participou nas batalhas de Roliça e do Vimieiro em 1808. Assumindo o comando do corpo de engenheiros construiu diversas pontes e pontões em Abrantes, Punhete e Vila Velha.
[5]Coronel George Thomas Landmann, Historical, Military, and Picturesque Observations in Portugal, illustrated numerous coloured Views and authentic Plans of all the Sieges and Battles fought in the Peninsula during the present War, 2 vols. Printed por T. Cadell and W. Davies, Strand by W. Blumer and Co. Cleveland-Row, St. James’s London, 1818.
 
6 -  Já depois da Guerra Civil, quando Portugal inicia um período de relativa estabilidade e desenvolvimento, o Conde Charles Dembowski [1] no seu livro Deux ans en Espagne et Portugal pendant la guerre civile, 1838-1840, num estilo romântico, mas que nem por isso deixa de denunciar os atrasos e as desigualdades sociais que nota em Espanha e Portugal, descreve na primeira das suas cartas escritas de Lisboa em Setembro de 1838, a sua primeira impressão de Lisboa:
Lisbonne, ce 13 septembre 1838
Que le Tage est beau dans ce moment! Illuminé par les rayons de la lune la plus pure, on le dirait ume plaine argentée qui tremble à sa surfasse sous le soufflé de la brise. Çà et là d’agiles nacelles, semblables aux gondoles de Venise, passent à voiles enflées au milieu des navires à l’ancre, et l’oeil prend plaisir a les suivre dans leur course vagabonde, jusqu’à ce qu’elles disparaissent dans l’ombre.
A votre droite est un point plus noir que les autres: c’est la tour moresque de Belem, prison d’état où furent détenus, avant leur súplice, le duc d’Aveiro et la belle marquise de Tavora, faussement accusés d’avoir attenté, avec les jésuites, à la vie de Joseph Ier; plus loin les flammes incertaines des phares du Bugio et de Saint-Julien éclairent l’entrée du fleuve, protégée par ces forts, enfim, en face de vous, sont les collines d’Almada…[2]


[Lisboa, 13 de Setembro de 1838
Como o Tejo é belo neste momento! Iluminado pelo mais puro luar, dir-se-ia uma planície prateada cuja superfície treme sob o sopro da brisa. Aqui e além ágeis barcarolas, semelhantes às gôndolas de Veneza, com as velas pandas deslizam no meio dos navios ancorados, e com prazer as seguimos com o olhar nos seus percursos vagabundos, até que desaparecem na sombra.
À vossa direita destaca-se uma silhueta mais negra. É a torre mourisca de Belém prisão do estado onde foram feitos prisioneiros, antes do suplício, o duque de Aveiro e a bela marquesa de Távora, falsamente acusados de terem atentado, com os jesuítas, contra a vida de José I; mais ao longe as chamas incertas dos faróis do Bugio e de São Julião iluminam a entrada do rio, protegido por estas fortalezas, enfim, perante vós, estão as colinas de Almada…]

Esta visão nocturna do Tejo já tinha sido descrita pelo poeta arcádio Belchior Manoel Curvo Semedo [3]
Oh ceos! Desde que sulco o Tejo undoso,
Nunca vi, nem gozei noite mais bella!
 [4]

E Lisboa e o Tejo foram, no início do romantismo, pintados por Thomas Buttersworth [5]

pp14fig. 12 - Thomas Buttersworth (1768–1842), On the mouth of the Tagus, óleo sobre tela 23 x 30,5 cm. colecção particular.

…ou celebrados em verso por Filinto Elíseo, [6] que numa nota a este soneto refere: Uma manhã de Julho, que me puz á janella, na Ribeira das Naos, vinha-se erguendo o sól tão corado , e dava táes vislumbres aos novelinhos de névoa que se despegavão do Tejo , que se me afigurou o que diz o Soneto.

Soneto
Quem vio, do Tejo erguer-se um fumo brando
Com visos de alva cassa transparente;
Córar-se ao Sól roxeando no Oriente,
Entre neve e carmim luzes cambiando:


Quem vio este vapor ir-se moldando
Em mil formas, de aspecto differente;
Qual , nas formas, crystal resplandecente
Vai diversas effigies acceitando:

Se acaso vio fingir-se a névoa pura
N'alvos membros de Dama delicada,
Talhados pela mão da Formosura,

Vio em tosco uma cópia debuxada
D'aquella, em que empreguei toda a ternura,
Do meu Bem, minha Marcia tanto amada. [7]


E se Dembowski não caracteriza a arquitectura da Torre de Belém, na página seguinte, ao referir os Jerónimos, define a arquitectura do mosteiro de Santa Maria de Belém, como gótico-mourisca:
De ses anciens monuments il ne lui reste que l'immense couvent de Sainte-Marie de Belem, mélange curieux d'architecture gothico-mauresque, bâti par le roi Emmanuel sur la plage d'où Vasco de Gama partit à la découverte du cap de Bonne-Espérance;…[8]


[Destes antigos monumentos apenas existe o imenso convento de Santa Maria de Belém, mistura curiosa de arquitectura gótico-mourisca, construído pelo rei Manuel na praia de onde Vasco da Gama partiu à descoberta do cabo da Boa-Esperança;…]

[1] Charles, ou Karol, Dembowski (?-?) nascido provavelmente em Itália mas de ascendência polaca, talvez com laços familiares com o general de Napoleão Jan Dembowski (1773-1823), publica em 1841 em Paris, Deux ans en Espagne et Portugal pendant la guerre civile. 1838-1840, em francês numa língua que ele mesmo afirma não ser a sua língua materna, um conjunto de cartas a personalidades que cita, como a condessa de Bourke, (será ? Maria Assunta Leonida Butini condessa de Bourke 1764-1845), a condessa Visconti (será? Frances-Sarah Guidoboni-Visconti, 1804-1883), a Sigismondo barão de Trecchi (1780-1850), e ao barão de Maresje. (será? Adolphe de Mareste (1784-1867). Ao certo Prosper Mérimmée (1803-1870), Stendhal (Henri-Marie Beyle 1783-1842).
[2] Conde Charles, ou Karol, Dembowski é o autor de Deux ans en Espagne et Portugal pendant la guerre civile. 1838-1840, Librairie de Charle Gosselin, Rue Saint-Germain-des-Pres, n.º 9, Paris 1841. (pág. 175 e 176).
[3] Belchior Manoel Curvo Semedo (1766-1838), Fidalgo da Casa Real, Cavaleiro da Ordem de Cristo e capitão do Corpo de Engenheiros e escrivão da Alfândega de Lisboa. Foi, em 1790, um dos fundadores do movimento intitulado Nova Arcádia, com o pseudónimo de Belmiro Transtagano. Em 1793 Curvo Semedo participa na fundação do Almanaque das musas, publicação que pretendia reunir e divulgar as obras da Nova Arcádia. Celebrizou-se sobretudo pela sua tradução das Melhores Fábulas de La Fontaine (1820). É o autor de Composições Poéticas (editadas em 1803, em 180 e em1835) e da Ode na Feliz Exaltação ao Sólio Português do Senhor D. Miguel I de1828.
[4] Belchior Manoel Curvo Semedo (1766-1838), in Composições Poéticas oferecidas ao Serenissimo Senhor Dom Joaõ, Principe Regente de Portugal, por Belchior Manoel Curvo Semedo, Cavaleiro Professo na Ordem de Christo, Fidalgo da Caza Real, Moço da Camara do Numero do Principe Regente, e primeiro tenente do Real Corpo de Engenheiros, Socio da Academia Tubuciana. Entre os Arcades Belmiro Transtagano. Na Regia Officina Typografica, Lisboa, M. DCCCIII. (pág.22).
[5] Thomas Buttersworth (1768-1842) alistou-se na Real Marinha Britânica em 1795 e combateu durante as Guerras Napoleónicas a bordo HMS Caroline. Em 1800 tornou-se pintor de marinhas.
[6] Filinto Elísio (1734- 1819) pseudónimo de Francisco Manuel do Nascimento, sacerdote, que lhe foi atribuído pela Marquesa de Alorna de quem foi professor de Latim no Convento de Chelas. Em 1778 foi denunciado à Inquisição e fugiu do país refugiando-se em Paris. Aí conheceu o poeta romântico Alphonse de Lamartine (1790-1869). Publicou as suas obras em Paris entre 1817 e 1819 onde morreu. Os seus restos mortais foram transladados em 1843 para o cemitério do Alto de S. João em Lisboa.
[7] Filinto Elísio (1734/1819), Obras Completas de Filinto Elysio, Segunda edição, emendada, e accrescentada com muitas Obras inéditas , e com o retrato do Autor. Tomo 1°. Na officina de A. Bobée, Paris 1817. (pág. 277).
[8] Conde Charles, ou Karol, Dembowski é o autor de Deux ans en Espagne et Portugal pendant la guerre civile. 1838-1840, Librairie de Charles Gosselin, Rue Saint-Germain-des-Pres, n.º 9, Paris 1841. (pág. 177).

7 - O aparecimento do termo manuelino

Na procura, liberal e romântica, de um estilo de arquitectura que fundamentasse a identidade nacional a partir dos mosteiros da Batalha e dos Jerónimos e do convento de Cristo em Tomar, estendendo-se a outras construções por todo o sul do país, aparece a designação manuelino, para designar um conjunto de características desses mesmos edifícios.

Assim em 1839, Almeida Garret numa nota à 2ª edição do poema Camões, escreve a propósito dos Jerónimos que a sua arquitectura é de um género tão único e especial que se deveria designar talvez por manuelino. [1]


E o historiador brasileiro Francisco Adolfo de Varnhagen [2] num pequeno livro intitulado Notícia Histórica e Descriptiva do Mosteiro de Belém, de 1842, propõe que
… as espheras armillares e as cruzes de Christo são os mais communs ornatos de toda essa architectura, pertencente sim, em geral, á épocha anarchica do renascimento, mas constituindo em Portugal um estylo particular sui generis, que ainda se hade caracterizar com o nome talvez de manuelino, quando por cá se der importância á architectura , que de certo está mui longe de consistir nas regras materiaes de Vignola e seus numerosos commentarios seguidos nas escholas. [3]

E, na página seguinte, enumera mesmo um conjunto de características que definem o estilo.
No livro está inserta uma gravura do Mosteiro dos Jerónimos, a partir da pintura de Robert Batty (1789-1848)  S.t Geronymo, Belem de 1830 (ver neste blogue Deambulações pelo Castelo da rua de Santa Catarina 6 parte), assinada por Fonseca (António Manuel da Fonseca1796—1890).
pp10fig. 13 - António Manuel da Fonseca (1796—1890), gravura a partir de Robert Batty, inserta no livro de Francisco Adolfo de Varnhagen, Notícia Histórica e Descriptiva do Mosteiro de Belém, de 1842.


Do mesmo modo, escrito provavelmente por estes anos, mas apenas publicado em 1854, Memória inédita acerca do edifício monumental da Batalha de Luís da Silva Mousinho de Albuquerque [4]  este autor, evocando a publicação do architecto Murphy [5], a propósito das capellas imperfeitas, escreve:

Nos edifícios do género muito particular de architectura a que ousarei chamar Emanuelina, não se observam já as formas geraes ponte-agudas nem a tendência decididamente pyramidal, que, segundo a judiciossima asserção de Murphy, caracteriza essencialmente a architectura gothica. [6]

E na página seguinte refere os edifícios Emanuelinos, como se vê no templo de Belem e em outros d’este género.





pp11fig. 14 - James Murphy, Plate 13, The entrance of the Mausoleum of Emanuel the Great King of Portugal in Plans, Elevations, Sections and Views of the the Church of Batalha 1795.

E o escritor Terence McMahon Hughes [7] usa já, em 1847, a designação de manuelino aplicada ao mosteiro da Batalha, escrevendo que é mais fácil:
…make the epithet Manueline aptly describe it. There is a fantastic originality in the architectonic ideas which presided over this construction (Batalha), by means of which the thoughts of the architecte, communicated to stone, have succeeded in aptly representing the great era which Dom Manoel lived. The style is half Moro-Byzantine, half Norman-Ghotic, and what severe critics woul cal “depraved”, but i tis undeniably original and distinctive, and succeeds in producing the result of every artistical work-effect.


[... fazer o epíteto manuelino do que apropriadamente descrevê-lo. Há uma originalidade fantástica nas ideias arquitectónicas que presidiram a esta construção (Batalha), por meio do qual os pensamentos do arquitecto, ao serem comunicados à pedra, conseguiram representar adequadamente a grande época em que Dom Manoel viveu. O estilo é metade Mouro-Bizantino, metade Norman-Gótico, e o que, os mais críticos chamaram "depravado", é inegavelmente original e diferente, e tem como resultado produzir todo efeito do trabalho artístico.]



Mas num parágrafo, em que descreve um percurso pela margem do Tejo, faz uma sucinta referência à Torre de Belém, considerando-a uma das mais belas fortalezas da Europa:
…. Now we pass through an arch by the palace of the Marquis de Loulé, to Pedrouços, and diverge to the Tower of Belem, which is one of the most beautiful Castles in Europe, erected also in the time of Dom Manoel, and exquisite for the filigree stonework of its exterior tracery and the brightness of its Arabesque colonnades. [8]

[…Agora estamos a atravessar um arco junto ao palácio do Marquês de Loulé, para Pedrouços, e desviamo-nos para a Torre de Belém, que é um dos mais belos castelos da Europa, também construída no tempo de D. Manuel, e extraordinária pela filigrana das suas cantarias, pelo seu rendilhado exterior e pelo brilho de suas colunatas Arabescas.]


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fig. 15 – Tomás José da Anunciação (1818-1879) e Diogo José de Oliveira da Cunha (act. Entre 1820 e 1855), Torre de Belém em 1845, litografia 23,1 x 35,4 sem esquadria, Biblioteca Digital da Biblioteca Nacional de Portugal.

[1] Almeida Garrett, Camões. Nota à 2ª edição, Lisboa 1839. (pág.203).
[2] Francisco Adolfo de Varnhagen, o visconde de Porto Seguro (1816-1878), engenheiro militar, diplomata e historiador. Escreveu Notícia do Brasil entre 1835 e 1838 o que o levou a localizar o túmulo de Pedro Alvares Cabral na igreja da Graça em Santarém. Como diplomata esteve colocado em Lisboa e em Madrid. Em 1842 publica a Notícia Histórica e Descriptiva do Mosteiro de Belém. Entre 1854 e 1857 publicou a História Geral do Brasil.
[3] Francisco Adolfo de Varnhagen, Noticia Historica e Descriptiva do Mosteiro de Belém, com um Glossário de Varios Termos respectivos principalmente à Architectura Gothica. Na Typographia da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Uteis, Rua Nova do Carmo n.º 39—D. Lisboa.1842. (pág.9).
[4] Luís da Silva Mousinho de Albuquerque  (1792-1846), engenheiro militar, escritor e político. Participou e distinguiu-se nas lutas liberais. Foi deputado e ministro, provedor da Casa da Moeda, Governador da Madeira e inspector das Obras Públicas. Foi membro da Academia das Ciências.
[5] James Murphy (1760-1814) Plans, Elevations, Sections and Views of the the Church of Batalha inProvince of Estremadura Portugal, with the History and Description by Fr. Luis de Sousa,with remarks.The which is prefixed na Introductory Discours on the Principles of Gothic Architectecture by James Murphy Arch.t , illustrated with 27 plates Printed for I & Taylor, High Holborn MDCCXCV (publicado em fascículos, entre 1792 e 1795).
[6] Luís da Silva Mousinho de Albuquerque, Memória inédita acerca do edifício monumental da Batalha. Typographia Leiriense, Leiria 1854. (pág. 15).
[7] Terence McMahon Hughes (1812-1849). Poeta e escritor, poliglota, viveu sete anos em Espanha, sobre que publicou, em 1845, Revelations of Spain in 1845, by an english residente. Escreveu ainda Irish Stew, or A Taste of Something Spicy and Suitable to the Time, (1836); The Biliad Or How To Criticize: A Satire With The Dirge Of Repeal And Other Jeux D'Espirit (1846) y An e o Overland Journey to Lisbon at the Close of 1846; with a picture of the actual state of Spain and Portugal, 2 vols.),de que extraiu Revelations of Portugal, and narrative of an overland journey to Lisbon, at the close of 1846: with a picture of the present state of Spain de 1847. Escreveu aindaTrês cartas ao excellmo. sr. Rodrigo da Fonseca Magalhães, par do reino sobre o negócio de uma compra de bonds mencionada na Câmara dos Pares em Lisboa = Three letters to Rodrigo da Fonseca Magalhães on the subject of a purchase of bonds refered to in the Lisbon Chamber of Peers e os livros de poemas Iberia won: A Poem Descriptive of the Peninsular War, with Impressions (1847) e The ocean flower: a poem preceded by an historical and descriptive account of the Island of Madeira: a summary of the discoveries and chivalrous history of Portugal and an essay on portuguese literature, de 1848.
[8] Terence McMahon Hughes (1812-1849) An overland journey to Lisbon at the close of 1846: with a picture of the actual state of Spain and Portugal, Hery Colburn, Publisher, Great Malborough street, London M D CCC XL VII. (Vol. II, pág. 325 e 326).
 
8 - Lady Emmeline Charlotte Elizabeth Stuart-Wortley [1] , no seu A visit to Portugal and Madeira, descreve a sua chegada a Lisboa em Outubro de 1851, considerando a Torre de Belém de um modo algo irónico.

At length the lovely little castle of Belem gladdened our vision, - that tiny, delicate building (at least so it looked from the steamer), which the Queen of Portugal might almost have had put under a glass case and sent to Hyde Park, to be put under the other glass case there. Such a toy of a fortification as it is! [2]


[Finalmente, a encantadora torre de Belém alegrou a nossa vista, - essa pequena e delicada construção (pelo menos assim parecia a partir do navio), que a Rainha de Portugal quase a poderia pôr numa redoma de vidro e envia-la para Hyde Park, para lá ser colocada numa vitrine. Já que tal fortificação é um verdadeiro brinquedo!]

pp6fig. 16 - Autor Desconhecido, Torre de Belém 1848. Desenho a lápis de grafite, 16 x 12 cm. Biblioteca Digital Portugal.

E ainda em 1856 Charles Wainwright March [3] , no Sketches and adventures in Madeira, Portugal, and the Andalusias of Spain, escreve:
Soon after our entrance within the river we encountred the Tower of Belem, a half-Gothic half-Moorish structure. Its unaccustomed architecture and iminente position – the uninformed curiosity respecting its original purpose- its varied history and certain fouder, puzzled the mind. It is defended by a battery in front, and at high water is nearly surrounded by water. [4]


[Logo após a nossa entrada no rio, encontramos a Torre de Belém, um edifício meio-gótico meio-mourisco. Sua inusitada arquitetura e iminente posição - a curiosidade que esbarra na pouca informação a respeito da sua finalidade inicial – e a sua variada história e fundação, intrigam-nos. É defendida por uma bateria na frente, e na maré cheia fica quase cercada por água.]

pp9fig. 17 - Adolphe Rouargue (1810-1884.?) in Emile Begin. Voyage pittoresque en Espagne et en Portugal M. M. Rouargue frères ilustrations, Belin-Leprieur et Morizot, Editeurs, rue Pavée- Saint-André-des-Arts, 3. Paris 1852. (pág.543).

E terminamos com esta belíssima pintura de Frank Robinson Dillon com a Torre de Belém num calmo pôr-do-sol com a luminosidade que apenas no Tejo e em Lisboa se podia então apreciar.

fig. 18 - Frank Robinson Dillon (1823 – 1909) The Tower of Belem c. 1850 Óleo sobre tela 71 x107 cm. Guildhall Art Gallery – London.


[1] Lady Emmeline Charlotte Elizabeth Stuart-Wortley (1806-1855), poetisa e escritora inglesa . Com a morte do marido em 1844 iniciou um conjunto de viagens e tornou-se conhecida sobretudo pelo seu livro Travels in the United States, etc. During 1849 and 1850. Morreu em 1855 quando viajava pelo médio oriente então dominado pelo império otomano.
[2] Lady Emmeline Charlotte Elizabeth Stuart-Wortley (1806-1855) A visit to Portugal and Madeira, Chapman and Hall, 193 Piccadilly London 1854. (pág. 4).
[3] Charles Wainwright March (1815-1864), Formado em Direito pelaUniversidade de Harvard em 1837, Charles W. March começa por praticar advocacia mas vem a dedicar-se exclusivamente à escrita como ensaísta, biógrafo e jornalista dos jornais New York Tribune, New York Times e Boston Courier. Em 1850 é publicada a sua obra Reminiscences of Congress. Sobrinho de John Howard March, Cônsul na Madeira de 1816 a1859 e fundador da John Howard March Wine Company. Charles Wainwright March terá residido por um tempo na Madeira.Em 1863 com a morte do tio herda uma fortuna empreende uma viagem de lazer à cidade de Alexandria, onde vem a falecer com apenas quarenta e nove anos de idade. Fonte: Maria Clara Paulino Uma torre delicada: Lisboa e arredores em notas de viajantes ca. 1750-1850.
[4] Charles Wainwright March (1815-1864) Sketches and adventures in Madeira, Portugal, and the Andalusias of Spain. Sampson Low, & Co., 47, Ludgate Hill, Neww York: - Harper & Brothers London 1856. (pág. 99 e 100).





























































































































































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